PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PLANEJAMENTO TERRITORIAL E DESENVOLVIMENTO SOCIOAMBIENTAL - MPPT
―ACORDE SÃO JOAQUIM‖: IDENTIDADE LOCAL E VOCAÇÃO TURÍSTICA
Sandra da Silva Bertoncini
Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado
Profissional do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Territorial e Desenvolvi-mento Socioambiental do Centro de Ciências Humanas e da Educação da Universidade do Estado de Santa Catarina, sob orientação do Professor Doutor Pedro Martins.
turística. Dissertação de mestrado – MPPT/UDESC. Florianópolis, 2011.
RESUMO
Esta dissertação trata de analisar a vocação turística e a identidade local do município de São Joaquim, com o objetivo de compreender se a população local está preparada para o desenvolvimento proposto pelo Projeto ―ACORDE São Joaquim‖, assim como se o planejamento inserido neste projeto pode transformar o município e região no melhor destino turístico de inverno do Brasil. Parte-se de categorias e conceitos de turismo, planejamento, desenvolvimento regional, segundo o referencial teórico utilizado para a pesquisa. O estudo fez uso de metodologia qualitativa para a coleta e análise dos dados coletados, onde opta-se por reduzir a abrangência em benefício da profundidade. Para tanto, foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com representantes do poder público de São Joaquim, comunidade local e da sociedade civil organizada, envolvidas no turismo para tentar compreender a vocação turística do município. Para a análise dos dados foi feito o cruzamento das informações coletadas nas entrevistas e os resultados levam a crer que o esforço desenvolvido pelo poder público coincide com os interesses dos empreendedores externos, e normalmente choca-se com os interesses das populações autóctones, mais voltada para o empreendedorismo tradicional. Os agentes públicos, por sua vez, tendem a ver na ausência de interesse dos nativos pelos empreendimentos turísticos uma incapacidade para o empreendedorismo e uma cultura voltada para o imediatismo.
vocation. Master’s thesis – MPPT/UDESC. Florianópolis, 2011.
ABSTRACT
This thesis analyses the tourist vocation and the local identity in the municipality of São Joaquim and it is aimed at understanding if the local population is prepared for the development of the Project ―ACORDE São Joaquim‖, as well if the planning inserted into this Project can transform the municipality and the region in the best winter tourist destination of Brazil. It starts with categories and concepts of tourism, planning, regional development, under the theoretical reference used by the research. The study made use of the qualitative methodology for data collection and analysis, in which the option is reduce the coverage for the benefit of the depth. For that, semi-structured interviews were conducted with the representatives of São Joaquim government, local community and organized civil society, which are involved in the tourism, trying to understand the tourist vocation of the municipality. To analyze the data, it was made a crossing of the collected interviews information and the results lead us to believe that the effort developed by the government matches with that of the external entrepreneur’s interests, and normally clashes with the interests of the autochthonous population, who is more focused in the local entrepreneurship. The government officials, on the other hand, tend to see the absent of interest of the natives for tourists enterprises as an inability for the entrepreneurship and a culture directed for the immediatism.
INTRODUÇÃO...01
CAPÍTULO I – SÃO JOAQUIM: VOCAÇÃO TURÍSITICA?...10
CAPÍTULO II –―ACORDE‖ - UM PROJETO PARA SÃO JOAQUIM... 32
CAPÍTULO III – TURISMO X IDENTIDADE LOCAL... 59
CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 70
BIBLIOGRAFIA CITADA ... 74
ANEXOS
Anexo 01 - Iconografia
INTRODUÇÃO
O presente trabalho pretende apresentar os resultados da pesquisa realizada com o propósito de constituir dissertação de mestrado que representa um requisito parcial para a conclusão do Curso de Mestrado Profissional em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental, curso este oferecido à Comunidade Catarinense pelo Programa de Pós-Graduação em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental do Centro de Ciências Humanas e da Educação da Universidade do Estado de Santa Catarina. Neste sentido, a pesquisa realizada teve como objetivo analisar a vocação turística e a identidade local do município de São Joaquim, para compreender se a população local está preparada para o desenvolvimento proposto e como, nesta perspectiva, o planejamento pode transformar o município e região no melhor destino turístico de inverno do Brasil e foi realizada no período compreendido entre o mês de março de 2009 e o mês de agosto de 2011. Nesta introdução trata-se de apresentar a motivação pessoal e o universo da pesquisa bem como todos os aspectos relacionados à proposta, ao seu desenvolvimento e à apresentação dos resultados.
A motivação para o desenvolvimento do tema surgiu como decorrência do meu envolvimento profissional quando passei a fazer parte da equipe técnica no Projeto ―ACORDE Região de São Joaquim‖. O referido projeto é uma iniciativa do Poder Executivo Estadual para desenvolver a região na área do turismo e revitalização urbana. Com a parceria de duas grandes instituições de ensino e pesquisa, a Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI e a Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, comecei, na condição de técnica da Diretoria de Planejamento, a observar a área de pesquisa com um olhar mais crítico e buscando aprofundar-me na pesquisa proposta.
indicado como um dos municípios indutores da atividade turística no Estado de Santa Catarina e tem no seu entorno, os municípios de Bom Retiro, Urupema, Urubici, Rio Rufino e Bom Jardim da Serra, com condições similares em termos climáticos. Nesse contexto, é indiscutível a potencialidade dos atrativos turísticos da região que deverão incorporar, segundo as políticas públicas em andamento, um cenário de prospecção voltado a um processo integrado para o desenvolvimento sustentável da atividade turística.
Propondo alcançar esse desenvolvimento a Região de São Joaquim, através da Secretaria de Desenvolvimento Regional de São Joaquim e da Secretaria de Estado do Planejamento, propôs a criação de um projeto com o intuito de otimizar as potencialidades da região e que, posteriormente, poderá servir de modelo para outras regiões do estado. Foi criado assim o Projeto ―Ação Conjunta de Revitalização e Desenvolvimento‖, denominado ―Projeto ACORDE‖. A sigla ACORDE remete ao verbo ―acordar‖, no sentido de mexer com a sociedade e os empresários locais, onde o turismo se apresenta como uma potencialidade alternativa, porém é pouco explorado. Portanto, esse projeto pretende fazer com que a população da região desperte e enxergue um novo cenário econômico, político e social para buscar o desenvolvimento sustentável com ações de curto, médio e longo prazos. Com este cenário de baixas temperaturas, o município de São Joaquim anualmente tem conseguido ganhar espaço de destaque na mídia nacional, de forma gratuita, o que tem atraído a cada ano mais turistas de todo o território nacional. Entretanto, existem entraves ao desenvolvimento do turismo local. Segundo acreditam os agentes responsáveis pelo turismo na região, o principal entrave é forma como ocorreu a colonização da serra catarinense que diferentemente do que ocorreu na serra gaúcha, colonizada por imigrantes italianos e alemão, na serra catarinense ocorreu por portugueses, espanhóis e índios. Tipo de ocupação do território com pouca ou até ausência de uma cultura empreendedora, agregando-se a esses fatores, a falta de um planejamento no curto, médio e longo prazos por parte dos responsáveis pela gestão pública. O projeto ACORDE envolveu estudos e pesquisas ligadas direta e indiretamente ao turismo, visando transformar a região em um polo turístico de qualidade, capaz de atrair turistas com maiores exigências e poder aquisitivo, impondo a profissionalização e investimentos de qualidade e de expressão econômica de porte em infraestrutura e serviços, tudo isso norteando na formulação, implicando no traçado de políticas públicas, na viabilização de novos projetos e na prospecção de investidores.
caracterizado por uma extensa faixa litorânea também com a serra catarinense. Oferece, assim, formas alternativas de turismo, tanto no litoral quanto no planalto. Atualmente a faixa litorânea é a mais procurada, devido às suas praias inseridas num contexto diversificado com suas conformações, as quais apresentam características que agradam os turistas, sobretudo, infraestrutura urbana aliada às belezas naturais. A Região Serrana, com cenários de montanha, possui um clima regional encontrado em apenas cinco lugares do planeta. Apesar de pouco utilizada, essa região está em franca expansão na produção de vinhos de qualidade para consumo interno e externo, conhecidos mundialmente.
Diante deste quadro, a pesquisa realizada buscou responder a algumas perguntas de partida. Como o turismo é entendido pela população da Região de São Joaquim? A população está interessada em um trabalho organizado sobre a gestão turística? Existe relação econômica entre o turismo e as demais atividades econômicas? O turismo pode se consolidar e se tornar um instrumento de planejamento e desenvolvimento dessa Região? Os agentes de interesse turístico (órgãos públicos, instituições privadas e comunidade local) conhecem e estão envolvidos com o planejamento turístico da Região de São Joaquim?
Com base nesta problemática elencou-se como objetivo geral para a presente pesquisa, analisar a vocação turística e a identidade local do município de São Joaquim, para compreender se a população local está preparada para o desenvolvimento proposto pelo Projeto ―ACORDE São Joaquim‖, assim como se o planejamento inserido nesse projeto pode transformar o município e região no melhor destino turístico de inverno do Brasil. Para a sua concretização foram propostos, como objetivos específicos, contextualizar os conceitos de turismo para a população do município de São Joaquim; compreender a importância do processo de planejamento para o desenvolvimento do município; identificar a identidade local do município; analisar a implementação do projeto ACORDE Região de São Joaquim para o município e identificar quais os impactos do projeto, para a comunidade local e a sociedade civil organizada, no processo de planejamento regional.
conjunta (Governo, Prefeitura, SDR, Sociedade). Quando compreendido como verbo e justaposto ao nome da cidade, ACORDE soa como um chamamento para a comunidade despertar e se comprometer com o projeto.
Pode-se elencar como justificativa para o desenvolvimento do presente trabalho o fato de que, nas últimas décadas, o turismo vem sendo uma atividade de importância sempre crescente na sociedade global. Esta realidade vem ganhando importância no contexto econômico, social e ambiental, além de ser um tema que vem promovendo discussões em diversos segmentos, como o empresarial, acadêmico, político e outros.
Em virtude do município de São Joaquim estar localizado em uma delimitação geográfica cujo clima regional é único no Brasil, pode-se considerá-lo como um grande potencial turístico para o estado. Diante das baixas temperaturas, o município ganha espaço gratuito nos meios de comunicação de massa, atraindo turistas de todo território nacional para os municípios dessa região. O frio intenso no inverno, a possibilidade de neve, os cenários de campos, taipas, montanhas, vales, florestas de araucárias e canyons são grandes atrativos. Com a recente descoberta da viabilidade do cultivo de vinhedos para a produção de vinhos finos de altitude, esse novo segmento econômico vem despertando o interesse de grandes empresários do estado e do Brasil para desenvolver o enoturismo, o que pode atrair mais turistas para a região.
desempregados, momento em que poderiam estar vinculados a oportunidades de empregos gerados pelo segmento turístico ou pela agregação de valor da agroindústria familiar.
Assim, a pesquisa se justifica por buscar confrontar estas avaliações, produzidas, via de regra, pelos agentes públicos do estado e da sociedade civil, com dados coletados em campo e dados decorrentes da observação costumeira, realizada no exercício também de funções públicas.
Para a realização do estudo e alcance dos objetivos propostos foram utilizados como referencial teórico, conceitos relacionados ao turismo, planejamento e desenvolvimento regional.
Sabe-se que o turismo envolve muitas áreas da economia e se diferencia nos diversos espaços do globo, necessitando assim de uma análise conceitual que envolva as condições regionais do turismo.
Lage & Milone (2000:26) declaram que ―o turismo moderno não precisa ter um conceito absoluto, mas importa o conhecimento do mecanismo dinâmico que integra‖.
A OMT (Organização Mundial do Turismo), atualmente é a organização de credibilidade internacional, responsável por diagnósticos, pesquisas e estudos do comportamento do turismo mundial. É a agência que disponibiliza, aos envolvidos com gestão e organização do turismo, pesquisas científicas, que orientam os estudos sobre esta atividade. Por isto, as correntes teóricas que sugerem a formação de um conceito para turismo, apontam para a necessidade de unir a comunidade acadêmica junto à OMT para então formular um conceito de turismo que esteja de acordo com os contextos teórico e prático desta atividade.
qualquer produto ou serviço oferecido, é saber valorizar a cultura e o patrimônio da sociedade e, além disso, estar envolvido na preservação dos meios naturais (Althoff, 2003).
O planejamento é um processo contínuo, permanente e dinâmico, do ponto de vista governamental, consiste no seu sentido mais amplo, no processo que estabelecem objetivos, define linhas de ação e planos detalhados para atingi-los e determina os recursos necessários à sua consecução.
Segundo Beni, o planejamento em nível nacional constitui uma clara competência do órgão nacional de turismo que, por meio da formulação e execução de planos nacionais de desenvolvimento turístico, promove e realiza o incremento da atividade para atingir os objetivos nacionais (Beni, 2002: 189).
Os objetivos do planejamento costumam ser formulados em uma declaração da política do turismo, que estabelece parâmetros ou diretrizes que governam planejamento do desenvolvimento no futuro. A política do turismo não é um plano do turismo, mas sim o ponto de referência em relação às decisões do planejamento que devem ser relacionadas.
O planejamento regional, enquanto conceito associado ao turismo, é visto como estratégia, com o objetivo de promover o desenvolvimento de uma região, revelando-se incapaz de eliminar o subdesenvolvimento e a pobreza, mas que implica em uma ação cuja evolução ao longo do tempo possa levar a uma nova dinâmica de produção do espaço. Adiciona-se a isto, e ao slogan do Relatório Brundtland de ―pensar globalmente e agir localmente‖, a importância de se introduzir as especificidades e peculiaridades locais e regionais para que haja um planejamento futuro.
A importância desta perspectiva encontra apoio na proposta de Matus (1996), para quem o ato de planejar permeia as organizações espaciais das mais diversas sociedades. Quem não planeja se torna escravo das circunstâncias. O planejamento oferece a possibilidade de se escolher o futuro.
Pode-se perguntar, então, se o desenvolvimento é a conseqüência do planejamento. Para Souza (1996), o desenvolvimento é o objetivo a ser atingido pelo planejamento, tendo como meta uma política de distribuição da riqueza e combate à pobreza.
por distribuição da riqueza socialmente produzida e atendimento de necessidades materiais e não-materiais elementares, não devem valer como indicadores de desenvolvimento.
Neste Capítulo, insere-se o detalhamento da metodologia utilizada na pesquisa, desde a escolha do tema até a apresentação dos resultados da pesquisa, isto é, demonstram-se os métodos e técnicas adotadas para a realização do presente estudo.
Toda pesquisa é uma atividade de investigação do saber, onde se busca o conhecimento a respeito de uma área de concentração para se encontrar respostas. Esse conhecimento científico é desenvolvido utilizado métodos e processos.
Segundo Minayo (2001:16) ―a metodologia inclui as concepções teóricas de abordagem, o conjunto de técnicas que possibilitam a construção da realidade e o sopro divino do potencial criativo do investigador‖.
De acordo com Lakatos e Marconi (1996:15) ―Pesquisar não é apenas procurar a verdade, é encontrar respostas para questões propostas, utilizando métodos científicos‖, (...)."A pesquisa pode ser considerada um procedimento formal com método de pensamento reflexivo que requer um tratamento técnico ou científico, e se constitui no caminho para se conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais". Gil (2002:42) define pesquisa como ―processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico. O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos‖.
A estratégia metodológica da pesquisa aqui apresentada está baseada em uma abordagem qualitativa. Para Dencker (1998:97), ―a pesquisa do tipo qualitativa requer a observação dos fenômenos sociais, feita de maneira intensiva, a qual implica a participação do pesquisador no universo de ocorrência desses fenômenos‖. Isto foi realizado não apenas durante o período específico de coleta formal de dados, mas também ao longo de um período muito mais amplo, caracterizado por atuação profissional junto ao universo da pesquisa onde foi possível realizar observação pessoal, em situação privilegiada, as tentativas de aplicação das políticas governamentais de dinamização do turismo. Tudo isto resultando em uma visão qualitativa, ou de profundidade, em realização ao objeto da pesquisa – embora não tão abrangente quanto o desejado.
Quanto à abordagem do problema, esta pesquisa caracteriza-se como predominantemente qualitativa concentrada na coleta de informações e análise para compreender se a população local está preparada para o desenvolvimento proposto pelo Projeto ―ACORDE São Joaquim‖, e se o planejamento inserido no projeto pode transformar o município e região no melhor destino turístico de inverno do Brasil.
Quanto ao tipo de pesquisa, trata-se de uma pesquisa descritiva, porque identifica e caracteriza fenômenos, permitindo sua ordenação e classificação. Segundo Gil (1999), a pesquisa descritiva apresenta a descrição das características de determinadas populações ou fenômenos e uma de suas características está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados.
Quanto ao modo de investigação, a pesquisa caracteriza-se como uma avaliação, pois foram necessários levantamentos de dados e informações, por meio de entrevistas em que se coleta opiniões e atitudes de um grupo, intencionalmente escolhido, diante de uma situação determinada.
Além de uma etapa formal de trabalho de campo realizada em uma estada na região durante três dias, em junho de 2011, várias outras estadas foram realizadas anteriormente como técnica no projeto ACORDE. Nessas oportunidades foi feita pesquisa documental, bem como algumas observações exploratórias, como reuniões, audiências, oficinas, seminários acerca da trajetória do projeto de desenvolvimento da região, além do acompanhamento de técnicos, ligados à Secretaria de Desenvolvimento Regional de São Joaquim, Prefeitura Municipal, Trade turístico Convention Bureau, Associação Pró Turismo de São Joaquim e Região - Protur, Conselho Municipal de Turismo e do Conselho do Grupo Gestor dos 65 destinos indutores do turismo no Brasil.
Na etapa formal foram realizadas seis entrevistas com agentes públicos e lideranças do trade turístico, que também vivenciam o cotidiano do município, os quais emitiram suas visões pessoais sobre as perguntas de pesquisa formuladas– possibilitando a realização da comparação das opiniões dos entrevistados.
O segundo capítulo, ―ACORDE‖– um projeto para São Joaquim‖, trata da concepção do ―Projeto ACORDE São Joaquim‖, busca mostrar os estudos decorrentes do referido Projeto e a visão dos agentes públicos e privados sobre o contexto da pesquisas.
No terceiro capítulo, ―Turismo x identidade local‖, aborda-se a questão da vitivinicultura, identidade local, hospedagem alternativa e se questiona as premissas que têm orientado as avaliações e as políticas acerca do turismo na região.
CAPÍTULO I
SÃO JOAQUIM: VOCAÇÃO TURÍSTICA?
Neste primeiro capítulo, apresentam-se dados que possibilitem refletir sobre a vocação turística de São Joaquim, está estruturado em três partes, caracterizar a região, a partir dos seus aspectos históricos, físicos, geográficos, demográficos e turísticos; apresentar e discutir a questão dos Destinos Indutores do Brasil, Planos Nacional e Estadual de Turismo e o Estudo de Competitividade da FGV dos Destinos Indutores de São Joaquim. Para concluir o capítulo apresentaremos alguns aspectos do Trade Turístico da região, como o Convention & Visitors Bureau e a Associação Pró Turismo de São Joaquim e Região.
1.1- Caracterização da região
Aspectos da formação socioespacial catarinense
O Estado de Santa Catarina conta com uma população de 6.178.603 habitantes, segundo contagem do IBGE (2010) e está situado na região Sul do Brasil em um território que integra 293 municípios com área de 95.346.181 km².
Apesar de representar apenas 1,1% do território nacional, responde por 4% no Produto Interno Bruto do Brasil e detém o segundo melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH = 0,822) entre os 26 estados federados do país (PNUD, 2000).
A ocupação do território de Santa Catarina, teve seu início no século XVII, a partir do surgimento de alguns povoados litorâneos, com a instalação de São Francisco, Laguna e Desterro, de povoadores vicentistas. No século XVIII, aos vicentistas se juntaram açorianos e madeirenses no litoral e paulistas no planalto. No século XIX, foram os imigrantes europeus, predominando alemães e italianos, que criaram núcleos coloniais entre o litoral e o planalto.
No litoral apresaram índios e se instalaram em explorações primitivas, quase de subsistência. No planalto estabeleceram-se nos campos naturais, com a criação extensiva de bovinos. O litoral foi transformado no século XVIII com o estabelecimento dos casais açoreanos e medeirenses: as explorações policultoras familiares forneceram, nos fins do século XVIII e início s do XIX, importantes excedentes alimentares (farinha de mandioca, arroz, feijõa, melado, etc), que se destinaram ao abastecimento do Rio, Salvador, Recife e até mesmo Montevidéu. Nasceram assim,no litoral catarinense os centros comerciais. Desterro, Laguna, São Francisco. No planalto, atendendo à modesta vida de relações, os fazendeiros lentamente passaram a morar parte do ano em pontos de maior convergência, as vilas, que se transformaram no século XX em tópicas cidades de residência de fazendeiros (Lajes, Curitibanos, São Joaquim, Campos Novos.. (Mamigonian, 1966, p.35)
No século XX, segundo Vieira; Pereira (1997), a ocupação do território catarinense é completada a partir da comercialização de glebas – situadas na porção oeste do planalto – para imigrantes originários dos núcleos coloniais alemães e italianos do estado do Rio Grande do Sul.
A população urbana catarinense, segundo Peluso (1991b), passou de 22 % em 1940, para 32% em 1960. Para este autor, não haveria preocupações, se a industrialização, criando empregos nas cidades, tivesse acompanhado esta expansão. Em sua maior parte, porém, as cidades catarinenses continuam como centros de serviços, poucas delas se distinguindo por suas atividades industriais. Estamos, evidentemente, em período de transição. Cofiemos na sabedoria e no patriotismo dos homens que dirigem Santa Catarina e o Brasil (Peluso, 1991b: 267).
O intenso crescimento industrial no país, ocorrido no período entre as décadas de 1960 e 1980, repercutiu em Santa Catarina, trazendo resultados extraordinários e causando, segundo Cunha (2001), a inversão em 1980 do setor primário para o secundário, gerando um salto na participação catarinense nas exportações brasileiras, elevando ainda mais a taxa de urbanização no Estado.
permitindo-se dizer que proporcionalmente Santa Catarina é mais industrializado que o Brasil.
A mesorregião Serrana continuou com baixo crescimento demográfico, perdendo participação no efetivo populacional catarinense, com queda de população. A mesorregião foi classificada pelo Instituto de Pesquisa Econômica (IPEA) como ―espacialidade de esvaziamento‖, devido ao fechamento de vagas de empregos em suas atividades econômicas básicas (Cunha, 2001).
No ano de 1820 D. João VI determina que a vila de Lages, por se achar muito distante de São Paulo e mais próxima de Santa Catarina, ficasse subordinada à sua jurisdição, configurando-se, assim, o quarto município catarinense. Segundo Santos (2004), Lages tornou-se centro pecuário e de expansão na ocupação do planalto, desenvolvendo o tropeirismo, caracterizado pelo deslocamento de tropa de gado bovino, eqüino e mulas, transporte de mercadorias e correio nos séculos XVIII e XIX. A vila de Lages tornou-se o centro irradiador do povoamento do planalto: os campos de Curitibanos e de Campos Novos foram descobertos e povoados com fazendas, dando início ao desbravamento de todo o Oeste. A primeira ligação entre Desterro e Lages foi aberta em 1788 por Antônio Arzão, que abriu uma picada acompanhando o rio Imaruí, chegando ao planalto. Esse caminho teve pouco sentido econômico, pois Desterro não era importante centro de consumo1(Apud, Silva 2008).
Os primeiros assentamentos rurais e incursões de civilização na região de São Joaquim tiveram início em meados do século XVIII. Com a expansão da pecuária de corte, os fazendeiros gaúchos foram os primeiros colonizadores a se fixarem no município. Ao levarem o gado até São Paulo, passavam pela região da Serra Catarinense e deparavam-se com as novas pastagens, ideais para a nova colonização. Por volta de 1750, a história do município registra o nome de Bento Amaral Gurgel Anes que, mais tarde, seria Capitão-Mor da Vila de Nossa Senhora dos Prazeres das Lages e que se casou com a fazendeira Catarina Fragoso. Também cita-se o nome de Manoel da Silva
1 No início do século XVIII, a descoberta do caminho do Morro dos Conventos (no ano de 1728 por
Ribeiro e seus dois filhos, Inácio e Pedro, que, entre 1755 e 1765, instalaram-se na serraria e fazenda Pelotas. Outro nome de grande importância na história do município é João da Silva Ribeiro, que recebeu por doação a fazenda Socorro ao casar-se com a filha de Mateus José de Souza. Um extenso feudo rural surgiu com a união entre as famílias pioneiras, ampliando-se entre 1818 e 1820 com o casamento dos irmãos Manoel e Fermino Rodrigues com as filhas de João da Silva Ribeiro. Essa localidade, onde hoje é a cidade de São Joaquim, era conhecida como Costa da Serra. O primeiro passo de evolução da vila aconteceu com a criação de um distrito policial em 28 de janeiro de 1868. Esse distrito policial foi desmembrado da Freguesia de Lages através da Lei Provincial nº. 645, de 02 de maio de 1871, criando-se o distrito chamado São Joaquim da Costa da Serra. O estancieiro paulista Manoel Joaquim Pinto, considerado o fundador da cidade por ter, em 1873, com ajuda de Joaquim Cavalheiro do Amaral, Joaquim José de Souza, Marcos Batista de Souza e Antônio Gonçalves Padilha, escolhido o local onde seria fundada a Freguesia de São Joaquim do Cruzeiro, no município de Lages. A instalação do município aconteceu no dia 1º de maio desse mesmo ano. Foi construída uma capela, tendo o Santo São Joaquim por padroeiro. Construíram-se, também, estradas que ligavam o povoado às cidades de Lages e Laguna, o que foi de grande importância para o início do povoado. Através do Ato Provincial nº. 3.455, de 31 de março de 1882, foi criado o Distrito de Paz. Em 28 de agosto de 1886, a Freguesia de São Joaquim da Costa da Serra é desmembrada de Lages, sendo elevada à categoria de Vila. Logo em seguida, foi constituindo-se em um novo município, através da Lei Provincial nº. 1.108, de 1936. Em 16 de janeiro de 1937, realizou-se a primeira eleição de vereadores para a Câmara Municipal e no dia 07 de maio, com sua instalação oficial, empossou os seus primeiros vereadores. Em 31 de março de 1938, o município passou a chamar-se São Joaquim, através do decreto lei estadual de nº. 86.
A população descendente de colonização europeia (principalmente portugueses, espanhóis, alemães e italianos) e africana colonizou a região. Com o desenvolvimento da região surgiram no cenário os japoneses.
A colonização italiana iniciou com Domingos Martorano em 1880. Seus filhos uniram-se às famílias locais: Anunciata (Pedro Albino), Mariana (Aparício Matos), Angelina (José da Fonseca Nunes de Oliveira) e Egidio (Eulália Brasil). Sua filha Tereza veio casada da Itália com Antonio Cantisani. A família Fontanella veio em seguida e construiu a casa de pedra, propriedade de Domingos Martorano. A família De Bettio chegou em 1936 e foram os irmãos Perides, Porfírio e Primo os pedreiros responsáveis pela construção da Igreja Matriz, feita em pedra basáltica, hoje atração da cidade.
O primeiro alemão a chegar foi Joannes Frederich Paul Guellert Dietrich Bathke (naturalizado Paulo Bathke), em 1880, casando-se com a filha de Manoel da Silva Ribeiro (Maria Olinda). Agrimensor, radicado em Indaial, chegou a São Joaquim por meio de sua profissão para medir as terras do planalto serrano. Paulo Bathke voltou muitas vezes à Alemanha e em uma dessas viagens trouxe as primeiras mudas de maçã para São Joaquim. Em 1928 possuía um viveiro de 3.000 mudas de macieira. Por seu intermédio chegaram ao município os patriarcas das famílias Don, Shultz e Lünenberg.
Nas primeiras décadas do século XX chegaram as famílias Hugen (de origem holandesa) e Schlichting (alemã) unidas por um matrimônio ocorrido no navio na travessia do Atlântico.
Os Japoneses vieram em 1974, a partir do projeto de assentamento de produtores de maçã da Cooperativa Agrícola de Cotia (atual Sanjo), depois do incentivo recebido em 1973 do PROFIT2. Com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento BNDS3 para compra de terras, o governo estadual assentou mais ou menos 30 famílias japonesas em 25 hectares de terras. Esse projeto de assentamento permitiu a implantação de pomares financiados com oito anos de prazo e quatro anos de carência, beneficiando também oito produtores locais.
Uma característica marcante do município de São Joaquim é a arquitetura em pedra (basalto). Os europeus a se instalarem no município vieram de regiões acidentadas e pedregosas e começaram a utilizar a pedra-ferro e a madeira das florestas de araucária como material de construção. Primeiramente, a pedra-ferro foi utilizada de maneira rudimentar na construção de moradias, de fazendas, mas com o tempo, veio a sofisticação, criando-se um expressivo artesanato em pedra.
Pode-se citar alguns exemplos históricos da utilização da pedra-ferro em moradias: a casa da Fazenda do Coronel Cezário Amarante, que ainda existe e faz parte da Fazenda
2 Projeto de Fruticultura de Clima Temperado.
do Barreiro, hoje município de Urupema, tendo se transformado em Hotel Fazenda de Turismo Rural; e a casa da Família Martorano, que foi construída no século XIX no centro da cidade, onde hoje funciona o Restaurante Tomagaki. A Igreja Matriz de São Joaquim4 representa um marco na história do Município, construída toda em pedra-ferro. Em 1970 foi construído, também com pedra-ferro, o canteiro para flores da Praça João Ribeiro, verdadeira obra de arte dos pedreiros de São Joaquim e, ainda, o Belvedere, ponto turístico da cidade, inaugurado em 1996. Também a taipa (muro de pedra-ferro), que separa fazendas e sítios, algumas com mais de 150 anos de existência, é um exemplo da utilização desse material (Bianchini,1986).
Aspectos físicos, geográficos e demográficos
O município de São Joaquim está situado no sudoeste do Estado de Santa Catarina, a 227 km da capital do Estado, tendo como acesso a BR-282 e a SC - 430. Pertence à Microrregião dos Campos de Lages e à Mesoregião Serrana. Integra a Secretaria de Desenvolvimento Regional de São Joaquim e a Associação dos Municípios da Região Serrana (AMURES), com os municípios de Anita Garibaldi, Bocaina do Sul, Bom Jardim da Serra, Bom Retiro, Campo Belo do Sul, Capão Alto, Celso Ramos, Cerro Negro, Correia Pinto, Lages, Otacílio Costa, Painel, Palmeira, Ponte Alta, Rio Rufino, São José do Cerrito, Urubici e Urupema.
Possui uma área de 1.885,61 km2, correspondendo aproximadamente 1,97% da área do Estado e 11,57% da área da AMURES5. Sua posição geográfica está determinada pelas coordenadas Latitude 28º 17’ 38‖ Sul e Longitude 49º 55’ 54‖ Oeste.
O clima classifica-se como mesotérmico úmido, com verões frescos, onde a temperatura média no inverno fica em torno de -5º C (os termômetros já registraram 14ºC negativos) e no verão a média é de 18ºC. A temperatura média anual é de 13,1ºC. No inverno é comum a precipitação de neve. A precipitação pluviométrica média é de 1300 a 1900 mm.
São Joaquim está a uma altitude de 1360 metros do nível do mar. O relevo é constituído de um planalto de superfícies planas, onduladas e montanhosas, fortemente dissecadas, de formação basáltica. O solo tem baixa e média fertilidade, argila de baixa
atividade e baixo gradiente textural. A alta incidência de rochas e as condições climáticas adversas limitam o uso do solo, apresentando restrições no manejo da terra.
O município é banhado pela bacia do Rio Pelotas e seus principais afluentes são os rios Lava-Tudo, Mantiqueira, São Mateus, Sumidoro, Antoninha e Invernadinha.
São Joaquim faz divisa com Urupema ao norte, Urubici a nordeste, Bom Jardim da Serra a leste e a sudeste, Rio Grande do Sul ao sul e sudoeste, Lages a oeste e Painel a noroeste. Possui três distritos: Pericó, São Sebastião do Arvoredo e Santa Isabel.
O município de São Joaquim possui uma população de 24.812 habitantes, que corresponde a 0,40% da população do Estado de Santa Catarina, sendo 70,8% de sua população residente na área urbana e 29,2% na área rural - de acordo com o IBGE6 (Censo Demográfico, 2010).
Figura 01: Mapa de localização do município de São Joaquim.
Aspectos econômicos
A economia do município sustentou-se por longas décadas na pecuária, com o rebanho bovino criado em grandes pastagens nativas. Esse ciclo iniciou-se no século
XIX e teve seu apogeu na década de 1920, dominando completamente a economia do município até meados da década de 1950.
O ciclo da madeira começou por volta de 1948, quando os madeireiros gaúchos descobriram as reservas de araucária da região. Na década de 1960 teve seu apogeu, tendo 147 serrarias instaladas no município e todos os empregos e receitas eram oriundas desse setor. Entretanto, esse tipo de indústria trouxe como conseqüência a devastação da mata nativa, sem ter aplicado seus resultados no desenvolvimento do município. A inexistência do ICMS7 e o fato dessas madeireiras não serem locais, fez com que apenas extraíssem a riqueza do município, enriquecessem e fossem embora.
Em 1968, o Secretário de Estado da Agricultura, em visita a São Joaquim acompanhado de 38 técnicos, fez um desafio aos produtores: seria instalado o escritório local da ACARESC8 em São Joaquim se fossem plantados 10.000 pés de maçã. O desafio foi aceito pelo produtor João Rogério Campos que, sozinho, plantou um pomar de 10.000 macieiras e o escritório da ACARESC foi instalado.
Começa o ciclo da agricultura, que entre 1970 e 1980 viveu seu apogeu com a multiplicação de lavouras de batata-semente e pomares de maçã. A cultura da maçã foi impulsionada pelo PROFIT, em 1973, favorecendo a implantação de pomares através de subsídios do Governo do Estado, através da compra de calcário com recursos do BNDS e a isenção do ICMS da maçã.
Em 1974 o projeto de assentamento de 30 famílias japonesas permitiu a implantação de pomares financiados com oito anos de prazo e quatro anos de carência, beneficiando também oito produtores locais.
A pecuária é caracterizada pela bovinocultura de corte extensiva, com baixo índice de produtividade e uso de insumos, seguida pela ovinocultura com pequenos rebanhos e também com baixa produtividade.
O extrativismo se constitui principalmente de Pinus spp com uma área de reflorestamento de 1.500 hectares, abrangendo 285 produtores.
Atualmente a agricultura tem como principais eixos a produção de maçã e de batata semente, que são produzidas num sistema de alta tecnologia utilizando insumos modernos e alcançando de média a alta produtividade. Em razão dessas condições, o município de São Joaquim tornou-se o segundo produtor de maçã do Brasil, além de ser considerada a maçã de melhor qualidade devido às características climáticas ideais para
7 Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços.
esta cultura, o que possibilitou a entrada no comércio externo tendo, inclusive, a Maçã Hiragami conquistado prêmios na Europa como a de melhor qualidade do mundo.
Há também pequenas áreas de plantio de milho, feijão e batata consumo, que utilizam pouca tecnologia e têm baixa produtividade.
Entretanto, na área de vinicultura há pesquisas promissoras nos dias atuais, com a cooperação técnica da EPAGRI que instalou unidades de experimentos de videiras no município de São Joaquim.
Surgem hoje pesquisas promissoras na área de vinicultura. Quando a EPAGRI9 instalou unidades de experimentos de videiras no estado, foi instalada uma em São Joaquim, que por muito tempo não chamou a atenção dos pesquisadores.
Recentemente, uma amostra da uva da variedade Cabernet Sauvingnon, colhida em São Joaquim, surpreendeu os pesquisadores pelo excelente vinho obtido. O resultado foi confirmado por dois anos e os dados mostraram que os teores da composição química do vinho eram superiores aos produzidos em outras regiões do Brasil.
São Joaquim tem altitude e clima favoráveis para o cultivo de uva para a produção de vinhos de qualidade. O clima frio e seco permite passar o ponto de maturação no pé, sem risco de podridão como em outras regiões produtoras de clima úmido. Este fator permite que a colheita possa ser feita até final de abril.
Assim foram implantadas diversas unidades de produtores na região, com altitudes entre 900 e 1.300 metros, cujos resultados mostraram a influência da altitude nesses indicadores químicos de qualidade diferenciada na produção final.
A divulgação da pesquisa mostrando que o município tem condições favoráveis para a produção de uva para produzir o melhor vinho Cabernet Sauvingnon do Brasil, tem estimulado investidores no sentido de adquirir terras no município, valorizando o mercado imobiliário da região. No ano de 2001 foi implantado aproximadamente doze hectares de videiras no município de São Joaquim com projetos de crescimento anual da plantação.
Aspectos turísticos
Existem no município cinco hotéis em funcionamento. O município possui ainda oito pousadas, um chalé, e diversas residências que funcionam como hospedagens alternativas, com um cadastro das mesmas na Prefeitura, totalizando em aproximadamente 685 leitos (SPG, 2009).
No inverno de 2010, com a incidência de muita neve na região, amplamente divulgada nos meios de comunicação do país, o município viveu uma experiência inusitada. O número de visitantes superou a capacidade hoteleira, ainda muito pequena no município e a Secretaria Municipal de Turismo sugeriu a hospedagem alternativa. A população se dispôs a receber os visitantes em suas casas, oferecendo quarto com café da manhã e o convívio familiar. A experiência obteve êxito, havendo visitantes que preferiram continuar nas casas mesmo depois de haver vagas nos hotéis. O sucesso veio pela experiência do convívio familiar, casas que podiam oferecer conforto de aquecimento, não encontrado em alguns hotéis e também um bom papo em frente à lareira. No ano de 1999, a agência São Joaquim Tour, assumiu o cadastramento e hoje conta com 80 casas cadastradas. Passado o fator emergencial da época, houve tempo para se fazer uma avaliação das casas ofertadas e dividi-las em categorias de conforto A, B e C. Na categoria A, estão aquelas que podem oferecer aquecimento, lençóis elétricos, garagem, café da manhã e banheiros privativos. A categoria C compreende uma suíte, quarto com banheiro privativo ou dois quartos com banheiro social e a categoria B estaria numa média entre as duas, A e C. Hoje que faz o receptivo é o local das informações turísticas da Secretaria de Turismo do município.
A cidade possui dois grandes eventos, a Festa Nacional da Maçã e o Festival de Inverno editado anualmente pelo Centro Cultural em parceria com a Prefeitura Municipal. A Festa da Maçã é um evento cultural e de lazer que atrai um expressivo número de visitantes de diversos Estados brasileiros e países sul americanos, além de autoridades, técnicos e empresários do setor frutícola, agroindustrial e do turismo, procurando consolidar sua posição no mercado interno e no comércio internacional de frutas de clima temperado.
família Martorano por quase um século, hoje usada como restaurante; a Exponeve, feira de artesanato e produtos da região; o Belvedere, rua planejada para ser no estilo da Lombard Street, rua famosa de São Francisco, na Califórnia/Estados Unidos, de mão única para descida em estilo caracol por causa da declividade, totalmente ajardinada e com escadaria nas laterais para pedestres. Em virtude de uma ocupação no início da rua, foram construídas apenas escadarias para pedestres com canteiros de flores; o Snow Valley, parque ecológico com uma reserva de xaxins centenários e belas cascatas, situado na SC – 438, na saída para Bom Jardim da Serra, a 10 km do centro da cidade; o Museu Histórico Municipal espaço Assis Chateaubriand, que possui acervo histórico do município e um museu ao ar livre sobre o ciclo da madeira; o Museu de Artes de São Joaquim, considerado o 3º do Estado em valor de obras de arte. Acervo com obras do ilustre joaquinense com projeção internacional Martinho de Haro, de Artistas Plásticos como Rodrigo de Haro, Semy Braga, Pléticos, Wilson Martins e Artistas Plásticos locais com projeção no âmbito nacional, como Tereza Martorano Vieira, Yolanda Bathke Campos e Suzana Scóss Bianchini; o Parque Nacional da Maçã, possui 214.000 metros quadrados com áreas para camping, cancha de laço, pavilhões para exposições e palco para shows; a Estação Experimental de São Joaquim – EPAGRI, pomares experimentais de maçã, pêra, goiaba serrana e uva. Na primavera, torna-se cartão postal com a florada das cerejeiras. O Monumento Manoel Joaquim Pinto, anexo à prefeitura. Escultura de Élson Outuki sobre o ciclo histórico, econômico e cultural do município; o Packing House, local para o processamento de maçãs, recebimento de frutas, armazenamento em câmaras frias, classificação e embalagem; e a Vinícola Francione, local de visitação e degustação de vinhos finos de altitude. A vitivinicultura pode abrir um novo espaço turístico. O charme das vinícolas familiares abertas aos visitantes, inclusive com a opção de pousadas, é sucesso no Rio Grande do Sul.
ao forno; a bijajica - rosca frita de polvilho azedo, ovos e açúcar; o bolo frito – tipo bolinhos de chuva; o ponche – vinho aquecido com gengibre, casca de laranja e canela, servido com gemada e clara batida (suspiro) e o doce de gila, tortas de maçã, pinhão cozido e assado na chapa do fogão à lenha, carreteiro na moranga, doces de maçã, ―marmeladas‖, figadas, feijão tropeiro.
O artesanato tem como matéria prima a lã de ovelha, couro, nó de pinho e madeira.
Das atrações turísticas rurais consolidadas destaca-se o Snow Valley (Vale da Neve), iniciativa de uma família norte americana de implantar uma reserva ecológica de 30 hectares, com 2.700 metros de trilhas localizada em um vale de mata nativa preservada, principalmente com araucárias, bracatingas e mais de 3.000 pés de xaxim.
1.2 – Destinos indutores
Nesta parte será abordado o tema sobre os Destinos Indutores do Brasil, os critérios de escolha dos destinos turísticos do Brasil, o Plano Nacional de Turismo e o Plano Estadual do Turismo, além do estudo de competitividade da FGV10 no município de São Joaquim.
Para a escolha dos destinos foram consideradas as avaliações e valorações de diversos estudos e pesquisas que orientam a ação ministerial, tais como o Plano de Marketing Turístico Internacional — Plano Aquarela, o Plano de Marketing Turístico Nacional — Plano Cores do Brasil, além de outros estudos e investigações sobre investimentos do governo federal e sobre as potencialidades e necessidades desses destinos. Além disso, foram consideradas as referências relativas às demandas de qualificação e infra-estrutura elencadas pelos representantes dos 87 roteiros turísticos durante o 1º Encontro Nacional do Programa de Regionalização do Turismo, ocorrido em Brasília, em outubro de 2006.
Com o resultado desse processo, foram selecionados 65 destinos indutores do turismo, que fazem parte de 59 regiões turísticas em todas as unidades da Federação. Esses destinos devem ser trabalhados até 2014 para a obtenção do padrão de qualidade
internacional, constituindo, assim, modelos de destinos indutores do desenvolvimento turístico regional, sendo essa uma das metas do PNT11 2007/2010.
Dentro da proposta, seriam considerados para o Programa de Regionalização do Turismo os destinos indutores de desenvolvimento turístico regional aqueles que possuíssem infraestrutura básica e turística e atrativos qualificados, que se caracterizassem como núcleo receptor e/ou distribuidor de fluxos turísticos, isto é, aqueles capazes de atrair e/ou distribuir significativo número de turistas para seu entorno e dinamizar a economia do território em que estivessem inseridos. Os demais destinos de regiões turísticas do País, deveriam continuar o processo de organização regional, considerando as Diretrizes e Módulos Operacionais do Programa de Regionalização do Turismo, de modo a estarem fortalecidas para absorver os impactos do desenvolvimento da atividade em seus territórios, até 2010. É um processo permanente de qualificação, que deverá se estender por todo o território turístico nacional, propiciando a inserção, no mercado nacional e no internacional, da riqueza e da diversidade do patrimônio turístico brasileiro.
O Plano Nacional de Turismo – PNT 2007/2010 – é uma viagem de inclusão e um instrumento de planejamento e gestão que coloca o turismo como indutor do desenvolvimento e da geração de emprego e renda. O Plano é fruto do consenso de todos os segmentos turísticos envolvidos no objetivo comum de transformar a atividade em um importante mecanismo de melhoria do Brasil, buscando fazer do turismo um importante indutor da inclusão social, o que pode ser alcançado por duas vias: a da produção, por meio da criação de novos postos de trabalho, ocupação e renda, e a do consumo, com a absorção de novos turistas no mercado interno, avançando na perspectiva de expansão e fortalecimento do mercado interno, com especial ênfase na função social do turismo. O propósito é que seja também um compromisso de continuidade das ações já desenvolvidas pelo Ministério do Turismo e EMBRATUR12 no sentido de consolidar o Brasil como um dos principais destinos turísticos mundiais.
O plano pretende ser mais do que uma carta de intenções e tornar-se um instrumento de ação estratégica, bem delineada nos seus macroprogramas e com metas para quatro anos. O PNT 2007/2010 assumiu o compromisso de apresentar ao País, de forma consolidada e sistemática, a Política Nacional de Turismo.
Os investimentos em infraestrutura e qualificação profissional previstos deveriam permitir a organização dos 65 destinos indutores do turismo, distribuídos em todo o território nacional, dentro de um padrão internacional de mercado. Busca, além disto, o fortalecimento do turismo interno, promovendo o turismo como fator de desenvolvimento regional, assegurando o acesso de aposentados, trabalhadores e estudantes a pacotes de viagens em condições facilitadas, investindo na qualificação profissional e na geração de emprego e renda e assegurando mais condições para a promoção do Brasil no exterior.
O Plano de Desenvolvimento Integrado do Lazer proposto para o Estado de Santa Catarina, ou seja, o Plano Estadual do Turismo, conforme Decreto nº 2.080, de 3 de fevereiro de 2009, regulamentado pela Lei nº 13.792, de 18 de julho de 2006, definiu diretrizes e critérios relativos aos programas e subprogramas do lazer, buscando atingir os objetivos estabelecidos pela SOL13, para promover a integração das áreas de cultura, esporte e turismo às do lazer, intensificando o lazer no Estado de SC, integrar a SOL às Secretarias de Desenvolvimento Regional e desenvolver o lazer no Estado de forma equilibrada.
Desta forma, procurou sistematizar o plano de forma a abranger todas as necessidades para a contribuição acerca de uma política de lazer, que são: Gestão da Política de Desenvolvimento do Lazer, que consiste em orientar os gestores públicos no que se refere ao marco legal e institucional para a elaboração do plano estratégico do lazer no Estado, após o diagnóstico da atual gestão das políticas de desenvolvimento e valorização da cultura, do esporte e do turismo, propondo um modelo de gestão. O Plano do Lazer Integrado consiste em identificar, através de dados secundários, os principais atrativos culturais e turísticos, o patrimônio cultural, sua infraestrutura, os eventos culturais e os programas e práticas de esportes. A Estratégia de Consolidação do Lazer Integrado, que consiste em conhecimento da oferta e da demanda de serviços e atividades, através da segmentação das áreas da cultura, esporte e turismo e o desenvolvimento do produto, consolidando os pré-existentes e lançados produtos com impactos regionais. A Influência do Comportamento dos Indivíduos e das Instituições, através da definição de metas, saber influenciar o consumidor e seus hábitos de consumo. O monitoramento deste progresso, será executado através do acompanhamento dos níveis de eficácia das equipes, a partir das ações empreendidas e
seus resultados, sejam eles quantitativos ou qualitativos, dando origem a um registro histórico e estatístico do desempenho de cada um. Trata-se de um instrumento eficaz e, se bem conduzido, proporcionará os resultados esperados. Para atender às expectativas da demanda, através de cada um dos setores do Lazer Integrado (cultura, esporte e turismo) que tem seu público específico que apresenta expectativas diferenciadas e que deverão ser atendidas. Surgem as pesquisas com os consumidores, no sentido de atender as expectativas de cada público específico, que tem opinião diferenciada sobre seus níveis de expectativa e do seu atendimento. Para identificar as ações para a consolidação do lazer integrado, entende-se a necessidade de capacitar e conscientizar todos os integrantes em todos os níveis das equipes da Secretaria e das Gerências Regionais de Cultura, Esporte e Turismo, dos aspectos conceituais e técnicos da operacionalização das ações do Lazer Integrado. Para isso considera-se importante que se faça um plano de aperfeiçoamento e capacitação, que identificará o tempo ideal de duração dos eventuais cursos ou outros encontros, a metodologia utilizada, a ligação da teoria com os objetivos dos participantes, o cronograma de realização e, acima de tudo, a coerência entre todas as ações propostas, se são fundamentais para que ações possam ser entendidas como um conjunto de práticas visando ao desenvolvimento da cultura, esportes e turismo no Estado. Através dos Programas e Ações devem se consolidar as demanda do lazer (cultura, esporte e turismo), instituindo uma política do lazer consistente que envolva todos os setores da comunidade e do setor público, integrando Estado e municípios de forma a maximizar seus esforços e recursos em ações coordenadas junto com o setor privado e a comunidade local. Para o plano de curto, médio e longo prazo, espera-se resultados e benefícios que poderão ser atingidos através do engajamento de todos os envolvidos na implementação do plano, desde setor público à comunidade local e da execução dos projetos propostos em cada etapa do plano. Um novo Plano de Desenvolvimento Regional de Turismo para o Estado de Santa Catarina foi elaborado em 2010, com um horizonte temporal para 2020.
Estudo de competitividade
O Ministério do Turismo (MTur) - viabilizou a execução do projeto por meio da parceria com a FGV e o SEBRAE14, que destinou quatro milhões de reais para a primeira etapa dos trabalhos. Na primeira, o propósito era realizar o mapeamento dos principais emissores para cada destino, num diagnóstico que abrangesse também a identificação do perfil do turista, hábitos de viagem e consumo, entre outros itens. A segunda etapa trataria da elaboração do Plano de Marketing para o destino indutor, com a definição de seu posicionamento estratégico e um plano de ações.
O principal objetivo desse estudo foi realizar um diagnóstico detalhado da realidade dos destinos indutores avaliados a fim de colocar em perspectiva os níveis de competitividade turística de cada um e permitir que gradualmente pudessem, com base nos princípios de sustentabilidade, oferecer produtos e serviços de melhor qualidade a turistas nacionais e estrangeiros.
Para tanto, a equipe da FGV realizou um mapeamento minucioso das condições em que se encontravam os 65 municípios estudados, segundo as 13 dimensões especialmente elaboradas para captar os elementos importantes para a competitividade de um destino turístico: infraestrutura geral, acesso, serviços e equipamentos turísticos, atrativos turísticos, marketing, políticas públicas, cooperação regional, monitoramento, economia local, capacidade empresarial, aspectos sociais, aspectos ambientais e aspectos culturais.
Em um maior nível de detalhamento, cada dimensão foi desmembrada em diversas variáveis, de forma a possibilitar a adoção eficaz de medidas, no sentido de corrigir eventuais deficiências em setores específicos.
Em uma das etapas do Estudo de Competitividade, os resultados dos destinos foram apresentados individualmente por técnicos da equipe da Fundação Getúlio Vargas. O propósito era explicitar, segundo a metodologia adotada, em que nível de competitividade encontrava-se o destino em cada uma das dimensões analisadas e, a partir daí, elencar de forma participativa as prioridades de cada município e elaborar propostas para a superação de seus entraves.
A crescente importância do setor turístico como fonte de geração de renda e emprego é fenômeno verificado, principalmente nas últimas décadas, constituindo-se em motivo de acirramento da concorrência entre os destinos em todo o mundo. Portanto, a avaliação da intensidade com que fatores favorecem ou inibem tal atividade é de
relevância estratégica para os principais destinos indutores do desenvolvimento turístico regional do País.
Neste sentido, o estudo realizado deveria colaborar como instrumento de medição de competitividade de maneira decisiva na priorização de ações que viessem a beneficiar o destino turístico.
Qualquer forma de desenvolvimento econômico requer um trabalho de planejamento estruturado para atingir o objetivo proposto. O turismo é visto dentro deste enfoque como um setor capaz de promover a aceleração econômica e um incremento nas áreas social, cultural e ambiental. Portanto, a avaliação da intensidade com que fatores favorecem ou inibem tal atividade é considerada de relevância estratégica para os destinos turísticos do País.
Diante desta necessidade, o Ministério do Turismo, o SEBRAE e FGV realizaram o ―Estudo de competitividade dos 65 destinos indutores do desenvolvimento turístico regional‖, com o objetivo de avaliar a ―capacidade crescente de gerar negócios nas atividades econômicas relacionadas com o setor de turismo, de forma sustentável, proporcionando ao turista uma experiência positiva‖ — conceito que permeia o estudo do Ministério do Turismo, ―Programa Nacional de Regionalização do Turismo‖ (MTur, 2007).
Com base nas informações coletadas, atribuíram-se pontos às perguntas e pesos às variáveis, gerando notas de 0 a 100 para cada dimensão. Também se utilizou um conjunto de pesos na ponderação das dimensões que, por sua vez, resultou em um índice global de competitividade do destino.
Com o objetivo de apresentar esses resultados em cada um dos 65 destinos, foram realizados ―Seminários técnicos de competitividade‖, no período de julho a setembro de 2008, quando cada um dos 65 destinos recebeu, separadamente, o estudo referente à seu município.
GUT15, que permitiu aos participantes hierarquizar, por prioridade, as variáveis expostas, de acordo com a realidade de cada destino. O grupo presente foi dividido em subgrupos, os quais eram instigados a debater sobre cada uma das variáveis do estudo e a atribuir a elas pontuações de 1 a 5, considerando: (i) a gravidade; (ii) a urgência; e (iii) a tendência de ações a serem realizadas no âmbito de cada variável, levando em consideração a realidade atual, a segmentação turística e os resultados do estudo para o destino. Com base nisso, os pontos eram então multiplicados, de forma a obter-se uma pontuação que poderia variar do mínimo 1 (1 x 1 x 1) ponto ao máximo 125 (5 x 5 x 5) pontos por variável.
Dessa forma, classificaram-se as variáveis em ordem decrescente, gerando uma lista com as prioridades para o destino. Em alguns casos, após a atividade de hierarquização, detectou-se que algumas questões relevantes para o destino não haviam sido incluídas entre as de maior pontuação. Nesses casos, diante da solicitação dos participantes e em consenso entre os componentes do grupo, outras variáveis foram adicionadas às que originalmente figuraram entre as de maior média GUT.
O critério adotado para a atribuição de prioridade às variáveis hierarquizadas: 125-101: Máxima prioridade; 100-76: Alta prioridade; 75-51: Média prioridade; 50-26: Baixa prioridade16.
―Com o intuito de ir além do acompanhamento do desempenho, em 2007, o Ministério do Turismo (MTur) e o SEBRAE assumiram o desafio de utilizar um indicador inovador para monitorar a eficiência de um destino turístico. Esse processo demanda conhecimento e gestão eficaz dos recursos existentes. Uma vez escolhido o destino turístico como foco de análise, a eficiência passou a ser acompanhada pela ótica da competitividade. Tal conceito, amplamente adotado no mercado internacional e chancelado pela OMT17, é o instrumento que norteia este trabalho, executado pela FGV em 65 Destinos Indutores do Desenvolvimento Turístico Regional. Gerado pelo terceiro ano consecutivo, o Índice de Competitividade do Turismo Nacional - 65 Destinos Indutores do Desenvolvimento Turístico Regional (FGV/MTur/Sebrae,2010)‖, conforme tabela abaixo:
15 Gravidade, Urgência e Tendência.
16 Para o posicionamento em níveis segundo a escala proposta, foi utilizado critério de arredondamento
das pontuações. Por exemplo: se situada entre 1 e 25,4, a mesma posicionou-se no nível considerado de mínima prioridade (entre 1 e 25 pontos); no caso de ter-se situado entre 25,5 e 50,4, foi classificada no nível considerado de baixa prioridade (entre 26 e 50 pontos), e assim por diante.
Tabela 1 - Resultados das Dimensões do Estudo de Competividade.
Dimensões Brasil* Não capitais São Joaquim
2008 2009 2010 2008 2009 2010 2008 2009 2010 Total geral 52,1 54,0 56,0 46,9 48,4 50,3 37,8 39,8 41,7 Infraestrutura geral 63,8 64,6 65,8 58,1 58,9 59,8 66,8 67,8 71,8 Acesso 55,6 58,1 60,5 47,5 49,7 52,3 48,6 50,8 55,4 Serviços e equipamentos
turísticos
44,8 46,8 50,8 36,3 37,9 41,9 25,9 28,4 26,2 Atrativos turísticos 58,2 59,5 60,5 59,3 60,2 61,3 44,8 45,3 49,9 Marketing e promoção
do turismo
38,2 41,1 42,7 32,4 36,5 39,8 22,4 29,5 35,0 Políticas públicas 50,8 53,7 55,2 47,3 50,2 50,7 38,2 41,0 35,9 Cooperação regional 44,1 48,1 51,1 45,0 48,8 53,1 25,4 28,1 43,0 Monitoramento 35,4 34,5 35,3 30,6 29,4 30,0 3,0 5,9 7,5 Economia local 56,6 57,1 59,5 50,9 49,6 51,5 59,0 58,9 61,5 Capacidade empresarial 51,3 55,7 57,0 36,6 39,8 38,6 24,7 33,9 27,2 Aspectos sociais 57,2 57,4 58,4 53,5 53,4 54,2 48,0 40,7 42,2 Aspectos ambientais 58,9 61,8 65,6 55,5 58,1 61,8 26,4 30,0 26,4 Aspecto culturais 54,6 54,6 55,9 49,8 48,7 50,0 37,0 35,3 39,6 (Fonte: FGV/MTur/Sebrae, 2010)
Organização do Trade Turístico: Convention & Visitors Bureau
Sua origem ocorreu no ano de 1886, na cidade de Detroit nos Estados Unidos, uma cidade de poderosa economia e grande apelo turístico, em função de suas fábricas de automóveis e outros bens duráveis. O grande número de empresários e homens de negócios de vários países que lá se dirigiam para participar de congressos, convenções e reuniões de trabalho, exigiu a organização do segmento como uma atividade profissional e produtiva. Hoje, com base na eficácia do modelo estadunidense, existem centenas de escritórios, localizados nos países e cidades de maior representatividade mundial.
A finalidade do C&VB18 é promover o que se conhece por ―Marketing de Destino‖, ou seja, divulgar a cidade e a região em que está instalado por meio de ações de captação ou apoio ao maior número possível de congressos, convenções e eventos em geral, nacionais e internacionais, gerando divisas aos municípios, estados e países. O estado de Santa Catarina possui treze C&VB’s, com sedes nos municípios de Florianópolis, Joinville, Concórdia, Porto Belo, Blumenau, Chapecó, São Joaquim, Balneário Camboriu, Tubarão, Criciúma, Itajaí, Jaraguá do Sul e Joaçaba, cujas sedes se encontram localizadas em cidades-polo de regiões estratégicas. Para ampliar a
representatividade e solidificar a credibilidade e o poder da geração de negócios, os C&VB’s de Santa Catarina, com incentivo do governo do Estado criaram em 2004 a Federação de Convention & Visitors Bureaux do Estado de Santa Catarina. O órgão tem como missão auxiliar os C&VB nas políticas de ação que objetivam a captação de eventos e a atração de visitantes, além de fomentar o desenvolvimento do turismo como atividade econômica, social e cultural, tendo como base as características regionais de cada bureau filiado.
O Convention & Visitors Bureau da Serra Catarinense tem por objetivo captar e gerar eventos e congressos de alcance regional, nacional e internacional para a cidade, atuando também como órgão de apoio na realização e organização de tais eventos, bem como no aprimoramento dos eventos já existentes no calendário e que se enquadrem nos objetivos traçados pelo SCC&VB19. Manter intercâmbio técnico, cultural e social com entidades congêneres no âmbito regional, nacional e internacional, associar-se a elas, visando o interesse e os objetivos do SCC&VB. Promover e apoiar a qualificação dos recursos humanos que atuam nas atividades turísticas e de eventos através de cursos, debates e pesquisas, por si, ou através de convênios com instituições de ensino e entidades congêneres. Desenvolver ações de divulgação dos atrativos turísticos da cidade e região, visando oferecer opções de lazer e passeios aos participantes na cidade e região, antes, durante e depois do evento. Colaborar, ao lado de outras entidades ligadas ao turismo, com os poderes públicos como órgão técnico, consultivo e deliberativo no estudo e solução de problemas relacionados com o setor.
Além disso, atuar como órgão estimulador do crescimento do setor de viagens e turismo, aproximando seus associados com outras entidades que trabalham em torno do mesmo objetivo.
O C&VB’s de São Joaquim foi fundado em 13 de fevereiro de 2003 no município de São Joaquim, tendo como precursor Fransciso Canola Teixeira, personalidade marcante do segmento turístico na região. A primeira gestão, 2003/2004, teve como presidente Newton Stélio Fontanella e como vice Paulo César Nunes. O segundo presidente, correspondendo à gestão 2005/2006, foi Antonio Zilli, tendo como vice Newton Stélio Fontanella.
O terceiro presidente, tendo iniciado sua gestão em 2007/2010 foi Ivan Antonio Bertoncini Cascaes e o vice Rogério Lebarbeichon da Silveira. O atual presidente é
Rômulo Haberbeck de Oliveira e a vice Maria Gorete Oderdenge, para gestão 2011/2012.
Atualmente a sede do Convention & Visitors Bureau está localizada em São Joaquim, na Praça João Ribeiro, número 28.
Associação Pró-Turismo de São Joaquim e Região - PROTUR
É uma associação muito importante e conhecida da comunidade joaquinense e que faz história ao trabalhar pensando no desenvolvimento do turismo.
A presidente é Nádia Teresinha de Souza, proprietária da Pousada Serra Verde. A PROTUR promete mudar a cara do turismo na Serra Catarinense por meio de iniciativas que já começam a ser trabalhadas pela nova diretoria, como: os Roteiros da Serra – Oito roteiros turísticos para o turista aproveitar ao máximo tudo que a Serra Catarinense tem a oferecer. Entre eles, pode-se destacar o City tour de São Joaquim, o City Tour de Urubici e o Roteiro da Maçã; o Sino da Neve – essa ideia é que ao caírem os primeiros flocos de neve na cidade de São Joaquim a comunidade, bem como o comércio e o trade turístico toquem um sino para informar a todos da chegada da neve.
Foi criada uma nova logomarca para a instituição que destaca o pinheiro Araucária, valorizando essa árvore que é tão comum na região e que tem o potencial de bem representá-la. O primeiro passo foi dado, resta acompanhar a PROTUR para verificar se a estratégia ajudará a melhorar o turismo da Serra Catarinense.