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Temperos da Vida. O temperamento colérico

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Academic year: 2021

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Temperos

da Vida

Susanne Bartlewski Professora da Escola Waldorf Rudolf Steiner

onhecer os temperamentos ajuda a compreender melhor os indivíduos. Temperamento vem de tempero, é o tempero de cada um, o jeito de falar, de andar e sentar, a maneira de trabalhar; como come, dorme e assim por diante. Podemos dizer que temperamento é a tendência do humor do indivíduo, como ele reage ao seu meio e que grau de sensibilidade tem.

O temperamento é uma tendência inata do indivíduo que ele carregará para o resto de sua vida. É claro que nenhuma pessoa tem apenas um temperamento. Todos nós temos os quatro – que a seguir exponho –, mas geralmente um deles predomina, permeando toda nossa forma de ser e até as nossas características físicas. Quanto mais velhos ficamos, mais o nosso corpo vai espelhar nosso temperamento predominante. Se somos gordos ou magros, esguios ou atarracados não é apenas determinado pela herança genética, o temperamento também modela o nosso corpo.

O temperamento colérico

O colérico é uma pessoa que tem muita energia e uma grande excitabilidade. Tudo no seu ambiente chama-lhe a atenção e desperta-lhe o interesse. Mesmo assim, ele não é nada distraído, ao contrário, é muito concentrado e vai fundo no que faz. Só larga uma coisa quando termina. Chega a ser teimoso mesmo. Mas quando alguma coisa ou alguém se põe em seu

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caminho, vira fera e os menos controlados ficam agressivos. Vive com a cabeça no futuro, tecendo grandes planos e projetos, colocando-se metas a alcançar. Em geral são pessoas de sucesso, já que pegam a própria vida nas mãos e a levam em direção a suas metas sem se perder pelo caminho. O duro, muitas vezes, é conviver com um colérico, agüentar os seus ataques, sua teimosia, arrogância e sua falta de paciência.

O tipo físico mais comum do colérico é daquele sujeito mais atarracado do que esguio, mesmo quando alto. Possui ombros largos, fortes e bem horizontais, pescoço curto e grosso. Seus membros são curtos e compactos como o corpo, assim também são os dedos das mãos e dos pés. Toda a figura dá uma impressão angulosa, quadrada.

Sua postura é sempre orgulhosa, ou cabeça está jogada para trás e o peito empinado para frente (lembrando a postura do galo no galinheiro), ou a cabeça está inclinada para frente, encarando diretamente seu opositor, como um touro antes de atacar. A cabeça do colérico geralmente é grande e o queixo anguloso se projeta para frente.

O colérico pisa com força no chão, pondo o peso do corpo principalmente nos calcanhares. Seu elemento é o fogo, o seu tempo é o futuro e sua cor é o vermelho do calor, da energia que ardem em seu interior.

O temperamento melancólico

O melancólico tem muita energia e pouca excitabilidade. É uma pessoa mais voltada para si mesmo e não percebe tanto o que acontece em seu ambiente. Quando se propõe uma meta, vai fundo nela, nunca se perdendo em superficialidades. Mas, às vezes, perde-se em profundidades. É uma pessoa basicamente triste, que sofre intensamente todo o peso da existência terrena. É um pessimista nato e tende a ter pouca autoconfiança. Vive no passado com saudade dos bons tempos e pode ser rancoroso. Por causa desse seu jeito, dessa sua capacidade de sofrer, consegue como ninguém desenvolver a compaixão pelo próximo; é capaz de sentir a dor que os outros sentem. É um bom temperamento para um médico, por exemplo. O melancólico também tem uma profunda sensibilidade artística.

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O tipo físico do melancólico é mais longíneo, sendo que a parte superior do corpo é mais delicada e alongada e a parte inferior mais grosseira, às vezes mais larga, dando a impressão de um formato de pêra. É como se a força da gravidade o puxasse para baixo. Característica marcante do melancólico são as duas pálpebras caídas e a falta de brilho nos seus olhos, dando-lhe uma expressão triste; alguns até parecem que vão começar a chorar a qualquer instante. Sua cabeça tende a ser alongada e os ombros caídos. Os braços são longos e finos assim como suas mãos e especialmente os dedos. As pernas, em geral, são relativamente mais curtas, às vezes grossas ou ossudas. O melancólico anda de forma pesada e arrastada.

O elemento do melancólico é a terra, o seu tempo é o passado e sua cor é azul escuro, como sua tendência de profundidade é de fechar-se em si mesmo.

O temperamento fleumático

O fleumático tem pouca energia e pouca excitabilidade. O seu ambiente não o atinge muito, embora seja muitas vezes um bom observador. Ele está sempre de bem com a vida, tem um ótimo senso de humor e sabe rir de si mesmo. Aliás, está quase sempre com um sorriso estampado no rosto quando não está dando sonoras gargalhadas. A pessoa fleumática vive em processos vitais como o sono e, principalmente, degustação. Adora comer e beber. Para ele não tem nada melhor que uma mesa farta num ambiente agradável e um bom papo com os amigos. Muitas vezes o fleumático é um ótimo dançarino quando vence a sua preguiça inata.

Seus movimentos assim como sua fala são lentos, às vezes extremamente lentos. São aquelas pessoas que dão vontade de ajudar a falar. Vivem no presente com calma e tranqüilidade e são extremamente sensíveis a todas as manifestações da natureza.

O tipo físico do fleumático tende mais ao arredondado, justamente por causa do seu prazer pela comida e sua preguiça de movimentar-se. É aquele gordo simpático de que todo mundo gosta. Seu rosto é redondo e largo como a lua cheia de tal forma que olhos, nariz e boca em geral parecem pequenos. Os ombros não são largos, mas os membros, embora mais cheinhos, são proporcionais em relação ao corpo. O andar do fleumático é pesado e um pouco

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cambaleante, balançando de uma perna para outra semelhante ao andar de um pato. Seu elemento é a água, seu tempo é o presente e sua cor é o verde vegetativo, vital.

O temperamento sangüíneo

O sangüíneo tem pouca energia e muita excitabilidade. Qualquer manifestação de seu ambiente, por menor que seja, chama a sua atenção e o atrai para o movimento. É extremamente distraído por não conseguir fixar-se em nada. Sempre aparece algo novo para ver e fazer. É aquela pessoa que vai para algum lugar com a intenção de fazer determinada coisa, mas no caminho encontra mil outras coisas a fazer, de modo que quando finalmente chega ao destino não sabe mais o que foi fazer lá. Por isso tem grande dificuldade em concentrar-se, em terminar o que começou e tende a ser superficial. As pessoas sangüíneas, no entanto, estão sempre felizes, tudo é leve, bonito e motivo para alegria. Elas nunca são rancorosas e perdoam com facilidade. São extrovertidas e sempre têm algo para contar, sendo ótimas parceiras para programas dos mais diversos, inclusive aventuras, desde que não exijam esforço demais.

Os sangüíneos são otimistas natos e tudo só pode dar certo. Até a dor física pouco os atinge, parece que nem a sentem. O sangüíneo vive no social, é uma pessoa querida e adorável, flexível e ágil. O tipo físico do sangüíneo é bonito de formas bem proporcionadas e harmônicas. Tudo em seu corpo e seu rosto é equilibrado e belo. Seus olhos são brilhantes como pedras preciosas e estão sempre em movimento. A parte mais importante de seu rosto é o nariz, que pode ser bem desenvolvido e expressivo ou pequeno e tendendo ao arrebitado. O andar da pessoa sangüínea é leve e mais na ponta dos pés, dando às vezes a impressão de que mal toca o chão.

Seu elemento é o ar, seu tempo é o presente e sua cor é o amarelo com sua característica luminosa e de constante expansão. Se olharmos para o ciclo de vida do ser humano do ponto de vista dos temperamentos, podemos constatar que cada faixa etária corresponde a um deles.

A criança é principalmente sangüínea. Ela está sempre aberta ao mundo e tudo lhe interessa, chama a sua atenção. Ela não consegue ater-se a algo por muito tempo, é puro movimento.

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O jovem tende ao temperamento colérico. Vive no elemento colérico com seus grandes planos e ideais de transformar o mundo. Reage também muitas vezes de forma colérica a interferências em sua vontade.

Na maturidade o homem tende a ser melancólico. O adulto aprofunda-se, especializa-se em sua carreira ou dedica-se a suas tarefas de forma a aprimorá-las. Se por algum motivo não pode fazer isto, freqüentemente entra em crise.

Na velhice o temperamento que mais aparece é o fleumático. O velho torna-se mais lento nos torna-seus movimentos, retira-torna-se da agitação do cotidiano e obtorna-serva os mais jovens com uma simpática benevolência (se tiver alcançado a sabedoria) ou indiferença (se não a tiver alcançado). O que mais o desgosta é o atraso de suas refeições.

Sabendo que temos um pouco de cada temperamento em nós mesmo, seria útil se nos tornássemos bons cozinheiros, conhecedores das qualidades de cada um dos temperos. Assim poderíamos usar cada um deles e a combinação de vários de acordo com o que cada situação da vida pede, dando-lhe um bom sabor.

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