Universidade do Minho
Instituto de Educação
abril de 2017
Relatório de Estágio. A Formação Contínua
dos Professores de Educação Física – uma
visão sobre as Atividades de
Exploração da Natureza
Joana Margarida Dias Libório
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elatório de Es
tágio. A F
ormação Contínua dos Professores de Educação Física
– uma visão sobre as Atividades de Exploração da Natureza
UMinho|2017
Joana Margarida Dias Libório
abril de 2017
Relatório de Estágio. A Formação Contínua
dos Professores de Educação Física – uma
visão sobre as Atividades de
Exploração da Natureza
Universidade do Minho
Instituto de Educação
Trabalho realizado sob a orientação do
Professor Doutor António Camilo Teles
Nascimento Cunha
Relatório de Estágio
Mestrado em Ensino de Educação Física
nos Ensinos Básico e Secundário
Nome
Joana Margarida Dias Libório Cartão de Cidadão
13969535 Correio eletrónico
Título
Relatório de Estágio. A Formação Contínua dos Professores de Educação Física – uma visão sobre as Atividades de Exploração da Natureza.
Orientador
Professor Doutor António Camilo Teles Nascimento Cunha Ano de conclusão
2017
Designação do curso
Mestrado em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário
É AUTORIZADA A REPRODUÇÃO INTEGRAL DESTE RELATÓRIO APENAS PARA EFEITOS DE INVESTIGAÇÃO, MEDIANTE DECLARAÇÃO ESCRITA DO INTERESSADO, QUE A TAL SE COMPROMETE.
Universidade do Minho, __ / __ / 2017 Assinatura:
iii
AGRADECIMENTOS
Sem dúvida que a realização deste relatório de estágio foi mais um passo dado nesta corrida que é a vida. Mas como em tudo na vida, nada se faz sozinho, foi com o apoio de um conjunto de pessoas que consegui concretizar esta etapa académica, sendo que este espaço será dirigido como a forma de agradecimento a todos aqueles que estiveram presentes.
Em primeiro lugar, à minha mãe, que é a mulher mais forte e mais lutadora que conheço, que tudo o que sou hoje é graças a ela. É impossível descrever por palavras tudo o que a minha mãe fez e faz por mim e pelos meus irmãos, o esforço e dedicação são os adjetivos que me servem como exemplo para a vida.
Ao meu orientador, Professor Doutor António Camilo Teles Nascimento Cunha, pela paciência e compreensão, e sobretudo pela disponibilidade e orientação, incentivando a minha autonomia e confiando na minha tomada de decisão.
À Professora cooperante, Manuela Ribeiro, pelo apoio sistemático ao longo do ano letivo e na realização deste trabalho, por todos os conselhos e motivação, e todas as conversas que me incentivaram a crescer enquanto profissional e a melhorar o meu desempenho.
Ao Helder Ribeiro, por ser a pessoa que mais me apoiou em todos os momentos, que nunca me deixou desistir. Por estar sempre presente, acreditando em mim e dando-me forças para continuar.
À família que se escolhe, pelo apoio e amizade demonstrados ao longo de todo o percurso. Por todos os momentos e experiências vividas e partilhadas, pelos sorrisos e lágrimas, e pela amizade e cumplicidade.
A todos aqueles que estiveram envolvidos neste percurso, a minha turma que me ensinou o que é ser professora, aos meus colegas de turma, à escola onde realizei o estágio, a todos os professores e amigos, todos eles que me ensinaram e me proporcionaram aprendizagens não só a nível profissional mas também como pessoa.
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RESUMO
RELATÓRIO DE ESTÁGIO: A FORMAÇÃO CONTÍNUA DOS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA – UMA VISÃO SOBRE AS ATIVIDADES DE EXPLORAÇÃO DA NATUREZA
O presente relatório de estágio pretende apresentar, analisar e refletir o percurso por mim desenvolvido enquanto professora estagiária de Educação Física, no ano letivo de 2015/2016, numa Escola Básica em Braga, representando a última etapa do Mestrado em Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, aqui está descrito todo o meu trabalho, a minha evolução profissional e pessoal, e os meus medos e expetativas, neste desafio que é ser professor. No que diz respeito à estrutura e conteúdo, no capítulo I deste documento, é apresentado o enquadramento pessoal e institucional. O Capítulo II é distribuído por três áreas distintas: Organização e gestão do ensino e da aprendizagem, com todos os processos da intervenção pedagógica, conceção, planeamento, realização e avaliação; Participação na Escola e relação com a comunidade; Investigação e desenvolvimento profissional, onde foi desenvolvido um estudo intitulado de “A Formação Contínua dos Professores de Educação Física – uma visão sobre as Atividades de Exploração da Natureza”, com o objetivo de conhecer as práticas e necessidades de formação contínua dos professores de Educação Física, com maior enfoque nas atividades de exploração da natureza. A amostra é composta por 66 professores de Educação Física do distrito de Braga. A recolha de dados foi realizada através de um inquérito por questionário online. Os resultados demonstram que na importância atribuída à formação contínua e nas necessidades de formação identificadas pelos inquiridos, estes tendem a valorizar questões relacionadas com o contexto sala de aula, desvalorizando as questões relacionadas com o contexto escolar. As modalidades tradicionais são as que apresentam maior frequência nas ações de formação realizadas, contrariamente às atividades de exploração da natureza, com menor frequência. As atividades de exploração da natureza mais presentes nas aulas de Educação Física dos inquiridos, bem como nas ações de formação realizadas, e disponibilidade de recursos materiais nas escolas onde os professores lecionam são a orientação e a escalada. No geral os professores atribuem um grau de elevada importância às atividades de exploração da natureza no contexto escolar.
PALAVRAS-CHAVE: Educação Física, estágio curricular, formação contínua, atividades de exploração da natureza.
v
ABSTRACT
INTERNSHIP REPORT: THE CONTINUOUS FORMATION OF PHYSICAL EDUCATION TEACHERS - A VISION ON NATURE EXPLORATION ACTIVITIES
This internship report intends to present, analyze and reflect the course I developed as a Physical Education trainee teacher, in the academic year 2015/2016, in a Basic School in Braga, representing the last stage of the Master's degree in Teaching of Physical Education in Primary and Secondary Education, here is described all my work, my professional and personal evolution, and my fears and expectations, in this challenge that is to be a teacher. About structure and content, Chapter I of this document presents the personal and institutional framework. Chapter II is divided into three distinct areas: Organization and management of teaching and learning, with all the processes of pedagogical intervention, design, planning, realization and evaluation; Participation in the School and relationship with the community; Research and professional development, where a study entitled " The continuous formation of physical education teachers - a vision on nature exploration activities " was developed, aiming to know the practices and needs of continuous training of Physical Education teachers , with focus on nature exploration activities. The sample is made up of 66 Physical Education teachers from the district of Braga. Data collection was performed through an online questionnaire survey. The results show that in the importance given to continuous training and the training needs identified by the respondents, they tend to value issues related to the classroom context, devaluing issues related to the school context. The traditional modalities are those that present more frequency in the training actions carried out, contrary to the activities of nature exploration, less frequently. The activities of nature exploration more present in the Physical Education classes of the respondents, as well as in the actions of formation realized, and availability of material resources in the schools where the teachers teach are the orienteering and climbing. In general, teachers attribute a high degree of importance to the activities of exploring nature in the school context.
KEYWORDS: Physical Education, curricular internship, continuous training, nature exploration activities.
vi
Índice
AGRADECIMENTOS ... iii
RESUMO ... iv
ABSTRACT ... v
LISTA DE ANEXOS ... vii
ÍNDICE DE TABELAS ... viii
ÍNDICE DE GRÁFICOS... viii
LISTA DE ABREVIATURAS ... ix
INTRODUÇÃO ... 1
CAPÍTULO I ... 2
ENQUADRAMENTO CONTEXTUAL DA PRÁTICA DE ENSINO SUPERVISIONADA ... 2
1.1 Enquadramento Pessoal ... 3 1.2 Enquadramento Institucional ... 4 1.2.1 Caraterização do Meio ... 4 1.2.2 Caraterização da Escola... 4 1.2.3 Professores e Alunos ... 5 1.2.4 Recursos espaciais ... 5 1.2.5 Caraterização da turma ... 6 CAPÍTULO II ... 7
REALIZAÇÃO DA PRÁTICA DE ENSINO SUPERVISIONADA ... 7
2.1. Área 1 – Organização e gestão do ensino e da aprendizagem ... 8
2.1.1. Conceção ... 8
2.1.2. Planeamento ... 9
2.1.3. Realização ... 12
2.1.4. Avaliação ... 17
vii
2.2.1. Atividades organizadas ... 20
2.2.2. Outras atividades ... 21
2.3. Área 3 – Investigação e desenvolvimento profissional ... 24
2.3.1. Introdução ... 24 2.3.2. Revisão da Literatura ... 25 2.3.3. Objeto de Estudo ... 31 2.3.4. Objetivos ... 33 2.3.5. Metodologia ... 34 a) Variáveis ... 34 b) Caraterização da amostra ... 34
b) Instrumentos de recolha de dados... 35
c) Procedimentos ... 36
d) Procedimentos Estatísticos ... 37
2.3.6. Apresentação e discussão dos resultados ... 38
2.3.7. Conclusões ... 56
CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 59
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 60
ANEXOS ... 66
LISTA DE ANEXOS
Anexo 1- Planeamento Anual Anexo 2- Planeamento 1º Período
Anexo 3 - Planeamento extenso e sucinto – grelhas de Vickers Anexo 4 – Plano de Aula
Anexo 5 – Reflexão da aula
Anexo 6 – Questionário: Formação contínua dos professores de Educação Física – Atividades de Exploração da Natureza
viii
ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 1. Necessidades de formação/ações de formação realizadas nas matérias de ensino
constantes nos PNEF ... 43
Tabela 2. Materiais de AEN existentes nas escolas ... 50
Tabela 3. Justificações dos professores que atribuíram o grau de importância das AEN de "indiferente" ... 51
Tabela 4. Justificações dos professores que atribuíram o grau de importância das AEN de "pouco importante" ... 52
Tabela 5. Justificações de um professor que atribuiu o grau de importância das AEN de "importante" ... 52
Tabela 6. Justificações dos professores que atribuíram o grau de importância das AEN de "importante" ... 53
Tabela 7. Justificações dos professores que atribuíram o grau de importância das AEN de "extremamente importante" ... 54
ÍNDICE DE GRÁFICOS Gráfico 1. Constituição da amostra por género ... 34
Gráfico 2. Constituição da amostra por habilitações académicas ... 35
Gráfico 3. Importância da formação contínua ... 39
Gráfico 4. Necessidades de formação contínua ... 41
Gráfico 5. Inclusão das AEN nas aulas de EF ... 46
Gráfico 6. Formação específica realizada em AEN ... 48
Gráfico 7. Recursos materiais de AEN nas escolas ... 50
ix
LISTA DE ABREVIATURAS
AEN – Atividades de Exploração da Natureza EF – Educação Física
PA – Plano de Aula
PES – Prática de Ensino Supervisionada PNEF – Programa Nacional de Educação Física UD – Unidade Didática
1
Introdução
O presente relatório de estágio enquadra-se na unidade curricular de Prática de Ensino Supervisionada, inserida no segundo ano do ciclo de estudos do Mestrado em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, do Instituto de Educação da Universidade do Minho.
Este documento foi desenvolvido com o objetivo de descrever e refletir acerca da minha primeira experiência enquanto professora estagiária, no ano letivo de 2015/2016, numa Escola Básica do distrito de Braga. O estágio pedagógico desempenha um papel fundamental naquilo que é a construção do futuro professor, não só por desvendar momentos e situações reais de ensino, a prática pedagógica, como também pela criação de inúmeros momentos de reflexão e aprendizagem do mesmo, proporcionando assim o domínio de instrumentos teóricos e práticos, imprescindíveis à concretização das funções de ser professor.
Enquanto estrutura, este documento é composto por dois capítulos. O Capítulo I diz respeito ao Enquadramento Contextual da Prática de Ensino Supervisionada, onde se realizou um enquadramento pessoal, expondo as minhas expetativas enquanto futura professora, e um enquadramento institucional, apresentando informações acerca da escola, do meio, dos recursos humanos e materiais, e uma caraterização da turma que acompanhei.
O Capítulo II, Realização da Prática de Ensino Supervisionada, estende-se por três áreas: Área 1 – Organização e gestão do ensino e da aprendizagem, centrada na intervenção pedagógica, nos processos de conceção, planeamento, realização e avaliação; Área 2 – Participação na escola e relação com a comunidade, descrevendo a minha participação e organização de atividades realizadas na escola; Área 3 – Investigação e desenvolvimento profissional, desenvolvimento do tema em estudo – “A Formação Contínua dos Professores de Educação Física – uma visão sobre as Atividades de Exploração da Natureza”, apresentando uma pequena introdução do estudo, a literatura existente acerca do tema, o objeto de estudo e os seus objetivos, todos os processos metodológicos envolvidos, apresentação e interpretação dos resultados obtidos, e as conclusões retiradas do estudo.
Por fim, são expostas as considerações e reflexões finais acerca de toda a experiência e de todas as aprendizagens retiradas deste longo processo de desenvolvimento não só profissional como também pessoal.
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CAPÍTULO I
3
1.1 Enquadramento Pessoal
Apesar de desde criança adorar desporto, só no final do ensino secundário tive a total certeza que me queria formar na área e envergar no ensino superior, sendo que ser professora de educação física era o meu principal objetivo. No ano letivo de 2013/2014, concluí a minha Licenciatura em Desporto e Lazer, na Escola Superior de Desporto e Lazer de Melgaço, no Instituto Politécnico de Viana do Castelo.
Em Melgaço descobri uma área que me trouxe uma nova visão do desporto – o Desporto de Natureza. Descobri a minha grande paixão no âmbito desportivo, e com isto surgiram novos objetivos em termos profissionais. Esta foi uma área que me especializei e continuo a especializar-me, pois neste momento estou a terminar o Mestrado de Desporto de Natureza, também nesta mesma instituição.
Quando terminei a minha licenciatura optei por iniciar uma nova etapa, o Mestrado de Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, a vontade de querer transmitir os meus saberes a outras pessoas, sempre despertou bastante interesse ao longo do meu percurso. De certa forma sentia que não tinha os conhecimentos suficientes para iniciar este novo desafio, mas com a forte motivação de querer ensinar, resolvi seguir em frente, com a consciência de que o esforço e trabalho seriam as chaves para o meu sucesso.
Findado o primeiro ano curricular, chegou o momento de refletir acerca dos conhecimentos adquiridos e colocá-los em prática no segundo ano curricular, nomeadamente no Estágio Pedagógico, uma primeira experiência de ensino da EF em contexto real. As minhas expetativas e receios eram muitos, esta nova experiência trazia muitas responsabilidades, pois teria uma turma a meu encargo, por isso o objetivo principal era levar cada aluno ao sucesso, independentemente das suas diferenças. Outras expetativas eram reconhecer o contexto escolar e perceber o seu funcionamento, bem como tentar absorver ao máximo o conhecimento de todos aqueles que me acompanharam, desde os colegas de estágio através da observação de aulas, os professores e alunos da escola e a professora orientadora que sempre me apoiou em todos os momentos.
Ao longo deste ano curricular existiu um misto de sentimentos e de experiências que só se explicam através da vivência do momento, a “bagagem” que levo em termos pessoais e profissionais é muito grande, sendo o culminar deste ano letivo o relatório de estágio aqui apresentado.
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1.2 Enquadramento Institucional
1.2.1 Caraterização do Meio
O concelho de Braga localiza-se na região Noroeste de Portugal continental e é capital de distrito. O distrito de Braga, por sua vez, é constituído por duas Sub-regiões, Ave e Cávado.
O concelho é constituído por 62 freguesias, perfazendo uma área total de 184 km². O concelho de Braga é densamente povoado, com 962 hab/km² e 181 474 habitantes, é um dos mais populosos de Portugal e é um dos mais jovens da Europa. A maioria da população concentra-se na área urbana, onde a densidade atinge cerca de 10 000 hab/km².
Apresentando uma realidade desportiva desenvolvida e polivalente, o Município de Braga usufrui de cerca de 350.000m² distribuídos por mais de 200 espaços desportivos. Como clube com maior visibilidade temos o Sporting Clube de Braga.
1.2.2 Caraterização da Escola
A minha prática do ensino supervisionada (PES) decorreu numa Escola Básica, na cidade de Braga, inserida numa freguesia com 5,22 km² de área e 5 924 habitantes.
O Agrupamento de Escolas, onde a escola está inserida, foi anunciado pelo Ministério da Educação e Ciência em 16 de Janeiro de 2013, tendo sido nomeada a Comissão Administrativa Provisória em 26 de Abril do mesmo ano. Esta unidade orgânica resultou da agregação de treze estabelecimentos públicos, com escolas que vão desde o Jardim de Infância até ao Ensino Secundário.
Esta escola é considerada uma referência na zona do Minho, no que diz respeito à educação Bilingue de alunos surdos, possibilitando o domínio da língua gestual portuguesa, o domínio do português escrito e, eventualmente, falado, contribuindo assim para o crescimento linguístico dos alunos surdos, para a adequação do processo de acesso ao currículo e para a inclusão escolar e social.
Em termos desportivos, a escola promove o desporto através de várias atividades ao longo do ano letivo, desde o corta mato escolar, encontros entre escolas de natação e voleibol, participação da equipa de voleibol feminina no campeonato nacional, desporto escolar nas modalidades de andebol, voleibol, natação e badminton, dia da atividade física, entre outras atividades.
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1.2.3 Professores e Alunos
A Escola Básica onde decorreu a minha PES é constituída por 138 docentes dos quais 8 são de Educação Física, professores do Ensino Especial, assistentes operacionais e assistentes técnicos.
Quanto à população discente a escola é constituída por turmas do 3º ciclo correspondendo a 548 alunos e por turmas do 2ºciclo correspondendo a 343 alunos, constituindo um total de 891 alunos. Estes alunos estão distribuídos por 45 turmas, incluindo cinco turmas de Educação Bilingue para alunos surdos, o que torna mais complexa a gestão dos espaços.
1.2.4 Recursos espaciais
Sendo as instalações da escola favoráveis à prática das modalidades compreendidas (na sua maioria) nos Programas Nacionais de Educação Física, passo a apresentar os recursos espaciais:
Pavilhão gimnodesportivo: dimensões de aproximadamente 40m de comprimento por 28m de largura, proporcionando a utilização de dois espaços de aula em simultâneo, é ladeado por uma bancada;
Balneários: dois femininos e dois masculinos.
Arrecadação para o material;
Gabinete para os professores com balneário;
Ginásio: 15m de largura por 15m de comprimento.
Exterior: três campos de basquetebol, um campo de futebol, uma pista de atletismo e uma caixa de areia para salto em comprimento;
Extenso espaço exterior.
As condições do Ginásio não eram as ideais, existam infiltrações e quando chovia ficava inutilizado, e a caixa de areia para o salto em comprimento não se encontrava em condições de utilização, por este motivo esta modalidade não era lecionada nas aulas de Educação Física.
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1.2.5 Caraterização da turma
Foram-me atribuídas duas turmas pertencentes ao 2º ciclo, no 5º ano de escolaridade, 5º1 constituída por 5 alunos e 5º2 constituída por 22 alunos, perfazendo um total de 27 alunos.
Esta caraterização foi elaborada de acordo com um questionário de caraterização, realizado pelo núcleo de estágio, com base em fichas de caraterização realizadas em anos anteriores, e com o objetivo de recolher informações específicas acerca dos alunos.
A turma do 5º1 carateriza-se por possuir alunos com necessidades educativas especiais, onde apresentam problemas de audição, todos os alunos com surdes total e um dos alunos com trissomia 21 e outras patologias. Dos 5 alunos que constituem a turma 2 são do sexo feminino e 3 do sexo masculino, com uma média de idades de 12 anos.
A turma do 5º2 é constituída por alunos de diferentes nacionalidades e etnias, um aluno brasileiro e um aluno da etnia cigana, sendo que 9 alunos são do sexo feminino e 13 do sexo masculino, com uma média de idades de 10 anos. Em termos desportivos, 5 alunos participam no desporto escolar, nomeadamente nas modalidades de ginástica de solo, natação e voleibol, e 8 alunos praticam desportos federados nas modalidades de equitação, futebol, karaté, ginástica de solo e atletismo.
Quanto à rotina diária dos alunos do 5º2, no que diz respeito à deslocação casa-escola, apenas 9 realizam o percurso a pé, os restantes (13) deslocam-se de carro e/ou transportes públicos, sendo que a distância média entre o seu local de residência e a escola é de 2 km.
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CAPÍTULO II
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2.1. Área 1 – Organização e gestão do ensino e da aprendizagem
2.1.1. Conceção
Com o principal objetivo de realizar um planeamento o mais assertivo possível tendo em conta o sucesso da aprendizagem dos alunos, foi necessário analisar toda a envolvente, desde o Programa Nacional de Educação Física (PNEF) e as metas de aprendizagem, conhecer o projeto educativo e o regulamento interno da escola, o regulamento interno do grupo de EF, conteúdos a abordar e critérios de avaliação definidos pelo grupo de EF nos diferentes ciclos, e por fim conhecer e caraterizar a turma.
Iniciei a minha pesquisa com a análise do PNEF referente ao 2º ciclo, onde pude perceber quais as suas finalidades, os objetivos específicos, os conteúdos a abordar e as orientações metodológicas, para o 5º ano de escolaridade. Estas orientações são de elevada importância na medida em que promovem as mesmas aprendizagens para todos os alunos, independentemente da escola que frequentam.
Porém, esta não foi a realidade que me deparei, após analisar o PNEF e comparar com os documentos orientadores facultados pela professora cooperante, percebi que existiam bastantes discrepâncias quanto aos conteúdos a abordar. Após verificar que existiam modalidades previstas pelo PNEF, que não seriam lecionadas questionei a professora cooperante, que me explicou que a escola tinha algumas modalidades que pretendia promover através do desporto escolar e por este motivo iniciavam com os alunos mais novos, outro motivo foi a falta de recursos materiais no que diz respeito à modalidade de patinagem.
Apesar de compreender estas alterações, e sabendo que os PNEF são linhas orientadoras que deverão ser adaptadas mediante o contexto inserido, no meu entender, as modalidades a abordar previstas tanto pelo departamento de EF da escola, como pelo PNEF, são demasiadas tendo em conta o nível dos alunos, bem como o número de horas semanais disponíveis para lecionar, o que influencia negativamente a aprendizagem dos alunos, impedindo que estes adquiram os conhecimentos necessários de cada modalidade.
O próximo passo foi a análise da turma, sendo que o objetivo era reunir informações acerca dos alunos, a professora cooperante facultou um documento com informação individual de cada aluno, mas no mesmo não existia qualquer informação acerca de conteúdos abordados
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no 1ºciclo relacionados com a disciplina de EF, o que de certa forma dificultou a análise das modalidades que os alunos teriam contacto.
Posteriormente, o núcleo de estágio realizou um questionário, com base em fichas de caraterização realizadas em anos anteriores, e com o objetivo de recolher informações específicas sobre dos alunos, meio de transporte utilizado para o percurso casa-escola e vice-versa, hábitos desportivos, entre outras informações.
Após analisar toda a documentação referida no início deste subcapítulo, chegou a hora de refletir acerca da informação recolhida e encontrar as melhores estratégias de atuação.
2.1.2. Planeamento
Em qualquer circunstância na vida, a necessidade de planear está sempre presente, seja na gestão do orçamento familiar, seja na tomada de decisão de questões profissionais, em que garantir o sucesso de qualquer projeto pretendido é sem dúvida o objetivo final.
No ensino não é diferente, planear é um guia de ação docente, com a função de orientar e fundamentar escolhas (Aguiar Jr., 2002), mesmo não sendo capaz de antecipar todas as decisões tomadas posteriormente ou fatores que eventualmente surgiram.
No decorrer da minha prática pedagógica, procurei diferentes níveis de planificação que partem do geral para o específico, tendo em conta uma lógica progressiva de ensino, iniciando com o planeamento anual, seguindo o planeamento por período, o planeamento de cada unidade didática, e por fim o planeamento individual das aulas.
Antes de realizar qualquer planeamento, foi necessário analisar o calendário escolar, de forma a perceber o número de aulas a lecionar por período, sabendo que as semanas seriam compostas por dois momentos de aula, uma aula de 45’ e um bloco de 90’. Também foi necessário ter em conta o Roulement, documento este referente à organização das instalações, que poderá ser entendido como um mapa de rotação de espaços disponíveis para os professores utilizarem durante as aulas de EF. Este documento é realizado por período, sendo que posteriormente fui responsável por criar o Roulement respetivo ao 2º período letivo.
Quanto à organização do planeamento anual (anexo 1), tive como base o número de aulas disponíveis para cada período e o planeamento anual definido pela escola, para o 2º ciclo, 5ºano de escolaridade, que, como referi anteriormente, não respeita as orientações presentes no
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PNEF. Como os conteúdos já estavam definidos para cada período letivo, coube-me distribuir o número de aulas para cada modalidade a lecionar.
O planeamento por período (anexo 2) foi concebido através de uma calendarização para cada período letivo, com a fixação prévia das datas para a realização das aulas, especificando as modalidades a abordar bem como os espaços definidos para a prática. Esta calendarização foi realizada no início de cada período, uma vez que o roulement de cada período era realizado no início do mesmo. Uma solução que apresentei à professora cooperante para auxiliar os professores do departamento de EF da escola na planificação anual e na planificação por período, foi a realização de um roulement anual antes do ano letivo iniciar, segundo a mesma, esta será uma alteração a realizar no ano letivo seguinte.
No que diz respeito ao planeamento das unidades didáticas, estas foram realizadas para cada modalidade a abordar. Este é um instrumento de elevada importância uma vez que é uma linha orientadora para o professor, apresentando de forma concreta e explícita, os objetivos gerais e específicos, os conteúdos, as estratégias de intervenção e linhas metodológicas em todos os domínios – psicomotor, cognitivo e sócio afetivo.
As unidades didáticas (UD) foram elaboradas seguindo uma lógica de progressão, divididas nos seguintes módulos: Análise da modalidade (toda a informação respetiva à modalidade, desde a sua história, regulamentação, técnica, etc.); Análise do envolvimento (recursos necessários para a prática: espaciais, materiais, humanos e temporais.); Análise dos alunos (caraterização da turma); Definição de objetivos; Extensão e sequência dos conteúdos (Planeamento extenso e sucinto – grelhas de Vickers (anexo 3)); Configuração da avaliação (avaliação diagnóstica, formativa e sumativa); Progressões de pedagógicas de ensino (baterias de exercícios em progressão); Justificação da UD (análise e reflexão da UD).
Nos planeamentos referidos anteriormente, a maior dificuldade que senti foi na distribuição do número de aulas por modalidade, pois no meu entender, o número de aulas para lecionar era muito reduzido e nas aulas de 45’ o tempo útil de aula seria apenas 30’, pois tinha de dar 5’ aos alunos para se equiparem, e 10’ para cuidados de higiene pessoal, igualmente nas aulas de 90’, com tempo útil de aula de 75’. Posto isto, com o número de aulas disponíveis era muito difícil conseguir que os alunos desenvolvessem as suas capacidades ao máximo em cada modalidade, bem como a consolidação das aprendizagens adquiridas.
O passo seguinte foi a elaboração do planeamento individual por aula (anexo 4 – plano de aula), para Vickers (1990), ”o plano de aula não é um elemento solto, mas sim uma das
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partes do planeamento de uma escala superior, planeamento da Unidade Didática”, Porlán e Martín (1996) afirmam que “planear uma aula é a tentativa de representar a realidade que se pretende”, o que significa que este é o momento em que tentamos passar para a prática, aquilo que pretendemos que se realize, com foco nos objetivos e metas a alcançar propostos para os alunos.
“Antes de entrar na aula o professor tem já um projeto da forma como ela deve decorrer, uma imagem estruturada, naturalmente, por decisões fundamentais. Tais são, por exemplo, decisões sobre o objetivo geral e objetivos parciais ou intermédios, sobre a escolha e ordenamento da matéria, sobre os pontos fulcrais da aula, sobre as principais tarefas didáticas, sobre a direção principal das ideias e procedimentos metodológicos.” (Bento, 2003)
A avaliação diagnóstica de cada aulo tem um peso elevado para a projeção de cada plano de aula, pois cada aluno tem níveis de desempenho diferentes nas várias modalidades, existindo assim a necessidade de definir objetivos diferenciados, de forma a ajustar e definir situações específicas a diferentes necessidades.
O plano de aula (PA) é sem dúvida um instrumento primordial para o professor, para além de ser um documento orientador, contém toda a informação necessária para que a aula decorra com foco nos objetivos propostos pelo mesmo, com uma lógica de progressão de ensino, sendo de fácil e rápida compreensão. No mesmo estão presentes os conteúdos a abordar na aula bem como a modalidade onde estão inseridos, o esquema de exercícios a realizar no decorrer da aula, que vão de encontro aos objetivos gerais e específicos da aula, o tempo de cada exercício e o tempo da aula, a função didática aplicada, material necessário para cada exercício, as estratégias a utilizar e os critérios de êxito.
De forma a compreender a capacidade condicional dos alunos, tornou-se necessário proceder a um estudo da turma, a fim de adequar as estratégias às suas necessidades. Sendo assim procedeu-se à realização da bateria de testes - Fitnessgram. Para avaliar a resistência aeróbia dos alunos, aplicou-se o teste de Cooper.
As caraterísticas da turma são de extrema importância, através das mesmas é possível adequar os objetivos específicos bem como as metas de aprendizagem a atingir, pretendendo sempre que cada aluno, como ser individual que é, obtenha o sucesso na sua aprendizagem, mantendo assim os alunos motivados para todos os momentos de aula.
Qualquer um dos planeamentos referidos anteriormente são ferramentas imprescindíveis para o professor, mas no entanto, é de relembrar que nenhuma delas é de carater definitivo,
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mas sim flexível, ao longo do processo de ensino poderão surgir diversas situações que não foram antecipadas na planificação, ou a resposta dos alunos poderá ser contrária ao que se pretende, o que significa que o professor deverá adaptar ou reestruturar o seu planeamento consoante a necessidade.
2.1.3. Realização
Posteriormente às fases de conceção e planeamento surge a fase da realização, neste subcapítulo será apresentado o meu desempenho enquanto professora, onde se concretizam todas as expetativas colocadas anteriormente, e se procura colocar em prática todos os conhecimentos adquiridos ao longo da minha formação. Face aos problemas que eventualmente surgiram ao longo das aulas, e com foco nos objetivos da aula, cabe a cada professor encontrar as soluções pedagógicas e metodológicas mais adequadas para o sucesso dos alunos, de forma a proporcionar contextos de aprendizagem mais favoráveis.
No início do processo de ensino-aprendizagem, nomeadamente na primeira aula do ano letivo, procurei criar um clima de aula positivo com a turma, e identificar o que pretendia alcançar ao longo do ano, desde o respeito entre colegas e professor, questões de assiduidade e pontualidade, e por fim o comportamento na aula.
Como a turma era do 5º ano de escolaridade (constituída por duas turmas diferentes), muitos dos alunos não se conheciam, por isso, de forma a proporcionar a socialização e interação entre os mesmos, nesta aula utilizei exercícios de dinâmicas de grupo, que resultaram muito bem, e que também me permitiram conhecer os alunos, e perceber quais as melhores estratégias a adotar.
Os efeitos das quatro dimensões de intervenção pedagógica – instrução, gestão, disciplina e clima – são refletidos nas aprendizagens dos alunos (Siedentop, 1991), estas dimensões estiveram sempre presentes ao longo do processo de ensino e aprendizagem.
No que diz respeito à dimensão da instrução, procurei encontrar estratégias para reduzir o tempo despendido nos momentos de informação e transmissão à turma, e dar as informações necessárias de forma simples, clara e objetiva, para tal dei especial atenção:
À forma e ao conteúdo da informação transmitida, aliando a informação visual à verbal, utilizando demonstrações, executadas por mim ou por alunos com aptidão para tal, desenhos ou imagens;
13 Uma colocação de voz (projeção e direção da voz) que permitisse que todos os alunos captassem toda a informação ou uma correção, tive o cuidado de adequar o tom de voz ao contexto inserido para que os alunos identificassem facilmente a ocasião inserida;
Explicitando os aspetos críticos e essenciais da atividade identificando onde os alunos devem prestar mais atenção, o que facilitou em grande escala a aprendizagem de novos gestos técnicos;
Organização do material necessário para a aula de forma mais conveniente e assegurar a participação dos alunos no momento em que é necessário arrumar o material ou dispô-lo de forma diferente.
Deste modo consegui que o tempo de empenho motor fosse bastante elevado, de acordo com os objetivos propostos nas aulas. Por outro lado, uma estratégia que encontrei, que penso que promoveu substancialmente a aprendizagem dos alunos, mas que de certa forma acabou por reduzir, ainda que muito ligeiramente, o tempo de empenho motor, foi utilizar o questionamento como método de ensino, no início de cada aula, aquando da verificação das presenças, questionava os alunos acerca dos conteúdos lecionados na aula anterior, sendo que sentia que os alunos ficavam mais motivados a aprender mais e consolidavam os conhecimentos adquiridos anteriormente.
Para permitir uma capacidade de observação favorável, adotei um deslocamento periférico de forma a conseguir interagir com toda a turma, e um posicionamento no espaço que me permitisse manter o controlo visual da maior parte dos alunos, garantindo que todos os alunos estivessem em atividade em simultâneo, conseguindo assim identificar os seus erros e corrigi-los fazendo uso do feedback pedagógico, procurando que os alunos tivessem a noção do que realizam corretamente bem como os erros cometidos, com o objetivo de garantir que os alunos não prolongassem os mesmos erros que foram identificados.
Também tive o cuidado de encorajar os alunos a fazer comentários, perguntas, ou a dar ideias de exercícios, mesmo que não estivessem previstos no plano de aula, de forma a habilitar os alunos a manifestarem os seus sentimentos e opiniões, e também perceber se as minhas estratégias eram as mais corretas.
Quanto à dimensão da gestão, compreendo que a organização das sessões de trabalho (os espaços, tempo, materiais, alunos, etc.) é essencial para o bom funcionamento das aulas, no entanto garantir a aprendizagem dos alunos é o mais importante. A gestão eficaz de uma aula
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depende do comportamento do professor, este deve produzir o máximo envolvimento dos alunos nas tarefas das aulas, reduzir as situações de má conduta, e o uso eficaz do tempo de aula.
Numa fase inicial procurei que os alunos automatizassem rotinas de organização das aulas, criando hábitos e responsabilidade, através de simples jogos de organização, como por exemplo arrumar o mais rápido possível todo o material, onde a rapidez, o ritmo e a qualidade da organização era o objetivo de aprendizagem.
O uso eficaz do tempo de aula foi algo que numa fase inicial tive muita dificuldade em gerir, através de algumas estratégias consegui melhorar gradualmente este ponto:
As aulas eram repartidas em três partes (inicial, fundamental e final) o que permitiu um melhor controlo do tempo de aula e dos exercícios propostos em cada uma das fases, sendo que os conteúdos eram introduzidos de forma progressiva, do simples para o complexo de forma a promover uma rápida aprendizagem dos alunos;
Antes de iniciar a aula tinha todo o espaço organizado e preparado com os materiais necessários, para tal chegava sempre com bastante antecedência;
Na transição de exercícios garantia uma correta e rápida montagem ou desmontagem do material, através da participação dos alunos;
Combinei com os alunos gestos e sinais diferenciados para cada situação, por exemplo para reunir a turma, trocar de atividade ou chamar à atenção;
Utilizei dinâmicas de grupo para uma rápida formação de grupos de trabalho;
Conversar com os alunos em grupo, ou individualmente sobre problemas de conduta, pontualidade e também sobre as suas melhorias ao longo das aulas;
Garantir a segurança dos alunos através de linhas balizadoras e instruindo os procedimentos de segurança a adotar em determinados exercícios;
No início do ano letivo, a organização da aula e o controlo da turma, foi uma das minhas grandes preocupações, porém com o tempo de prática a minha confiança aumentou substancialmente e consegui sem dúvida superar todos os obstáculos aqui encontrados.
Muitos autores afirmam que o clima se sala de aula depende do trabalho pedagógico do professor, da forma como é capaz de promover uma aproximação afetiva entre si e os alunos, dos alunos entre si, e dos alunos com a atividade de aprendizagem, promovendo um ambiente de sala de aula amistoso e respeitoso. Creio que o professor tem um papel fundamental na preparação dos alunos para a sua vida futura, não só através de conhecimentos que dizem respeito aos conteúdos a lecionar, mas também incutir nos alunos valores morais e sociais.
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Acredito que a minha ação, quanto a uma boa manutenção do clima relacional de sala de aula, foi muito positiva e significativa, ao qual sinto muito orgulho uma vez que a turma me dificultou muito a vida. Ao longo do ano letivo existiram diversas situações que sem dúvida me prepararam para o futuro, que me obrigaram a mudar de estratégia continuamente até encontrar uma que resultasse.
Relatando uma destas situações, começo por referir a que me deixou mais preocupada, como a turma era composta por duas turmas, os alunos não se conheciam e não interagiam entre si, pois EF era a única disciplina em conjunto. Os alunos da turma do 5º1 eram surdos e por várias vezes, os alunos da turma do 5º2 entravam em conflito com dois dos alunos surdos. Existiram diversas situações de discussão e até mesmo de agressão entre os mesmos, sendo que numa das situações tive de entrar no balneário para intervir. Através de conversas com a turma e com os alunos intervenientes consegui resolver a situação, mas não foi fácil, cheguei a reunir com os diretores de turma de ambas as turmas a fim de encontrar uma solução para ajudar os alunos. Uma estratégia que utilizei foi tentar que os alunos entendessem onde estão a errar e promover a cooperação e colaboração entre os mesmos.
Apesar de vários problemas que foram surgindo, penso que consegui ir de encontro aos objetivos desta dimensão, sinto que consegui criar um bom clima de aula e, acima de tudo, uma relação de confiança com os alunos, suscitando nos alunos simpatia, amizade e tolerância entre eles e para comigo. O espírito de grupo foi algo que tive sempre em atenção e fiz questão de o estimular através de exercícios de cooperação e colaboração entre grupos de trabalho, sendo que estes grupos eram constituídos por alunos de diferentes níveis.
Um ponto a salientar na minha prestação foi a forma de acompanhamento da relação dos alunos aos conteúdos lecionados, neste aspeto consegui que os alunos se mantivessem entusiasmados relativamente ao seu aperfeiçoamento nas diversas matérias, incidindo em todos os alunos independentemente dos seus níveis.
Através de atividades diversificadas e adequadas ao nível dos alunos, ajudando na realização de exercícios e incentivando os alunos através de comentários positivos, fazendo-os acreditar no sucesso, fez com que o nível de motivação dos alunos em querer aprender e melhorar fosse bastante elevado, promovendo assim a sua a aprendizagem.
Todas as dimensões referidas estão interligadas entre si e dependem umas das outras, mas considero que as dimensões do clima e da disciplina estão intimamente ligadas. A dimensão da disciplina diz respeito ao cumprimento de regras e normas de convivência.
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Como referi anteriormente, surgiram vários problemas neste âmbito, o que fez com que utilizasse diversas estratégias para ajudar os alunos: inicialmente foram estabelecidas de forma clara as regras de funcionamento da sala de aula; tentei reduzir ao máximo os tempo de espera para não existirem comportamentos desviantes ao longo das aulas; tentei ignorar, tanto quanto possível, os comportamentos inapropriados, motivando com os comportamentos apropriados; conversei com os alunos mais problemáticos diversas vezes identificando os comportamentos a modificar e salientando as suas capacidades; quando os alunos mais problemáticos apresentavam melhorias na sua conduta, fazia questão de os felicitar e motivá-los a continuar; e nos momentos repreensão tentava ser convicta.
Importa também salientar as decisões de ajustamento que tiveram de ser tomadas em várias situações ao longo do ano letivo, tais como alterações no planeamento por diversos motivos imprevistos, como visitas de estudo, condições meteorológicas adversas, ou até mesmo alteração de exercícios durante a aula, quer seja por não estarem a resultar como por indisponibilidade de materiais.
O professor tem de ser dinâmico e criativo para ajustar o seu planeamento à realidade, e como tal, este foi um ponto onde considero que me destaquei, várias vezes tive de lecionar uma aula sem qualquer planeamento por estar a chover, ou alterar exercícios porque não estavam a motivar os alunos.
Penso que o meu crescimento em termos profissionais enquanto professora foi gigante, várias melhorias na minha prestação deveram-se às reuniões semanais com a professora cooperante e a várias conversas após as aulas. No final de cada aula realizava uma reflexão com os aspetos positivos e aspetos a melhorar, no final da semana era analisada junto com a professora obtendo assim dicas para melhorar as minhas lacunas. Também no término das unidades didáticas foram refletidos todos os aspetos das mesmas, e as melhorias dos alunos.
Outro fator que contribuiu para o meu desenvolvimento foi assistir às aulas dos meus colegas de estágio e também a aulas da professora cooperante, desta forma conseguia identificar diferentes estratégias bem como erros que deveria evitar.
As aulas não eram para mim, mas sim para os alunos, por isso tentei proporcionar-lhe um número de aprendizagens elevado, mas acima de tudo uma aula divertida em que o prazer de aprender estivesse presente, nunca descurando da formalidade do contexto de sala de aula.
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2.1.4. Avaliação
Segundo o PNEF relativo ao 2ºciclo, “os processos e os resultados da avaliação devem contribuir para o aperfeiçoamento do processo de ensino-aprendizagem, e também, para apoiar o aluno na procura e alcance do sucesso em EF (…)”, referindo que o sucesso em EF “carateriza-se pelo domínio e demonstração de um conjunto de competências que decorrem dos objetivos gerais estabelecidos”.
O grupo de EF da escola definiu os critérios de avaliação a utilizar na disciplina, sendo que a avaliação seria estruturada em três domínios com diferentes pesos: domínio sócio-afetivo (atitudes e comportamentos) – 30%; domínio psicomotor – 60%; e domínio cognitivo – 10%. Estes critérios de avaliação culminam na avaliação final do período letivo.
A avaliação desenrola-se ao longo do ano letivo, desde o primeiro contacto com os alunos até a chegada da última aula, pressupondo que exista uma avaliação contínua, esta foi dividida em três momentos: Avaliação inicial (estabelecer concretamente as prioridades e os objetivos a atingir, acontece no início do processo de ensino-aprendizagem); Avaliação Formativa (ajustar constantemente os objetivos às aprendizagens, ocorre ao longo de todo o processo de ensino-aprendizagem); Avaliação Sumativa (quantificar/medir as aprendizagens ou o nível atingido pelos alunos, ocorre no final do processo). (Silva & Bankoff, 2010).
No que diz respeito à avaliação inicial, segundo o PNEF referente ao 2º ciclo, esta é a primeira etapa a realizar no início do ano letivo, tendo por objetivo determinar as aptidões e dificuldades dos alunos nas diferentes modalidades a lecionar ao longo do ano letivo. Para tal, as primeiras quatro a cinco semanas do ano letivo, seriam destinadas à avaliação inicial dos alunos, nos diferentes espaços da escola, num contexto de aula “normal”, com o intuito de recolher o máximo de informação da turma. Todo o planeamento deveria ser realizado com base na avaliação inicial dos alunos através da adequação do ensino às caraterísticas dos alunos.
Contudo, não me foi possível realizar esta primeira fase de acordo com as orientações do PNEF, uma vez que o grupo de EF da escola tem definido que a avaliação diagnóstica decorre na primeira aula da cada unidade didática.
Sendo assim, a avaliação diagnóstica foi realizada ao longo do ano letivo, na primeira aula de cada unidade didática, onde eram realizados exercícios de aplicação, e a informação era recolhida através de fichas de observação, específicas para cada modalidade, com critérios de êxito definidos, sendo o registo efetuado individualmente e também para a turma em geral.
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Apesar de a escola não adotar este método, por forma a perceber o nível de aptidão dos alunos, recorri à bateria de testes, Fitnessgram, e ao teste de Cooper. A bateria de testes foi realizada no início de cada período letivo, e o teste de Cooper, foi realizado no início do ano letivo e repetido no terceiro período letivo, esta decisão deve-se ao facto de no segundo período ter um número muito reduzido de aulas para lecionar as unidades didáticas previstas.
Quanto à avaliação formativa, considero que seja a mais importante no processo de avaliação, não menosprezando de forma alguma as diferentes fases de avaliação. Nesta avaliação é possível observar a evolução dos alunos, e ajustar o planeamento às suas necessidades, com o objetivo de atingir o sucesso dos mesmos. Sendo assim, a avaliação formativa decorreu ao longo das UD de forma contínua em todas as situações de aprendizagem, incidindo nos objetivos definidos e nos domínios definidos nos critérios de avaliação. Para tal, formulei uma ficha de avaliação formativa que preenchia ao longo das aulas e no final.
Contrariamente à avaliação formativa, a avaliação sumativa tem como objetivo quantificar as aprendizagens realizadas e as competências adquiridas pelos alunos, classificando-os numa escala numérica.
Para a realização da avaliação sumativa, foi-me facultado pela professora cooperante, uma folha de cálculo Excel, que adaptei em função dos objetivos propostos para a turma. Esta avaliação era realizada no final de cada UD, e teve como objetivo classificar as aprendizagens de cada aluno, e verificar se os objetivos previstos foram alcançados pelos mesmos, tendo em conta as suas evoluções ao longo da UD. Para tal, elaborei uma ficha de avaliação sumativa para cada UD, em que a atribuição da nota dependia da qualidade de execução dos critérios de êxito: “não executa”, “executa com muita dificuldade”, “executa com alguma dificuldade”, “executa bem” e “executa muito bem”, equivalendo aos diferentes níveis, respetivamente, 1, 2, 3, 4 e 5.
Sendo assim a avaliação sumativa no final de cada período letivo, foi realizada através de uma menção qualitativa, numa escala de 1 a 5: Nível 1 - Não Satisfaz; Nível 2 – Satisfaz Pouco; Nível 3 – Satisfaz; Nível 4 – Satisfaz Bem; Nível 5 – Satisfaz Muito Bem. Resultando do cálculo da avaliação de cada domínio, e das respetivas ponderações, definidas nos critérios de avaliação da escola.
Contrariamente ao que referem as normas de referência para o sucesso, presentes no PNEF, todas as modalidades lecionadas foram tidas em conta na avaliação. Segundo os PNEF “as Normas de Referência estabeleceram as regras ou critérios gerais para se considerar que um aluno tem sucesso em EF”, estas apresentam um conjunto de regras a seleção das matérias
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a considerar, no que diz respeito ao 5ºano de escolaridade: são selecionadas as 6 “melhores matérias” de cada aluno (onde o aluno revelou melhores níveis de interpretação), e só se considera para seleção uma matéria de cada categoria (de A a G), sendo que para o aluno obter o sucesso, nível 3 (de 1 a 5), terá de evidenciar 5 níveis de introdução, ou 3 níveis de introdução e 1 elementar.
Como referi ao longo deste trabalho, as matérias abordadas ao longo do ano letivo, não coincidiram com as previstas no PNEF, o que inviabilizou a aplicação das normas de referência para o sucesso em EF.
Outro tipo de avaliação utilizado, definido pelo grupo de EF da escola, é a autoavaliação. No final de cada período letivo era entregue aos alunos uma ficha de autoavaliação, no final do preenchimento fazia a autoavaliação oralmente para cada um justificar a nota requerida. Considero o momento de autoavaliação muito importante uma vez que promove um autoconhecimento e autoanálise críticos, onde os alunos refletem acerca de si mesmos.
Os momentos da avaliação foram os que me apresentaram maiores dificuldades. Queria ser o mais justa possível com todos os alunos, mas ao mesmo tempo exigente. Mas considero que este é um processo importantíssimo uma vez que é a partir da avaliação que percebemos se o desenvolvimento dos alunos vai de encontro aos objetivos traçados, permitindo assim ajustes ao planeamento inicial, sendo fundamental o papel de observação do professor.
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2.2. Área 2 – Participação na escola e relação com a comunidade
Ao longo do meu estágio procurei estar envolvida com a escola de forma ativa para aprender o máximo possível. O professor tem de ter um papel ativo da escola, bem como com a comunidade, participando e dinamizando atividades que promovam a atividade física.
O departamento de EF da escola que estagiei promove bastante o desporto e o desporto escola, tive a oportunidade de participar em inúmeras atividades presentes no plano anual de atividades, assim como fui responsável pela organização de uma atividade junto com os meus colegas de estágio. Por fim, participei no desporto escolar, nomeadamente na equipa de voleibol.
2.2.1. Atividades organizadas
Esta atividade desenvolvida e organizada por mim e pelos colegas de estágio, realizou-se no âmbito da comemoração do dia do Agrupamento de Escolas, que consistiu numa manhã de escalada. Uma vez que neste dia a escola iria receber no pavilhão alunos do 1º ciclo, a professora cooperante incentivou-nos a organizar uma atividade para as turmas que estivessem em aula neste dia, e assim foi.
Inicialmente era previsto realizar uma atividade de rapel no exterior, a partir de uma janela de uma sala de aula, após analisar todas as condições de segurança percebi que era possível, por isso contactei uma empresa que me facultava todo o material necessário, porém, as condições atmosféricas que estavam previstas para o dia não eram as mais favoráveis, por isso, tínhamos como segundo plano, realizar uma atividade de escalada. Para tal fizemos dois planeamentos, um para cada atividade, com o material necessário, os recursos humanos necessários, tarefas a desenvolver, horário, número de participantes máximo, entre outros.
Como as condições atmosféricas não eram as mais favoráveis realizou-se a atividade da escalada. Esta foi realizada no ginásio da escola que tem uma parede de escalada com duas vias disponíveis, a escola possui também todo o material necessário para a prática, mas de forma a agilizar a atividade, para que os alunos não esperassem muito tempo, consegui material que me foi facultado por uma empresa, de forma gratuita. Como só eu tinha formação de escalada, de forma a garantir a segurança dos alunos, ensinei os meus colegas de estágio a proceder corretamente à equipagem dos alunos e à realização da segurança. Posso afirmar que
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tenho competências para dar formação nesta área pelo que os conhecimentos transmitidos foram os mais corretos.
Na organização de qualquer atividade é necessário ter em conta o público-alvo, o espaço e matérias necessários, os recursos humanos disponíveis, condições atmosféricas, entre outros fatores. A atividade foi um sucesso e contou com a participação de aproximadamente 80 alunos, o que surpreendeu pela positiva uma vez que a atividade só se realizou durante uma manhã, sendo o público-alvo, as turmas que estariam em aula de EF em simultâneo. Os alunos sentiram-se bastante motivados uma vez que muitos deles estavam a ter um primeiro contacto com a modalidade, e apenas dois alunos não quiseram experimentar.
Apesar de a escola ter uma parede de escalada em excelentes condições, bem como todo o material necessário para a prática, esta não é utilizada. Questionei vários professores sobre a lecionação da modalidade, e muitos responderam ou que não tinham os conhecimentos necessários, ou que simplesmente não tinham qualquer interesse, o que infelizmente é uma pena, uma vez que a escalada ajuda a superar medos, melhora a aptidão física, entre inúmeros benefícios que acarreta.
2.2.2. Outras atividades
No decorrer do ano letivo foi-nos proposto participar em diversas atividades, onde pude colaborar no Desporto Escolar, e na organização de diversas atividades, tais como:
a) “Dia do Não Fumador”
Outra atividade que participei foi o “Dia do Não Fumador”, onde se realizou uma aula de EF ao ar livre, no pátio à frente da escola, onde todas as turmas em aula realizaram-na em conjunto. Os alunos traziam t-shirts vestidas com mensagens de sensibilização ao consumo de tabaco. A atividade contou com a colaboração do grupo de EF e com a equipa da Biblioteca Escolar, responsável pela atividade.
Estavam a decorrer diversas atividades em simultâneo, sendo que a atividade onde estava inserida era a dança, a minha função foi elaborar um conjunto de coreografias e apresentá-las, para que os alunos conseguissem acompanhar. Como não tive muito tempo para a preparação da atividade, preparei apenas três coreografias muito simples para apresentar. Inicialmente foi necessário preparar o sistema de som para posteriormente apresentar as coreografias.
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Como todas as atividades, esta teve aspetos positivos e negativos. De um modo geral a atividade correu bem e os alunos participaram com bastante entusiasmo e empenho, sensibilizando-os para a prática desportiva e para os malefícios do tabaco, bem como proporcionou momentos de diversão e de aprendizagem. Porém este deveria ser um evento em que toda a comunidade escolar pudesse participar, e não só para os alunos que estavam a ter aula. Outro motivo para isto é o facto de ser necessário um sistema de som, o que prejudica as aulas que estão a decorrer, por isso se envolve-se toda a comunidade era uma atividade de maior dimensão, com maior visibilidade onde todos os alunos poderiam participar. A atividade não foi bem organizada no sentido em que a informação transmitida ao grupo de EF foi muito tardia o que impossibilitou uma preparação da atividade com maior qualidade.
b) Corta Mato Escolar e Corta Mato Escolar Distrital
O Corta Mato foi organizado pelo grupo de EF e como tal, os professores estagiários estiveram presentes na sua organização, colaborando nas tarefas necessárias desde o planeamento até à realização. Esta realizou-se no perímetro da escola, onde participariam alunos de todo o Agrupamento de Escolas.
A prova começou às 9h30 e apenas terminou por volta das 12h30. No período da manhã realizaram-se todas as provas de todos os escalões em competição. Durante este período desempenhei funções que se tornaram importantes para o desenvolvimento do torneio, de uma forma correta e organizada, tais como: inscrição dos atletas para a prova, transporte de materiais necessários ao Corta Mato Escolar, auxílio na marcação do percurso, distribuição dos dorsais aos participantes, e realização/apuramento das classificações.
Esta prova contou com 331 participantes, 129 do género feminino e 202 do género masculino. Estando inscritos na prova 417 participantes, faltaram 86, o que dá uma percentagem total de 21% de faltas. Os participantes foram divididos por género e por escalão etário: Infantil A; Infantil B; Iniciado; Juvenil; e alunos com necessidades educativas especiais.
No geral a atividade decorreu muito bem, havendo grande empenho de todos os participantes e dedicação de docentes e auxiliares de ação educativa, para que tudo resultasse bem. Sinto que participei ativamente na atividade, tomando as minhas posições e exercendo as funções respetivas. Este tipo de provas é realizado anualmente por várias escolas. A meu ver, participar e colaborar foi uma mais-valia, pois como futuros professores devemos intervir
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diretamente para enriquecermos conhecimentos a vários níveis, principalmente a nível da logística necessária para organizar uma atividade desta dimensão.
Como aspetos positivos saliento a elevada participação da comunidade escolar no evento, o que se traduz no sucesso de todo o evento, a colaboração entre todos os intervenientes, a importância do evento em sim, que promove nos participantes a prática de atividade física, o espírito de competição, o que conduz à prática de estilos de vida saudáveis, combate ao sedentarismo, e também como fator de inclusão social, e por fim o suplemento alimentar para os participantes, denotou uma grande qualidade na organização do evento.
Alguns aspetos a melhorar no evento seriam: a distribuição dos dorsais mais organizada, no início do evento deveria realizar-se uma reunião com todos os elementos da organização para explicar com clareza a tarefa proposta, ou para cada tarefa deveria existir um professor responsável que controlasse o seu setor; o evento deveria envolver toda a comunidade escolar, em que todos pudessem assistir a prova, o que poderia angariar novos participantes; os professores antes de inscrever os alunos devem certificar-se que os mesmos não faltam à prova para que não existam tantas faltas.
Quanto ao Corta Mato Escolar Distrital, este realizou-se na cidade de Guimarães. Esta foi uma prova de grande dimensão em que as minhas tarefas passaram por levar os alunos para o local de início da prova e dar o suplemento alimentar aos participantes. Foi uma prova excelente, em que os alunos tiveram uma aprendizagem enorme.
No que diz respeito ao Desporto Escolar, colaborei semanalmente, nos treinos da equipa feminina de voleibol, onde fui responsável por auxiliar o professor responsável em cada treino. Desde a colocação e preparação do material, treino de aptidão física, e treino técnico e tático.
A equipa era constituída por 12 elementos, dos 10 aos 12 anos de idade, e os treinos decorriam uma vez por semana em sessões de 75’.
Infelizmente, por questões profissionais, nunca me foi possível estar presente nos momentos de competição da equipa, o que considero muito importante pois é o culminar dos treinos e uma experiência totalmente diferente para os atletas e treinadores. Considero que o meu desempenho foi muito positivo, mas de salientar que este é um contexto bastante diferente das aulas de EF.
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2.3. Área 3 – Investigação e desenvolvimento profissional
A FORMAÇÃO CONTÍNUA DOS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA – UMA
VISÃO SOBRE AS ATIVIDADES DE EXPLORAÇÃO DA NATUREZA
2.3.1. Introdução
Ao longo dos anos a civilização tem vindo a sofrer constantes e rápidas alterações, onde todos os dias somos bombardeados por uma grande quantidade de informações distintas, a uma velocidade de propagação extrema, nos demais setores da sociedade. Posto isto, torna-se assim imprescindível acompanhar estas alterações, onde a busca pela qualificação profissional está cada vez mais presente nas mais variadas profissões e setores da sociedade.
Peres (2004) refere que “o professor de hoje tem de ser ética e politicamente muito mais crítico do que ontem”, adaptando-se à realidade onde se encontra, à escola e aos seus alunos. Outros autores referem que hoje em dia, mais do que nunca, os professores necessitam de um constante processo de atualização e formação, de forma a atender às necessidades educacionais e escolares dos alunos (Paim, Loro & Tonetto, 2008), sendo que a formação contínua promove assim um melhor desempenho docente, bem como o seu conhecimento profissional (Peres, 2004).
Os Programas Nacionais de Educação Física (PNEF), desde o Ensino Fundamental ao Secundário, contêm os conteúdos programáticos a abordar para cada respetivo ciclo, sendo que a abordagem às Atividades de Exploração da Natureza está presente em cada um dos mesmos. Porém deparamo-nos com um vazio no ensino destas modalidades, onde as modalidades ditas “tradicionais” predominam no ensino da EF nas escolas (Tahara & Filho, 2012).
O presente estudo tem por objetivo perceber a importância atribuída pelos professores de EF, à formação contínua no decorrer da sua carreira profissional bem como as suas necessidades de formação, com mais enfoque nas Atividades de Exploração da Natureza (AEN), sendo que a recolha de dados foi realizada através de um inquérito por questionário online.
No decorrer deste documento serão relatados todos os processos do estudo, iniciando com a revisão da literatura, onde será realizado um enquadramento teórico das temáticas abordadas, seguidamente a metodologia e os procedimentos utilizados, e por fim, serão apresentados os resultados do estudo bem como a sua discussão e considerações finais.
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2.3.2. Revisão da Literatura
2.3.2.1. Formação Contínua de Professores em Portugal
A formação contínua de professores em Portugal surge em 1986, com a Lei de Bases do Sistema Educativo (Lei n.º 46/86 de 14 de Outubro), no artigo 30º, e é entendida como um complemento/atualização da formação inicial do docente, tendo em vista uma educação permanente ao longo do tempo. No artigo 35º desse documento, a formação contínua é referida como um direito de todos os docentes, devendo ser “suficientemente diversificada, de modo a assegurar o complemento, aprofundamento e atualização de conhecimentos e de competências profissionais, bem como possibilitar a mobilidade e a progressão na carreira”.
Segundo o Estatuto da Carreira Docente dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário (ECD), com as alterações do Decreto de Lei nº75/2010, a formação contínua constitui não só um direito mas também um dever dos docentes. Segundo o artigo 6.º do mesmo documento, o direito à formação e informação para o exercício da função educativa é garantido:
“a) Pelo acesso a ações de formação contínua regulares, destinadas a atualizar e aprofundar os conhecimentos e as competências profissionais dos docentes;
b) Pelo apoio à autoformação dos docentes, de acordo com os respetivos planos individuais de formação.”
No artigo 10.º, são apresentados os deveres gerais do docente, sendo que a formação contínua é novamente referida:
“d) Atualizar e aperfeiçoar os seus conhecimentos, capacidades e competências, numa perspetiva de aprendizagem ao longo da vida, de desenvolvimento pessoal e profissional e de aperfeiçoamento do seu desempenho;
e) Participar de forma empenhada nas várias modalidades de formação que frequente, designadamente nas promovidas pela Administração, e usar as competências adquiridas na sua prática profissional;
2— Para efeitos do disposto no número anterior, o direito à formação e informação para o exercício da função educativa podem também visar objetivos de reconversão profissional, bem como de mobilidade e progressão na carreira.”
Compreendemos assim que a formação contínua dos professores em Portugal tem vindo a ser valorizada, destacando a constante necessidade de aperfeiçoamento da prática educativa,