PROCESSO Nº TST-RR A C Ó R D Ã O 3ª Turma GMAAB/lt/ct/smf/LSB
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(2) Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho. PROCESSO Nº TST-RR-2882-54.2014.5.02.0036 Lei nº 12.740/2012. Ressalte-se que no caso dos autos fica ainda mais latente a prescindibilidade da perícia, pois o reclamante laborava como vigilante em empresa de transporte de valores, que também prestava serviços para bancos, tornando incontroverso o risco a que estava exposto. Recurso de revista conhecido por divergência jurisprudencial e provido.. Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso de Revista n° TST-RR-2882-54.2014.5.02.0036, em que é Recorrente JOSÉ NILTON PEREIRA DA SILVA e são Recorridos BANCO BRADESCO S.A., BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. e RRJ TRANSPORTE DE VALORES SEGURANÇA E VIGILÂNCIA LTDA.. O e. Tribunal Regional do Trabalho deu provimento parcial aos recursos dos bancos reclamados, para afastar a responsabilidade solidária da segunda e terceira reclamadas, atribuindo-lhes responsabilidade subsidiária, bem como excluir da condenação o adicional de periculosidade e reflexos. O reclamante interpôs recurso de revista, o qual foi admitido nos termos do despacho proferido. Não foram apresentadas contrarrazões. Não houve manifestação do Ministério Público do Trabalho. É o relatório. V O T O 1 – CONHECIMENTO O recurso de revista é tempestivo e está subscrito por advogado habilitado. Isento o preparo.. Firmado por assinatura digital em 05/08/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003CD34134F27C720.. fls.2.
(3) fls.3. PROCESSO Nº TST-RR-2882-54.2014.5.02.0036 1.1 – ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. VIGILANTE. PROVA TÉCNICA. DESNECESSIDADE Alega o reclamante, em síntese, a desnecessidade de realização de perícia técnica para a configuração do direito ao adicional de periculosidade. Indica violação do artigo 193, II, da CLT e divergência jurisprudencial. Transcreve nas razões do recurso de revista o seguinte trecho do TRT: ADICIONAL DE PERICULOSIDADE A despeito de o reclamante executar a função de vigilante, é certo que o art. 195 da CLT impõe a necessidade de realização de prova pericial para a apuração da periculosidade. No caso em exame, a prova técnica não for realizada, aliás, nem sequer foi requerida pela parte autora, o que conduz à improcedência do pedido. Nesse sentido é o entendimento do C. TST: ADICIONAL DE PERICULOSIDADE - CARACTERIZAÇÃO NECESSIDADE DE PERÍCIA. A Eg. SDI já consolidou entendimento no sentido de ser obrigatória e indispensável a realização de perícia para caracterização e deferimento do adicional de periculosidade, conforme dispõe o art. 195. § 2°, da CLT, que exige perícia para constatação do labor em condições de trabalho insalubre ou perigoso. Recurso conhecido e provido. (RR - 509685- 20.1998.5.08..555 5 Relator Ministro: Valdir Righetto, Data de Julgamento: 23/06/1999, 2ª Turma, Data de Publicação: DJ 06/08/1999) Dou provimento, para excluir da condenação o adicional de periculosidade e reflexos. Ao exame. O aresto colacionado às págs. 528/530 autoriza o conhecimento do recurso, na medida em que consagra a tese de que no caso dos vigilantes, a partir da mudança na legislação (artigo 193, II, da CLT), a produção da prova pericial se torna desnecessária para fins de deferimento do adicional de periculosidade. Conheço do recurso, por divergência jurisprudencial. Firmado por assinatura digital em 05/08/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003CD34134F27C720.. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho.
(4) Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho. PROCESSO Nº TST-RR-2882-54.2014.5.02.0036. 2 – MÉRITO 2.1 - ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. VIGILANTE. PROVA TÉCNICA. DESNECESSIDADE Centra-se a controvérsia sobre a necessidade ou não de produção de prova técnica para o deferimento do adicional de periculosidade no caso de vigilante. Nos termos do caput do art. 193 da CLT, para a caracterização de uma atividade ou operação como perigosa é indispensável a previsão em regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Assim, embora a Lei nº 12.740/2012 tenha introduzido o inciso II ao art. 193 da CLT, reputando como atividade perigosa a exposição permanente do trabalhador a "roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de segurança pessoal ou patrimonial", o adicional de periculosidade somente é devido a partir da regulamentação pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A matéria foi regulamentada pelo MTE na Norma Regulamentar nº 16 da Portaria nº 3.214/1978, conforme Anexo 3 , incluído pelo Portaria nº 1.885/2013, a qual foi publicada em 3/12/2013. Dessa forma, o adicional de periculosidade assegurado ao vigilante que labora exposto a roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de segurança pessoal ou patrimonial somente é devido a partir de 3/12/2013, data da publicação da Portaria nº 1.885/2013 do MTE, que regulamentou o art. 193, II, da CLT. Ora, uma vez que há a previsão em lei da atividade do vigilante, o qual exerce atividade perigosa, estando exposto, de forma permanente, a roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de segurança pessoal ou patrimonial, torna-se desnecessária a produção de prova técnica para atestar a periculosidade, nos termos do artigo 195, §2º, da CLT. No caso, o Regional deixou textualmente registrado que, a despeito de o reclamante executar a função de vigilante, é certo Firmado por assinatura digital em 05/08/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003CD34134F27C720.. fls.4.
(5) fls.5. PROCESSO Nº TST-RR-2882-54.2014.5.02.0036 que o art. 195 da CLT impõe a necessidade de realização de prova pericial para a apuração da periculosidade. Ora, é desnecessária a produção de prova técnica no caso de o adicional de periculosidade deferido ao empregado vigilante, porquanto decorre da aplicação do art. 193, II, da Consolidação das Leis do Trabalho, com redação conferida pela Lei nº 12.740/2012, que instituiu o adicional para os empregados que exercem atividade profissional de segurança pessoal ou patrimonial. Nesse sentido são os seguintes julgados: RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO EM FACE DE DECISÃO PUBLICADA NA VIGÊNGIA DA LEI 13.015/2014. (...) ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. VIGILANTE. ART. 195, § 2º, DA CLT. VIOLAÇÃO NÃO CONFIGURADA. Delimitado pelo eg. Tribunal Regional que o serviço de vigilância foi contratado "para evitar roubos ou outras espécies de violência física", não há se falar em necessidade de perícia, nos termos do art. 195, § 2º, da CLT, posto que o art. 193, II, da Consolidação das Leis do Trabalho, com redação conferida pela Lei nº 12.740/2012, instituiu o adicional de periculosidade para os empregados que exercem atividade profissional de segurança pessoal ou patrimonial, caso do reclamante. Recurso de revista não conhecido. (...). (RR - 438-72.2013.5.09.0041 , Relator Ministro: Aloysio Corrêa da Veiga, Data de Julgamento: 18/03/2015, 6ª Turma, Data de Publicação: DEJT 20/03/2015) RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DA LEI 13.015/14. (...) ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. VIGILANTE. ART. 193, CAPUT E II, DA CLT. LEI Nº 12.740/2012. EFEITOS PECUNIÁRIOS A PARTIR DA REGULAMENTAÇÃO. PORTARIA Nº 1.885/2013 DO MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Nos termos do caput do art. 193 da CLT, para a caracterização de uma atividade ou operação como perigosa, é indispensável a previsão em regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Assim, embora a Lei nº 12.740/2012 tenha introduzido o inciso II ao art. 193 da CLT, reputando como atividade perigosa a exposição permanente do trabalhador a "roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de Firmado por assinatura digital em 05/08/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003CD34134F27C720.. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho.
(6) Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho. PROCESSO Nº TST-RR-2882-54.2014.5.02.0036 segurança pessoal ou patrimonial", o adicional de periculosidade somente é devido a partir da regulamentação pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A matéria foi regulamentada pelo MTE na Norma Regulamentar nº 16 da Portaria nº 3.214/1978, conforme Anexo 3 , incluído pela Portaria nº 1.885/2013, a qual foi publicada em 3/12/2013. Portanto, o adicional de periculosidade assegurado ao vigilante que labora exposto a roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de segurança pessoal ou patrimonial somente é devido a partir de 3/12/2013, data da publicação da Portaria nº 1.885/2013 do MTE, que regulamentou o art. 193, II, da CLT. No caso em exame, o reclamante, na condição de vigilante, trabalhou exposto ao risco de roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de segurança pessoal e patrimonial, sendo-lhe devido o adicional de periculosidade, na forma do art. 193, II, da CLT, todavia, apenas a partir de 3/12/2013, data em que foi publicada a Portaria nº 1.885/2013 do MTE. Recurso de revista conhecido por violação do artigo 193, II, da CLT. CONCLUSÃO: Recurso de revista parcialmente conhecido por violação do artigo 193, II, da CLT e provido. (RR - 10384-07.2014.5.15.0093 , Relator Ministro: Alexandre de Souza Agra Belmonte, Data de Julgamento: 19/09/2018, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 21/09/2018) No caso dos autos fica ainda mais latente a prescindibilidade da perícia, pois o reclamante laborava como vigilante em empresa de transporte de valores, que também prestava serviços para bancos, tornando incontroverso o risco a que estava exposto. Ante o exposto, dou provimento ao recurso de revista para restabelecer a sentença que deferiu o pleito de adicional de periculosidade e reflexos a partir de 3/12/2013. ISTO POSTO ACORDAM os Ministros da Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, por unanimidade, conhecer do recurso de revista por divergência jurisprudencial, e, no mérito, dar-lhe provimento para restabelecer a sentença que deferiu o pleito de adicional de periculosidade e reflexos a partir de 3/12/2013. Firmado por assinatura digital em 05/08/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003CD34134F27C720.. fls.6.
(7) Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho. PROCESSO Nº TST-RR-2882-54.2014.5.02.0036. Brasília, 5 de agosto de 2020. Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001). ALEXANDRE AGRA BELMONTE Ministro Relator. Firmado por assinatura digital em 05/08/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003CD34134F27C720.. fls.7.
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