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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

1.0000.16.002396-6/000

Número do Númeração 0023966-

Des.(a) Peixoto Henriques Relator:

Des.(a) Peixoto Henriques Relator do Acordão:

28/06/2016 Data do Julgamento:

04/07/2016 Data da Publicação:

EMENTA: CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA - AÇÃO ORDINÁRIA DE COBRANÇA - ADICIONAL DE INSALUBRIDADE - PROVA PERICIAL - IRRELEVÂNCIA NA DEFINIÇÃO DA COMPETÊNCIA DO JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA. I - A partir de 23 de junho de 2015, por força do art. 23 da Lei n.º 12.153/2009, tornou-se amplo e irrestrito o funcionamento do Juizado Especial da Fazenda Pública, razão pela qual é de sua competência o processamento e julgamento da demanda ajuizada após essa data com conteúdo econômico inferior a 60 (sessenta) salários mínimos, que tenha em seu polo passivo a Fazenda Pública, que não se inclua no rol do art. 2º, § 1º, da Lei n.º 12.153/09 e que não seja da competência da Vara da Infância e da Juventude. II - À luz do art. 10 da Lei n.º 12.153/09 e do art. 12 da Lei n.º 10.259/01, corroborando sua jurisprudência, o c. Tribunal da Cidadania ainda há pouco assentou que "a necessidade de produção de prova pericial complexa não influi na definição da competência dos juizados especiais da Fazenda Pública" (AgRg no AREsp n.º 753.444/RJ, 2ª T/STJ, rel. Min. Herman Benjamin).

CONFLITO DE COMPETÊNCIA Nº 1.0000.16.002396-6/000 - COMARCA DE MANHUAÇU - SUSCITANTE: JD UNIDADE JURISDICIONAL DO JUIZADO ESPECIAL COMARCA MANHUAÇU JD JESP CÍVEL - SUSCITADA: JD 1ª V CV COMARCA MANHUACU - INTERESSADOS: ANA MARIA GOMES SOUZA E MUNICÍPIO MANHUAÇU

A C Ó R D Ã O

Vistos etc., acorda, em Turma, a 7ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal de

Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos,

em JULGAR IMPROCEDENTE O INCIDENTE, DECLARANDO

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COMPETENTE A SUSCITANTE.

DES. PEIXOTO HENRIQUES RELATOR

DES. PEIXOTO HENRIQUES (RELATOR)

V O T O

Versam os autos sobre conflito negativo de competência suscitado pela MM.ª Juiz de Direito do Juizado Especial da Comarca de Manhuaçu em face da MM.ª Juíza de Direito da 1ª Vara Cível da Comarca de Manhuaçu, o qual se trava em torno da competência para processamento e julgamento da

"ação ordinária de cobrança" manejada por Ana Maria Gomes Souza em desfavor do Município de Manhuaçu, visando a condenação do requerido "ao pagamento do autor no valor de R$ 16.778,51 (dezessete mil, setecentos e setenta e oito reais, cinqüenta e um centavos), retroagindo a 60 (sessenta) meses ou cinco anos, referente às últimas 60 parcelas devidas, vencidas e não adimplidas em razão do adicional de insalubridade a que faz jus e conforme demonstra a ficha financeira devidamente corrigida com base na tabela da Corregedoria de Justiça do TJMG, bem como aos juros na forma legal".

Originariamente distribuída para a suscitada, este declinou de sua competência ao entendimento de que "há normatização específica acerca da competência funcional dos Juizados Especiais para a tramitação e julgamento de causas de natureza como a ora proposta, tratando-se inclusive de competência absoluta em conformidade com o art. 2º, § 4º da Lei n.

12.153/09" (fl. 8-TJ).

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A seu turno, também refutando a competência, diz a suscitante que "não é admissível a realização de prova pericial nos Juizados Especiais, eis que afasta a pequena complexidade da causa, pressuposto para a competência do JESP" (fl. 9-TJ).

Desnecessárias maiores informações dos juízos conflitantes.

Em parecer da lavra do i. Procurador de Justiça Antônio César Mendes Martins, a d. PGJ/MG opina pela improcedência do conflito (fls. 14/14v-TJ).

Fiel ao breve, dou por relatado.

Pois bem...

Pela documentação coligida aos autos, possível constatar que a demanda que deu azo à deflagração deste conflito de competência diz respeito a uma "ação ordinária de cobrança", manejada por Ana Maria Gomes Souza em desfavor do Município de Manhuaçu, visando a requerente a condenação do requerido "ao pagamento do autor no valor de R$

16.778,51 (dezessete mil, setecentos e setenta e oito reais, cinqüenta e um centavos), retroagindo a 60 (sessenta) meses ou cinco anos, referente às últimas 60 parcelas devidas, vencidas e não adimplidas em razão do adicional de insalubridade a que faz jus e conforme demonstra a ficha financeira devidamente corrigida com base na tabela da Corregedoria de Justiça do TJMG, bem como aos juros na forma legal".

À causa, fique certo, foi dado o valor de R$ 16.778,51 (fl. 7-TJ).

Ora, dispondo acerca dos Juizados Especiais da Fazenda Pública, estabeleceu a Lei n.º 12.153/2009:

Art. 2º É de competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública

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processar, conciliar e julgar causas cíveis de interesse dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o valor de 60 salários mínimos.

§ 1o Não se incluem na competência do Juizado Especial da Fazenda Pública:

I - as ações de mandado de segurança, de desapropriação, de divisão e demarcação, populares, por improbidade administrativa, execuções fiscais e as demandas sobre direitos ou interesses difusos e coletivos;

II - as causas sobre bens imóveis dos Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios, autarquias e fundações públicas a eles vinculadas;

III - as causas que tenham como objeto a impugnação da pena de demissão imposta a servidores públicos civis ou sanções disciplinares aplicadas a militares.

Adiante, referida lei ainda diz:

Art. 5º Podem ser partes no Juizado Especial da Fazenda Pública:

I - como autores, as pessoas físicas e as microempresas e empresas de pequeno porte, assim definidas na Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006;

II - como réus, os Estados, o Distrito Federal, os Territórios e os Municípios,

bem como autarquias, fundações e empresas públicas a eles vinculadas.

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Saliente-se que a lei permitiu aos Tribunais limitar por até 5 (cinco) anos, a partir de sua entrada em vigor, a competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública, atendendo à necessidade da organização dos serviços judiciários e administrativos (art. 23, Lei n.º 12.153/09).

Todavia, hoje, referida limitação não mais subsiste, restando óbice apenas à remessa aos Juizados Especiais da Fazenda Pública das demandas ajuizadas até a data de sua instalação (23/6/2015), assim como as ajuizadas fora do Juizado Especial por força do disposto no art. 23 da Lei n.º 12.153/09.

Sobre o tema, atente-se para o inteiro teor da decisão monocrática prolatada pela i. Des.ª Ana Paula Caixeta:

A competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública encontra-se delineada no art. 2º da Lei Federal nº 12.153/09, que assim dispõe:

(...)

Foi estipulado que todas as causas de interesse da Fazenda Pública, com valor até 60 (sessenta) salários mínimos, tramitariam perante o Juizado, caso não se enquadrassem nas exceções ali previstas. No entanto, foi autorizado aos Tribunais de Justiça promoverem a limitação da competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública pelo prazo de cinco anos, a partir da entrada em vigor daquela lei:

Art. 23. Os Tribunais de Justiça poderão limitar, por até 5 (cinco) anos, a partir da entrada em vigor desta Lei, a competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública, atendendo à necessidade da organização dos serviços judiciários e administrativos.

A Lei Federal em questão foi publicada em 23/12/2009, com vacatio legis

correspondente a seis meses. Tendo a lei em vigor em 23/06/2010, o prazo

de cinco anos previsto no art. 23 teve fim em

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22/06/2015.

Assim, até o dia 22/06/2015 eram plenamente aplicáveis as disposições contidas na Resolução nº 700/12 do TJMG (que revogou a Resolução nº 641/10), no que se refere à competência dos juizados. A partir de 23/06/2015 as limitações contidas na Resolução deixaram de ter aplicabilidade.

Acrescento que a Resolução nº 641/10 foi expressamente revogada pela Resolução nº 700/12, antes da propositura da presente ação, motivo pelo qual não há que se discutir sua aplicabilidade.

Conforme documento eletrônico denominado "Comprovante de Pet. Inicial", a presente ação foi distribuída em 23/06/2015, ou seja, quando as limitações de competência da Resolução nº 700/12 já não podiam mais ser adotadas.

Prevalecem, portanto, as regras de competência da Lei nº 12.153/09. (AC n.º 1.0000.15.066598-2/001, rel.ª Des.ª Ana Paula Caixeta, DJ 10/11/2015 - transcrição parcial)

Digno de registro, também, as conclusões interpretativas da Lei n.º 12.153/2009 feitas pelo Grupo de Câmaras de Direito Público do eg. Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina:

1ª Conclusão:

A partir de 23 de junho de 2015, ex vi do art. 23 da Lei 12.153/2009, tem-se por incontroverso e indiscutível o funcionamento amplo e irrestrito das unidades dos Juizados especiais da Fazenda Pública em Santa Catarina, de forma autônoma, onde instalado juizado especial fazendário, e concorrente com outra unidade jurisdicional no interior.

(...)

2º Conclusão:

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A competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública, a teor do art. 2º caput e § 4º da Lei n. 12.153, de 22 de dezembro de 2009, é absoluta, cogente e inderrogável, e fixa-se, em regra, pelo valor da causa.

(...)

2ª-A Conclusão:

A inobservância ou inaplicação do microssistema especial dos Juizados da Fazenda Pública, por magistrado com competência simultânea ou concorrente, não traduz nulidade, uma vez garantido com maior amplitude o direito das partes, impondo-se apenas a sujeição recursal a órgão diverso, qual seja, a Turma de Recursos, convertendo a apelação, se já interposta, em recurso inominado.

Tendo a Lei n. 12.153/2009 admitido, em seu art. 23, a limitação das matérias da competência dos juizados especiais da fazenda pública, por óbvia razão, se há compreender e ter por reforçado o ensinamento segundo o qual a adoção de rito processual mais amplo não implica em nulidade processual, senão apenas no direcionamento do recurso eventualmente interposto ao órgão revisor competente, no caso, a Turma de Recursos.

A sentença proferida no juízo comum, por autoridade com competência jurisdicional concorrente, dispensa o pronunciamento de nulidade, porquanto a partir do momento em que o Tribunal reconhece a sua incompetência revisora, a sentença convalesce como pronunciada no juizado especial e, como tal, o recurso interposto, então de apelação, se aproveita da fungibilidade, porque reiniciado o prazo de impugnação da sentença, cumprindo seja admitido, tempestivamente, como recurso inominado.

A autorização de remessa dos autos à Turma Recursal da Fazenda Pública

pode ser extraída da própria dicção do art. 24 da Lei n. 12.153/2009, o qual

determina que "não serão remetidas aos Juizados

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Especiais da Fazenda Pública as demandas ajuizadas até a data de sua instalação". (grifos e negrito do original)1

In casu, vale assinalar, o feito originário foi distribuído aos 24/7/2015 (fl. 3 -TJ), ou seja, em data posterior a 23/6/2015.

Lado outro, ao contrário do que defende a suscitante, sua competência não é afastada pelo fato de que eventualmente se torne necessária a realização de prova pericial destinada à apuração e mensuração da insalubridade aventada na ação matriz.

Nesse sentido, confira-se:

O rito dos Juizados Especiais Federais não é incompatível com a produção de prova pericial, muito menos com a indicação de assistentes técnicos periciais. (AgRg no CC n.º 101.430/SC, 1ª Seç/STJ, rel. Min. Humberto Martins, DJe 3/8/2009 - ementa parcial)

A Lei n.º 12.153/09, que "dispõe sobre os Juizados Especiais da Fazenda Pública no âmbito dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios", assegura que:

Art. 10. Para efetuar o exame técnico necessário à conciliação ou ao julgamento da causa, o juiz nomeará pessoa habilitada, que apresentará o laudo até 5 (cinco) dias antes da audiência.

Dita regra, vale ver, foi reproduzida no art. 12 da Lei n.º 10.259/01 (que

"dispõe sobre a instituição dos Juizados Especiais Cíveis no âmbito da

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seguinte decisão do c. STJ:

4. "A necessidade de produção de prova pericial, além de não ser o critério próprio para definir a competência, não é sequer incompatível com o rito dos Juizados Federais, que prevê expressamente a produção dessa espécie de prova (art. 12 da Lei 10.259/01)" (CC 96.353/SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 09.09.08). (AgRg no CC n.º 103.089/SC, 1ª Seç/STJ, rel.

Min. Castro Meira, DJe 20/4/2009 - ementa parcial)

A propósito, em julgado mais recente, aquele c. Tribunal da Cidadania vaticinou:

PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO PROPOSTA CONTRA O ESTADO DO RIO DE JANEIRO. JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA. ARTIGO 2º DA LEI 12.153/2009. NECESSIDADE DE PROVA PERICIAL COMPLEXA.

VALOR DA CAUSA INFERIOR A 60 SALÁRIOS MÍNIMOS. COMPETÊNCIA ABSOLUTA. 1. O art. 2º da Lei 12.153/2009 possui dois parâmetros - valor e matéria - para que uma ação possa ser considerada de menor complexidade e, consequentemente, sujeita à competência do Juizado Especial da Fazenda Pública. 2. A necessidade de produção de prova pericial complexa não influi na definição da competência dos juizados especiais da Fazenda Pública. Precedente: REsp 1.205.956/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 01.12.2010; AgRg na Rcl 2.939/SC, Rel. Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Seção, DJe 18.09.2009; RMS 29.163/RJ, Rel.

Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, DJe 28.04.2010. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp n.º 753.444/RJ, 2ª T/STJ, rel. Min.

Herman Benjamin, DJe 18/11/2015 - negritei)

Reputo, pois, correta a declinatória da suscitada e, consequentemente,

insubsistente o incidente deflagrado pela suscitante.

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À mercê de tais considerações, JULGO IMPROCEDENTE este incidente, declarando competente a suscitada (no caso, a MM.ª Juíza de Direito do Juizado Especial da Comarca de Manhuaçu) para o processamento e julgamento da originária "ação ordinária de cobrança" (Proc. n.º 0394.15.008568-3).

Este o voto desta relatoria.

DES. OLIVEIRA FIRMO - De acordo com o Relator.

DES. WILSON BENEVIDES - De acordo com o Relator.

SÚMULA: "JULGARAM IMPROCEDENTE O INCIDENTE, DECLARANDO COMPETENTE A SUSCITANTE."

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