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An. mus. paul. vol.24 número3

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Academic year: 2018

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Este número de Anais do Museu Paulista inaliza o primeiro ciclo anual de sua nova política editorial que estabele-ceu a publicação de três fascículos por volume e concentra todos os seus artigos na seção Estudos de Cultura Material.

Abre a edição o dossiê denomina-do “Fazer história: o estatuto das fontes e o lugar dos acervos nas pesquisas de história da arquitetura e da cidade no Brasil”, organizado por Ana Claudia Vei-ga de Castro e Joana Mello de Carvalho e Silva, ambas docentes da FAUUSP. O conjunto de sete artigos - escritos por Edu-ardo Augusto Costa, Joana Mello, Nilce Aravecchia-Botas, Amália Cristovão dos Santos, Ana Castro, Flávia Brito do Nas-cimento e Fernando Atique - pauta-se por um enfoque explicitamente interdis-ciplinar, viés que tem caracterizado as pesquisas dos autores que integram esse dossiê, todos graduados em Arquitetura. Como destacam as organizadoras, o im-pacto da Escola dos Annales é evidente nas abordagens apresentadas, o que si-naliza a ampla renovação teórica pela qual têm passado os estudos sobre a ci-dade e sobre a arquitetura, bem como sobre suas representações.

Focalizando a problemática das fontes como suporte para a relexão da cultura material, bem como a relação dos acervos e sua gestão como dimensão in-dispensável para a qualiicação dessas fontes como documentos para a história, os artigos constroem um amplo arco de abordagens temáticas que mantém um nexo comum de inquietação metodológi-ca em face dos limites e possibilidades impostos pelas fontes que mobilizam. Nesse sentido, fotograias, projetos ar-quitetônicos, documentos administrativos, obras literárias, processos de tombamen-to, produção jornalística e sites da web constituem as tipologias que se prestam à reconstrução do passado e à própria relexão sobre os limites do fazer historio-gráico. A materialidade da arquitetura e da cidade completa esse leque docu-mental que, longe de ser apenas objeto de relexão, constitui-se também como fonte para algumas das abordagens.

Os três artigos que completam a sessão focalizam temas que se ancoram novamente em fontes materiais – seja por meio de sua produção, de sua circula-ção ou de sua guarda – ampliando as possibilidades da relexão histórica. O

http://dx.doi.org/10.1590/1982-02672016v24n03ap

Maria Aparecida de Menezes Borrego Paulo César Garcez Marins

Editores

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primeiro deles, de Marcelo Jorge e Bia-gio D´Angelo, explora três conjuntos de gravuras de Jean-Baptiste Debret, produ-zidos em 1802, 1810-1813 e 1812-1813, pertencentes à Bibliothèque na-tionale de France. Por meio deles, os autores realizam uma revisão da produ-ção de um dos nomes centrais da chama-da Missão Artística Francesa que, neste ano de 2016, completa os 200 anos de sua chegada ao Rio de Janeiro. Notoria-mente conhecido pelas gravuras que inte-gram os três volumes da Viagem histórica e pitoresca ao Brasil, Debret produziu es-tampas para cumprir funções pedagógi-cas antes de partir para a América, além de ter sido ele mesmo professor. Pouquís-simo conhecidas, essas gravuras foram digitalizadas há pouco, procedimento que acabou por rever atribuições ante-riores, o que traz, também nesse artigo, a problemática da gestão de coleções como instância de construção do artefato como documento, eixo central do dossiê que o precede. Por meio da publicação desse instigante artigo, Anais do Museu Paulista se integra às comemorações do Bicentenário da vinda dos artistas fran-ceses liderados por Lebreton, numa pers-pectiva muitíssimo inovadora.

No artigo seguinte, Claudio Aguiar retoma quadros icônicos da carreira de Jacques-Louis David, o mais importante pintor sob o Império de Na-poleão I, para demonstrar como suas pinturas formaram um corpo visual que sacralizava o ideal e os personagens revolucionários. Num momento em que o culto cristão era banido pela vaga re-volucionária, David atualizava a icono-graia greco-romana como imagens de uma nova religião laicizada, que dava aos nascentes heróis a condição de her-deiros do caráter exemplar e da missão de que passavam a ser agentes.

Referências

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