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Subdivisão do Pré-Cambriano da Amazônia; uma sugestão

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Subdivisão do Pré-Cambriano da Amazônia; uma sugestão

João Orestes Schneider Santos (*)

Resumo

A t é o p r e s e n t e , o Pré-Cambriano da Amazônia t e m sido subdividido e m t r ê s intervalos maiores : Superior, M é d i o e Inferior, c o m l i m i t e s c o r r e s p o n d e n t e s a 2 . 6 0 0 m . a . e 1.800 m . a . Diversos trabalhos executados pela CPRM para o D N P M , j u n t a m e n t e c o m as i n f o r m a -ç õ e s do Projeto R A D A M , p e r m i t i r a m que fosse esbo-ça- esboça-da nova subdivisão para o Pré-Cambriano, funesboça-damenta- fundamenta-da no r e c o n h e c i m e n t o e caracterização de d i f e r e n t e s ciclos t e c t ó n i c o s de a m p l i t u d e continental e sua c o r r e lação c o m m o v i m e n t a ç õ e s da crosta e m o u t r o s c o n t i -n e -n t e s . A s s i m , o Pré-Cambria-no, a exemplo do ado-tado no Canadá, A u s t r á l i a , A f r i c a do Sul, Rússia, C h i n a e outros países de extensas d i m e n s õ e s t e r r i t o r i a i s , é subdividido e m dois intervalos maiores : Arqueozóico e Proterozóico. O p r i m e i r o encerra dois ciclos t e c t ó n i -cos principais, u m d e c o r r i d o no Arqueozóico Inferior ( + de 3.000 m . a . ) , denominado Guriense l ± 3.100 m . a . ) e outro relatado ao Arqueozóico Superior ( 2 . 6 0 0 -3.000 m . a . ) , A r o e n s e (2.600 - 2 . 8 0 0 m . a . ) . O Gurien-se caracteriza-Gurien-se por rochas de fácies g r a n u l i t i c o , c u j o melhor representante é o C o m p l e x o d e Imataca na Ve-nezuela, enquanto o A r o e n s e representa os c i n t u r õ e s anfibolíticos c o m o Anauá (Roraima). Cuiú-Cuiú (Pará) Moura (Amazonas), Kanuku (Guiana). Supamo ( V e n e z u e -la) e C o e r o e n e ( S u r i n a m e ) . O ciclo Transamazônico (2.000 - 2.200 m . a . ) é r e f e r i d o ao Proterozóico Inferior (2.600 a 1.900 m . a ) . correspondendo aos " g r e e n s t o n e b e l t s " e rochas itabiriticas dos grupos Cauarane (Ro-raima), Tunuí (Amazonas), Grão Pará (Pará), Vila Nova (Amapá), Barama (Guiana). Pastora (Venezuela), A r m i n a (Suriname) e Orapu (Guiana Francesa). Esta f o i a ú l -ma orogênese que a f e t o u a A-mazônia, pois, a partir de ± 1.900 m . a . t o d o s os processos evolutivos da Pla-t a f o r m a f o r a m de caráPla-ter c r a Pla-t o g ê n i c o . No ProPla-terozói- Proterozói-co M é d i o incidiram as reativações Uatumã ( ± 1.800 m . a . ) e Parguazense ( ± 1.500 m . a . ) , manifestadas por intenso m a g m a t i s m o ácido, sendo o l i m i t e e n t r e o Pro-terozóico M é d i o e Superior estabelecido pelo Episódio Tectono-Termal K'Mudku ( ± 1.200 m . a . ) , t a m b é m co-nhecido c o m o M a d e i r e n s e (Rondônia), Nickerie (Suri-name), Jari-Falsino (Amapá) e Orinoquense (Venezuela). No início do Protorezóico Superior outra reativação conduziu a p l u t o n i s m o ácido e intenso m a g m a t i s m o bá-sico-alcalino, caracterizando o Episódio Rondoniense ( ± 1.000 m . a . ) , c o m os granitos Rondonienses e ro-chas básicas t i p o Pacaás-Novos (Rondônia), Lábrea e

rio Pardo (Amazonas) e Cachoeira Seca (Pará). Ainda no final do Proterozóico, ocorreu outra reativação ainda pouco conhecida, a qual pode ser associada c o m o Bra-siliano, representando a sedimentação Prosperança e as A l c a l i n a s Guariba ( ± 600 m . a . ) .

I N T R O D U Ç Ã O

A CPRM tem executado na Amazônia uma série de projetos de geologia, os quais, em quase sua totalidade, são desenvolvidos em áreas pré-cambrianas. A despeito de nos úl-timos anos terem sido propostas em todo o mundo diversas escalas subdividindo o Pré--Cambriano. ainda não foi uniformizada uma seqüência geocronológica definida para a Ama-zônia, tendo sido adotada, geralmente a esca-la proposta por Almeida ef al. (1968). Os da-dos obtida-dos até o presente permitem abordar alguns aspectos do pré-cambriano amazônico e esboçar uma escala geocronológica para a região, baseada na identificação de períodos de maior atividade tectono-termal. Pretende-se assim, a guisa de sugestão- propor a adoção, pela CPRM, de uma subdivisão, para o Pré--Cambriano da Amazônia, a qual deverá so-frer aprimoramento a partir de informações e sugestões advindas de outras entidades que pesquisam na região.

A escala proposta baseia-se principalmen-te em subdivisões já adotadas em países vi-zinhos, principalmente na Guiana e Venezue-la, e no reconhecimento dos principais perío-dos diastróficos continentais, também já iden-tificados naqueles países e, em parte, no Bra-s i l . É feita uma comparação com aBra-s eBra-scalaBra-s e sucessão de eventos registrados em outras áreas cratônicas. cujo resultado demonstra a existência de períodos de movimentação de caráter intercontinental.

C ) — Companhia de Pesquisas de Recursos M i n e r a i s — C P R M , M a n a u s .

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O ARQUEOZÓICO E O L I M I T E ARQUEOZÓICO/PROTEROZÓICO

A fase mais antiga de intensa atividade térmica que é identificável em todas as gran-des áreas cratogênicas do mundo, representa o fechamento da última orogênese arqueozói-ca (2.500 a 2.700 m . a . ) . Os valores radio-gênicos obtidos em rochas formadas durante essa época de movimentação, podem ser

ado-tados como o limite mínimo inferior para o Proterozóico. Idades mais antigas ainda (aci-ma de 3.000 m . a . ) . têm sido registradas em algumas partes do globo, todavia na Amazô-nia, até o presente, valores de tal amplitude são bastante esparsos, principalmente no Bra-sil, não podendo ser caracterizada a definição de uma fase de movimentação. No território de Roraima. Mandetta (1970a) registrou um valor de 4.402 ± 89 m . a . em anfibolito, cole-tado na região da serra da Cigana, e Amaral

(1974) cita um valor de 3.283 ± 113 m . a .

de-terminado em anfibolito coletado na região da Serra dos Carajás. Nos países fronteiriços com a região norte da Amazônia, é definido um episódio relacionado ao Arqueano Inferior, de-nominado Guriense (3.000 a 3.400 m . a . ) .

McConnell (1972) definiu o Arqueano no Escudo das Guianas como sendo mais antigo que 2.500 m . a . , valor que utilizou como limi-te entre o Arqueano e o Prolimi-terozóico Inferior. Aquela era, para esse autor, está representa-da na Guiana Francesa pela Série llle de Cayenne; no Suriname pela Formação Adam-pada-Falawatra; no Brasil pelos granulitos do rio Falsino; na Venezuela, pelo Complexo Ima-taca e finalmente, na Guiana, pelo Granito Makarapan e pelo Grupo Kanuku, além de gra-nitos e gnaisses parcialmente remobilizados durante o episódio Akawaian.

Snelling & Berrangé (1970), incluíram o Granito Makarapan no Grupo Kanuku. atri-buindo ao primeiro uma idade de 2.595 m . a . Posteriormente. Berrangé (1973). relacionou o Complexo Proto-Kanuku com o episódio Ima-taca, representando o último período de inten-sa atividade orogênica no Arqueano — com sedimentação geossinclinal e atividade

plutô-nica associada — posicionado no intervalo de 3.100 a 3.400 m . a .

No Brasil, via de regra, as rochas mais antigas da Amazônia têm sido referidas ao "Complexo Basal", com idade oscilando do Pré-Cambriano Médio a Inferior.

Almeida eí al. (1968), consideram o valor de 2.600 m . a . como o limite entre o

Pré-Cam-briano Médio e Inferior. Hurley ef al. (1968) admitem que esse valor situa-se entre dois ciclos orogênicos. um do Pré-Cambriano Mé-dio (Ciclo Transamazônico — 1.800 a 2.600 m . a . ) e outro do Pré-Cambriano Inferior ( + de 2.600 m . a . ) .

Santos ef al. (1975) consideram que o complexo Xingu pode relacionar-se com o Ci-clo Guriense, embora tal hipótese não tenha sido comprovada por datações radiométricas. pois os valores mais jovens que 2.600 m . a . obtidos, provavelmente representam rejuve-nescimentos ocasionados por eventos mais modernos.

Burwash (1969) cita que a orogenia mais antiga, amplamente preservada no hemisfério norte, tem sido datada por vários métodos en-tre o intervalo 2.500 e 2.700 m . a . (Quadro I).

No Escudo Canadense, a orogenia Keno-riana é situada em torno de 2.500 m . a . , de acordo com Stockwell (1969). Na Groenlân-dia, rochas dessa orogênese, dos fácies anfi-bolito e granulito, foram situadas no intervalo

2.500 a 2.700 m . a . No sul do Canadá, a oro-genia Algomaniana foi posicionada por Gol-dish (1969) no intervalo de tempo correspon-dente a 2.400 — 2.750 m . a . Para o Escudo Ucraniano, Semenenko ef al. (1969) reconhece-ram uma fase orogênica mais antiga, com 2.600 ± 100 m . a . Mesmo valor foi encontra-do por Gerling et al. (1968) no Escuencontra-do Báltico.

Nos Estados Unidos, o limite inferior do Pré-Cambriano X, na escala proposta por Ja-mes (1972) e adotada pelo U . S . Geological Survey, situa-se em torno de 2.500 m . a .

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k

I LOCALIZAÇÃO ESQUEMÁTICA DAS PROVINCIAS ARQUEANAS NA PLATAFORMA AMAZÓNICA

COBERTURAS FANEROZOICAS

PROTEROZOCO E ARQUEANO NAO INDIVIDUALIZADO

PROVINCIAS ARQUEANAS 50° _ _ _ 4 6 ° ;o° I -MOURA/ANAUA - Sanios el olii (1974) 2-COEROENI- Kroonenberg (1975) 3-FALAWATRA - Bosma 8 Roever(l9 4-KANUKU - Berronjé 11973) 5-"RUPUNUNl" Bonfim et olii (197^) 6 - S U P A M O - Mendozo ( 1 9 7 5 )

7-ANAIIÁ - Rongrob 8 Domoo(l970) 8-FALSINO - Limo (1974)

9-CUIÚ - CUIÚ

-IMATACA - Bellizio (1972)

^ E S C A L A . - 1 5 . 0 0 0 . 0 0 0

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T E M P O CRÁTON N O R T E - A M E R I C A N O CRÁTON L E S T E - E U R O P E U CRÁTON SIBERIANO

m. o. 0

-ESCUDO CANADENSE LAGO SUPERIOR GROENLÂNDIA ESCUDO UCRANIANO ESCUDO BÁLTICO ESCUDO AL DAN

P Carbonalilos

(creenviHe* '*— ,

1 0 0 0 - (creenviHe* '*— , • Dalslandiano

' • — K ewee na wan

• Gardar

z | Rochas Alcalinas ^_Ulkan

1 Ovtuchiano

2 0 0 0

-^Hudsoniano Jpenokiano j Ketilidiono

^Voi yniono | K n v o y Rog

1 ~

-Bug - Podoliano

1 Suecofeniano "

-1 Koreliano H Grani tos Ulkon Mcomplexo Stonovoj

^Kenonano Bazavlokiano

^Kenonano

1 Algomaniano ^Kenonano

Bazavlokiano 1 Algomaniano ^Kenonano

I "

1 Migmatitos 3 0 0 0

-Auliono """""" •—..

pKonkiano

1 Arqueano 1 Chara

A por tir de BURWASH ( 1 9 6 9 ) DROGENESE

ATIVIDADE ÍGNEA ANOROGÊNICA

QUADRO I — Idades isotópicas comparativas. Escudos do Hemisfério Norte

União Soviética tal intervalo é posicionado em 2.700 m . a . por Semikhatov (1974).

McDonnell (1972), registra para a África, um período de máxima atividade tectono-ter-mal Pré-Ubendiano, na faixa de 2.300 e 2.700 m . a .

Nesse continente, dois principais episó-dios tectono-termais arquéanos são citados por Bellizzia (1972), sendo o mais jovem denomi-nado Zagoride (2.500 a 2.650), cronologica-mente correspondente ao Aroensis da América do Sul e o mais antigo designado Liberiano

( ± 3.100 m . a . ) , perfeitamente correlacioná-vel em idade ao Evento Guriense. Na região

sul da África o limite entre o Proterozóico e o Arqueozóico foi identificado por Clifford (1967) com o encerramento do evento tectono-termal denominado Shamvaiano (2.650 ± 200 m.a.).

Observando-se a escala cronológica do Pro-terozóico da Austrália, verifica-se que a base dessa era, conforme Dunn eí al. (1966), foi

situada em ± 2.300 m . a .

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Na Amazonia Brasileira, dispõe-se de pou-cos valores geocronológipou-cos relacionados ao

Arqueano, fato que é explicável pela existên-cia de várias fases de movimentação no Pro-terozóico, ocasionando rejuvenescimentos ra-diogênicos de grande parte dos antigos nú-cleos polimetamórficos. Vários eventos provo-caram esse fenômeno, dos quais, o mais im-portante, sem dúvida, foi o ciclo orogênico Transamazônico. Boa parte, portanto, das ida-des isotópicas obtidas para o Proterozóico In-ferior (ciclo Transamazônico), podem ser in-terpretadas como valores pós-cristalinos (de-finição de Burwash, 1969), originados pela su-perposição de pelo menos dois grandes even-tos diastróficos.

Na Venezuela, o Complexo Imataca é o re-presentante da era arqueozóica, sendo consti-tuído por gnaisses, anfibolitos, quartzitos, ita-biritos, metamorfisados no fáceis almandma--anfibolito e g r a n u l i t e ocorrendo, de acordo com Loczy (1973), granitos em áreas restritas. A idade desse complexo foi situada em 2.700 m . a . , conforme Hurley et al. (1968). Todavia, posteriormente, foi-lhe atribuída uma idade de 3.000 m . a . a 3.400 m . a . , o que a situa en-tre as rochas mais antigas da crosta terres-tre, Hurley ef al., 1973 e Torres, 1975, poden-do ser cronologicamente correlacionável com a Série Onverwacht da Rodésia.

Bellizzia (1972), reconheceu vários núcleos granulíticos de idade arqueana na América do Sul: Imataca (Venezuela), Kanuku (Guiana), Adampada — Falawatra (Suriname), e Falsino

(Brasil), os quais relacionou com os comple-xos africanos de Kenema (Sierra Leone) e Man-sasca (Libéria) . Essa autora distingue dois episódios tectonomagmáticos maiores no Arqueano: Guriense (3.000 — 3.400 m . a . ) e Aroensis (2.750 — 2.650 m . a . ) , relacionando

os núcleos granulíticos ao primeiro, e os cin-turões anfibolíticos ao segundo. Observan-do-se o quadro de correlações que acompanha o trabalho de Bellizzia (1972), percebe-se que o grau de matamorfismo foi um dos critérios utilizados no estabelecimento do limite Prote-rozóico/Arqueano. pois as faixas de fáceis xisto-verde são situadas no Proterozóico Infe-rior e as unidades de fáceis anfibolito, são re-latadas ao Arqueano Superior.

Além do grau de metamorfismo e de va-lores radiogênicos, parâmetros petroquímicos podem ser de grande valia para a separação Arqueano/Proterozóico Inferior. Um desses

ele-mentos é o índice petrogenéoico ( K ^ / N a j O ) , cujos valores são geralmente inferiores a 1 em rochas ígneas e metamórficas arquéanos, sendo normalmente superiores a 1 (entre 1 e 3) nos complexos do Proterozóico Inferior. Esse fato é assinalado por Engel eí al. (1974), estando diretamente relacionado com a evolu-ção crustal.

McConnell & Williams (1970) admitem a existência de duas unidades de idade arquea-na arquea-na Guiaarquea-na. Na província geológica do sul, os gnaisses de alto grau de metamorfismo e os piroxênio-granulitos do tipo charnockítico que compõem o Grupo Kanuku, são considera-dos de idade pré-transamazônica. Na tabela de correlações que acompanha o trabalho des-ses autores, o Granito Makarapan, na provín-cia do norte, também é posicionado no Ar-queano. Sugerem ainda que grandes áreas si-tuadas nas bacias dos altos cursos dos rios Essequibo e Corentyne (SE da Guiana), . . ."re-presentam essencialmente embasamento ar-queano, embora tenham sido localmente reati-vados e remobilizados durante a orogenia de 2.000 m . a . , e também, em áreas restritas, pe-lo episódio tectono-termal datado de 1.300 —

1.200 m . a . e denominado K'Mudku Milonitic Episode por Barron (1966)".

Determinações de idade executadas em minerais resistatos como rutilo e zirconita, por Choubert (1964), comprovam que boa parte do pré-Cambriano da Guiana Francesa pode ser situado no Arqueano. Este é o caso da Série lile de Cayenne. definida por esse mesmo au-tor em 1965, como constituída principalmen-te por anfibolitos. paragnaisses, quartzitos, quartzo-dioritos e granodioritos.

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Pa-RÚSSIA

SEMUaiATOV, 1972

AUSTRALIA

DUNN et alii, 1966

"PALEOZOICO"

CANADA STOCKWELL et alii,

1970 PALEOZÓICO

ESTADOS UNIDOS (USGS) JAMES, 1972 PALEOZOICO

7 0 0

1100

1 5 0 0

1900

23OO

27OO

-o

o

H

O

N

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M

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P4

PALEOZÓICO

5 7 0

TERMINAL — 675

SUPERIOR

— 9 5 0

l\— 1 1 0 0 MÉDIO

h— 1

3 5 0

INFERIOS

- I7OO

27OO

MERINOANO

STURTIANO

TORRENSIANO

WILOURIANO

1400 CARPENTARIANO

1800

NULAGLNIANO

23OO

HADRINIANO

-1000(1070)-NEOUELU.' IANO

1400Y PALEOJELIXIANO

- 1800(1850) —

AFEBIAHO

2560-(2690?)

PREOAMBRIANO Z 500

PRECAH3RIAN0 Y

1600

PRECAM3RIAN0 X

25OO

QUADRO II — Comparações de escalas geocronológicas do Pré-Cambriano Superior (Proterozóico)

Extraído de Semikhatov. M . A. (1973)

rá e os menos estudados os Grupos Cauarane e Tunuí, sabidamente não atingiram os fáceis almandina-anfibolito e granulito. Além disso, até o presente não se conhecem eventos de migmatização e granitização associados à oro-genia Transamazônica. Desse modo, parece ser válido, no atual estágio de conhecimentos, relacionar as rochas desses fáceis ao Arquea-no, como seria o caso dos granulitos do rio Fal-sino, no Amapá (Costa, 1974); os anfibolitos, charnockitos e dioritos do Grupo Moura, na região do rio Negro (Santos ef aí., 1974); os charnoquitos, hornblenda-gnaisses, anfibolitos, hornblenditos e migmatitos inclusos na "Asso-ciação Rupununi", no Território de Roraima (Bomfim ef a/., 1974). Nessa última região, duas datações disponíveis para a Associação Rupununi, pelo método K/Ar, são menciona-das por Mandetta (1970): 2.527 e 4.400 m . a . , sendo a primeira em hornblenda-gnaisse e a última em anfibolito.

No Estado do Amazonas e Sudeste de Ro-raima as faixas metamórficas vem sendo en-globadas no Grupo Anauá (denominação cria-da por Ramgrab & Damião, 1970), sendo dispo-nível uma determinação de idade pelo méto-do K/Ar correspondente a 2.800 ± 120 m . a .

(Araújo Neto & Moreira, 1976).

Os antigos núcleos arqueanos têm consi-derável distribuição na região sudoeste do Pa-rá e sudeste do Amazonas, onde foram defi-nidos por Pessoa ef a/. (1977) como constituin-do o Grupo Cuiú-Cuiú (atualmente Suíte Me-tamórfica Cuiú-Cuiú). Estes metamorfitos en-cerram as rochas matrizes do ouro da região, a qual representa a principal província aurífe-ra do país.

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delimi-tados no futuro, nas áreas menos conhecidas, especialmente no Alto rio Negro.

P R O T E R O Z Ó I C O I N F E R I O R

O Proterozóico Inferior abrange as rochas cujas idades correspondem ao Ciclo Orogê-nico TransamazôOrogê-nico, nome adotado por Hur-ley et al. (1968) e atualmente incorporado na literatura geológica da região. Esses autores apresentaram resultados radiométricos de aná-lises de rochas coletadas na Amazônia Orien-tal, situando a principal fase dessa orogenia em torno de 2,000 m . a . , a qual correlaciona-ram com rochas do cráton Congolês no Gabão.

No Brasil, os representantes mais carac-terísticos e conhecidos dessa orogênese. são os Grupos Grão Pará e Vila Nova, sendo pro-vável que o Grupo Tunuí (Pinheiro ef al., 1977), pelo seu posicionamento estratigráfico, fácies de metamorfismo e estilo de dobramento, pos-sa ter se originado durante o evento Tranpos-sa- Transa-mazônico. Igualmente, o Grupo Cauarane do extremo noroeste de Roraima, proposto por Montalvão er al. (1975b), constituindo uma fai-xa disposta segundo NW/SE e metamorfisado no fáceis xistos-verdes a anfibolito, pode ser correlato aos metamorfitos transamazônicos.

O primeiro, aflorante no setor centro-sul do Estado do Pará, constituído pela Seqüência Paleovulcânica Inferior, Formação Carajás e Seqüência Paleovulcânica Superior — Beisie-gel et al. (1973) — teve a idade de suas rochas básicas determinadas por Silva et al. (1974), os quais encontraram um valor de 2.000 m . a . Esse grupo foi dobrado e metamorfisado no fácies xistos-verdes a anfibolito, tendo as de-terminações de idade em suas rochas revela-do os mesmos valores encontrarevela-dos no emba-samento polimetamórfico sobre o qual repou-sa (Silva et al., 1974). Tal fato indica que nes-sa região as rochas arqueanas, durante a oro-gênese Transamazônica. foram pelo menos em parte remobilizadas, tendo sido afetadas

pe-los efeitos térmicos desse diastrofismo, fenô-meno responsável pelos valores radiométricos

pos-cristalinos detectados.

No Território do Amapá, os metamorfitos do Grupo Vila Nova, constituídos

principal-mente por actinolita-xistos, muscovita-quartzi-tos, talco-xistos e itabirito (Costa eí al., 1974), foram metamorfisados no fácies xisto-verde e anfibolito (Lima er al., 1974). Estes últimos, a partir de determinações pelo método Rb/Sr, executadas por Hurley ef al. (1968) em xistos e anfibolitos, construíram uma isócrona de 2.090 m . a . Observa-se, portanto, que tanto no seu posicionamento cronoestratigráfico, como no seu fácies metamórfico, os Grupos Pará e Vila Nova são perfeitamente correlacionáveis. Ademais, a análise das imagens radargramé-tricas permite observar o mesmo estilo de do-bramento para as duas unidades, além de um certo paralelismo entre os sinclinórios de Ca-rajás e da serra do Navio. (N50° — 70"W). Es-te fato é importanEs-te porque indica que a evo-lução geológica dessas duas áreas, pelo me-nos até o f i m do Proterozóico Inferior, foi mui-to semelhante, tendo se comportado prova-velmente como um único bloco.

Os metassedimentos da região do Alto rio Negro, que constituem as serras de Tunuí, Traíra e Caparro, foram denominados de For-mação Tunuí por Montalvão ef al. (1975a), sen-do compostas essencialmente por quartzitos. As análises petrográficas de muscovita--quartzitos e quartzitos dessa área, descritos por Achão & Salas (1974), indicam um fácies metamórfico de epizona e mesozona. ou seja xistos verdes e anfibolito. Embora as informa-ções dessa unidade sejam exíguas, a partir de seu grau de metamorfismo, padrão de dobra-mentos e posicionamento estratigráfico (mais antigo que a Formação Roraima), pode-se si-tuá-la preliminarmente no Ciclo Transamazô-nico .

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incluído no Ciclo Orogênico Transamazônico. Representativos desse evento são os Grupos Barama (metassedimentos pelíticos, lavas e pi-roclásticas metamorfisadas, gonditos e filito) e Mazaruni (metarenitos e grauvaques inter-calados com metavulcânicas e sedimentos oe-líticos), ocorrentes no norte da Guiana. Os au-tores incluem ainda no ciclo Transamazônico, como fácies de plataforma, a Formação Iwo-krama e as unidades correspondentes afloran-tes nos países vizinhos (Brasil, Venezuela e Suriname).

Ainda segundo McConnell & Williams (1970). a Assembléia Barama-Mazaruni esten-de-se ã Venezuela, onde foi definida como As-sembléia Pastora-Carichapo por Kalliokoski (1965).

Relatam ainda que as Assembléias Bara-ma-Mazaruni e Pastora-Carichapo constituem

uma faixa geossinclinal alongada segundo WNW/ESE. Percebe-se portanto, que além do

fácies metamórfico semelhante e da presen-ça de gonditos, o Grupo Vila Nova e as Assem-bléias geossinclinais do Proterozóico Inferior da Guiana e Venezuela, mostram certa con-cordância estrutural. Entretanto, os metamor-fitos dos Grupos Vila Nova e Grão Pará pare-cem corresponder apenas à seção inferior do ciclo Transamazônico na Guiana (Grupo Bara-ma), na Venezuela (Grupo Pastora), em Suri-name (Formação Paramaca) e na Guiana Fran-cesa (Série Paramaca), sendo desconhecidos no Brasil, até o presente, depósitos elásticos correlacionáveis aos Grupos Mazaruni e Ca-richapo, os quais representam o fechamento do ciclo Transamazônico.

A existência de representantes do ciclo Transamazônico em diversas regiões da Ama-zônia, tanto ao norte como ao sul da bacia se-dimentar paleozóica, sugere que no Protero-zóico Inferior os chamados Escudos ou Crá-tons das Guianas e do Guaporé (ou Brasil-Cen-tral) constituíam uma única faixa orogenética, um dos diversos motivos pelos quais prefe-re-se empregar o termo Plataforma Amazôni-ca em detrimento de Cráton Guaporé e das Guianas.

De acordo com a idade admitida e os va-lores geocronológicos obtidos para os repre-sentantes do ciclo Transamazônico,

observa--se. no Hemisfério Norte, a quase total ausên-cia de grandes eventos orogênicos com os quais possa ser aquele ciclo correlacionado (Quadro I) . Apenas o Complexo Stranovoi, no Escudo Aldan, situa-se no intervalo de tempo em torno de 2.000 m . a . No Hemisfério Sul, ao contrário, o ciclo Transamazônico encontra eventos, senão correspondentes, pelos menos correlacionáveis, nas áreas cratogênicas da África e da Austrália. Correlações com o Eburneano, da África Ocidental, foram estabe-lecidas por Hurley eí al. (1968). Semelhante comparação é feita por McComiell & Williams (1970), por Bellizzia (1972) e por McConnell (1972), o qual relata que o ciclo Orogênico Transamazônico é um " . . . episódio que pare-ce corresponder estreitamente com o Episódio Eburneano da África Ocidental e com o Uben-diano, da África Oriental e Meridional", os quais situam-se em torno de 2.000 m . a . Tais valores, por sua vez guardam certa relação com o Nullaginiano, na Austrália- cuja idade situa-se no intervalo de 1.800 a 2.300 m . a . (Dunn ef al., 1966).

Alguns autores incluem no ciclo Transa-mazônico rochas vulcânicas e intrusões gra-níticas associadas, para as quais Priem ef al. (1971) estabeleceram uma isócrona de

1.810 ± 40 m . a . , relacionando-as com o "Magmatismo Ácido Transamazônico". Toda-via, algumas restrições podem ser feitas a esse procedimento, como segue:

As principais subdivisões do Pré-Cambria-no (Semikhatov, 1974), têm seus limites de-terminados pelo encerramento de épocas de dobramento, associadas com inconformidades de caráter regional. A denominação Transa-mazônico, foi criada por Hurley ef al. (1968). para definir um ciclo orogênico de grande ex-tensão na América do Sul, com idades princi-pais em torno de 2.000 m . a . Ultimamente, o paroxismo dessa orogênese é tido como si-tuado há ± 2.200 m . a . Como o paroxismo do Magmatismo Uatumã transcorreu há ± 1.800 m . a . , observa-se que há uma defasagem de tempo de ± 400 m . a . entre os dois eventos.

O caráter anorogênico do magmatismo ácido Uatumã tem sido assinalado por diver-sos autores, sendo enfatizado por Issler (1974).

(9)

No Brasil, o vulcanismo desse evento (Suru-mu, Iriri), foi seguido de intrusões graníticas (Saracura, Maloquinha, Seringa, Mapuera, etc.) e intensa sedimentação (Roraima, Gorotire, Cubencianquém). Provavelmente, a subsidên-cia, associada a falhamentos gravitacionais. que possibilitou essa possante sedimentação,

representa o fechamento desse evento anoro-gênico, pois entre os sedimentos ocorrem ca-madas de tufos ácidos, representantes da res-surgência do magmatismo ácido. Tanto ao nor-le (Território de Roraima), como ao sul (região dos rios Aripuanã, Sucunduri e Tapajós), as vul-cânias inferiores, mostram concordância regio-nal com os sedimentos, havendo entre as duas unidades uma discordância regional erosiva, não angular, esta podendo ser observada ape-nas em escala local. A discordância entre o magmatismo anorogênico e a orogênese Tran-samazônica, ao contrário, é sem dúvida a incon-formidade mais notável existente neste setor da América do Sul, devendo-se pressupor a ins-talação de longo período erosivo ao término da Orogênese Transamazônica, antecedendo o iní-cio do magmatismo Uatumã, o qual pode ter al-cançado 400 m.a. Dessa forma, baseado nas dis-tinções existentes, admite-se que o limite entre o Proterozóico Médio e Inferior, deva ser co-locado entre as rochas da orogênese Transa-mazônica e os representantes do magmatismo ácido anorogênico Uatumã e não entre esse último evento e a cobertura sedimentar de pla-taforma. Assim, sugere-se que o valor numé-rico de 1.800 m . a . correntemente adotado pa-ra o limiar Proterozóico MédioVlnferior, seja rebaixado para 1.900 m . a . , possibilitando-desse modo, a inclusão dos representantes mais antigos da anorogenia ácida, com idades situadas entre 1.800 e 1.900 m . a . Esse últi-mo valor, portanto, identifica a linde entre dois episódios de amplitude continental, um orogê-nico e outro anorogêorogê-nico. Tal idade (1.900 ± 200 m . a . ) foi empregada por Clifford (1967) para estabelecer o limite entre o Ubendiano

(Proterozóico Inferior) e o Limpopoano (Prote-rozóico Médio), na região sul da Á f r i c a . Al-meida (1974) posicionou o ciclo Transamazô-nico no intervalo 1.850 ± 50 m . a . — ± 2.600 m . a . , sendo comparado cronologicamente com o ciclo Suecofeniano/Kareliano do

Escu-do Báltico, tenEscu-do excluíEscu-do o Grupo Uatumã desse evento, o qual considerou pós-Transa-mazônico. Todavia, esse autor considera o Grupo Grão Pará (orogênico e metamórfico) posterior àquele ciclo, correlacionando-o com a Formação Rio Fresco embora, segundo Sil-va et al. (1974), exista uma inconformidade en-tre as duas unidades. Enen-tretanto, a cobertu-ra sedimentar existente sobre o Grupo Grão Pará, não tem sido correlacionada com a For-mação Rio Fresco, como fizeram Silva ef al. (1974), e sim com a Formação Gorotire (Ama-ral, 1970; Beisiegel ef al., 1973). Na verdade, a partir da hipótese de Almeida, F . F . M . de (1974), há possibilidade de que tal cobertura não represente nenhuma dessas duas forma-ções, e s i m , uma terceira unidade a qual se-ria correspondente às coberturas psamíticas que fecharam o ciclo Transamazônico na Guia-na (Grupo Mazaruni) e Guia-na Venezuela (Grupo Carichapo).

Além disso, é interessante observar que as características do Suecofeniano/Kareliano descritas por Almeida (1974) são sensivel-mente similares àquelas inerentes ao Grupo Grão Pará, entre as quais destacam-se " . . . Os complexos do Suecofeniano/Kareliano consti-tuem-se de grande variedade de matassedi-mentos detríticos e químicos (minério de fer-ro) associados à metavulcânicas". Dobramen-tos orogênicos e metamorfismo no fáceis xis-to verde a anfibolixis-to.

P R O T E R O Z Ó I C O M É D I O

Desde há 1.900 m . a . não se tem regis-tro de atividade orogênica na Plataforma Ama-zônica, sendo esse período de evolução crus-tal representado por unidades resultantes de um ciclo anorogênico, caracterizado pela su-cessão de diversos e razoavelmente definidos episódios continentais. Como foi abordado no capítulo anterior, o início do Proterozóico Mé-dio identifica-se com as primeiras manifes-tações de um paroxismo vulcano-plutônico, de composição eminentemente ácida, o' qual ocupa, descontinuamente, área superior a 1.500.000 k m2

(10)

G U I A N A VENEZUELA FRANCESA G U I A N A S U R I N A M E BRASIL PROTEROZÓIC O INFERIO R ASSEMBLÉI A BARAM A MAZARUN I GRUP O MAZARUN I FORMAÇÃ O HAIMARAK A ASSEMBLÉI A PASTOR A — CARICHAP O GRUP O CARICHAP O SÉRIE ORAPU

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PROTEROZÓIC O INFERIO R ASSEMBLÉI A BARAM A MAZARUN I GRUP O MAZARUN I F M CUYUN I ASSEMBLÉI A PASTOR A — CARICHAP O GRUP O CARICHAP O SÉRIE BONIDORO

F O R M A Ç Ã O

ROSEBEL PROTEROZÓIC O INFERIO R ASSEMBLÉI A BARAM A MAZARUN I GRUP O BARAM A ASSEMBLÉI A PASTOR A — CARICHAP O GRUP O PASTOR A SÉRI E PARAMAC A FORMAÇÃ O PARAMAC A GRUPOS

VILA N O V A

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GRÃO PARA

QUADRO III — Correlações no Proterozóico Inferior

por riodacitos, riolitos, dacitos, tufos, brechas vulcânicas, andesitos, etc. No Amazonas, con-forme Liberatore et al. (1972) — região sudes-te — e Santos et al. (1974) — região nordes-te — predominam amplamennordes-te riodacitos e riolitos. No Pará, na região Tapajós-Jamanxim, predominam riodacitos e piroclásticas, c o m riolitos e dacitos secundários e ocorrências de andesitos somente na forma de diques (in-formações do Projeto Jamanxim, Convênio DNPM/CPRM). Derrames de andesitos, ainda sem preponderar sobre as vulcânicas ácidas, são descritos por Geomineração Ltda. (1971), nos rios Trombetas e Maecuru. Razoável dis-tribuição de andesitos é assinalada por Silva et al. (1974) na região do rio Fresco, os quais foram denominados Formação Sobreiro. No Território de Roraima, esse vulcanismo é de-signado Formação Surumu, e na região de Tu-mucumaque como Formação Iricoumé, sendo caracterizado essencialmente por riodacitos, com dacitos, tufos e riolitos subordinados. A faixa vulcânica Surumu, de desenvolvimento WNW/ESE, extende-se à Venezuela, Guiana e

Suriname. No primeiro caso- é conhecida, na região limítrofe com o Brasil, juntamente com os granitos associados, como Grupo Pakarai-ma (Bellizzia & Martin-Bellizzia, apud Bellizzia, 1972). A mesma unidade, na região do alto Orinoco é denominada de Grupo Cuchivero, por Bellizzia (1972), composta por riolitos. riodacitos, quartzo-latitos, dacitos e equiva-lentes piroclásticos associados. Tanto o Gru-po Pakaraima, como o GruGru-po Cuchivero, são posicionados por Bellizzia (1972) no interva'n de 1.800 a 2.000 m . a .

(11)

No Suriname, à Assembléia Granítico-Vul-cânica é admitida uma idade de 1.810 ± 40 m . a . , de acordo com isócrona Rb/Sr obtida por Priem et al. (1971). Anteriormente, esses autores determinaram a idade da Formação Dalbana (principalmente riolitos), hoje inclu-sa naquela "Assembléia", obtendo um valor de

1.819 ± 15 m . a . , Priem ef al., (1971).

No Brasil, em Roraima, a Formação Su-rumu foi datada por Amaral (1970), pelo mé-todo K/Ar, o qual obteve valores oscilando entre 1.069 ± 15 m . a . e 1 283 ± 54 m . a . Esse fato levou esse autor a considerar o vul-canismo ácido mais jovem que a Formação Roraima, considerada então mais antiga que 1.600 m . a .

Posteriormente- Amaral (1974), obteve uma isócrona, a partir das rochas vulcânicas da Formação Surumu, a qual forneceu um va-lor de 1.580 ± 23 m . a . , levando-o novamente a contestar a idade da Formação Roraima.

Nessa região, ultimamente, dispõe-se de duas determinações, executadas pelo projeto RADAM, pelo método Rb/Sr, as quais indi-cam 1.875 ± 52 m . a . para uma amostra de riolito e 1.740 ± 40 m . a . para um dacito ca-taclástico. Montalvão ef al. (1975a) registra-ram uma isócrona de ± 1.890 m . a . para a Formação Surumu.

No Amazonas e no Pará, os valores obti-dos até poucos anos atrás, pelo método K/Ar, na datação do vulcanismo Uatumã, invariavel-mente não ultrapassaram 1.200 m . a . Ultima-mente, através do método Rb/Sr, Amaral (1974) relata duas determinações disponíveis para a região Tapajós-Jamanxim, com 1.712 m . a . Na bacia do rio Fresco, o valor obtido por esse autor foi de 1.690 ± 31 m . a .

Diversas determinações radiométricas executadas por Santos ef al. (1975) na região da folha Tapajós (SB.21). permitiram a cons-trução de uma isócrona para as vulcânicas áci-das do Grupo Uatumã (Formação Iriri), com um valor de 1.700 m . a . Para a região ao nor-te da bacia paleozóica, Montalvão (1975) as-sinalou uma isócrona de 1.836 ± 35 m . a . pa-ra as vulcânicas e intrusivas associadas.

Na região do rio Xingu, na folha Araguaia (SB.22) — Basei (1973), apud Silva ef al.

(1974), montou uma isócrona para os vulcani-tos ácidos do Grupo Uatumã, encontrando o valor de 1.693 ± 21 m . a .

Comparando-se os valores acima, obtidos para o vulcanismo ácido a partir de 1973 pelo Projeto RADAM e por Amaral (1974), na região do Amazonas e Pará (Grupo Uatumã), com aqueles oriundos de Roraima (Formação Su-rumu), Venezuela (Grupos Pacaraima e Cuchi-vero), Guiana (Grupos Burro-Burro e Kuyuwini) e Suriname (Formação Dalbana), observa-se que os primeiros oscilam em torno de 1.700 m . a . e os últimos em volta de 1.810 — 1 900 m . a . Desde que os valores radiométricos es-tejam corretos, pode-se pressupor uma migra-ção dos espasmos vulcânicos desde o norte com direção ao sul. com uma defasagem de tempo aproximada de 110 — 200 m . a .

(12)

micronordma-kitc do rio Sucunduri (sudeste do Amazonas), descritos por Liberatore eí al. (1972) situam-se nesse mesmo evento.

A existência de representantes do mag-matismo Uatumã, tanto ao norte como ao sul da bacia paleozóica, indica que pelo menos desde o início do Proterozóico Médio, os Es-cudos das Guianas e Brasil Central têm se comportado como um único bloco cratonizado. De um modo geral, os eventos a grosso modo cronologicamente correspondentes à anorogenia Uatumã, ocorridos no Hemisfério Norte, foram de caráter orogênico. No Escu-do Canadense, o episódio Hudsoniano (1.700 ± 150 m . a . ) , na Groenlândia, o Ketilidiano (1.790 — 1.600 m . a . ) , no Escudo Ucraniano, o Voliniano (1.700 ± 100 m . a . ) , no Escudo Báltico, o Suecofeniano (1.700 — 2.000 m . a . ) e na Plataforma Siberiana, o Jotniano (1.700 m . a . ) , são representativos de tais eventos do Proterozóico Médio nesse hemisfério.

As considerações de Almeida (1974), cor-relacionando em idade e natureza o evento Uatumã com o Sub-Jotniano do Escudo Bálti-co (pós-Jatuliano) são de grande importância, pois sugerem que manifestações magmáticas de caráter anorogênico, durante o Proterozói-co Médio, não foram restritas à Plataforma Amazônica, tendo afetado outros continentes.

É interessante notar que o bloco anorogê-nico Uatumã está limitado, tanto a leste como aparentemente a oeste, por importantes linea-mentos de direção aproximada NNW/SSE. A leste, não ocorrem representantes vulcânicos desse magmatismo no Amapá, bem como no setor oriental do Estado do Pará, ou seja, a leSte dos rios Jari e Araguaia. Esse fato ex-plicaria a ausência de rochas similares no se-tor ocidental da África, pois a expansão do Grupo Uatumã em direção ao leste foi inter-rompida pela faixa orogênica Paraguai-Ara-guaia.

O limite oeste, embora menos conhecido no presente, situa-se aproximadamente

para-lelo ao chamado alto de Purus. não havendo registro, a oeste dessa estrutura, de rochas re-lacionadas ao evento Uatumã, tanto na região do Allo rio Negro, como em Rondônia.

Com o encerramento da fase vulcano-plu-tônica, instalou-se um período erosivo, não muito prolongado, seguido de subsidência e intensa sedimentação elástica em ambiente predominantemente continental (Formações Roraima e Gorotire), localmente marinho (Gru-po Beneficente). Durante essa de(Gru-posição ocor-reu uma ressurgência do magmatismo ácido, manifestada pela intercalação de tufos ácidos, ocasionalmente derrames ácidos, no pacote sedimentar. Exemplos clássicos desse even-to são o Membro Tafelberg de Priem ef al.

(1973) no Suriname, o Membro Médio de Bom-fim ef al. (1974) em Roraima, a Suqüência Vul-cano-Sedimentar de Liberatore ef al. (1972) no sudeste do Amazonas e os tufos da braquissin-clinal do rio Pitinga (Mandetta ef al., 1974), no nordeste do Amazonas. No Suriname. Priem ef al. (1973), através da construção de uma isócrona, atribuem uma idade de 1.599 ± 18 m . a . a essas piroclásticas. Dessa forma, esse evento explosivo seria sincrónico do chama-do Granito Surucucu chama-do noroeste de Roraima, cuja idade, conforme Montalvão ef al. (1975), situa-se no intervalo 1.500 — 1.600 m . a . Re-lacionamento intrusivo desse evento foi des-crito por Reid (1972) na Venezuela, onde ve-rificou uma intrusão granítica na Formação Roraima. Tal manifestação ígnea corresponde ao episódio Parguazense de Bellizzia (1972), cujos representantes na Venezuela identifi-cam-se com Granitos Rapakivi ' de Parguaza, nos quais Mendonza ef al. (1975) descrevem xenólitos de rochas sedimentares, riolitos, me-tagabros, granitos, anortositos, etc. Esses au-tores assinalam duas datações para esse mag-matismo, uma obtida em isócrona por rocha total (Rb/Sr)-1 .-90 m . a . e outra pelo método U/Pb-1.600 m . a .

(13)

SUCESSÃO DE EVENTOS NO PROTEROZÓICO MÉDIO

ERA CICLO MAGMÁTICO

ANOROGÊNICO E V E N T O

IDADE R E P R E S E N T A N T E S SOERGUIMENjTO E EROSÃO 1 2 0 0 - 1 5 0 0

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VULCANISMO

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ROCHAS VULCÂNICAS E P I R O C L Á S T I C A S

ASSOCIADAS D A S FORMAÇÕES: SOBREIRO, I R I R I ,

IRICOUME", S U R U M U , IWOKRAMA, DALBANA, E T C

QUADRO IV

McConnell (1969) apresentaram duas isócro-nas, uma para os " s i l l s " de diabásio — 1.695 ± 66 m . a . — e outra para o hornfel da zona de contato — 1.640 ± 30 m . a . Todavia, Hebeda et a l . (1973) estabeleceram uma ida-de ida-de 1.603 ± 27 m . a . para o dolerito Avana-vero do Suriname, tendo demonstrado a exis-tência nessas rochas de argônio em excesso, responsável pelas idades mais avançadas ob-tidas em trabalhos precedentes.

Imediatamente após o magmatismo bási-co, nova reativação da plataforma proporcio-nou a incidência de novo evento alcalino, pro-vavelmente originado a partir de núcleos ou bolsões previamente diferenciados do manto e posteriormente injetados com maior ou me-nor assimilação da crosta siálica. Essa tecto-gênese envolve o Sienito Cachorro descrito por Montalvão et al. (1975) na região norte do Estado do Pará, sendo intrusivo no Granito Mapuera. Segundo Issler eí al. (1974) o alca-li-sienito Mapari teria 1.537 ± m . a . ,

poden-do desse mopoden-do ser relacionapoden-do com aquele episódio de reativação cratogênica. Resumin-do, percebe-se a incidência de duas manifes-tações alcalinas no Proterozóico Médio, sen-do a primeira, mais antiga, associada ao Epi-sódio Uatumã, sendo anterior à cobertura se-dimentar de plataforma e, provavelmente, mais jovem que os granitos e granitos alcalinos do Grupo Uatumã, enquanto que o último espas-mo alcalino desse período é incluído no Epi-sódio Parguazense. Todavia, uma melhor de-finição desses dois episódios somente será possível através da delimitação de um núme-ro maior de corpos, da execução de análises químicas, e de mapeamento em escalas iguais ou maiores que 1:100.000.

(14)

fecha-mento do ciclo Parguazense, manifestado por um magmaitsmo alcalino ( ± 1.500 m . a . ) , a Plataforma Amazônica deve ter permanecido estável, não tendo sido afetada por nenhum evento diastrófico de maior importância tendo provavelmente permanecido, pelos menos na sua maior parte, como área positiva, sujeita à degeneração até o encerramento do Protero-zóico M é d i o . Essa conclusão é fundamentada no fato de que, pelo menos até o presente, não ter sido registrado nenhum representan-te prorepresentan-terozóico situado no inrepresentan-tervalo de ± 1.200 a ± 1.500 m . a . , ou seja de idade pós-Pargua-zense e pré-K'Mudku, tendo esse lapso de tempo se comportado como verdadeiro hiato na seqüência estratigráfica pré-cambriana.

Embora alguns trabalhos tenham revelado algumas idades radiométricas situadas na fai-xa 1.200 ± 1.500 m . a . , principalmente na região do Alto rio Negro, é bastante provável que tais valores estejam relacionados com re-juvenescimentos isotópicos, pela atuação do evento K'Mudku em litologias mais antigas que o Proterozóico Superior. Não só amostras dos ciclos Uatumã e Parguazense, mas tam-bém do ciclo Transamazônico e, significativa-mente mesmo rochas mais antigas ainda (pré-Transamazônico), ocasionalmente revelam ida-des radiométricas correspondentes, ou um pouco mais antigas que o evento tectono-ter-mal K'Mudku, como será abordado no próximo capítulo.

PROTEROZÓICO S U P E R I O R

O limite entre o Proterozóico Médio e o Superior na Plataforma Amazônica é estabe-lecido pelo início da instalação de um episó-dio tectono-termal amplamente reconhecido

neste continente, o qual tem recebido diver-sas denominações regionais. Sua atuação iden-tifica-se com amplas faixas de cataclasitos e milonitos originados por esforços de compres-são com caráter continental, os quais afetam em maior ou menor grau grande parte das li-tologias originadas pelos eventos anteceden-tes. Esse evento foi inicialmente reconhecido na Guiana, sendo denominado por Barron (1966) de K'Mudku Milonite Episode. tendo-lhe

atribuído uma idade em torno de 1.200 m . a . e uma origem associada com zonas de movi-mentos transcorrentes. A perda de estrôncio e argônio radiogênicos de biotitas da "Assem-bléia vulcano-plutônica" na região do Surina-me, foi interpretada por Priem ef al. (1971) co-mo o resultado da atuação de um evento tecto-no-termal pós-Transamazônico, o qual designa-ram Nickerie Metamorphic Episode, com uma idade situada por volta de 1.200 ± 100 m . a . Episódio de natureza similar foi descrito por Bellizia (1972) no setor sudeste da Venezuela, o qual foi designado evento Orinoquense, sen-do correlacionasen-do com o K'Mudku da Guiana e o Nickerie do Suriname. No Brasil, no setor sudeste da Plataforma Amazônica, no noroes-te do Território de Rondônia, o evento respon-sável pela deformação que afetou a cobertu-ra sedimentar e vulcânica, melhor desenvolvi-do na região desenvolvi-do rio Madeira, foi denomi-nado de Madeirense por Amaral (1974), o qual foi correlacionado em idade aos episódios K'Mudku e Nickerie. Na região nordeste da Plataforma Amazônica, Lima ef al. (1974) des-creveram uma fase de tectônica ruptural, com rumo N40" — 60°E, que se estende por mais de 240 km, desde o rio Jari (Pará) ao rio Falsi-no (Amapá), a qual afetou o Grupo Vila Nova (Transamazônico) e foi denominado de Episó-dio Jari-Falsino. tendo igualmente sido corre-lacionado aos Episódios K'Mudku e Nickerie.

(15)

pa-ra o intervalo Helikiano/Hadriniano do Escu-do Canadense.

Ao que tudo indica, pelo menos para a por-ção brasileira da Plataforma Amazônica, o Pro-terozóico Superior não resume-se apenas na atuação do episódio tectônico acima descrito. Em Rondônia, está razoavelmente definida a existência de um episódio pós-Madeirense, o qual afetou essa região após um período de relativa estabilidade tectônica, quando a rea-tivação de antigos e profundos falhamentos determinou nova manifestação magmática áci-da, definida por Vershure & Bon (1972) como representativa do Episódio Rondoniense, cuja idade (980 ± 20 m . a . ) é mais jovem que o Episódio Tectônico Madeirense ( ± 1.200 m . a . ) .

É possível que o Episódio Rondoniense, em outras regiões da Amazônia esteja

repre-sentado por manifestações básicas e/ou alca-linas, já que idades próximas de 1.000 m . a . têm sido determinadas pelo DNPM (tanto pelo RADAM como pela CPRM). É o caso do com-plexo troctolítico do Projeto Jamanxim-PA. cu-jas informações de campo indicam ser mais jovem que a cobertura sedimentar de platafor-ma (pós-Uatumã) e cuja determinação de ida-de disponível corresponida-de ao valor 1.046 ± 20 m . a . ( K / A r ) .

Além dessa ocorrência, outras províncias básicas do início do Proterozóico ficaram co-nhecidas há pouco tempo, como o troctolito rio Pardo (1.079 m . a . — Araújo Neto & Mo-reira, 1976) e os derrames de Lábrea-AM (1.050 a 1.232 m . a . ) e Pacaás Novos-RO (967 a 1.098 m . a . ) — Teixeira & Tassinari (1976). A respeito desse magmatismo, com suas diversas ocorrências perfeitamente

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A P A R T I R

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B E L L I Z I A ( 1 9 7 2 )

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Mc C O N N E L ( 1 9 7 2 )

QUADRO V — Principais períodos de movimentação no Pré-Cambriano na Amazônia, comparados com a Africa

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relacionáveis, Santos ef al. (1977) demonstra-ram ser produto de uma manifestação bem de-finida temporalmente, a qual conduziu exclu-sivamente a formação de rochas básicas alca-linas, sem similares em toda a evolução da Plataforma Amazônica.

A idade admitida por Issler (1974), para o sienito Mutum, 1.026 ± 28 m . a . , parece tam-bém corresponder ao episódio Rondoniense, pelo menos cronologicamente.

A Plataforma Amazônica parece não ter sido afetada pelo episódio Panafricano, ca-racterizado na região sul da África, cujas ida-des de manifestações situam-se entre 500 — 700 m . a . , estando limitada a leste com a fai-xa de dobramentos Paraguai-Araguaia, do ci-clo Brasiliano (Almeida. 1974), o qual parece corresponder ao Panafricano.

Portanto, a reativação tectônica Rondo-niense situa-se como o último evento registrá-vel no Proterozóico Superior, não ocorrendo, a partir dessa época ( ± 1.000 m . a . ) . até o início do Fanerozóico, nenhuma manifestação diastrófica caracterizável na região. Todavia, Almeida (1974) admite que determinadas co-berturas pré-cambrianas, como Prainha, Sucun-duri e Riozinho do Anfrízio, sejam brasilianas, (850 — 500 m . a . ) , e, conseqüentemente, cor-respondentes às coberturas Baikalianas do Es-cudo Báltico. Todavia, as duas primeiras uni-dades foram englobadas por Caputo ef al. (1971) na Formação Prosperança e a última redefinida por Silva ef al. (1974) como Forma-ção Triunfo. Quanto à primeira, embora te-nha sua idade mínima definida pelo seu con-tato com a base da Formação Trombetas (Or-doviciano Superior), sua idade máxima ainda necessita de maior número de informações e elementos para ser definida, havendo duas possibilidades para o seu posicionamento cro-nológico: ou no Cambro-Ordoviciano, ou no Proterozóico Superior (Brasiliano), como admi-te Almeida (1974).

A L G U M A S C O N C L U S Õ E S

— Sete -episódios principais de movimen-tação tectônica podem ser reconhecidos na Plataforma Amazônica durante o

Pré-Cambria-no, sendo uns de caráter orogênico e outros de evolução anorogênica. Tais episódios são relacionados abaixo, registrando-se as faixas de tempo de seus paroxismos:

Rondoniense 980 ± 20 m . a

K'Mudku 1 200 m a

Parguazense 1 . 500 — 1 . 600 m . a.

Uatumã 1 .700 — 1 900 m a

Transamazônico 2 .000 — 2 .200 m . a

Aroensis 2 .600 — 2 .700 m a

Guriense 3 .000 — 3 .400 m . a

— A última orogênese que afetou a Pla-taforma Amazônica foi a Transamazônica, si-tuada no Proterozóico Inferior, sendo que a partir dessa época, todo o diastrofismo regis-trado na região teve caráter anorogênico

— É bastante provável que os dois epi-sódios assinalados para o Arqueano (Aroensis e Guriense), representem apenas as duas ati-vidades orogenéticas mais intensas sendo possível a existência de outros e diversos eventos tectónicos que ainda não tenham sido discernidos nessa era.

— As rochas arqueanas, de grande distri-buição na região, foram afetadas ainda duran-te o Pré-Cambriano por pelo menos cinco epi-sódios diastróficos principais (vide quadro V), mais jovens, que provocaram efeitos térmicos que variaram de intensidade ateralmente. É fácil perceber, portanto, que as possibilida-des de uma determinação radiométrica em ro-chas arqueanas, receber um valor de idade próximo do real. são bastante remotas. A s s i m , outros critérios devem ser empregados con-juntamente no estabelecimento do limite Pro-terozóico/Arqueozóico, tais como índice pe-trogenético, grau de metamorfismo, estilo de dobramentos e relações de contato.

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Grupo Uatumã no assoalho dessa seqüência sedimentar, no médio Amazonas, indicam cla-ramente que a natureza dessa bacia é intra-cratõnica e não intercratônica, como a deno-minou Bigarella (1973). Dessa forma, os cha-mados Cráton das Guianas e Cráton do Gua-poré pelo menos na sua maior parte, consti-tuem um único bloco cratonizado desde o en-cerramento Proterozóico Inferior.

Assim, fundamentado nas definições de Cráton e Escudo emitidas por Anhaeuser et al. (1969), o mais adequado é que as áreas pré--cambrianas ao norte e sul da bacia Amazôni-ca, a exemplo do procedimento adotado pelo Projeto RADAM. sejam designadas, apenas pa-ra efeito de capa-racterização geográfica regio-nal, respectivamente de Cráton das Guianas e Cráton Guaporé, abandonando-se o emprego do termo Escudo, o qual tem significado con-tinental. A s s i m , a Plataforma ou Escudo Ama-zônico, seria constituída de dois crátons. Em-bora haja uma descontinuidade física, de na-tureza até então desconhecida no fundo da-quela bacia, registrada por ondas sísmicas, não se observam nas camadas paleozóicas os efeitos de deformações relacionados com a suposta movimentação dos blocos Guiana e Guaporé a partir do Mesozóico, como é suge-rido por diversos autores, entre eles Guima-rães (1970), o qual determinou o eixo dessa movimentação como localizado exatamente na cidade de Santarém, na foz do rio Tapajós.

Prefere-se supor, especulativamente, que essa descontinuidade esteja relacionada com uma maior espessura do SIMA na região coin-cidente com o fundo da bacia, a qual está sen-do admitida como associada com extenso ali-nhamento de direção grosso-modo leste-oeste, o qual deve ter-se originado em tempos fane-rozóicos (Mesozóico?) visto que parece não ter interferido na geometria e estrutura dos episódios pré-cambrianos.

— A maior parte dos principais episódios diastróficos que foram até o presente regis-trados na Plataforma Amazônica, encontram eventos correspondentes ou pelo menos cor-relacionáveis, no pré-Cambriano da Á f r i c a . Já em 1972 McConnell, na Guiana e Bellizzia, na

Venezuela estabeleceram comparações dos principais períodos de movimentação naquele continente, com os da Plataforma Amazônica (Quadro V ) . A s s i m , o Liberiano é correlacio-nável com o Guriense; o Zagoride com o Aroensis; o Ubendiano/Eburneano com o Tran-samazônico e, finalmente o Kibarano com o K'Mudku — Quadro V . Em contrapartida, o magmatismo dos ciclos Uatumã e Parguazen-se não encontra manifestação similar na Áfri-ca, ao passo que o evento Panafricano não atin-giu a Plataforma Amazônica, podendo, contu-do, ser comparado com o Brasiliano da faixa orogênica Paraguai-Araguaia.

— Comparações mais detalhadas entre a Plataforma Amazônica e a África somente po-derão ser emitidas a partir de um razoável nú-mero de determinações de idade e análises químicas, ainda não disponíveis. Desse mo-do, especulações em torno da metalogenia associada a alguns dos episódios

pré-cambria-nos, devem ser encaradas como prematuras. Por outro lado, outros episódios têm sua geo-logia econômica esboçada de modo prelimi-nar, tendo-se em vista ocorrências e jazimen-tos já conhecidos. Uma síntese da potencia-lidade econômica do Pré-Cambriano da Amazô-nia e sua comparação com a África será moti-vo de futura nota. podendo-se, presentemente, todavia, relacionar os principais elementos já conhecidos e passíveis de formar depósitos na região:

— Proterozóico Superior: Sn, Nb/Ta (Rondô-nia) Mineralizações em rochas alcalinas: Nb. T . R . , Th, Zr, etc.

(18)

— Proterozóico Inferior : Mn (Amapá), Fe (Carajás), sulfetos em metavulcânicas (?).

— Arqueozóico : Fe, Au (Tapajós),

Cr (?).

SU M M A R Y

Amazonian Precambrian has been subdivided on three larger I n t e r v a l s : U p p e r , M i d d l e and L o w e r , separated by t h e 2.600 m".y. and 1.800 m . y a g e s . Many CPRM's w o r k s , t o g e t h e r w i t h R A D A M Project informations, made possible a n e w subdivision for t h e Precambriam t i m e . Thus, l i k e w h i s e Canada, URSS, Australia, South A f r i c a and China's scales, t w o major intervals c o m p o u n d P r e c a m b r i a n : A r c h a e o z o i c and Proterozoic. The f o r m e r enclose t w o c h i e f t e c t o n i c cycles, one of then take place at Lower A r c h a e o z o i c (over 3.000 m . y . ) , called Gurlense, and o t h e r related t o Upper Archaeozoic (2.600 m . y . t o 3.000 m . y . ) and named A r o e n s e (2.600 m . y . t o 2.600 m . y . ) . Rocks belonging to granulite fácies represents Guriense C y c l e , like Iniataca C o m p l e x in Venezuela, w h e r e a s a n f i b o l i t i c belts as w e l l as A n a u á (Roraima), C u i ú - C u i ú (Pará);' Moura (Amazonas), Kanuku (Guiana), Supamo (Vene-zuela) and Coeroeni (Suriname) w h e r e m e t a m o r f i s e d during A r o e n s e C y c l e . In Lower Proterozoic (2.600 m . y . t o 1.900 m . y . ) Transamazonian Orogenic Cycle has been developed (2.000 t o 2.200 m . y . ) , producing many greenstone belts and i t a b i r i t i c rocks like so called Cauarane (Roraima), Tunuí (Amazonas), Grão Pará (Pará), Vila Nova (Amapá), Barama (Guiana), Pastora (Vene-zuela), A r m i n a (Suriname) and Orapu (French Guyana) G r o u p s . This is t h e last orogeny to affect the Amazo-nian region, since t h e n c e f o r t h , all evolutive process In Plataform p o s s e s s e d cratogenic c h a r a c t e r . Two princi-pals Plataform's reactivations took place d u r i n g M i d d l e Proterozoio, one at ± 1.800 m . y . (Uatumã), and o t h e r at 1.500 m . y . (Parguazense). w e l l k n o w n b y i n t e n s i v e acid m a g m a t i s m . The boundary b e t w e e n M i d d l e and Upper Proterozoic Is established at ± 1.200 m . y . , w h i t h the Tectonic Episode K'Mudku d e v e l o p m e n t . Other i m p o r t a n t r e a c t i v a t i o n , make p o s s i b l e many plutonio i n t r u s i o n s , at t h e Upper Proterozoic beginning (Rondoniense g r a n i t e s ) , adjoining and closely related w i t h alkalibasalt e x t r u s i o n of t h e Pacaás Novos (Rondô-nia), Lábrea (Amazonas) and Cachoeira Seca (Pará) t y p e s . A t t h e Proterozoic f i n a l , another and poor known reactivation may c o r r e s p o n d t o Brasilian C y c l e , englosing alkalic m a g m a t i s m (Guariba A l c a l i n e s ) and arkose s e d i m e n t a t i o n (Prosperança F o r m a t i o n ) .

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