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Acórdão 00847/ ª Câmara

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Academic year: 2022

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ACÓRDÃO TC-847/2020 – PRIMEIRA CÂMARA

CONTROLE EXTERNO – FISCALIZAÇÃO – REPRESENTAÇÃO – INDEFERIR CAUTELAR – EXTINGUIR A REPRESENTAÇÃO – CIENTIFICAR – ARQUIVAR.

Enunciado: Não cabe o conhecimento de Representação quando ausentes os requisitos de admissibilidade. Uma vez não presentes os pressupostos presentes no artigo 177 do RITCEES entende-se pelo não conhecimento da mesma.

O RELATOR EXMO. SR. CONSELHEIRO RODRIGO COELHO DO CARMO:

I – RELATÓRIO

Tratam os autos de representação protocolada nesta Corte pelo Sr. Ely Carvalho de Oliveira, denunciando possíveis irregularidades na Concorrência Pública nº 05/2019 com pedido de suspensão cautelar, que possui como objeto a contratação de empresa para realização de Obra de melhoria Operacional de Pavimentação de

Acórdão 00847/2020-4 - 1ª Câmara

Processo: 03141/2020-9

Classificação: Controle Externo - Fiscalização - Representação UG: PMPK - Prefeitura Municipal de Presidente Kennedy

Relator: Rodrigo Coelho do Carmo

Representante: ELY CARVALHO DE OLIVEIRA

Responsável: WAGNER PORTO VIANA, LEONARDO DOS SANTOS, DORLEI FONTAO DA CRUZ

Identificador: A1BC4-8FF71-4F4B2

Assinado por SERGIO ABOUDIB FERREIRA PINTO 10/09/2020 18:05 Assinado por SEBASTIAO CARLOS RANNA DE MACEDO 10/09/2020 18:58 Assinado por RODRIGO COELHO DO CARMO 11/09/2020 13:36 Assinado por HERON CARLOS GOMES DE OLIVEIRA 11/09/2020 15:09

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Rodovia Vicinal Municipal do Trecho 1.8 ES – 162- Jaqueira a Santo Eduardo, com extensão de 2.1 Km.

Após análise da documentação constante dos autos, foi determinada a notificação dos responsáveis para que, no prazo de 05 (cinco) dias apresentassem justificativas e documentos que entendesse pertinentes.

Dessa forma, sendo protocolada a justificativas dos notificados em Defesa/Justificativa 00524/2020-5 acompanhada das Peças Respostas de Comunicação 00431/2020-2 e 00432/2020-7.

O processo foi então encaminhado ao Núcleo de Construção Civil Pesada – NCP, que após analisar a documentação emitiu Manifestação Técnica de Cautelar 00043/2020-4, opinando por denegar a cautelar requerida e determinar a extinção da presente representação.

Na sequência foi emitido Parecer 02208/2020-1 do Ministério Público de Contas, onde pugnou-se pelo arquivamento sem análise de mérito do processo.

Ato contínuo, os autos foram a mim remetidos. É o relatório.

II – DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE

Tratando-se de representação a mesma deve ser analisada em virtude de verificar os requisitos constantes do artigo 182, parágrafo único, e art. 177 e 177-A do RITCEES.

São os requisitos de admissibilidade da denúncia, que se aplicam a representação:

I –Ser redigida com clareza;

II –Conter informações sobre o fato, a autoria, as circunstâncias e os elementos de convicção;

III - estar acompanhada de indício de prova;

IV – se pessoa natural, conter o nome completo, qualificação e endereço do denunciante;

V –se pessoa jurídica, prova de sua existência, e comprovação de que os signatários têm habilitação para representá-la.

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§ 1º A denúncia não será conhecida quando não observados os requisitos de admissibilidade previstos neste artigo.

§ 2º Caberá ao Relator o juízo de admissibilidade da denúncia.

§ 3º Na hipótese de não conhecimento, a decisão deverá ser submetida ao Plenário.

§ 4º Comprovada, pelo Tribunal, a má fé do denunciante, o fato será comunicado ao Ministério Público para as medidas legais cabíveis

Com relação aos itens I e II verifica-se estar a presente representação redigida com clareza e conter informações necessárias. Com relação aos elementos de convicção, os mesmos serão analisados nas supostas irregularidades apontadas na petição inicial, tencionando encontrar elementos suficientes para a adoção de medida cautelar ou prosseguimento do feito.

Com relação ao disposto no inciso IV, não foi localizado documento de identificação.

Nesse sentido, tendo em vista a ausência de elementos, entendo pelo não conhecimento da presente representação, porém, passo a análise das supostas irregularidades.

III – FUNDAMENTAÇÃO

III.1 – Preço Supostamente acima do preço médio por quilometro

De acordo com o denunciante cada quilometro executado pela prefeitura de Presidente Kennedy custa para os contribuintes um valor quase três vezes maior que a média nacional, visto que cada “Km sai por nada menos que R$ 3.264.428,56 do referido valor” e numa pesquisa de preço descobre-se que o preço médio para executado de asfalto no Brasil é de R$ 1.3 Milhão.

Como afirma a área técnica, a afirmação do denunciante não possui argumentação técnica, sendo que o mesmo cita uma informação de uma entrevista que indica um suposto custo médio para as estradas em todo o Brasil. De acordo com o NCP:

Deve-se analisar que o Brasil tem uma variedade muito grande de solos, materiais de jazidas diversos, tipos e classes de estradas, onde diversos fatores são levados em conta, desde a largura e espessura do pavimento até a declividade do relevo, necessidade de cortes e aterros e suas distancias de transportes.

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Conforme documentação juntada aos autos o valor contratado ficou em R$

4.485.518,22, de forma que o preço por quilometro ficou em R$ 2.135.961,06, valor este bem abaixo do orçado.

Conforme informação apresentada pela área técnica desta Corte, a informação apresentada pelo representante foi extraída de publicação datada de abril e 2014 e que se fosse corrigida por mero aplicativo do site do Banco Central, se chegaria ao valor de custo médio por quilometro igual a R$ 1.837.789,07, valor este próximo ao licitado. Considerando haver várias razões para impactar no preço.

Diante do exposto, seguindo entendimento técnico e ministerial, entendo pela improcedência do presente item.

III.2 – Custo supostamente absurdo de administração local

O denunciante apresentou ainda o seguinte:

Em relação ao item 9 relativos ao encargo de administração local que tem o valor de nada menos R$ 478.421.18 somando chegamos ao um valor de R$ 728.563,27. Após esta análise observamos que quase R$800.000,00 sai dos cofres públicos que serão gastos em absolutamente em nada, pois os dois itens citados têm um custo altíssimo, em termos de obra, até agora não há nada.

Em resposta, os representantes da prefeitura de Presidente Kennedy apresentam as seguintes argumentações:

Com um simples olhar na planilha de preços do empreendimento de implantação do trecho Jaqueira a Santo Eduardo, verificamos que o item Administração Local apresenta um preço unitário de R$29.662,51 por mês, totalizando um montante de previsão de custo da ordem de R$ 177,975,08 após 06 (seis) meses de obra. Da mesma forma, os controles tecnológicos da obra, controles geométricos e geotécnicos tem seus preços unitários de R$19,736,08//mês para topografia e R$30,338,27/ mês para laboratório de solos e asfalto, totalizando a soma de 02 (dois) itens R$300.446,10após 06 (seis) meses de obra. São preços e valores de itens perfeitamente dentro das características econômicas deste projeto em questão. Mais uma vez afirmação do denunciante é mentirosa e leviana. Será que uma obra desta importância poderia ser executada sem profissionais responsáveis técnicos, sem controle tecnológico para a garantia de qualidade do empreendimento?

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Feita análise da planilha da licitação vislumbra-se serem condizentes as explicações dadas pelos representantes do município, sendo o valor de R$ 478.421,18 não correspondente a administração local e, dentro dele constam serviços importantíssimos para execução de uma rodovia.

Deve-se ser frisado ainda, que, apesar do valor de R$ 177.975,08 ser bem menor que o indicado pelo denunciante, este deve ser pago de forma fracionada e proporcional ao avanço da obra.

Diante das justificativas acima, em consonância com a Área Técnica desta Corte, entendo pela improcedência do item.

III.3 – Mobilização/ Desmobilização com valor acima do razoável

Traz críticas ainda o denunciante no seguinte ponto:

E simplesmente um absurdo imaginar que para executar uma obra desse porte tenha que se pagar R$250.142,09 somente com instalação de canteiro e mobilização e desmobilização

Já os representantes da prefeitura alegam que:

Há necessidade de previsão de uma logística para entendimento técnico-administrativo e para o sucesso da obra. Há a necessidade de se implantar escritórios de obra, refeitórios, sanitários, oficinas, pátio de estocagem de materiais, abastecimentos diversos, etc, o que torna a obra independente e autossuficiente. Por isso, existe a previsão da instalação do chamado canteiro de obras, mobilização e desmobilização de equipamentos. Em uma obra de construção rodoviária, além da necessidade de excelente padrão humano e de mão de obra, existe a necessidade de disponibilidade de grande parque de equipamentos pesados para os serviços de terraplanagem, pavimentação, drenagem etc etc. Para tudo isto existe um custo específico. A mobilização e desmobilização de equipamentos remunera custos de propriedade, de horas produtivas e improdutivas, de depreciação, de aquisição etc. São itens previstos neste tipo de obra e a afirmação do denunciante que são gastos que representam "absolutamente nada" é inverídica e leviana.

Pela natureza dos serviços e porte dos equipamentos em uma obra de pavimentação, normalmente é pago um valor para mobilização (empresa levar os equipamentos para a obra) e desmobilização (empresa levar os equipamentos após a execução dos serviços). Conforme ressalta a área técnica, existem muitas discussões sobre a forma de cálculo da distância e consequentemente dos custos de mobilização e desmobilização, havendo até profissionais que entendem que essa

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última não deva ser paga, visto o interesse ser da empresa e não da administração pública.

Sendo uma questão em aberto, deve a mesma ser analisada casuisticamente, observando as condições de execução e valores envolvidos. No caso em análise, entende-se que os valores inicialmente previstos em horas de transporte, apesar de ter um potencial questionamento, devem ser tidos como razoáveis.

De acordo ainda com o NCP o único ponto que deve ser observado é “que para a fase de execução do contrato a fiscalização deve observa a quantidade de máquinas e equipamentos efetivamente usados. Não se devendo pagar por exemplo a desmobilização de equipamentos alugados in loco, como por exemplo caminhões basculantes alugados no local da execução dos serviços”.

Dessa maneira, não merece o presente item prosperar, entendendo-se pela sua improcedência.

III.4 – Orçamento desatualizado

De acordo com as alegações do denunciante, a data base do orçamento deveria ser atual, e não de outubro/2018.

Com relação a este item, os gestores da Prefeitura Municipal de Presidente Kennedy argumentaram o seguinte:

A data base do orçamento deste empreendimento é a data de outubro de 2018, última atualização da tabela referencial de preços de DER/ES, tabela esta usual como referência de preços. Desnecessários maiores comentários sobre esta colocação do denunciante, eis que baseadas em meras suposições, desprovidas de qualquer embasamento legal.

Bem, em via de regra, as licitações devem apresentar orçamento atualizado, porém, em um ambiente com pouca inflação e itens sem grandes variações é possível a utilização de orçamento desatualizado.

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Devendo-se apenas lembrar que, o dever de orçar os serviços, para apresentar as propostas, é da empresa proponente, assim, em tese um orçamento desatualizado traria uma oferta de um desconto menor, pois parte desse desconto foi consumido pela inflação do período.

A área técnica traz ainda que, com a atual pandemia mundial do Covid-19, alguns preços podem estar indisponíveis ou sofrerem distorções momentâneas, assim, uma licitação elaborada com preços referenciais, mesmo desatualizados, pode conduzir a melhores resultados.

Assim, seguindo entendimento técnico, conclui-se pela improcedência do presente item.

IV – CONCLUSÃO

Feita análise dos itens, tomando como base o artigo 177 do RITCEES, constata-se que a presente representação não possui elementos para sua admissibilidade.

Assim, seguindo entendimento técnico e ministerial, VOTO para que seja adotada a seguinte deliberação que ora submeto à apreciação.

RODRIGO COELHO DO CARMO Relator

1. ACÓRDÃO TC-847/2020:

Vistos, relatados e discutidos os autos, ACORDAM os Srs. Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo, reunidos em sessão da Primeira Câmara, ante as razões expostas pelo relator, em:

1.1. Indeferir a cautelar requerida, conforme artigo 307, §2° do RITCEES;

1.2. Extinguir a presente representação, conforme art. 177 do RITCEES;

1.3. Cientificar os responsáveis do teor dessa decisão;

1.4. Arquivar os autos após trânsito em julgado.

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2. Unânime.

3. Data da Sessão: 28/08/2020 – 22ª Sessão Ordinária da 1ª Câmara.

4. Especificação do quórum:

4.1. Conselheiros: Sérgio Aboudib Ferreira Pinto (presidente), Rodrigo Coelho do Carmo (relator) e Sebastião Carlos Ranna de Macedo.

CONSELHEIRO SÉRGIO ABOUDIB FERREIRA PINTO Presidente

CONSELHEIRO RODRIGO COELHO DO CARMO Relator

CONSELHEIRO SEBASTIÃO CARLOS RANNA DE MACEDO Fui presente:

PROCURADOR DE CONTAS HERON CARLOS GOMES DE OLIVEIRA Em substituição ao procurador-geral

LUCIRLENE SANTOS RIBAS Subsecretária das Sessões

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