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Academia sénior: um contributo para a aptidão funcional dos idosos

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CENTRO DE COMPETÊNCIA TECNOLOGIAS DA SAÚDE MESTRADO EM GERONTOLOGIA -

- ESPECIALIDADE EM GERONTOLOGIA SOCIAL

Academia Sénior - Um Contributo para a Aptidão Funcional dos Idosos.

Fátima Luísa Gomes de Sousa

FUNCHAL Setembro, 2012

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CENTRO DE COMPETÊNCIA TECNOLOGIAS DA SAÚDE MESTRADO EM GERONTOLOGIA -

- ESPECIALIDADE EM GERONTOLOGIA SOCIAL

Academia Sénior - Um Contributo para a Aptidão Funcional dos Idosos.

Fátima Luísa Gomes de Sousa

Orientação: Professora Doutora Maria Helena Gonçalves Jardim Coorientação: Professora Ana Natividade e

Professora Bruna Ornelas de Gouveia

FUNCHAL Setembro, 2012

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ACSM – American College of Sports Medicine

AF – Atividade Física

AHA – American Heart Association

AIVD – Atividades Instrumentais de Vida Diária ApF – Aptidão Funcional

AVD – Atividades de Vida Diária AVC – Acidente Vascular Cerebral CDC – Surgeon General Report Et al. – e outros

IMC – Índice de Massa Corporal INE – Instituto Nacional de Estatística Kg - Quilogramas

M1 – Momento Um M2 – Momento Dois n – número de sujeitos

OMS – Organização Mundial de Saúde p. – página

pp. - páginas

ρ – Nível de significância

PAR-Q – Questionário de Prontidão para a Atividade Física QV – Qualidade de Vida

RAM – Região Autónoma da Madeira SD - Desvio Padrão

SFT – Sénior Fitness Test, de Rikli e Jones (2001) s.l. – “Sine loco” (sem local)M

SNC – Sistema Nervoso Central

SPSS – Statiscal Package for Social Sciences TCC – Tai Chi Chuan

VO2 max. – Consumo Máximo de Oxigénio

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Agradecimentos

A concretização deste trabalho não teria sido possível sem o contributo de determinadas pessoas, que me apoiaram e incentivaram. Assim, gostaria de expressar o meu profundo agradecimento:

À Professora Doutora Helena Gonçalves Jardim, orientadora científica do mestrado, pelo seu apoio, disponibilidade e sugestões na realização deste trabalho.

Às minhas coorientadoras, professora Ana Natividade e professora Bruna Gouveia, pela orientação, sabedoria e apoio.

Ao Presidente do Município de Santa Cruz, Dr. José Alberto Gonçalves e ao Presidente da Casa do Povo do Caniço, pela disponibilidade, apoio e cedência das instalações para a concretização do projeto Academia Sénior – A Força de Ir Mais Além.

A todos os idosos da Academia Sénior – A Força de Ir Mais Além, pela preciosa colaboração, alegria, experiência e amizade, com quem tive oportunidade de partilhar momentos inesquecíveis.

Às minhas colegas de mestrado, pela troca de experiências.

Ao meu marido António e às minhas filhas Tatiana, Silvana e Beatriz, pela força, amor e compreensão que sempre demonstraram ao longo deste trabalho.

Aos meus pais Milagres e Clara e à minha irmã Filipa, pelo carinho, incentivo e amizade, que me permitiram chegar ao fim.

E a todos aqueles, que, embora não estejam aqui citados, mas que direta ou indiretamente contribuíram para a realização deste trabalho, o meu mais sincero agradecimento.

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RESUMO

A importância da Atividade Física (AF) para os adultos idosos é hoje inquestionável. Praticar um programa de exercício físico regular, organizado, progressivo e adaptado, nesta faixa etária, proporciona efeitos positivos sobre a aptidão funcional (ApF), no bem-estar, qualidade de vida e na redução da morbilidade e mortalidade. O objetivo do presente estudo foi avaliar a influência de um programa de AF para a 3ª Idade (que inclui o treino de força, treino aeróbio, ioga, dança, pilates e tai chi chuan) na ApF de 35 mulheres idosas, ativas, saudáveis e voluntárias, durante um período de 20 semanas. O presente estudo caracteriza-se por uma pesquisa quase-experimental pré e pós testes, e por uma amostra não probabilística consecutiva. Foi utilizada a bateria de testes Sénior Fitness Test de Rikli e Jones (2001) para avaliar os parâmetros da ApF no Momento 1 (pré-teste) e Momento 2 (pós-teste, após a implementação do treino): força dos membros inferiores (levantar e sentar na cadeira) e superiores (flexão do braço), resistência cardiovascular (2 minutos step), flexibilidade dos membros inferiores (sentar e alcançar) e superiores (alcançar atrás das costas), velocidade, agilidade e equilíbrio dinâmico (sentado, caminhar 2,44 metros e voltar a sentar) e composição corporal (estatura e peso). Para avaliar a influência do programa de AF nas várias componentes da ApF, foi utilizado o teste não paramétrico de Wilcoxon, para amostras emparelhadas. Todos os cálculos foram efetuados no programa de estatística SPSS versão 18.0. Os resultados obtidos, após a comparação dos dados nos M1 e M2, mostram que grupo de participantes apresentou melhorias estatisticamente significativas (ρ=0,001) em todos os parâmetros da ApF. Podemos, então, concluir que a participação no programa de AF, estava associada à melhoria da ApF nas idosas que nele participaram.

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ABSTRACT

The importance of physical activity (FA) for elderly adults is nowadays unquestionable. The regular practice of an organized, adapted and progressive program of physical activity causes positive effects on functional fitness (ApF), also improves the well-being and reduction of morbidity and mortality. The aim of the present study was to analyze the effects of the practice of a AF program (strength training, aerobics, dance, yoga, pilates and tai chi chuan) on ApF, on 35 active, healthy and volunteer elderly women, for a period of 20 weeks. The study is characterized by a search quasi-experimental before and after tests, compound by an improbable intentional sample. The Senior Fitness Test, developed by Rikli e Jones (2001), used to assess the physical parameters of ApF, before AF program, Moment 1 (M1), and after AF Program, Moment 2 (M2): lower-body strength (chair stand test), upper-body strength (arm curl test), aerobic endurance (2-minute step test), lower-body flexibility (chair sit-and-reach test), upper-body flexibility (back scratch test), speed, agility and dynamic balance (8-foot up-and-go test) and body composition (height and weight). To assess and compare the results of AF program on ApF, was used the Wilcoxon test for paired samples. All calculations were made with the statistic program SPSS version 18.0. The results obtained, after compared the M1 and M2, proves that the group showed statistically significant improvements (ρ=0,001) in all parameters of ApF. This study demonstrates that the AF program had a positive effect on the ApF, who had participated.

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ÍNDICE

INTRODUÇÃO... 11

PARTE I ... 13

1 O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO ... 14

2 ATIVIDADE FÍSICA E SEUS BENEFÍCIOS ... 17

3 APTIDÃO FÍSICA E FUNCIONAL E SUAS COMPONENTES ... 21

3.1 ALTERAÇÕES NAS COMPONENTES DA APTIDÃO FUNCIONAL COM O ENVELHECIMENTO ... 23

3.2 ALTERAÇÕES NA FORÇA MUSCULAR ... 23

3.3 ALTERAÇÕES NA FLEXIBILIDADE ... 26

3.4 ALTERAÇÕES NA RESISTÊNCIA AERÓBIA CARDIORRESPIRATÓRIA.... 29

3.5 ALTERAÇÕES NO EQUILÍBRIO E AGILIDADE ... 31

3.6 ALTERAÇÕES NA COMPOSIÇÃO CORPORAL ... 33

3.7 MÉTODOS E INSTRUMENTOS DA AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FUNCIONAL EM IDOSOS ... 35

4 ATIVIDADES DA ACADEMIA SÉNIOR – A FORÇA DE IR MAIS ALÉM .. 37

4.1 TREINO DE FORÇA... 38

4.2 TREINO AERÓBIO ... 39

4.3 IOGA ... 42

4.4 DANÇA ... 44

4.5 MÉTODO PILATES ... 46

4.6 TAI CHI CHUAN (TCC) ... 48

PARTE II ... 51 5 –METODOLOGIA ... 52 5.1 OBJETIVO DO ESTUDO………....52 5.2 HIPÓTESES ... 52 5.3 TIPOLOGIA DA PESQUISA ... 53 5.4 AMOSTRA ... 53 5.5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ... 55

5.5.1 Instrumento de avaliação utilizado – Sénior Fitness Test - Rikli e Jones (2001) ... 57

5.5.2 Avaliação da composição corporal ... 60

5.5.3 Caracterização generalizada do programa de intervenção ... 60

5.6 PROCEDIMENTOS ÉTICOS ... 64

5.7 PROCEDIMENTOS ESTATÍSTICOS ... 65

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6 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS NA ApF DAS IDOSAS NO M1 E M2

... 67

6.1 FORÇA MUSCULAR ... 67

6.2 FLEXIBILIDADE ... 67

6.3 RESISTÊNCIA AERÓBIA E CARDIOVASCULAR ... 67

6.4 EQUILÍBRIO E AGILIDADE ... 68

6.5 COMPOSIÇÃO CORPORAL ... 68

7 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ... 69

7.1 FORÇA MUSCULAR ... 70

7.2 FLEXIBILIDADE ... 72

7.3 RESISTÊNCIA AERÓBIA E CARDIOVASCULAR ... 73

7.4 EQUILÍBRIO E AGILIDADE ... 75

7.5 COMPOSIÇÃO CORPORAL ... 76

CONCLUSÃO ... 79

BIBLIOGRAFIA………...81

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ÍNDICE DE TABELAS

TABELA 1 – Caracterização da amostra……….55 TABELA 2 – Descrição geral da bateria Sénior Fitness Test (de Rikli e Jones, 2001).58 TABELA 3 – Comparação das componentes da ApF (média ± desvio padrão) no pré-teste (M1) e pós-pré-teste (M2) ………...68 TABELA 4 – Valores do IMC no M1 e M2……….69

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ÍNDICE DE ANEXOS

ANEXO A – Dados do participante e consentimento informado. ANEXO B – Cédula PROCAFD nº 315.

ANEXO C – Questionário sociodemográfico e de diagnóstico.

ANEXO D – Questionário de prontidão para a prática de AF (PAR-Q). ANEXO E – Avaliação Funcional SFT.

ANEXO F – Planos de aula 1 e 2.

ANEXO G – Pedido de autorização à Câmara do Município de Santa Cruz para a aplicação dos instrumentos de colheita de dados.

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INTRODUÇÃO

O envelhecimento é um fenómeno normal, universal, intimamente ligado ao processo de diferenciação e de crescimento, podendo-se definir como um processo de deterioração endógena, exógena e irreversível das capacidades funcionais do organismo, tratando-se, portanto, de um facto inevitável, inerente à própria vida (Drusini, 2009).

Todo o processo de envelhecimento, encontra-se associado a um conjunto de alterações imutáveis e evolutivas, porém, distintas de indivíduo para indivíduo, sendo um fator de interferência direta, na redução das capacidades básicas dos idosos, relativamente à manutenção e realização das atividades da vida diária, e consequentemente, na qualidade de vida e saúde dos mesmos (Padilha, 2007).

O sedentarismo, que tende a aumentar no processo de envelhecimento, aliado ao decréscimo nos níveis de atividade física (AF) habitual, do indivíduo idoso, contribui para a redução da aptidão física e funcional, bem como, para o surgimento e manifestação de diversas patologias, e, consequente prejuízo das componentes físicas associadas à capacidade funcional dos idosos.

Atualmente os indivíduos vivem mais tempo, razão pela qual é imprescindível determinar o grau e os mecanismos pelos quais a AF pode melhorar a saúde, capacidade funcional e a independência dessa população (Mazzeo et al., 1998). Mota (1997) refere que a AF tem vindo a assumir uma crescente importância na sociedade moderna, fato este que não pode ser dissociado de um outro conceito que é o da saúde, traduzindo-se este aspeto num conjunto de referências, como o bem-estar e a qualidade de vida.

Para o American College Sports of Medicine (ACSM, 2010), e a American Heart Association (AHA, 2007), participar em atividades físicas regulares e moderadas, pode retardar o declínio funcional dos indivíduos, proporcionando melhoria nos níveis de força, capacidade aeróbia, flexibilidade, equilíbrio, agilidade, coordenação, entre outras capacidades. O declínio destas capacidades físicas, e, as alterações fisiológicas decorrentes do processo de envelhecimento, geram perdas da capacidade funcional, contribuindo para a dependência física do idoso (Tribess & Virtuoso, 2005).

Sendo a aptidão funcional (ApF) definida como a capacidade fisiológica de desempenhar atividades normais do dia-a-dia de forma segura e independente, sem fadiga (Rikli e Jones, 2001) e é composta por parâmetros que suportam a mobilidade

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funcional e a independência física, como por exemplo, a força muscular, a aptidão cardiorrespiratória, a flexibilidade e o equilíbrio, importa conhecer de que modo estas componentes são afetadas pelo processo de envelhecimento, assim como o papel da AF na manutenção das mesmas.

Neste contexto, o objetivo principal deste estudo é o de avaliar a influência de um programa de AF para a 3ª Idade, através do treino de força, treino aeróbio, ioga, dança, pilates e tai chi chuan, na ApF de mulheres idosas ativas e saudáveis, acompanhadas por 20 semanas (Fevereiro de 2011 a Junho de 2011) e submetidas a dois momentos de avaliação, momento 1 (M1) no início do programa de AF e momento 2 (M2), no final do estudo.

A ApF, será determinada através da bateria de testes Sénior Fitness Test desenvolvida por Rikli e Jones (2001), onde serão avaliados as suas componentes como a força e resistência muscular dos membros inferiores e superiores, a flexibilidade dos membros inferiores e superiores, a mobilidade física (velocidade, agilidade, coordenação e equilíbrio dinâmico), e a resistência aeróbia.

Na parte I do trabalho, aborda o processo de envelhecimento, a AF e os seus benefícios, seguindo-se o conceito de ApF, assim como as alterações nas suas componentes (força muscular, resistência cardiorrespiratória, flexibilidade, equilíbrio, agilidade, coordenação e composição corporal). Fazemos uma breve descrição dos métodos e instrumentos da avaliação da ApF em idosos. De seguida apresentamos as atividades da Academia Sénior – A Força de Ir Mais Além, ou seja, o treino de força, o treino aeróbio, o ioga, o método pilates e o tai chi chuan.

Na parte II, apresentamos o objetivo do estudo assim como as hipóteses, a tipologia da pesquisa, descrevemos e caracterizamos a amostra e os procedimentos metodológicos, referenciamos os instrumentos de avaliação utilizados, fazemos a caracterização generalizada do programa de intervenção e os procedimentos éticos e estatísticos adotados.

Na parte III apresentamos os resultados nos M1 e M2 nas componentes da ApF (força muscular, resistência aeróbia e cardiovascular, equilíbrio e agilidade e composição corporal). Na discussão dos resultados, analisamos a ApF após o programa de treino da Academia Sénior – a Força de Ir Mais Além, apresentamos as conclusões mais relevantes e recomendações para novos estudos.

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1. O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO

O envelhecimento foi durante muito tempo percebido como um fenómeno patológico, relacionado com o desgaste do organismo e as sequelas das doenças da infância e da idade adulta (Berger, 2005). De acordo com a autora, a senescência é um processo multifatorial que arrasta uma deterioração fisiológica do organismo. É um fenómeno normal, universal, intimamente ligado ao processo de diferenciação e de crescimento, podendo-se definir como um processo de deterioração endógena, exógena e irreversível das capacidades funcionais do organismo, tratando-se, portanto, de um fenómeno inevitável, inerente à própria vida (Drusini, 2009).

Embora seja controversa a idade de início do envelhecimento biológico, em geral, é aceite que ocorre no, final da segunda década de vida, calcula-se que após os 30 anos, e, dependendo dos órgãos, haja em média a perda de 1% de funcionalidade por ano (Sousa, Figueiredo & Cerqueira, 2004).

A senescência não é, pois, uma doença, mas pode levar a uma quantidade de afeções, porque se caracteriza pela redução da reserva fisiológica dos órgãos e sistemas (Drusini, 2009). Cedo ou tarde, o equilíbrio homeostático desregula-se, aparecendo os problemas, principalmente em momentos de stress fisiológico, porque o organismo já não tem as reservas necessárias para resistir às agressões e manter as funções vitais (Berger, 2005).

O envelhecimento afeta, de modo desigual, as funções dos tecidos, o declínio é mais rápido nos tecidos elásticos (sistemas circulatório, respiratório e pele) e mais lento nos tecidos nervosos (Sousa, et al., 2004). Segundo os autores, o sinal mais evidente de senescência é a diminuição da capacidade de adaptação do organismo face às alterações do meio ambiente, acentuando-se com a idade e com o surgimento de afeções crónicas.

Atchley (2000) considera o envelhecimento como um conjunto de processos de natureza física, psicológica e social que, com o tempo, produzem mudanças na capacidade de funcionamento dos indivíduos e influenciam a sua definição social.

No que se refere ao envelhecimento cognitivo, e, na revisão de um trabalho de investigação efetuada por Salthouse (1991) mostra que as competências intelectuais mais afetadas pela idade são a capacidade de interpretar informação não-verbal (tal como, gestos, expressões faciais…) e a capacidade de dar respostas rápidas perante situações novas; a aquisição de novos conceitos e a aplicação dos conceitos existentes; a

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aptidão para organizar informações e concentrar-se; os raciocínios abstratos; as competências psicomotoras e as atividades percetíveis. Por outro lado, o mesmo autor salienta que, as capacidades menos afetadas pela idade são a dimensão prática de resolução de problemas; a capacidade de interpretar informação verbal; a execução de tarefas familiares; e o uso do conhecimento acumulado.

Pela positiva, o aspeto mais valorizado na velhice é a sabedoria (Baltes & Smith, 2006). Estes mesmos autores identificaram dois fatores associados à sabedoria: compreensão excecional (utiliza o bom senso, aprendeu com as experiências, vê os acontecimento num contexto mais amplo, é um observador perspicaz; tem abertura de espírito e independência de pensamento); e habilidade de comunicação e julgamento (é fonte de bons conselhos, compreensivo, capaz de entender a vida, apto a abranger todas as opiniões numa decisão e competente a pensar cuidadosamente antes de decidir).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2002, salientou que muitas das alterações que ocorrem durante o envelhecimento, bem como a maneira como ocorre nos indivíduos, são motivadas por fatores como a exposição solar, hábitos alimentares incorretos, inatividade física, obesidade, tabagismo e outros estilos de vidas incorretos. Fiatarone et.al., (1994) acrescenta que o desenvolvimento socioeconómico e cultural em que o indivíduo está inserido terá um papel fundamental no processo de envelhecimento, até mesmo nos padrões de morbilidade e da mortalidade dos indivíduos. Também para Botelho (2002), o envelhecimento fisiológico deriva de fatores genéticos e fatores extrínsecos a que o indivíduo tenha sido exposto.

Segundo autores evolucionistas, à medida que se envelhece, os mecanismos de manutenção metabólica estão sujeitos a entrar em falência, verificando-se a deterioração da estrutura e da função de vários órgãos e tecidos, a diminuição e uma maior vulnerabilidade para o aparecimento de doenças relacionadas com o envelhecimento (Lithgow & Kirkwood, 1996; Chakravarti, 2007), resultando o envelhecimento de lesões que se acumulam no tempo, provocando deterioração (Holliday, 1997), enquanto Jazwinski (2000) descreve a existência de uma programação genética do envelhecimento, pela interferência que os genes assumem sobre o metabolismo celular.

No plano fisiológico, o processo de senescência causa o envelhecimento das estruturas e do aspeto geral do corpo, assim como, o declínio das funções orgânicas (Berger, 2005), sendo que, uma das modificações mais relevantes ocorre na composição global do corpo, caracterizada pela diminuição da massa magra, aumento da proporção de gordura e diminuição de água no corpo (Drusini, 2009). Segundo o mesmo autor, como consequência destas alterações destaca-se o aumento dos riscos de diabetes,

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perturbações cardiovasculares, osteoporose e cancro do cólon e da mama, assim como, a diminuição da capacidade funcional. Mais visíveis são a redução da estatura que cria um efeito de desproporção (os braços e as pernas mantêm o comprimento normal, mas o tronco encolhe); o aparecimento de rugas e embranquecimento, secura, descamação e palidez na pele; acentuação das proeminências ósseas – ossos dos maxilares, maçãs do rosto, órbitas, nariz, orelhas; agravamento da perda de cabelo que se torna menos espesso e volumoso; lentificação do crescimento das unhas, aparecendo, na superfície, estrias (Berger, 2005), sendo as alterações a nível do sistema locomotor as que aparecem mais rapidamente não só modificando a aparência e a estrutura física mas também o funcionamento do organismo, atingindo os músculos, ossos e articulações. (Spirduso, 2005). Todos os músculos do organismo, e, em especial os do tronco e das extremidades, se atrofiam com o tempo, o que leva a uma deterioração do tónus muscular e a uma perda de potência, força, endurance e agilidade (Okuma, 1998).

Na opinião de Barreiros (2006), o envelhecimento é deteriorante devido ao desuso e degeneração, onde a degeneração é um processo biológico inevitável e o desuso é uma consequência natural da disponibilidade de melhores ferramentas e do acesso mais rápido e mais generalizado à informação. Ambos estão associados e levam a um enfraquecimento geral e a um declínio das funções biológicas e do rendimento motor. Para Daley e Spinks, (2000) e Matsudo, (2001), existe um ciclo vicioso negativo entre envelhecimento e inatividade, onde cerca de 50% do envelhecimento se deve a estilos de vida sedentários, muitas vezes associados a sentimentos de velhice que poderão causar stress, depressão e a uma diminuição mais acentuada da AF, induzindo este aumento do sedentarismo a uma maior taxa de redução das capacidades físicas e funcionais. Este ciclo envolvendo a diminuição da funcionalidade, pode ser alterado através do envolvimento dos idosos em programas formais ou informais de educação física regular (Sardinha & Batista, 1999). Autores como Matsudo e Matsudo (1993); Brito, (1994); Marques, (1998); Rantanen et al. (2001); Sagiv e Amir, (2005), referem que indivíduos que apresentam estilos de vida ativos, mantêm níveis elevados em termos funcionais, relativamente aos sedentários.

Importa, pois, face ao exposto, alterar hábitos de vida sedentários dos idosos e contrariar a degeneração e enfraquecimento do organismo, através da participação em programas de AF regular, de modo a preservar a ApF, a independência e a saúde.

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2. ATIVIDADE FÍSICA E SEUS BENEFÍCIOS

A atividade física (AF) pode ser entendida, enquanto conceito biológico, com um qualquer movimento produzido pelos músculos esqueléticos, que resulta num aumento do metabolismo basal (Bouchard, Shephard & Stephens, 1993), ou então pode ser encarada como a realização de qualquer tipo de movimento associado à contração muscular que faz aumentar o dispêndio de energia acima dos níveis de repouso (Caspersen, Powell, & Christenson, 1985), englobando aqui, toda e qualquer atividade realizada diariamente, que contribua para esse fim e que modifique o consumo calórico diário, contemplando as atividades do dia-a-dia, o que muitos denominam de atividades de vida diária (AVD).

Tendo em conta esta abrangente definição de AF, Ettinger, Mitchell e Blair (1996) defenderam a existência de dois tipos de AF: a AF como estilo de vida e a AF com exercícios estruturados, indicando que ambos são benéficos para a saúde. A AF como estilo de vida, inclui atividades como subir e descer escadas, caminhar, jardinagem, sendo portanto, todas as atividades que mantêm a pessoa ativa no seu quotidiano. A AF com exercícios estruturados, inclui o exercício físico, que representa uma das formas de AF planeada, estrutura e efetuada de forma sistemática e periódica, tendo por objetivo a melhoria da aptidão física ou a reabilitação orgânica funcional (Caspersen et al., 1985). Como exemplo deste tipo de AF refere-se a natação, o ciclismo, o jogging, a musculação, o ioga, o pilates e todos os desportos ativos. Estes programas devem contemplar as componentes da aptidão física e funcional como a força, a resistência cardiorrespiratória, a flexibilidade, o equilíbrio e a coordenação (Malbut, Dinan & Young, 2002).

Também a OMS (1997) inclui na sua definição de AF todos os movimentos realizados no dia-a-dia, incluindo o trabalho, o lazer, o exercício físico e as atividades desportivas.

Atualmente os indivíduos vivem mais tempo, razão pela qual é imprescindível determinar o grau e os mecanismos pelos quais a AF pode melhorar a saúde, capacidade funcional e a independência dessa população (Mazzeo et al., 1998). Mota (1997), refere que a AF tem vindo a assumir uma crescente importância na sociedade moderna, fato este que não pode ser dissociado de um outro conceito que é o da saúde, traduzindo-se este aspeto num conjunto de referências, como o bem-estar e a qualidade de vida (QV).

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Na conceção de Kraus (1977), a melhor forma de preservar a capacidade física e funcional, na fase adulta e na velhice, é iniciar a prática de exercício na infância e dar-lhe continuidade durante toda a vida. No entanto, Skinner (1993); Katch e Katch (1998), defendem que independentemente da idade em que se inicie a prática da AF, conseguem-se adaptações positivas e benefícios, no âmbito da saúde, bem-estar, QV dos indivíduos, se praticada de uma forma, regular segura e sistemática e bem adaptada em quantidade e qualidade às características dos indivíduos.

De acordo com Barata (1997), todas as vantagens da AF podem ser divididas em dois grandes grupos: os ganhos em termos de saúde e a melhoria da condição física. A procura de uma determinada QV por parte do idoso passa pela saúde, independência na realização das tarefas e sentimento de bem-estar e satisfação (Spirduso, 1995).

Para Berger (2005), a mobilização de todas as partes do corpo através de movimentos coordenados e a manutenção de um bom alinhamento corporal permitem ao organismo desempenhar eficazmente todas as suas funções (respiração, circulação, regulação, eliminação, etc.).

A AF quando praticada regular e progressivamente, mesmo numa intensidade pouco elevada, produz efeitos no sistema músculo-esquelético, cardiovascular, respiratório e endócrino. No que respeita à saúde, o efeito benéfico nestes sistemas está associado a inúmeros benefícios, onde se inclui o decréscimo na mortalidade e da morbilidade; diminuição do risco de doenças coronárias e combate à hipertensão, devido à redução da pressão arterial em repouso; combate à diabetes mellitus devido à melhoria do metabolismo da glicose (Nahas, 2003).

O exercício físico é uma componente fundamental na terapia ou reabilitação de muitas doenças, mas este é ainda mais importante na prevenção dessas mesmas doenças (Barata,1997). Uma AF regular de intensidade moderada proporciona ao idoso melhoria nos níveis de força, capacidade aeróbia, flexibilidade, equilíbrio, agilidade, coordenação, entre outras capacidades. O equilíbrio destas capacidades contribui para a manutenção da densidade óssea, evitando ou diminuindo o risco de osteoporose e as complicações que daí advêm (Kell, Bell & Quinney, 2001).

Para o American College Sports of Medicine (ACSM, 2010), e a American Heart Association (AHA, 2007), participar em atividades físicas regulares e moderadas pode retardar o declínio funcional dos indivíduos. De facto, aumentar a prática de AF regular aumenta a longevidade, a flexibilidade, a funcionalidade e independência a resistência óssea, o bem-estar, melhora o sono, o controlo de peso e diminui o risco de enfarte do miocárdio, de Acidente Vascular Cerebral (AVC), de desenvolver Diabetes Mellitus

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tipo II, de algumas doenças neoplásicas, risco de fraturas, de desenvolver a depressão, obesidade, de perda de memória e de desenvolver demência (Ettinger, 1996).

Segundo Matsudo e Matsudo (1993) a AF promove o aumento do volume sistólico, diminui a frequência cardíaca no repouso; aumenta a ventilação pulmonar; diminui a pressão arterial e melhora do perfil lipídico. Segundo os mesmos autores, no que se refere à resistência óssea, esta pode ser preservada, tanto por homens como por mulheres, mantendo-se fisicamente ativos, mesmo que tenham sido inativos no passado. Analisando o processo de envelhecimento normal constata-se que há uma diminuição gradual da densidade óssea, daí que é importante participar em programas de AF que permitem manter ou até mesmo aumentar a densidade mineral óssea e de todo o organismo (Mazzeo et al., 1998). Contudo, os benefícios estendem-se além do efeito direto na estrutura mineral óssea, pois se a pessoa idosa praticar regularmente AF, além de manter os ossos fortes fortalecerá os músculos, o que permite melhorar a sua coordenação e equilíbrio. Deste modo, praticar AF regularmente é essencial na prevenção das quedas e fraturas associadas, permitindo manter a independência e autonomia nas AVDs (Aveiro, Navega, Granito, Rennó, Oishi, 2004).

Além dos benefícios físicos e fisiológicos, a participação regular em programas de AF também proporciona benefícios ao nível cognitivo, emocional e social do idoso. Ribeiro e Paúl (2011) referem que a prática do exercício físico está associado a características de personalidade mais desejadas; diminuição de níveis de tensão; ansiedade e depressão; melhoria da autoeficácia, da satisfação com a vida.

Apesar dos inúmeros benefícios conhecidos e adquiridos com a prática da AF, grande parte da população ainda permanece bastante sedentária. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, INE, (2002), resultados obtidos através do Inquérito Nacional de Estatística em 1998 e 1999, mostraram que a maioria dos idosos (excluindo os acamados e os que se encontravam em situação de morbilidade) não praticou AF nos 12 meses anteriores ao preenchimento do questionário, dando preferência a outras atividades sedentárias tais como ver televisão ou ler.

Vários organismos institucionais têm assumido, de forma consensual, os benefícios da prática regular da AF na promoção da saúde. De entre estas posições podemos destacar, a do Surgeon General Report (CDC, 1996) dirigida a todas as faixas etárias, a do ACSM (2010) direcionada para pessoas adultas e idosas.

Na opinião do CDC, (1996), a AF regular produz efeitos positivos no sistema músculo-esquelético, cardiovascular, respiratório e endócrino. Além disso, e como refere esta instituição, o efeito do exercício nestes sistemas está associado a melhorias

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da densidade mineral óssea, massa muscular, e a inúmeros benefícios, incluindo o decréscimo do risco de morte prematura e a redução do risco de doença coronária, hipertensão, cancro do cólon, diabetes mellitus e resistência à insulina e obesidade. Também o ACSM (2010), subscreve a posição do CDC (1996) e acrescenta que a AF em idades avançadas pode contribuir para a manutenção de outras componentes da aptidão física, como a capacidade aeróbia, a força muscular, a flexibilidade e o tempo de reação. McDermott e Mernitz (2006) referem que a atividade aeróbia, o treino de força, e os exercícios de flexibilidade praticados em idades avançadas, promovem o aumento de nível e a habilidade de realizar as AVDs, contribuindo para a redução da dependência de terapêutica farmacológica, menos custos com a saúde e melhoria da QV desta população.

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3. APTIDÃO FÍSICA E FUNCIONAL E SUAS COMPONENTES

A habilidade de realizar as atividades diárias, bem como a performance física atinge o seu pico máximo por volta dos 30 anos de idade e, depois disso declina com a idade (Hunter, McCarthy, & Bamman, 2004). O declínio das capacidades físicas e as alterações fisiológicas decorrentes do processo de envelhecimento geram perdas da capacidade funcional, contribuindo para a dependência física do idoso (Tribess & Virtuoso, 2005). Desta forma a queda da aptidão física com o envelhecimento é um facto inexorável, que se inicia de forma gradativa, ao redor da quinta década de vida (Alves, Mota, Costa, & Alves, 2004).

Os primeiros estudos relacionados com a aptidão física remontam meados do século XIX. A maioria das pesquisas conhecidas foi realizada nos Estados Unidos da América e no Canadá. Em Portugal as preocupações com a aptidão física surgiram na década de 70, porém os primeiros estudos realizados no âmbito da avaliação da aptidão física em idosos surgiram por Lopes (1996) e Calejo (1997).

O conceito de aptidão física tem sofrido algumas alterações ao longo dos anos, onde refletem as diferentes preocupações dos investigadores das áreas do desporto, saúde e da epidemiologia.

Em 1948, Darling, Ludwing, Heath & Wolff, definiram aptidão física como a capacidade funcional de um indivíduo para cumprir uma tarefa. Fleishman (1964) descreve a aptidão física como a capacidade funcional do indivíduo em realizar alguns tipos de atividade que exigem empenhamento muscular e Karpovich (1965) interpreta a aptidão física como o grau de capacidade para executar uma tarefa física particular sob condições específicas do ambiente, englobando as definições que se referem unicamente à capacidade funcional.

Em 1989, a Alliance for Health, Physical Education, Recreation and Dance - AAHPERD, define como aptidão física um estado físico de bem-estar que permite às pessoas realizar as atividades e reduzir os problemas de saúde, relacionados com a falta de exercício e proporcionar uma base de aptidão para a participação em atividades físicas. Em 1988, Pate referencia os conceitos de aptidão física, aptidão motora e performance física. O autor descreve aptidão física como um estado caracterizado por uma capacidade de executar atividades diárias com vigor e demonstração de traços e

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capacidades associadas com o baixo risco de desenvolvimento prematuro de doenças hipo cinéticas, direcionando a definição de aptidão física para saúde e bem-estar. De acordo com o autor, a definição de aptidão física faz referência à capacidade funcional que inclui o que se designa por aptidão relacionada com a saúde. Também para Malina (1993), aptidão física e aptidão motora são conceitos diferentes, estando a aptidão física relacionada com a saúde, ao passo que aptidão motora está orientada para o rendimento desportivo.

Baseado na relação entre AF e a funcionalidade, surgiu o conceito ApF, introduzido por Rikli e Jones em 1998 e 1999, podendo ser definida como a capacidade fisiológica para realizar as atividades normais diárias de forma satisfatória e eficaz, incluindo as componentes como a força muscular, a flexibilidade, a resistência aeróbia, a agilidade motora/equilíbrio dinâmico e o índice de massa corporal (IMC). Em 2001, os mesmos autores, reforçaram ao termo ApF como a capacidade fisiológica e/ou física para executar as atividades da vida diária de forma segura e autónoma, sem revelar fadiga (Rikli & Jones, 2001).

Para Tribess e Virtuoso (2005), o termo aptidão física também pode ser utilizado como ApF. Estes dois autores, tal como Rikli e Jones em 1998, 1999 e 2001, defendem que, para os idosos, as componentes da ApF que se destacam são a cardiorrespiratória, a força, a flexibilidade, a agilidade, o equilíbrio, o tempo de reação e a coordenação. Estas qualidades físicas atuam como preditores da capacidade funcional, pois reúnem condições para que o indivíduo consiga realizar as suas tarefas do dia-a-dia de forma satisfatória.

Com o envelhecimento, torna-se mais importante a manutenção e melhoria das capacidades físicas e funcionais, assim como os níveis de saúde, que possibilitem uma vida independente e com qualidade. A definição de ApF defendida por Rikli e Jones (2001), será, então, a que melhor se enquadra no âmbito do nosso estudo, ou seja, como a capacidade fisiológica e/ou física para executar as atividades de vida diária de forma segura e autónoma, sem revelar fadiga. Para os autores, a avaliação da flexibilidade, da força muscular, da resistência aeróbia, da agilidade/equilíbrio, bem como da composição corporal são essenciais para se definir a ApF de um idoso, pois formam um conjunto de componentes relevantes à capacidade funcional do mesmo.

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3.1 ALTERAÇÕES NAS COMPONENTES DA APF COM O ENVELHECIMENTO

Apesar de o envelhecimento ser inevitável, as alterações fisiológicas e motoras decorrentes deste processo são extremamente variáveis de indivíduo para indivíduo, estando condicionado por fatores intrínsecos e extrínsecos, modificações, estas que têm efeitos negativos para o idoso, nomeadamente ao nível da mobilidade funcional, limitando a sua capacidade de realizar as mais variadas tarefas do quotidiano (Rogers e Evans, 1993; Shephard, 1997; Rikli & Jones, 2001; ACSM, 2010). Estas tarefas de vida diária requerem força muscular, resistência aeróbia, flexibilidade, agilidade e equilíbrio, assim como uma ótima relação entre a altura e o peso (IMC), para serem executadas com sucesso. Estas componentes descritas, são consideradas por Rikli e Jones, (2001) como as importantes para o dia-a-dia do idoso. Segundo estes autores, um dos requisitos para que o idoso mantenha a sua independência e autonomia funcional é possuir um nível adequado de ApF.

De igual modo, Botelho (2002), refere que algumas das componentes referidas são de extrema importância para o dia-a-dia dos adultos idosos. A força, a flexibilidade, a resistência aeróbia, o equilíbrio, entre outras, são componentes da ApF bastante importantes para a realização de inúmeras atividades de vida diária e possibilitam aos idosos manter, melhorar ou obter autonomia e independência.

Sendo a ApF definida como a capacidade fisiológica de desempenhar atividades normais do dia-a-dia de forma segura e independente, sem fadiga (Rikli e Jones, 1999) e é composta por parâmetros que suportam a mobilidade funcional e a independência física, como por exemplo, a força muscular, a aptidão cardiorrespiratória, a flexibilidade e o equilíbrio, importa conhecer de que modo estas componentes são afetadas pelo processo de envelhecimento, assim como o papel da AF na manutenção das mesmas.

3.2 ALTERAÇÕES NA FORÇA MUSCULAR

Spirduso (1995), define a força muscular, como a quantidade de força que pode ser produzida, quer de modo isométrico quer dinâmico, assim como, de se contrair continuamente a níveis submáximos. É uma componente associada à função músculo-esquelética e resulta da contração muscular, possibilitando mover o corpo, levantar objetos, empurrar, puxar, resistir a pressões ou suster cargas. Uma boa condição muscular favorece uma maior capacidade para realizar as atividades do quotidiano com maior eficácia e menos fadiga, proporcionando melhor desempenho e um menor risco

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de lesões nas atividades desportivas (Nahas, 2003). Também Mazo, Lopes e Benedetti, (2001), definem força muscular como a capacidade do ser humano, com base nos processos metabólicos e de enervação, vencer ou opor-se a uma resistência através da sua estrutura muscular.

Rikli e Jones (2001) e o ACSM (2010), referem-se à força como uma capacidade motora e biológica, fundamental para o desempenho das atividades físico desportivas, recreativas e do dia-a-dia, sendo essencial para a manutenção de uma boa QV e um fator importante para a saúde dos indivíduos, em particular dos mais velhos.

Nos idosos, a força assume um papel de extrema importância na execução das denominadas AVDs, tais como ir às compras, subir e descer escadas, levantar-se e sentar-se numa cadeira ou sair do carro (Spriduso, 1994;1995), na preservação da capacidade em participar em atividades sociais como dançar, realizar visitas culturais, na realização de atividades de lazer ou de desporto (Lexell, 1993).

Dentro das alterações sofridas com o processo de envelhecimento, a força é a que tem sido alvo de várias pesquisas (Rogers & Evans, 1993), considerada por inúmeros investigadores como sendo a componente fundamental da ApF (Llano, Manz & Oliveira, 2004), estando associada ao estado de saúde funcional dos indivíduos (ACSM,2010). A diminuição da massa muscular tem sido sugerida como a principal razão para a redução na capacidade de produção de força com a idade (Fleck & Kraemer, 1999; Deschenes, 2004; Hunter et. al, 2004), sendo evidente esta redução da massa muscular e da força em pessoas idosas comparadas com os jovens (Roubenoff, 2000; Hunter et. al., 2004), e contribuir para uma diminuição da performance muscular, para a fragilidade e perda de autonomia ( Henwood & Taaffe 2008).

A perda progressiva da quantidade e qualidade muscular, normalmente chamada de sarcopenia, leva a uma fraqueza muscular interferindo de forma significativa na manutenção da postura, na locomoção e na realização das AVDs (Thompson, 2002), levando a um aumento na prevalência das quedas, maior morbilidade e perda de autonomia funcional (Carmeli, Coleman & Reznick, 2002). O envelhecimento muscular (sarcopenia), parece ser causado por múltiplos fatores: alterações das transmissões do sistema nervoso central (SNC) aos músculos, com a perda de neurónios motores (Fleck & Kraemer, 1999); diminuição da ativação das unidades motoras (Hunter et al, 2004); redução do metabolismo basal (Evans & Campbell, 1997); diminuição das células contrácteis (Balagopal, Rooyackers, Adey, Ades & Nair, 1997); redução do número de fibras musculares (Deschenes, 2004); desenervação (Hunter et al, 2004); redução da produção dos harmónios de crescimento (GH), estrogénio, androgénio e testosterona

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(Deschenes, 2004); aumento da inatividade (Evans & Campbell, 1997; Roubenoff, 2000).

Por outro lado, Mazzeo et al. (1998), referem que o consumo inadequado de proteína, ou seja, a ingestão diária que diminui ao longo dos anos também pode ser considerada como causadora da perda da massa muscular, assim como o aumento da gordura intramuscular (Dantas & Oliveira, 2003).

De acordo com o ACSM (2010), há uma diminuição da força muscular de aproximadamente 30% entre os 20 e os 75 anos de idade em ambos os sexos, com uma maior perda de força após os 50 anos e após a menopausa. Entretanto, a perda mais acentuada da força e da massa muscular ocorre após os 80 anos (Rogers & Evans, 1993), observando-se uma redução da força, potência e resistência dos músculos esqueléticos, traduzindo-se numa diminuição da ApF muscular (Deschenes, 2004), sendo a redução da força com a idade mais notável nos músculos dos membros inferiores (Carmeli, Reznick, Coleman & Carmeli, 2000; Hunter et al, 2004; ACSM; 2010), o que implica maiores dificuldades em realizar atividades como andar, baixar-se, equilibrar-se, levantar-se etc. (Carmeli et al, 2000).

A decadência da força associada ao envelhecimento está, também, relacionada com a perda de densidade mineral óssea (Hurley & Roth, 2000) e com o aumento das fraturas, nomeadamente da bacia (Hurley & Hagberg, 1998).

O declínio da força muscular pode ser atribuído, não só à perda de massa e volume muscular, devido à diminuição quer do número, quer do tamanho das fibras musculares (Porter, Vandervoort & Lexell 1995), como também a algumas alterações da capacidade muscular em gerar força, nomeadamente, ao nível do recrutamento de fibras musculares, ou ainda a conjugação destes dois fatores, o que torna o músculo do idoso intrinsecamente mais fraco (Thompson, 1994). De acordo com Lexell (1993), a perda de fibras parece ser, no entanto, a principal explicação para a redução da área muscular com a senescência, do mesmo modo que Welle (2002) considera que a perda de neurónios constitui a principal causa para o decréscimo do número de fibras. Com o envelhecimento, assiste-se a uma diminuição do número de neurónios (Doherty, Vandervoort & Brown, 1993; Welle, 2002) e a uma desenervação seletiva das fibras tipo II, resultando deste facto a consequente perda de força (Brooks & Faulkner, 1994; Spirduso, 1995; Welle, 2002). A perda de axónios medulares, com o envelhecimento, pode chegar aos 40%, pelo que a diminuição da velocidade de condução pode chegar aos 15% (McArdle, Katch & Katch, 1994).

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No entanto, tem sido difícil esclarecer, de forma evidente, se o decréscimo da força com o avançar da idade se deve ao desuso (Spirduso, 1995), já que o homem tende a ser, cada vez mais, inativo à medida que vai caminhando de adulto jovem para adulto idoso, ou devido ao decréscimo da massa muscular, ou ainda devido à desenervação seletiva das fibras tipo II (Welle, 2002). Spirduso (1995), baseando-se no estudo longitudinal efetuado por Kallman, Plato e Tobin em 1990, afirma que o ritmo do decréscimo da força não é, apenas, uma questão específica de cada indivíduo, mas também, e essencialmente, um problema específico de cada grupo muscular na perda da sua massa muscular e funcionalidade.

Embora o declínio da força e da massa muscular esteja associada aos inúmeros fatores acima mencionados, a variável mais importante para a perda muscular em idosos é a inatividade física (Rikli e Jones, 2001).

Felizmente, através de um programa de AF adequado, regular, sistemático e organizado, é possível atenuar os efeitos do envelhecimento sobre o sistema músculo-esquelético, trazendo melhorias a nível da força muscular, da densidade mineral óssea diminuindo o risco de osteoporose e aumento da resistência à fratura, melhoria da coordenação neuromuscular e estabilidade postural e redução do risco de quedas. (Spirduso, 1995; ACSM 2010).

3.3 ALTERAÇÕES NA FLEXIBILIDADE

A flexibilidade pode ser definida, como a capacidade de uma articulação se mover na sua máxima amplitude de movimento (ACSM, 2010), sendo específica de cada articulação. Pereira (1997), define a flexibilidade como a capacidade que permite a realização de ações motoras, envolvendo um ou mais centros articulares, com grande amplitude e harmonia de movimento, mantendo a estabilidade articular fisiológica. Também Llano et al., (2004) considera a flexibilidade como uma capacidade física responsável pela execução voluntária de um movimento de amplitude angular máxima, por uma articulação ou conjunto de articulações, dentro dos limites morfológicos sem o risco de provocar lesão. De acordo com o mesmo autor, esta componente da ApF deve ser estimulada na infância, na adolescência, na vida adulta e na velhice, colaborando assim, com a manutenção da autonomia nas atividades diárias das pessoas, sobretudo na idade avançada.

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Para Spirduso (1995), a perda da flexibilidade, não só reduz a quantidade e a natureza do movimento, realizado por uma articulação, como também, aumenta a possibilidade de lesões nas articulações, músculos e ligamentos que as constituem.

A flexibilidade é influenciada pela idade, principalmente a partir dos 55 anos, com reflexo sobre o aumento da dificuldade na locomoção, na realização de diferentes tarefas do dia-a-dia e no aparecimento de problemas na coluna vertebral (Carvalho & Mota, 2002), sendo a redução da mobilidade da coluna vertebral, uma das características do processo de envelhecimento com maior declínio e mais implicações na saúde dos idosos (Botelho, 2002). Considerando a componente da saúde, verifica-se, frequentemente, em indivíduos adultos problemas relacionados, entre outros fatores, à baixa flexibilidade da parte inferior da coluna lombar, tais como, lombalgias incapacitantes para a realização de diferentes tipos de movimentos (Carvalho, 2003). Julga-se que essas dificuldades estão associadas à pouca flexibilidade na região posterior dos membros, tais como tendões e músculos, da bacia e anca e na coluna lombar (Pollock & Wilmore, 1993).

A amplitude de movimento de uma dada articulação depende da estrutura e função do osso; do músculo e tecido conjuntivo da cápsula articular; da habilidade para gerar força muscular; e da capacidade de tolerar a dor. O envelhecimento afeta as estruturas destes tecidos, traduzindo-se numa menor amplitude e mobilidade articular para a realização de ações motoras (ACSM, 2010).

A diminuição de colagénio nos tendões, as alterações no tecido conjuntivo da cápsula articular, a perda de elasticidade muscular, bem como, o aumento do armazenamento intersticial de gordura no tecido muscular, parecem ser as causas da diminuição da flexibilidade no idoso (Shephard, 1994), sendo a maior causa deste declínio a falta de movimento, uma vez que as articulações mais afetadas são aquelas que não são utilizadas na realização das atividades diárias. Por outro lado, os mecanismos degenerativos músculo-esqueléticos, o desenvolvimento de doenças como a artrite, osteoporose, arteriosclerose, contribuem de igual forma para um decréscimo significativo da função neuromuscular e da flexibilidade (Holland, Tanaka, Shigematsu & Nakagaichi, 2002).

Devido ao número elevado de modificações biológicas e fisiológicas provocadas pelo envelhecimento, observaram-se dificuldades evidentes, nos idosos, relativamente à eficiência da execução de ações motoras, tais como: subir e descer escadas, caminhar e realizar determinados movimentos com lentidão (Mazo, et al., 2001), ocorrendo estas situações devido à progressiva diminuição da velocidade, força, resistência,

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coordenação motora e flexibilidade, sucedendo-se em simultâneo, com a perda de propriedades e capacidades cognitivas e psíquicas, bem como, de interação sócio afetiva (Padilha, 2007).

Segundo Shephard (1994), existe um decréscimo na flexibilidade com o avanço da idade, aproximadamente 20% entre as idades de 25 – 65 anos, acelerando-se a taxa de deterioração a partir dos 65 anos, sendo, no entanto, um processo individual, uma vez que, existem diferenças entre pessoas da mesma faixa etária, no domínio do desempenho de movimentos com grande amplitude articular, devido a fatores genéticos e ambientais que cada indivíduo está sujeito (ACSM, 2010). A redução da flexibilidade com a idade, está dependente de alterações da capacidade de alongamento dos tecidos moles que envolvem a articulação, e da diminuição dos níveis de AF (Heyward, 1991), referindo este mesmo autor, que a amplitude de movimento reflete mais o nível de AF ou treino do indivíduo, que propriamente a sua idade. O declínio médio da flexibilidade, tanto em adolescentes, como adultos e adultos idosos deve-se a baixos níveis de AF, como também à ausência da prática regular de exercício físico.

Num estudo realizado por Alves et al. (2004), com mulheres idosas praticantes de hidroginástica, observaram-se melhorias significativas na flexibilidade após um programa de 12 meses de alongamentos, caminhada e de dança, referindo estes mesmos autores que a flexibilidade aumenta, sempre que trabalhada de forma regular e adequada. Num outro estudo desenvolvido por Farinatti, Soares e Vanfraechem, (1995), acerca do efeito de um programa de treino de flexibilidade, em mulheres idosas, averiguaram-se aumentos altamente significativos de flexibilidade, o que se conclui que existe uma relação direta entre os níveis de AF habitual e os valores médios da flexibilidade, o que leva a crer que a redução da flexibilidade que ocorre com a senescência pode ser minimizada com o aumento dos níveis de AF habitual e com a prática regular e sistemática de um programa de exercício físico adequado à 3ª Idade.

A realização sistemática de exercícios de flexibilidade mantém a elasticidade necessária dos tendões, ligamentos e músculos, permitindo assim uma amplitude de movimento da articulação completa (Spirduso, 2005), justificando-se a implementação regular progressiva de um programa de exercícios de flexibilidade nos seus diferentes efeitos na funcionalidade, autonomia e saúde dos idosos (Carvalho & Mota, 2000).

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3.4 ALTERAÇÕES NA RESISTÊNCIA AERÓBIA E CARDIORRESPIRATÓRIA

Para a realização de AVDs como caminhar, ir às compras ou participar em atividades lúdicas ou recreativas é necessário possuir um nível adequado de resistência aeróbia (Rikli e Jones, 2001).

Por capacidade cardiorrespiratória entende-se como a habilidade de realizar atividades físicas de carácter dinâmico que envolvam grande massa muscular com intensidade de moderada a alta por períodos prolongados, e, é dependente do estado funcional dos sistemas respiratório, cardiovascular, muscular e de suas relações fisiológico-metabólicas (Fleck & Kraemer, 1999). A aptidão cardiorrespiratória de um indivíduo refere-se à capacidade funcional dos seus sistemas de absorção, transporte, entrega e utilização de oxigénio pelos tecidos durante a AF (Spirduso, 2005).

Já por capacidade aeróbia entende-se como a capacidade do sistema cardiovascular distribuir sangue e oxigénio aos músculos ativos e destes músculos utilizarem o oxigénio e os restantes substratos energéticos para trabalhar durante esforços máximos (Astrand & Rodhal, 1986). Assim, por capacidade aeróbia, entende-se a combinação da capacidade do sistema cardiorrespiratório, em transportar oxigénio aos tecidos ativos e do potencial destes o consumirem, sendo a resistência aeróbia definida como a capacidade de continuar ou persistir em tarefas prolongadas que envolvam grandes grupos musculares.

A resistência aeróbia é usualmente avaliada pelo consumo máximo de oxigénio VO2 max. O VO2 max. é usado para determinar a capacidade aeróbia máxima ou

potência aeróbia, e reflete na proporção máxima que o oxigénio pode ser distribuído e usado pelo corpo durante o exercício que envolve grandes massas musculares (Spirduso, 2005). Esta capacidade decresce com o passar dos anos de tal modo que o consumo máximo de O2 diminui entre 5 a 15% por década após os 30 anos, passando

para 50% a partir dos 70 anos (Farinatti & Monteiro, 2008), quer as pessoas ativas, quer as sedentárias apresentam declínios ao nível da sua resistência aeróbia, com o avançar da idade, nas suas funções fisiológicas centrais e periféricas, relacionadas com a capacidade de utilização e transporte de oxigénio (Lakatta, 1993).

Outros autores (Kallinen, 1998; Rikli & Jones, 2001; ACSM 2010) têm vindo a verificar o declínio da aptidão cardiovascular com o envelhecimento e, consequentemente, a redução da capacidade para realizar atividades diárias. O ACSM (2010) refere que o volume de oxigénio diminui 5% a 15% por década após os 25 anos.

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Segundo Hawkins e Wiswell (2003) esta capacidade é considerada como aquela de referência padrão da ApF, pois para além de estar intimamente relacionada com a dependência física e fraca QV, uma fraca aptidão cardiorrespiratória tem sido associada à doença cardiovascular, sendo considerada como um forte e independente fator de risco de mortalidade (idem).

Com o envelhecimento observa-se que a resistência aeróbia diminui pelo decréscimo da frequência cardíaca (FC) máxima, pela diminuição acentuada do volume sistólico máximo, pela diminuição da contractilidade do músculo cardíaco e pela diminuição alveolar restringindo a função pulmonar (Appel & Mota, 1991; Spirduso, 1995). A diminuição da massa muscular, a diminuição da capacidade dos músculos utilizarem oxigénio, a incapacidade de redistribuir o sangue para os músculos ativos, o aumento da resistência vascular periférica e o aumento da pressão arterial levam a uma diminuição da capacidade aeróbia total (Spirduso, 1995; Shephard, 1997).

Vários estudos apresentados por Rikli e Jones (2001) indicam que este declínio pode ser evitado caso o idoso se mantenha fisicamente ativo. Segundo o ACSM (2010) os idosos deveriam ser encorajados a realizar pelo menos 30 minutos de AF moderada por dia e de preferência todos os dias, sendo que isto deve ser acompanhado pelas atividades do dia-a-dia.

Com o treino e resistência aeróbia são observadas melhorias no sistema cardiovascular, cardiorrespiratório, músculo-esquelético e endócrino-metabólico (Falconio, Cama & Bazano, 1994), conduzindo a um aumento do fluxo sanguíneo para os músculos ativos e da capacidade destes utilizarem o oxigénio, podendo obter-se melhorias significativas a nível periférico, bem como nível central, nomeadamente no aumento do volume sistólico. Estas alterações induzidas pelo treino de resistência moderada a elevada intensidade afetam positivamente a capacidade funcional do idoso, na medida em que aumentam a capacidade de realizar as suas tarefas quotidianas com o mínimo de fadiga (ACSM,2010).

Pimenta (2002) realizou um estudo com o objetivo de verificar a influência de um programa de AF na ApF de idosos, com a duração de cinco meses, duas vezes por semana. A avaliação da resistência cardiovascular foi feita através do teste 2 minutos de step no próprio lugar (Rikli & Jones, 2001), tendo o teste evidenciado melhorias nesta componente e com elevado grau de significância (p ≤0,000).

Assim, verifica-se que é importante compensar as perdas da capacidade aeróbia resultantes do envelhecimento através da AF regular, progressiva e adaptada à terceira

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idade. Para Rikli e Jones (2001), a manutenção de uma adequada resistência aeróbia em idosos é importante para prevenir a fragilidade e a perda de independência.

3.5 ALTERAÇÕES NO EQUILÍBRIO E AGILIDADE

Mazo et al., (2001), referem a mobilidade física (agilidade, velocidade e equilíbrio) como um conjunto de capacidades motoras, que permitem ao indivíduo alterar a posição do corpo ou a direção de um movimento, no menor tempo possível, e está diretamente relacionada com a manutenção de um estilo de vida saudável, podendo ser definida, não só, pelo número de tarefas que um indivíduo pode, ou não, desempenhar autonomamente, mas também, pelo conjunto de contextos ambientais, em que essas tarefas podem ser desempenhadas com segurança (Spirduso, 1995).

Por equilíbrio, entende-se a capacidade em manter o corpo na sua base de sustentação. Caracteriza-se pela utilização constante de informações internas e externas, no sentido de reagir a perturbações da estabilidade e ativar os músculos para trabalhos coordenados, antecipando as alterações de equilíbrio (Spirduso, 2005).

Sendo o equilíbrio um processo pelo qual os indivíduos mantêm os seus corpos numa relação específica com o meio, é um processo automático e inconsciente que permite resistir aos efeitos desestabilizadores da gravidade e a sua manutenção requer a contribuição de três áreas: a informação proveniente dos sensores do equilíbrio (visual, vestibular e somato-sensorial), a integração central no cérebro e a resposta motora (Hobeika, 1999). Também Spirduso, (2005) refere que o equilíbrio não é uma característica isolada, obriga a complexas mudanças no tónus muscular e no sistema de controlo postural, contribuindo a informação proveniente dos sensores do equilíbrio (visual, vestibular e somato-sensorial), a integração central no cérebro e a resposta motora (Meyer & Ayalon, 2006).

A degeneração destes sistemas, que ocorre com o processo de envelhecimento, constitui um importante fator de risco para o idoso, uma vez que, segundo Spirduso (1995): I) o sistema visual parece contribuir de modo mais relevante para a manutenção ou recuperação do equilíbrio, fornecendo informações constantes acerca do meio envolvente, como a localização, direção e velocidade de deslocamento do sujeito; II) o sistema vestibular, localizado no ouvido interno fornece informações acerca dos movimentos da cabeça; III) o sistema sensório-motor ou somato-sensorial é considerado um fator essencial para o equilíbrio e controlo motor, informando acerca da posição e contacto corporal. Nele estão incluídos os recetores cutâneos e musculares.

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De igual modo, as alterações degenerativas da coluna vertebral, tal como a falta de força nos membros inferiores, influenciam negativamente e diminuem a capacidade dos idosos em manter o equilíbrio, quer estático, quer dinâmico (Spirduso, 1995). O autor reforça a ideia de que, quanto maior forem as limitações do idoso, mais restritos serão esses contextos. Pequenos gestos do dia-a-dia, como transferir objetos de um sítio para outro, abrir e fechar portas ou janelas, são tarefas que fazem os idosos deslocarem-se lateralmente para a frente e para trás, apelando de forma contínua à expressão do seu equilíbrio dinâmico (Spriduso, 1995). O equilíbrio dinâmico e a agilidade são capacidades particularmente importantes para a funcionalidade, independência e autonomia dos adultos idosos. As tarefas quotidianas podem tornar-se num verdadeiro desafio se esta capacidade diminuir ou estiver limitada, com o avançar da idade.

Na opinião de Rikli e Jones (2001), para se obter sucesso na performance das atividades diárias, a agilidade e o equilíbrio devem ser trabalhados juntos. Para as autoras, a combinação da agilidade (envolve velocidade e coordenação) e do equilíbrio (manter a estabilidade postural) é importante para vários tipos de modalidades que requerem rápidas manobras do dia-a-dia. Dentre as várias atividades que necessitam um bom equilíbrio, Cho, Scarpace e Alexander (2004) referem o equilíbrio durante a marcha, definido como a habilidade de integrar com sucesso, os ajustes posturais, com estratégias locomotoras para manter a marcha segura, para um conjunto de tarefas de complexidade diferentes.

A falta de equilíbrio e a debilidade muscular têm sido referidos na literatura como os principais fatores de risco de mobilidade limitada e de quedas. Vários fatores neuromusculares têm sido apontados, não só, por aumentar o risco de quedas dos idosos, particularmente em mulheres, mas também, por perdas de flexibilidade, de força e de equilíbrio (Ramilo, 1994; Rogers & Evans, 1993). Também para Duncan, Weiner, Chandler e Studenski (1990), a manutenção de uma postura correta é considerada uma tarefa complexa, dado que são imprescindíveis mecanismos neuromusculares apurados de forma a conservar essa posição. Estes mecanismos de controlo postural, degeneram com o avançar da idade e com o surgimento de doenças, tornando o equilíbrio mais precário e reduzido, aumentando, consequentemente, a suscetibilidade para ocorrência de quedas (Botelho, 2002).

Pereira (2008), refere que as quedas são o maior problema de saúde na 3ª Idade, sendo estimado que 30% das pessoas idosas com 65 anos, caem pelo menos uma vez por ano e que esta percentagem vai aumentando à medida que aumenta a idade, caindo anualmente 50% dos idosos com idade acima dos 80 anos (Helbostad, Leirfall,

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Moe-Nilssen & Sletvold (2007), havendo entre 10 a 15 % dos idosos que sofreram fraturas, em particular na anca, apresentam uma esperança de vida mais reduzida e uma redução significativa da QV (Oddsson, 2007).

Desta forma, a participação em programas de AF regular e sistemática, pode melhorar diversos fatores relacionados com o controlo postural (Gauchard, Tessier, Jeandel & Perrin, 2003). Segundo o mesmo autor, a AF regular e programada, tem efeitos benéficos sobre o alinhamento postural, sobre a sensibilidade propriocetiva e sistema vestibular, sobre a força dos membros inferiores e amplitude articular e sobre a velocidade de reação e movimento. Também para Hong e Robinson (2000), o equilíbrio estático e dinâmico dos idosos que participam em programas de AF regular, evidencia melhores índices quando comparado com aqueles que não fazem exercício. Spirduso (1995), refere que o contributo do exercício físico na melhoria do equilíbrio, manifesta-se ainda, de outras formas: interfere positivamente nos reflexos; melhora a forma de andar; aumenta a flexibilidade; melhora a mobilidade; diminui o risco de doenças cardiovasculares; e reduz o risco de hipotonia postural.

Llano et al. (2004), acrescentam, ainda, que o exercício físico contribui para o aumento dos níveis de memória, concentração e atenção, favorecendo o funcionamento do SNC, estimula os reflexos, aumenta a capacidade de reação, adia o abrandamento da velocidade de movimento, reeduca o equilíbrio, exercita a propriocetividade e contribui para a manutenção da capacidade de coordenação.

Desta forma, os exercícios de equilíbrio devem ser incluídos nos programas de AF para a 3ª Idade (Carvalho & Mota, 2000), incluindo exercícios posturais, de flexibilidade e de força, com o objetivo de melhorar o equilíbrio e prevenir quedas (DeVito, Morgan, Dugue, Abdel-Moty & Virnig 2003).

3.6 ALTERAÇÕES NA COMPOSIÇÃO CORPORAL

A composição corporal pode ser definida como um todo resultante da disposição das suas partes constituintes, que são a água, as proteínas, a gordura e os minerais (Matsudo, 2001), sendo os três maiores componentes estruturais a massa muscular ou massa magra, a massa gorda e a massa óssea (Maia, Lefevre, Beunen & Claersens 1999). De acordo com o ACSM (2010), a composição corporal, refere-se à percentagem relativa do peso corporal representado por duas componentes, ou seja, pela massa magra, que compreende todos os tecidos corporais isentos de gordura, tais como o esqueleto, a água, o músculo, o tecido conjuntivo, os tecidos orgânicos e os dentes, e,

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pela massa gorda, que engloba a gordura incorporada nos órgãos e tecidos e gordura não essencial do tecido adiposo.

Com o processo de envelhecimento, existem mudanças, principalmente na estatura, no peso e na composição corporal, sendo considerada uma das mais evidentes alterações que acontecem com o aumento da idade cronológica (Spirduso, 2005). De acordo com o mesmo autor, a altura é perdida gradualmente com o envelhecimento, devido a vários fatores como padrões de AF, dieta, hereditariedade, peso, mas principalmente devido ao achatamento das vértebras relacionado com fatores osteoporóticos, estreitamento dos discos intervertebrais e postura cifótica, característica desta faixa etária.

No que respeita ao peso corporal, nas mulheres sofre um incremento com o passar dos anos, que geralmente começa por volta dos 45 a 50 anos, estabilizando aos 70 anos, começando, depois a declinar (Matsudo, Matsudo & Neto, 2000), ocorrendo nos homens um aumento do peso até os 40 anos, existindo, depois, um declínio gradual (Carvalho & Mota, 2002). Spirduso (1995) refere, no entanto, que em ambos os sexos, a perda de peso acelera depois dos 80 anos. Estas alterações no peso e na estatura modificam o índice de massa corporal (IMC) com o passar dos anos (Matsudo et al., 2000).

A relação entre a massa corporal e a altura, é expressa pelo IMC, um indicador bastante utilizado para a determinação do excesso de peso / obesidade, para uma população sedentária, porque se relaciona com a massa gorda, considerando-se valores elevados, ou demasiado baixos, com a taxa de mortalidade (Spirduso, 2005). Apesar de habitualmente utilizado, este indicador (IMC) quando aplicado individualmente ou a pequenos grupos de idosos, pode apresentar algumas limitações relacionadas quer com a estrutura fisiológica individual, quer com a habitual substituição de massa magra por massa gorda, que acontece com o envelhecimento (Veríssimo, 2001). Segundo este autor, esta maior proporção de massa gorda que habitualmente é encontrada nos idosos, relaciona-se positivamente com doenças cardio-cerebrovasculares, enquanto a redução da massa magra, também habitual nos idosos, se associa à diminuição da força muscular e da capacidade funcional. Assim, esta fórmula de calcular o IMC (calculado através do valor do quociente em peso, expresso em quilogramas, e pela estatura elevada ao quadrado, expressa em metros), em idosos, deve ser ponderada, pois pode acarretar problemas de interpretação, gerando resultados subestimados, justamente devido às alterações no peso e na altura (Fragoso & Vieira, 2000). Também para Lohman (1992), o IMC é importante para estudos de natureza epidemiológica, de crescimento e de

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Tabela 3. Comparação das componentes da ApF (média ± desvio padrão) no pré-teste  (M1) e pós-teste (M2)

Referências

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