RELATÓRIO FINAL
MESTRADO INTEGRADO EM MEDICINA
Mariana Fernandes Campos Coroa | 2011495 |
Orientadora: Mestre Paula Leiria Pinto
Ano Lectivo 2016/2017
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“A Colina da Saúde consolidou-se da experiência e da memória da Ciência e desta
continua a viver. Criar o hábito difícil de subir a Calçada do Moinho de Vento, saber
contorná-lo usufruindo do Elevador do Lavra, lembrar o valor de um espaço que se fez
da Saúde e que pertence à cidade, sentir a Faculdade como um manancial de memória
médica que se conjuga com a Ciência mais actual e agarrar a capa com orgulho de
Santana, que se fez do saber e da tradição.
Tudo isso é viver a Colina da Saúde e dela fazer parte.”
ÍNDICE
1. INTRODUÇÃO……….……….4
2. OBJECTIVOS GERAIS……….……..4
3. SÍNTESE DAS ACTIVIDADES DESENVOLVIDAS………5
3.1. Estágio Parcelar de Cirurgia...5
3.2. Estágio Parcelar de Medicina Interna...6
3.3. Estágio Parcelar de Saúde Mental...7
3.4. Estágio Parcelar de Medicina Geral e Familiar...7
3.5. Estágio Parcelar de Pediatria...8
3.6. Estágio Parcelar de Ginecologia e Obstetrícia...9
3.7. Estágio Opcional...9
4. REFLEXÃO CRÍTICA...10
5. REFERÊNCIAS...13
6. ANEXOS...13
6.1 Distribuição dos Estágios Parcelares...13
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1. INTRODUÇÃO
O 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da
Universidade Nova de Lisboa constitui-se como um ano profissionalizante composto pelos
seguintes estágios parcelares: Cirurgia, Medicina Interna, Saúde Mental, Medicina Geral e
Familiar, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia e Estágio Opcional. Este pretende ser um ano
integrador, em que é dada primazia à prática orientada, à consolidação de conhecimentos
previamente adquiridos e ao treino de competências técnicas, científicas e humanas
fundamentais ao exercício da Medicina, quer em ambiente hospitalar, quer nos cuidados de
saúde primários. É, por isso, essencial na transição de estudante para médico com progressiva
autonomia e capacidade para enfrentar os desafios futuros.
O presente relatório organiza-se em quatro partes – Introdução, Objectivos Gerais,
Síntese das Actividades Desenvolvidas e Reflexão Crítica Final – e tem como finalidade
enumerar os principais objectivos definidos para o estágio clínico; sintetizar as actividades
desenvolvidas em cada um dos estágios parcelares; reflectir e analisar criticamente o
desempenho e cumprimento dos objectivos propostos; e, por fim, menciono e anexo os
elementos extracurriculares que considero relevantes e enriquecedores no meu percurso.
2. OBJECTIVOS GERAIS
Tomando em conta os objectivos formais estabelecidos para cada estágio parcelar e os
documentos1,2 de leitura recomendada no âmbito do estágio profissionalizante, defini, ad
initium, os seguintes objectivos: 1)Consolidar e aplicar os conhecimentos na áreas da
anamnese, semiologia, diagnóstico diferencial e terapêutica das situações clínicas mais
comuns em cada uma das especialidades, definindo a abordagem adequada a cada doente e
situação clínica. 2) Desenvolver competências comunicacionais e humanas, quer no trabalho
em equipa, quer na relação médico-doente. 3)Desenvolver a autonomia, confiança e
experiência necessárias ao início da minha vida profissional. 4) Conciliar os estágios com não
3. SÍNTESE DAS ACTIVIDADES DESENVOLVIDAS
O estágio clinico profissionalizante decorreu de 12 de Setembro de 2016 a 2 de Junho de
2017 e distribuiu-se cronologicamente em: oito semanas de Cirurgia Geral, oito semanas de
Medicina Interna, quatro semanas de Saúde Mental, quatro semanas de Medicina Geral e
Familiar, quatro semanas de Pediatria, quatro semanas de Ginecologia e Obstetrícia e, por
último, duas semanas de estágio clínico opcional em Cardiologia.
3.1. Estágio Parcelar de Cirurgia
O estágio parcelar de Cirurgia, sob a regência do Prof. Doutor Rui Maio, foi composto por
1 semana inicial teórico-prática no Hospital Beatriz Ângelo e 7 semanas de prática no Hospital
da Luz (HL), sob orientação do Dr. José Pereira. A componente prática no HL subdividiu-se,
por sua vez, em 4 semanas de Cirurgia Geral, 2 semanas de opcional em Anestesiologia e 1
semana de Urgência. Defini como objectivos prioritários a aquisição de competências no
diagnóstico, abordagem e seguimento das patologias cirúrgicas mais comuns, bem como o
treino de técnicas e procedimentos cirúrgicos básicos na área da Pequena Cirurgia. Participei
no bloco operatório, consulta, internamento, pequena cirurgia e reuniões multidisciplinares.
Destaco a oportunidade de me envolver em várias cirurgias como 1ª e 2ª ajudante, inclusive
em técnicas laparoscópicas, treinando os vários preceitos associados ao “teatro operatório”,
desde a assépia, à realização de pontos de sutura. No âmbito da consulta e internamento,
observei o pré e pós operatório de doentes com múltipla patologia cirúrgica. As 2 semanas de
opcional em Anestesiologia foram também ricas em aprendizagens e na prática de diversas
técnicas sob supervisão, tais como: avaliação pré-operatória; monitorização anestésica;
entubação orotraqueal e oro/nasogástrica; colocação de acessos venosos e arteriais; bloqueios
subaracnoideus; gestão dos fármacos/fluidoterapia e dos parâmetros ventilatórios. Assisti às
sessões clínicas semanais do hospital, ao journal club de Anestesiologia e a uma apresentação
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curso de trauma e no mini congresso de Cirurgia, onde apresentei, uma comunicação científica
intitulada “A Genética do Destino” a propósito de um caso clínico de um tumor da suprarrenal.
3.2. Estágio Parcelar de Medicina Interna
No âmbito do estágio parcelar de Medicina Interna, sob a regência do Prof. Doutor F.
Nolasco, estive na Unidade Funcional de Medicina 1.2 do Hospital de São José, onde fui
integrada na equipa chefiada pela Dra. Isabel Baptista e orientada pela Dra. Alexandra Raposo.
Estabeleci como objectivos principais: a integração na equipa e o estabelecimento de boas
relações interpares; a aquisição de competências teóricas e práticas na avaliação do doente e
respectivo diagnóstico, terapêutica e seguimento, reforçando o raciocínio clínico; o treino de
aptidões comunicacionais; e a identificação e hierarquização de situações emergentes em
contexto de Urgência.
A maioria do contacto prático decorreu na enfermaria, onde me atribuíam 2 a 3 doentes
pelos quais era responsável diariamente, desde a observação, identificação problemas e
respectiva resolução, à participação na discussão do diagnóstico, pedido de exames e
terapêutica, bem como realização de técnicas como punções venosas ou arteriais, quando
necessário. Participei ainda na Consulta Externa, Serviço de Urgência e nas actividades
científicas semanais do serviço – journal club, sessões clínicas e reuniões de discussão de
ECG e exames de imagem. Destas actividades destaco o acompanhamento da minha
orientadora no SU, onde estive em balcão a colher a anamnese e observar doentes triados
com diferentes graus de prioridade de Manchester e a registar as minhas observações,
discutindo as hipóteses de diagnóstico e pedido de exames, bem como as medidas
terapêuticas a adoptar em cada contexto. No domínio científico, contribuí para as sessões
clínicas do serviço com a apresentação de um trabalho sobre Mieloma Múltiplo e participei num
3.3. Estágio Parcelar de Saúde Mental
O Estágio Parcelar de Saúde Mental, regido pelo Prof. Doutor Miguel Xavier, decorreu no
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL), no Serviço de Psiquiatria Geral e
Transcultural, sob orientação da Drª Isabel Ganhão. Os objectivos que priorizei nas 4 semanas
de contacto na área da Saúde Mental foram, em complemento às minhas anteriores
experiências, “procurar continuar a quebrar o estigma relacionado com a doença mental”,
“observar e praticar a entrevista clínica, procurando aprofundar as bases da relação terapêutica
médico-doente”, “observar e praticar de forma autónoma a realização do exame do estado
mental” e “familiarizar-me com a terapêutica das patologias psiquiátricas mais prevalentes”.
O estágio teve inicialmente dois dias de teórico-práticas para todos os alunos e o restante
tempo correspondeu à prática hospitalar propriamente dita. Os seminários englobavam
sessões de roleplaying de situações diversas como “alteração do comportamento com
heteroagressividade” e ainda uma sessão subordinada ao tema do “Estigma na Doença
Mental”. Durante o tempo de contacto CHPL estive presente maioritariamente no internamento,
mas também nas reuniões do serviço e sessões clínicas de internos, na consulta externa e em
dois grupos terapêuticos – Grupo Psicoterapêutico Aberto e Grupo de Cessação Tabágica. Em
contexto de internamento, pude praticar a entrevista clínica e o exame do estado mental quase
diariamente e elaborei uma história clínica psiquiátrica completa. Fora do internamento tive um
papel mais observacional, procurando focar as técnicas de entrevista utilizadas em cada
contexto e trabalhar internamente a questão do estigma, reflectindo sobre a mesma.
3.4. Estágio Parcelar de Medicina Geral e Familiar
No âmbito do estágio de Medicina Geral de Familiar (MGF), sob a regência da Prof.
Doutora Isabel Santos, tive oportunidade de estagiar na USF Vale do Sorraia, em Coruche.
Pela sua multiplicidade de dimensões esta é uma especialidade exigente e desafiante uma vez
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competências específicas para a resolução de problemas, bem como de gestão, coordenação
e advocacia para a utilização dos recursos de Saúde. Com a orientação da Dra. Teresa do
Vale, pude assistir e participar em múltiplas valências de consulta nos Cuidados de Saúde
Primários – Saúde do Adulto, Saúde Materna, Planeamento Familiar, Saúde Infantil e Consulta
de Agudos – e assumir a marcha diagnóstica e terapêutica de forma parcialmente autónoma
em grande parte das consultas. Cumpri doze horas semanais no Serviço de Atendimento
Permanente e participei em visitas domiciliares. Saliento, por último, a realização de uma
análise de situação acerca de uma mudança de terapêutica anti-hipertensora e a apresentação
de um caso no âmbito do Diário do Exercício Orientado.
3.5. Estágio Parcelar de Pediatria
O Estágio Parcelar de Pediatria, regido pelo Prof. Doutor Luís Varandas, decorreu no
Hospital D. Estefânia(HDE), no Serviço de Infecciologia, sob a orientação do Dr. João Farela
Neves. A minha principal expectativa para este estágio era que me trouxesse a oportunidade
de praticar competências básicas na área da saúde infantil e juvenil, principalmente a colheita
da anamnese e o exame físico, atendendo às particularidades inerentes a cada fase do
desenvolvimento da criança/adolescente. Pretendia ainda tomar contacto com as patologias
mais prevalentes em contexto pediátrico, identificando os sinais de gravidade/urgência. Neste
sentido, acompanhei o meu orientador na enfermaria, consulta de imunodeficiências primárias
e urgência na Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, mas também outros profissionais
na Urgência Geral, na Consulta de VIH e na Consulta de Imunoalergologia. Participei nas
sessões clínicas do HDE, em dois seminários teórico-práticos de imunoalergologia e nas
reuniões de passagem diárias. Finalmente, dentro do trabalho realizado, saliento a elaboração
e apresentação de um seminário intitulado “Síndrome de Opsoclonus Mioclonus – Um caso
clínico” e ainda uma história clínica de um caso de Gastroenterite Aguda internado na
3.6. Estágio Parcelar de Ginecologia e Obstetrícia
No âmbito do Estágio Parcelar de Ginecologia e Obstetrícia, regido pela Prof. Doutora
Teresa Ventura, estive na Maternidade Alfredo da Costa – 2 semanas em Ginecologia,
orientada pela Dra. Celina Ferreira, e 2 semanas em Obstetrícia, orientada pela Dra. Alexandra
Coelho. Os meus objectivos eram continuar a desenvolver competências na colheita de história
clínica, diagnóstico diferencial e terapêutica das patologias ginecológicas e obstétricas mais
prevalentes; assistir e praticar o exame objectivo ginecológico e obstétrico, em particular a
observação ao espéculo, toque vaginal, palpação mamária, avaliação do colo em grávidas e
pesquisa do foco fetal. Por conseguinte, procurei ser proactiva, realizando o exame objectivo e
participando no diagnóstico diferencial nas consultas de Ginecologia, Senologia, Obstetrícia e
Hipertensão. Assisti à realização de exames, tais como Colposcopias e Histeroscopias;
observei cirurgias no bloco operatório de Ginecologia; partos eutócicos e distócicos por via
vaginal e cesarianas no bloco de partos. Cumpri 12h de urgência onde tomei parte activa no
exame objectivo ginecológico e assisti a ecografias. No Puerpério participei num trabalho de
investigação com a realização de um inquérito epidemiológico às puérperas acerca do
seguimento da gravidez, doenças/complicações da gravidez, parto e satisfação com os
cuidados prestados na MAC. Participei ainda nas sessões clínicas do Serviço de Medicina
Materno-Fetal onde apresentei uma revisão sobre “Varicela na Gravidez”.
3.7. Estágio Opcional de Cardiologia
Realizei este estágio no Serviço de Cardiologia do CHAlgarve por motivos relacionados
com a especialidade e com o local. A escolha da especialidade prendeu-se com o facto de
considerar uma lacuna na minha formação nunca ter tido um estágio curricular nesta
especialidade. Já a opção do local, foi no sentido de me dar uma perspectiva do que acontece
nos hospitais distritais. Participei nas várias vertentes da especialidade – Consulta,
Internamento, Unidade de Cuidados Intensivos Coronários, Laboratório de Hemodinâmica,
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4. REFLEXÃO CRÍTICA
A Medicina é uma Ciência exigente, que tem acompanhado os avanços tecnológicos e
científicos, as mudanças de paradigma sociais e culturais, mantendo sólidos alicerces nos seus
valores éticos e humanos. Ao longo da formação médica vamos aprendendo que, sem bases
teóricas sedimentadas não é possível exercer-se Medicina de qualidade, mas a prática dos
anos clínicos demonstra-nos que isso não quer dizer, no entanto, que se trate de uma Ciência
exacta. Por envolver a vida humana carrega uma responsabilidade ímpar, com implicações
óbvias no que respeita à formação, cujo método tem de envolver tutela e supervisão, com vista
ao desenvolvimento de autonomia progressiva e responsável. O 6º ano profissionalizante é,
assim, fundamental na transição entre a formação pré e pós-graduada do médico, visando a
integração dos conhecimentos e aprendizagens previamente adquiridos, num ambiente que se
pretende o mais próximo possível da sua realidade profissional futura. Tendo em mente as
aptidões que devem ser atingidas pelo recém-formado em Medicina2 e os objectivos gerais estabelecidos, sinto-me globalmente satisfeita com o seu cumprimento, para o qual contribuiu
de sobremaneira o rácio tutor-aluno. De seguida saliento algumas particularidades acerca de
cada um dos estágios parcelares, autoavaliando o cumprimento dos objectivos propostos.
O estágio de Cirurgia surpreendeu-me pela positiva por, apesar de ter decorrido num
hospital privado, me ter dado múltiplas oportunidades de treinar técnicas cirúrgicas e
anestésicas de grau avançado, fazendo com que sentisse mais confiança nas minhas aptidões.
No entanto, esperava ter tido mais contacto com patologia cirúrgica urgente, o que não
aconteceu devido ao funcionamento da Urgência do HL, em que os doentes são vistos na área
médica e só em caso de necessidade é chamada a cirurgia.
Medicina Interna foi, indubitavelmente, o mais “profissionalizante” dos estágios. Senti-me
integrada na equipa e no quotidiano da enfermaria, pude seguir doentes e tomar parte activa
na prestação de cuidados, acompanhando as várias fases da sua recuperação. O SU foi
o foco no essencial. Foram dois meses estimulantes, que primaram pela minha autonomização,
num ambiente de compreensão e de estímulo ao raciocínio clínico.
O estágio de Saúde Mental permitiu-me praticar o exame do estado mental e a entrevista
clínica, competências fundamentais com as quais temos pouco contacto ao longo do curso.
Destaco também a integração da vertente social, em particular nos grupos de psiquiatria de rua
e nas consultas abertas do CHPL, um trabalho que não sabia existir e me marcou. Creio não
ter atingido, no entanto, o objectivo de adquirir prática na terapêutica das patologias
psiquiátricas mais prevalentes, por ter observado doentes maioritariamente em contexto
internamento, com patologia que não espelha a realidade fora das enfermarias de Psiquiatria.
No que respeita ao estágio de MGF gostaria de destacar duas componentes: o local e a
aprendizagem. Ter oportunidade de viver e trabalhar num meio rural como Coruche foi
extraordinário pela abertura e simpatia com que fui recebida na comunidade. A nível de
aprendizagem, este foi também dos estágios mais profícuos. Aprendi a integrar o doente na
sua vertente biopsicossocial, a dirigir uma consulta e a trabalhar a relação médico-doente.
Despertei ainda para o papel preventivo da especialidade, essencial na saúde das populações.
No estágio de Pediatria, destaco a mais-valia de ter contactado com uma grande
diversidade de patologias, desde as mais raras às mais prevalentes. Saliento também a
oportunidade de interagir com crianças e famílias e desmistificar alguns preconceitos que tinha
em relação à especialidade antes de iniciar o estágio.
Em relação ao estágio de Ginecologia e Obstetrícia, sublinho a possibilidade de praticar o
exame objectivo ginecológico e de observar patologia ginecológica diversa, sobretudo nas
admissões na urgência e no consultório. No entanto, na área de Obstetrícia tive um papel muito
mais observacional do que considero desejável, tendo tido pouca possibilidade de participar na
observação das grávidas e de alcançar os objectivos nesta componente.
No que respeita ao Estágio Opcional, considero bastante positiva a oportunidade dada aos
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Enquanto finalista do primeiro curso da nova reforma curricular faz também sentido fazer
um balanço das mudanças. Apesar do receio inerente a qualquer ruptura com o paradigma
vigente, que requer um trabalho constante de adaptação, avaliação e melhoria, louvo a
coragem daqueles que não se conformaram com o status quo. Não foi um processo fácil,
muitas vezes fomos confrontados com a falta de tempo para sedimentar as Ciências Básicas, o
que implicou muitas horas de estudo para conseguir acompanhar os desafios da prática clínica.
Não obstante, saímos bastante preparados a nível clínico e dotados de uma visão abrangente
da Medicina nos seus vários contextos. Ainda há vários aspectos a ser melhorados,
nomeadamente o envolvimento dos alunos em trabalhos de Investigação e, nos estágios
práticos, o estabelecimento de padrões e critérios de qualidade no ensino por forma a esbater
as disparidades entre os diferentes locais de estágio.
Não poderia terminar esta reflexão sem destacar a importância que as actividades
extracurriculares tiveram na minha formação médica e pessoal, entre as quais o GASNova (vide
anexos). Esta organização foi a minha “faculdade fora da faculdade” e trabalhou a componente
humana muito mais do que o curso de Medicina, por si só, poderia ter trabalhado.
Aproximei-me das desigualdades do Mundo e adquiri competências de trabalho em equipa, liderança,
organização de tempo, gestão financeira, adaptação e abertura à diferença. Sem dúvida que se
a célebre frase de Abel Salazar fosse levada à letra por todos os médicos e estudantes de
Medicina, experienciaríamos uma verdadeira revolução de Humanismo.
Concluo, agradecendo a todos os que marcaram estes últimos seis anos: família, amigos e
colegas, Professores, médicos e profissionais de saúde. Recordarei a Faculdade de Ciências
Médicas com o carinho de uma instituição despretensiosa, apesar do seu prestígio e tradição,
cuja marca distintiva é precisamente essa proximidade entre alunos e docentes, que remam no
mesmo sentido e pelo mesmo objectivo: a melhoria constante da qualidade da formação
E amanhã não seremos o que somos, nem o que fomos. - Metamorfose, Ovídio.
5. REFERÊNCIAS 1
O Licenciado Médico em Portugal – Core Graduates Learning Outcomes Project, Julho 2005.
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The Tuning Project – Learning Outcomes/Competences for Undergraduate Medical Education in Europe, 2007.
COMPETÊNCIAS DO RECÉM-FORMADO EM MEDICINA
• Conduzir autonomamente uma consulta;
• Avaliar clinicamente um doente e realizar a marcha diagnóstica e terapêutica apropriada;
• Providenciar cuidados imediatos nas emergências, incluindo primeiros socorros e reanimação;
• Prescrever fármacos;
• Realizar procedimentos técnicos;
• Comunicar de forma eficaz em contexto médico;
• Aplicar os princípios éticos e legais na sua prática;
• Aplicar os princípios, competências e conhecimentos da Medicina Baseada na Evidência;
• Usar a informação e as tecnologias de forma eficaz em contexto médico;
• Aplicar o método científico à prática clínica e à investigação;
• Promover a saúde e hábitos de vida saudáveis;
• Envolver-se nos problemas de saúde da população e trabalhar eficazmente num sistema se saúde.
Adaptado de “Tuning Project”
6. ANEXOS
6.1. Distribuição dos estágios parcelares
Período Estágio Local de Estágio Tutor
12/09/16 – 04/11/16 Cirurgia Geral Hospital da Luz Dr. José A. Pereira
07/11/16 – 13/07/17 Medicina Interna Hospital de São José Dra. Alexandra Raposo
25/01/17 – 17/02/17 Saúde Mental Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
Dra. Isabel Ganhão
20/02/17 – 17/03/17 Medicina Geral e Familiar
USF – Vale do Sorraia Dra. Teresa do Vale
20/03/17 – 21/04/17 Pediatria Hospital D. Estefânia Dr. João Farela Neves
24/04/17 – 19/05/17 Ginecologia e Obstetrícia
Maternidade Alfredo da Costa
Dra. Celina Ferreira (Ginecologia) e Dra. Alexandra Coelho (Obstetrícia)
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Pereira
6.2. Actividades extra-curriculares
Actividades valoradas não previamente avaliadas:
Ao longo do Mestrado tive oportunidade de ter várias experiencias de voluntariado tanto
pontual como continuado, sendo este último aquele que julgo que mais ferramentas me deu
para a minha vida pessoal e profissional. Assim, como forma de enquadrar estas experiências
farei uma breve descrição das duas organizações onde fiz voluntariado durante mais tempo e
cujos certificados se anexam no final deste relatório.
O GASNova – Grupo de Acção Social da Nova é uma ONGD e associação sem fins
lucrativos que tem como missão Aproximar, sensibilizar, formar e mobilizar jovens como
agentes desencadeadores do desenvolvimento global sustentável, promovendo a cooperação
entre Portugal e os Países de Língua Oficial Portuguesa. Para que isto seja possível, os jovens
são integrados numa caminhada de formação baseada no conceito de Cidadania Global e
Educação para o Desenvolvimento e nos seus valores de justiça, equidade e solidariedade.
O GASNova acredita que “a sensibilização e formação dos jovens sobre os problemas e
desafios que o Mundo atravessa, as desigualdades entre o Norte e o Sul, e sobre si próprios
neste contexto, promovem o pensamento crítico e constituem um passo fundamental para a
ação e mobilização no sentido da transformação social. Mas as temáticas da Educação para o
Desenvolvimento não se restringem ao âmbito internacional, potenciando soluções e respostas
para questões transversais, numa permanente leitura entre o global e o local, tais como o
respeito pela multiculturalidade; a imigração e inclusão social; a erradicação da pobreza; o
Nesta organização cuja estrutura é completamente voluntária, composta por jovens,
estive presente em quatro “caminhadas” – nome dado ao ano lectivo no GASNova – que se
inicia em Novembro e só termina em Setembro do ano seguinte. Em cada uma destas
caminhadas fui desempenhando diferentes papéis, com crescente grau de responsabilidade(ver
certificado). Na primeira (2012/2013) – como voluntária – usufrui do programa de formação do
GASNova; participei em momentos de grupo, de formação e voluntariado, nomeadamente no
bairro 6 de Maio e na Casa de Saúde Mental do Telhal, entre outros; eventos de sensibilização
e actividades de angariação de fundos. Na segunda (2013/2014) – como membro da equipa
coordenadora – fiz parte da equipa que organiza e coordena a caminhada para os novos
voluntários, na área da Sensibilização. Na terceira (2014/2015), fiz parte da Direcção como
Tesoureira, assumindo a gestão financeira da organização, que necessitava de uma reforma e
reorganização. Além da Tesouraria, este trabalho englobava a mentoria e gestão da equipa
coordenadora. Também neste ano fui selecionada para uma missão internacional de dois
meses na cidade de Neves em São Tomé e Príncipe, para onde me desloquei com mais dois
jovens. Nesta missão desenvolvemos, em conjunto com organizações locais, vários projetos na
área da Educação e Formação, tanto de crianças e jovens, como de adultos. Por último, na
quarta caminhada (2015/2016) fiz parte da Direcção na área da gestão operacional e
organização dos projectos de missão, actividade que envolveu além da gestão de equipas, o
estabelecimento de parcerias, participação em fóruns e encontros, bem como trabalho
burocrático. Tal como já referi na Reflexão Crítica, esta organização marcou profundamente a
minha formação, colocando-me muitas vezes em situações inesperadas e em papéis
desafiantes e, pelo caminho, pude conhecer pessoas extraordinárias e ter experiências únicas.
(www.gasnova.org)
O SPEAK é um “programa linguístico e cultural criado para aproximar pessoas – uma
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aulas no Martim Moniz em dois cursos de “Português (com bases)”, cujo público-alvo eram
imigrantes a viver em Lisboa, oriundos de diversos países. Estes cursos têm um custo
simbólico para os participantes e, no caso de um participante se voluntariar para ensinar a
sua própria língua, então passa a não ter qualquer custo. Além das aulas, o programa
pretende promover trocas culturais, encontros e momentos de convívio entre os
participantes. Foi, sem dúvida, um projecto marcante, pela experiência e oportunidade de
poder ensinar a nossa língua e cultura, ao mesmo tempo que aprendi ainda mais sobre
outros países e culturas. (www.speak.social/pt/)
Participações em Cursos, Workshops, Seminários e Congressos:
Aguardo certificados de participação nas seguintes actividades:
§ Participação no “Curso Pós-Graduado de Radiografia Torácica Aplicada à Clínica”, no Hospital de Santa Marta, 14 de Dezembro de 2016;
§ Participação no “Simpósio sobre Tuberculose: a História e o Património”, no Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, 24 de
Março de 2017.
Anexo nas páginas seguintes os certificados das restantes actividades em que
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