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Fórum FAAP 2021 GUIA DE ESTUDOS / STUDY GUIDE

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Academic year: 2021

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São Paulo www.faap.br

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Dr. Octávio Plínio Botelho do Amaral Dr. José Antonio de Seixas Pereira Neto Srª. Maria Christina Farah Nassif Fioravanti

DIRETORIA EXECUTIVA

Diretor-Presidente

Dr. Antonio Bias Bueno Guillon

ASSESSORIA DA DIRETORIA

Assessor Administrativo e Financeiro

Sr. Tomio Ogassavara

Assessor de Assuntos Acadêmicos

Prof. Rogério Massaro Suriani

FACULDADE ARMANDO ALVARES PENTEADO

Diretor

Embaixador Rubens Ricupero

Coordenação dos cursos de

Relações Internacionais e Economia

Profª. Fernanda Petená Magnotta Prof. Paulo Dutra Costantin

Fórum FAAP - Coordenação

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1. CARTA DE APRESENTAÇÃO

Senhores delegados,

Sejam muito bem-vindos à XVII edição do Fórum FAAP! É com enorme prazer que apresentamos mais uma edição histórica, tanto pelas circunstâncias atuais da pandemia, quanto pelo tema da simulação da ONU que faremos, que será sobre “Comércio eletrônico e regulamentações”, no comitê da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Ansiamos um debate bastante proveitoso, então preparem-se para entrar em um cenário conturbado dado os dias atuais, com tantos interesses dos países de crescimento/desenvolvimento a partir do comér-cio. O ponto de partida é debater problemáticas relacionadas a produtos on-line, entregas, marketing, problemas regulatórios, métodos e processamento de pagamento, logística, preparo organizacional, normas e regras que regem esse tipo de mercado…

Os estudantes que farão a composição da mesa diretora do comitê serão: Carolina Gonçalves Mondaini, do segundo semestre do curso de Relações Internacionais e Marina Minelli Campos de Lima, do segundo semestre do curso de Administração, ambas já participaram de fóruns anteriores, porém como delega-das, sendo esta, a primeira vez como dirigentes de um comitê. Para ajudá-los teremos dois Rapouter: Gustavo Henrique Silva Pereira, do quarto semestre do curso de Relações Internacionais e a Letícia Bertini Bueno do terceiro semestre do curso de relações internacionais.

Com objetivo de que os senhores delegados tenham a melhor e mais proveitosa experiência dentro do evento, elaboramos esse guia procurando facilitar, servir como base de estudos (juntamente a estudos adicionais) e colaborar em relação ao compreendimento do tema a ser discutido e do próprio comitê.

Isso posto, nós, da mesa diretora, esperamos que os senhores estejam tão ansiosos quanto nós para o início dos debates. Assim, nos colocamos à disposição para auxiliá-los da forma que estiver a nosso

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alcance. Por fi m, desejamos a todos bons estudos e esperamos que os senhores desfrutem cada segundo dessa experiência única e enriquecedora. Lembrem-se, de que o mundo inteiro conta com os senhores para apresentarem uma resolução quanto a este tema

Estamos extremamente ansiosos para conhecê-los e aguardamos a presença de todos no XVII Fórum FAAP, até breve!

Atenciosamente,

Carolina Gonçalves Mondaini Marina Minelli Campos de Lima Gustavo Henrique Silva Pereira Letícia Bertini Bueno

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2. HISTÓRICO DO COMITÊ

A partir do princípio da humanidade, o comér-cio é uma das atividades que mais esteve pró-xima ao homem, desde a revolução agrícola, que ocorreu em torno de dez mil anos antes de Cristo (10.000 AC), no período Neolítico, quando a humanidade trocou o “sistema” nômade pela fi xação em um único território, desenvolvendo a agricultura como forma principal de sustento (esse movimento começou nas margens dos rios Nilo, Tigre, já que a água é de extrema impor-tância para o cultivo agrícola).

Em decorrência da evolução do sistema socio-econômico e político, o comércio se desenvol-veu, tendo em sua evolução um sistema que apresenta um maior grau de complexidade e envolvendo um número maior de pessoas, assim, havendo a necessidade de regulação, sendo o faraó a fi gura reguladora no grande Egito ou o rei no sistema medieval; mas a regulação sempre foi requisitada para que houvesse um sistema mais robusto, justo e livre.

Foi, então, que em 1947, o GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio) foi criado, a medida se

caracterizou por uma série de tratados e acordos feitos para que houvesse uma maior integração e um caminho “claro” para o desenvolvimento econômico, uma vez que o mundo acabara de passar pela Segunda Guerra Mundial e o cresci-mento econômico estava retardado, com paí-ses apresentando cripaí-ses atrás de cripaí-ses, como demonstraram os casos de hiperinfl ação em várias regiões do mundo. O GATT lançava o que se conhece como rodadas de negociações, que nada mais são do que a formulação de uma lista de planos e metas a serem atingidas e discutidas entre os membros com a fi nalidade de se chegar a um acordo comercial; com isso, é possível afi r-mar que a rodada de negociações mais famosa foi a “rodada do Uruguai”, na qual as propostas foram sobre o desenvolvimento da agricultura.

O GATT foi ganhando a aderência de vários países, gradativamente (o Brasil foi um dos fundadores), deste modo, se concretizou como o principal órgão de regulação multilateral de comércio. Realizada a contextualização do GATT, a história observou a sua evolução para a Organização Mundial do Comércio (OMC) no ano de 1994, herdando do GATT diversas regulamentações e “legislações”

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do comércio, como, nação mais favorecida: uma nação deve conceder a seus parceiros benefícios ou privilégios dados a outros membros, evitando que haja certos tipos de privilégios exclusivos entre alguns países; tratamento nacional: um produto ou serviço importado deve receber o mesmo tra-tamento que o produto ou serviço similar recebe ao entrar no território do membro importador; um membro deve conferir aos demais tratamentos não menos favorável que aquele estabelecido na sua lista de compromissos; transparência: os mem-bros devem dar publicidade às leis, regulamen-tos e decisões de aplicação geral relacionados ao comércio internacional, de modo que possam ser amplamente conhecidas por seus destinatários.

A OMC é composta por vários organismos como o Conselho para o Comércio de Bens (conselho e mercadorias), Conselho para o Comércio de Serviços (conselho de serviços), Conselho para os Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelec-tual relacionados ao Comércio (conselho TRIPS); Conselho Geral, órgão composto pelos repre-sentantes permanentes dos membros em Gene-bra, que ora se reúne como Órgão de Solução de Controvérsias (OSC) e ora como Órgão de Revisão

de Política Comercial; a Conferência Ministerial, instância máxima da organização, formada pelos Ministros das Relações Exteriores ou de Comércio Exterior dos Membros, sendo esta dividida em três órgãos: O Conselho-Geral, que atua repre-sentando A Conferência Ministerial, funciona como um moderador e mediador em casos de “confl itos” nas discussões entre os membros, formando o Órgão de Solução de Controvérsias (OSC); ora nele funciona também o Órgão de Revisão de Políticas Comerciais, responsável trans-parência das atividades, tendo em sua prática, duas formas de cumpri-la; os governos informam à OMC e seus membros sobre medidas, políticas ou leis específi cas através de “notifi cações”; e a OMC faz revisões regulares sobre tudo o que lhe foi enviado. Quando um Estado ou Território Aduaneiro tem autonomia nos controles de suas próprias políticas comerciais pode aderir à OMC.

Considerando os fatos mencionados, todos os membros devem concordar e respeitar os ter-mos impostos, os países-membros, além de des-frutar dos benefícios que os acordos e outros países lhe oferecem, o membro também aufere a segurança que as regras comerciais fornece.

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Ainda no contexto da OMC, identifi cam-se como principais compromissos assumidos pelos Esta-dos-membros: limitações nas tarifas máximas, nas medidas distorcidas de apoio doméstico ao comércio e aos subsídios à exportação, tendo como claro objetivo, através destas medidas, promover um mercado externo mais abran-gente, justo e ascendente. Tendo como ponto de partida a Rodada Uruguai, é possível se aprofun-dar no fato de que a Organização Mundial do Comércio se utiliza de mecanismos de revisão de políticas comerciais, que alcançam os setores de comércio de bens, serviços e propriedade intelec-tual, que se caracterizam pela revisão periódica das políticas comerciais dos Estados-membros. Além de exigir que a autoridade destes Estados informem à instituição sobre políticas e legisla-ções adotadas domesticamente, a fi m de ava-liar se as ações estatais estão de acordo com as premissas da OMC, além de obter informações necessárias sobre a necessidade de desenvolvi-mento por parte de alguns países.

Sendo importante ressaltar a atuação do Órgão de Solução de Controvérsias (OSC), já citado anteriormente neste guia como órgão integrado

pelos membros da OMC. O OSC age de modo a instituir painéis de especialistas para analisar o caso concreto, pode assim, aceitar ou rejeitar o painel, além disso, ainda monitora as implanta-ções pelos Estados-membros das recomendaimplanta-ções feitas pela OMC, apresentando a devida auto-ridade para autorizar retaliações caso tais reco-mendações não forem adotadas.

O Secretariado da OMC é responsável por diver-sas atividades, entre elas:

• Apoio administrativo e técnico aos órgãos delegados da OMC (conselhos, comitês, gru-pos de trabalho, grugru-pos de negociação) nas negociações e na implementação de acordos;

• Suporte técnico aos países em desenvolvimento e, especialmente, aos menos desenvolvidos;

• Análise do desempenho comercial e da polí-tica comercial por economistas e estatísticos da OMC;

• Assistência da equipe jurídica na resolução de disputas comerciais envolvendo interpre-tação das regras e precedentes da OMC;

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• Lidar com as negociações de adesão de novos membros e fornecer conselhos aos governos que consideram membros.

HISTÓRICO DO PROBLEMA

A Tecnologia evoluiu e se aperfeiçoou de uma forma extraordinária nas duas últimas décadas e isso fi cou muito visível principalmente depois que os celulares passaram por uma renovação, com o surgimento do sistema touch no “novo” aparelho;

Segundo Klaus Schwab, Diretor do Fórum Eco-nômico Mundial e escritor do livro “A Quarta Revolução Industrial”, a Tecnologia irá nos fazer passar por uma Revolução, a quarta Revolução Industrial, que, na verdade, já começou para ele. A vida humana, gradativamente, está passando por uma mudança nunca vista, afetando como nos relacionamos, trabalhamos e vivemos, o Comércio não fi caria de fora com a rápida ascen-são do Comércio Digital (e-commerce).

As participações das empresas fi caram mais for-tes do que anfor-tes (já que antigamente para um indivíduo ter acesso a sua conta bancária, ele

precisava ir até à agência; já hoje, isso não é mais preciso), porém, a criminalidade aumentou pro-porcionalmente à modernização do comércio, através de fraudes em pagamentos, clonagem de cartão de crédito, roubo de dados, entre outros.

No ambiente eletrônico, o comércio trouxe faci-lidades para o consumidor e, em alguns casos, complexidade para o produtor. Essa complexi-dade deriva do sistema de logística das empre-sas, que operam nesse ramo eletrônico, logística essa que, a curto prazo, poderá fazer com que exista um aumento do custo do produto e, con-sequentemente, um aumento no preço fi nal do bem, já que a maioria das empresas terceirizam o seu sistema de entregas;

A Regulamentação (através da legislação), ao contrário da rapidez da digitalização de muitos setores da economia, está “engatinhando” e, atualmente, é composta por dois principais mate-riais: o código de defesa do consumidor (CDC) e o Decreto número 7.962 de 2013, que busca contro-lar, de forma mais precisa, o comércio eletrônico no Brasil. Antes, as pessoas iam até o local onde desejavam possuir algum produto ou serviço,

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sem nenhum auxílio de aparato eletrônico. Com um ambiente propício ao uso da tecnologia nesse meio, que foi registrado com diversos avanços na área eletrônica e computacional, a própria vida pessoal se digitalizou com aplicativos de celulares que podem auxiliar em quase que toda e qual-quer tarefa diária de quem os utiliza.

Em meio a tantas inovações informacionais, a regulação é algo de extrema importância no meio. Só no Brasil, já foram registrados um número de 24.200 atendimentos a crimes cibernéticos e mais de 4 milhões de denúncias. Muitos chamam o ambiente cibernético de “terra sem lei”, talvez porque há alguns anos não existia quase nenhuma instituição que fi scalizasse esse tipo de infração. Saindo um pouco do cenário informal desses cri-mes, o cenário formal também tem suas crimina-lidades, como é o caso dos bancos, que usam essa plataforma para fazer suas operações fi nanceiras com o cliente e cobram (por mais que o valor seja mínimo) uma tarifa de uso, por exemplo, o valor cobrado pela anuidade do cartão de crédito.

Muitos acreditam que a tecnologia computacio-nal se estendeu para o setor monetário da

eco-nomia com diversas criptomoedas. Entre os prós e contras, é visível a necessidade de uma fi scali-zação, pois a história provou, algumas vezes, que uma moeda não regulamentada pelo governo poderia gerar um problema no setor fi nanceiro; assim como ocorria quando a moeda ainda não era função do estado e, sim, do setor privado. Outro fator importante dessa análise é que, com a tendência de mecanização dos processos pro-dutivos, o desemprego direto poderá aumentar.

De acordo com o Fórum Econômico Mun-dial, esse processo tecnológico nas indústrias poderá causar um desemprego de 7 milhões de desempregados no mundo até o ano de 2021. Foram, com ideias parecidas de meca-nização da produção, que em plena primeira Revolução Industrial (1740-1830) diversos ope-rários se juntaram para quebrar as recém-che-gadas máquinas a vapor como meio de pro-testo e tentando recuperar seus empregos e importância para a indústria e o comércio, que seriam substituídos pelas máquinas; com essa “Nova Revolução”, acredita-se que a desigual-dade social poderá aumentar.

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Tendo em vista também que a taxa demográ-fi ca deve crescer gradativamente nos últimos anos, a produtividade das atividades econômicas deveria ser regulada e fi scalizada, para que não haja nenhum tipo de relação abusiva quanto aos preços. Os salários pagos (já que com um alto número de pessoas com uma alta taxa de desem-prego, a tendência é a diminuição dos salários), tal fenômeno era conhecido no período da Revolução Industrial por “Exército Industrial de Reserva”, exemplifi cando mais um motivo para que haja uma intervenção governamental. Isso mostra como a regulamentação é algo que pre-cisa andar junto a esses processos, já que o pró-prio modelo econômico deve se modifi car para que haja novamente um equilíbrio.

A tendência é a ampliação cada vez mais acele-rada da tendência da “onda e-commerce”, já que o número de pessoas com dispositivos móveis inte-ligentes e acesso à internet está se expandindo. Dados positivos dizem que, no ano de 2017, houve uma movimentação através desse setor digital de 47,7 bilhões de reais, além de que, no Brasil, também aconteceu um crescimento de 12% no comércio eletrônico, comparando com o ano de

2016, e o número de consumidores no mesmo ano de 2017 chegou a 55,15 milhões de pessoas.

Tendo em vista os fatos mencionados anterior-mente, é possível observar que o comércio ele-trônico evolui aceleradamente, juntamente a necessidade de sua própria regulamentação, isto é, a grande problemática envolvendo o tema se da pelo fato da abrangência e transnacionalidade do e-commerce, ou seja, por estar em constante crescimento, as plataformas de comércio eletrô-nico ofertam seus produtos para praticamente todos que tem acesso a elas, no mundo todo, o que signifi ca que a carência de algumas regula-mentações devido o fato de ser um mercado con-temporâneo, implicam na exposição do consumi-dor ao prejuízo, deste modo, o mesmo se sente incapacitado de reclamar por seus direitos, uma vez que nem sempre estão presumidos, com isso, pode-se concluir que, a falta de confi ança no comércio digital pela lacuna de regulamentações, pode gerar desconfi ança por parte dos consumi-dores, o que vem a afetar diretamente na econo-mia mundial, visto que, é um mercado de extrema amplitude internacional, e ainda um dos que mais crescem com a “Quarta Revolução Industrial”.

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RESOLUÇÕES ANTERIORES

Na Segunda Conferência Ministerial, em maio de 1998, os ministros, reconhecendo que o comércio eletrônico global estava crescendo e criando novas oportunidades para o comércio, adotaram a Declaração sobre Comércio Eletrô-nico Global, que consiste no estabelecimento de um programa de trabalho sobre comércio eletrônico, adotado em setembro de 1998. As análises periódicas do programa são conduzidas pelo Conselho Geral com base em relatórios dos órgãos da OMC responsáveis pela implementa-ção do programa. Os ministros também conside-ram regularmente o progconside-rama nas conferências ministeriais da OMC.

•  Programa de Trabalho sobre Comércio Eletrônico

O Programa de Trabalho sobre Comércio Eletrô-nico declara que: “Exclusivamente para os fi ns do programa de trabalho, e sem prejuízo de seu resul-tado, o termo “comércio eletrônico” é entendido como produção, distribuição, marketing, venda ou entrega de bens e serviços por meios eletrônicos”.

Quatro órgãos da OMC foram responsáveis pela execução do Programa de Trabalho: o Conselho para o Comércio de Serviços; o Conselho de Comér-cio de Bens; o Conselho do TRIPS; e a Comissão de Comércio e Desenvolvimento. O Conselho-Geral desempenha um papel central e mantém o pro-grama de trabalho em revisão contínua.

Desde maio de 2001, o exame do Conselho-Geral sobre questões transversais do Programa de Tra-balho é realizado em discussões realizadas para esse fi m. A primeira discussão dedicada aconte-ceu em 15 de junho de 2001 sob os auspícios do Conselho Geral. Após essa reunião, a Secretaria distribuiu um resumo das questões levantadas e uma lista de questões transversais identifi cadas pelas delegações. A décima segunda Discussão Dedicada foi realizada em 18 de outubro de 2016. Desde então, as discussões continuaram em reuniões informais abertas, convocadas pelo Presidente do Conselho Geral e através da aná-lise do progresso no Conselho-Geral.

Historicamente, os ministros consideraram o Pro-grama de Trabalho sobre Ministros do Comércio Eletrônico em suas Conferências Ministeriais,

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sendo estas em Genebra, 1998; Doha 2001; Hong Kong 2005; Genebra em 2009 e 2011; e Bali 2013. Nessas Conferências, os Ministros tomaram nota dos relatórios sobre comércio eletrônico e instruíram o Conselho-Geral e seus órgãos sub-sidiários relevantes a continuar seus trabalhos sobre comércio eletrônico.

Como evento mais recente no que diz respeito às novas resoluções da Organização Mundial do Comércio referente ao tema, em 10 de dezembro de 2019, os membros da OMC reunidos no Con-selho-Geral trouxeram novas perspectivas para o comércio eletrônico e suas respectivas regula-mentações para 2020.

Eles concordaram em manter a prática atual de não impor taxas alfandegárias nas transmissões eletrô-nicas até a 12ª Conferência Ministerial (MC12) em Nur-Sultan, Cazaquistão, programada para 8 a 11 de junho de 2020. Também irão continuar os trabalhos no âmbito do programa de trabalho existente para 1998 sobre comércio eletrônico no início de 2020. O que antecede o MC12 incluirá discussões estrutu-radas sobre questões que ajudariam os ministros a tomar uma decisão informada pelo MC12.

Desde 1998, os membros da OMC renovam periodi-camente a moratória em cada Conferência Ministe-rial e continuam tratando de questões relacionadas ao comércio eletrônico no Conselho de Mercado-rias, no Conselho de Serviços, no Conselho TRIPS e no Comitê de Comércio e Desenvolvimento como parte do trabalho de comércio eletrônico.

Os membros da OMC também concordaram em estender a moratória sobre as queixas de não vio-lação e situação sob o Acordo TRIPS até o MC12. Esse ponto diz respeito à questão de longa data de se os membros devem ter o direito de levar casos de disputa à OMC se considerarem que a ação de outro membro ou uma situação espe-cífi ca os privou de um benefício esperado nos termos do Acordo TRIPS, mesmo que nenhuma obrigação específi ca do TRIPS seja violado.

Essa moratória foi originalmente defi nida para durar cinco anos (1995–99), mas foi estendida várias vezes desde então na ausência de acordo dos membros sobre como seria o escopo e as modalidades se as queixas de não violação e situação deveriam aplicar-se ao Acordo TRIPS. Os membros da OMC também aprovaram o

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orça-mento da organização para 2020. O orçaorça-mento da OMC para 2020 foi fi xado em CHF 197.203.900, o que representa o 10º ano consecutivo de cres-cimento nominal zero nos gastos da OMC. Além disso, concordaram em fi nalizar o orçamento da OMC para 2021 no decorrer do próximo ano. Outro ponto a ressaltar é que a Organização Mundial do Comércio vem adotando medidas e reuniões para examinar estatísticas e seus impac-tos, de modo a captar melhor as tendências do comércio eletrônico no mundo.

A Divisão de Pesquisa Econômica e Estatística da OMC (ERSD) sediou a discussão para promover o diálogo entre os diferentes grupos sobre como enfrentar os desafi os que ela e outras organiza-ções têm ao extrair informaorganiza-ções de dados que podem ser projetados e apresentados ao público de uma maneira útil. O seminário também dis-cutiu quais fenômenos relacionados ao comércio ainda precisam ser capturados pelos dados do comércio e como as organizações podem traba-lhar juntas para gerar essas estatísticas.

Alguns dos desafi os identifi cados pelos parti-cipantes incluem: técnicas de “big data” para

extrair informações de conjuntos de dados extra-ordinariamente grandes e complexos; como medir e acompanhar com precisão o comércio eletrônico; como medir e analisar o impacto das barreiras não tarifárias no comércio; e até que ponto iniciativas como o fornecimento de dados abertos podem abordar a crescente con-centração de dados nas mãos do setor privado. O economista sênior da OMC Coleman Nee obser-vou que a OMC passou de produzir dados para publicações estatísticas anuais para disseminar muitos tipos de dados on-line. Isso inclui dados de comércio de serviços mais detalhados, estatís-ticas de comércio de valor agregado, informações sobre tarifas e estatísticas de comércio com maior frequência trimestral e mensal, entre outras.

Desde a crise fi nanceira de 2008-09, a OMC tam-bém acompanhou novas medidas comerciais por meio de seus relatórios de monitoramento e pro-duz previsões comerciais mais detalhadas, obser-vou ele. A OMC também está produzindo novos indicadores compostos para o comércio, como os Barômetros do Comércio de Bens e Serviços. No entanto, Nee disse que as lacunas atuais nos dados comerciais incluem dados relacionados

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ao comércio eletrônico, como o valor dos fl uxos de dados, dados bilaterais sobre comércio de serviços e fl uxos comerciais relacionados à pro-priedade intelectual. E embora as classifi cações comerciais sejam revisadas regularmente em res-posta à mudança na composição do comércio, os dados geralmente fi cam atrás dos desenvolvi-mentos tecnológicos.

DEFINIÇÃO DO PROBLEMA

Quando se trata de Comércio Eletrônico Interna-cional, múltiplas partes têm que trabalhar juntas para suavizar o caminho do mesmo. O problema surge do fato que cada uma dessas partes tem um nível diferente de entendimento, motiva-ção e senso de urgência. Porém, com esforço e dedicação nas propostas, é possível se preparar e superar os desafi os depois que os entende. A maioria das barreiras pode ser dividida nas seguintes principais categorias:

• Problemas regulatórios

• Métodos de pagamento e processamento

de pagamento

• Logística e logística reversa

• Preparo organizacional

PROBLEMAS REGULATÓRIOS

Inconsistência: no mínimo, o negócio requer um regulamento consistente. Mas os desafi os que o e-commerce está jogando nos reguladores está fazendo com que eles mudem de ideia constan-temente. Mesmo em países desenvolvidos, como nos Estados Unidos, há debate quanto à aplica-bilidade das taxas estaduais em transações de e-commerce. Desse modo, já é possível imaginar a inconsistência de regulamentos legais e fi scais em países menos desenvolvidos.

Incorporação doméstica: diversos países tratam

as empresas domésticas de maneira bem dife-rente daquelas incorporadas no exterior. Então, se um vendedor pretende apenas vender a clien-tes em um país específi co, pode achar vantajosa a incorporação local.

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Limitações legais para vendas: cada país tem seu próprio conjunto único do que é ou não permi-tido e sobre o que pode ser vendido e a quem. A maioria dos países considera as operações reali-zadas por menores de idade como inexequíveis, isto é, proibidas, mas a idade adulta legal varia de país para país. Da mesma maneira, diversas categorias de produtos — alimentos, álcool e antiguidades, entre outros — possuem requisitos específi cos. Mesmo como um negócio de e-com-merce, o vendedor pode ser considerado respon-sável pelo não atendimento desses requisitos. Por exemplo, o país de um cliente pode exigir que todos os alimentos empacotados tenham os ingredientes, valores nutricionais, data de fabri-cação e data de validade impressos no rótulo. Se o vendedor estiver enviando produtos de um país que não atende a esses regulamentos, pode estar em violação das leis locais no país do cliente.

Clareza e força das estruturas legais: não se trata

apenas de atender às leis locais, mas também de ter recursos para tribunais e autoridades com-petentes quando a necessidade surgir. Diversos países ao redor do mundo possuem uma estru-tura legal bem fraca. Mesmo quando a estruestru-tura

é sólida, costuma haver um grande problema com atrasos no processo jurídico. Logo, embora um comerciante de e-commerce vendendo para outro país tenha que atender aos seus regula-mentos, para todos os efeitos práticos, ele pode não conseguir defender seus direitos legais lá.

MÉTODOS E PROCESSAMENTO DE

PAGAMENTO

Um sistema robusto de processamento de pagamento é absolutamente necessário para o e-commerce. Mecanismos de pagamento prefe-ridos variam pelo mundo, então, aconselha-se que o comerciante pesquise o potencial mercado antes de fazer suposições sobre o sistema de pagamento. No Japão, por exemplo, Konbini é um método de pagamento local e representa um sexto dos pagamentos de e-commerce. Embora quase 100% dos pagamentos de e-commerce na Espanha sejam por Visa, MasterCard e American Express, na França, são quase 60%, e na Alema-nha somente 30%.

Curiosamente, a Alemanha tem um ecossistema de e-commerce bem desenvolvido sem um alto

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grau de utilização de cartões de crédito. A Índia e outros países asiáticos mostraram uma pre-ferência forte por pagamento em dinheiro. É um desafi o do comerciante aceitar o método de pagamento que o cliente preferir. Além dos cartões de crédito, não há nenhum método de pagamento realmente global.

LOGÍSTICA E LOGÍSTICA REVERSA

Com a exceção da venda de downloads digitais, o comerciante terá que desenvolver um processo robusto de logística. Comprovou-se que uma logís-tica efi caz é uma grande vantagem competitiva para varejistas on-line e off-line. Os custos associa-dos à logística internacional podem ser o ponto de equilíbrio quando se trata de e-commerce.

Não se trata somente de custos, mas também sobre confi abilidade e previsibilidade. Os clientes em geral acreditam que o comerciante é respon-sável pela entrega do produto a eles. Se a estru-tura de logística de entrega for complexa, ima-gine a complexidade da logística reversa. Tendo em conta os custos, direitos aduaneiros e docu-mentação, muitos comerciantes de e-commerce

podem não ser capazes de fornecer a logística reversa em situações internacionais.

PREPARO ORGANIZACIONAL

As discussões sobre as limitações de e-commerce serão incompletas se não houver foco no preparo dos negócios para vender no exterior. Da apre-ciação de gostos locais à sensibilidade por fato-res culturais, os comerciantes precisam desen-volver um entendimento profundo de todos os mercados com os quais querem trabalhar. Isso é difi cultado quando não há uma comunicação clara entre os países a respeito do tema acerca de como fl exibilizar e facilitar a acessibilidade e identifi cação dos diferentes mercados no mundo.

Além dos fatores citados, pode-se identifi car algumas barreiras no que diz respeito ao E-Com-merce transfronteiriço:

De acordo com a National Board of Trade da Sué-cia, existem várias áreas que agem como barreiras para o desenvolvimento do comércio eletrônico internacional. Elas vão desde a estrutura jurídica do e-commerce cross-border, requisitos legais para

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as etiquetas de envio e as normas nacionais de IVA, até a obstáculos na entrega de encomendas.

ENQUADRAMENTO JURÍDICO

Embora a União Europeia (UE) tenha um grande número de leis e legislações que contribuem para a criação do Mercado Único Digital, como a eliminação do bloqueio geográfi co ou a remo-ção dos regulamentos nacionais sobre produtos, ainda não são sufi cientes para remover todas as barreiras comerciais internacionais.

Entre os maiores problemas identifi cados, além das regras pouco claras sobre jurisdição e barrei-ras nos pagamentos, de acordo com o National Board of Trade da Suécia estão:

ENTREGA INTERNACIONAL DE

ENCOMENDAS

A entrega de encomendas é uma parte crucial de uma venda on-line. No fi m do dia, essa é a parte do processo que garante que o consumidor receba o que pediu e a parte que o cliente lembra.

Então, se esse é um processo que já consome

tempo em território nacional, além-fronteiras é outro nível totalmente diferente. De fato, de acordo com um estudo realizado pela União Europeia, em 2014, 97% dos envios domésticos foram entregues com sucesso, mas apenas 48% de todas as tentativas de envio transfronteiriço foram bem-sucedidas.

Segundo o estudo realizado pela Swedish Natio-nal Board of Trade, os principais problemas nas entregas transfronteiriças são: falta de transpa-rência nos serviços e preços disponíveis, custos elevados, falta de mecanismos de track&trace e procedimentos de devoluções não adaptados as entregas transfronteiras.

Portanto, quais são os mecanismos para fl exibili-zação dessas barreiras?

Quando se trata de problemas relativos ao enqua-dramento legal do comércio eletrônico transfron-teiriço, a exemplo, a União Europeia tomou medi-das para lidar com essas questões, como pode se observar aqui no estudo da Swedish National Board of Trade. Quase tão importante quanto ter a legislação em vigor, é comunicá-la correta-mente às partes interessadas. Isso signifi ca não

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apenas tornar as leis claras e não ambíguas, mas também garantir que as informações cheguem a todos os interessados, ao nível internacional.

Em relação à entrega internacional de encomen-das, essas barreiras geralmente não dependem de entidades e regras internacionais – elas são causadas por players do setor. Mais especifi ca-mente, transportadoras e lojas on-line.

Em relação às lojas on-line, uma vez que já exis-tem medidas externas para melhorar o comér-cio transfronteiriço, elas têm duas tarefas prin-cipais em mãos.

Em primeiro lugar, precisam se manter atualiza-das com as mediatualiza-das desenvolviatualiza-das por entidades nacionais e internacionais sobre esses assuntos para se certifi car de que estão aproveitando todas as oportunidades que lhes são oferecidas quando se trata de negócios internacionais. A segunda tarefa é garantir que eles comuniquem todas as atualizações necessárias aos seus clien-tes, por uma questão de transparência.

Em relação às transportadoras, pode-se dizer que são fundamentais para melhorar o comércio

ele-trônico internacional. Assim, para que atualizem os seus processos, não precisam apenas investir tempo e dinheiro, mas também necessitam ter em mente que o progresso não irá acontecer da noite para o dia.

Se as transportadoras defi nirem como obje-tivo levar os seus mecanismos de track&trace, a transparência da sua comunicação sobre serviços internacionais e outras questões relacionadas ao e-commerce cross-border para o próximo nível, ainda que esse processo não se dê de forma rápida, vão começar a melhorar os seus servi-ços no geral, o que irá benefi ciá-los em diversos aspectos, ao passo que ajudam no desenvolvi-mento do cenário internacional atual.

PANORAMAS

ÁFRICA DO SUL:

A África do Sul é um país que constantemente lida com problemas sociais e econômicos. Com isso o comércio digital acaba por fi car subde-senvolvido, resultado dos grandes desafi os que a região enfrenta, como a logística, disponibi-lidade de produtos, conectividade de internet,

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entre outros. Além de que o mercado ainda é muito fraco, com apenas 20,9% da população de usuários. Com isso os países africanos mostraram preocupação com os temas discutidos nas últimas reuniões da OMC, como as implicações de novas regras em e-commerce e com a potencial restrição que tais regras colocariam sobre o espaço para políticas industriais digitais voltadas ao desenvol-vimento da região. Uma adoção de regras “pre-maturas” poderia reduzir ainda mais, na visão do bloco, as possibilidades futuras de catching up de crescimento econômico e tecnológico.

UNIÃO EUROPEIA (ALEMANHA,

FRANÇA, HOLANDA, ITÁLIA):

Como participantes da UE, a Alemanha, França, Holanda e Itália são representados pela União nas reuniões da OMC, de modo que acabam dando espaço para que as decisões sejam tomadas em conjunto, o que torna as implicações das medidas algo que deva ser levado com muita seriedade, con-siderando a quantidade de potências representadas pelo bloco. Assim, com tantos Estados-membros e seus respectivos usuários para administrar, a União

Europeia se colocou focada na proteção de dados pessoais e privacidade no comércio digital, haja vista que os países do bloco acreditam que esses direitos são fundamentais e que deveriam ser adotadas medidas necessárias para garanti-los. Além disso, a UE também sugere que os países que assinarem um futuro tratado sobre comércio eletrônico da OMC também deveriam assinar o Acordo para Tecnologia de Informação (ITA), com o objetivo de reduzir as taxas de importação para vários produtos do setor de informática e telecomunicação.

ARÁBIA SAUDITA:

Apesar de ser um membro relativamente novo na OMC e ter alguns problemas com restrição de internet ao público, a Arábia Saudita tem muito o que ponderar sobre o comércio eletrônico, já que desde 2007 se movimentava cerca de US$ 3,3 bi com esse comércio e o número só vem aumentando com o crescimento de usuários de internet no país que chegam a 47,5% da população. Em 2014, 37% dos usuários adultos alegaram que faziam compras pela internet, o que representa 3,7 milhões de pes-soas ou 12% da população saudita.

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AUSTRÁLIA:

A Austrália, assim como os outros países desenvol-vidos, não fi ca para trás quando se trata de comér-cio digital. O país possui uma taxa de 78,9% da população como usuária da internet, população que só em 2019 chegou a gastar um total de US $ 28.6 bilhões em compras on-line. Esses núme-ros só ilustram quanto o país tem crescido nesse setor, tanto que atualmente a Austrália é o maior mercado de e-commerce do mundo em receita. O comércio eletrônico na Austrália continuará cres-cendo nos próximos anos. O tamanho do mercado será de cerca de A $ 10 bilhões (US $35.2 bilhões).

Todo esse crescimento no setor tem gerado maior interesse do país em participar de acordos regio-nais, como é o caso do Acordo Abrangente e Pro-gressivo para a Parceria Transpacífi ca (CTPP), que conta com interesses dos Estados Unidos, Cinga-pura, Austrália, Canadá e Coreia do Sul.

BANGLADESH:

Embora o comércio eletrônico tenha crescido sig-nifi cativamente nos países do sul da Ásia, as

ven-das on-line representam apenas 0,7% ven-das venven-das de varejo em Bangladesh, número baixo conside-rando os 12% da China e os 14% mundiais. Uma das principais preocupações desses países do sul asiático são as vendas transfronteiriças de comércio eletrônico, logística e regulamentações relaciona-das ao comércio eletrônico, assim como infraestru-tura de conectividade e tecnologia da informação.

BOLÍVIA:

Na Bolívia, as disposições que endossam as ope-rações de comércio eletrônico encontram-se no Código Comercial, legislação inicial para qual-quer ato comercial, visto que até o momento não há projeto ou norma expressa que contem-ple especifi camente esta questão1. Não obstante, os países-membros da Comunidade Andina de desenvolvimento menos relativo, como Bolívia, Equador e Peru, mostram crescimento de usu-ários ainda incipiente. Um dos principais obstá-culos para o desenvolvimento da Internet para estes é o custo das comunicações, que é para-doxal, em um país em desenvolvimento como a Bolívia tenha os custos mais elevados.

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BRASIL:

Embora o Brasil se encontre em um momento de gradual ascensão econômica, o comércio ele-trônico manteve uma evolução estável ao longo dos últimos anos. O segmento cresceu 387% nos últimos 10 anos, encontrando margens mais positivas entre o período de 2008 e 2013 (anos que antecederam a crise), no qual a elevação foi de 250%. Porém, mesmo durante um dos pio-res momentos de sua economia, quando o país enfrentava acréscimo da infl ação, altas taxas de desemprego e um cenário sociopolítico nem um pouco favorável, o setor continuou a crescer. Outro fator importante a se considerar é o fato de o número de brasileiros com acesso à internet ter crescido, já que aumentou de 67% para 70% da população, o que equivale a 126,9 milhões de pessoas, crescimento que ocorreu não só nas áreas urbanas, mas que atingiu também a zona rural e a camada mais pobre da sociedade (classe D e E), o que mostra a inovação e a expecta-tiva de maior crescimento. Desse modo, o Bra-sil tem se mantido em um patamar importante quando se trata de comércio eletrônico, tanto que desempenhou um papel relevante na última

reunião sobre o assunto da OMC, na qual teve como foco a defesa contra crimes cibernéticos e direito do consumidor no mercado internacio-nal, devido à falta de regulamentação completa sobre o assunto. Também abordou temas como o da questão tributária, falando sobre direito dos países de recolher impostos sobre a receita gerada por plataformas on-line no seu território e sobre o copyright e direito do autor.

CANADÁ:

Os últimos números mostram que o Canadá vem ganhado bastante espaço, tratando-se de comércio eletrônico e considerando que possui um mercado amplo, com 88,5% da população conectada à internet, além de que o e-commerce canadense obteve um resultado positivo no último ano, faturando CAD 13,2 bilhões (cerca de R$ 41 bilhões) entre janeiro e agosto de 2019.

CHILE:

O Chile é o país latino-americano que mais se des-taca no crescimento do comércio eletrônico, tendo

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atingido nos últimos anos o posto de nono país com maior crescimento nesse setor, que aumen-tou exponencialmente no país. Isso se torna viável visto que 80% da população tem acesso à inter-net, cerca de 15 milhões de pessoas conectadas, das quais 30% fazem compras on-line.

CHINA:

Com o crescimento acelerado da China nos últi-mos anos, devido à sua estratégia de política externa, com os chamados “desenvolvimento pacífi co”, “Made in China 2025”, além do “Belt and Road Initiative”, o país, além de ter alavan-cado o setor industrial, avançou também em todos os aspectos da sua economia, incluindo no âmbito do comércio eletrônico. Com seu mer-cado de e-commerce crescendo exponencial-mente a cada ano, tendo se tornado um grande player, com empresas grandes como a Alibaba, por exemplo, a coleta e análise de dados dos usu-ários, particularmente através do uso de artifi cial técnicas de inteligência para extrair “big data” para recolher insights sobre comportamento do consumidor, é igualmente um importante e

mercado, com o governo chinês formulando um plano a cada cinco anos para promover o desen-volvimento do comércio eletrônico.

Com relação às pressões da OMC no país, a China foi, por muitos anos, o bastião da resistência aos padrões globais de comércio eletrônico, tendo desistido de sua resistência em fevereiro de 2019, aceitando o início das negociações de padrões globais para o mercado de comércio eletrônico de US $ 27 trilhões2. Esse movimento está atre-lado à recente guerra comercial entre China e Estados Unidos, forçando o país asiático a buscar uma cooperação comercial mais ampla. Ainda dentro desse confl ito entre às duas potências, a China é frequentemente acusada de roubo tec-nológico e de propriedade intelectual, além de espionagem. Outra gigante da tecnologia chi-nesa envolvida na questão é a Huawei. Assim, embora a decisão de Pequim de aderir ao pro-cesso de elaboração de regras da OMC tenha sido amplamente bem-vinda, o governo conti-nua a rejeitar as acusações do Departamento de Justiça dos EUA contra a Huawei.

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CINGAPURA:

Membro dos tigres asiáticos, Cingapura é uma das expectativas de desenvolvimento no comér-cio eletrônico. Estima-se que o mercado desse setor atinja US $ 5.4 bilhões (7.46 bilhões de SGD) em 2025. Números que parecem acessíveis consi-derando que é o país com a maior penetração da internet no sudeste asiático a 82% de usuários, além de que o país viu um aumento signifi cativo no número de startups on-line investindo no seg-mento do varejo, especialmente em moda, neces-sidades domésticas, viagens e entretenimento. O país também foi classifi cado como o melhor em logística no mundo, o que faz sentido conside-rando que está estrategicamente localizado e abriga uma rede de grandes rotas marítimas.

COLÔMBIA:

Nos últimos anos a Colômbia tem passado por um boom quando se trata de comércio eletrônico. O país tem atingido números agradáveis nos últimos anos. Em 2016 o valor das transações foi de apro-ximadamente US$ 26,7 milhões, com 76% dos usu-ários de internet alegando já terem feito alguma

compra on-line. Em 2017 os números evoluíram ainda mais com mais de 87 milhões de transações que representam um total de US$ 51,2 bilhões.

COREIA DO SUL:

Quando falamos de comércio eletrônico, o país é promissor, levando em conta que é o sétimo mercado do mundo e que teve uma penetração da internet de 84,33% em 2014. Assim, estamos falando de um mercado maduro que deve ser capaz de gerar grandes lucros para empresas competitivas, considerando o aumento de 22% das transações on-line e dos valores de tran-sações de compras móveis, que aumentaram 93,1%. Se essas empresas focarem nos setores--chave do país como os sites de viagens, moda, eletrônicos e alimentos, o crescimento virá e, provavelmente, terão sucesso no país.

EGITO:

O Egito por si só já lida com problemas envol-vendo internet, porém também possui outros problemas que difi cultam muito o comércio ele-trônico. Localizado no continente africano, o

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país também tem que lidar com o setor de varejo subdesenvolvido e a baixa disponibilidade para seleção dos produtos. Porém, a penetração vem crescendo e o país se encontra, atualmente, com 35,6% da população conectada, o que pode abrir grandes oportunidades no futuro.

EMIRADOS ÁRABES UNIDOS:

Juntamente à Arábia Saudita, os Emirados Ára-bes Unidos compõem 40% do mercado digital dominante no Oriente Médio, além de contar com 70% de sua população com acesso à inter-net, o que cria boas perspectivas para o futuro.

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA:

Quando se trata de comércio eletrônico, os Esta-dos UniEsta-dos são referências, considerando que dos trilhões movimentados em varejo, 10% são de vendas on-line, e apesar de parecer uma parte pequena do varejo total, o comércio eletrônico gerará uma porcentagem desproporcionalmente alta de crescimento em 45%, com a maior parte dessa contribuição vinda do celular, além de estar

entre os 3 países com mais usuários de internet, fi cando somente atrás da China e da Índia.

Outro motivo que coloca os EUA em papel de extrema importância ao falar desse assunto, é o fato de 2 dos 5 maiores e-commerce do mundo terem nascido em solo americano: a Amazon, em primeiro lugar da lista, e o Ebay, em quarto. Desse modo fi ca justifi cado o posicionamento do país na última reunião da OMC acerca do assunto, já que por ser sede de diversas empresas de tecno-logia, o seu foco está direcionado à criação de normas que garantam a liberdade de transações no comércio de serviços e bens eletrônicos. Um dos seus principais objetivos a regulamentação de produtos e serviços digitais de forma seme-lhante aos produtos físicos para evitar a criação de novas exigências ou obrigações extras.

FEDERAÇÃO RUSSA:

O comércio eletrônico russo vem crescendo cada vez mais, aproximadamente 10% mais rápido do que sua economia real e o varejo tradicional. Atu-almente, as vendas on-line representam cerca de 4,5% do faturamento total do varejo da Rússia

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e está a caminho de compensar 8% do fatura-mento do varejo até 2021, considerando que em 2017 as vendas no e-commerce geraram receitas superiores a €15,99 bilhões.

ÍNDIA:

O mercado eletrônico na Índia gera grande expec-tativas em todo o mundo. Já possui 34,4% de sua população conectada à internet, e considerando que a população total do país ultrapassa a marca de 1,334 bilhões de pessoas, a porcentagem é bem alta, cerca de 500 milhões de pessoas, sendo 20% na área rural comparado a 65% da área urbana. Com todo esse crescimento e expectativa no setor, a Índia está mais inclinada ao movimento antine-gociação de acordos relacionados a e-commerce na OMC, pois defende que o acordo retirará a capaci-dade dos países de tributarem empresas de tecno-logia digital e, em consequência, as plataformas, uma importante fonte de receita, tendo em vista que as formas tradicionais de tributação (sobre bens ou lucro das empresas) vêm decrescendo ao longo dos anos. A preocupação é mais forte especialmente em áreas com manufatura aditiva e

impressão digital, tema pouquíssimo debatido nos fóruns de comércio. Além disso, a Índia opõe-se fortemente a provisões que impeçam que um país adote requerimentos de localização de dados. Sua postura no âmbito multilateral está em concordân-cia com o que tem sido feito no âmbito interno: o país já criou diversos regulamentos que impac-tam direimpac-tamente a atuação de plataformas estran-geiras no país e está atualmente elaborando uma política nacional para e-commerce, que regulará o uso de dados gerados por plataformas dentro da Índia e incluirá previsão que permita o país tributar transmissões eletrônicas.

INDONÉSIA:

Com 38,9% da população conectada e mais de 10 milhões de lojas on-line, a Indonésia vem sofrendo críticas por parte dos seus executivos no ramo do comércio eletrônico, pois acreditam que os novos regulamentos, que exigem que os fornecedores on-line obtenham permissões governamentais, aumentariam procedimentos obrigatório e os custos, o que sufocaria o cres-cente mercado de comércio eletrônico do país.

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JAPÃO:

Como terceira maior entidade econômica do mundo, o Japão possui um ambiente básico único, o que o torna um lugar favorável para o comércio eletrônico transfronteiriço, já que os japoneses têm o hábito de fazer compras on-line com um gasto médio de $ 1,164, o que gera gran-des expectativas em cima do mercado de e-com-merce no país, com média prevista de receita de US $ 113 bilhões em 2022. Tudo isso se deve ao fato da penetração da internet no Japão ser de 94%, onde desde as menores até as maiores fai-xas etárias têm acesso à internet. No quesito de regulamentação, o Japão espera que a OMC che-gue a uma conclusão o mais rápido possível, pois para eles, no século XXI, é imprescindível que haja regras sólidas para o e-commerce.

MÉXICO:

Embora o México apresente uma estagnação da economia em geral, o país obteve o maior cresci-mento no comércio eletrônico mundial, com um aumento anual de 35% nas vendas em

compara-ção com média mundial de 20,7%. Isso se deve ao fato de o número de usuários de internet ter quadruplicado nos últimos 10 anos no país.

NIGÉRIA:

Com a maior população da África, a Nigéria é um dos poucos países do continente que está pronto para lidar com o boom do comércio eletrônico, levando em conta sua penetração de internet de 46,10%, equivalente a 86,219,965 milhões de pes-soas. Assim como os outros países africanos, se mostra preocupado com as novas regras em e-com-merce e com a potencial restrição que tais regras colocariam sobre o espaço para políticas industriais digitais voltadas ao desenvolvimento da região.

NORUEGA:

Embora faça parte do Espaço Schengen, a Noruega não é membro da União Europeia. Segundo os dados da Statistics Norway de 2018, a proporção da população de 16 a 79 anos que usou a Internet foi de 96%3. Desde 1º de abril

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de 2020, as lojas virtuais que vendem produtos aos consumidores na Noruega passaram a cole-tar e pagar o Imposto sobre Valor Agregado (IVA). As empresas não precisam estar presentes na Noruega e podem se registrar por meio do programa “VAT on e-commerce”, denominado VOEC4. Este arranjo contribuirá para nivelar o campo de jogo. A Noruega é o primeiro país europeu a implementar um sistema para coletar IVA de vendedores on-line estrangeiros sobre produtos de baixo custo, e a UE está programada para implementar um sistema.

NOVA ZELÂNDIA:

A Nova Zelândia possui 88,2% da população conectada, porém, o crescimento do comércio digital deve ser mais lento por lá, considerando que já possuem um mercado mais consolidado e acordos de livre-comércio.

PARAGUAI

REINO UNIDO:

Desde o Brexit, muitas coisas mudaram para o

país, especialmente no que tange às regulamen-tações, que antes estavam dentro do escopo da União Europeia. O caso do E-commerce não é diferente: o país está adotando novas políti-cas nacionais e se desvencilhando das polítipolíti-cas comuns. Não obstante, o Reino Unido se man-tém no topo da lista das potências europeias, já que está em segundo lugar no rol de países com maiores receitas de e-commerce com um total de 53 milhões de usuários que geram a receita de US$ 1.639 cada um, atrás pela Alemanha que sozinha comporta um total de 64 milhões de usu-ários, mas que no geral acabam gastando menos, assim como França, que se encontra em quarto lugar na lista, com 49 milhões de usuários.

TURQUIA:

Mesmo com o histórico de problemas envolvendo o uso de internet, a porcentagem da população com acesso à internet na Turquia chega a 42,1%. Além de ter o crescimento mais rápido no volume de transações no e-commerce B2C entre 2018 e 2022, fi cando somente atrás da Índia.

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CONSIDERAÇÕES

Esse comitê tem como intuito a tentativa de ela-borar um documento no qual possa trazer novas perspectivas, acordos e regulamentações que circundam o tema do comércio eletrônico inter-nacional, também conhecido como e-commerce.

Gostaríamos que, através de um debate produ-tivo, sadio e respeitoso, fossem encontradas solu-ções de curto e médio prazo, tendo em vista a atualidade do tema e seu constante crescimento. Incentivamos que os países sejam fl exíveis na hora das negociações e votações, de modo que seja sempre preocupação principal visar o bem maior.

A Organização Mundial do Comércio acredita que as discussões relacionadas ao e-commerce devem ser debatidas com clareza, onde cada país tenha a oportunidade de expor seus prós e contras, respeitando o seu tempo de fala e argumentação, bem como que estejam abertos a novas oportunidades e ideias vindas do outro.

Esperamos que os países cooperem entre si e que, através deste documento, possam desen-volver técnicas, soluções e inovações que

facili-tem, fl exibilizem e potencializem as práticas do comércio eletrônico com acessibilidade a todos, delimitando e respeitando normas comuns que, se bem instauradas e aplicadas, garantam benefícios aos participantes.

DPO – DOCUMENTO DE

POSIÇÃO OFICIAL

O Documento de Posição Ofi cial, em todos os Organismos Internacionais que não são milita-res, deve seguir o padrão:

• Fonte: Times New Roman;

• Tamanho: 12;

• Folha: A4;

• Texto em cor: Preta;

• Espaçamento: Simples;

• Espaço Antes e Depois: 0 pt;

• Margens: Superior, Esquerda, Inferior e Direita – 2 cm;

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• Brasão de Armas ou Emblema Nacional do país no Canto Superior Direito – no caso de Comitês que não são países e, sim, represen-tantes, utilizar apenas o logo do Comitê no Canto Superior Esquerdo;

• Logo do Comitê no Canto Superior Esquerdo. No caso de não haver um logo, será permi-tido o uso da Bandeira do Comitê ou no caso de ser um Gabinete Presidencial, utilizar o brasão de armas do país;

• Nome ofi cial do país, entre o emblema/bra-são do país e o logo do comitê, centralizado, em negrito e caixa-alta;

• Assinatura do(s) delegado(s) no Canto Infe-rior Direito, em cima de uma linha em que abaixo está indicado o cargo ofi cial (ex.: Embaixador, Chefe de Estado, etc.);

• O nome deve ser do real representante junto ao órgão. Caso essa informação não esteja disponível, o aluno pode colocar seu próprio nome;

• O DPO deve ter apenas uma página.

Todas as delegações devem expor, fi elmente, a sua política externa em relação ao tema proposto, focando, principalmente, nos seguintes tópicos:

• Seu posicionamento em relação às regula-mentações referentes ao comércio eletrônico.

• Mecanismos de utilidade para melhor desenvolvimento do comércio eletrônico e seus benefícios.

• Sua perspectiva em relação à taxação alfan-degária das transmissões eletrônicas.

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REFERÊNCIAS

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Referências

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