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Diversificação das exportações : o caso português

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Academic year: 2021

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(1)MESTRADO EM CIÊNCIAS EMPRESARIAIS TRABALHO FINAL DE MESTRADO DISSERTAÇÃO. DIVERSIFICAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES: O CASO PORTUGUÊS MARIA JOÃO SARAIVA DIAS. ORIENTAÇÃO: PROF. DOUTOR PEDRO MANUEL DA SILVA PICALUGA NEVADO. JURÍ: PROF. DOUTOR PEDRO LUÍS PEREIRA VERGA MATOS PROF. DOUTOR JOSÉ MANUEL MONTEIRO BARATA PROF. DOUTOR PEDRO MANUEL DA SILVA PICALUGA NEVADO SETEMBRO 2012.

(2) Diversificação das exportações: O caso português. Resumo O objectivo deste trabalho é analisar como têm evoluído as exportações portuguesas de bens ao longo das últimas duas décadas, caracterizar as empresas que exportam e perceber se estas têm ou não seguido uma estratégia de diversificação (quer geográfica quer de produto), para aumentar as suas vendas ao exterior. A metodologia escolhida foi o estudo de caso e as análises efectuadas tiveram por base os dados estatísticos do comércio internacional português, entre 1988 e 2009, disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística. Verificou-se que, apesar do crescimento observado nas exportações ao longo do período em estudo, este não se deve a uma estratégia de diversificação, uma vez que as empresas portuguesas têm tendência a exportar cada vez mais para um único mercado e um número reduzido de produtos. Estes resultados poderão ajudar a perceber a realidade do comércio externo português e levar a questionar se este é o melhor caminho a seguir, tendo em conta a importância que as exportações têm no actual contexto económico.. Palavras-chave Comércio internacional, Exportações, Diversificação, Portugal.

(3) Diversificação das exportações: O caso português. Abstract The aim of this study is to analyze how portuguese exports of goods have evolved over the past two decades, characterize the companies that export and understand whether or not they have followed a diversification strategy (both geographic and product diversification), to increase their sales abroad. The methodology chosen was the case study and the analysis made were based on statistical data from the portuguese international trade between 1988 and 2009, provided by Instituto Nacional de Estatística. It was found that, despite the growth observed in the exports over the studied period, this is not due to a diversification strategy, since portuguese companies tend to export increasingly to only one market and only a few products. These results may help to understand the reality of portuguese external trade and lead to question whether this is the best way forward, taking into account the importance of exports in the current economic context.. Keywords International trade, Exports, Diversification, Portugal.

(4) Diversificação das exportações: O caso português. Abreviaturas M€ - Milhões de euros. Siglas e Acrónimos AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal EFTA – European Free Trade Association (Associação Europeia de Comércio Livre) EUA – Estados Unidos da América INE – Instituto Nacional de Estatística MERCOSUL – Mercado Comum do Sul NAFTA - North American Free Trade Agreement (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio) OPEP – Organização dos Países Exportadores de Petróleo PALOP – Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa PIB – Produto Interno Bruto PME – Pequenas e Médias Empresas UE – União Europeia. i.

(5) Diversificação das exportações: O caso português. Índice 1. Introdução............................................................................................................. 1. 2. Revisão da Literatura ........................................................................................... 5. 3. 4. 2.1. Internacionalização ....................................................................................... 5. 2.2. Exportações ................................................................................................... 6. 2.3. Diversificação ............................................................................................... 8. 2.4. Pequenas e médias empresas – a realidade portuguesa .............................. 14. Metodologia ....................................................................................................... 17 3.1. Recolha dos dados ...................................................................................... 17. 3.2. Caracterização e tratamento dos dados ....................................................... 18. Resultados .......................................................................................................... 19 4.1. Evolução das exportações ........................................................................... 19. 4.2. Caracterização das empresas exportadoras ................................................. 21. 4.3. Diversificação das exportações ................................................................... 23. 4.3.1 Diversificação geográfica ..................................................................... 23 4.3.2 Diversificação do produto ..................................................................... 25 4.4 5. Outras análises relevantes ........................................................................... 27. Discussão ............................................................................................................ 27. ii.

(6) Diversificação das exportações: O caso português. 5.1. Evolução das exportações ........................................................................... 27. 5.2. Caracterização das empresas exportadoras ................................................. 29. 5.3. Diversificação das exportações ................................................................... 32. 5.3.1 Diversificação geográfica ..................................................................... 32 5.3.2 Diversificação de produto ..................................................................... 33 6. Conclusões ......................................................................................................... 34. 7. Referências Bibliográficas ................................................................................. 36. 8. Anexos................................................................................................................ 38 8.1. Anexo 1 – Tabelas e gráficos adicionais .................................................... 38. 8.2. Anexo 2 – Definição de Pequenas e Médias Empresas (PME) .................. 48. iii.

(7) Diversificação das exportações: O caso português. Lista de Figuras Figura 1: Distribuição geográfica das exportações portuguesas ............................................ 3 Figura 2: Principais clientes de Portugal em 2011 ................................................................. 4 Figura 3: Evolução das exportações (1993 a 2011*)............................................................ 20 Figura 4: Número de empresas exportadoras (1988 a 2009) ................................................ 22 Figura 5: Número de países destino das exportações entre 1988 e 2009 (Parte I) ............... 24 Figura 6: Número de países destino das exportações entre 1988 e 2009 (Parte II) .............. 25 Figura 7: Número de produtos distintos exportados entre 1988 e 2009 (Parte I)................. 26 Figura 8: Número de produtos distintos exportados entre 1988 e 2009 (Parte II) ............... 26 Figura 9: Histórico das exportações portuguesas de bens (1988 a 2009)............................. 38 Figura 10: Distribuição das empresas exportadoras por escalão de pessoas ao serviço, entre 1988 e 2009 .................................................................................................................. 39 Figura 11: Peso das exportações das empresas por tipo de comércio, entre 1988 e 2009 ... 39 Figura 12: Número de territórios destino das exportações entre 1988 e 2009 ..................... 40 Figura 13: Distribuição das empresas por escalão de valor das exportações (1988 a 2009) ...................................................................................................................................... 40 Figura 14: Distribuição das empresas exportadoras por escalão de volume de negócio entre 1988 e 2009 .................................................................................................................. 41 Figura 15: Número de artigos distintos exportados entre 1988 e 2009 ................................ 41. iv.

(8) Diversificação das exportações: O caso português. Lista de Tabelas Tabela I - Principais indicadores económicos de Portugal entre 2008 e 2011 e previsões para 2012 e 2013 ........................................................................................................... 2 Tabela II: Tipos de diversificação e respectivas definições ................................................. 10 Tabela III – Escalões de número de pessoas ao serviço ....................................................... 38 Tabela IV – Escalões de volume de vendas ......................................................................... 38 Tabela V: Top 5 dos países destino por valor exportado (€) ................................................ 42 Tabela VI: Top 5 das actividades económicas com maior volume de exportações (€)........ 43 Tabela VII: Top 5 dos escalões de pessoas ao serviço para exportações apenas extracomunitárias, por nº de empresas ......................................................................... 44 Tabela VIII: Top 5 dos escalões de pessoas ao serviço para exportações apenas extracomunitárias, por valor das exportações............................................................... 45 Tabela IX: Top 5 dos países destino para exportações apenas extracomunitárias, por nº de empresas ....................................................................................................................... 46 Tabela X: Top 5 dos países destino para exportações apenas extracomunitárias, por valor das exportações ............................................................................................................. 47 Tabela XI: Definição actual de micro, pequena e média empresa ....................................... 48. v.

(9) Diversificação das exportações: O caso português. 1. INTRODUÇÃO No actual contexto mundial, os estados, as instituições, as empresas e os próprios. cidadãos enfrentam cada vez mais desafios. O processo de globalização ao nível económico, social e cultural a que se tem assistido nas últimas décadas tem vindo a alterar mentalidades, comportamentos e processos. A evolução tecnológica tem tido um papel fundamental, proporcionando, por exemplo, meios de comunicação cada vez mais rápidos e diversificados, a redução de tempos de transporte, a optimização de processos, o aumento da capacidade produtiva. Tudo acontece a um ritmo alucinante. A quantidade de informação disponibilizada cresce exponencialmente todos os dias e a velocidade com que tem de ser analisada também. Há uma necessidade de adaptação constante por parte de todos os intervenientes da sociedade, que nem sempre é bem-sucedida. Sob uma pressão constante de objectivos e resultados, o mundo tornou-se num mercado extremamente competitivo. A concorrência já não está apenas na loja do outro lado da rua, pode estar em qualquer parte do globo. Mas, se por um lado, a globalização permite chegar a mercados distantes, aproximar pessoas, interligar o mundo, por outro, os seus efeitos negativos também alastram rapidamente. A crise do sub-prime nos EUA, no final de 2008, levou à falência de importantes instituições financeiras. Esta crise nos mercados financeiros, que provocou uma queda bastante relevante no comércio internacional, evoluiu para uma crise económica que tem atingido a Europa de uma forma particularmente grave. Com o alastramento da crise da dívida soberana na Zona Euro durante os últimos dois anos e a consequente deterioração. 1.

(10) Diversificação das exportações: O caso português. das condições de acesso aos mercados de financiamento internacional (AICEP, 2012), vários países ficaram em sérias dificuldades e tiveram mesmo que recorrer a um pedido de assistência financeira à União Europeia, ao Banco Central Europeu e ao Fundo Monetário Internacional, como foi o caso da Grécia, da Irlanda e de Portugal. No caso específico de Portugal, os principais indicadores económicos relativos a 2011 (tabela I) não são animadores. Tabela I - Principais indicadores económicos de Portugal entre 2008 e 2011 e previsões para 2012 e 2013. Fontes: INE – Instituto Nacional de Estatística, Banco de Portugal (Boletim Económico, Março 2012). Com a queda do Produto Interno Bruto (PIB) como consequência da redução do investimento e da procura interna (principalmente no que diz respeito ao consumo privado), e com o aumento do desemprego e da taxa de inflação (AICEP, 2012), serão as exportações que, apesar do abrandamento previsto para os próximos anos, deverão manter um contributo determinante para sustentar a actividade económica (BdP, 2012).. 2.

(11) Diversificação das exportações: O caso português. Analisando quais são os principais parceiros comerciais de Portugal, em particular no que diz respeito às exportações, verifica-se que são os países da União Europeia que têm o peso mais significativo (figura 1), tendo representado em 2011 cerca de 74% das exportações portuguesas de bens (AICEP, 2012). Figura 1: Distribuição geográfica das exportações portuguesas (principais parceiros comerciais). Fonte: INE – Instituto Nacional de Estatística (Resultados preliminares). Apesar da tendência para uma diminuição gradual das exportações para a União Europeia e para uma maior diversificação geográfica, que se traduz num aumento do peso dos mercados extracomunitários (BdP, 2012), como é o caso dos PALOP, ou dos países NAFTA, do Magrebe ou do Mercosul (AICEP, 2012), Portugal continua bastante dependente dos países europeus no que diz respeito às vendas ao exterior. A Espanha, a Alemanha e a França são os três principais clientes representando actualmente uma quota de cerca de 50,4% das exportações portuguesas (figura 2).. 3.

(12) Diversificação das exportações: O caso português. Figura 2: Principais clientes de Portugal em 2011. Fonte: INE – Instituto Nacional de Estatística (Resultados preliminares). Da constatação desta situação surgiram algumas perguntas: “Como têm evoluído as exportações portuguesas ao longo do tempo? Os mercados a que se destinam têm sido sempre os mesmos e de uma forma tão concentrada? Em que medida tem havido diversificação das exportações? Que tendência se prevê no futuro próximo?” Foram estas questões que motivaram o tema para este trabalho com o título “Diversificação das exportações: o caso português”. O objectivo é estudar a evolução das exportações de bens em Portugal, caracterizar as empresas exportadoras portuguesas e verificar se seguem ou não uma estratégia de diversificação (geográfica ou de produto) procurando ainda perceber qual será a tendência futura. Este trabalho está organizado da seguinte forma: na secção seguinte é apresentada a revisão da literatura, seguida da secção referente à metodologia utilizada. São depois apresentados os resultados obtidos e efectuada a discussão dos mesmos, culminando nas conclusões e sugestões para investigações futuras. 4.

(13) Diversificação das exportações: O caso português. 2. REVISÃO DA LITERATURA. 2.1 Internacionalização Há um número crescente de empresas que perceberam a internacionalização como a única estratégia de sobrevivência num mercado cada vez mais competitivo (BeleskaSpasova. & Glaister,. 2010). A internacionalização consiste em introduzir os. produtos/serviços de uma empresa em novos mercados geográficos que estejam para além das fronteiras nacionais (Barber & Darder, 2004). As empresas procuram a internacionalização por vários motivos. Estes incluem, por exemplo, aumentar vendas e lucros, aceder a factores que reduzam custos ou aumentem a produção, desenvolver economias de escala, ter acesso a novas ideias para criar ou melhorar produtos e serviços, enfrentar a concorrência de uma forma mais eficaz (Cavusgil, Knight & Reisenberger, 2008). Uma vez tomada a decisão de adoptar uma estratégia internacional, a empresa deverá avaliar a atractividade dos mercados em que pretende entrar e escolher aqueles que garantam algumas probabilidades de sucesso (Barber & Darder, 2004). Inicialmente as empresas tendem a seleccionar países que lhes sejam próximos, pois o risco de entrar nesses mercados é menor (Leonidou & Katsikeas, 1996). Mas a distância de que se fala não é apenas geográfica. Há que considerar também a distância cultural (e.g. religião, raça, normas sociais, língua), a distância política e administrativa (e.g. divisas, acordos comerciais, ligações colónia-colonizador) e a distância económica (e.g. rendimento dos consumidores, custos e qualidade dos recursos naturais, financeiros e humanos, qualidade da distribuição) (Ghemawat, 2001).. 5.

(14) Diversificação das exportações: O caso português. Depois de seleccionado(s) o(s) mercado(s) onde pretende entrar, a empresa deverá avaliar o método mais apropriado de o fazer (Barber & Darder, 2004), pois trata-se de uma decisão estratégica muito importante, senão mesmo crítica (Agarwal & Ramaswami, 1992). Os quatro modos mais comuns de entrada num mercado externo são os seguintes: exportação, licenciamento, joint venture e sole venture (Agarwal & Ramaswami, 1992). Tendo em conta o objectivo deste trabalho, será apenas focado um destes modos de entrada: as exportações.. 2.2 Exportações A forma mais comum de muitas empresas entrarem nos mercados internacionais (principalmente as pequenas e médias) é através das exportações, uma vez que em comparação com outros modos de entrada, envolvem menos recursos, riscos mais baixos e menos custos (Leonidou, Katsikeas & Coudounaris, 2010). Pode-se definir este modo de entrada como sendo a venda de produtos/serviços através de métodos directos e/ou indirectos a mercados externos, usando as instalações de produção da empresa no seu país de origem (Leonidou et al., 2010). A exportação é indirecta quando é realizada mediante a contratação de intermediários situados no mercado de origem e que se encarregam das operações internacionais (Cavusgil et al., 2008). A principal vantagem é que proporciona uma forma de entrar em mercados estrangeiros sem a complexidade e os riscos de uma forma mais directa de exportação (Cavusgil et al., 2008). No entanto, esta modalidade tem como desvantagem a total ausência de controlo sobre as estratégias de marketing aplicadas ao produto e sobre a selecção dos mercados de destino (Barber & Darder, 2004).. 6.

(15) Diversificação das exportações: O caso português. A exportação é directa quando é realizada contratando intermediários localizados no mercado externo (Cavusgil et al., 2008). Esta modalidade implica um maior nível de compromisso de recursos, mas também se obtém uma melhoria substancial no controlo das operações estrangeiras (Barber & Darder, 2004). A empresa pode ainda optar por não ter intermediários e estabelecer um escritório de representação ou uma subsidiária da empresa, que se encarregará das actividades de marketing, distribuição, promoção e serviço ao cliente no próprio mercado externo (Cavusgil et al., 2008). Ao envolverem-se em operações de exportação, as empresas podem colher benefícios diversos, tais como: aumentar o volume de vendas, melhorar a quota de mercado e gerar margens de lucro mais favoráveis do que as do mercado doméstico; aumentar as economias de escala e consequentemente o custo unitário de produção; diversificar a base de clientes, reduzindo a dependência do mercado nacional; minimizar riscos e maximizar a flexibilidade comparando com outros modos de entrada (Cavusgil et al., 2008). Podem ainda obter vantagem competitiva através da aquisição de tecnologias inovadoras, de knowhow e de experiência (Leonidou et al., 2010). Mas também há desvantagens a considerar: dado que as exportações não requerem uma presença física no mercado externo, a gestão tem menos oportunidades de conhecer os clientes, a concorrência e outros aspectos únicos do mercado; também é necessário adquirir novas competências e dedicar recursos da empresa para dirigir correctamente as transacções; além disso, este modo de entrada é muito mais sensível a barreiras comerciais e à flutuação das taxas de câmbio que os restantes (Leonidou et al., 2010). Outro factor relevante a ter em conta são os estímulos à exportação – factores que influenciam a decisão da empresa de iniciar, desenvolver e manter as operações de 7.

(16) Diversificação das exportações: O caso português. exportação (Leonidas C, 1995) – e que poderão ser classificados com base em duas dimensões: internos ou externos, dependendo se a decisão de exportar é estimulada pela situação interna da empresa ou se é impulsionada por factores do ambiente externo à empresa; proactivos ou reactivos, conforme se manifestam no comportamento agressivo da empresa e na procura deliberada de oportunidades para exportar ou se estão associados à resposta da empresa a alterações nas condições e reflectem uma atitude passiva face à procura de oportunidades nos mercados estrangeiros (Morgan & Katsikeas, 1997). Mas se por um lado há estímulos às exportações, por outro também há barreiras: para Leonidou & Katsikeas (1996) são todas aquelas restrições de atitude, estruturais, operacionais e afins que impedem a expansão das exportações de uma empresa. Estes autores consideram ainda que empresas com o mesmo nível de internacionalização podem não necessariamente perceber os obstáculos à exportação com a mesma frequência, intensidade e importância e ainda menos reagir da mesma forma.. 2.3 Diversificação Já se falou na decisão de internacionalizar uma empresa, em particular através das exportações, tendo em conta a relevância que este modo de entrada tem para as empresas portuguesas. No entanto falta ainda falar noutro conceito relevante para este trabalho: a diversificação. Para manter ou melhorar a sua posição relativa, uma empresa deve estar continuamente em crescimento e mudança (Ansoff, 1957). Há quatro estratégias base para o crescimento de um negócio: a empresa pode crescer através da penetração de mercado (aumento das vendas mantendo quer os produtos. 8.

(17) Diversificação das exportações: O caso português. quer os mercados existentes), através do desenvolvimento de mercado (adaptação dos produtos existentes a novos mercados), através do desenvolvimento de produto (novos produtos para os mercados existentes) e através da diversificação (novos produtos e novos mercados) (Ansoff, 1957). Enquanto as três primeiras estratégias mantêm os mesmos recursos técnicos, financeiros e de merchandising usados para a estratégia produto-mercado original, a diversificação destaca-se das outras pois requer geralmente novas competências, novas técnicas e novas instalações, levando quase sempre a alterações físicas e organizacionais na estrutura do negócio o que representa uma clara ruptura com a experiência de negócio passada (Ansoff, 1957). Segundo Barber & Darder (2004) a diversificação pode ser: •. Relacionada – as novas actividades mantêm uma certa relação com a situação actual, aproveitando conhecimentos, competências ou recursos disponíveis;. •. Não relacionada – os novos produtos e mercados não têm qualquer tipo de relação com os existentes;. Para Hitt, Hoskinson & Kim (1997) a diversificação pode ainda ser classificada como: •. Diversificação internacional – expansão através das fronteiras de países e regiões globais para mercados ou localizações geográficas diferentes;. •. Diversificação de produto – expansão para produtos novos para a empresa;. 9.

(18) Diversificação das exportações: O caso português. Combinando estas duas dimensões chegamos ao seguinte conjunto de definições (tabela II): Tabela II: Tipos de diversificação e respectivas definições. Diversificação. Internacional. Produto. Relacionada. Dispersão de actividades de uma Mede a dispersão de das empresa por países dentro de um actividades através de grupo relativamente homogéneo.. segmentos de negócio dentro das indústrias.. Não. Dispersão das actividades de uma Mede a extensão até à. Relacionada. empresa por regiões geográficas qual as actividades de heterogéneas.. uma. empresa. dispersas. estão. através. de. diferentes indústrias. Fonte: Elaborada pela autora com base em Vachani (1991). As empresas diversificam por várias razões, por exemplo, para distribuir os riscos, para utilizar capacidade produtiva excessiva, para reinvestir ganhos, etc. (Ansoff, 1957). Conceptualmente, à medida que a diversificação aumenta, deveria ter efeitos positivos no desempenho da empresa (Beleska-Spasova & Glaister, 2010; Geringer, Tallman & Olsen, 2000), devido às economias de âmbito e escala e aos efeitos de poder de mercado, de redução de risco e de aprendizagem (Geringer et al., 2000). No entanto, verificou-se que a relação entre o desempenho da empresa e a diversificação, em particular a internacional, não é linear (Hitt et al., 1997). Os resultados de alguns estudos mostraram que inicialmente, quando a diversificação internacional aumenta, os efeitos no desempenho são positivos, mas a partir de um determinado nível de diversificação o efeito estabiliza e acaba eventualmente por se. 10.

(19) Diversificação das exportações: O caso português. tornar negativo (Geringer, Beamish & daCosta, 1989; Hitt et al., 1997; Rugman & Verbeke, 2004). Este efeito supõe a existência de um limiar crítico de internacionalização a partir do qual a manutenção dos rácios de rentabilidade poderá representar um esforço mais desafiante (Geringer et al., 1989). Face a este resultado, não se deverá ignorar o facto de que a diversificação internacional é altamente complexa e difícil de gerir (Beleska-Spasova & Glaister, 2010; Geringer et al., 1989; Hitt et al., 1997), particularmente quando em combinação com a diversificação de produto (Hitt et al., 1997). Além disso, apesar de os resultados sugerirem que níveis moderados de diversificação internacional podem trazer múltiplos benefícios a uma empresa, também há barreiras e custos significativos associados a essa diversificação: custos de distribuição, barreiras comerciais, custos logísticos, diversidade cultural, exigências maiores de processamento de informação por parte da gestão, etc. que requerem uma coordenação considerável antes que possa usufruir das vantagens desta estratégia (Hitt et al., 1997). Com o aumento da dispersão geográfica, esses custos e exigências crescem também e eventualmente acabarão por exceder os benefícios obtidos (Geringer et al., 1989; Hitt et al., 1997). Claro que o ponto em que isto acontece irá variar de acordo com as capacidades de gestão existentes na empresa (Hitt et al., 1997). Apesar destes resultados, a opinião de que a diversificação internacional é uma opção estratégica importante para as empresas é consensual (e. g. Beleska-Spasova & Glaister, 2010; Hitt et al., 1997; Lu & Beamish, 2001), havendo várias vantagens associadas à sua escolha, entre as quais:. 11.

(20) Diversificação das exportações: O caso português. •. procura usar recursos e capacidades internas para explorar imperfeições de mercado existentes nos países e regiões globais (Hitt et al., 1997);. •. permite à empresa optimizar o rácio de custo/benefício da internacionalização e maximizar o seu desempenho (Beleska-Spasova & Glaister, 2010);. •. proporciona à empresa flexibilidades operacionais que servirão para reduzir flutuações de ganhos e lucros (Kim, Hwang & Burgers, 1993);. •. retira vantagem de uma gama mais alta de oportunidades de investimento do que uma empresa especializada domesticamente (Grant, 1987);. •. pode ser uma estratégia para criar e manter a vantagem competitiva contra empresas rivais não diversificadas (Myles Shaver, 2011).. A diversificação internacional também proporciona às empresas uma redução significativa do risco (Rugman, 1976). Esta vantagem existe devido à possibilidade de diversificação das vendas em economias de vários países, desde que as flutuações dessas economias não estejam perfeitamente correlacionadas (Rugman, 1976). Muitas empresas diversificadas internacionalmente também o são ao nível do produto (Hitt et al., 1997). Por isso, para se compreender o impacto da diversificação no desempenho e na estabilidade dos lucros de uma empresa é importante estudar o efeito quer da diversificação de produto quer da diversificação internacional (Vachani, 1991), pois embora sejam dimensões estratégicas distintas também são interactivas entre si (Kim, Hwang & Burgers, 1989).. 12.

(21) Diversificação das exportações: O caso português. A integração da diversificação internacional e da diversificação de produto ajuda as empresas a explorar interdependências através dos seus negócios para alcançar potenciais sinergias (Hitt et al., 1997). As estruturas e capacidades desenvolvidas para implementar as estratégias de diversificação de produto também podem ajudar a implementar a diversificação internacional (Hitt et al., 1997). Existem outros factores que também poderão ter influência no sucesso da diversificação internacional, entre eles: •. Conhecimento e experiência – Os gestores deviam construir o seu conhecimento sobre mercados internacionais antes de entrarem, aumentando assim as probabilidades de sucesso (Hitt et al., 1997), quer por contratação de talentos de gestão experientes quer por desenvolvimento interno - ter uma equipa de gestão com experiência em operações internacionais fortalecerá a capacidade da empresa para lidar com a capacidade crescente de gerir operações em mercados dispersos geograficamente (Beleska-Spasova & Glaister, 2010).. •. Inovação – Um investimento forte em inovação é particularmente importante em empresas com diversificação internacional, para ganharem vantagens competitivas em mercados globais com muita concorrência (Hitt et al., 1997). Por outro lado, a diversificação internacional proporciona mais variedade de mercados e perspectivas culturais, oportunidade para ideias novas e diversas e potencialmente maiores retornos, fornecendo por isso incentivos aos gestores para investirem em inovação (Hitt et al., 1997).. 13.

(22) Diversificação das exportações: O caso português. •. Distância – Grande parte dos custos e riscos de negociar em novos mercados resultam de barreiras criadas pela distância – não apenas a geográfica, mas também a cultural, a administrativa ou política e a financeira – o que pode fazer com que os mercados estrangeiros se tornem mais ou menos atractivos (Ghemawat, 2001). O autor dá vários exemplos do impacto dessas quatro dimensões da distância, entre os quais se salienta o da probabilidade de dois países negociarem entre si ser dez vezes superior caso tenham uma relação colónia-colonizador, como é o caso da GrãBretanha e as suas antigas colónias na Commonwealth.. Relativamente. à. diversificação. internacional. especificamente. através. das. exportações, há autores (e.g. Beleska-Spasova & Glaister, 2010; Geringer et al., 2000) que consideram provável que as empresas mais diversificadas geograficamente tenham melhor desempenho do que os exportadores que concentram os seus esforços num pequeno número de mercados de exportação.. 2.4 Pequenas e médias empresas – a realidade portuguesa O contexto empresarial português é possivelmente bem diferente daquele onde a maior parte dos artigos referidos se basearam, pois a grande maioria das amostras utilizadas eram referentes a empresas sediadas nos Estados Unidos da América, Reino Unido ou Japão. No caso de Portugal, num estudo feito pelo Instituto Nacional de Estatística (INE, 2011), verificou-se que em 2009 havia 348 552 pequenas e médias empresas (PME) representando 99,7% do total de sociedades do sector não financeiro e 59% do volume de negócios desse. 14.

(23) Diversificação das exportações: O caso português. ano. De acordo com esse estudo, desse conjunto de empresas apenas 10% eram exportadoras tendo contribuído porém com 40% para o volume de negócios das PME. Relativamente ao número total de empresas exportadoras de bens em 2009 mais de 2/3 (69,1%) eram empresas de pequena e média dimensão (INE, 2011). Face a este números é relevante ter também em conta o que a literatura refere sobre a diversificação internacional das PME. A maior parte da pesquisa em diversificação geográfica focou-se na orientação estratégica global das grandes empresas multinacionais dando muito pouca atenção aos intervenientes internacionais mais pequenos, em particular aos exportadores (BeleskaSpasova & Glaister, 2010). De acordo com Agarwal & Ramaswami (1992), não é suposto que as empresas que são mais pequenas e têm menos experiência multinacional tenham recursos ou competências suficientes para entrarem num grande número de mercados estrangeiros. Consideram mesmo que o que é esperado é que essas empresas usem uma estratégia selectiva e que concentrem os seus esforços nos mercados estrangeiros com mais potencial, porque as hipóteses de obterem maiores retornos são melhores nesses mercados. No entanto, embora as empresas internacionais mais pequenas, como é o caso das PME exportadoras, sejam geralmente menos capazes de absorver custos do que são as grandes multinacionais (principalmente devido a constrangimentos de recursos e uma menor capacidade de lidar com as complexidades de gestão associadas à dispersão crescente das operações internacionais), uma vez absorvidos os custos iniciais da internacionalização e iniciada a expansão das operações para além da região de origem,. 15.

(24) Diversificação das exportações: O caso português. também nas PME os benefícios começam a superar os custos e resultam em melhor desempenho (Beleska-Spasova & Glaister, 2010). Além disso, as exportações fornecem às PME um acesso rápido aos mercados estrangeiros requerendo pouco investimento de capital mas dando a oportunidade de um ganho rápido de experiência internacional (Beleska-Spasova & Glaister, 2010). Todos os países, particularmente se dependem em alto nível do comércio externo, têm um interesse vital em explorar todas as oportunidades de exportação (Dichtl, Koeglmayr & Mueller, 1990). A pesquisa empírica destes autores sugere que um terço das pequenas e médias empresas (PME), cujo foco principal é o comércio doméstico, poderiam tornar-se exportadoras bem sucedidas. Há ainda a percepção geral de que as PME têm ainda menos operações de diversificação internacional que as empresas multinacionais (com provas recentes que estas últimas têm uma natureza predominantemente regional), mas as PME poderão ser menos regionais na sua orientação geográfica do que se pensou previamente (Beleska-Spasova & Glaister, 2010). Estes autores verificaram com a amostra utilizada no seu estudo, que por as empresas serem mais pequenas não quer dizer necessariamente que sejam menos diversificadas geograficamente, testemunhando que o tamanho não é um factor crítico do processo de internacionalização. Conclui-se que diversificação geográfica é uma importante opção estratégica para empresas orientadas ao crescimento, quer sejam pequenas quer sejam grandes (BeleskaSpasova & Glaister, 2010; Lu & Beamish, 2001).. 16.

(25) Diversificação das exportações: O caso português. 3. METODOLOGIA A metodologia escolhida para este trabalho foi o estudo de casos. Trata-se de uma. “investigação empírica que estuda um fenómeno contemporâneo dentro do seu contexto real, quando as fronteiras entre o fenómeno e o contexto não são claramente evidentes, utilizando múltiplas fontes de informação” (Nevado, 2001; cit. Yin, 1994). Embora esta metodologia se tenha tornado bastante popular quando se trata de estudar empresas (Nevado, 2009), neste caso foi usada para estudar um país – Portugal – relativamente à diversificação das suas exportações de bens. O estudo de casos é a metodologia mais indicada quando se quer dar respostas a perguntas do tipo “como” e “porquê” (Nevado, 2009) e pode ser feito usando informação qualitativa ou quantitativa, não requerendo um método de recolha de dados específico (Yin, 1981). No caso específico deste trabalho, o estudo de caso é do tipo exploratório – ou seja, procura a familiarização com uma situação sobre a qual não existe um marco teórico bem definido (Nevado 2001; cit. Yin 1994) – e utiliza informação quantitativa.. 3.1 Recolha dos dados Tendo em conta o objectivo deste trabalho – estudar a evolução das exportações portuguesas de bens e a estratégia de diversificação das mesmas – pesquisou-se se a informação necessária para a investigação já havia sido recolhida por alguma entidade (e.g. AICEP, Banco de Portugal, INE) e se era possível ter acesso à mesma. Verificou-se que o INE dispunha de informação estatística mensal detalhada relativa às trocas comerciais de bens e/ou mercadorias quer entre Portugal e a União Europeia (Comércio Intracomunitário) quer entre Portugal e países terceiros (Comércio Extracomunitário), desde Janeiro de 1988. 17.

(26) Diversificação das exportações: O caso português. até Dezembro de 2009. Considerou-se que esta informação seria suficiente para o presente estudo e decidiu-se utilizar os dados disponibilizados pelo INE.. 3.2 Caracterização e tratamento dos dados Os dados relativos ao Comércio Internacional foram disponibilizados em ficheiros anuais de 1988 a 2009, contendo os registos das transacções internacionais (importações e exportações) efectuadas durante esse período. Cada registo tem vários campos com detalhes acerca da transacção: código do produto, número de pessoa colectiva fictício da empresa, país origem/destino, actividade económica da empresa, valor facturado em euros, entre muitos outros. Tendo em conta o elevado número de registos disponibilizados (desde 1,4 milhões em 1988 até cerca de 4 milhões para 2009, totalizando cerca de 57, 6 milhões de registos), foi necessário extraí-los dos ficheiros originais e colocá-los num sistema de gestão de base de dados com capacidade de efectuar análises sobre aquela quantidade de dados. Dado que estes ficheiros incluíam as transacções referentes às importações e exportações, foi necessário filtrar as segundas dado que eram estas o foco deste trabalho. Para se obterem os resultados apresentados no capítulo seguinte, construíram-se queries numa linguagem específica de base de dados, que permitiram agregar a informação da forma mais conveniente para dar resposta a cada uma das análises efectuadas. Relativamente aos dados disponibilizados, é conveniente esclarecer previamente que as empresas anonimizadas que constam nos registos estão caracterizadas pelo escalão do número de pessoas ao serviço (tabela III) e pelo escalão de volume de vendas (tabela IV). Tendo por base estes escalões disponibilizados pelo INE, e de acordo com a definição. 18.

(27) Diversificação das exportações: O caso português. actual de PME (Anexo 2), não é possível determinar concretamente se se trata de uma micro, pequena, média ou grande empresa, mas é possível ter uma noção aproximada da dimensão da mesma.. 4. RESULTADOS Da análise dos dados obtidos resultou a informação apresentada neste capítulo.. Optou-se por organizá-la em gráficos e tabelas de modo a resumir registos referentes a vinte e dois anos de exportações de uma forma sucinta mas perceptível. Alguns dos gráficos referidos constam dos Anexos para optimizar o espaço no corpo principal do documento. De referir ainda que de agora em diante no documento, o termo “exportações” equivale à expressão “exportações portuguesas de bens”.. 4.1 Evolução das exportações Numa primeira fase, a análise focou-se na evolução das exportações. A partir dos valores publicados pelo INE relativos às exportações entre 1993 e 2011 obteve-se o gráfico representado na figura 3.. 19.

(28) Diversificação das exportações: O caso português. Figura 3: Evolução das exportações (1993 a 2011*). 45000 40000 35000 30000 25000 20000 15000 10000 5000 0. Mundo IntraUE ExtraUE EFTA OPEP PALOP 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010* 2011*. Valor em M€. Exportações entre 1993 e 2011* (M€). Fonte: INE – Instituto Nacional de Estatística (*Resultados preliminares para 2010 e 2011). Para além do volume total das exportações a nível mundial, considerou-se relevante mostrar não só como é que este valor se divide entre os países pertencentes à União Europeia (IntraUE) e os países extracomunitários (ExtraUE), mas também como se distribui por algumas organizações de países para as quais havia dados disponíveis. Compararam-se então os valores publicados com a informação detalhada de Comércio Internacional disponibilizada pelo INE, depois de filtrados os registos referentes às importações e agregados os registos das exportações por ano. Verificou-se que os valores resultantes eram coincidentes (figura 9), considerandose assim que os dados eram fiáveis para prosseguir com as restantes análises e ainda com a vantagem adicional de, no caso do valor total das exportações, se passar a ter valores entre 1988 e 1993 que não estão publicados. Mas se por um lado é relevante saber quanto Portugal exporta, também é importante perceber para onde. Para determinar quais os destinos com maior peso, agregaram-se os. 20.

(29) Diversificação das exportações: O caso português. registos por ano e por território, ordenando-se por ordem decrescente do valor das exportações. Na tabela V constam os resultados obtidos a partir desta análise para alguns dos anos em estudo (não se colocaram todos por uma questão de espaço, optando por aqueles que se consideraram mais relevantes para se perceber a evolução). Também se investigou quais os artigos mais exportados e quais os respectivos sectores económicos a que pertencem. Como a análise por produtos acaba por ser uma versão mais detalhada da análise por actividade económica, optou-se por listar as cinco actividades mais representativas, por ordem decrescente do valor exportado. Os resultados para alguns dos anos em estudo constam da tabela VI (não se colocaram todos os anos pelas mesmas razões que se indicaram para os territórios). De notar que no caso de 2009 grande parte dos registos não tinham uma actividade económica associada, o que fez com que os resultados ficassem distorcidos, optando-se por não os apresentar.. 4.2 Caracterização das empresas exportadoras Procurou então determinar-se o historial do número de empresas exportadoras, qual o tipo de comércio escolhido pelas mesmas (intracomunitário e/ou extracomunitário) e a sua caracterização em termos de dimensão (escalão do número de pessoas ao serviço e escalão de volume de vendas). Para o primeiro objectivo, verificou-se que havia um Número de Pessoa Colectiva Fictício associado a cada registo de exportação. Assumindo que cada um destes números corresponde a uma empresa real, agregou-se a informação por este campo, obtendo-se assim o número total de empresas exportadoras, como se pode ver no gráfico seguinte (figura 4):. 21.

(30) Diversificação das exportações: O caso português. Figura 4: Número de empresas exportadoras (1988 a 2009). Nº de empresas exportadoras Nº de empresas. 30000 25000 20000 15000 10000 5000. Total. IntraUE. ExtraUE. 2009. 2008. 2007. 2006. 2005. 2004. 2003. 2002. 2001. 2000. 1999. 1998. 1997. 1996. 1995. 1994. 1993. 1992. 1991. 1990. 1989. 1988. 0. IntraUE e ExtraUE. Fonte: INE – Instituto Nacional de Estatística (Estatísticas Correntes do Comércio Intra e ExtraComunitário entre 1988 e 2009). Analisou-se então como se distribuía o número total de empresas pelos vários escalões quer de número de pessoas ao serviço (figura 10) quer de volume de vendas (figura 14). Verificou-se depois qual o valor que cada empresa exporta por ano e como é que esse valor tem evoluído. Para isso foi definido um conjunto de níveis que se consideraram ser os adequados e distribuíram-se as empresas de acordo com esses escalões. A figura 13 mostra o que resultou dessa distribuição. A partir do ano 1993 é possível distinguir entre os registos das exportações intra e extracomunitárias (o que não acontece para os anos anteriores). Assim, para enriquecer os resultados obtidos, contabilizou-se também o número de empresas que exportam apenas para países da UE (IntraUE), apenas para países fora da UE (ExtraUE) ou para ambos (figura 4).. 22.

(31) Diversificação das exportações: O caso português. Face à vantagem destacada do número de empresas que exportam apenas para países extracomunitários, analisou-se ainda: - A que escalões do número de empregados ao serviço pertencem essas empresas, para se ter uma noção da dimensão das mesmas. Foram ordenadas de forma decrescente por dois critérios: a primeiro foi pelo número de empresas no escalão (tabela VII) e a segundo pelo valor exportado por aquele escalão (tabela VIII). - Quais os países para onde mais exportam as empresas que se dedicam apenas aquele tipo de comércio (tabela IX e tabela X). A ordenação foi feita da mesma forma que no caso anterior. Analisaram-se ainda os sectores económicos com valores mais significativos para as exportações extracomunitárias, mas os resultados foram demasiado dispersos para se poder tirar alguma conclusão.. 4.3 Diversificação das exportações Uma vez examinada a evolução das exportações nacionais e como se caracterizam as empresas que exportam, avançou-se para a análise da diversificação das exportações. 4.3.1. Diversificação geográfica Determinou-se inicialmente para quantos países Portugal tem exportado desde 1988. até 2009 (figura 12). De notar que esta informação se baseia nos registos detalhados das exportações, cruzando o país destino existente nos mesmos com duas listas de territórios disponibilizadas pelo INE: uma válida entre 1980 e 1999, onde constam 201 territórios e outra válida a partir de 2000 onde constam 245 territórios.. 23.

(32) Diversificação das exportações: O caso português. Para determinar a diversificação geográfica das exportações portuguesas dividiu-se a análise em duas partes: na primeira definiram-se escalões estreitos em que apenas se incrementa um país em cada nível; na segunda foram definidos intervalos mais amplos, de dez em dez países, para se ter uma visão mais ampla do panorama da diversificação geográfica (figura 5 e figura 6). Figura 5: Número de países destino das exportações entre 1988 e 2009 (Parte I). Nº de países destino das exportações % de empresas por escalão. 80,00% 70,00% 60,00%. Para 1 país. 50,00% Para 2 países. 40,00% 30,00%. Para 3 países. 20,00%. Para 4 países. 10,00%. Para 5 países 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009. 0,00%. Fonte: INE – Instituto Nacional de Estatística (Estatísticas Correntes do Comércio Intra e ExtraComunitário entre 1988 e 2009). 24.

(33) Diversificação das exportações: O caso português. Figura 6: Número de países destino das exportações entre 1988 e 2009 (Parte II). Nº de países destino das exportações 100,00% % de empresas por escalão. 90,00% 80,00%. Entre 1 e 10 países. 70,00% Entre 11 e 20 países. 60,00% 50,00%. Entre 21 e 30 países. 40,00%. Entre 31 e 40 países. 30,00%. Entre 41 e 50 países. 20,00%. Mais de 50 países. 10,00% 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009. 0,00%. Fonte: INE – Instituto Nacional de Estatística (Estatísticas Correntes do Comércio Intra e ExtraComunitário entre 1988 e 2009). 4.3.2. Diversificação do produto A análise efectuada para a diversificação de produto foi semelhante à da. diversificação geográfica. Determinou-se primeiro quantos produtos distintos têm sido exportados ao longo dos anos em estudo, agregando-se os registos das exportações pelo código de produto (figura 15). Este código de oito dígitos é atribuído de acordo com a Nomenclatura Combinada - nomenclatura das mercadorias da Comunidade Europeia utilizada nas estatísticas do Comércio Internacional. No caso da diversificação de produto dividiu-se também a análise em duas componentes tal como na diversificação geográfica, sendo os níveis estabelecidos em tudo semelhantes a essa mesma análise e tendo por base a mesma justificação (figura 7 e figura 8).. 25.

(34) Diversificação das exportações: O caso português. Figura 7: Número de produtos distintos exportados entre 1988 e 2009 (Parte I). 45,00% 40,00% 35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00%. 1 produto 2 produtos 3 produtos 4 produtos 5 produtos 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009. % de empresas por escalão. Nº de produtos distintos exportados. Fonte: INE – Instituto Nacional de Estatística (Estatísticas Correntes do Comércio Intra e ExtraComunitário entre 1988 e 2009). Figura 8: Número de produtos distintos exportados entre 1988 e 2009 (Parte II). Nº de produtos distintos exportados 100,00%. % de empresas por escalão. 90,00% 80,00% Entre 1 e 10 produtos. 70,00% 60,00%. Entre 11 e 20 produtos. 50,00%. Entre 21 e 30 produtos. 40,00%. Entre 31 e 40 produtos. 30,00%. Entre 41 e 50 produtos. 20,00%. Mais de 50 produtos. 10,00% 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009. 0,00%. Fonte: INE – Instituto Nacional de Estatística (Estatísticas Correntes do Comércio Intra e ExtraComunitário entre 1988 e 2009). 26.

(35) Diversificação das exportações: O caso português. 4.4 Outras análises relevantes Muitas outras análises poderiam ter sido efectuadas sobre os dados disponibilizados, embora fossem progressivamente mais complexas e morosas. Uma das que se considerou bastante relevante consistia em determinar o peso das exportações no volume de negócios da empresa, procurando fazer-se o rácio entre o valor das exportações efectuadas e o valor total das vendas. No entanto, a informação que se tem sobre o valor total das vendas é um intervalo entre dois montantes que muitas vezes distam vários milhões de euros, o que torna inviável a obtenção de resultados fiáveis.. 5. DISCUSSÃO. 5.1 Evolução das exportações Pelo que se pode observar na figura 3, tem havido um crescimento constante das exportações, quer no seu valor global quer no valor respeitante aos agregados de países representados. Pelo gráfico consegue-se perceber que a principal contribuição para esse crescimento vem das exportações para os países da União Europeia, já que os restantes agregados de países só começam a sobressair ligeiramente a partir de 2005. A única excepção no aumento dos montantes decorrentes das exportações ocorreu no ano de 2009 e ficou a dever-se à crise financeira internacional, que afectou seriamente o comércio internacional mundial e em particular o português. É no entanto de salientar que as exportações mais afectadas foram as intracomunitárias, observando-se que o impacto da crise foi bem mais suave nos outros casos.. 27.

(36) Diversificação das exportações: O caso português. Relativamente aos países para onde Portugal mais exporta a variação tem sido muito reduzida (tabela V). Em 1988 era a França o mercado de eleição, com a Alemanha e o Reino Unido em posições muito próximas. Na década de 1990 é a Alemanha que passa a liderar com uma clara vantagem face aos países seguintes: Espanha, França e Reino Unido. Mas no final dessa década a Espanha começa a aproximar-se rapidamente da Alemanha e na década de 2000 é este país que passa a liderar como destino das exportações portuguesas, chegando em 2007 a um valor máximo de cerca de 28,66% e com uma diferença de quase 16% relativamente ao país seguinte, a Alemanha. Mas se até 2007 os destinos são sempre os mesmos, mudando apenas a sua posição na tabela, a partir de 2008 surge uma novidade: passa a haver um novo país na lista, que nem sequer pertence à União Europeia e que ultrapassa desde logo o Reino Unido. Este país é Angola. Quanto ao histórico das actividades económicas predominantes (tabela VI), no final da década de 1980 e até meados da década de 1990, a “Confecção de artigos de vestuário, excepto artigos de peles com pêlo” destaca-se claramente do concorrente mais próximo, a “Indústria do calçado”. A partir de 1995 entram na lista das cinco actividades com mais exportações a “Fabricação de veículos automóveis” e a “Fabricação de componentes e acessórios para veículos automóveis”, que passarão a ocupar constantemente os dois primeiros lugares da lista desde 2002 até pelo menos 2008. Em contrapartida, a “Confecção de artigos de vestuário, excepto artigos de peles com pêlo” foi perdendo peso e embora ainda conste da lista, em 2008 só já tem uma percentagem de 4,40%. No caso da “Industria do calçado” acabou mesmo por sair da lista das cinco maiores actividades exportadoras em 2004. Outro facto a ter em atenção é que enquanto em 1992, por exemplo, a actividade com mais exportações tinha um peso de 15,11% com uma diferença de mais de 7% para a 28.

(37) Diversificação das exportações: O caso português. actividade seguinte, em 2008 a actividade em primeiro lugar tinha apenas um peso de 6,01%, estando as seguintes muito próximas. Esta constatação leva a crer que o valor das exportações está actualmente mais distribuído por várias actividades económicas, diminuindo assim a dependência de cada actividade individualmente e reduzindo o risco da redução das exportações no caso de alguma se tornar menos bem sucedida.. 5.2 Caracterização das empresas exportadoras No que diz respeito ao número de empresas exportadoras apurado (figura 4), verifica-se que, globalmente, este foi crescendo até 2006, ano a partir do qual acabou por estabilizar. A única excepção foi uma descida abrupta no ano de 1993, muito provavelmente devido ao facto de, com a entrada de Portugal no Mercado Único nesse mesmo ano, o procedimento de recolha de informação referente ao Comércio Internacional Intracomunitário ter sido alterado, podendo ter afectado os dados resultantes. Quanto à forma como a totalidade das empresas contabilizadas se distribuem pelos escalões de número de pessoas ao serviço (figura 9), verifica-se que, ao longo de todos os anos em estudo, é no escalão “De 1 a 4 empregados” que se encontra a maioria das empresas. Os escalões seguintes, mas já a uma distância considerável, são as empresas “De 20 a 49 empregados”, “De 5 a 9 empregados” e “De 10 a 19 empregados”, o que leva a concluir que, tendo em conta apenas o número de empregados, cerca de 75% a 80% das empresas exportadoras são micro ou pequenas empresas. Salienta-se ainda o facto da grande maioria dos escalões terem uma tendência de redução do número de empresas que lhe estão associadas, com excepção dos escalões “Não especificado” e “0 empregados”, este último em claro crescimento desde 1999. Duas das. 29.

(38) Diversificação das exportações: O caso português. justificações possíveis para este comportamento são: a redução da qualidade dos dados, sendo atribuído às empresas um escalão mínimo que não é o seu; ou o facto de a evolução tecnológica permitir às empresas negociar e exportar sem necessidade de contratar pessoal. Relativamente à distribuição das empresas exportadoras pelos escalões de volume de vendas (figura 14), os resultados são bem mais dispersos, embora prevalecendo desde 1993 o escalão “De 500.001€ a 1.500.000€”. O escalão com maior descida ao longo dos anos foi o “De 1€ a 50.000€”, o que poderia ser um bom indicador, já que significaria que as empresas estariam a aumentar o seu volume de vendas. No entanto, mais uma vez, o escalão que mais tem subido (e de uma forma bastante acelerada) é o “De 0€”, o que sustenta a hipótese (já colocada no caso dos escalões de número de pessoas ao serviço) de uma atribuição errada do escalão de volume de vendas às empresas, pois não faz sentido que empresas com valores facturados em transacções comerciais internacionais sejam consideradas como tendo um volume de vendas igual a 0€. Aliás, ao analisarem-se as empresas pelo valor facturado nas exportações, confirmou-se nos resultados obtidos que não há nenhuma com valor nulo desde 1999. Observando os resultados dessa análise na figura 13, a grande maioria das empresas factura entre 1.001€ e 50.000€ em exportações. Verifica-se ainda que são os dois escalões mais baixos que têm uma tendência crescente, estando o escalão “De 100.001€ a 500.000€” numa situação inversa, o que poderá indiciar que embora haja cada vais mais empresas a exportar, os valores facturados têm tendência a ser baixos. Voltando à figura 4, e à forma como as empresas se distribuem pelo tipo de comércio internacional que efectuam (as que exportam apenas para países da União Europeia, apenas para países fora da União Europeia ou para ambos), constata-se que o 30.

(39) Diversificação das exportações: O caso português. número de empresas que exporta só para países extracomunitários tem tido um crescimento constante e ultrapassa já as 80% em 2009. São estas empresas que têm impulsionado o crescimento global do número de empresas exportadoras, pois o número das restantes temse mantido bastante estável ou mesmo decrescido ligeiramente (2008 e 2009). No entanto, são as empresas que exportam só para a UE que, apesar de serem em número muito inferior, que contribuem cerca de quatro vezes mais para o valor global das exportações anuais (figura 11). Curiosamente, embora o número de empresas que exportam só para países fora da UE, tenha tido um crescimento assinalável, o valor resultante dessas exportações tem-se mantido constante, o que indicia que o valor facturado por cada uma delas é cada vez menor. Face a estes resultados, caracterizaram-se especificamente as empresas que têm apenas exportações extracomunitárias. No que diz respeito ao número de pessoas ao serviço (tabela VII), verificou-se que é o escalão “De 1 a 4 pessoas” que desde 1993 tem um maior número de empresas deste tipo, embora os seguintes se tenham vindo a aproximar. De notar ainda que os escalões que constam das primeiras posições na lista na última década são todos com menos de 50 pessoas e que em 2009 já representavam cerca de 68% das empresas que exportam apenas para países fora da UE. Quanto aos valores facturados por estas empresas (tabela VIII) verificou-se que são muito pouco significativos face ao valor global, representando cerca de 7% do total das exportações em 2009. Quanto aos países destino das empresas que exportam só para mercados extracomunitários (tabela IX e tabela X), Angola tem estado sempre à frente (pelo menos desde 1993), quer em número de empresas quer em valor facturado nas exportações, distanciando-se cada vez mais do país que se segue. De notar 31.

(40) Diversificação das exportações: O caso português. ainda que, ordenando pelo número de empresas exportadoras, Cabo Verde está há vários anos em segundo lugar, S. Tomé e Príncipe está em quinto e Moçambique também já esteve presente durante alguns anos. Também o Brasil já consta da lista ordenada por valor. Estes resultados indicam que as empresas apostam cada vez mais nas exportações para as antigas colónias, aproveitando não só o facto de alguns desses países estarem em franco desenvolvimento, mas também devido aos laços que têm com Portugal e a língua em comum.. 5.3 Diversificação das exportações 5.3.1. Diversificação geográfica Portugal tem mantido o número de mercados externos para onde exporta. relativamente estável, sendo que em 2009 as exportações portuguesas tinham como destino cerca de 210 territórios distintos (figura 12). Quanto aos resultados obtidos com a análise da diversificação geográfica das exportações (figura 5), considera-se que ficaram bastante aquém das expectativas, uma vez que se em 1988 cerca de 50% das empresas exportavam apenas para 1 país, em 2009 já eram cerca de 70% e com tendência para continuarem a aumentar. Mesmo quando se trata dos escalões seguintes, que estão bastante próximos em termos de número de países (2 a 5), a tendência já é para decrescerem. E ao observarem-se os resultados numa análise com escalões mais amplos (figura 6), então constata-se que o número de empresas a exportarem para um número máximo de 10 países, sempre foi de pelo menos de 90% chegando em 2009 ao seu valor máximo ao ultrapassar os 95%. Quanto ao país escolhido quando as empresas exportam apenas para um mercado, entre 1989 e 1992 foi Espanha que ficou no topo de lista seguida geralmente pela França e pela. 32.

(41) Diversificação das exportações: O caso português. Alemanha. Mas em 1993 há uma mudanção significativa passando Angola a liderar até 2009. Entre 1993 e 2007 os três lugares seguintes pertencem sempre a Cabo Verde, Espanha e EUA, mudando apenas de posição. Neste período, no quinto lugar vão aparecendo a Suiça, Moçambique, Guiné- Bissau e S. Tomé e Príncipe. Assim sendo, as empresas portuguesas não estão a diversificar as exportações geograficamente mas sim a concentrarem o destino das suas exportações num único país. 5.3.2. Diversificação de produto Relativamente à variedade de produtos exportados (figura 15), esta foi aumentado. até meados dos anos 1990 até que estabilizou na faixa entre os 7.500 e os 8.000 artigos distintos. No que diz respeito à diversificação de produto nas exportações (figura 7), também é o primeiro escalão, onde estão as empresas que exportam apenas um produto, que está em clara vantagem sobre os outros. Mas neste caso há uma diversificação um pouco superior nos níveis imediatamente abaixo (2 a 5 produtos) e no escalão entre os 11 e 20 produtos (figura 8), constatando-se que a percentagem de empresas que exportam apenas um produto foi de cerca de 35% em 1988, alcançado o máximo em 2006 com cerca de 41% altura em que começou a descer ficando em 2009 em cerca de 37%. Neste caso é um pouco mais difícil perceber qual será a tendência nos próximos anos, mas observando a figura 8 parece que a tendência será o escalão “Entre 1 e 10 produtos” ter uma ligeira redução no número de empresas, em privilégio dos escalões com mais produtos, que têm subido muito timidamente nos últimos anos em estudo. De qualquer forma, também se considera que a diversificação das exportações por produto é muito reduzida, dando a entender novamente que as empresas preferem especializar-se num único produto. Na lista. 33.

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Tabela I - Principais indicadores económicos de Portugal entre 2008 e 2011 e previsões para  2012 e 2013
Tabela II: Tipos de diversificação e respectivas definições
Figura 4: Número de empresas exportadoras (1988 a 2009)
Figura 5: Número de países destino das exportações entre 1988 e 2009 (Parte I)
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Referências

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