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Saude soc. vol.15 número2

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Academic year: 2018

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Editorial Especial

Eqüidade em Saúde

A Eqüidade é o tema central em discussão neste nú-mero 15/2 da Revista Saúde Sociedade, especialmen-te relacionado às questões do Estado Moderno e à Re-forma Sanitária no Brasil. Os diversos autores trazem contribuições importantes para a reflexão do tema, principalmente no contexto atual de implantação e avaliação do Sistema Único de Saúde em nosso país.

O primeiro artigo, de autoria da Profª. Carme Bor-rell da Agência de Saúde Pública de Barcelona, se pro-pôs a analisar as causas das desigualdades sociais em saúde, salientando o papel dos serviços sanitários, do financiamento e da organização dos serviços, mesmo reconhecendo que estes não sejam os determinantes principais das desigualdades. Como exemplo, apresen-ta as desigualdades na utilização dos serviços sani-tários na Catalunha onde existe um Sistema Nacio-nal de Saúde.

A preocupação demonstrada pelo Profª. Gastão Wagner S. Campos é com a análise dos conceitos de Eqüidade e com as implicações práticas de suas várias acepções. Considera que não há uma oposição abso-luta entre a análise do conceito no nível dos sistemas genéricos de leis e valores sociais e a análise da vari-ação singular no funcionamento cotidiano. No caso do Brasil, o autor chama a atenção para avanço da eqüidade na saúde com a implantação do SUS na últi-ma década, ao lado da persistência de desigualdades de acesso, financiamento e utilização dos serviços.

Por outro lado, lembra que é preciso reconhecer que as políticas de reforma agrária, geração de em-prego, de defesa do valor da remuneração do trabalho e transferência de renda a setores mais carentes da população tem efeitos mais imediatos na diminuição das desigualdades do que as políticas públicas de saú-de, segurança, habitação e educação.

A pergunta central colocada pelo Profª. Jairnilson Silva Paim da UFBA é se o SUS, pode ser visto como uma política pública de promoção de eqüidade. Mas a que projeto do SUS está referida a questão? ao SUS formal, ao SUS democrático ou ao SUS real? Conside-rando os momentos do ciclo de qualquer política

pú-blica é preciso, como enfatiza o autor, analisar os mo-mentos de sua formulação, implementação e avalia-ção. A Reforma Sanitária Brasileira e o Sistema Úni-co de Saúde no Brasil não se fizeram sob o patrocínio do Banco Mundial ou do Banco Interamericano de De-senvolvimento nos anos 80. Ao contrário, as propos-tas desses organismos encontraram “certa resistência ou oposição aberta” no Brasil, porque movimentos organizados da sociedade civil vincularam-se às idéias de democratização da saúde, diretos humanos e cida-dania. E apesar dos constrangimentos impostos pelo ajuste macro-estrutural, foi possível manter nos anos 90, os instrumentos legais que asseguram a univer-salidade do direito à saúde.

O Ministério da Saúde vem incentivando os Comi-tês de Promoção de Eqüidade, entendida como provi-mento de serviços para necessidades específicas de grupos ou pessoas, que passam a vocalizar suas ne-cessidades e exigir respostas do governo.

Ana Maria Costa e Tatiana Lionço, respectivamen-te Diretora e Técnica, da Secretaria de Gestão Partici-pativa do Ministério da Saúde, revelam suas preocu-pações com a produção de conhecimento sobre a eqüi-dade e com a implementação de políticas públicas que possam alterar a condição social de desigualdade. Concluem que juntas, a produção acadêmica atual e o fortalecimento dos movimentos sociais, têm contri-buído para a mobilização em torno da eqüidade.

Dois outros artigos, embora não se referiram di-retamente as questões da eqüidade, as tangenciam na análise do SUS no Brasil. Um deles é o artigo de Maria Raquel Pires e do Prof. Pedro Demo da UnB, que a analisa as possibilidades do Sistema Único de Saúde no Brasil no contexto de Crise do Estado de Bem Estar Social. Diante das ambigüidades de um sistema de saúde que se pretende equânime e de uma conjuntura de mercantização do direito à saúde, apontam para propostas de enfrentamento da situa-ção, que fortaleçam o controle democrático da socie-dade sobre as políticas públicas e a construção de autonomia dos sujeitos.

Em outro artigo, Telma Menicucci pesquisadora da Fundação João Pinheiro, ao observar o Sistema de

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6 Saúde e Sociedade v.15, n.2, p.5-8, maio-ago 2006

Saúde no Brasil nos anos 90, lembra-nos que o pro-cesso de implantação de uma política é contínuo, sen-do também um processo de formulação da própria política: o contexto político-econômico de ajustes, bem como os efeitos das políticas de saúde anterio-res, funcionaram como “constrangimentos” à implan-tação da Reforma Sanitária nos moldes em que pre-tendiam seus formuladores. No processo, o

estabele-cimento do marco regulatório da assistência privada contestou os princípios universalistas do SUS e o fi-nanciamento do sistema, acabando por consolidar, no entender da autora, um sistema de saúde dual: público e privado.

Referências

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