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MARCAS DO TEMPO EM NOSSA PAISAGEM ATIVIDADE 2

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HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Há uma antiga piada, na qual se conta que Deus, ao criar o mundo, distribuiu vulcões, terremotos, furacões pelo mundo inteiro. Só o Brasil teria ficado livre dessas catástrofes, e ainda teria ganho um clima ameno e as praias e florestas mais lindas do mundo. Um dos anjos teria protestado: “Senhor! Por que tanta proteção com essa parte do mundo? Não ficou nada de ruim ali!” Ao que o Todo-Poderoso teria respondido: “Espere só para ver o povinho que vou colocar ali!”.

Essa anedota é um exemplo clássico do tipo de relacionamento que temos com o nosso país: seríamos privilegiados com relação à natureza, mas “despreparados” como povo para aproveitar tantas coisas boas que “recebemos de Deus”. Nesta atividade, vamos discutir que esses preconceitos têm origem na colônia e sobrevivem até hoje. No encontro dos portugueses com os povos americanos, os europeus viram o que a cultura deles permitiu. Primeiro estas terras eram o Paraíso. Depois, o Inferno. Os povos que ajudaram os portugueses a ocupar a colônia, de pessoas “de bons rostos e bons narizes, bem feitos”, passaram a ser vistos como “inferiores” e “preguiçosos”. Ora, essas imagens são as que ainda temos com relação à nossa população. Há um sentimento de “inferioridade” com relação aos povos desenvolvidos. “Preguiçosos” por não “gostarmos de trabalhar”. Será que isso confere com a realidade, ou são idéias que permanecem ao longo do tempo? A partir do momento em que conhecemos sua

O trabalho inicial com a letra da música pretende introduzir a diversidade dos povos nativos. Depois, com a análise do mapa Terra

Brasilis, temos o objetivo de mostrar como o

europeu criou uma imagem do indígena como fornecedor do que lhe interessava. Quando foi substituído pelos africanos, passou a ser descartável (aliás, da mesma maneira que os africanos com a chegada dos imigrantes, do final do século 19 em diante). O conceito de paisagem humanizada é essencial para qualificarmos os povos indígenas. Se eles viviam em uma paisagem natural, então não eram humanizados! Se isso fosse verdade, seria possível realmente sustentar a defesa da comparação deles com animais e escravizá-los.

Em seguida, analisamos o preconceito que a palavra “índio” carrega para depois efetuarmos um salto até a recente “comemoração” dos 500 anos do descobrimento. Quem comemorou? Havia razões para comemorar? Comemorar o quê? São questões que até hoje levantam grande debate em nosso país. Educar também é qualificar nossos alunos para que possam se posicionar frente às grandes questões do mundo em que vivem.

Eles podem afirmar que é tudo passado. Mas “passado” é justamente o que não passa, o que fica e compõe os temas da História e que interessam também à Geografia. Por que contamos tantas piadas de português e de brasileiro? As imagens finais nos mostram que a visão da América como “colônia” e como “paraíso” ainda são fortes. E não só entre os portugueses.

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Iniciando nossa conversa

Leia atentamente o texto que se segue e grife as palavras que você não conhece: Chegança

Antonio Nóbrega e Wilson Freire, do CD Pernambuco falando para o mundo, 1998 Sou Pataxó,

Sou Xavante e Cariri, Ianomâmi, sou Tupi Guarani, sou Carajá. Sou Pancaruru, Carijó, Tupinajé, Potiguar, sou Caeté, Fulniô, Tupinambá. Depois que os mares Dividiram os continentes, Quis ver terras diferentes, Eu pensei: “vou procurar Um mundo novo,

Lá depois do horizonte, Levo a rede balançante Pra no sol me espreguiçar”. Eu atraquei

Num porto muito seguro, Céu azul, paz e ar puro... Botei as pernas pro ar. Logo sonhei

Que estava no paraíso, Onde nem era preciso Dormir para se sonhar.

Mas de repente

me acordei com a surpresa: uma esquadra portuguesa Veio na praia atracar. Da Grande-nau,

Um branco de barba escura, Vestindo uma armadura Me apontou pra me pegar. E assustado

Dei um pulo da rede, Pressenti a fome, a sede, Eu pensei: “vão me acabar”. Me levantei

de borduna já na mão. Aí, senti no coração, o Brasil vai começar... Como tem sido o tratamento dispensado aos

povos indígenas em nosso país?

Em 1997, Galdino dos Santos foi morto em um ponto de ônibus em Brasília. Ele dormia quando um grupo de cinco jovens de classe alta da cidade jogou gasolina sobre ele e ateou fogo.

1

Galdino pertencia ao povo: a)pataxó

b)ianomâmi c)xavante d)tupi

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HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Continuando nosso exercício, analise com cuidado o mapa abaixo:

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Mapas, instrumentos de registro e de

dominação

Se observarmos os mapas do período das grandes navegações, verificaremos que os europeus tentavam reunir o maior número de informações sobre as terras até então desconhecidas por eles para organizar a conquista. Tinham o objetivo de informar aos reis europeus não apenas a localização, mas também as riquezas possíveis de serem exploradas.

Quais informações podemos extrair do mapa apresentado? Nele, encontramos alguns elementos, que marcamos com A, B e C.

Vamos refletir sobre cada um deles: A) O brasão do Império Português. 2 3 B) Índios trabalhando. Qual é a atividade a qual esses homens estão se dedicando?

a) extração de palmito;

b) abertura de campos para agricultura; c) extração de ouro;

d) plantio de café;

Na aula 4 de História do Brasil estudamos o conceito de escambo. O que, nessa imagem, foi conseguido pelo trabalhador através desse tipo de troca?

Na aula 2 de Geografia estudamos o conceito de paisagem.

Analisando o mapa Terra Brasilis, percebemos que:

a) o clima é o único fator que transforma as paisagens;

b) o relevo é formado por diferentes formações vegetais;

c) a paisagem não foi modificada pela chegada dos portugueses à América; d) pelo escambo, os povos encontrados pelos portugueses adquiriram novos recursos para modificar a paisagem;

e) pelo escambo, os portugueses descobriram que não havia riquezas na América.

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C) A imagem de um dragão alado no interior da América. Na aula 4, estudamos a “visão do paraíso” que os europeus tiveram ao chegar às terras em que moramos hoje.

Assinale, entre as alternativas abaixo, as que impressionaram os portugueses: a) clima fresco;

b) água em abundância; c) vegetação exuberante; d) homens e mulheres nus;

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HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Mas, se existia uma “visão do paraíso”, como explicar a imagem do dragão? Para compreendermos, vamos analisar ainda a figura abaixo:

Nela, as novas terras são apresentadas como um lugar em que espíritos estão sempre em volta das pessoas (à esquerda, um “demônio” parece ter derrubado um homem; ao centro, uma pessoa de braços levantados se espanta ao ver, mais ao fundo, um “espírito” maltratar um homem que cobre a cabeça).

Será que esses fatos foram mesmo assim, ou apenas foram representadas nas ilustrações da época, inclusive nos mapas?

Vamos traçar uma breve linha do tempo:

1492 1500 1515 1517 1534 1594

a) Circule as datas do mapa Terra Brasilis e da imagem de Jean de Léry.

b) Pesquise na aula 16 de História Geral quais importantes fatos religiosos ocorreram nos anos de 1517 (_____________________) e 1534 (___________________________). c) Será que esses fatos podem ter influenciado na elaboração da imagem de 1594?

Jean de Léry, 1594.

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d) Percebeu como as imagens podem trazer significados complexos, que só uma leitura cuidadosa pode esclarecer?

Vamos agora analisar um último aspecto do mapa Terra Brasilis:

Ele já apresentava, em 1515, um detalhado traçado do nosso litoral, o que indica que os portugueses estiveram, ao longo desses quinze anos, reconhecendo as costas do território que lhe cabia pelo Tratado de ________________________. Esse tratado, você sabe, foi feito com os _______________.

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E os povos que aqui habitavam antes da

chegada dos europeus?

Bem, chamar os “índios” de “povos” já é um primeiro passo para respeitar a história daqueles grupos humanos que foram explorados, e massacrados pelos europeus, a ponto de vários povos já terem desaparecido no primeiro século de colonização. Leia o seguinte texto, sobre os tupinambás, povo que a esquadra de Cabral encontrou em 1500: Os europeus registraram a elegância e a beleza física do homem americano. Não temos informações seguras sobre a impressão causada pelos europeus aos autóctones. Mas sabemos que não foi um acaso terem os europeus encontrado tão facilmente comunidades americanas num imenso litoral. Ao contrário do que ocorria na África, a costa brasílica oferecia melhores condições para a ocupação humana do que os sertões.

A exuberante Mata Atlântica cobria grande parte da faixa litorânea, desde o Cabo de São Roque, no Rio Grande do Norte, até o Rio Grande do Sul. Sua fértil vegetação dominava as planícies litorâneas e as encostas dos planaltos do interior. Essa faixa costeira, com uma largura média de 200 quilômetros, chuvosa, com clima ameno e abundantes matas e rios, era própria à agricultura e rica em caça e pesca.

Os povos tupinambás dominavam esse privilegiado litoral. Após aparecerem, há cerca de mil anos, na desembocadura do rio Amazonas, provenientes do curso médio do rio, evoluíram rapidamente, pelo litoral, em direção ao sul, expulsando os povos caçadores-coletores menos aparelhados que ali viviam. Quando os lusitanos avistaram as praias brasílicas, em 1500, os tupinambás haviam alcançado as proximidades de Cananéia, no litoral paulista.

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HISTÓRIA E GEOGRAFIA

As comunidades tupinambás praticavam uma horticultura de subsistência baseada no milho, na batata-doce, nas vagens e, principalmente, na mandioca. Expandiram-se rapidamente ocupando as várzeas e os vales dos grandes rios. Tais ecossistemas permitiam uma horticultura que desconhecia a adubação e os instrumentos de ferro; favoreciam também as atividades coletoras e caçadoras. Estima-se que 1 milhão de brasis1 vivesse no litoral no início do século

16 (1501-1600). Essa alta densidade demográfica relativa explica a facilidade com que os europeus contataram os nativos e se estabeleceram na nova colônia.

Adaptado de Mário Maestri. TTTTTerra do Brasilerra do Brasilerra do Brasilerra do Brasilerra do Brasil: a conquista lusitana e o genocídio tupinambá. São Paulo, Ed. Moderna, 1993, p. 7 e 8.

1 O autor usa o termo brasil, com letra minúscula, para

designar o que chamamos de “índio”, como era comum no início da colonização portuguesa.

Há vários pontos interessantes nesse texto. Vejamos alguns:

a) Mostra como a ____________ mudou nestes mais de 500 anos. Quando Cabral aqui chegou, do Rio Grande do Norte ao Rio de Grande do Sul predominava a ______________________________. Hoje, resta apenas 7% dela.

b) Mostra um grupo de “índios” específico, os ___________________, marcando este território, que atravessaram por mais de _______ anos, do Amazonas até Cananéia. c) Diferencia “índios”, pois aquele grupo expulsou outros, que eram menos

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“______________________”, ou seja, tinham menor domínio de técnicas.

d) Mostra que os grupos expulsos eram ______________________, enquanto os ____________________praticavam uma _________________________ baseada principalmente na mandioca.

e) Mostra, acima de tudo, que, quando os portugueses aqui chegaram, não encontraram uma paisagem natural, mas sim ______________________.

Continuemos a ler o texto do historiador Mário Maestri:

Os lusitanos desembarcaram em uma terra habitada e domesticada. E contaram com o apoio inicial de boa parte da população nativa. Nos primeiros tempos, os tupinambás trabalharam voluntariamente na extração de pau-brasil e outros produtos. Ajudaram na construção das povoações, nas roças, nas plantações e nos engenhos. Eles cederam caça, pesca e alimentos. Tudo em troca das apreciadas ferramentas européias. Em boa medida, os portugueses apenas potencializaram a colonização do litoral realizada nos séculos anteriores pela onda expansionista tupinambá.

Os brasis introduziram os europeus no conhecimento das coisas do Novo Mundo: a caça, a pesca, o plantio do milho, do fumo, da batata-doce, da mandioca, o conhecimento dos caminhos, das plantas e dos animais, a revelação do processo de transformação da mandioca venenosa em fonte alimentar. Enfim, ensinaram-lhes a viver em um meio ecológico social desconhecido. p. 8, adaptado.

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Explorando estas terras

Em tal maneira é graciosa, que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por causa das águas que tem!

Trecho da carta de Pero Vaz de Caminha Estas terras, com água abundante, deveriam ser férteis para todos os projetos dos europeus. Assim, com o apoio inicial dos tupinambás, os portugueses ocuparam uma grande área na América do Sul, que passou a ser conhecida como “América Portuguesa”. Mas nós conhecemos melhor a escravidão africana, não é mesmo? Lembre-se que, na aula 6 de História do Brasil, tratamos também da escravidão “indígena”.

Veja a relação que Mário Maestri faz entre as duas formas de escravidão:

Até o início do século 17 (1601-1700), as roças, plantações e engenhos coloniais funcionaram explorando o trabalho do americano escravizado. A seguir, apesar de suplantado numericamente pelo africano, o brasil continuou desempenhando um papel acessório, como escravo, sobretudo nas zonas coloniais de economia menos rica. Na plantação açucareira e na mineração, serviu como uma espécie de capital inicial que permitiu o início da produção e uma primeira acumulação de riquezas. Com elas, foi possível financiar a importação posterior de grande quantidade de africanos que terminaram substituindo os brasis na função de mão-de-obra escrava.

p.9, adaptado. Os jesuítas foram fundamentais nesse processo. Retome a aula 8 de História do Brasil e responda:

Os jesuítas, durante a colonização, tiveram um papel:

a) insignificante;

b) apenas de julgamento dos criminosos que desafiam a fé católica;

c) apenas educativo, pois construíram e dirigiram muitas escolas;

d) de promoção e respeito às culturas dos diferentes povos indígenas;

e) de unificação lingüística, religiosa e cultural da colônia portuguesa.

Considere a seguinte afirmação:

“A Igreja Católica teve um importante papel na justificação da escravidão africana na colônia”

Livro de História do Brasil, vol. 1, p. 62. Assinale a alternativa que concorda com a afirmação acima:

a) os traficantes eram impedidos de fazer negócios pela Igreja;

b) os missionários católicos, como Anchieta, criaram quilombos para melhor evangelizar os africanos;

c) a Igreja lutava para a salvação das almas dos africanos por meio do movimento abolicionista;

d) a escravidão foi uma forma criada por Deus para retirar os africanos do pecado, levando-os até a salvação no Brasil;

e) nenhuma das alternativas anteriores concorda com a afirmação.

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HISTÓRIA E GEOGRAFIA

A origem do preconceito

Você já ouviu a expressão “programa de índio”? É uma forma que as pessoas de muitas grandes cidades brasileiras se referem (ou se referiram, por algum tempo, no final do século 20) a uma atividade fora de moda, pouco interessante etc. Essas referências nos levam a pensar no adjetivo “atrasado”, não é? Pois é isso mesmo. Depois de generalizar a palavra índio para todos os povos que habitavam estas terras em 1500 e seus descendentes, progressivamente o termo se transformou em uma palavra preconceituosa. E esse preconceito foi uma arma na luta dos portugueses contra os tupinambás pelo controle da costa da América do Sul. Mas, como nos indica ainda Mário Maestri, a palavra índio (sinônimo de selvagem, silvícola, ou seja, “habitante das selvas”) não serve para populações que se reúnem em aldeias e produzem com base na agricultura. Em resumo:

Apresentar o tupinambá como “índio” é diluir o fato de que ele era, sobretudo, um horticultor aldeão; é esquecer que o trabalho era o principal vínculo de suas relações com os outros homens e com a natureza. Até épocas não muito recuadas, comunidades germânicas baseavam sua subsistência em uma horticultura itinerante semelhante à dos tupinambás. Os historiadores do Velho Mundo certamente se escandalizariam e se indignariam se definíssemos tais populações como “índios” europeus.

p. 10, adaptado. 13 12

A partir do texto acima, assinale a alternativa correta nos exercícios 12 e 13.

Um tupinambá não deveria ser chamado de “índio” porque:

a) essa palavra indica “culto”, e eles eram selvagens;

b)essa palavra indica “selvagem”, e eles realmente o eram;

c)essa expressão sempre foi relacionada com “docilidade”, e eles eram violentos;

d) essa expressão é vinculada com “trabalho”, e eles eram preguiçosos;

e)”índio” é sinônimo de “habitante das selvas”, e eles, além de aldeões, praticavam uma agricultura em pequena escala, sem arado.

Generalizar vários povos com uma expressão preconceituosa como “índio” é tão ofensiva que:

a) historiadores europeus utilizam essa palavra se referindo às tribos africanas; b) historiadores brasileiros aceitam esse termo para os membros das tribos do nosso território, sem qualquer oposição;

c) historiadores europeus não aceitariam que povos europeus, horticultores e aldeões como os tupinambás, fossem chamados dessa maneira;

d) historiadores africanos querem que seus povos sejam assim chamados;

e) esse termo não é mais usado em livros didáticos brasileiros.

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O uso da palavra “índio” até hoje: há

seqüelas?

A “confusão geográfica” de Colombo acabou levando à assimilação dos mais antigos habitantes destas terras como “selvagens”, “habitantes das selvas”, e, assim, inimigos da “civilização européia”.

Veja o seguinte texto, de um religioso espanhol, frei Antônio de Montesinos, sobre o tratamento dado por seu povo aos nativos das ilhas do Caribe, ainda em 1512: Com que direito haveis desencadeado uma guerra atroz contras essas gentes que viviam pacificamente em sua própria terra? Por que os deixais em semelhante estado de extenuação? Por que os matais a exigir que tragam diariamente seu ouro? Acaso não são eles homens? Acaso não possuem razão e alma? Não é vossa obrigação amá-los como a vós próprios?

Qual das frases abaixo demonstra melhor que o padre considerava os nativos como seres humanos iguais aos espanhóis? a) Por que os deixais em semelhante estado de extenuação?

b) Por que os matais a exigir que tragam diariamente seu ouro?

c) Acaso não possuem razão e alma? d) Acaso são eles homens?

e) Não é vossa obrigação amá-los como a vós próprios.

Considere as imagens da página seguinte, referentes às comemorações dos “500 anos do descobrimento”.

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O que elas nos mostram sobre o tipo de relação entre o nosso país e os remanescentes dos povos indígenas?

Considere o texto a seguir:

O presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu uma carta com críticas de índios xavante e mehinaku. A carta foi entregue a FHC logo após os índios, oriundos de duas aldeias de Mato Grosso, terem dançado para o presidente brasileiro e para o de Portugal, Jorge Sampaio, na abertura da Mostra do Redescobrimento, megaexposição de arte que se realiza em comemoração dos 500 anos do Brasil.

A carta (...) contém a afirmação segundo a qual “os índios não estão comemorando nada”. “Esta não é a nossa comemoração”, diz o texto, assinado pelos índios Suptó, xavante, e Ciucartec, mehinaku.

Folha de São Paulo, 24/04/2000 Escreva sobre as razões pelas quais esses povos tiveram tal posicionamento.

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HISTÓRIA E GEOGRAFIA

As manchetes não se restringiram apenas ao Brasil. Veja só:

Inglaterra: “Índios protestam enquanto o Brasil festeja.”

Estados Unidos: “Brasileiros não estão nem aí para as festividades do descobrimento”

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17 E você? O que se lembra da “comemoração” dos 500 anos, em 2000? Elabore suas lembranças de maneira escrita ou por desenho e compartilhe com seus colegas.

Para encerrar:

Em que as imagens abaixo podem ser associadas ao mapa Terra Brasilis, com o qual iniciamos esta atividade?18

Quando pensamos em “Brasil”, qual é a paisagem que temos em mente?

Milton Santos foi um dos mais importantes geógrafos brasileiros. Ele afirmou que “paisagem é o conjunto de formas que, num dado momento, exprimem as heranças que representam as sucessivas relações localizadas entre o homem e a natureza”.

A charge acima é importante para refletirmos: quando olhamos para o nosso país, que vemos? Seja lá o que for, o recebemos das sucessivas gerações que viveram e estabeleceram teias de relações neste espaço. Que visão você tem deste país? É a sua herança do nosso processo histórico, que formou o país em que você vive. A paisagem carrega as marcas da história.

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HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Faça inicialmente a leitura da letra da música apresentada. Peça que os alunos grifem as palavras que não conhecerem. Muitos não devem conhecer os nomes de povos indígenas apresentados. Outros talvez não saibam o que é uma nau ou uma borduna. Para estas duas palavras apresentamos ilustrações.

A música apresenta poeticamente a vinda dos povos nativos à América1 e o encontro

dos povos americanos e europeus nas praias que hoje são do Brasil. Pergunte aos alunos a diferença dos sentimentos do indígena antes e depois da chegada do “branco de barba escura”. (Contraponha “sonhei que estava no paraíso” com “assustado dei um pulo lá da rede” e “pressenti a fome, a sede”. Peça que os alunos reflitam sobre o que poderia ter sido pensar: “ai, o Brasil vai começar”, e passe para o exercício 1.

Neste exercício contrapomos a possível estranheza que o aluno teve com as várias etnias indígenas presentes no território que hoje é o Brasil (e apresentadas na letra) com um fato mais recente, o assassinato do pataxó Galdino dos Santos. Ou seja, os índios não são apenas parte do passado.

Caso os alunos não se recordem do fato, explique-lhes que, no “dia do índio” de 1997, vários líderes das nações que habitam o Brasil se reuniram em Brasília para tomar uma série de decisões sobre reivindicações a serem feitas para o governo federal sobre as suas condições de vida. Entre esses líderes estava Galdino dos Santos.

Tendo chegado na pensão em que se hospedou depois do seu fechamento, não conseguiu entrar e foi para um ponto de ônibus para esperar o amanhecer. Acabou adormecendo ali.

Um grupo de jovens de Brasília estava percorrendo a cidade de carro, e tiveram a trágica idéia de comprar gasolina para por fogo em algum mendigo que encontrassem dormindo pelas ruas. Encontraram Galdino, que, por conta do que os rapazes estupidamente insistiram em chamar de “brincadeira”, acabou morrendo em decorrência das queimaduras.

O caso acabou tendo muita repercussão devido a importância de Galdino e ao fato de ter ocorrido em um “dia do índio”. Mas reflita com os alunos sobre a violência desses filhos da nossa elite: “Não sabíamos que era um índio - tentou pateticamente se explicar um dos criminosos - pensávamos que era um mendigo”. E se fosse? Seria menos grave?

Faremos nas próximas questões um exercício de leitura de imagem, no caso do mapa apresentado. Uma fonte histórica pode nos informar muito sobre o tempo

em que foi produzida. Vejamos o exemplo do Terra Brasilis1. Chamamos a atenção para quatro elementos (A, B, C e D). Ele apresenta o brasão do império Português (A). Compare com o Brasão Brasileiro: quando ele é usado? Em documentos oficiais, em que se quer expressar a relação do governo, certo?

3 As teorias que tratam da chegada dos primeiros seres

humanos à América serão tratadas na atividade 3.

4Há uma versão interativa do mapa Terra Brasilis no

endereço virtual:http://novaescola.abril.com.br/ed/ 114_ago98/html/multi2.htm

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GABARITO

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Nesse mapa, em que há uma vontade de dominação portuguesa, são representados os habitantes que existem na região (B). De que forma? Extraindo o que interessa aos portugueses, portanto a resposta é E.

Na aula 4, abordamos o conceito de escambo, que o dicionário Houaiss define da seguinte maneira: troca de mercadorias ou serviços sem fazer uso de moeda.

Qual a razão para os nativos aceitarem cortar o pau-brasil para os portugueses? Obterem, justamente, ferramentas de metal, que utilizavam também para seus próprios interesses. Garanta que os alunos notem que aquelas pessoas não eram “inocentes”, “puras”, pois isso é uma perpetuação da antiga “visão do paraíso”.

No início da colonização, a paisagem deste continente era muito diferente da atual. O início dessa modificação ocorreu justamente com esse escambo, pois foram fornecidas ferramentas mais “eficientes”. Com isso, iniciou-se um processo que levou à atual situação, em que restam apenas 7% da Mata Atlântica.

Todas estão corretas. Continuando com a leitura da imagem do mapa, localizamos um dragão, indicado com C. Inicialmente, devemos relembrar a idéia de “paraíso” que os europeus tinham destas terras. Eles trouxeram as imagens que eram comuns dentro do seu contexto cultural: catolicismo muito forte, desejo de obter vida eterna, imagens bíblicas do Jardim do Éden. Ora, ao encontrar um território em que as pessoas andavam nuas, sem encobrir as “vergonhas” (repare na palavra

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que era usada para não citar os órgãos sexuais!), é claro que os portugueses, que haviam nascido e crescido sob um catolicismo fortemente repressor, enxergariam o Paraíso!

Mas o corpo é ligado ao pecado, e a natureza exuberante deve ter gerado medo nos viajantes. Por isso, no interior do novo continente foi representado um dragão, monstro que lembra tanto um réptil (como a cobra, que introduziu o pecado no Jardim do Éden) quando cospe fogo, elemento marcante do sofrimento no Inferno para as pessoas mais simples. A nova imagem apresentada mostra explicitamente a América como local de ação do maligno.

Mas podemos perguntar: como houve essa passagem do Paraíso ao Inferno?

7a) Peça aos alunos para circularem 1515 (data provável do mapa Terra Brasilis) e 1594 (data da publicação do livro de Jean de Léry, no qual foi publicada a imagem reproduzida). 7b) Se retomarmos a aula 16 de História Geral, descobriremos que em 1517 ocorreu o início da Reforma Protestante, e em 1534 foi formada a Companhia de Jesus, uma das forças mais atuantes da Igreja Católica (seus membros, os jesuítas, se denominavam-se “soldados de Cristo”).

7c) Com isso, o que ocorreu? Os jesuítas vieram para a América com o espírito de “guerra ao maligno”, e todas as práticas que viam no dia-a-dia dos povos que encontraram eram consideradas “influências do demônio”. Sobre este assunto, retome também a p. 59 do livro de História do Brasil.

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HISTÓRIA E GEOGRAFIA

Para além dessa análise do pensamento da época, percebemos que o mapa também apresenta um minucioso perfil da costa colonial. Costa essa que seria ocupada pelos portugueses porque lhe cabia no Tratado de Tordesilhas, pelo qual esse povo fixou fronteiras com os espanhóis.

a) Paisagem / Mata Atlântica / 7% b) Tupinambás

c) “Aparelhados”

d) Caçadores e coletores / tupinambás / horticultura

e) humanizada

E. Sobre a importância dos jesuítas na colonização, retome a aula 8 de História do Brasil, página 59 em diante. Há um destaque para a função unificadora dos jesuítas na América Portuguesa, página 60.

D. É flagrante a diferença entre a postura dos jesuítas frente à escravidão indígena e da africana.

E. A alternativa explicita o centro do argumento do autor contra o uso do termo. D. A comparação é excelente, por mostrar como o uso é preconceituoso. Pode ser usado para povos “inferiores” da América, mas não da “civilizada” Europa.

C. As duas primeiras não são tão fortes, pois poderiam apenas exigir mais cuidado com animais e não seres humanos. As duas últimas foram modificadas: em D retirou-se o “não”; em E, o ponto de interrogação. 12 13 14 15 16 8 9 10 11

Por essas notícias percebemos que as comemorações ocorreram apesar dos índios, e não com eles. Na capa da Folha de São Paulo, o policial está prestes a golpear o indígena com o cacetete; as manchetes estrangeiras falam dos índios protestando contra a festa e sendo reprimidos, enquanto para a população em geral fez pouco sentido festejar a chegada dos portugueses.

Resposta livre. Espera-se que o aluno desenvolva um raciocínio que demonstre que a festa foi feita sem a participação dos povos indígenas, como elemento central, da mesma maneira que ocorreu nos contatos ao longo dos últimos séculos.

Resposta livre.

Diferencie as duas imagens com os alunos: de um lado, temos uma fotografia; do outro, uma charge. Na charge, o artista português representa as terras descobertas como lugar onde se produz para a “metrópole”. No mapa, era pau-brasil; agora samba, futebol, telenovelas. Parece também existir uma forma de colocar o Brasil no lugar de produtor, do que os portugueses vêm buscar (uma colônia). Hoje, Portugal tem uma produção cultural muito menor que a brasileira, e, portanto, é praticamente “invadido” por produtos culturais brasileiros, quase que “colonizando” sua antiga metrópole.

Ao apresentar o Brasil como uma mulher provocante, a capa da revista portuguesa retoma a imagem do paraíso em que as pessoas andavam sem roupas. Ao envolvê-la com a bandeira portuguesa, parece haver uma reação contra a “invasão brasileira”, pois em 2000 a “Tiazinha” fazia um sucesso estrondoso em Portugal.

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