• Nenhum resultado encontrado

Condições de conforto acústico em escolas do DF : efeitos sobre o professor

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2017

Share "Condições de conforto acústico em escolas do DF : efeitos sobre o professor"

Copied!
92
0
0

Texto

(1)

Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa

Stricto Sensu Planejamento e Gestão Ambiental

Condições de Conforto Acústico em Escolas do DF:

Efeitos sobre o professor

Brasília - DF

2012

(2)

TÍTULO: CONDIÇÕES DE CONFORTO ACÚSTICO EM ESCOLAS DO DF: EFEITOS SOBRE O PROFESSOR.

Dissertação apresentada ao Programa de pós-graduação Stricto Sensu em Gestão e Planejamento Ambiental da Universidade Católica de Brasília, como requisito para obtenção do Título de Mestre em Gestão e Planejamento Ambiental.

Orientador: Dr. Sérgio Luiz Garavelli

Brasília

(3)

Ficha elaborada pela Biblioteca Pós-Graduação da UCB

T269c Teles Alexandre Moura.

Condições de conforto acústico em escolas do DF: efeitos sobre o professor. / Alexandre Moura Teles – 2012.

89f. ; il.: 30 cm

Dissertação (mestrado) – Universidade Católica de Brasília, 2012.

Orientação: Prof. Dr. Sérgio Luiz Garavelli

1. Controle de ruído. 2. Escolas. 3. Qualidade de vida no trabalho. 4. Professores. I. Garavelli, Sérgio Luiz, orient. II. Título.

(4)
(5)
(6)

AGRADECIMENTO

Agradeço primeiramente a Deus por sempre estar ao meu lado ensinando e abençoando a minha vida, não seria nada sem ele, agradeço também minha mãe, Odete Moura Teles, e meu pai, Paulo Pereira Teles, pelo empenho e dedicação, especialmente em relação aos estudos, como também, a minha esposa, Albertisa da Silva Teles, pela compreensão e apoio ao longo dessa jornada e ao Shiribabo que durante noites ficou em cima da mesa enquanto trabalhava, ora olhando e ora dormindo.

Agradeço também a Hélvia Paranaguá pelo apoio e força desde o início do mestrado, compreendendo todo andamento do projeto, a Mabel Branco pela compreensão e cobrança não deixando desanimar e a Diego Sória por todo apoio e conversa durante o tempo em que trabalhamos na mesma gerência.

Por fim, agradeço ao meu orientador Sérgio Luiz e a todos os professores do Mestrado.

(7)

Teles, Alexandre Moura. Condições de Conforto Acústico em Escolas do DF: Efeitos sobre o professor. 2012,91f. Dissertação (Mestrado em Gestão e Planejamento Ambiental) – Universidade Católica de Brasília, 2012.

Os professores são importantes para o desenvolvimento de um país. Para tanto, é necessário que as condições de trabalho, para esses profissionais, sejam adequadas permitindo um processo de ensino eficiente. Dentre os problemas que fazem parte do cotidiano das escolas e afetam a qualidade de vida e trabalho dos docentes, estão os níveis de pressão sonora excessivos. Nesse cenário, o objetivo do presente trabalho é avaliar as condições de conforto acústico e se essas condições contribuem para queda na qualidade de vida e trabalho dos docentes. O estudo abrange a percepção desses profissionais em relação aos problemas extra-auditivos, comunicação em sala de aula e níveis de estresse, como também, níveis de pressão sonora nas escolas e de intensidade de voz durante as aulas. A metodologia adotada utiliza a aplicação de questionários através de entrevistas com professores, medidas dos níveis de pressão sonora no interior e exterior das escolas e medidas dos níveis de intensidade de voz durante as aulas. Os resultados mostram que os problemas extra-auditivos, de comunicação e estresse fazem parte do cotidiano da maioria dos professores, também, que os níveis de pressão sonora estão acima do estabelecido pela legislação e os níveis de intensidade vocal são elevados. Conclui-se que os níveis excessivos de ruído, presentes no ambiente de trabalho dos professores, podem acarretar diversos problemas e assim afetar a qualidade de vida e trabalho.

(8)

Teachers are important for the development of a country. Thus, it is necessary that their working conditions are appropriate, i.e., allow a process of effective teaching. Among the problems that are part of everyday life for many schools and affect the quality of life and work of teachers are the excessive levels of sound pressure. This way, the present study aims to evaluate the acoustic comfort conditions and their contribution to decrease the quality of life and work of teachers. The study covers the perception of these professionals regarding extra-auditory problems, communication in the classroom and stress levels, but also acoustic pressure levels in schools and the intensity of the teachers’ voices in the classroom. The methodology applied uses the application of questionnaires through interviews, measures of levels of sound pressure inside and outside of schools and the voice intensity during classes. The results show that the extra-auditory problems, communication and stress are part of everyday life of most teachers. It also demonstrates that the acoustic pressure levels are above the established by legislation and vocal intensity levels are high. We conclude that excessive noise levels, present in the working environment of teachers, may lead to several problems and affect their quality of life and work.

(9)

1 INTRODUÇÃO...9

1.1 Justificativa...11

1.2 Hipóteses...11

1.3 Objetivo geral...12

1.4 Objetivos específicos...12

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA...13

2.1 Condições de conforto acústico...13

2.2 Nível de intensidade vocal dos professores...20

2.3 Percepção dos professores ao ruído na escola...22

2.4 Estresse em professores...31

2.5 Questionário e observações...34

2.6 Correlação e teste t...36

3 MATERIAIS E MÉTODO...37

3.1 Cenário da pesquisa...37

3.2 Característica da Escola...38

3.3 Avaliação das condições de conforto acústico...39

3.4 Medidas e observações dos níveis de pressão sonora...39

3.5 Tempo de Reverberação...40

3.6 Medidas dos níveis de intensidade vocal...41

3.7 Percepção dos professores em relação ao ruído na escola...41

3.8 Finalização...42

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO...44

4.1 Condições de conforto acústico...44

4.2 Nível de intensidade vocal dos professores...52

4.3 Percepção dos professores ao ruído na escola...55

4.4 Observações do ambiente escolar...56

4.5 Percepção dos professores ao ruído na escola...56

4.6 Estresse em professores...68

(10)
(11)

1 INTRODUÇÃO

A educação é um processo importante para o desenvolvimento do indivíduo e de um país, e neste contexto os professores representam um papel fundamental na sociedade. Os profissionais que se dedicam ao ensino infantil e fundamental necessitam atuar com dedicação especial, pois nesta fase os estudantes estão no início da vida acadêmica, ou seja, necessitam aprimorar a leitura e escrita para que possam desenvolver seu potencial nas séries mais avançadas.

Para tanto, se faz necessário aos professores um ambiente de trabalho adequado, ou seja, um ambiente que favoreça o desempenho profissional e, ainda, não prejudique a sua qualidade de vida. Esse cenário pode diminuir significativamente o número de afastamentos por problemas de saúde e melhorar o processo de ensino fazendo com que esses profissionais atuem com maior dedicação e por maior tempo.

O docente pertence a uma classe de profissionais exposta a problemas que interferem na qualidade de vida podendo levar a desistência do magistério, Carlotto (2011) encontrou educadores apresentando sintomas ligados ao estresse e com a síndrome de Burnout, cenário que faz muitos professores abandonarem a carreira.

Essa mesma autora constatou que aproximadamente 30% dos profissionais pesquisados se dizem pouco realizado profissionalmente, apontado também pelos sentimentos de desmotivação e baixa valorização.

A análise dos aspectos que envolvem cotidiano das escolas, especificamente da carreira docente, permite constatar fatores que interferem na qualidade de vida e no desenvolvimento desse trabalho como: salários, jornadas extensas, número de alunos por sala de aula e envolvimento emocional com as crianças. De acordo com Vieira et al. (2004) apud Libardi (2006), esses fatores quando atuam de modo

integrado podem impactar os educadores negativamente, ou seja, causar prejuízos à qualidade de ensino e afetar o desempenho profissional.

(12)

Ainda, nesse mesmo contexto, constata-se que níveis excessivos de ruído podem causar diversas doenças nos seres humanos como afetar esses profissionais, assim como sua qualidade de vida. Ndrepepa e Twardella (2011) constataram que esses níveis podem causar doenças cardiovasculares como, por exemplo, o aumento excessivo da pressão arterial.

Considerando ainda, as condições acústicas inadequadas, constata-se que estas podem contribuir para queda na aprendizagem dos alunos e consequentemente prejudicar o trabalho dos professores. Kristiansen et al. (2011)

concluíram que a acústica ruim e os níveis excessivos de ruído estão associados ao aumento no cansaço após o trabalho, falta de motivação e interesse no magistério por parte dos docentes. Pode-se então deduzir, que ocorre interferência no bem-estar desses profissionais.

Gonçalves, Silva, Coutinho (2009) relatam ainda que as consequências negativas desses níveis são: queda na produtividade, problemas na comunicação em sala de aula entre alunos e professores, como também, dificuldades no entendimento ao longo do processo de ensino.

Nesse cenário, esses profissionais acabam se afastando do serviço por problemas de saúde. Em alguns casos, os professores acabam sendo readaptados e passam a desenvolver outras tarefas na escola, ou seja, se afastam de modo definitivo da sala de aula. De acordo com Simões e Latorre (2006), Martins et al.

(2007) e Fontana e Pinheiro (2010), o aumento no número de afastamentos por motivos de saúde estão relacionados a diversos fatores, principalmente, ao comportamento vocal inadequado, audição e aos níveis de estresse.

(13)

1.1 JUSTIFICATIVA

Os profissionais da educação são de extrema importância para o desenvolvimento de uma nação. Para que estes profissionais possam desenvolver suas atividades se faz necessário um ambiente de trabalho adequado, mas a literatura mostra que isso não é encontrado na maioria das escolas pesquisadas.

São vários os fatores que atrapalham o andamento do trabalho docente nas escolas como as condições inadequadas de conforto acústico o que também leva os professores a conviverem com situações adversas afetando sua qualidade de vida e o seu desempenho profissional.

Nesse contexto, constata-se um número significativo de afastamentos em razão dos problemas de saúde decorrentes do estresse, comportamento vocal e de outros problemas extra-auditivos. Com isso se faz necessário entender como os níveis de pressão sonora afetam os professores e como esses profissionais percebem tais consequências.

Para tanto, é importante quantificar esses níveis de pressão sonora, tanto nos espaços onde ficam esses profissionais, como também, nos adjacentes a esses ambientes.

1.2 HIPÓTESES

Constituem as hipóteses deste trabalho:

a) Os níveis de pressão sonora, internos e externos, nas escolas excedem os limites estabelecidos pela NBR 10.151, 10.152 (ABNT, 2000; ABNT, 1987) e a Lei Distrital n° 4.092 (2008);

b) As principais fontes de ruídos nas escolas são os alunos, equipamento de som e o tráfego rodoviário na vizinhança da escola;

(14)

d) As condições de conforto acústico nas escolas têm potencial para interferir no desempenho profissional do professor e na sua qualidade de vida;

e) As condições de conforto acústico das escolas levam os professores a utilizarem sua voz em níveis que podem comprometer a saúde vocal.

1.3 OBJETIVO GERAL:

Avaliar as condições de conforto acústico de ambientes escolares e suas implicações na qualidade de vida dos professores.

1.4 OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

a) Verificar se existe relação do nível de conforto acústico nos espaços escolares com a qualidade de vida e o trabalho dos professores;

b) Caracterizar os níveis de pressão sonora externo às escolas;

Caracterizar o fluxo e a composição de veículos na vizinhança das escolas, ou seja, a quantidade por dez minutos e o número de veículos leves, pesados e motos. Medir e apresentar os índices estatísticos de ruído Leq na vizinhança da escola.

c) Caracterizar os níveis de pressão sonora interno às escolas;

Medir e apresentar os índices estatísticos de ruído Leq em ambientes internos da escola, pátio, corredores a espaços de convivência dos professores.

d) Identificar as principais fontes de ruídos internos e externos;

Comparar a situação observada dos níveis de pressão sonora internos e externos com as normas NBR 10.151 (ABNT, 2000) e NBR 10.152 (1987).

e) Avaliar os principais impactos causados pela exposição ao ruído nos professores segundo sua percepção no âmbito da voz, problemas extra-auditivos, estresse e comunicação oral;

f) Avaliar as condições de conforto acústico das salas de aulas;

(15)

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1CONDIÇÕES DE CONFORTO ACÚSTICO:

GONCALVES, SILVA, COUTINHO (2009) estudaram uma amostra constituída por 37 professores. Concluíram que jornadas extensas, excesso de trabalho, número de alunos por sala, indisciplina das crianças, ruído interno e externo, falta de informações sobre a saúde vocal fazem com que esses profissionais tenham vários problemas o que pode afetar sua qualidade de vida. Os efeitos citados por esses educadores são: queixas relacionadas à voz, garganta raspando, cansaço, tensão no pescoço e perda da intensidade vocal no final do dia. Acharam também, que os níveis de pressão sonora e de ruído de fundo, variaram de aproximadamente de 47 dB chegando a quase 90 dB(A), e que 95% das salas de aula estavam fora dos níveis aceitáveis pela NBR 10.152 (ABNT, 1987).

Estes mesmos autores constataram que cerca de 90% dos docentes afirmaram perceber os efeitos do ruído em seu desempenho profissional e, ainda, que o barulho acaba interagindo com o aumento da intensidade vocal. Essa ação, de forçar a voz, ocorre muitas vezes na tentativa de que os alunos entendam suas explicações, ou seja, busca melhorar a comunicação em sala de aula. Os resultados dessa pesquisa mostram também os seguintes cenários: cerca de 50% dos docentes sentem dores de cabeça e desgaste vocal, mais de 80% têm a voz rouca e estresse.

Por fim, concluíram que todos os efeitos citados acima podem interferir em seu desempenho vocal e profissional, também, que dentre as condições ambientais abordadas como iluminação, temperatura e umidade, o ruído foi considerado por aproximadamente 84% dos professores como a principal causa de desconforto no trabalho.

Assim, constata-se que a poluição sonora pode impactar de modo negativo a qualidade de vida e o desempenho profissional dos professores. Esses impactos, muitas vezes negativos, acabam favorecendo a construção de cenários que prejudicam a saúde física, o estado psicológico ideal, as relações entre as pessoas e dessas com meio ambiente, ou seja, níveis elevados de ruído podem acarretar danos aos decentes (Machado, et al., 2011).

(16)

sonora. Assim pode-se afirmar que os excessos de ruído causam: problemas auditivos, aumento nos níveis de estresse, queixas de enjoo e azia, distúrbios de comunicação, problemas digestivos, alterações no sono, intolerância a sons fortes e dores musculares, além de outros problemas psicológicos, ou seja, esses níveis, quando excessivos, prejudicam a vida e o trabalho dos docentes (CODO, SORATTO, MENEZES , 2004; FREITAS e PASSOS, 2010; FIORINI ,FIORINI; ELAINE, 2009; MEDEIROS,1999; NUDELMANN et al., 1997).

O desempenho profissional dos professores, para ser considerado eficiente, em muitos casos, passa pelo conteúdo o qual as crianças aprendem durante o ano. Para lidar com o aprendizado dos alunos, principalmente em turmas onde esses alunos são mais novos, o cuidado e o planejamento tende a ser mais acurados. Assim, o ruído em excesso pode impactar, de modo significativo, o trabalho dos professores em salas de aula quando lecionam para crianças de idade que vão dos 9 a 11 anos, principalmente no desenvolvimento de tarefas mais complexas (KEMPEN et al., 2010).

Nesse contexto, Barbosa (2009) verificou que parece haver interferências do ruído excessivo no desempenho de tarefas cognitivas. Esse ruído não causa só perda auditiva, mas também, efeitos extra-auditivos adversos ao organismo humano. Esse mesmo autor mostra as fontes de ruído que interferem no trabalho dos professores em uma sala de aula, veículos de todos os tamanhos, estabelecimentos comerciais próximos às instituições de ensino, empresas de construção civil e espaços situados no interior da escola são alguns exemplos. Sugeriu que o isolamento acústico pode evitar a entrada do ruído originado pelas fontes citadas acima.

Os prejuízos nas condições no conforto acústico são percebidos nas escolas ao longo das últimas décadas. Segundo Oiticica e Gomes (2004) os problemas relacionados à acústica são agravados pelo ruído acima de 70 dB(A) o que leva a construção de um ambiente insalubre acarretando nos professores problemas como estresse e perda auditiva. No estudo de Martins et al. (2007) visualiza-se que em

salas de aula, os níveis toleráveis variam de 40dB(A) a 70 dB(A), como também, o excesso parece causar surdez ocupacional nesses profissionais.

(17)

Brasil a fim de quantificar esses níveis de ruído e entender como os docentes os percebem em suas vidas.

Golmohammadi et al. (2010) realizaram no Irã, um estudo para avaliar as

condições de conforto acústico e os níveis de ruído em escolas. Escolheram as instituições de ensino e mais de 200 salas de aula de modo aleatório. Na avaliação verificaram que durante as aulas os níveis encontrados nesses locais, sala de aula, foram de aproximadamente 72 dB(A), ainda, nessas mesmas salas pesquisadas, com os alunos quietos, os níveis foram 39 dB(A). Nos corredores, pátio da escola e nas ruas próximas, cerca de 65 dB(A). Essas mesmas salas tinham o volume de 102 m3 e apresentaram um tempo de reverberação médio de 0,63 s.

Esses mesmos autores constataram ainda, que durante o intervalo escolar os níveis chegaram próximos aos 79 dB(A) e que as fontes internas são as responsáveis pela poluição sonora dessas instituições de ensino, como causam também poluição sonora nos bairros vizinhos. Por fim sugeriram, reformas e construções que visem à melhora das condições acústicas, controle na abertura de portas e janelas, além de levar ao conhecimento dos estudantes a importância da redução do ruído.

Em Londres, foram pesquisadas 142 escolas primárias. As medidas tiveram duração de dois a cinco minutos, segundo os mesmos autores, esse tempo é representativo e não atrapalha o andamento das aulas. Os resultados encontrados nesse trabalho, para espaços onde estavam os alunos, foram de aproximadamente 72 dB(A), onde não se encontravam mais alunos os níveis variaram de 53 a 58 dB(A) apresentando uma diferença de 14 a 19 dB(A) entre as duas situações.

O estudo ainda apontou, que os níveis de ruído em espaços, mesmo onde as crianças permaneciam em silêncio, foi de 47 dB(A), ou seja, os níveis ficaram bem acima dos 35 dB(A) estabelecidos pelas normas inglesas, Building Bulletin 93, e OMS. Concluíram que as crianças só se distraíram com ruído externo, em sala de aula, quando estavam quietas, assim esses ruídos parecem ter pouco efeito no ambiente escolar, os mesmos autores mostraram que o ruído externo percebido em mais de 80% das escolas pesquisadas são, principalmente, os advindos dos carros (Shield e Dockrell, 2004).

Martins et al. (2007) encontraram em salas de aula do ensino fundamental

(18)

infantil de 73 a 82 dB(A) , ou seja, os professores estão expostos a valores elevados de pressão sonora.

Esses mesmos autores utilizaram um questionário para verificação da percepção do ruído ambiental. Para chegar nesses resultados e conclusões trabalharam com um protocolo aplicado nas entrevistas a fim de verificar alguns dados, dentre eles, o ruído ambiental, medidas voltadas para os níveis de dB(A) e exames de audição.

Ribeiro et al. (2010) constataram que na educação infantil os níveis foram de

78 dB(A) e no ensino fundamental variou de 76 a 80 dB(A), em salas vazias foi de 45 dB(A), ou seja, níveis acima do estabelecido pelas Normas Brasileiras.

Nesse mesmo trabalho houve relato também de que durante o recreio os níveis foram de 83 dB(A), nos corredores 87 dB(A) e os gritos na sala de aula chegaram a 116 dB(A). Em uma sala normal, com atividade na quadra externa, 87 dB(A) e na sala normal com alunos brincando no pátio 84 dB(A). Concluíram que os docentes percebem prejuízos causados pelo ruído competitivo durante o seu trabalho e que os níveis foram maiores do que os estipulados pela ABNT.

Klodzinski et al. (2005) estudaram o impacto do ruído em 80 crianças da 3ª

série do ensino fundamental, realizou medidas na frente, no meio e fundo das salas de aula, encontraram níveis por volta dos 75 dB(A). Constataram também que o barulho foi colocado pelas crianças como o principal aspecto interventor do processo de ensino e aprendizagem. Conclui-se então, que os professores têm uma tarefa muito mais complicada em ambientes ruidosos o que pode levar principalmente à queda em seu desempenho profissional.

Eniz (2004) estudou escolas do Distrito Federal (DF) e constatou que os níveis de pressão sonora foram excessivos na maioria das escolas assim como o tempo de reverberação. Constatou que nesses locais os ruídos geram malefícios aos docentes e alunos.

Em relação às fontes emissoras, o estudo de Zannin et al. (2002) mostrou

(19)

própria escola e do lado externo, esses mesmos profissionais apontaram consequências do barulho excessivo como: cansaço, irritação, intolerância a sons intensos e distúrbio vocal.

Dois fatores, segundo Fernandes (2006), interferem no entendimento da voz dos professores quando lecionam, ou seja, quando ocorrem de modo satisfatório contribui para que esses profissionais sejam compreendidos pelos alunos, são os ruídos de fundo e tempo de reverberação. Jaroszewski, Zeigelboim,Lacerda (2007) constataram que os ruídos de fundo são provenientes de fontes internas da escola pois somente cerca de 22% dos alunos e 14% dos professores relataram ouvir carros ou buzinas, mesmo quando estavam em escolas próximas à rodovia. Os mesmos autores disseram que o tratamento acústico poderia não ser adequado ou suficiente para a redução desses níveis, mas um programa de conscientização para importância do silêncio, pois as fontes perturbadoras estão localizadas no interior da escola.

Knecht et al. (2002) estudaram em salas desocupadas o tempo de

reverberação e os níveis de ruído de fundo nos Estados Unidos, tiveram como parâmetro a ANSI (American National Standards Institute) S12.60-2002, concluíram que as salas de aula não apresentavam atributos necessários para o desenvolvimento de atividades condizentes com a aprendizagem, ou seja, os problemas causados pelo ruído são desconsiderados na construção e no andamento diário das escolas.

Diante desse cenário, existem legislações e normas que visam evitar ou minimizar os níveis de ruído excessivo em escolas e do tempo de reverberação.

A ABNT, por exemplo, publicou duas normas para o controle dos níveis de ruídos. A NBR 10151/2000 que estabelece níveis para determinadas áreas, dentre elas, as destinadas para escolas e 10152/1987 que limita os níveis para espaços situados no interior dessas instituições. Essas duas normas apontam que para áreas escolares e salas de aula os níveis devem ficar abaixo de 50 dB(A).

(20)

ruídos, permitidos para ambientes externos as escolas, deve seguir a tabela-1 abaixo.

Tabela-1: Critérios de avaliação para ambientes externos

Tipo de área Diurno Noturno

Área de sítios e fazendas 40 dB(A) 35 dB(A)

Área estritamente residencial urbana ou de hospitais, escolas e bibliotecas 50 dB(A) 45 dB(A)

Área mista, predominantemente residencial e de hotéis 55 dB(A) 50 dB(A)

Área mista com vocação comercial, administrativa ou institucional 60 dB(A) 55 dB(A)

Área mista com vocação recreativa 65 dB(A) 55 dB(A)

Área predominantemente industrial 70 dB(A) 60 dB(A)

A Tabela-2 mostra os níveis aceitáveis para os locais no interior das escolas de acordo com NBR 10152/1987. Constata-se, porém, que níveis superiores, são considerados desconforto o que não implica dano a saúde.

Tabela-2: Níveis de pressão sonora

Locais dB(A)

Bibliotecas, salas de música, salas de desenho 35 - 45

Salas de aula, laboratórios 40 - 50

Circulação 45 - 55

Adaptada da NBR 10152/1987

Na Tabela-3 estão apresentados os níveis de ruído de fundo aceitos pela OMS, como também, os definidos em legislações do Japão e Finlândia, segundo Karabiber et al. (2003) apud Ferreira (2006).

Tabela-3: Ruído de fundo.

País Critério dB(A)

OMS LAeq 35

Japão LAeq 40 – 45

Finlândia LAeq 35

Para melhor entender os trabalhos que abordam o impacto do ruído na vida dos professores é necessário estudar os conceitos acústicos e o que eles apontam.

De acordo com a NBR 10151/2000, o nível de pressão sonora equivalente (LAeq), em decibel, ponderados em "A" [dB(A)] é o nível obtido a partir do valor médio quadrático da pressão sonora (com a ponderação A), referente a todo o intervalo de medição.

O nível de pressão sonora equivalente, LAeq, em dB(A), deve ser calculado pela expressão: ) 1 ( log 10 0 2 0 2 dt P P T L T

(21)

Onde: Li é o nível de pressão sonora, em dB(A), lida em resposta rápida (fast) a cada 5s, durante o tempo de medição do ruído.

O ruído e o barulho são considerados sons desagradáveis, pois além de apresentar variações em sua intensidade não traz qualquer informação, também acarretam prejuízos ao bem estar físico e mental, a comunicação e socialização das pessoas (SCHOCHAT, DIAS, MOREIRA, 1998; RUSSO, 1999; PINTO et al., 2008).

De acordo com a NBR 10.151 o ruído de fundo é a média dos níveis de ruído advindos de outros espaços em certa hora e local considerando a ausência da fonte emissora em questão.

O tempo de reverberação está relacionado com o volume da sala de aula e a absorção da mesma é definido como o tempo para decaimento do nível sonoro em 60 dB(A) depois de encerrada a fonte emissora (MEDEIROS, 2002).

Os autores Alarcão, Fafaiol, Bento (2010) apresentaram em seu trabalho os tempos de reverberação representeados pela média das frequências 500/1000/2000Hz. Também em sala de aula, por exemplo, essa reverberação é determinada pelas ondas sonoras refletidas na superfície. Relataram que as condições acústicas favorecem a inteligibilidade da comunicação oral e a concentração dos alunos em sala de aula, assim esse cenário se torna importante para que os professores sejam compreendidos durante as aulas e ao longo de suas explicações.

A tabela-4 mostra o tempo de reverberação aceito pela OMS, como também, os definidos em legislações do Japão e Finlândia. Observa-se que a avaliação na Finlândia é feita na frequência de 500 Hz, Karabiber et al., (2003 apud FERREIRA,

2006).

Tabela-4: Tempo de Reverberação País Tempo de Reverberação

OMS 0,6

Japão 0,5 – 0,7

Finlândia 0,6 – 0,9

(22)

2.2 NÍVEL DE INTENSIDADE VOCAL DOS PROFESSORES:

A voz é uma ferramenta importante no trabalho dos educadores, é através dela que ocorre a explicação de conteúdos programáticos, orientação para o desenvolvimento de atividades intra e extraclasse e a comunicação entre alunos e professores na sala de aula, entretanto, o uso em excesso pode trazer prejuízos irreversíveis para esses profissionais afetando sua qualidade de vida e o seu desempenho profissional.

De acordo com Camargo (2007) a voz é o resultado da produção de sons originadas do trabalho integrado de fatores chamados orgânicos, ações musculares, cartilagens, mucosas e inervações. Esse autor estudou professores do gênero feminino com audição normal, constatou que mais de 90% desses trabalhadores precisaram aumentar a intensidade vocal a fim de competir com ruído ambiental. Segundo ainda os mesmos autores, desses profissionais que declararam ter problemas vocais, foram constatados um aumento dos níveis habituais da fala para quando estavam em sala de aula variando de 6 a 17 dB(A), os que responderam às vezes tem problemas vocais os níveis variaram de 0 a 16 dB(A). Encontraram ainda que os níveis de ruído na sala de aula variaram de 58 a 74 dB(A). Conclui-se que as professoras utilizavam a voz com forte intensidade, por acreditar assim, na melhor transmissão do conhecimento.

No contexto do trabalho citado acima, houve um grande número de queixas vocais. Em relação ao nível de ruído, presentes em todas as salas, constataram que esses estavam acima do considerado satisfatório, sendo então um ambiente estressante. Assim, esse cenário é prejudicial à voz dos professores e, consequentemente, ao desempenho profissional.

Um dos fatores que fazem os docentes terem problemas de vocais é a intensidade com que falam para explicar aos seus alunos. Muitas vezes, como citado anteriormente, esses docentes forçam a voz para vencer os ruídos causados no ambiente da sala de aula, assim, depois de anos no trabalho em escolas, educar a voz é um desafio complicado de ser vencido. Segundo Lindstrom et al. (2011) o

(23)

A realidade encontrada nas escolas mostra que a maioria dos docentes utiliza a voz de forma intensa e em níveis excessivos, acima da capacidade da voz humana, esse esforço ocorre geralmente para se fazer entender. Smith (1997) relatou que esses profissionais têm maior risco de desenvolver problemas relacionados à voz comparados a outros trabalhadores, essa afirmação está em de acordo com Pekkarinen e Viljanen (1991) que estudaram ruído de fundo, tempo de reverberação e comunicação em salas ocupadas e desocupadas, concluiram que os docentes forçavam a voz enquanto lecionavam. Araújo et al. (2008) verificaram que

professores do gênero feminino, da Espanha e dos Estados Unidos, apresentaram alta incidência de problemas vocais.

O trabalho de Bragion et al. (2008) encontrou em uma amostra de 27

professores, independente da queixa vocal e segundo suas percepções, que o ambiente ruidoso e a falta organização no local de trabalho, impactam de modo negativo as relações entre a voz, trabalho e saúde.

Koishi et al. (2003) avaliaram 52 indivíduos, uns em conversas habituais e

outros com nível de intensidade vocal elevada, encontraram no primeiro caso níveis que ficaram em torno de 64 dB(A) e no segundo, aproximadamente 73 dB(A).

Munhoz (2004) achou professores com níveis de intensidade vocal variando de 66 a 69 dB(A) e, também, do ruído de fundo de 53 a 61 dB(A). Constatou que um dos fatores que contribuíram para esse comportamento vocal foram os níveis de ruído de fundo.

Angelillo et al. (2009) estudaram 504 professores na Itália, desses, 322 eram

mulheres e 182 homens com idade que variaram de 24 a 62 anos, compararam com uma amostra de 402 trabalhadores que não exerciam o magistério, o resultado foi que os docentes apresentaram rouquidão, desconforto na voz e mudança na sua qualidade.

Na literatura é possível encontrar classificações do nível de intensidade vocal. Acima de 70 dB(A), a intensidade da voz é considerada elevada, entretanto, na casa dos 60 dB(A) é normal (RUSSO e BEHLAU, 1993; VASCONCELLOS, 1994; FERNANDES, 2005; ainda, PEREIRA, SANTOS e VIOLA (2000 apud CAMARGO,

(24)

Grillo e Penteado (2005) constataram em uma amostra de 120 professores do ensino fundamental que problemas relacionados ao uso da voz impactam de modo negativo a qualidade de vida.

A melhoria das condições de conforto acústico nos ambientes escolares pode contribuir para a adequação da voz nesses ambientes e facilitar o desempenho profissional dos professores. De acordo com Vilkman (2000) em ambientes onde as condições de conforto acústico não são levadas em consideração encontram-se situações ou problemas que acarretam prejuízos a esses profissionais, por exemplo, a utilização da voz de forma excessiva, níveis elevados de ruído e aumento no tempo de reverberação.

Uma das formas de minimizar os efeitos é investir em programas que eduquem o professor. Alguns trabalhos apontam para essa direção. Smolander e Huttune (2006) conduziram uma pesquisa com professores da Finlândia, o intuito foi verificar os riscos dos danos à voz e como a prevenção poderia ajudar, o resultado foi que 42% dos docentes relataram apresentar sintomas e problemas vocais diariamente e 40% disseram que esse era o motivo de falta no trabalho. Constataram ainda que esses profissionais recomendaram algumas medidas para minimizar os efeitos como, a prevenção, redução no tempo de espera para serem atendidos pelo sistema de saúde e investimento de recursos financeiros para programas voltados a terapia de voz.

Outros trabalhos sugerem soluções como o de Larsen e Blair (2008) que mostraram a vantagem de sistemas de amplificação da voz em sala de aula o que permitiu aos estudantes ouvirem 13 dB(A) acima do ruído de fundo, enquanto sem o sistema o nível oscilou em torno de 2 dB(A). Essa afirmação vai de encontro ao trabalho de Sharon e Nadine (2011) que sugerem esse sistema para reduzir os danos na voz levando-se em consideração cuidados com a audição dos alunos.

2.3 PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES AO RUÍDO NA ESCOLA:

Os professores são profissionais inseridos em um ambiente de trabalho complexo, agravado muitas vezes por situações perversas que interferem em sua qualidade de vida e no seu desempenho profissional.

(25)

não condizente com seu nível de escolaridade, contribuem para uma escola adversa ao processo de ensino. Assim, o aumento, no número de afastamentos para tratamento de saúde é visível nas instituições de ensino o que traz prejuízos a todo sistema educacional.

Essas colocações são corroboradas por dois trabalhos. Libardi et al. (2006)

afirmaram que jornadas extensas de trabalho, salário não condizente com o magistério, vínculos diretos com os alunos e direção da escola, não exercendo sua função de modo satisfatório, também causam comprometimento ao desempenho dos professores. Souza et al. (2003) realizaram estudos, mostraram a crescente

degradação do ambiente de trabalho dos professores acrescentando nesse contexto mais alguns fatores como, a desvalorização da carreira magistério perante a sociedade e o mercado de trabalho, múltiplos empregos a fim de suprir suas necessidades, exposição ao pó de giz, níveis excessivos de ruídos nas escolas e problemas de infraestrutura.

Zaragoza (1999) realizou uma pesquisa que tratou da saúde dos docentes em Málaga, utilizou como parâmetro a contabilidade de licenças médicas, realçou que no período de sete anos esse número triplicou. Gasparini, Barreto, Assunção (2005) encontraram, entre as carreiras presentes nas escolas, que mais de 80% dos profissionais que se afastam por questões de saúde são os professores e concluíram ainda, com os seus resultados, somados aos da literatura, um perfil de adoecimento dessa categoria.

Dentre os aspectos que contribuem para as condições inadequadas de trabalho, o ruído aparece como protagonista na percepção dos professores que trabalham com crianças. Ao considerar variáveis como: temperatura, iluminação, umidade e tantas outras, o ruído é colocado em posição de destaque tanto por professores quanto por alunos. Justifica-se assim porque esse fator é um dos principais responsáveis por prejuízos no processo de ensino aprendizagem.

(26)

Constata-se também que esse fator impacta de modo negativo na concentração de professores e alunos, isso acarreta queda na produtividade dos mesmos, principalmente quando estão realizando atividades como as de Matemática e de Língua Portuguesa.

De acordo com Colleoni e Cols (1981 apud Medeiros 1999) o ruído pode levar

a diversas alterações no funcionamento do organismo humano, dentre essas a concentração mental. Vieira et al. (2004) relataram que os ruídos ambientais e a

acústica inadequada somados a outros fatores como o excesso de alunos em sala e a elevação na voz, por parte dos professores, contribuem para a queda na qualidade do ensino, afetando inclusive o desempenho profissional dos docentes.

Em relação aos efeitos do ruído sobre os docentes não são apenas os auditivos, mas também os extra-auditivos que prejudicam a vida desses profissionais. Sentimentos de irritação, indisposição e ansiedade; problemas de voz, sono e memória; como também, prejuízos no desempenho profissional, são exemplos desses efeitos.

Segundo Libardi et al. (2006) níveis excessivos de ruído fazem parte do

cotidiano de muitas escolas. Contribuem assim, para o aumento de problemas que acarretam prejuízos a saúde e ao desempenho profissional dos professores. Os mesmos autores relataram que esses problemas não são apenas os relacionados à voz ou perda de audição, mas também aos efeitos extra-auditivos.

O ruído interfere na qualidade do sono o que pode levar a insônia, causar irritação, indisposição e cansaço, sentimento de ansiedade, perda de memorização e prejuízos ao desempenho no trabalho. O ambiente ruidoso também faz os docentes elevarem o seu nível de intensidade da voz para serem ouvidos, causando além de problemas vocais, irritabilidade e disfunções hormonais (NUDELMANN et

al.,1997).

(27)

problemas inclusive em seus estágios de sono (PESSOTTI,1978; MILGROM e WEINSTEIN,1985; SILVA e LOPES,2001).

Strieder (2009) concluiu que ansiedade está presente no cotidiano de muitos professores o que diminui o sentimento de satisfação com o trabalho e prejudica a qualidade de vida. Marcelo (1991 apud Garcia, 1998) mostra que esses profissionais

associam esse efeito a prejuízos ligados ao ambiente escolar.

A irritação está relacionada aos aspectos emocionais, definida como nervosismo mais passageiro, mas quando permanece por mais tempo pode levar a um sentimento de raiva (SPINELLA e LAMAS, 2007). A indisposição não chega a ser uma doença, mas impede as pessoas a desenvolver em seus afazeres com satisfação (MARIANI e ALENCAR, 2005).

Estudos mostram que a ansiedade, como também, a irritabilidade são causadas por fatores psicológicos também ligados ao estresse (CAPEL, 1987). São também problemas presentes no cotidiano dos professores causados por agentes como o ruído (LIBARDI et al., 2006).

Um processo importante na vida de qualquer pessoa, inclusive dos professores, é o sono. Esse processo é o repouso necessário para a preservação da qualidade de vida e consequentemente para o bom desempenho profissional (GEIB

et al., 2003). Lopes et al. (2005) relataram que o sono é um processo complexo,

sendo também um estado funcional do organismo que necessita de uma integração cerebral completa tendo que ocorrer de modo periódico, para isso precisa cumprir etapas. O sono pode ser alterado, mas não evitado, resultando em uma melhor qualidade de vida.

Assim verifica-se que o sono é considerado um processo fundamental para o trabalho e a vida social das pessoas. Velluti (1996) relata que é importante para o fortalecimento da memória e para o descanso físico, restabelece a energia necessária para o indivíduo desenvolver suas atividades diárias e com qualidade. Por sua vez, Muller e Guimarães (2007) disseram que o cansaço físico e mental, falhas no processo de memorização e dificuldades de concentração são algumas consequências de um sono ruim.

(28)

percam o entusiasmo pela profissão de modo temporário, foi o que encontrou Ogeda

et al. (2003) numa amostra de 353 professores.

Um dos problemas que interrompe todo esse processo de descanso é a insônia, caracterizada pela dificuldade de iniciar ou de manter o sono, faz com que as pessoas tenham a sensação, ao acordar, de algum tipo de cansaço, ou seja, atua de modo a comprometer toda a estrutura que envolve qualidade desse sistema (MONTI, 2000). Assim, conclui-se que esse problema é um dos que mais contribui para o sono não ocorrer de modo correto. Como relataram Rodrigues e Tavares (2003) faz com que a pessoa não consiga dormir por um determinado período e de forma constante.

Estudos mostram ainda que a insônia é significativa em pessoas do gênero feminino, idosos e desempregados, a Organização Mundial de Saúde (OMS) relata que isso ocorre durante períodos de estresse e em pessoas que estão atravessando dificuldades sociais e econômicas (VELA-BUENO e FERNÁNDEZ, 1999; WEBBER

e VERGANI, 2010).

Os docentes com dificuldades no descanso durante a noite têm queda no desempenho profissional apresentando também desmotivação por causa da indisposição. Nesse cenário esses profissionais não conseguem ministrar aulas e nem elaborar atividades diferenciadas para seus alunos, afeta assim o processo de ensino e aprendizagem (MARIANI e ALENCAR, 2005).

Uma das ferramentas importantes para o trabalho no magistério é a memória, de acordo com Lombroso (2004), pode ser de duas formas, explícita e implícita, esse processo possibilita armazenar informações no consciente e inconsciente, podendo essas serem utilizadas também em outros momentos da vida. Izquierdo (2002) mostra que essa ferramenta é essencial para profissionais que atuam no magistério, pois estes utilizam a transmissão de informações armazenadas em sua mente como parte de suas atribuições.

(29)

Para avaliar esses efeitos nesses trabalhadores é possível encontrar na literatura duas maneiras, uma através de exames, utilizando equipamentos médicos e outra perguntando aos professores o que sentem e pensam sobre o trabalho e a vida particular.

A percepção é a maneira como o individuo sente as coisas a sua volta, e avalia se causa ou não prejuízos. De acordo com Tuan (1980 apud Salgado et al.,

2008) são respostas aos eventos externos e como estes são aceitos ou não pelas pessoas. Segundo Lamy, Gomes,Carvalho (1997) que pesquisaram a percepção dos pais de recém-nascidos, chegaram a concluir que o conceito de bom ou ruim pode variar de pessoa para pessoa sendo que as vivências pessoais influem na definição dessas duas palavras.

Voltando aos professores, diversos trabalhos na literatura mostram que as percepções desses profissionais apontam para efeitos maléficos causados por ambientes ruidosos presentes em muitas escolas.

Libardi et al. (2006) constataram que quase 100% dos professores disseram

precisar falar mais alto, o trabalho concluiu que os docentes têm dificuldade de se fazer entender e compreender o que lhes falam, isso em decorrência do ruído. Kuchar e Junqueira (2010) pesquisaram 20 estudantes universitários e concluíram que conforme a relação sinal e ruído decrescem, os indivíduos pioram o seu desempenho quanto à inteligibilidade da fala, com isso seu desempenho tende a piorar ainda mais depois que os mesmos são expostos a elevados níveis de pressão sonora.

Em relação ao ambiente de trabalho dos professores, verifica-se que podem ser constituído por fatores construtivos de um cenário adverso. De acordo com o trabalho de Martins et al. (2007), cuja a amostra foi constituída por professores em

sua maioria do gênero feminino e trabalhando 40 horas semanais, um desses fatores é o elevado número de alunos por sala de aula, o que faz os docentes falarem de forma abusiva e geram níveis de ruído excessivo. Esses mesmos autores mostraram que mais de 90% dos professores relataram que o ruído em sala de aula é excessivo e sugeriram a possibilidade desses profissionais estarem tendo surdez ocupacional resultado da exposição ao ruído.

Ribeiro et al.(2010) aplicaram um questionário para avaliar a percepção dos

(30)

21 professores. Esses autores também realizaram medidas no interior da sala de aula para verificar o nível de pressão sonora. Mais de 70% desses profissionais eram do ensino infantil e fundamental, no infantil chegou-se a pesquisar 100% dos profissionais, relataram que o ruído afeta de modo negativo o trabalho e a saúde. Nota-se também que mais de 80% dos professores apresentaram sintomas ligados ao ruído competitivo, onde cerca de 70% disseram ter cansaço mental, mais de 60% apontaram ter dores de cabeça e na garganta e de 30% a 40% disseram ter rouquidão e irritação.

Gasparini, Barreto, Assunção (2006) estudaram os transtornos mentais avaliando também as condições de trabalho dos professores do ensino fundamental de Belo Horizonte e utilizaram questionário. A amostra foi constituída por cerca de 750 professores onde 89,1% eram mulheres e mais de 50% tinham tempo de docência média em torno de 16 anos. Também constataram que 53,6% apresentavam carga horária semanal de trabalho superior a 22 horas e meia. Concluíram a existência de dados que apontam para ocorrência de transtorno mental entre docentes, podendo ser causada por varáveis como o ruído, pois esse, em sala de aula, foi apontado como elevado por 48%, aproximadamente 45% relataram que o ruído ocasionado na escola é gerado fora de sala de aula e 17% disseram fora da escola.

Lacerda e Marasca (2002) estudaram a percepção auditiva de alunos e dos professores, constataram que 50% consideram alto o barulho da escola sendo que o pátio e a quadra de esporte são os locais de destaque, em consequência, os alunos disseram que nesse cenário tinham dificuldade de se concentrarem e escutar os professores. Concluíram que os altos níveis de pressão sonora, presentes na sala de aula, estão prejudicando o aprendizado dos alunos e causando problemas vocais nos professores.

(31)

condições de trabalho as alterações na voz. Concluíram que a implementação de programas de saúde vocal, a fim de prevenir a disfonia é importante.

Alves, Araújo, Xavier (2010) pesquisaram 126 docentes, onde 98 eram do gênero feminino, o que aponta para uma maior predisposição na alterações da voz. Concluíram que a disfonia foi relatada em quase 90% dos professores do ensino fundamental sendo a carga horária semanal foi à única variável relacionada à rouquidão no trabalho docente. Os mesmos autores também encontraram queixas vocais como dor de garganta e fadiga vocal.

Segundo Simões e Latorre (2006) que realizaram estudos em creches. Os educadores tinham a idade média de 31 anos e o tempo de profissão de 6,5. Conseguiram constatar que a alteração vocal estava presente em aproximadamente 80% desses profissionais, sendo que a causa para mais de 80% foi o uso excessivo da voz, para cerca de 40% a presença do ruído e 33% o sentimento de estresse. Ainda nesse mesmo estudo, mais da metade citou a rouquidão e cansaço vocal como um dos principais sintomas, perceberam que quase 60% sentem secura na garganta, 48% sentem pigarro e 25% sentem dor e ardor ao falar. Concluíram que a capacidade de discernimento das causas que levam a problemas vocais pode contribuir para melhora no uso da voz tanto por eles quanto por outros profissionais. Servilha e Pereira (2008) pesquisaram 21 docentes do ensino fundamental, onde 76% eram mulheres com idade média de 45 anos e tempo de serviço 17 anos. Cerca de 20% relataram rouquidão, dor de garganta, falhas na voz e declararam forçar para falar. O estresse 46% e a ansiedade 33% também foram citados. Concluíram que o ambiente de trabalho foi considerado organizado comparado a outros níveis de ensino, sintomas negativos como relacionados à voz podem ser vinculados a aula expositiva e que amplificação pode ajudar na melhora da qualidade da voz.

(32)

psíquico a ansiedade foi citada por 63,6% e depressão 18,1%%, ainda atribuíram esses sentimentos à sobrecarga de trabalho, às tarefas acadêmicas, à carga horária, à pressão dos gestores e ao estresse. Problemas na emissão da voz foram relatadas por 26%, que atribuíram à necessidade de aumentar o tom de voz em virtude dos ruídos internos e externos à sala de aula ou ainda dos decorrentes da acústica inadequada. Nesse estudo foram avaliadas 37 salas de aula acerca do conforto acústico, concluíram que mais de 95% estão fora dos limites aceitáveis pela NBR 10.152. Assim, nesse cenário, os professores elevam sua intensidade vocal, para sobrepor ao ruído de fundo, em 30 dB(A). Sugeriram estudos que possa contribuir para melhora da qualidade de vida dos professores realizando mudanças no número de turmas e na infraestrutura das salas de aula.

Libardi et al. (2006) estudaram uma amostra constituída por 36 professores

dos quais 92% eram do gênero feminino, média de idade 42 anos e o tempo de magistério 14 anos. Para verificar a percepção dos professores foi aplicado um questionário e também foram realizadas medidas. Concluíram que o ruído encontrado nas salas de aula afeta a saúde dos professores. As alterações são: tonturas, dificuldades com o sono, problemas digestivos e circulatórios, encontraram outros como: irritabilidade, dificuldade de concentração, diminuição da inteligibilidade de fala além de problemas vocais. Apontaram ainda que deveriam haver estudos para aprofundar o tema.

De acordo com Iqueda (2006), há muitas evidências científicas que corroboram com a contribuição da saúde para a qualidade de vida. Esse autor estudou uma amostra formada por 117 professores da rede municipal de Ribeirão Preto e comparou a outra constituída por 96 não professores de uma chamada população controle. Os docentes no geral tinham em sua maioria de 40 a 65 anos (62,5%), mais da metade tinham mais de 15 anos de magistério e a maioria lecionavam para ensino fundamental. Os resultados mostraram que 93% disseram ter queixa de disfonia. Relataram também que os professores são mais sensíveis ao ruído que outros profissionais 84% a 53 % respectivamente. Concluíram que existiu baixa influência de problemas relacionados à voz no desempenho profissional dos professores durante a entrevista.

(33)

aproximadamente 40 anos, sendo que as classes mais frequentes foram de 31 a 40 anos (33,3%) e de 41 a 50 anos (31,7%). Concluíram que a maioria desses profissionais, estudados nessa amostra, avaliaram a sua voz como boa, mas os resultados da estatística descritiva mostraram que as necessidades e os problemas com a profissão afetam a qualidade de vida.

2.4 ESTRESSE EM PROFESSORES:

Constata-se que o estresse apresenta diversos sintomas físicos e psicológicos, como também, afeta vários órgãos do corpo humano. Também apresenta consequências negativas como prejuízos a qualidade de vida e queda no desempenho profissional. Segundo Lazarus e Folkman (1984) a situação de estresse se dá quando as formações de ameaças sentidas pelas pessoas excedem os seus recursos emocionais, ou seja, exercendo uma sobrecarga sobre diversos profissionais dentre eles os professores.

Em situações de estresse, existem órgãos do corpo humano que também sentem os malefícios. O cérebro, um desses órgãos, é onde começa todo processo de estresse, sendo um dos mais afetados por produtos originados de reações desse processo, somados a fatores genéticos podem causar desordens psiquiátricas, como também, inibir a atividade de receptores nucleares (HEUSER e LAMMERS, 2003; KLOET, JOELS M, HOLSBOER, 2005; PAULINO, PREZOTTO, CALIXTO,

2009), ou seja, a vida das células passa a ser prejudicadas.

Fala-se, então, que o estresse pode ser uma resposta emocional às questões psicológicas e ambientais, pois as mesmas estruturas relacionadas ao seu desenvolvimento estão também vinculadas ao medo e à raiva (PAULINO et al.,

2010). Isso mostra que o ambiente escolar inadequado, pode gerar esse sentimento nos docentes.

Segundo Schuler (1980), esse problema está muito presente no mundo contemporâneo, assim, pode ser considerado um fenômeno significativo e por isso deve ser estudado, já que também, seguindo essa mesma abordagem, ocorre a associação e a interação do estresse com várias funções vitais do organismo, como também, as de ordem comportamental.

(34)

potencialidades profissionais, as quais contribuem para o desempenho profissional satisfatório em trabalhos como, por exemplo, dos professores (MENDES; 2006).

Esse fenômeno também pode estar relacionado ao ambiente de trabalho, por isso acarreta prejuízos às instituições públicas e privadas. Segundo Hadi et al.

(2009), o estresse está associado à idade, à permanência no local de trabalho e às exigências psicológicas. Segundo Ashari et al. (2005), os recursos humanos de uma

organização empresarial são o principal componente no desenvolvimento de suas atividades afins, assim, empregados estressados têm um desempenho insatisfatório, sendo mais propensos a ter faltas no trabalho, sofrer acidentes, sentir insatisfação e ter queda no comprometimento com a instituição em que trabalham. Conclui-se que o estresse interfere de modo contundente no trabalho diário das pessoas inclusive dos professores.

Estudos realizados com trabalhadores em indústrias mostram que os ambientes adversos causam estresse, e ainda, quando aparecem de modo crônico, podem afetar o metabolismo humano, ou seja, a pessoa pode ganhar peso ou desenvolver problemas cardíacos. Nesse contexto, pode ainda acarretar outras doenças, como também, prejudicar a saúde física e a qualidade do estabelecimento (CHANDOLA, BRUNNER,MARMOT, 2006; KANG e KIM,2010; WATSON e PENNEBAKER,1989). Isso também mostra que quando as escolas não são adequadas para trabalhos docentes, esses profissionais podem ter queda no seu desempenho profissional o que afeta a qualidade no ensino e a aprendizagem das crianças.

Outros trabalhos também mostram as consequências negativas desse problema. De acordo com Bellingrath, Rohleder, Kudielk, (2010), esse fenômeno, o estresse, interfere também no processo imunológico, aumentando as chances de doenças, principalmente se ocorrer de modo constante na vida das pessoas. Schneiderman, Ironson, Siegel (2005) descreveram como os agentes estressantes influenciam a saúde mental, como também, os tratamentos psicológicos podem melhorar a qualidade de vida e o trabalho das pessoas.

(35)

cotidiano das escolas. Griffith, Steptoe, Cropley (1999) ainda dizem que ensinar crianças e jovens é uma tarefa cansativa, gera desgaste físico e mental. Portanto, estresse é sem dúvida uma ocorrência maléfica presente no cotidiano de muitos docentes.

Como relatado, esses profissionais estão sujeitos a esse cenário estressante. Segundo Kyriacou e Sutcliffe (1978), isso ocorre quando os docentes convivem também com o mau comportamento de alunos ocasionado principalmente pela falta de disciplina.

Mahan et al. (2010) examinaram o ambiente escolar com uma amostra

formada por 168 professores em duas escolas urbanas e cinco suburbanas, constataram que agentes estressantes foram significantes para explicar a depressão e a ansiedade desses profissionais. Nesse cenário, Nunes (2005) afirma que o estresse interfere na produtividade do trabalho pedagógico, acarreta distúrbios emocionais e depressões reativas. Franco et al. (2010) destacaram que os

educadores são os que mais sofrem problemas psicológicos.

Silva, Damásio, Melo (2009) estudaram uma amostra formada por 517 professores do ensino fundamental e médio da cidade de Campina Grande onde a média de idade foi de 36,6 anos, constataram que a pontuação ultrapassou 15 dos 30 pontos possíveis, média de 16,4. Concluíram que mais de 60% dos docentes apresentaram níveis de estresse razoavelmente altos.

Com tantos desafios e cenários adversos, é real que professores apresentem sentimentos de desmotivação e desvalorização, por isso existem trabalhos acadêmicos que visam apontar estratégias para minimizar os efeitos e, por consequência, melhorar o desempenho e o nível de aprendizagem dos alunos (JESUS e LENS, 2005; GRIFFITH, STEPTOE, CROPLEY, 1999; PATRICIA e MARK, 2008).

Lembrando que são vários os fatores causadores de estresse nas pessoas inclusive nos professores quando estão no ambiente escolar. Segundo Libardi et al.

(2006), níveis excessivos de ruído são um deles. De acordo com a organização Mundial de Saúde (OMS, 1980 apud PIMENTEL-SOUZA,1992 apud GONÇALVES e

(36)

bioquímico, aumenta a chance de infarto, derrame cerebral, infecções e outras patologias, quando os níveis ficam acima de 75 dB(A), e a pessoa fica exposta em torno de oito horas diárias, pode haver problemas na audição, por fim, a 80 dB(A) ocorre a liberação de endorfina dando sensação de bem estar.

Nesse cenário é importante verificar se a pessoa está ou não estressada, ou ainda, qual o seu nível de estresse. Assim, nas últimas décadas, a ciência desenvolveu algumas técnicas apontando nessa direção. Dentre essas técnicas, houve a construção da Escala de Estresse Percebido proposta por Cohen, Karmack, Mermelsteinm (1983) traduzida para o português por Luft (2007).

Um dos métodos apresentados por essa escala é constituído por 14 perguntas, onde as opções vão de zero a quatro, sendo que existem questões com a pontuação invertida. No final dos testes, os níveis podem variar de 0 a 56. Com esses valores é possível constatar se a pessoa está ou não estressadas, como também, qual o nível de estresse.

Alguns trabalhos, não voltados para professores, utilizaram essa escala para determinar os níveis de estresse em determinadas amostras. Por exemplo, Segato (2009) estudaram o estresse em gestantes, encontraram níveis elevados nos cenários pesquisados. Portela e Bughay (2007) constataram que policiais militares apresentaram também níveis altos de estresse, principalmente os ativos frente aos inativos. Cohen, Karmack, Mermelsteinm (1983) encontraram que as mulheres apresentaram níveis de estresse ligeiramente maiores que os homens, lembrando que a maioria dos professores são do gênero feminino. Por fim, Segato et al. (2010)

relataram níveis de baixos a moderados em velejadores, sendo que nas mulheres esses níveis foram mais elevados.

Nesse cenário, Jesus (1999) apresentou um programa de prevenção e combate ao estresse com duração de 30 horas divididas em 10 sessões onde foram desenvolvidas atividades que visavam o compartilhamento das experiências profissionais, a identificação específica do estresse, como também, estratégias para evitá-lo e para lidar com estudantes, implementação de novas crenças, mecanismos para evitar a falta de motivação em sala de aula, práticas de resistências e relaxamento.

(37)

De acordo com a literatura, uma das formas de se verificar a percepção dos professores em relação aos efeitos do ruído na qualidade de vida e no trabalho é a aplicação do questionário. Vários trabalhos citados acima utilizaram essa ferramenta como o de Fontana e Pinheiro (2010), Alves, Araújo, Xavier (2010), Simões e Latorre (2006), Gonçalves, Silva, Coutinho (2009) e Martins et al. (2007).

Por sua vez, Günther (1999) relata que há três formas de avaliar o comportamento das pessoas, observando-as na vida real, avaliando a reação em cenários hipotéticos e perguntando para elas o que sentem e pensam.

Assim a busca na compreensão do que pensam as pessoas instiga a pesquisa em aperfeiçoar mecanismos para torná-los cada vez mais eficientes. O questionário é um instrumento valioso, pois bem aplicado mapeia, por exemplo, comportamentos e percepções dos profissionais, permitindo que suas interpretações apontem para resultados interessantes.

Cervo e Bervian (2002) dizem que esse instrumento é usado na coleta de dados frequentemente onde as perguntas podem ser abertas ou fechadas, subjetivas ou objetivas. Os mesmos autores ainda relatam a vantagem das perguntas com respostas fechadas o que melhora a análise e o entendimento por parte do entrevistador.

A adaptação, tradução e validação de questionários são processos bastante utilizados. Pimenta e Teixeira (1996) adaptaram um questionário para a língua portuguesa. Oliveira-Castro et al. (1999) realizaram um processo de validação para

verificar a percepção, em relação ao suporte organizacional, seguiram várias etapas com o intuito de torná-lo um mecanismo eficiente, assim como Luft (2007).

Em relação ao questionário, segundo Martins et al. (2011), é importante

verificar a confiabilidade desse instrumento, e uma forma eficaz é através do Alfa de Cronbach. No mesmo trabalho os autores mostram uma tabela feita por Freitas e Rodrigues (2005) onde esses apresentaram a confiabilidade e a relação com valor de α. Segue a tabela-5:

Tabela-5: Freitas e Rodrigues (2005) Confiabilidade Valor de α

Muito Baixa α ≤ 0,30

Baixa 0,30 < α ≤ 0,60

Moderada 0,60 < α ≤ 0,75

Alta 0,75 < α ≤ 0,90

(38)

2.6 CORRELAÇÃO E TESTE T:

Para verificar se existe relação entre os aspectos avaliados na pesquisa e se esses são verdadeiros, utilizam-se as correlações e o teste t.

As correlações indicam a força entre duas variáveis, ou seja, constata se a ligação é forte, fraca ou ausente. De acordo com Munro (2001), os valores numéricos mostram as seguintes correlações, relatadas na tabela-6.

Tabela-6: Correlações

Valor numérico Tipo

0,26 a 0,49 Baixa

0,50 a 0,69 Moderada

0,70 a 0,89 Alta

0,90 a 1,00 Muito alta

Segundo Stevenson (1981), o coeficiente r de Spearman, técnica não

paramétrica, é utilizado quando o dado se dispõe por postos, ainda, relata necessário realizar o teste t para verificar se o resultado de correlação é verdadeiro

(39)

3 MATERIAIS E MÉTODO

Serão apresentados os materiais e métodos adotados ao longo dessa pesquisa. A construção dessa parte do trabalho baseou-se em trabalhos da literatura e nas normas da ABNT.

Assim, nesse trabalho, foram avaliadas as condições de conforto acústico nas escolas, o nível de intensidade vocal dos docentes, a percepção dos professores em relação aos problemas extra-auditivos, comunicações em sala, identificação da voz, como também, os níveis de estresse dos docentes.

3.1 CENÁRIO DA PESQUISA:

O cenário utilizado para pesquisa, como também, constituição da amostra, são as escolas e professores da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF). De acordo com o censo de 2010, feito por esta mesma secretaria, mostra que todo o sistema educacional é constituído por cerca de 600 escolas que recebem em torno de 500.000 alunos. Relatório de Gestão do ano de 2008 da SEEDF aponta que são aproximadamente 40.000 professores, em sala de aula estão cerca de 22.000 docentes. O gênero feminino é predominante, representa em torno de 78,0% do total, a média de idade e do tempo serviço são de 40 e 12 anos respectivamente.

A carga horária de trabalho é de 20 ou 40 horas semanais. Onde os professores que trabalham 40 horas, por exemplo, coordenam em um turno e lecionam em outro. Esse período de coordenação é preconizado na lei de n° 4.075 de 2007 que atribui à coordenação o período onde esses profissionais planejam as aulas, corrigem provas e trabalhos, realizam reuniões, ou seja, atualizam as atividades da sala de aula.

Assim esse estudo foi delimitado em seis escolas onde em cinco foram avaliados a percepção e as medidas. Essas instituções estão localizadas na cidade de Taguatinga, Distrito Federal. De modo geral participaram das entrevistas 84 professores sendo que desses 31 tiveram o nível de intensidade vocal avaliada.

(40)

Tabela-7: Avaliações

Escolas Classe (EC) Avaliações

n° 01 Percepção e medidas

n° 10 Percepção e medidas

n° 11 Percepção e medidas

n° 17 Percepção e medidas

n° 50 Percepção e medidas

CAIC Percepção

3.2 CARACTERÍSTICAS DA ESCOLA:

As escolas avaliadas com as medidas de pressão sonora e as condições de conforto acústico estão nos locais próximo a rodovias como também a áreas residencias. Essas instituições de ensino atendem alunos do pré ao 5ª ano com turmas que variaram de 12 a 38 alunos.

O Quadro-1 apresenta a localização das escolas como também a caracterização em relação ao fluxo de veículos, coméricos e residências.

Quadro-1: Caracterização das escolas

Escola Caracterização

EC 01 Próximo a vias com intenso fluxo de veículos, a área comercial e residências. Nos horários de pico a passagem intensa de veículos pesados como ônibus e caminhões. EC 10 Situada próxima a uma avenida comercial, com intenso fluxo de veículos sendo esses

leves e pesados, residências e um posto de saúde. O comércio é formado por lojas e um lava jato.

EC 11 Inserida no meio de três vias onde o tráfego ocorre de modo mais intenso em um delas, existe também comércios e residências. A passagem de ônibus acontece ao longo do dia, mas é mais intenso em determiandos horários.

EC 17 Está praticamente inserida em uma área comercial e circundada por duas escolas e residências. Os veículos passam intensamente ao longo do dia, mas diferente das outras vias já citadas de modo mais lento. Oberva-se o tráfego também de carro de som e carro com som automotivo.

EC 50 Circundada por residências e por vias com baixo fluxo de veículos. CAIC Circundada por residências e por vias com baixo fluxo de veículos.

(41)

Tabela-8: Atendimento dos alunos

Escolas Alunos Séries

EC 01 426 1ª ao 5ª ano

EC 10 581 Educação Infantil ao 5ª ano

EC 11 635 1ª ao 5ª ano

EC 17 483 1ª ao 5ª ano

EC 50 485 Educação Infantil ao 5ª ano

CAIC 1352 Educação Infantil ao 5ª ano

As salas de aula têm um número de alunos pré-estabelecidos em orientações da SEEDF. Assim as turmas que têm alunos com necessidades especiais devem ter o seu número reduzido como as de séries iniciais.

A Tabela-9 mostra a estatística descritiva do número de alunos encontrados nas salas de aula das escolas pesquisadas. Nota-se que as diferenças entre as turmas podem chegar a 26.

Tabela-9: Número de alunos por sala

Estatística descritiva N° dos alunos por sala

Média Obtida 27

Desvio-Padrão 6

Mínimo obtido 12

Máximo obtido 38

Considerando a média e o desvio padrão, o número de alunos por sala variou de 21 a 33, o mínimo obtido foi onde se encontrou alunos com necessidades especiais e o máximo são as turmas de 5° ano.

3.3 AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE CONFORTO ACÚSTICO:

A coleta de dados ocorreu de outubro de 2010 a março de 2011. O material utilizado nas medições dos parâmetros acústicos foi o medidor Solo da 01 dB, com protetores de vento e tripés, equipado com filtro de 1/3 em bandas de oitavas e tempo de reverberação (TR), calibrador acústico marca 01 dB e softwares dBTrati e dBBati. Todos os equipamentos utilizados para a realização e validação das medidas foram disponibilizados pela Universidade Católica de Brasília.

3.4 MEDIDAS E OBSERVAÇÕES DOS NÍVEIS DE PRESSÃO SONORA:

Referências

Documentos relacionados

Assim, considerando que um percurso escolar de sucesso pressupõe o pleno desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita nos anos iniciais do Ensino

Durante a pesquisa, foram entrevistados dois Agentes de Acompanhamento de Gestão Escolar que orientam as escolas objeto da pesquisa para verificar quais são as percepções

Já como objetivo propositivo, construiu-se um plano de ação educacional que é constituído por quatro ações que são : Redimensionar as ouvidorias das CDEs

Naturalmente, é preciso conter os desvios significativos que possam ser ditados por comportamentos como resistência às mudanças ou postura comodista em razão das

De acordo com as entrevistas realizadas com os diversos sujeitos envolvidos no projeto, podemos ter uma noção clara de qual foco está sendo dado ao processo de

No entanto, como discorre Oliveira (2012), pesquisas nacionais e internacionais têm demonstrado que treinamentos de curta duração não são capazes de suprir

O objetivo que se estabeleceu para o estudo foi avaliar de forma crítica alguns dos processos que integram a Pró-Reitoria de Recursos Humanos, tais como assistência à

Frente aos principais achados desse estudo serão apresentadas propostas de ações a serem aplicadas dentro dos contextos escolares que enfrentam em seu cotidiano as