TAREFA CURSO DE VERÃO _ REDES
UTAD
Exercício
A partir de uma experiência prática que pode ser um projecto, uma actividade, uma organização, encontrar pontos de ligação ou de afastamento com o conceito de rede e tipos de rede, parcerias e sustentabilidade.
Actividade escolhida: Encontro Distrital de Pessoas em Situação de Pobreza
Promovida por: Núcleo Distrital de Vila Real da REAPN
1. TIPOLOGIA DA ACTIVIDADE
O Núcleo Distrital de Vila Real da Rede Europeia Anti-Pobreza/ Portugal, no âmbito do seu Plano de Actividades anual, promoveu o Encontro Distrital de Pessoas em Situação de Pobreza. Esta acção decorreu no Instituto Português da Juventude no dia 22 de Maio de 2009.
Com o objectivo de chamar à participação pessoas que vivem em situação de pobreza e/ou exclusão social do distrito e potenciar uma reflexão sobre as causas e formas de enfrentamento encontradas por estas pessoas. O Núcleo Distrital de Vila Real pretendeu introduzir no distrito um trabalho que permitisse uma reflexão sobre as formas de pobreza do ponto de vista das pessoas que vivem em situação de pobreza, nomeadamente a percepção que estas pessoas têm das medidas de política social que beneficiam ou deveriam beneficiar. Com esta actividade
nomeadamente a mobilização e participação dos principais actores. Segundo as recomendações do PNAI 2008 – 2010, as entidades que mais directamente trabalham com pessoas e grupos assim como o Fórum Não Governamental para a Inclusão Social devem continuar a trabalhar no sentido de mobilizar e activar à participação das pessoas que vivem em situação de pobreza.
A par desta reflexão, aliou-se um espaço de carácter mais formativo (parte da tarde) contribuindo deste modo para colmatar as dificuldades muitas vezes sentidas por estes cidadãos/ãs em situação de desfavorecimento social no que diz respeito à gestão do rendimento mensal. Procurámos introduzir e reforçar os comportamentos ajustados no âmbito da gestão económica.
Desta forma, este encontro dividiu-se em três momentos chave: workshop de reflexão: “A verdadeira participação é uma condição para a real inserção social”, dinamizado na parte da manhã pelo facilitador Óscar Bernardes e relatado pelo relator Pedro Silva; Workshop formativo: economia doméstica, dinamizado pelo facilitador Óscar Bernardes e a parte final da leitura e discussão das conclusões do encontro, a cargo do relator Pedro Silva.
2. DEFINIÇÃO DOS OBJECTIVOS
No final deste encontro podemos concluir que cumprimos os objectivos propostos. Assim sendo:
Promovemos uma cultura de participação das pessoas em situação de pobreza e/ou exclusão social numa lógica de auscultação e empowerment;
Sensibilizamos a opinião pública para as questões da pobreza e exclusão; Promovemos a cidadania de grupos sociais mais vulneráveis;
Promovemos a experimentação de novas estratégias de combate à pobreza;
Compreendemos a natureza da pobreza na perspectiva das pessoas que se encontram em situação de pobreza e/ou exclusão social, mediante uma focalização das suas realidades, necessidades e prioridades;
Permitimos que as pessoas em situação de pobreza façam uma análise das suas situações para que iniciem os seus próprios processos de redução de pobreza.
3. DESTINATÁRIOS
Tendo em conta os objectivos do encontro e a metodologia adoptada (metodologia participativa e utilização de métodos afirmativos e activos), esta actividade teve diferentes tipos de destinatários. O workshop reflexivo e o workshop formativo teve como destinatários finais 91
pessoas em situação de pobreza e/ou exclusão social. Estas pessoas foram sinalizadas pelas equipas do Rendimento Social de Inserção (RSI) dos concelhos de Santa Marta de Penaguião, Peso da Régua e Vila Real em parceria com Redes Sociais (Peso da Régua). As equipas do RSI tiveram um primeiro contacto com as pessoas que consideraram ter um perfil adequado para as dinâmicas do Encontro sendo que após esse contacto, o Núcleo Distrital de Vila Real da REAPN explicou toda a metodologia, objectivos, filosofia deste encontro a cada participante ficando assim cada um responsável opção em participar ou não.
A parte final das conclusões estava aberta aos participantes, protagonistas de todo o encontro, técnicos superiores do Terceiro Sector, dirigentes, sociedade civil e meios de comunicação social. Estiveram presentes, assim, nas conclusões do encontro duas técnicas de equipas do rendimento social de inserção; 1 técnica do programa vida emprego (associada do Núcleo), 1 ajudante de acção directa da equipa do RSI e naturalmente as 9 pessoas em situação de pobreza.
4. TRABALHO EM REDE / PARCERIA
O conceito de rede analisado neste exercício procura caracterizar os processos recíprocos de interacção entre o indivíduo e a sociedade, tal como analisou Simmel a partir da “configuração” do “cruzamento de círculos sociais”. O conceito de parceria implica também uma ideia de processo. Ou seja, um processo de acção conjunta, com vários actores e protagonistas (colectivos e individuais), que se unem à volta de um objectivo partilhado, disponibilizam recursos para em seguida definirem e negociarem estratégias e caminhos que viabilizam o referido
objectivo, avaliando os seus resultados. O que distingue rede e parceria? Rede é um processo mais abrangente envolvendo dinâmicas de parceria.
A figura 1 representa a dinâmica de trabalho em rede e em parceria visível nesta actividade.
Fig. 1 – Representação das relações estabelecidas na actividade: Encontro Distrital de Pessoas em Situação de Pobreza Rede Social do Peso da Régua Equipa RSI do Peso da Régua Rede Social de Vila Real REAPN Rede Social de Santa Marta de Penaguião Equipa RSI de SMP Equipa RSI de Vila Real
De acordo com o esquema apresentado (a azul), identifico o estabelecimento de rede estruturada, mista e formal entre REAPN e as outras redes sociais (Sta. Marta de Penaguião, Vila Real e Peso da Régua) por via da adesão formal ou informal ao CLAS destas redes. Classifico uma rede formal porque consigo identificar as seguintes características:
Provem de contexto institucional
Objectivo é implementar serviços para responder a necessidades sociais (lutar contra a pobreza e exclusão social) Stakeholders com relativa adesão aos interesses estratégicos.
A partir do estabelecimento destas redes formais criou-se parcerias activas identificadas através do estabelecimento de redes não formais entre a REAPN e as equipas do RSI (a cinzento). Ou seja, das redes formais resultou o estabelecimento de parcerias activas baseadas numa rede de carácter mais informal e espontâneo cujas características são:
Desenvolveu-se em contexto institucional
É autónoma (não depende da autorização de outras redes e/ou parceiros como a rede social ou Segurança Social), apesar de uma equipa do RSI ter pedido autorização ao Centro Distrital de Segurança Social para trabalhar em parceria.
Divisão de papéis entre actores é rígida
Caracterizo as parcerias entre a REAPN e as redes sociais neste caso como parcerias activas tendo como origem as actividades mas com uma tendência muito forte para basearem a sua acção nos recursos, o que baseia muitas vezes estas redes em consensos artificiais e dependentes. Relativamente às parcerias estabelecidas entre a REAPN e as equipas do RSI caracterizo como parcerias activas no sentido em que concretizam sinergias, os papeis e funções são claramente definidos, parcerias abertas à discussão e discordância que têm a sua origem claramente na actividade em si.
Resumindo, para o trabalho em concreto de parceria foram estabelecidas 2 tipos de redes. A rede estabelecida entre a REAPN e as redes sociais foi uma rede formal e institucional. Já a rede estabelecida entre a REAPN e as eq uipas do RSI foi mais espontânea baseada em contactos informais. Estabelecida esta análise, importa compreender as redes entre a REAPN e os participantes (pessoas em situação de pobreza). Caracterizo esta rede como claramente informal e espontânea visto que é nitidamente uma rede sem compromissos formais e muito flexíveis. Há uma espontaneidade decorrente dos contactos informais estabelecidos e não obrigatoriedade de presença. O objectivo final é trabalhar esta rede informal em parceria com a REAPN e os diferentes stakeholders de forma a criar uma rede formal expressa num conselho consultivo formado por pessoas em situação de pobreza que pode ser constituído legalmente. Ou seja, em cada distrito haver um conselho consultivo que terá representatividade a nível nacional a partir da rede formal REAPN.
Na prática, o que se verificou com esta actividade e com aquilo que se pretende fazer é criação de redes formais para dar legitimidade às redes informais trabalhando com parcerias activas. Vejamos a figura 2 que representa todo o esquema da actividade em rede sendo o círculo a rede de configurações:
REAPN / participantes (CCN) Participantes / associação REAPN Rede Social / REAPN
P
A
R
C
E
R
IA
A
C
T
IV
A
Actividade
Rede Formal Rede Informal Equipas do RSI / REAPN Rede Formal Rede Informal5. PRINCIPAIS CONCLUSÕES E FORMAS DE SUSTENTABILIDADE
Na intervenção social e com a realização de uma actividade como o Encontro Distrital de Pessoas em Situação de Pobreza consigo claramente perceber que, neste caso concreto, há uma dinâmica de rede formal que legitima as redes informais suportando e assegurando o cumprimento dos objectivos desta actividade. Ou seja, podemos colocar duas questões:
Será que as redes formais produzem dentro de si redes informais para conseguirem concretizar objectivos e operacionalizar acções e/ ou projectos?
Será que as redes informais sentem uma necessidade de legitimação tal que é necessário a criação de redes formais para a concretizar objectivos e operacionalizar acções e/ ou projectos?
De acordo com a experiência do Núcleo Distrital de Vila Real, coloco uma questão essencial quando pensamos em sustentabilidade: o que é que estas Redes e Parcerias contribuem para o objectivo final que é constituir um Conselho Consultivo de Pessoas em Situação de Pobreza (CCPSP)? São elas próprias (redes e parcerias) a base para todo este processo. É através da criação de Redes e Parcerias que poderemos pensar num CCPSP promovendo, através de processos de participação e empowerment, formas de exercício de cidadania activa resultando numa inclusão activa dos cidadãos(ãs).
Catarina Oliveira Núcleo Distrital de Vila Real da Rede Europeia Anti – Pobreza / Portugal