DESAFIOS E PERCEPTIVAS DE ENVELHECIMENTO NO BRASIL: POLÍTICAS PÚBLICAS VOLTADAS PARA O IDOSO

Texto

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DESAFIOS E PERCEPTIVAS DE ENVELHECIMENTO NO BRASIL:

POLÍTICAS PÚBLICAS VOLTADAS PARA O IDOSO

FERREIRA, Beatriz Lúcio1 SILVA, Isamara Barbosa da1 GAVA, Karol Pacheco1 FAÉ, Tainara da Rosa1 LÍVIO, Milena dos Santos2

INTRODUÇÃO

O envelhecer populacional surge com o decréscimo da mortalidade e com o menor percentual de fecundidade, sendo assim, o quantitativo de pessoas idosas aumentam e o de pessoas jovens diminui. O processo de envelhecimento cresce gradativamente, de acordo com que a expectativa de vida aumenta, tal realidade se deve às melhoras nas condições de vida dos idosos. Porém, essa transição demográfica no Brasil ocorreu sem que houvesse alterações nas distribuições de renda do país, e em pleno desenvolvimento da urbanização, portanto essa situação tem se tornado preocupante, por não observarem-se melhoras significantes nas condições de vida em geral (NASRI, 2008).

Estima-se que em 2050 ocorrerá total inversão da pirâmide etária, onde o número de pessoas acima dos 60 anos será maior do que o número de crianças, esses dados sugerem medidas do meio político e público, pois as questões econômica e social do país principalmente passarão por uma mudança dramática.

Estes dados sugerem ainda que haja uma sensibilização também por parte da própria população de que é preciso gerar novas formas de vivência para os indivíduos idosos, uma vez que o envelhecimento traz enfrentamentos devido à transição para o status de “velho” (CORREA, et al., 2010; DE LIMA, et al., 2010).

O envelhecimento populacional traz grandes desafios para as políticas públicas do país, sendo uma das principais preocupações a grande quantidade de trabalhadores informais que não contribuem para o sistema previdenciário, afetando a composição da População Economicamente Ativa (PEA), há ainda questões que não estão voltadas somente para o que tange os aspectos econômico e social, tais

1 Graduandas do 7º Período do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário São Camilo-ES - beatrizlfer@hotmail.com; isamarabarbosaa@gmail.com; karolgpacheco@gmail.com;

tainararfae@hotmail.com

2 Docente do curso de Fisioterapia do Centro Universitário São Camilo-ES; Pós Graduada em Saúde da Família; Mestre em Ciências da Religião - milenalivio@saocamilo-es.br

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como a equidade, que precisa ser mantida entre as diferentes faixas etárias, visando que todas precisam de atenção no que diz respeito a recursos de bem estar social, que pode ser esgotado gradativamente caso as devidas providências não sejam tomadas por parte do Estado (KRELING, 2010).

O Brasil mostra-se, portanto um país pouco preparado frente às modificações demográficas, o que gera grande impacto nos custos de saúde, no entanto, a atenção à população idosa já se tornara anteriormente presente através de políticas públicas tais como, o Pacto pela Vida, inscrito no Pacto pela Saúde, onde o objetivo principal é a atenção ao idoso. A portaria de número 2528, de 19 de outubro de 2006 regulamentou a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, deixando exposto que o processo de envelhecimento precisa ser bem sucedido a partir de menor probabilidade de doenças; alta capacidade física e mental e engajamento social ativo. Porém, na atualidade geralmente os programas que buscam beneficiar os idosos estimulam apenas o envelhecimento ativo, preservando a capacidade funcional (ARAÚJO et al., 2011).

O presente estudo tem como objetivo analisar quais são os desafios e perceptivas de se envelhecer no Brasil, para isto busca na literatura evidências que tratem das políticas públicas voltadas para a promoção de um envelhecimento saudável no Brasil, visto que o país passa por acelerada transição demográfica.

METODOLOGIA

Foi elaborada uma pesquisa qualitativa de revisão de literatura, buscando a análise sobre os desafios e perceptivas de se envelhecer no Brasil. Assim para alcançar os objetivos do estudo, a pesquisa bibliográfica, utilizou a seguinte base de dados: SCIELO (Scientific Eletronic Library Online) e Google Acadêmico. Os descritores utilizados para busca dos artigos, de acordo com o DECS (Descritores em Ciência da Saúde), foram: Envelhecimento, Idoso, Política Pública.

Após a seleção de todo o material literário, foram realizadas leituras explorativas e analíticas. Dentre as publicações selecionamos somente as de língua portuguesa e artigos que incluíssem revisão bibliográfica, sistemática e pesquisas experimentais nos últimos 10 anos. Foram excluídos alguns artigos por não relatar sobre o processo de envelhecimento no Brasil ou ressaltar apenas algumas leis relacionadas ao idoso. Desta forma foram analisados 13 artigos publicados entre o período de 2008 a 2013.

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DISCUSSÃO

No Brasil a população idosa ainda sofre em relação aos seus direitos, ocorre uma transferência dos deveres entre o Estado para a família devido a orçamento limitado. Sendo assim é preciso pensar no idoso de forma retrospectiva para prospectiva, ou seja, ações voltadas à infância e á juventude irão melhor assegurar que o envelhecer ocorra de forma saudável (LIMA; DELGADO, 2010).

Sendo assim, Kreling (2010), afirma ainda que as políticas públicas precisam ser reorganizadas, inclusive aquelas que irão surtir efeito de médio e longo prazo, mesmo que essa questão dependa de crescimento econômico por tempo indeterminado. Sabe-se que a participação no mercado de trabalho contribui para esse aumento da economia brasileira, portanto se preconiza que os indivíduos acima de 40 anos principalmente, se mantenham em atividade, não somente por passarem a representar a maioria da população, mas também por possuírem maior experiência e responsabilidade do sustento familiar, daí a necessidade de boas condições para a atuação dos mesmos.

Em contrapartida, a aposentadoria por critério de idade promove uma generalização, ou seja, independente da situação em que o indivíduo se encontra ele é visto como incapaz de trabalhar, associando a velhice com a invalidez, onde o indivíduo é afastado do trabalho independente de sua real condição de saúde. Assim a principal implicação é o aumento progressivo do número de aposentadorias ao mesmo tempo em que os gastos com idosos na saúde pública tende a aumentar. É perceptível nas políticas públicas de hoje a tentativa tornar o idoso “útil” para a sociedade, buscando derrubar a ideia de que ele precisa ser inativo ou doente, mas sim um indivíduo produtivo, nesse sentido o Estado passa a mudar as perceptivas de envelhecimento. Ressalta-se que a aposentadoria é um direito, seja para o descanso ou possível volta ao mercado de trabalho (CORREA, et al., 2010).

Portanto, a atenção voltada à saúde do idoso não se trata somente a ausência de doenças sendo elas físicas ou mentais, mas também à autonomia, sendo necessária capacidade funcional além do suporte social para a mesma, e a independência financeira. Diante disto, a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI), fundada pela portaria 2528/GM de 19 de outubro de 2006, demonstra-se de acordo com o pressuposto uma vez que, visa a integração do idoso através de um envelhecimento saudável, que propiciará a preservação da

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capacidade funcional e consequentemente sua autonomia, para isto a política conta com o Sistema Único de Saúde (SUS). Além da PNSPI o Pacto pela Saúde também ressalta o envelhecimento ativo, sendo imprescindível prevenção e promoção de saúde (FERNANDES, et al., 2012).

Em discordância, sabe-se que as políticas públicas relacionadas aos idosos não demonstram resposta satisfatória em sua prática, o SUS não está preparado para dar suporte á população idosa, há fragilidade ou até mesmo a ausência por parte do Estado, principalmente quando se trata de um idoso dependente, portanto a sensatez passa a ser da família, mesmo que esta também não demonstre preparo para tal “função”. Contudo, os familiares acabam sendo totalmente responsáveis pela proteção do idoso e de forma privada. O que contradiz princípios legais, uma vez que a família deveria ser uma parte integrante na proteção ao idoso e não total (SANTOS; SILVA, 2013).

Outro importante fator vivenciado no processo de envelhecimento é a imagem sociocultural que o indivíduo representa, considera-se, portanto que a sociedade deve ser ética, reconhecendo além dos direitos dos idosos o seu potencial.

Ressalta-se ainda que um envelhecimento saudável também dependa do próprio indivíduo, as ações do governo não irão surtir efeito se o próprio idoso não obtiver noção da importância de sua participação na sociedade (ANDRADE et al., 2013;

CAMARANO, et al., 2013; MOREIRA et al., 2013).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ainda que existam políticas voltadas para a população idosa elas não se demonstram eficazes na prática. Ainda que fossem, é preciso que além do governo, a sociedade, a família e o próprio idoso estejam em conjunto. Sendo que essas políticas devem ter ampla visão do processo de envelhecimento, não somente no idoso em si, afinal o jovem e adulto em “idade madura” de hoje são os idosos do futuro.

Considerando-se que há desigualdade entre as regiões dentro do próprio país, a transição demográfica terá diferente repercussão, sendo assim as políticas públicas não deveriam ser iguais em todo o âmbito nacional, uma vez que a realidade econômica, trabalhista, social, educacional e de saúde são diferentes.

Ressaltando que o ideal é atenção de forma preventiva.

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REFERÊNCIAS

ANDRADE, Luana Machado; SENA, Edite Lago da Silva; PINHEIRO, Gleide Magali Lemos; MEIRA, Edmeia Campos; LIRA, Lais Santana Santos Pereira. Políticas públicas para pessoas idosas no Brasil: uma revisão integrativa. Ciência & Saúde Coletiva. Bahia, v.18, n.12, p. 3543-3552, 2013.

ARAÚJO, Larissa Fortunato; COELHO, Carolina Gomes; DE MENDONÇA, Érica Toledo; VAZ, Aline Vasconcellos Martins; SIQUEIRA-BATISTA, Rodrigo; COTTA, Rosângela Minardi Mitre. Evidências da contribuição dos programas de assistência ao idoso na promoção do envelhecimento saudável no Brasil. Revista Panam Salud Publica. Viçosa-MG, v.30, n.1, p.80-6, 2011.

CAMARANO, Ana Amélia; KANSO, Solange; FERNANDES, Daniele.

Envelhecimento Populacional, Perda de Capacidade Laborativa e Políticas Públicas.

Ipea., p.21-29, fev.2013.

CORREIA, Mariele Rodrigues; FRANÇA, Sônia Aparecida Moreira; HASHIMOTO, Francisco. Políticas Públicas: a construção de imagens e sentidos para o

envelhecimento humano. Estudo Interdisciplinar Envelhecimento. Porto Alegre, v.15, n.2, p.219-38, 2010.

DE LIMA, Alisson Padilha; DELGADO, Evaldo Inácio. A Melhor Idade do Brasil:

Aspectos Biopsicossociais Decorrentes do Processo de Envelhecimento. Ulbra e Movimento (REFUM). Ji-Paraná, v.1, n.2, p.76-91, set./out. 2010.

DOS SANTOS, Nayane Formiga; E SILVA, Maria do Rosário de Fátima. As Políticas Públicas Voltadas ao Idoso: Melhoria da Qualidade de Vida ou Reprivatização da Velhice. Revista FSA. Teresina, v.10, n.2, p.358-71, abr./jun. 2013.

FERNANDES, Maria Teresinha de Oliveira; SOARES, Sônia Maria. O

desenvolvimento de políticas públicas de atenção ao idoso no Brasil. Revista

Escola de Enfermagem da USP. Belo Horizonte-BH, v.46, n.6, p.1494-1502, 2012.

KRELING, Norma Herminia. O envelhecimento do trabalhador impõe novos desafios às políticas públicas. Revista Brasileira de Estudos de População. Caxambu – MG, p.1-21, set. 2010.

MOREIRA, Missias Ramon; SANTOS, Carla Elane Silva dos; COUTO,

Edvaldo.Souza; TEIXEIRA, Jules Ramon Brito; Souza, Riane Messias Moreira Mendes. Qualidade de vida, Saúde e Política Pública de Idosos no Brasil: uma reflexão teórica. Revista Kairós Gerontologia. v.16, n.2, p.27-38, mar. 2013.

NASRI, Fabio. O envelhecimento populacional no Brasil. Einstein. São Paulo - SP, v.6, n.1, p. S4-S6, 2008.

SANTOS, Nelson Rodrigues dos. SUS, política pública de Estado: seu

desenvolvimento instituído e instituinte e a busca de saídas. Ciência & Saúde Coletiva. v.18, n.1, p. 273-280. 2013.

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