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Rev. dor vol.12 número2

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Academic year: 2018

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(1)

Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor c

196

Rev Dor. São Paulo, 2011 abr-jun;12(2):196-7

Senhor Editor,

A conclusão de que não houve diferença na satisfação dos pacientes quando colocada em prática a dor como quinto sinal vital do artigo referência, publicado na Revista Dor: Pesquisa Clínica e Terapêutica 2011;12(1):29-34, de autoria de Lisiane Specht Iuppen, Fernanda Herbstrith de Sampaio, Claudio Marcel Berdún Stadñik, deve ser ana-lisada com cuidado, uma vez que pode induzir os leitores a entenderem que esse conceito preconizado pela Agência Americana de Pesquisa e Qualidade em Saúde Pública e pela Joint Comission on Accreditation on Healthcare

Orga-nizations (JCAHO), para melhorar o controle da dor não é benéico para o tratamento da dor pós-operatória.

A conclusão desse artigo deve ser vista com reserva, pois como a dor foi avaliada apenas 2 vezes ao dia e não 4 vezes ao dia como são classicamente avaliados os quatro sinais vitais, não se pode aceitar que foi utilizado no estudo o conceito dor o quinto sinal vital, que conceitualmente prevê a avaliação da dor concomitantemente a avaliação dos

demais sinais vitais.

Outra limitação evidenciada no estudo foi a inclusão de pacientes submetidos a cirurgias que produzem dor de intensidade leve ou moderada e que foram avaliados por um curto período, em uma instituição em que o conceito dor quinto sinal vital ainda não está implantado, mesmo porque não basta apenas avaliar a dor, é necessário que médicos e enfermeiros utilizem a avaliação da dor para mudar suas condutas em relação ao seu tratamento1.

O estudo tem outras limitações como o relativamente pequeno número de pacientes que foram incluídos e a

diversidade das cirurgias a que foram submetidos, pois é incontroverso que a intensidade da dor pós-operatória está

relacionada à localização e tamanho da incisão, ao tipo de operação e ao tipo de anestesia, alem de não deixar claro

se a equipe médica se valeu da avaliação da dor como quinto sinal vital para fazer as prescrições analgésicas.

Satisfação dos pacientes com a implantação do conceito dor o

quinto sinal vital, no controle da dor pós-operatória

Patients’ satisfaction with the implementation of the concept of pain as the fifth

vital sign to control postoperative pain

(2)

Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor

c

197

Áquila Lopes Gouvea Enfermeira da Equipe de Controle da Dor, da Divisão de Anestesia do Instituto

Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP.

É consenso que para ser adequadamente controlada a dor deve ser avaliada regularmente, e considerar a dor como quinto sinal vital é uma maneira de sistematizar a sua avaliação, que deve ser feita por equipe de enfermagem

capacitada.

A avaliação da dor como o quinto sinal vital pode ser considerado como um grande desaio para equipe de enfer -magem na prática clínica diária, porem apresenta vantagens para o paciente, médico, equipe de enfer-magem e para a instituição hospitalar, pois permite um melhor controle e alívio da dor, porém exige da equipe de enfermagem prática

assistencial especializada, fundamentada e embasada no conhecimento técnico e cientíico, e a utilização desses da

-dos pela equipe de controle da dor e pelos demais médicos que atendem o paciente, pois apenas a avaliação periódica

da intensidade da dor não melhora necessariamente o tratamento da dor2.

Para que a equipe de enfermagem responsável pelos controles de sinais vitais seja qualiicada para avaliar e quan

-tiicar a dor dos pacientes, deve se sensibilizar, treinar e capacitar a equipe proporcionando a todos os componentes conhecimentos sobre a isiopatologia, avaliação e o tratamento da dor, usando metodologia adequada e coniável que permita ao enfermeiro avaliar com bastante idedignidade a intensidade da dor dos pacientes e a equipe de enferma -gem, deve ser capaz de compreender que o adequado controle e registro da dor é parte integrante do tratamento e que

a intensidade da mesma deve ser avaliada conjuntamente com os sinais vitais.

Não basta avaliar a dor como quinto sinal vital, é fundamental que os dirigentes das instituições de saúde sintam a real necessidade de controlar adequadamente a dor, com a adesão do corpo clínico, para melhorar o atendimento dos pacientes e caminhar em direção ao objetivo do “hospital sem dor”3.

REFERÊNCIAS

1. Al Samaraee A, Rhind G, Saleh U, et al. Factors contributing to poor post-operative abdominal pain management in adult patients: a review. Surgeon 2010;8(3):151-8.

2. Lorenz ka, Sherbourne CD, Shugarman lR, et al. How reliable is pain as the ifth vital sign? J Am Board Fam Med 2009;22(3):291-8.

3. Mularski RA, White-Chu F, Overbay D, et al. Measuring Pain as the 5th vital sign does not improve quality of pain management. Gen Intern Med 2006;21(6):607-12.

Referências

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