• Nenhum resultado encontrado

J. Pediatr. (Rio J.) vol.93 número3

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "J. Pediatr. (Rio J.) vol.93 número3"

Copied!
6
0
0

Texto

(1)

www.jped.com.br

ARTIGO

ORIGINAL

Risk

of

recurrence

after

a

first

unprovoked

seizure

in

children

Catarina

Maia

a,

,

Ana

Raquel

Moreira

b

,

Tânia

Lopes

b

e

Cecília

Martins

b

aCentroHospitalardeVilaNovadeGaia/Espinho,Servic¸odePediatria,VilaNovadeGaia,Portugal

bCentroHospitalardoMédioAve,Servic¸odePediatria,Famalicão,Portugal

Recebidoem17deabrilde2016;aceitoem11dejulhode2016

KEYWORDS Seizures; Firstunprovoked seizure;

Recurrence; Child

Abstract

Objectives: Thisstudyaimedtoevaluatethefirstepisodeofunprovokedepilepticseizurein

childrenandassessrecurrenceriskfactors.

Methods: Thiswasaretrospectiveobservationalstudy,basedontheanalysisofmedicalrecords

ofpatientsadmittedbetween2003and2014,withfirstepilepticseizure,atthepediatricservice

ofasecondaryhospital.ThedatawereanalyzedusingtheSPSS20.0program.

Results: Of the103patients, 52.4% wereboys. Themedian ageatthefirst seizurewas 59

(1-211)months.About93%ofchildrenweresubmittedtoanelectroencephalogram(EEG)at

thefirstepisodeand47%underwentneuroimagingassessment.Treatmentwithanantiepileptic

drugwasstartedin46%ofpatients.Therecurrenceratewas38%andofthese,80%hadthe

secondseizurewithinsixmonthsafterthefirstevent.Oftheassessedriskfactors,therewas

astatisticallysignificantassociationbetweenseizureduringsleepandrecurrence(p=0.004),

andbetweenremotesymptomaticetiologyseizureandoccurrenceofnewseizure(p=0.02).

Thepresence ofEEGabnormalitieswasalsoassociatedwiththeoccurrenceofnewseizures

(p=0.021).Noassociationwasfoundbetweenage,durationoftheseizure,andfamilyhistory

ofepilepsywithincreasedriskofrecurrence.

Conclusions: Mostchildrenwithafirstunprovokedepilepticseizurehadnorecurrences.Therisk

ofrecurrencewashigherinpatientswithseizureoccurringduringsleeporremotesymptomatic

onesandthosewithabnormalEEGresults.

©2016SociedadeBrasileiradePediatria.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisanopen

accessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/

4.0/).

DOIserefereaoartigo:

http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2016.07.001

Comocitaresteartigo:MaiaC,MoreiraAR,LopesT,MartinsC.Riskofrecurrenceafterafirstunprovokedseizureinchildren.JPediatr (RioJ).2017;93:281---6.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](C.Maia).

(2)

PALAVRAS-CHAVE Convulsão;

Primeiracrisenão provocada; Recorrência; Crianc¸a

Riscoderecorrênciaapósumaprimeiracriseepiléticanãoprovocadaemidade pediátrica

Resumo

Objetivos: Estetrabalhotevecomoobjetivosestudaroprimeiroepisódiodecriseepiléticanão

provocadaemidadepediátricaeavaliarosfatoresderiscoderecorrência.

Métodos: Estudo observacionalretrospectivo, baseado naanálisedosprocessos clínicos dos

pacientesinternadosentre2003e2014,numservic¸odepediatriadeum hospitaldenível2,

comprimeiracriseepilética.OsdadosforamtrabalhadoscomoprogramaSPSSStatistics20.0.

Resultados: Dos103pacientes,52,4%erammeninos.Amedianadaidadedaprimeiracrisefoi

de59(um-211)meses.Fizerameletroencefalogramanoprimeiroepisódio93%dascrianc¸ase

47%neuroimagem.Otratamentocomfármacoantiepiléticofoiinstituídoem46%dospacientes.

Ataxaderecorrênciafoi38%e,desses,80%tiveramasegundacrisenosseismesesseguintes

apósoprimeiroevento.Dosfatoresderiscoestudadosverificou-seumarelac¸ão

estatistica-mentesignificativaentreacriseduranteosonoearecorrência(p=0,004),assimcomoentre

ascrisesdeetiologiasintomáticaremotaeaocorrênciadenovascrises(p=0,02).Apresenc¸a

deanormalidadesnoeletroencefalogramatambémesteveassociadaàocorrênciadenovas

cri-ses(p=0,021).Nãoseencontrourelac¸ãoentreidade,durac¸ãodacriseehistóriafamiliarde

epilepsiacomriscoaumentadoderecorrência.

Conclusões: Amaioriadascrianc¸ascomumaprimeiracriseepiléticanãoprovocadanãoteve

recorrências.Oriscoderecorrênciafoisuperiornospacientescomcriseduranteosonooucrise

sintomáticaremotaenaquelescomeletroencefalogramaalterado.

©2016SociedadeBrasileiradePediatria.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigo

OpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.

0/).

Introduc

¸ão

Ascrisesepiléticassãoumdosproblemasneurológicosmais frequentes na infância. Estima-se que aproximadamente 50%dascrianc¸aseadolescentesquetêmumaprimeiracrise epiléticaterãoumarecorrência.1Oconhecimentoda

histó-rianaturalapósumaprimeiracriseepiléticanãoprovocada

e dos fatores de risco para recorrência é essencial para

estabelecercritériosdetratamentoeseguimento.Aolongo

dosanos,váriosautorestêmsugeridofatorespreditoresde

recorrência,2---4comoaidadedaprimeiracrise,ogênero,a

históriafamiliar e perinatal,ascaracterísticasdacrise, o

resultadodeeletroencefalograma(EEG),entreoutros.

Con-tudo,osestudosnemsempresãoconsensuaiseosexistentes

em Portugal relativamentea essa problemática sãoainda

escassos. Pereira et al.5 avaliaram 200 crianc¸as com um

primeiroepisódiodecriseepiléticanãoprovocadadurante

15anos.Segundo esseestudo, feitoem Portugal,30%das

crianc¸asdesenvolveramepilepsia,estavamascrisesfocais

eoEEGalteradosassociadosamaiorrisco derecorrência.

Esses autores não encontraram relac¸ão entre

anteceden-tesdecrisesfebris,intercorrênciasnoperíodoneonatale

históriafamiliardeepilepsiacomaumentodoriscode

recor-rência.

Onossotrabalhotevecomoobjetivosestudaroprimeiro

episódiodecrise epiléticanãoprovocada na idade

pediá-tricaeavaliarosfatoresderiscoderecorrência.

Metodologia

Desenhodoestudoeamostrapopulacional

Estudoobservacionalretrospectivo,baseadonaanálisedos processos clínicos dos pacientes admitidos num hospital

português de nível 2, entre outubro de 2003 e junho de 2014.Nesteestudo foramincluídosospacientesem idade pediátrica (< 18 anos) com suspeita deprimeiro episódio decriseepilética.Foramexcluídosospacientescomidade inferiora28diaseaquelesemqueseidentificouumfator agudocausadorparaacrise.Ascrianc¸ascomcrisede etiolo-giasintomáticaemquenãoseidentificouumeventoagudo causadorforamincluídas.

Protocolodoestudo

As definic¸ões usadas foram baseadas nos critérios e nas classificac¸õespublicadospelaInternationalLeagueAgainst Epilepsy (ILAE),6 com algumas adaptac¸ões. O diagnóstico

deprimeiracrise epiléticanãoprovocadafoiestabelecido

peloclínicoqueatendeuacrianc¸a,teveemcontaossinais

e sintomasdescritose/ouapresentados.Acrisefoi

classi-ficada como nãoprovocada quando nãoseidentificou um

fator agudo causador para a crise (por exemplo

trauma-tismocranioencefálico,febre,hiponatremia,hipocalcemia,

exposic¸ão atóxicos etc.). Considerou-se crise sintomática

remota quando não havia causa imediata, mas a crianc¸a

tinhaantecedentesdeinsultoneurológicoprévio,talcomo

umaencefalopatiacrônica nãoevolutiva ouacidente

vas-cular cerebral, que levou a uma lesão estática. Não foi

possível estabelecerretrospectivamente adistinc¸ão entre

criseidiopáticaecrisecriptogênicaparatodasascrianc¸as.

Relativamenteao tipodecrise, foifeitaadistinc¸ãoentre

crises focais (divididas em focais sem alterac¸ão da

cons-ciência,focais comalterac¸ãodaconsciência efocais com

generalizac¸ão secundária) e generalizadas (divididas em

ausências, mioclônicas, clônicas, tônicas, tônico-clônicas

(3)

Generalizadas Focais Indeterminadas

< 5 minutos

5-15 minutos

>15 minutos 5,8%

29,1%

65,0%

37,0% 15,2%

47,8%

Figura1 Caracterizac¸ãodascrisesesuadurac¸ão.

tendoemcontaosregistos,nãofoipossívelestabelecera classificac¸ão entrefocal e generalizada.Definiu-se recor-rênciacomoumacrisenãoprovocadaqueocorreumaisde 24horasapósaprimeiracrise.

Oestudofoiaprovadopelocomitêdeéticadainstituic¸ão onde foi feito(Centro Hospitalar doMédio Ave). Comose tratadeumestudoretrospectivo,nãohouveassinaturade termodeconsentimentoporparte dosresponsáveislegais dospacientes.

Variáveisdemográficas,clínicaseanalíticas analisadas

Gênero, idade da primeira crise epilética, antecedentes pessoais(incluindoinformac¸õessobrehistóriaprée perina-tal, desenvolvimentopsicomotore antecedentes decrises febris),antecedentesfamiliares(principalmenterelativosà históriadeepilepsia,crisesfebriseatrasocognitivo),tipo decrise,exameobjetivo,examescomplementaresde diag-nóstico,terapêuticaeseguimento.

Análiseestatística

Nas comparac¸ões entre os grupos, baseadas em variáveis categóricas,foiusadootestedoqui-quadradode indepen-dência.Noscasosem quenãoseverificaramascondic¸ões deaplicabilidadedotestequi-quadradousaram-seos resul-tadosdotesteexato.Nascomparac¸õesentreosdoisgrupos baseadosemvariáveiscontínuasrecorreu-seaotestetpara amostrasindependentes.Paraaanáliseestatísticausou-se oprogramainformáticoSPSS(IBMSPSSStatisticspara Win-dows,versão20.0,EUA).Considerou-seumaprobabilidade deerrotipoI(␣)de0,05emtodasasanálisesinferenciais.

Resultados

Descric¸ãodaamostrapopulacional

Duranteo períododeestudoforamadmitidos 103 pacien-tesentreummêse 18anos,com diagnósticodeprimeiro episódiodecriseepiléticanãoprovocada.Dos103 pacien-tes estudados,52,4% eram dosexomasculino. Amediana daidadenoepisódiodaprimeira crisefoi de59(um-211) mesese amédia de 74 meses,apresentaram-se 35% com

idade inferior a dois anos e 25,2% com idade superior a 10anos.Dessascrianc¸as,12(11,7%)tinhamantecedentesde prematuridade,cinco(4,9%)tinhamsidoreanimadasapóso nascimentoe15(14,6%)tinhamatrasododesenvolvimento psicomotoroudéficitcognitivo.Setepacientes(6,8%) apre-sentavam alterac¸ão cerebral préviae nove (8,7%) tinham antecedentesdecrisesfebris.Ahistóriafamiliarde epilep-siafoipositivaem44% doscasos.Tinhamhistóriafamiliar decrises febris e 3,4% e 7% tinham parentes com atraso cognitivo.

Característicasdaprimeiracrise

Acrise foi classificada como sintomática remota em sete casos (um de calcificac¸ões cerebrais e coriorretinite por infec¸ão congênita a citomegalovírus, dois de síndrome polimalformativa, dois casos de encefalopatia hipóxico--isquêmica,umdeacidentevascularcerebralapóscirurgia cardíaca no período perinatal e um de meningite). Rela-tivamente à semiologia, a crise foi generalizada em 65% doscasos(principalmente tônico-clônica), focalem 29,1% (maioritariamente focal com alterac¸ão da consciência) e indeterminada em 5,8% das crianc¸as/adolescentes. A durac¸ãofoiinferioracincominutosem48%dospacientese superiora15minutosem15%doscasos(fig.1).

Aproxima-damente25%dascrianc¸astiveramaprimeiracrisedurante

osono.Em5%dascrianc¸as,aapresentac¸ãoinicialfoicomo

estadodemal epiléptico e 30% tiverammaisdoque uma

crisenasprimeiras24horas.

Estudofeitoeterapêuticainstituída

(4)

Tabela1 Análisedosfatoresderiscoderecorrência

Fatoresderisco Recorrêncian=33 Semrecorrência

n=53

p

Sexofeminino 17(51,5%) 36(67,9%) NS

Idade<2anos 12(36,3%) 30(56,6%) NS

Prematuridade 2(6%) 7(13%) NS

Etiologiasintomáticaremota 4(12,1%) 0 0,02

Atrasododesenvolvimentopsicomotor 6(18,1%) 7(13,2%) NS

Criseparcial 10(30%) 9(17%) NS

Malepilético 0 4(7,5%) NS

Durac¸ãocrise>15minutos 3(9,1%) 11(20,8%) NS

Crisesduranteosono 14(42,4%) 8(15,1%) 0,004

AtividadeparoxísticanoEEG 18(54,5%) 19(35,8%) 0,021

Históriapessoalconvulsõesfebris 3(9,1%) 6(11,3%) NS

Históriafamiliardeepilepsia 13(39,4%) 34(67,9%) NS

NS,nãosignificativo;EEG,eletroencefalograma.

60

50

40

30

Percentagem

20

10

0

0 6 12

Tempo (meses)

24 18

Figura2 Tempoderecorrênciadepoisdaprimeiracrise.

Taxaderecorrênciaerespectivosfatoresderisco

Dos 103 pacientes estudados, em 17 (três com etiologia sintomáticaremota)nãofoipossívelmanter oseguimento e como tal avaliar a taxa de recorrência. Dos restantes 86 casos,26 foramseguidos durante mais de cincoanos, 35 foram seguidos entre dois e cinco anos e 25 tinham umperíodo deseguimento inferior a dois anos à data do estudo. A taxa de recorrência foi de 38% e, desses, 80% tiveram a segunda crise nos seis meses seguintes após o primeiroevento.Apenasumacrianc¸ateveasegundacrise maisdeumanoapósaprimeira(fig.2).Dosfatoresderisco

derecorrência estudadosverificou-seumarelac¸ão

estatis-ticamente significativa entre a crise durante o sono e a

ocorrência de novas crises (p=0,004), assim como entre

ascrises de etiologiasintomática remota e a recorrência

(p=0,020).Apresenc¸adeanormalidadesno

eletroencefalo-gramatambémesteveassociadaàocorrênciadenovascrises

(p=0,021). Não se encontrou relac¸ão entre sexo, idade,

intercorrênciasprée perinatais,durac¸ãodacrise,tipode

crise(generalizadavsfocal),históriapessoaldecrisesfebris

ouhistóriafamiliardeepilepsiaeriscoaumentadode

recor-rência(tabela1).

Discussão

Ascrisesepiléticassãoumadasalterac¸õesneurológicasmais comunsnascrianc¸as.Oprimeiroepisódiodecriseepiléticaé sempreumeventocausadordeansiedadenospais,compete aoprofissionaldesaúdeconheceraabordagemeorientac¸ão aadotaremcadacaso.

Osestudossobrearecorrênciaapósumaprimeiracrise nãoprovocadarevelampercentagensentre33e61%durante umseguimentomédiodedoisanos.2,3,7---9Nonossoestudoa

taxa derecorrência foi38%, aprobabilidade de

recorrên-ciafoisuperiornosprimeirosmesesapósaprimeiracrisee

muitobaixaapósoprimeiroano,oqueéconcordantecoma

literaturaecomoutroestudofeitoemPortugal.5Apesardo

tempodeseguimentonãoserigualemtodasascrianc¸as,a

maioriafoiseguidadurantemaisdedoisanos,oqueparece

indicarqueointervalodetemposemcrisesapósaprimeira

criseepiléticainfluenciaoriscoderecorrência.

Shinnaretal.9eWinckleretal.10investigaramosfatores

de risco associados à recorrência de crises não

provoca-das emcrianc¸as. Segundoesses autoresaidade médiada

primeira crise foideseisanos, oque estáde acordocom

o que severificounonossotrabalho. Aidade na primeira

crisenãoesteveassociadaamaiorrisco derecorrênciano

nossoestudo,oqueéconcordantecomoestudodeWinckler

etal.10

Relativamenteà influênciada história familiar de

epi-lepsianoriscoderecorrência,algunsestudosnaliteratura

encontraramumarelac¸ãopositiva.3,10,11Talnãoseverificou

nonossoestudonemnodescritoporPereiraetal.5

Osestudosdesenvolvidos na décadade1980 sobre

cri-sesepiléticasnacrianc¸areportaramumapredominânciade

crisesgeneralizadas,12,13 oqueestá deacordocomo

des-critomaisrecentementeporWinckleretal.10ecomonosso

(5)

descreveummaiornúmerodecrisesfocais.14,15Essa

discre-pânciapodeserexplicadapordiferenc¸asnaamostrausada

oupelo fatode setratar de umestudo retrospectivo, no

qualoscasosforamavaliadoseregistadosporvários

médi-cos,nãosepodeexcluirumviésnaclassificac¸ãosemiológica

(sabe-seque ascrisesfocais motorassãofrequentemente

classificadascomogeneralizadas).

Em relac¸ão à influência do tipo de crise para o

risco de recorrência, Winckler e Rotta2 encontraram um

risco seis vezes superior de novas crises se a primeira

crise foi focal. Resultados semelhantes foram reportados

posteriormente.16 Pelo contrário, outros estudos3,10 não

encontraram associac¸ão e essa relac¸ão também não foi

encontradanonossotrabalho.Contudo,talcomoexplicado

previamente,nãosepodeexcluirumviésna classificac¸ão

semiológica e como tal esses resultados necessitam de

confirmac¸ãopormeiodeestudosprospectivos.

Talcomopreviamenterelatado,verificou-seuma

predo-minância decrisescurtase decrisesem quea crianc¸ase

encontravaacordada.Oriscoderecorrêncianonossocaso

foi superior nas crises durante o sono, como descritoem

outrosestudos.9,17Segundoaliteratura,talrelac¸ãoparece

independentedaassociac¸ãodecertossíndromesepiléticos

comcrisesduranteosono.18Algunsautoressugeremqueas

crisesqueocorremduranteosonopodemnãoser

precoce-menteidentificadasecomotalaexistênciadeoutrascrises

previamente àquela que foi detectada explicaria o maior

riscoderecorrêncianessascrianc¸as.4Contudo,aexplicac¸ão

paraessarelac¸ãoéaindacontroversa.

Aolongodosanos,váriosautorestêmreferidoa

impor-tânciadeumEEGcomatividadeepileptiformenoriscode

recorrência.5,10,19,20Onossoestudoconfirmouorisco

aumen-tado de recorrência quando o primeiro EEG apresentava

atividadeparoxística.ComooEEGéumexamenãoinvasivo

edebaixocusto,comumpapelimportantenaavaliac¸ãode

recorrênciadecrise,osautoressugeremquesejasolicitado

apósaprimeiracrisenãoprovocada.

Tal como esperado, o grupo decrianc¸as com crises de

etiologiasintomática remota (noqual se incluíam ostrês

casos com RM cerebral alterada) teve ummaior risco de

recorrência.

Sabe-sequeo tratamentoantiepiléticoapósaprimeira

crise reduz a recorrência nos dois primeiros anos.21

Con-tudo, em longo prazo, a evoluc¸ão de crianc¸as tratadas a

partir do segundo episódio é semelhante à das tratadas

apósa primeiracrise1,21 e aterapêuticacom

antiepilépti-cos(AE)nãodiminuioriscodeepilepsia.Assim,e porter

em contaque o tratamento com AE nãoé inócuo,esseé

geralmente recomendadoapenas após umasegunda crise

ou em casos particulares após a primeira crise. No nosso

estudo, de acordo com o recomendado na literatura,22 a

terapêutica antiepiléptica após a primeira crise foi

insti-tuída,apósdiscussãocomospais,apenasnascrianc¸ascom

déficitsneurológicos,quandooEEGmostravaatividade

epi-léticainequívocaouquandoaneuroimagemrevelavauma

anomaliaestrutural.

Este estudo apresentou algumaslimitac¸ões. Umadelas

prende-seàperdadeseguimentodealgumascrianc¸asapósa

primeiracrise.Alémdisso,comoéumestudoretrospectivo,

nalgunscasosnãofoipossívelaveriguaralgunsdados

demo-gráficoseclínicosquepoderiamterinfluêncianapredic¸ão

doriscoderecorrência.Talcomojáreferido,tambémnão

sepodeexcluirumviésnaclassificac¸ãosemiológica.Porfim,

ofatodeotratamentoantiepiléticotersidoinstituídonuma

percentagemsignificativadecrianc¸asnãonospermite

infe-riroqueteriaacontecidoseessascrianc¸asnãotivessemsido

medicadas.Contudo,permite-nosavaliarahistórianatural

eosfatoresderiscoderecorrênciaapósumaprimeiracrise

epiléticana populac¸ão pediátrica, incluindo oscasos

par-ticulares com indicac¸ão para terapêutica após a primeira

crise.

Emconclusão,amaioriadascrianc¸ascomumaprimeira

criseepiléticanãoprovocadanãoteverecorrência,é

impor-tante tranquilizar a crianc¸a/adolescente e os seus pais e

tentarminimizar, namedida dopossível, aansiedade que

esseseventosgeramnafamília.Oriscoderecorrênciafoi

significativamentesuperiornospacientescomcrisedurante

osonooucrisedeetiologiasintomáticaremotaenaqueles

comEEGalterado.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

Referências

1.Manjón-Cabeza RA. Primera crisis epiléptica. Protocolos de neurologia AEPED; 2008 [cited 15.04.16]. Available from: www.aeped.es/protocolos

2.WincklerMI,RottaNT.Prognosticfactorsforrecurrenceofafirst seizureduringchildhood.ArqNeuropsiquiatr.1997;55:749---56. 3.Scotoni AE, Guerreiro MM, De Abreu HJ. First epileptic cri-sis.Analysisofriskfactorsforrecurrence.ArqNeuropsiquiatr. 1999;57:392---400.

4.BergAT. Risk ofrecurrence afterafirst unprovoked seizure. Epilepsia.2008;49:13---8.

5.PereiraC,ResendeC,FinezaI,RobaloC.A15-yearfollow-upof firstunprovokedseizures:aprospectivestudyof200children. EpilepticDisord.2014;16:50---5.

6.ShorvonSD.Theetiologicclassificationofepilepsy.Epilepsia. 2011;52:1052---7.

7.ZupancML.Updateonepilepsyinpediatricpatients.MayoClin Proc.1996;71:899---916.

8.Hirtz D,AshwalS, BergA, Bettis D,CamfieldC,CamfieldP, etal.Practiceparameter:evaluatingafirstnonfebrileseizure inchildren:reportofthequalitystandardssubcommitteeofthe AmericanAcademyofNeurology,TheChildNeurologySociety, andTheAmericanEpilepsySociety.Neurology.2000;55:616---23. 9.ShinnarS,BergAT,MosheSL,O’DellC,AlemanyM,NewsteinD, etal.Theriskofseizurerecurrenceafterafirstunprovoked afe-brileseizureinchildhood:anextendedfollow-up.Pediatrics. 1996;98:216---25.

10.Winckler MI, Rotta NT. Clinical and electroencephalographic follow-up after a first unprovoked seizure. Pediatr Neurol. 2004;30:201---6.

11.MonettiVC,GranieriE,CasettaI,TolaMR,PaolinoE,Malagù S, et al. Risk factors for idiopathic generalized seizures: a population-basedcasecontrolstudyinCopparo,Italy.Epilepsia. 1995;36:224---9.

12.CavazzutiGB. Epidemiologyofdifferent typesofepilepsyin schoolagechildrenofModena,Italy.Epilepsia.1980;21:57---62. 13.LearyPM,Morris S.Recurrentseizuresinchildhood. Western

Capeprofile.SAfrMedJ.1988;74:579---81.

(6)

15.Camfield P, Camfield C. Incidence, prevalence, and aetio-logy of seizures and epilepsy in children. Epileptic Disord. 2015;17:117---23.

16.MizorogiS,KanemuraH,SanoF,SugitaK,AiharaM.Riskfactors forseizurerecurrenceinchildrenafterfirstunprovokedseizure. PediatrInt.2015;57:665---9.

17.RamosLizanaJ,CassinelloGarciáE,CarrascoMarinaLL, Váz-quez López M, Martín González M, Mu˜noz Hoyos A. Seizure recurrenceafterafirstunprovokedseizureinchildhood:a pros-pectivestudy.Epilepsia.2000;41:1005---13.

18.GrispanZ,ShinnarS.Managementofpatientswithfirstseizure andearlyepilepsy.In:ShorvonS,GuerriniR,CookM,Lhatoo S,editors.Oxfordtextbookofepilepsyandepilepticseizures. Oxford:OxfordUniversityPress;2013.p.245.

19.Dlugos DJ. An EEG should not be obtained routinely after first unprovoked seizure in childhood. Neurology. 2000;55: 898---9.

20.Nicole-CarvalhoV,Henriques-SouzaAM.Conduta noprimeiro episódiodecriseconvulsiva.JPediatr(RioJ).2002;78:S14---8. 21.MarsonA,JacobyA,JohnsonA,KimL,GambleC,ChadwickD,

etal.Immediateversusdeferredantiepilepticdrugtreatment forearlyepilepsyandsingleseizures:arandomisedcontrolled trial.Lancet.2005;365:2007---13.

Imagem

Figura 1 Caracterizac ¸ão das crises e sua durac ¸ão.
Tabela 1 Análise dos fatores de risco de recorrência

Referências

Documentos relacionados

Ter orientac¸ões dos pais sobre taba- gismo, não ser exposto ao tabagismo no domicílio na última semana e conhecer os malefícios do cigarro eletrônico foram identificados como

The main factors associated with cigarette smoking by adolescents evaluated here were: having friends who smoke and having cigarettes offered by friends, in addition to easy access

A diferenc ¸a da prevalência das manifestac ¸ões cutâneas em comparac ¸ão com outros estudos mostra que tanto as características populacionais como o período em que a pele do RN

The frequency of neonatal dermatological findings was higher in infants of mothers with GRF due to neonatal transitional lesions, which indicates that certain maternal comorbidities

O objetivo deste estudo é avaliar a sensibilidade, espe- cificidade e importância do teste QuickVue ® RSV Test Kit (QUIDEL Corp.CA, EUA) como um teste rápido de detecc ¸ão de

The authors retrospectively analyzed nasopharyngeal aspi- rate (NPA) samples from 486 children --- 274 boys (56.4%) and 212 girls (43.6%) --- under five years old with symptoms of

Até onde sabemos, este é o primeiro protocolo brasileiro que apresenta uma descric ¸ão do método de avaliac ¸ão das reac ¸ões faciais afetivas de recém-nascidos (até 24 horas

The evaluation of the newborns reactions was performed by hedonic facial expression analysis, characterized by facial expressions with rhythmic serial tongue protrusion after neutral