RE\1031582PT.doc PE536.957v01-00
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Unida na diversidadePT
PARLAMENTO EUROPEU 2014 - 2019 Documento de sessão 15.7.2014 B8-0056/2014PROPOSTA DE RESOLUÇÃO
apresentada na sequência de uma declaração da Vice-Presidente da Comissão/Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança
nos termos do artigo 123.º, n.º 2, do Regimento sobre a Ucrânia
(2014/2717(RSP))
Helmut Scholz, Miloslav Ransdorf, Jean-Luc Mélenchon, Jiří Maštálka, Kateřina Konečná, Younous Omarjee, Sofia Sakorafa, Dimitrios
Papadimoulis
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B8-0056/2014
Resolução do Parlamento Europeu sobre a Ucrânia (2014/2717(RSP))
O Parlamento Europeu,
– Tendo em conta o relatório sobre a situação dos direitos humanos na Ucrânia do Gabinete do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, de 15 de junho de 2014,
– Tendo em conta o artigo 123.º, n.º 2, do seu Regimento,
A. Considerando que o conflito político e militar perdura na Ucrânia desde fevereiro de 2014, quando o presidente ucraniano foi afastado do poder após meses de instabilidade política;
B. Considerando que, em várias cidades da Ucrânia oriental, após a destituição do Presidente Viktor Yanukovych em 21 de fevereiro de 2014, a população da região do sudeste da Ucrânia manifestou-se contra o novo governo; que, em meados de março, grupos armados, que inicialmente se intitulavam de «unidades de autodefesa», invadiram e ocuparam edifícios administrativos em várias cidades, em particular em Donetsk e Luhansk; que as suas reivindicações iam desde a transformação da Ucrânia numa federação à separação das suas regiões do resto do país e à adesão à Rússia; C. Considerando que, em meados de abril, o Ministério do Interior e do Serviço de
Segurança do novo Governo da Ucrânia deu início a operações militares, que o Governo apelidou de «operação antiterrorista», primeiro na região de Donetsk e posteriormente na região de Luhansk; que as operações militares do Governo ucraniano se
intensificaram após as eleições presidenciais antecipadas, em violação das promessas feitas por Poroshenko, recém-eleito Presidente, durante a sua campanha eleitoral no sentido de desanuviar o conflito;
D. Considerando que o cessar-fogo de 10 dias foi frequentemente desrespeitado por ambas as partes e nunca alcançou a maturidade necessária para por termo à violência; que, em 30 de junho de 2014, o Presidente Poroshenko decidiu retomar os ataques militares nas regiões do sudeste da Ucrânia;
E. Considerando que as zonas residenciais, os hospitais e as infraestruturas urbanas, incluindo as centrais de produção hidráulica e elétrica e as escolas, são com cada vez maior frequência alvo das operações militares do exército ucraniano, da Guarda
Nacional e de outras organizações armadas; que, de acordo com o relatório do Gabinete do Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, de 15 de junho de 2015, 356 pessoas - entre as quais 257 civis, incluindo 14 crianças - foram mortas desde o início das operações militares levadas a cabo pelo Governo ucraniano nas regiões orientais de Donetsk e Luhansk; que nas cidades sob cerco escasseiam os alimentos, a água e os medicamentos; que existem provas do recurso a minas terrestres e a bombas de fósforo; que, de acordo com os dados da ONU, cerca de 160 000 refugiados fugiram aos
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combates; que a capacidade do Estado para proteger as pessoas deslocadas no interior do país padece de grandes deficiências;
F. Considerando que as principais razões para o atual conflito na Ucrânia assentam em problemas internos por resolver; que as relações entre Estado e sociedade na Ucrânia são muito frágeis; que a política ucraniana é dominada por oligarcas e que empresários do setor do petróleo e do gás ocupam cargos ministeriais, de governadores e de chefes de importantes instituições ucranianas; que as principais instituições estatais e
democráticas - o parlamento, o poder judiciário e executivo do governo - não cumprem as suas funções elementares de representação, defesa e governação adequadas dos interesses da sociedade ucraniana; que existe uma corrupção generalizada; que, de acordo com um recente relatório da OCDE, as disparidades interregionais são
significativas de acordo com os parâmetros da OCDE e que continuam a agravar-se; que o índice de desenvolvimento humano se deteriorou na maioria das regiões da Ucrânia durante o período de 2000-2010; que os governos a nível subnacional tendem a
depender fortemente de transferências centrais, cuja atribuição eles consideram ser tanto imprevisíveis como menos do que transparentes; que os governos e parlamentos
instigam a desconfiança e o ódio existente entre as diferentes partes da sociedade ucraniana ao tomarem decisões controversas relativas à língua, à história e às relações internacionais; que a recente mudança política não resolveu nenhum destes problemas; G. Considerando que o nível de representação de políticos nacionalistas e xenófobos de
extrema-direita no novo governo da Ucrânia é extremamente preocupante; que o novo Governo não está a conseguir controlar o infame Setor das Direitas; que o Partido Comunista da Ucrânia, o qual apresentou um programa destinado a preservar a unidade da Ucrânia protegendo simultaneamente os direitos de todos os seus cidadãos, é alvo de uma repressão violenta e foi recentemente levado a tribunal com vista à obtenção da sua proibição legal;
H. Considerando que está em curso uma guerra de propaganda entre a Ucrânia, o Ocidente e a Rússia, o que dificulta enormemente a obtenção de informações objetivas sobre a situação na Ucrânia; que seis jornalistas foram assassinados e muitos outros detidos, atacados e intimidados; que os órgãos de comunicação social que criticam o Governo, tais como a sociedade Multimedia Invest Group, são alvo de discriminação;
I. Considerando que, segundo o recente relatório da ONU, a taxa de pobreza na Ucrânia no início de 2014 era de cerca de 25%, com 11 milhões de pessoas a viver em condições abaixo dos padrões sociais locais; que as reivindicações socioeconómicas do movimento Maidan foram substituídas pela agenda neoliberal do novo governo, que tem vindo a aplicar as condições subjacentes ao empréstimo do Fundo Monetário Internacional, incluindo cortes em subsídios em áreas vitais como a energia, o serviço público de emprego e as pensões do setor público, assim como profundos cortes na segurança social, com consequências graves para os setores mais vulneráveis da população; que o atual conflito militar agravou ainda mais a situação; que os preços dos alimentos aumentaram em 8,2% em comparação com os níveis de 2013, fazendo chegar a crise socioeconómica a muitos agregados familiares na Ucrânia;
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para os clientes domésticos e em 40% para as companhias de aquecimento urbano, estando previstos novos aumentos até 2018; que, em vez de negociar soluções para os problemas existentes, com a implementação dos acordos alcançados entre a Rússia e a Ucrânia, ambos os lados estão a causar uma escalada no diferendo relativo ao gás, instigando deste modo receios e emoções na população da Ucrânia;
K. Considerando que os Estados Unidos, os Estados-Membros da UE, a NATO e a Rússia contribuem para o conflito ao prestarem uma importante ajuda política e material, inclusive militar, a ambas as partes envolvidas;
L. Considerando que os Estados Unidos reagiram à crise ucraniana com a adoção de um programa de novos exercícios militares em terra, no mar e no ar na Europa de Leste, que conta com um financiamento de mil milhões de dólares; que o recém-eleito Presidente Poroshenko assinou um «Acordo de Cooperação militar entre os EUA e a Ucrânia» que constitui a base para o estreito envolvimento de assessores americanos nas operações militares do Governo ucraniano, bem como na modernização e reconstrução do exército e em todo o setor de segurança;
M. Considerando que a NATO se está a servir de forma abusiva da crise na Ucrânia para ressurgir e estabelecer um novo confronto com a Rússia, tendo aumentado o número de manobras realizadas em países da Europa de Leste, e que, durante a sua cimeira em setembro de 2014, irá ponderar a adoção de novas estratégias e destacamentos militares na região, violando assim o Ato Fundador sobre Relações Mútuas, Cooperação e Segurança entre a NATO e a Rússia, de 1997, no qual a NATO se posicionou contra o «destacamento adicional de forças de combate permanentes substanciais» na Europa de Leste;
N. Considerando que a UE continua a fechar os olhos perante a situação real na Ucrânia e a apoiar acriticamente o governo ucraniano; que a UE continua a aplicar a sua política de sanções contra a Rússia; que o Acordo de Associação UE-Ucrânia, que integra a zona de comércio livre abrangente e aprofundada, foi assinado não obstante a preocupação e a resistência manifestadas por grande parte da população ucraniana; que a Comissão acordou em várias medidas concretas de assistência à Ucrânia a curto e a médio prazo; 1. Expressa a sua profunda preocupação com o reatamento do confronto militar na Ucrânia
oriental; apela vivamente ao Presidente Poroshenko para que ponha fim à intervenção militar; insta urgentemente todas as partes a chegarem a acordo quanto à reposição imediata do cessar-fogo e a trabalharam em prol da cessação definitiva da violência pela via política e diplomática;
2. Sublinha que a crise política profunda que a Ucrânia atravessa atualmente não pode ser solucionada com meios militares, mas que exige um debate nacional intenso sobre as reformas constitucionais, políticas e económicas necessárias e sobre a orientação geopolítica do país;
3. Apela à Rússia, à UE e aos EUA para que não alimentem o conflito através da prestação de apoio político e material - inclusive militar - às partes envolvidas, e para que
contribuam para a criação de um novo pacto social entre as diferentes partes do país, em que a diversidade seja reconhecida como um elemento largamente positivo da
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identidade ucraniana, e trabalhem em prol da integridade e soberania territoriais do país; 4. Solicita a imposição de um embargo de armas contra todas as partes envolvidas no
conflito, bem como a retirada de todos os assessores e de outros militares estrangeiros da Ucrânia;
5. Pede a todas as partes que se abstenham de recorrer a mensagens de intolerância ou a expressões suscetíveis de instigar o ódio, a violência, a hostilidade, a discriminação ou o extremismo;
6. Manifesta o seu apoio ao reforço do papel da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) na resolução da crise na Ucrânia; apela à execução do «roteiro» elaborado pela Presidência suíça, o qual constitui uma boa base para uma saída da crise pela via política;
7. Manifesta a sua profunda solidariedade para com as famílias das vítimas civis do conflito; condena a violação grave do direito humanitário internacional cometida nas zonas do conflito militar por ambas as partes; solicita que se efetue uma investigação independente de todas as violações dos direitos humanos e que os responsáveis sejam julgados;
8. Manifesta a sua viva apreensão face ao agravamento da crise humanitária nas zonas de conflito; apela a todas as partes envolvidas no conflito para que facilitem o acesso das organizações internacionais às zonas afetadas pelas operações de segurança a fim de poderem avaliar e dar resposta às necessidades reais da população;
9. Solicita que se efetue uma investigação independente e abrangente de todas as violações dos direitos humanos e, em particular, dos crimes de guerra, cometidos em Odessa, em 2 de maio de 2014, e durante as manifestações na praça Maidan, assim como uma investigação dos autores desses crimes; sublinha que este processo deve ser levado a cabo de modo a garantir a confiança na investigação e no julgamento, permitindo às comunidades afetadas aceitar plenamente o resultado da referida investigação; 10. Manifesta a sua profunda preocupação face às consequências das políticas decididas
pelo novo governo na sequência das condições estabelecidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela UE; denuncia o facto de ser o povo da Ucrânia a ter de pagar a política malograda dos governos anteriores, em vez de tributar os oligarcas daquele país;
11. Manifesta a sua profunda preocupação face à instabilidade da política de segurança energética da Ucrânia e às respetivas consequências para os cidadãos; convida a Rússia e a Ucrânia a retomarem a cooperação económica e energética construtiva com vista a garantir que os preços da energia sejam acessíveis para todos, e a absterem-se de utilizar a energia e o comércio como um instrumento político;
12. Apela urgentemente à Ucrânia e aos políticos internacionais para que deem mostras de contenção e evitem declarações suscetíveis de agravar ainda mais o conflito; manifesta a sua extrema preocupação com a guerra de propaganda conduzida por todas as partes; solicita a todas as partes que proporcionem as condições necessárias aos jornalistas e
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outros profissionais dos meios de comunicação social, cujo trabalho é fundamental para uma avaliação objetiva da situação em todas as partes da Ucrânia;
13. Manifesta a sua profunda preocupação devido ao protagonismo político das forças nacionalistas e xenófobas de extrema-direita na política ucraniana; condena os ataques contra o Partido Comunista, assim como as tentativas de o proibir;
14. Manifesta a sua profunda preocupação com o confronto político entre a NATO e a Rússia e com o perigo de uma nova corrida às armas; adverte para o risco de o malogro em encetar um diálogo conducente a resultados ter consequências perigosas para a paz e a segurança na Europa e no mundo;
15. Faz notar o fracasso da política que dissocia a Política de Vizinhança Oriental do desenvolvimento das relações UE-Rússia; sublinha a necessidade de reformular a Política de Vizinhança Oriental tendo em vista o desenvolvimento de uma cooperação regional que não exclua qualquer país; exorta a Rússia a participar de forma
voluntariosa nesse processo e a mostrar a sua vontade de ser parte das boas políticas de vizinhança;
16. Congratula-se com a abertura do diálogo entre a UE, a Ucrânia e a Rússia sobre as medidas destinadas a evitar consequências negativas decorrentes do acordo de associação UE-Ucrânia para a cooperação entre a Ucrânia e a Rússia e a União Aduaneira;
17. Encarrega o seu Presidente de transmitir a presente resolução ao Conselho, à Comissão, ao Parlamento e ao Governo da Ucrânia e às Assembleias Parlamentares da OSCE e do Conselho da Europa.