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Religião: transcedência e concretude/ Religion: transfer and concretude

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Academic year: 2020

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 27770-27783 nov. 2019 ISSN 2525-8761

Religião: transcedência e concretude

Religion: transfer and concretude

DOI:10.34117/bjdv5n11-372

Recebimento dos originais: 10/10/2019 Aceitação para publicação: 29/11/2019

Otto Dana

Professor Doutor Aposentado da UNESP de Marília –SP.

Doutor em Ciências Sociais pela Faculdade de Ciências e Letras de Rio Claro-SP- UNESP Licenciado em Filosofia e Sociologia

Bacharel em Teologia

Instituição: Universidade Estadual Paulista – UNESP Endereço: Rua 10 nº 3298, Bairro: Vila Elizabeth- Rio Claro- SP

E-mail: [email protected]

Juliano Bernardino de Godoy

BOLSISTA CAPES

Doutorando em Educação na Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP Mestre em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP

Licenciado em História - Filosofia- Pedagogia - Sociologia- Geografia Bacharel em Teologia- Filosofia- História

Instituição: Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP

Endereço: Avenida 50, esquina com Rua 2A, nº 130, Bairro: Jardim Primavera- Rio Claro- SP

E-mail: [email protected]

RESUMO

Esse artigo parte de uma metodologia de revisão bibliográfica, redigida especialmente para uma palestra em favor da diversidade religiosa, na conferência realizada na Igreja Anglicana Episcopal de São Jorge, no município de Rio Claro, estado de São Paulo, em 2017.

Palavras-chave: Religião. Diversidade. Ecumenismo.

ABSTRACT

This article is based on a literature review methodology, written especially for a lecture in favor of religious diversity, at the conference held at the Anglican Episcopal Church of São Jorge, in the municipality of Rio Claro, state of São Paulo, in 2017.

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 27770-27783 nov. 2019 ISSN 2525-8761

1 INTRODUÇÃO

A religião pode ser considerada sob diversos ângulos:

Do ângulo da experiência religiosa pessoal. Quando se diz “a minha religião é...”, “a minha fé”, “eu creio em...”. É a religiosidade, na maioria das vezes recebida do berço, herdada do ambiente familiar ou social. É a religiosidade aceita sem discussão. A religiosidade aceita como ela é, sem questionamento e sem passar pelo crivo da ciência. É a religiosidade em que o crer e o ser se identificam, se misturam: ”eu sou católico”, “eu sou budista” “eu sou anglicano”. Se ela é estudada é apenas para conhecê-la melhor e vivê-la, praticá-la melhor e não para colocá-la em dúvida.

Pode ser vista sob o ângulo da História. Conhecer-lhe o caminho feito desde sua origem até nós, sua repercussão e influência na construção da história geral da humanidade e de cada povo em particular. A religião no Brasil, por exemplo. A religiosidade dos povos primitivos, outro.

Do ângulo da Psicologia, tanto individual como da psicologia social, A religião como terapia ou como geradora de traumas e desequilíbrios. Como libertação ou como opressão e dependência. A questão da culpabilidade. As neuroses provocadas pelas exigências e ameaças da religião.

Do ângulo da Filosofia. A religião é também uma forma de pensamento, uma maneira de interpretar o mundo e o homem. Como se estrutura esse saber. Quais seus fundamentos e se são legítimos.

Do ponto de vista Antropológico. Sobretudo como um dado cultural. A religião vista como uma gigantesca rede de símbolos que formam uma espécie de abóboda protetora que dá unidade e sentido ao mundo e dá sentido e ordenamento à vida pessoal e coletiva.

Também do ponto de vista Teológico. A religião estudada por dentro, pelos seus próprios especialistas, os teólogos. Como ela se constrói a partir de uma revelação extra-humana, sobrenatural, como algo que o homem recebe de fora, de outra realidade sobrenatural. Os relacionamentos Deus-Homem e a dependência deste em relação àquele.

Ainda sob o ângulo da Sociologia. A religião vista como um fato social, uma coisa social. A religião como construção humana. Porque o homem não apenas tem e cultiva religião, mas, porque ele cria e constrói religião. A que necessidade humana ela satisfaz? O homem não cria coisas por nada. Mesmo que seja para simples distração ou lazer, tudo o que o homem cria tem uma finalidade, satisfazer necessidades. Então, porque e para que o homem cria a religião?

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 27770-27783 nov. 2019 ISSN 2525-8761 Esse nosso estudo pretende passear um pouco por todos esses terrenos, mas vai-se deter mais particularmente na visão sociológica e antropológica da religião. Sem negar uma possível intervenção extra-humana na origem e desenvolvimento da religião, interessa-nos explorar mais os aspectos humanos da mesma, E nisso não vemos nenhum prejuízo ou diminuição da importância da religião. Pelo contrario, parece que engrandece a ambos - ao Homem e à Religião - se verem ao mesmo tempo como sujeito e objeto um do outro: o Homem fazendo religião e a religião fazendo o Homem. Da mesma forma que não humilha o mundo e nem a Deus ao se afirmar que o mundo é uma obra a quatro mãos: as da divindade e as do homem (Cf. BERGER, 1975).1

Sem prescindir do possível aspecto sobrenatural-divino, extra-humano, que os teólogos enxergam na religião e que é o fundamento e o conteúdo que eles chamam de fé, nós vamos tratar a religião, na medida do possível, sob o ângulo humano. O ser humano fazendo religião que lhe satisfaz determinadas necessidades e que, ao que parece, vai convivendo com o homem desde suas origens mais remotas, até o homem interplanetário dos satélites e ônibus espaciais de hoje. Então a religião vista como projeção humana, como produto da história humana, como construção social empreendida por seres humanos.

A pressuposição de todas as religiões é que elas não foram feitas, mas, reveladas. Entidades sobrenaturais - deuses ou espíritos, por inspiração, por insinuação, por aparição, por sonhos, por visões, por fenômenos da natureza, se manifestam aos homens para ditar-lhes um projeto de vida, tanto individual como coletivo-social. O homem, ser fraco e perecível, é incapaz de avançar sozinho. Ele precisa ser dirigido, conduzido de fora, por alguém superior a ele, mais inteligente, mais sábio, mais poderoso. Um ser no qual o homem pode depositar toda sua segurança, seu destino e suas esperanças. Um ser que lhe traça o caminho a seguir, que lhe desenhe o mapa da existência. Um ser que ordena o universo da natureza e o mundo dos homens e que garante a harmonia e a tranqüilidade que garantem a sobrevivência sem sobressaltos.

E nisto reside uma das forças da religião. Em não ser percebida como construção humana, mas, como doação ou imposição extra-humana. O que um homem faz, outro homem pode desfazer. Mas, o que um deus faz e determina, um homem não pode desfazer ou questionar.

Mas, por que os homens fazem religião?

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 27770-27783 nov. 2019 ISSN 2525-8761 Talvez, nenhuma outra pergunta tenha tido tantas, tão variadas e tão contraditórias respostas: revelações dos deuses, como querem os teólogos e a maioria dos devotos; neurose obsessiva da humanidade, como querem os freudianos; ópio do povo, na opinião dos marxistas; projeção ao mais alto grau de perfeição humana, identificada como o super homem, ou com o próprio Deus. Deus, para esses, seria o próprio homem elevado, projetado à perfeição absoluta, inalcançável como simples mortal. Qual a verdadeira? Difícil dizer.

Rubem Alves, em sua obra didática “O que é Religião?”, tenta desmitificar esse mistério:

E o que torna a religião mais enigmática ainda, diz Rubem Alves, é o fato de que,apesar de não entender as suas origens - ou, talvez, precisamente por não entendê-las, o homem não consegue se desvencilhar do seu fascínio. Na realidade, não se tem notícia de cultura alguma que não a tenha produzida, de uma forma ou de outra. (ALVES, 1980, p. 09-10)

É verdade que, durante algum tempo, tornou-se moda falar do fim da religião. A religião está nas últimas. Chegou-se a proclamar os funerais de Deus e da religião. “Deus está morto!”, gritavam intelectuais. Alguns teólogos chegaram até a fazer “teologia da morte de Deus” (Cf. BERGER, 1975, p.13-14).

A religião, dizia-se, é reminiscência ainda do mundo e do homem técnico, pré-científico, pré-industrial, pré-urbano, que não conseguia explicar os fenômenos da natureza, da sociedade e de si mesmo pela razão. Então povoava o mundo e a imaginação de deuses e demônios para torná-lo, mais aceitável e habitável.

Ignorando as causas reais que movimentam o universo, assombrado pelo espetro da morte, aterrorizado pelos fenômenos da natureza que não podia compreender, o homem teria sido levado a imaginar a existência de uma dimensão invisível da realidade, um mundo misterioso habitado por deuses, demônios e espíritos e movido por forças mágicas. (ALVES, 1980, p. 48)

Com o progresso da história e a progressiva emergência das formas cientificas de pensar e interpretar a realidade, dizia-se, o homem acabaria deixando para trás, definitavemente, as suas ilusões religiosas. Augusto Comte, falava de três fases do desenvolvimento humano: a mais primitiva, a da infância da humanidade, a religião; a filosofia, a metafísica, a contemplação apaixonada do mundo e do homem, seria a adolescência; a maturidade viria com a ciência. Com o novo deus - a ciência -, os velhos deuses

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 27770-27783 nov. 2019 ISSN 2525-8761 seriam relegados ao ostracismo, á memória saudosa da infância, tipo papai-noel, cegonha ou bicho-papão, simplesmente peças de museu (Cf. BERGER, 1975, p.22-23).

Para Marx, a religião é o produto de uma sociedade irracional, opressiva, um conjunto de ilusões necessárias para que o homem possa suportar as correntes que escravizam: “a religião é o suspiro da criatura oprimida. “Expressão de sentimento real, protesto contra um mundo sem coração, espírito de uma situação sem espírito, ópio do povo. Portanto, para Marx, uma felicidade ilusória do povo, que aliena o povo de seus problemas concretos. Enquanto o povo pede a uma divindade a solução de seus problemas, ele deixa de fazer revolução, deixa de questionar as verdadeiras causas e origens dos seus problemas. Para Marx, a religião só se sustenta numa situação de alienação; superada a alienação, numa sociedade livre, em que não haja opressores, desaparecerá a religião.

De fato, a religião é ambivalente: ela se presta a objetivos opostos, dependendo de quem manipula os símbolos sagrados. Ela pode ser usada para iluminar ou para cegar, para fazer voar ou paralisar, para dar coragem ou atemorizar, para libertar ou escravizar, para dizer “amém” ou para gritar ”basta”! Ela pode ser instrumentalizada para legitimar a “ordem estabelecida! Ou para instigar a revolução dos oprimidos. De um lado ela pode ser, de fato, ópio, o entorpecente do povo ou o motor de uma revolução, de uma invasão de terras, da constituição de um partido de esquerda etc.

Na Idade Média, o universo inteiro era contemplado como se fosse uma imensa catedral. Anjos subiam e desciam, milagres aconteciam, os astros se moviam pelo poder das forças espirituais. A cada evento, por mais simples que fosse, tudo era regido como se fosse uma sinfonia cósmica, pelo grande maestro, Deus! Tudo era envolto pelo sagrado e por ele explicado e interpretado. Deus interferiria em tudo: na natureza, nas pessoas, na sociedade, nos acontecimentos. Interferia premiando ou castigando.

O homem era visto estático, num mundo ordenado, estável, harmônico, seguro, sem muito o que fazer, a não ser admirar, contemplar a beleza, a sucessão das estações, etc. E tinha-se uma compreensão unitária das coisas e da vida: pensava-tinha-se da mesma forma, praticava a mesma religião, uma única mentalidade e uma única moral que determinava a consciência e o comportamento. Uma sociedade hierarquizada, onde todos sabiam ao seu lugar: quem mandava e a quem obedecer, O poder era absoluto, sagrado e as instituições fortes, porque divinas.

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 27770-27783 nov. 2019 ISSN 2525-8761 Todos eram educados para ver e ouvir as coisas do mundo religioso. As conversas giravam em torno de milagres, aparições, visões, e experiências místicas - divinas ou demoníacas, bruxas e bruxarias, as últimas novidades em devoções receitas para a salvação! Mas Rubem Alves, em “O que é Religião”, faz longas considerações a respeito das alegorias mitológicas. Alguma coisa aconteceu. De repente, quebrou-se o encanto. O céu, a morada de Deus e seus santos ficou, de repente, vazio. Virgens não mais apareceriam em grutas, milagres se tornaram cada vez mais escassos. O que aconteceu? (Cf. ALVES, 1980, p. 40).

Instala-se um novo deus e um novo santuário. A ciência como deus e o labioratorio como templo. Com a ciência, deus já não era mais necessário como hipótese de trabalho. Um biólogo não evoca maus espíritos para explicar a epidemia, nem um economista recorre ao exorcismo para expulsar o demônio da inflação. E um industrial, mesmo cristão, não perde o sono, perturbado porque sua nova fábrica poderá poluir o ambiente criado puro por Deus. A ciência e a técnica criaram um problema habitacional para Deus e a religião foi expulsa dos centros do saber científico:

• Das câmaras do poder onde se toma as decisões que determinam nossas vidas; • Nenhum teólogo é convidado a colaborar na elaboração dos planos militares; • Nem profetas são consultados sobre projetos de desenvolvimento econômico e social

• Nem o Papa, Patriarca ou Arcebispo são ouvidos para indicar o candidato ideal para a Presidência da República.

O que aconteceu com a religião? Com o sagrado? Com Deus? Foram despejados do convívio dos homens? Ficaram, desempregados? Que espaços estão sobrando para eles?

De fato, as coisas, do lado de Deus e da religião mudaram. No mundo do sagrado, a experiência religiosa, era parte integrante de cada um, da mesma forma que o sexo, a cor da pele, os membros, a linguagem. Antes da modernidade, entre o crer e o ser não havia diferenças. As pessoas eram alguma coisa porque tinham uma visão do mundo religioso que as situava no mundo. Ninguém optava por uma religião. Havia uma identidade entre o ser e o crer. Era-se católico, ou budista, ou luterano como se é brasileiro, homem ou mulher.

Entretanto, aos poucos, os homens começam a fazer coisas não previstas no receituário religioso. Se antes o sagrado, o divino permeava e dava sentido a tudo, ao ordenamento do universo cósmico, à harmonia da convivência social, as expectativas do destino humano, a ciência vem balançar esse dossel sagrado, essa abóbada celeste que mantinha coeso o universo das coisas e o mundo das pessoas.

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 27770-27783 nov. 2019 ISSN 2525-8761 A emergência da tecnologia e da industrialização apoiada pela ciência, cria uma sociedade com novas expectativas e novas estruturas e novas formas de interpretação do mundo, da realidade e da vida. À nova classe social emergente, a burguesia, interessa é produzir, comerciar, racionalizar o trabalho, viajar para descobrir novos mercados, conhecer as potencialidades da natureza para explorar suas riquezas, enfim, alimentar o novo bezerro de ouro que é o lucro. A partir daí não se confunde mais com o CRER. Dizia-se, então: "Nós não somos mais o que cremos; agora, somos o que produzimos. Por isso, aquilo que não é útil para produzir riquezas, deve ser banido. A natureza já não é mais a sinfonia regida por Deus, mas, é a fonte geradora de riquezas. Por isso deve ser explorada, manipulada em função do lucro, mesmo que para isso tenha que ser devastada.

O homem medieval desejava contemplar e compreender a batureza. Mantinha uma atitude poética e mística em realação a ela. Usava-se no estrito intuito da substistência - cultivo da terra, caça e pesca - sem depredá-la. A nova classe inagura uma titude agressiva, ativa, pela qual se apropria da natureza e força submeter-se às suas intenções. E diziam, como Marx: “Os religiosos, até agora, contentaram-se em contemplar a natureza; o que importa agora, é transformá-la”. A natureza não é nada mais que uma fonte de matérias-primas, entidade bruta, destituída de valor transcendente.

O homem também passa a ser visto como força produtiva. Ele vale o quanto ganha e enquanto ganha. Ele passa a ser uma máquina de produção, com a desvantagem em, relação às outras, de saber falar e reclamar! Ele passa a alugar sua força de trabalho em troca de uma paga pelo tempo de uso dessa força. O lucro passa a ser o padrão para avaliar as coisas e as pessoas.

Quanto à religião, que ela cuide apenas das coisas estritamente espirituais, que das coisas materiais a espada e o dinheiro se encarregam! A religião, agora, representa o passado, a tradição, o atraso, o obsoleto, a Idade das Trevas, a ignorância, o museu. Agora, o trono, o altar pertence à ciência e à tecnologia. Agora, não é mais contemplar a natureza, admirar o mundo distante, do além. Agora é descobrir como as coisas funcionam. A ciência passa a ser o fundamento da verdade. O conhecimento só é verdadeiro se é resultado da ciência e testado no laboratório. Como a religião nao pode ser testada cientificamente, não tem valor.

Em suma: com o triunfo da burguesia, gerada peio industrialismo, o comércio, a produtividade, o lucro, Deus passa a ter sérios problemas habitacionais: despejado daqui, despejado dali... progressivamente é empurrado para fora do mundo. Para que os homens dominem a terra é preciso que Deus seja confinado no céu. Diz Rubem Alves: "Aos

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 27770-27783 nov. 2019 ISSN 2525-8761 negociantes e políticos foram entregues a terra, os mares, os rios, os ares, os campos, as cidades, as fábricas, os bancos, os mercados, os lucros e até os corpos das pessoas. A religião foi aquinhoada com a administração do mundo invisível, o cuidado da salvaçao, a cura das almas aflitas" (Cf. ALVES, 1980, p. 54-56).

Entretanto, ainda segundo Rubem Alves, "a historia parece zombar de nossas previsões científicas. Quando tudo parecia anunciar os funerais de Deus e o fim da religião, o mundo foi invadido por uma infinidade de novos deuses e demônios, e um novo fervor religioso, encheu os espaços profanos do mundo" (Cf. ALVES, 1980, p. 55-56).

Apesar de toda a ciência e tecnologia, as pessoas, inclusive empresários e banqueiros, continuam a ter noites de insônia, preocupados com o sentido da vida e da morte. Os negociantes e burocratas também têm alma. E certas questões fundamentais da vida não se encontram nem na ciência, nem na técnica e nem na riqueza.

Ao contrário, daqueles que imaginavam a religiao como fenômeno passageiro, em vias de desaparecimento, a sua universalidade e persistência nos sugerem que ela nos revela um aspecto essencial e permamente de humanidade. No mundo, observa Alves, existem o espaço das coisas sagradas e o espaço das coisas seculares ou profanas. E sagrado e profano não são propriedades das coisas em si mesmas. São atribuições que o homem confere a elas. São os homens que fazem profanos ou sagrados os lugares, os tempos, as coisas, as pessoas, as ações, as festas. Ele tem o poder de estabelecer o que é sagrado e o que é profano. Por isso, enquanto existirem homens, existirá o sagrado e o profano.

O homem, pela capacidade que tem de dar nome as coisas, dá um novo sentido às coisas, às pessoas, à natureza. Uma pedra é uma pedra na natureza. Mas, o homem pode dar-lhe o nome de "altar" e a pedra ganha uma nova dimensão de sacralidade. O pão e vinho são alimento e bebida e posso usá-los até numa orgia. Mas, para os cristãos, no momento em que um ministro pronuncia sobre eles uma fórmula evangélica, opera-se na mente dos fiéis uma memorial daquele pãe e vinho e tornam-se sacramento. O mesmo acontece com uma oferenda numa seção umbadista. Ou com os retalhos de panos verdes, amarelos, azuis e brancos costurados para fazer um bandeira. Os símbolos são a característica fundamental do ser humano. Nenhum outro ser animal ou vegetal cria símbolos. Repara Rubem Alves que, os homens são os únicos seres que constrõem templos para. seus deuses e túmulos para os seus mortos. Pensa-se na gigantesca rede de símbolos e significados que constitui a religião. Um templo com todos os seus objetos, arquitetura, decoração, cerimonial, cada pequeno objeto com seu significado simbólico. Uma cruz, por exemplo, uma hóstia consagrada, uma Bíblia,

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 27770-27783 nov. 2019 ISSN 2525-8761 o incenso, o ajoelhar-se,o levantar os 'braços em oração. A própria oração: com quem estou falando? Que poder tem esse alguém para me entender?... Pense-se também o grau de imaginação e simbolismo investido numa sepultura e nos rituais da morte e do sepultamento. As medalhas para os heróis que morreram estupidamerte numa guerra,também estúpida. Pense-se igualmente o sentido que está por detrás de uma festa de Iemanjá, ou São João, ou Nossa Senhora Aparecida, ou Marcha para Jesus... o feriado nacional para comemora-la, etc (Cf. ALVES, 1980, p. 98).

Por isso, pelo poder que o homem tem de dar nome as coisas e às pessoas, de torná-las sagradas ou profanas, de transubstanciar a natureza é que é a religião tem todas as chances de sobreviver. A religião pode se transformar, e se transforma porque é também obra do homem. Entretanto, há algo de eterno na religião que esta´destinado a sobreviver a todos os símbolos particulares: “os velhos deuses já estão avançados em idade ou já morreram”, mas, “outros ainda nem nasceram" (Cf.DURKHEIM, 1982).

A ciência empalhou a religião, tentando reduzi-la a uma experiência de laboratório. De fato, se um cientista submeter urna hóstia consagrada ou uma oferenda, ou um milagre a um teste de laboratório não encontrará nelas mais que trigo e água, penas, ossos, carne e sangue que a natureza colocou nelas. Da mesma forma que não encontrará nenhuma poesia, nenhuma melodia, nenhuma alma, nenhuma paixão ao dissecar por inteiro o corpo de uma pessoa viva ou feita cadaver. A ciência quis reduzir à religião aquilo que é próprio dela: a vida, o calor, a paixão, a transcedência. Quis fazê-la à sua imagem e semelhança de ciência: fria, metódica, calculista, mecânica, matematicamente precisa e tecnicamente manipulável. Só que sem coração e sem alma. Apenas um cadéver. Um fóssil. Max Weber dizia que o sentido da vida não pode ser encontrada num final de una análise científica, por mais completa que ela seja. Como também nenhum cirurgião espetará uma alma na ponta do bisturi (Cf. WEBER, 1995)

Todos os prognóssticos do nosso século eram prognósticos de racionalização crescente: modernizaçao, racionalização, progresso científico e tecnológico. Tudo, enfim, o que decretaria o fim da religião como absolutamente desnecessária, já que a ciência e a tecnologia ocupariam o seu lugar com mais sucesso. Portanto, deveria se encerrar o tempo da identificação mágica do mundo. Tudo agora é transparente, racionalmente explicado, cientificamente comprovado. O homem nao precisa mais de interferência do papal-noel e do bicho-papão para sobreviver. Jé se foi o tempo de deuses e demônios, de anjos e gnomos, o tempo da fantasia. Agora vivemos o tempo do concreto, do pão é pão, queijo é queijo, pedra é pedra" (Cf. ALVES, 1980, p. 98).

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 27770-27783 nov. 2019 ISSN 2525-8761 Entretanto, está se revelando completamente o oposto a essa expectativa. Parece que os grandes modelos políticos e econômicos, os grandes sistemas, as grandes teorias não deram respostas satisfatórias aos grandes problemas do homem. Os que acreditavam que o Capitalismo, o Comunismo ou os diversos socialismos e néoliberalismos iriam promover o bem-estar de humanidade, se frustraram. As desigualdades sociais, a fome, a miséria, as frustrações do povo, ao contrário, parecem ter aumentado em todos os sistemas, inclusive nos países centrais, mais desenvolvildos, os do primeiro mundo (Cf. WEBER, 1995)

Nota-se hoje, uma retomada do religioso e do sagrado. Só que com caraterísticas novas, que acompanham as novas carecterísticas da sociedade da chamada Modernidade (Cf. BERGER, 1975).

De fato, hoje, passa - se:

• de um ambiente natural a um ambiente técnico.

• de um mundo sacral e estático a um mundo dinâmico e transformado e manipulado pelo homem.

• da contemplação e adimiração para a agitação e construção. (Cf. BERGER, 1975).

Diante disso, ainda Segundo Berger há: : • novas experiências existenciais • novos velores

• novas visões e interpretações do mundo e da vida.

• A religião: não é mais herança ou imposição, mas, opção. • não é mais única, mas, plural.

• não interpreta mais o mundo físico (objeto da ciência) mas o mundo subjetivo. (Cf. BERGER, 1975).

Num passado não muito distante, havia uma espécie de monopólio da religião católica ou cristã na sociedade. Era-se católico desde o nascimento e pelo resto da vida. As demais formas religiosas eram ignoradas ou até postas na clandestinidade. Havia uma única maneira de interpretar o mundo, os acontecimentos, uma única maneira de comportar-se e rezar, de constituir família e fazer negócios, que era a maneira católica ou, pelo menos, cristã. Hoje, de uns vinte/trinta anos para cá, há uma infinidade de maneiras de interpretar o mundo, a vida, as pessoas, e realidade e muitos outros caminhos de encontrar a salvação, que não exclusivamente a católica ou cristã.

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 27770-27783 nov. 2019 ISSN 2525-8761 O catolicismo e o cristianismo em geral vêm-se cercados de muitos concorrentes numa situação que já foi descrita como uma situação de "supermercado de bens religiosos”. Há produtos e ofertas religiosas para todos os gostos e necessidades. Em cada esquina, numa simples garagem, ou fundo de quintal, ou terreno baldio, há uma igrejinha, uma tenda, um terreiro, uma catedral oferecendo garrafinhas de água milagrosa, exorcismos, curas divinas, com poderes de resolver todos os problemas, receitas para garantir a entrada no céu, "trabalhos" para secar as"flores"deixadas na cabeça por algum marido ou esposa infiéis, etc., etc.!

Na moderna sociedade pluralista, as instituições religiosas tradicionais não conseguem mais ter o controle de suas doutrinas, simbolos, ritos e práticas, ou mesmo de controlar os seus adeptos que, por vezes, só em parte aceitam o discurso e aorientação oficial. Quantos católicos, hoje, seguem a moral da igreja em seu comportanmento sexual quanto à limtação da natalidade, ligação de trompas, uso da pílula, esterilização, relações pré-matrimoniais, divórcio, número de filhos, etc. A não ser em grupos fanáticos, fundamentalistas, a mulher segue rigorosamente as proibições de pintura, penteados, comprimento das vestes, uso de véu na igreja, etc.

A pertença a uma determinada religião nem sempre importa uma identificação absoluta com seus ditames. Há mesmo muitos que vivem uma dupla ou diversificada pertença religiosa ou elaboram uma religiosidade particular, independentemente de qualquer instituição. Parte-se mais para uma experiência religiosa subjetiva, mesmo quando Parte-se adere a movimentos de massa, como o Pentecostalismo Protestante ou a Renovação Carismática Católica.

O que se busca nesses movimentos de exaltação da emocão e da paixão é uma espécie de terapia de grupo com efeitos catárticos pessoais. Não é sem razão que a oferta principal desses movimentos é a cura, o conforto, a soluçaõ imediata de problemas de toda ordem, nao seja espiritual. E o sagrado é instrumentalizado em função da obtenção desses resultados. Os agentes principais são Deus e o demônio. Daí as bênçãos e os exorcismos. Deus e o diabo. A promessa e a ameaça. A bênçao e a maldiçao. A libertação de Deus ou a escravidão de Satanás. É curioso como "Satanás" frequenta novamente esses espaços. Em alguns até mais que Jesus Cristo!

O que está em declínio, portanto, não é a religiosidade em si, mas certas formas tradicionais da religiosidade porque se esvaziaram de sentido para a nova sociedade que está aí. Por isso, novas formas e novos símbolos estão nascendo e atuando fora dos quadros

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 27770-27783 nov. 2019 ISSN 2525-8761 tradicionais, que vão desde experiências místicas cristãs até seções de magia negra e cultos satânicos. Como diz Rubem Alves:

Quando a dor bate à porta e se esgotam os recursos da ciência e da técnica, é então que nas pessoas acordam os videntes, os exorcistas, os magos, os curadores, os benzedores, os sacerdotes, os profetas, as bruxas e bruxarias, os terreiros. (Cf. ALVES, 1980, p. 52-53).

As mesmas perguntas religiosas que atazanaram a paciência dos antepassados, se rearticulam agora travestidas por meio de símbolos secularizados, mas que não escondem sua sacralidade. Persiste a mesma função religiosa: promessas terapêuticas de paz individual, de harmonia íntima liberação da angústia, esperança de ordens sociais fraternas e justas, e outras mais. O nosso mundo não se secularizou, nao se dessacralizou. Apenas os deuses e demônios, as esperanças e ameaças ganham novos nomes e novos rótulos, e os seus sacerdotes e profetas ganham novas roupas, novos lugares e novos templos. A religião ao que parece, está mais próxima de nossa experiência cotidiana do que desajamos admitir (Cf. ALVES, 1980).

Nesse terceiro milênio, a religião passa a ser vivida de um modo difuso, polimorfo e quase invisível. Hoje, há, sob o rótulo de "religião", os mais diversos e até contraditórios fenômenos: Taro,I Ching, Astrologia, Numerologia, Hare Krishna, Ocultismo, Jogo de Búzios, Santo Daime, 'Crietgis, "New Age" (Nova Era), Seicho-No-Ie, Meditação, Igreja Eletrônica, Grupos Pentecostais, Rejneesh, Igreja da Cientologia, Teosofia, Antroposofia, Esoterismo, Vidência, Zen-budismo e, sté, mais recentemente..."Presleytenia"

Esse novo quadro religioso passa a definir uma nova sacrelida de e R. afirmar eislecijodis.enanessoal a partir de esquemas individuais e particulares de sentido da vida: um 'faça você mesmo' que pressupõe um livre trânsito entre religiões e que, muitas vezes, deixa de significar a adesão plena a alguma Igreja concreta."(ZIKMAN, 1990)

Quer dizer: cada um cria e recria a sua própria lógica da fé, realiza seus próprios recortes de crenças, monta seu próprio sIstema produtor de sentido e explicação do real, reconstrói a sua religião. (Carlos Brandão). Vive-se uma crença à la carte, onde cada qual monta o cardápio religioso: toma-se um dogma aqui, abandona-se outro acolá e mistura-se um pouco de tudo! A espiritualidade também parece estar na era do self-service ou das gôndolas de supermercado: passa a ser cada vez mais uma. questão de escolha pessoal.

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 27770-27783 nov. 2019 ISSN 2525-8761 E, afinal, o que todos esses grupos ou movimentos teriam em comum? Por que fazem tanto sucesso? O que as pessoas procuram nesses novos caminhos?

Esses movimentos respondem a, pelo menos, três necessidedes do homem de hoje: necessidade de significicações individuais e coletivas num mundo que muda muito rapidamente e que perde suas referências; necessidade de vida mais comunitária numa sociedade cada vez mais dominada pelo individualismo e pelo anonimato dos grandes centros urbanos; necessidade de identidade numa sociedade de rápidas transformações que não consegue preservar a memória das culturas e das tradições. "Todos eles, de certa forma, apontam para a necessidade de reencontro de uma harmonia com a natureza, consigo mesmo e com os outros homens e de mudanças do modo e do estilo de vida, rompendo com a rotina cotidiana e alcançando uma nova consciência dos outros.

Aliás ,no livro Os Deuses Dançantes (Vozes), é anlisado o movimento católico dos Carsilhos de Cristandade, atribuindo o sucesso desse movimento ao tipo de proposta religiosa que ele faz: "estimula um tipo de religiosidade fundamentalmente voltada para a solução da problemática interna, biográfica do homem, seja de ordem moral, psicológica, afetiva ou intelectual. O cursilho se situa bem na linha daquilo que Berger chama de "funções morais e terapêuticas da religião", ou de "psicologização dos produtos religiosos", de "localização da religião na esfera do familiar e do primedo" (DANA, 1979).

Em suma, tanto nas novas alternativas da experiência e expressão religiosa como na ética da modernidade, o que se busca fundamentalmente é uma sensação de bem-estar individual, o conforto, a felicidade neste mundo e a garantia para o outro mundo. O que importa, cada vez mais, é o direito de se realizar e se desenvolver plenamente - e não mais de uma verdade imposta através de um absoluto ou de uma transcendência divina.

Sejam, porém, quais forem as razões que fazem ressurgir o sagrado na Modernidade, o certo é que números consideráveis do chamado "homem moderno ou pós-moderno" mostram que ele não perdeu a queda para o admirável, o transcendente, o misterioso, o sobrenatural. Num estudo recente sobre estudantes americanos, 80% expressou uma "necessidade de fé religiosa", embora apenas 48% admitissem crer em Deus nos tradicionais termos judáico-cristãos. Na Alemanha, 68% dos entrevistados afirmaram não acreditar em Deus, mas, por incrível que pareça 86% faziam suas orações e de vez em quando! Na Inglaterra, 50% já haviam consultado cartomantes. Um em cada seis, acreditava em fantasmas, um em cada 15 tinha visto pelo menos um!

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 27770-27783 nov. 2019 ISSN 2525-8761 É interessante também notar que, na lista dos livros mais vendidos ultimamente, estão muitos títulos ligados a temas místico-religiosos ou de auto-ajuda. Nos últimos vinte anos, esses títulos cresceram duas vezes mais do que a média do mercado editorial brasileiro, fazendo grande sucesso, por exemplo, nas feiras de Frankfurt. Repetindo, pois, ao contrário do que se prenunciava, as sociedades modenras do milênio apresentam fortes demandas religiosas, reforçando, como mostram os estudos da religião, a idéia de que os momentos de crise, tanto individual como coletiva, são, geralmente acompanhados de um aumento significativo de experiências religiosas (Cf. ALVES, 1980).

Ao que tudo indica, segundo Alves, permanece a experiência religiosa fora do mundo das ciências, das fábricas, das usinas, das armas, do dinheiro, do banco, do mercado, do lucro. Mas, a religião não se liquida com a simples abstinência dos atos sacramentais e rituais e a ausência dos lugares sagrados, de mesma forma que o desejo sexual não se elimina com os votos de castidade (Cf. ALVES, 1980).

A religião poderá se transformar, se atualizar, ganhar novas formas de expressão, nova simbologia, mas, nunca desaparecerá: Os velhos deuses já estão avançados em idade ou jê morreram, e outros ainda nem nasceram. A chuva dos deuses cai dos céus sobre o túmulo de Deus que sobreviveu à sua própria morte." Desde que a religião se foi, ela nunca deixou de voltar. (Cf. ALVES, 1980).

REFERÊNCIAS

ALVES, Rubem. O que e Religião? São Paulo. Editora Brasiliense. 1980 ____________.O Enigma da Religião. Petrópolis.Editora Vozes. 1990 BERGER, Peter. Um Rumor de Anjos. Petrópolis. Editora Vozes. 1975 DANA, Otto. Os Deuses Dançantes. Petrópolis. Editora Vozes. 1979

ODEUA, Thomas. Temas de Sociologia da Religião. SP. São Paulo. Livraria Pioneira. 1980 ZICMAN, Rene. Misticismo e Novas Religiões. Petrópolis. Editora Vozes. 1990

Vários/PUC. O Humano, Lugar do Sagrado.SP. Edit. Olho D'Água. 1982.

Vários/Cadenos do Iser – Instituto Superior de Estduos da Religião. Rio de Janeiro. Editora Tempo e Presença. 1975.

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