ATUÁRIA, CONTABILIDADE E SECRETARIADO EXECUTIVO CURSO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS
ANA PAULA CARNEIRO DA COSTA
A EXCLUSÃO SOCIAL
NAS REGIÕES METROPOLITANAS DO BRASIL:
2001- 2005
FORTALEZA 2007
ANA PAULA CARNEIRO DA COSTA
A EXCLUSÃO SOCIAL
NAS REGIÕES METROPOLITANAS DO BRASIL:
2001 - 2005
Monografia apresentada á Faculdade de Economia, Administração, Atuária, Contabilidade e Secretariado Executivo, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Ciências Econômicas.
Orientador: José de Jesus Sousa Lemos.
FORTALEZA 2007
Pro . Agamenon
Membro da Banca Examinador a A EXCLUSÃO SOCIAL
NAS REGIÕES METROPOLITANAS DO BRASIL:
2001- 2005
Esta monografia foi submetida à Coordenação do Curso de Ciências Econômicas, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Bacharel em Ciências Econômicas, outorgado pela Universidade Federal do Ceará — UFC e encontra-se à disposição dos interessados na Biblioteca da referida Universidade.
A citação de qualquer trecho desta monografia é permitida, desde que feita de acordo com as normas de ética científica.
Data da aprovação Or / / , .
Prof. José de Jesus Sousa Lemos Prof. Orientador
Nota
Nota
Nota Prof. Paulo Roberto Fontes Barquete
Membro da Banca Examinadora
A minha filha Ana Cecília Costa Martins, que me enriquece e fortalece com o seu amor e carinho.
Á Deus, que me deu coragem todas as vezes que tentei desanimar; a ele meu amor e minha gratidão por tudo que alcancei e conquistei na vida.
A minha mãe, Maria de Fátima Carneiro da Costa, que sempre acreditou em mim.
Mesmo nos momentos mais difíceis, ela estava ao meu lado, dando-me força e coragem.
Ao meu pai, Manoel Estevão Costa, que mesmo ausente em muitos momentos, ajudou-me a superar os obstáculos da vida.
Ao meu esposo, Francisco Raimundo Martins Ferreira, que tanto amo, pela confiança, amizade, paciência e amor.
A minha filha, Ana Cecilia Costa Martins, que é a razão da minha vida e o meu grande amor.
Aos meus irmãos, Rafael Carneiro da Costa e Carla Patricia Carneiro da Costa, pelo amor verdadeiro que nos une cada vez mais.
As minhas amigas, Melina Moraes e Márcia Karisa, pelo incentivo e amizade
Ao meu professor, José de Jesus Sousa Lemos, pela orientação e incentivo durante a realização da monografia.
E aos demais que, de alguma forma, contribuíram direta ou indiretamente para a construção deste trabalho.
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Feliz o homem que encontrou a sabedoria e alcançou o entendimento (Provérbio 3).
da aplicação do Índice de Exclusão Social, procurou-se conhecer o valor percentual da população excluída nas nove regiões metropolitanas. Trata-se de um estudo baseado em aspectos teóricos e conceituais, que envolve a opinião de diversos autores. Os dados foram coletados por meio da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios - PNAD realizada pelo IBGE, entre os anos de 2001 e 2005. Para adquirir os valores, foi necessário calcular os indicadores de exclusão social, que são: PRIVÁGUA, PRIVSANE, PRIVLIXO, PRIVEDUC e PRIVREND. Os resultados da pesquisa confirmaram que o maior número de excluídos está na região Nordeste, principalmente nas regiões metropolitanas de Recife e Fortaleza, uma grande porcentagem da população vivem sem água tratada, saneamento, coleta de lixo, educação e renda. A região metropolitana de São Paulo apresentou os menores índices de exclusão social. Desta forma, conclui-se que é necessária a criação de políticas públicas direcionadas para as regiões metropolitanas do Brasil, nas quais deve priorizar o acesso aos serviços essenciais. Proporcionando a melhoria generalizada nos padrões de qualidade de vida para a população brasileira.
Palavras-Chaves: Exclusão Social. Regiões Metropolitanas. Água Tratada. Saneamento.
Coleta de Lixo. Educação. Renda.
RESUMEN
La exclusión social en las Regiones Metropolitanas de Brasil es el foco del presente estudio.
Por medio de la aplicación del Índice de la Exclusión Social, se ha buscado conocer el valor porcentual de la población excluida en las nueve regiones metropolitanas. Se trata de un estudio con base en aspectos teóricos y conceptuales, que envuelve la opinión de diversos autores. Los dados fueron colectados por medio de la Pesquisa Nacional de la Muestra por Domicilios - PNMD realizada por el IBGE, entre los anos de 2001 a 2005. Para adquirir los valores, fue necesario calcular los indicadores de exclusión social, que o: PRIVAGUA, PRIVSANE, PRIVBASURA, PRIVEDUC e PRIVREND. Los resultados de la pesquisa confirmaron que el mayor número de excluidos está en la región Nordeste, principalmente en las regiones metropolitanas de Recife y Fortaleza, una gran porcentaje de la población viven sin agua tratada, saneamiento, coleta de la basura, educación y renda. La región metropolitana de la ciudad de Sao Paulo ha presentado los menores índices de la exclusión social. Mi, se concluye que es necesaria la creación de políticas públicas direccionadas para las regiones metropolitanas de Brasil, las cuales deben priorizar el acceso a los servicios esenciales, proporcionando la mejorla generalizada en los padrones de la cualidad de la vida para la población brasilena.
Palabras-Llaves: Exclusión Social. Regiones Metropolitanas. Agua Tratada. Saneamiento.
Coleta de la Basura. Educación. Renda.
Gráfico 01 — Porcentagem dos Níveis de Privações de Água Tratada nas
Regiões Metropolitanas do Brasil no período de 2001-2005 29 Gráfico 02 — Porcentagem dos Níveis de Privações de Saneamento nas Regiões
Metropolitanas do Brasil no período de 2001-2005 31
Gráfico 03 — Porcentagem dos Níveis de Privações de Coleta Sistemática de
Lixo nas Regiões Metropolitanas do Brasil no período de 2001-2005 33 Gráfico 04 — Porcentagem dos Níveis de Privações de Educação nas Regiões
Metropolitanas do Brasil no período de 2001-2005 35
Gráfico 05 — Porcentagem dos Níveis de Privações de Renda nas Regiões
Metropolitanas do Brasil no período de 2001-2005 37
Gráfico 06 — Porcentagem dos Níveis de Exclusão Social nas Regiões
Metropolitanas do Brasil no período de 2001-2005 44
LISTA DE TABELAS
Tabela 01 — Resultados Obtidos para a Estimação dos Pesos Adotados para
Estimar o Índice de Exclusão Social 26
Tabela 02 — Evolução dos Níveis de Privações de Água Tratada (Percentagem
da População em Domicflios sem Água Tratada) 27
Tabela 03 — Evolução dos Níveis de Privações de Saneamento (Percentagem da
População em Domicílios sem Saneamento) 30
Tabela 04 — Evolução dos Níveis de Privações de Coleta Sistemática de Lixo
(Percentagem da População em Domicílios sem Coleta Sistemática de Lixo) 32 Tabela 05 — Evolução dos Níveis de Privações de Educação (Percentagem da
População em Domicílios sem Educação) 34
Tabela 06 — Evolução dos Níveis de Privações de Renda (Percentagem da
População em Domicílios sem Renda) 36
Tabela 07 - Exclusão Social nas Regiões Metropolitanas — Indicadores 2001 38 Tabela 08 — Exclusão Social nas Regiões Metropolitanas — Indicadores 2002 39 Tabela 09 — Exclusão Social nas Regiões Metropolitanas — Indicadores 2003 40 Tabela 10 — Exclusão Social nas Regiões Metropolitanas — Indicadores 2004 41 Tabela 11— Exclusão Social nas Regiões Metropolitanas — Indicadores 2005 42 Tabela 12 — Exclusão Social nas Regiões Metropolitanas — Indicadores 2005 43
HDI — Human Development Index HDR — Human Development Report
IBGE — Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IDH — Índice de Desenvolvimento Humano
IES — Índice de Exclusão Social IRD — Index of Relative Development ONU — Organizações das Nações Unidas PIE — Produto Interno Bruto
PNAD — Pesquisa Nacional de Amostra em Domicilios PNB — Produto Nacional Bruto
PNUMA — Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
SUMÁRIO
LISTA DE GRÁFICOS 08
LISTA DE TABELAS 09
LISTA DE SIGLAS 10
1. INTRODUÇÃO — A POBREZA E A EXCLUSÃO SOCIAL NO BRASIL.. 12
2. ASPECTOS TEÓRICOS E CONCEITUAIS 15
2.1 Crescimento Econômico e Desenvolvimento Econômico 15
2.2 Desenvolvimento Econômico Sustentável 17
2.3 Pobreza e Exclusão Social 19
3. A EVOLUÇÃO DOS INDICADORES DE PRIVAÇÃO DO IES 25
3.1 Privação de Água Tratada 27
3.2 Privação de Saneamento 29
3.3 Privação de Coleta Sistemática de Lixo 31
3.4 Privação de Educação 33
3.5 Privação de Renda 35
4.01NDICE DE EXCLUSÃO SOCIAL 38
5. CONCLUSÃO 46
REFERÊNCIAS 48
1. INTRODUÇÃO — A POBREZA E A EXCLUSÃO SOCIAL NO BRASIL
A pobreza tem sido tema de estudos de diversos órgãos e entidades públicas e privadas, que tentam de alguma forma compreendê-la e através de pesquisas obterem resultados que possam vir a ajudar as nações subdesenvolvidas.
No Brasil, o contraste dos indicadores socioeconômicos das grandes cidades nos mostra um país de exclusão social. Uma pequena parte da população possui altos padrões de renda, comparáveis com os ricos dos países desenvolvidos e a grande maioria vivem em condições de pobreza, impossibilitados por insuficiência de renda ou inexistência de bens de consumo, alimentação básica, moradia, saúde e educação.
No que se refere às políticas instituídas no país, podemos observar. No fmal da década de 60, período que ficou conhecido como "Milagre Econômico", as elevadas taxas de crescimento do PIB que levaram o país a um processo de concentração de renda, aumentando, conseqüentemente, a pobreza no Brasil. Já nos anos 80, foram anos de crescentes dificuldades econômicas. Nos quais as elevadas taxas de inflação afetaram diretamente os pobres, que diferente dos ricos não tinham acesso aos mecanismos de proteção financeira. Em meados dos anos 90, a inflação foi controlada e trouxe melhorias econômicas. De fato, o Plano Real trouxe uma redução da pobreza. O efeito-renda levou a um aumento da demanda de consumo por bens duráveis e não duráveis pela população mais pobre. Em seqüência vieram as políticas sociais de combate à pobreza.
As políticas de combate à pobreza no Brasil nas últimas décadas estiveram assentadas mais no que se entende por politicas compensatórias e assistencialistas que em politicas sustentáveis. Este fenômeno parece estar ligado ao uso politico das medidas assistencialistas que foram e ainda são utilizadas em proveito próprio, dando origem a inúmeras formas de corrupção e exploração da pobreza (ARBACHE, 2003, p.16).
Em 1990, a ONU passou a utilizar um instrumento de pesquisa de comparação entre 177 países, o Índice de Desenvolvimento Humano (HDI — Human Development Index). O objetivo da elaboração do índice é promover uma relação com outro indicador, o produto interno bruto (PIB) per capita, que considera apenas as dimensões econômicas do desenvolvimento. 0 IDH tende a ser um indicador das necessidades básicas. Podendo ser
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conhecido também, como índice de bem estar. Sendo então, o IDH, um indicador sintético que varia entre zero e 1. Quanto mais distante de zero, maior o desenvolvimento humano. O IDH mede o nível de desenvolvimento humano dos países, utilizando três indicadores: a esperança de vida ao nascer, que nos mostra a expectativa de vida ou longevidade; a porcentagem da população adulta alfabetizada e a taxa de combinada de matriculas nos ensinos elementar, médio e superior; e o PIB per capita, a paridade do poder de compra que elimina as diferenças de custo de vida entre os países. Segundo o HDR (2006), o Brasil se encontra na 69° posição no ranking mundial, na classe de desenvolvimento humano médio.
Sendo o IDH do Brasil igual a 0,792. A Noruega se encontra em primeiro lugar no ranking, com o IDH igual a 0,965. Enquanto Niger tem o pior índice que é 0,311.
Em 1995, Lemos, elaborou o Índice de Desenvolvimento Relativo (IRD — Index of Relative Development). Diferente do HDI, o IRD possui mais quatro indicadores: a taxa de mortalidade infantil; a oferta diária de calorias; o percentual da população com acesso a água tratada; o percentual da população com acesso a serviço de saneamento.
As dificuldades associadas aos indicadores sociais do Brasil ocorrem paralelamente ao processo de urbanização da sua população. Com efeito, uma característica do perfil recente da população brasileira tem sido a sua crescente urbanização [...1.
Essa migração desordenada tem provocado profundas modificações na qualidade de vida das zonas urbanas, que se refletem nas deficiências de moradias adequadas e de infra-estrutura, dentre outros serviços essenciais. (LEMOS, 2005, p16).
O crescimento demográfico, nas décadas de 1980 e 1990, contribuiu com a crise econômica das regiões metropolitanas. Com a chegada dos pólos industriais, uma grande massa vinda do interior do país a procura de emprego, passou a se concentrar nas regiões metropolitanas brasileiras. Na verdade, o crescimento populacional das regiões metropolitanas se explica pelo fato de se constituir nos pólos dinâmicos da economia do país. Com isso, a participação das metrópoles na pobreza nacional aumentou. A grande concentração populacional levou estes a se instalarem nas zonas periféricas das grandes cidades.
As desigualdades na distribuição de renda e a falta de oportunidades de inclusão social e econômica geram os elevados níveis de pobreza que afligem a sociedade. A pobreza está relacionada com a má distribuição dos recursos e não à sua escassez. Podendo ser observado com maior nitidez, nas regiões metropolitanas do Norte e Nordeste.
Este trabalho está dividido em cinco capítulos, no qual este é o primeiro, como segue.
O segundo capítulo apresenta os aspectos teóricos e conceituais, mostrando a diferença entre crescimento e desenvolvimento econômico, o significado de desenvolvimento sustentável, desenvolvimento humano, pobreza e exclusão social, na visão de diferentes autores. O terceiro capítulo apresenta a evolução dos indicadores de privação do Índice de Exclusão Social (IES), fazendo uma análise dos resultados encontrados. O quarto capítulo mostra como o IES foi elaborado e o seu cálculo, apresentando os números da exclusão social nas regiões metropolitanas brasileiras. O último capitulo será a conclusão.
O objetivo deste estudo é verificar as causas determinantes da pobreza nas Regiões Metropolitanas do Brasil, procurando entender as diferenças existentes entre estas. No qual, serão examinados através de conceitos teóricos e de dados secundários, os números da pobreza e da exclusão social entre um determinado período. O Índice de Exclusão Social (IES) será essencial para esta análise. Observando os indicadores de privações essenciais e renda, que levam ao IES. É nessa ótica que está voltado o objetivo geral deste trabalho.
Assim, através deste estudo, poder contribuir com o debate acerca do crescimento socioeconômico do país.
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2. ASPECTOS TEÓRICOS E CONCEITUAIS
Serão utilizados, neste estudo, conceitos importantes para a fundamentação e a base teórica. Os conceitos a serem discutidos são: Crescimento Econômico, Desenvolvimento Econômico, Desenvolvimento Humano, Desenvolvimento Econômico Sustentável, Exclusão Social e Pobreza.
2.1. Crescimento Econômico e Desenvolvimento Econômico
Os conceitos de Crescimento e Desenvolvimento durante muito tempo foram utilizados como sinônimos Sandroni (2004, p.169) apresenta o seguinte conceito para Desenvolvimento Econômico:
Desenvolvimento Econômico é o crescimento econômico (aumento do Produto Nacional Bruto per capita) acompanhado pela melhoria do padrão de vida da população e por alterações fundamentais na estrutura de sua economia. O estudo do desenvolvimento econômico e social partiu da constatação da profunda desigualdade, de um lado, entre os países que se industrializaram e atingiram elevados níveis de bem-estar material, compartilhados por amplas camadas da população, e, de outro, aqueles que não se industrializaram e por isso permaneceram em situação de pobreza e com acentuados desníveis sociais.
O Crescimento Econômico é o aumento da capacidade produtiva da economia e, portanto, da produção de bens e serviços de determinado país ou área econômica.
(SANDRONI, 2004, p.141).
A distinção entre Crescimento e Desenvolvimento econômico é fundamental para se entender o comportamento das politicas públicas estabelecidas em um país. Uma determinada economia ou país pode apresentar certo crescimento, por outro lado, a renda gerada é concentrada e a grande maioria da população vive sem condições básicas de sobrevivência.
Para haver desenvolvimento, é preciso que haja aumento no PNB per capita, uma melhoria no padrão de vida de toda a população e modificações na estrutura da economia.
Lemos (2005) apresenta a diferença que existe entre Desenvolvimento e Crescimento econômico. Para ele, desenvolvimento é um conceito complexo que envolve uma grande
quantidade de elementos para o seu entendimento. E o crescimento é aferido apenas através de indicadores de quantum, como, por exemplo, o produto agregado nas suas diferentes formas de aferição (PIB per capita, renda per capita), ou de um destes agregados expressos de forma global.
Goodland (1989 apud LEMOS, 2005, p.21) estabelece uma distinção entre Crescimento Econômico e Desenvolvimento Econômico:
Para ele, Crescimento Econômico se refere à expansão da escala das dimensões fisicas do sistema econômico, ou seja, o incremento da produção econômica.
Desenvolvimento Econômico significa o padrão das transformações econômicas, sociais, estruturais, através da melhoria qualitativa e do equilíbrio relativo ao meio ambiente.
Schumpeter (1997 apud LEMOS, 2005, p. 23) estabelece sua própria definição. Para ele, desenvolvimento é:
Entenderemos como desenvolvimento, apenas as mudanças da vida econômica que não lhe foram impostas de fora, mas que surjam de dentro, por sua própria iniciativa. Se concluir que não há tais mudanças emergindo na própria esfera econômica, e que o fenômeno que chamamos de desenvolvimento econômico é na prática baseado no fato de que os dados mudam e que a economia se adapta continuamente a eles, então diríamos que não há nenhum desenvolvimento econômico. Pretenderíamos com isso di7pr que o desenvolvimento econômico não é um fenômeno a ser explicado economicamente, mas que a economia, em si mesma, seu desenvolvimento, arrastado pelas mudanças do mundo à sua volta, e que as causas e, portanto, a explicação do desenvolvimento, deve ser procurada fora do grupo de fatos que são descritos pela teoria econômica.
Baseado em Schumpeter, Garcia apresenta sua definição de Desenvolvimento Econômico. "Desenvolvimento é o resultado de um processo global de transformações revolucionarias nas relações de produção e nas condições históricas de vida de lima sociedade em suas diversas e inter-relacionadas dimensões: econômicas, sociais e culturais" (GARCIA, 1985, p. 71).
Desenvolvimento econômico não quer dizer simplesmente aumento do PNB de um pais, mas diminuição da pobreza a um nível individual. Provavelmente os melhores
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indicadores de pobreza sejam o baixo consumo de alimentos e o elevado desemprego. Se estes problemas forem abordados de maneira adequada, junto com o crescimento do PNB e com uma distribuição de renda razoavelmente equitativa, aí sim, poder-se-á falar num genuíno desenvolvimento econômico. (SINGER;
ANSARI, 1979 apud LEMOS, 2005, p. 24).
Desde 1990, ano que foi elaborado o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), uma visão mais atual com relação ao conceito de desenvolvimento vem sendo apresentada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Que apresenta o seguinte argumento sobre desenvolvimento humano:
"O objetivo básico do desenvolvimento", escreveu Mahbub ul Haq no primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano em 1990, "é criar um ambiente favorável em que às pessoas possam gozar vidas longas, saudáveis e criativas." Dezesseis anos depois, essa visão continua a ter uma forte repercussão. As pessoas são as verdadeiras riquezas das nações. Por vezes, esquecemos essa verdade simples.
Impressionados pelas subidas e descidas dos rendimentos nacionais (medidas pelo PIB), temos tendência para pôr no mesmo prato o bem-estar humano e a riqueza material. Não se deve subvalorizar a importância da estabilidade e do crescimento do PIB: são ambos essenciais para o progresso humano sustentado, como se toma óbvio nos vários países que sofrem com a sua ausência. Mas o último parâmetro para medir o progresso é a qualidade de vida das pessoas [...]. Nas últimas décadas houve aumentos sem precedentes na riqueza material e na prosperidade em todo o mundo. Ao mesmo tempo, estes aumentos têm sido muito irregulares, com imensas pessoas a não participarem do progresso. Alem disso, o PIB ainda é medido de urna forma que não toma em consideração a degradação ambiental e o esgotamento de recursos naturais. (HUMAN DEVELOPMENT REPORT — HDR, 2006, P. 263).
2.2. Desenvolvimento Econômico Sustentável
Desenvolvimento Sustentável é um conceito que pertence ao campo da ecologia e da administração e que se refere ao desenvolvimento de uma empresa, ramo industrial, região ou país, e que em seu processo não esgota os recursos naturais que consome nem danifica o meio ambiente de forma a comprometer o desenvolvimento dessa atividade no futuro.
(SANDRONI, 2004, p.170).
A idéia de desenvolvimento sustentável deriva do conceito de ecodesenvolvimento, que surgiu no início da década de 1970, na Primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a qual deu origem ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente — PNUMA.
O conceito de desenvolvimento sustentável foi incorporado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Cúpula da Terra de 1992 — ECO- 92, no Rio de Janeiro. Ele busca o equilíbrio entre proteção ambiental e desenvolvimento econômico. Em 2002, no encontro da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, a Declaração de Política afirma que existem três pilares de sustentação do Desenvolvimento Sustentável, que são o desenvolvimento econômico, o desenvolvimento social e a proteção ambiental.
Para Lemos (2005), a sustentabilidade do desenvolvimento contém, pelo menos, quatro dimensões igualmente fundamentais para a sua caracterização. Sendo estes a dimensão geoambiental, a dimensão socioeconômica, a dimensão técnico-científica e a dimensão político-institucional.
A dimensão geoambiental do conceito refere-se à abrangência e ao impacto, de um ponto de vista geográfico e fisico, e às repercussões sobre a base de recursos naturais espacial e temporalmente. A dimensão socioeconômica busca prover as condições necessárias para o progresso econômico que seja socialmente e equitativamente justo. A dimensão técnico-científica objetiva a perseguição de metas e objetivos que assegurem o avanço de conhecimento científico e tecnológico em beneficio de toda a sociedade, estimulando dentro dela um processo contínuo de inovações. A dimensão politico-institucional, por sua vez, preconiza a consolidação do sistema de representação politica que confere continuidade aos mecanismos de tomada de decisão e das ações politicas que irão garantir o desenvolvimento sustentável nas suas três outras perspectivas: geoambiental, socioeconômica e técnico-científica. (PROJETO ÁRIDAS, 1995 apud LEMOS, 2005, p.27).
Desenvolvimento sustentável é uma estratégia de desenvolvimento que maneja de forma conveniente todos os ativos, recursos naturais e recursos humanos, bem como os ativos fisicos e financeiros, para incrementar tanto a riqueza como os níveis de bem-estar de longo- prazo. Desenvolvimento sustentável, como objetivo, rejeita políticas e práticas que mantenham os padrões atuais de vida alcançados pela depredação da base produtiva,
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incluindo os recursos naturais, que deixa as gerações futuras com perspectivas depauperadas e com maiores riscos do que a nossa própria geração. (REPETO, 1986 apud LEMOS, 2005, p.31).
Segundo o Human Development Report - HDR (1997), o desenvolvimento tem que promover o incremento dos níveis de bem-estar do ser humano, removendo a fome, doenças e a ignorância; e criar empregos produtivos para todos. O primeiro objetivo de um programa de desenvolvimento tem que ser eliminar a pobreza e priorizar as necessidades de toda a população, de tal maneira que possa ser produtivamente sustentável para as futuras gerações.
De acordo com Ferreira (2004), desenvolvimento sustentável é a utilização dos recursos naturais racionalmente, atendendo as necessidades humanas do presente, de forma que não modifique o meio ambiente e as gerações futuras.
Das definições apresentadas para desenvolvimento sustentável, depreende-se que uma condição fundamental para que ele possa ocorrer é a conservação e a preservação do estoque de recursos naturais. Desta forma um pressuposto essencial é o desenvolvimento de conhecimentos científicos que viabilizem a criação de tecnologias que não destruam essa base de recursos naturais e que promovam a reciclagem desses recursos, ou seja, tecnologias ecologicamente limpas. (DALY, 1989 apud LEMOS, 2005, p. 32).
2.3. Pobreza e Exclusão Social
A pobreza é considerada como a privação acentuada dos elementos básicos para a sobrevivência humana, incluindo a falta de alimentação adequada, a carência de habitação e vestuário, a baixa escolaridade, a falta de participação nas decisões políticas etc. Isso se manifesta no fato de certos indivíduos não possuírem renda e/ou patrimônio suficientes para ter acesso a bens e serviços essenciais em níveis considerados adequados, de acordo com o padrão vigente numa sociedade.
Sandroni (2004) define pobreza como "estado de carência em que vivem indivíduos ou grupos populacionais, impossibilitados, por insuficiência de rendas ou inexistência de bens de consumo, de satisfazer suas necessidades básicas de alimentação, moradia, vestuário, saúde e educação".
O Banco Mundial estabelece a condição de pobreza como a posição de um indivíduo ou de uma família em relação a uma linha imaginaria de pobreza, cujo valor é fixado ao longo do tempo.
Em 1990, o Banco Mundial no Relatório do Desenvolvimento Mundial de 1990:
Pobreza estabeleceu uma linha da pobreza. As famílias que tivessem renda per capita de US$1,00 por dia seriam consideradas pobres. Esse valor teve como base os preços internacionais de 1985, ajustados para moedas locais pela paridade do poder de compra, que leva em consideração os preços locais de bens e serviços, especialmente aqueles não são comercializados internacionalmente. Essa linha de pobreza de US$ 1,00 foi considerada extrema, por não ser compatível com a linha de pobreza encontrada entre os países mais pobres do mundo, em 1985. Em 1993, o Banco Mundial estimou novamente os valores da paridade do poder de compra e obteve um valor de US$ 1,08 para a linha de pobreza, que é o equivalente ao US$ 1,00 com base em 1985. Os principais problemas desta metodologia, apontados pelo próprio Banco Mundial, são a utilização de uma única linha de pobreza sem considerar as diferenças de custos de vida entre áreas urbanas e rurais e entre as regiões dos países e a não-quantificação do auto-consumo alimentar, além das doações alimentares e de outros bens em espécie recebidas pelas famílias pobres.
Segundo o Human Development Report (HDR) de 1997, pobreza significa a negação das oportunidades de escolha mais elementares para o desenvolvimento, tais como: ter uma vida longa, saudável e criativa; ter um padrão adequado de liberdade, dignidade, auto-estima, e gozar de respeito por parte das outras pessoas. Nessa concepção, segundo o HDR, 1997 estabelece que "pobreza significa a negação de oportunidades de escolhas mais elementares do desenvolvimento humano". (LEMOS, 2005, p.34)
A pobreza reduziu em todas as regiões desde 1990, exceto na África. A proporção da população mundial que vive com menos de 1 (um) dólar americano por dia desceram de 28%
para 21%, deixando milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza [...]. Os 20%
mais pobres da população mundial, correspondendo em termos gerais à população que vive com menos de 1 (um) dólar por dia, são responsáveis por 1,5% do rendimento mundial. Os 40% mais pobres, correspondentes ao nível de pobreza de 2 dólares americanos por dia, são responsáveis por 5% do rendimento mundial. O rendimento médio para o mundo em geral é de 5.533 dólares americanos (Paridade do Poder de Compra) mas 80% do mundo vivem i
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com menos do que esta média. A desigualdade global é retirada da profunda lacuna existente entre rendimentos médios (1.700 dólares em 2000). As 500 pessoas mais ricas do mundo têm um rendimento de mais de 100 bilhões de dólares, sem tomar em consideração a riqueza de ativos. Isso excede os rendimentos combinados dos 416 milhões mais pobres. A acumulação de riqueza no topo da distribuição de rendimento global tem sido mais impressionante do que a redução de pobreza na base. Medida pelos termos de paridade de poder de compra de 2000, a lacuna existente entre os rendimentos dos 20% mais pobres da população mundial e os rendimentos de quem vive na linha de pobreza de 1 (um) dólar por dia chega a cerca de 300 bilhões de dólares. Esse número parece grande, mas é menos de 2% do rendimento dos 10%
mais ricos do mundo. (HDR, 2006, p.268 - 269).
A pobreza, entendida como exclusão social, não meramente como privação de renda, tem-se tomado tão estrutural e imbricada no tecido social de todas as economias, sobretudo nas subdesenvolvidas. [...]. A pobreza é um fenômeno social, haja vista que uma pessoa, ou uma família, é considerada pobre em relação a determinados preceitos, tais como incapacidade de ter acesso a determinados bens e serviços; incapacidade de participar de uma forma digna no mercado de trabalho por falta de educação e habilidades adequadas, principalmente; ou atingir um padrão mínimo de qualidade de vida. Todos esses fatores, obviamente, são socialmente determinados. (HDR, 1997 apud LEMOS, 2005, p. 38).
A ONU, em 1997, através do HDR estabelece três perspectivas de pobreza: a perspectiva do rendimento, a perspectiva das necessidades básicas e a perspectiva da capacidade. A perspectiva do rendimento diz que uma pessoa é pobre se o seu nível de rendimento se encontra abaixo da linha de pobreza. A perspectiva das necessidades básicas define pobreza como a privação das necessidades básicas para o ser humano, como alimentação, educação, água potável, entre outros. E a perspectiva da capacidade apresenta a pobreza como a ausência de algumas capacidades básicas para os indivíduos ou famílias, como capacidade fisica, em que as pessoas devem estar bem alimentadas, bem vestidas, bem abrigadas, entre outras.
Segundo Lemos (2005), a natureza social da pobreza implica que aqueles que vivem em estado de pobreza, ou de exclusão social, não os únicos a serem atingidos por esse fenômeno socialmente induzido, toda a sociedade também é afetada. As pessoas pobres e excluídas se vêem privadas de utilizar suas criatividades e seus potenciais. A pobreza provoca
i
instabilidade social, acarretando a incidência de doenças, crescimento exacerbado da população, elevação das taxas de migração e degradação do meio ambiente.
Conseqüentemente, a pobreza afeta toda a sociedade. A sua solução requer políticas públicas sociais, a mobilização de todas as energias do tecido social e o compromisso de todas as forças políticas, econômicas e sociais.
O Relatório de Desenvolvimento Humano — HDR (2006) apresenta as metas temporais estabelecidas pelo mundo para acabar com a pobreza extrema e generalizar a liberdade humana, que são constituídas através dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Estes objetivos representam algo mais do que um conjunto de pontos de referência quantitativos a atingir até 2015. A pobreza extrema e as grandes disparidades de oportunidade não são aspectos inevitáveis da condição humana, mas um flagelo remediável cuja persistência nos diminui a todos e ameaça a nossa segurança e prosperidade coletivas. As metas multifacetadas estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio contemplam um vasto leque de dimensões interligadas do desenvolvimento, desde a redução da pobreza extrema até à igualdade de gênero, passando pela saúde, pela educação e pelo ambiente. O progresso sustentado em qualquer uma das áreas depende decisivamente de avanços em todas as outras áreas. A ausência de progresso em qualquer uma das áreas pode bloquear os avanços num vasto campo de ação. A água e o saneamento constituem um reflexo paradigmático destas interligações. Sem um progresso acelerado nestas áreas, muitos países não atingirão os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Além de condenar milhões das pessoas mais pobres do mundo, a vidas de pobreza evitáveis, com más condições de saúde e oportunidades limitadas, tal resultado perpetuaria profundas desigualdades entre os países e no interior dos mesmos. Apesar do desenvolvimento humano não se resumir aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, as metas estabelecidas oferecem uma estrutura de referência útil para a compreensão das interligações entre o progresso em diferentes áreas e da importância crucial do progresso na água e no saneamento.
Os problemas de acesso à água e ao saneamento estão interligados com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2006, estes são:
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1) Erradicar a pobreza extrema e a fome;
Uma das principais causas da pobreza e da subnutrição é a ausência de água potável e de saneamento adequado.
"Uma em cada cinco pessoas do mundo em desenvolvimento não têm acesso a uma fonte de água melhorada. Uma em cada duas pessoas, cerca de dois milhões no total de pessoas, não tem acesso a um saneamento adequado". (HDR, 2006, p. 22)
2) Alcançar o ensino primário universal;
3) Promover a igualdade de gênero e a autonomia da mulher;
4) Reduzir a mortalidade infantil;
"A água contaminada e as más condições de saneamento constituem a principal causa dos 1,8 milhões de mortes anuais de crianças por diarréia.". (HDR, 2006, p.23)
5) Melhorar a saúde materna;
6) Combater o HIV/AIDS, a malária e outras doenças;
7) Garantir a sustentabilidade ambiental, reduzir a metade do percentual de pessoas sem acesso sustentável a água potável e saneamento básico, e inverter a tendência de perda de recursos ambientais;
"Mais de 1,4 bilhões de pessoas vivem atualmente em bacias hidrográficas onde a utilização de água excede os níveis mínimos de reposição, conduzindo a secagem dos rios e ao esgotamento das águas subterrâneas". (HDR, 2006, p.24)
8) Desenvolver uma parceria global para o desenvolvimento.
Os governantes teriam de destinar um maior montante de recursos para melhorar as condições de saúde, moradia, educação, acesso à água tratada e a serviço de saneamento básico. Esses investimentos, segundo o documento da ONU, não poderiam ser afetados pelas politicas de corte de despesas do setor público, que, normalmente, estão associadas às chamadas políticas de ajustamento, freqüentemente postas em praticas nas economias mais atrasadas. (GRIFFIN, 1997 apud LEMOS, 2005, p.41).
Os indicadores de pobreza se agrupam em três medidas básicas, que são: a pobreza em termos de desníveis nos padrões de riqueza, as medidas monetárias de pobreza e os aspectos qualitativos de pobreza. Na primeira, as condições de vida de uma família se constituem através de seus ativos produtivos. Mas para obter esses ativos é necessário que as famílias possuam meios para atingir uma melhor qualidade de vida, na grande maioria das famílias este meio não existe. Sendo este um indicador intermediário do nível de pobreza. Na segunda medida, os valores monetários se baseiam em renda e consumo. Promovendo, então, a construção de uma linha de pobreza, que pode ser dividida em duas linha de pobreza relativa e a linha de pobreza absoluta. A linha de pobreza relativa é estabelecida através da renda ou do consumo de determinados grupos sociais. E a linha de pobreza absoluta está relacionada com o nível mínimo de renda per capita ou familiar, acompanhada de um padrão mínimo nutricional. A última medida, mostra com mais eficácia as comparações entre os países.
Para que um determinado grupo social seja considerado pobre, não precisa observar apenas o seu patamar de renda per capita ou familiar, tampouco apenas o seu padrão de dispêndio. Devem também ser consideradas variáveis como: o baixo nível educacional; falta de acesso a terra (no caso dos agricultores); moradias inadequadas, tanto na dimensão como em termos dos materiais utilizados na sua construção, associados com a área e o niimero de cômodos; falta de acesso a serviços básicos, como saneamento, água tratada, saúde publica dentre outros serviços; esperança de vida ao nascer; taxa de mortalidade infantil; taxa de mortalidade de crianças com idade inferior a cinco anos, entre outras. (HOON, SINGH &
WANMALI, 1997 apud LEMOS, 2005, p.55).
25
3. A EVOLUÇÃO DOS INDICADORES DE PRIVAÇAO DO IES
O Índice de Exclusão Social foi criado, em 2002, por Lemos, para compreender os padrões de exclusão social, que ele coloca em seu estudo como sinônimo de pobreza.
Diferente do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o lES possui cinco indicadores de exclusão social. Através dele é possível estimar o percentual da população excluída em cada um dos municípios, Estados, regiões brasileira e no Brasil. O IES utiliza ponderações que emergem da correlação que existe entre os seus indicadores.
A equação do Índice de Exclusão Social (IES) é a seguinte:
IES = P1Y1 + P2Y2 + P3Y3 + P4Y4 +P5 Y5
Na qual P1, P 2, P3, P4 e P 5 são os pesos associados às privações a serem definidas a seguir. A soma dos pesos é igual a 1 (um). Os indicadores que constituem o TES são:
Yi1 = PRTVAGUA é a percentagem da população da região metropolitana que sobrevive em domicílios particulares que não têm acesso a água tratada;
Yi2 = PRIVSANE é a percentagem da população da região metropolitana que sobrevive em domicílios que não têm saneamento adequado, entendido como não tendo ao menos uma fossa séptica para esconder os dejetos humanos;
Yi3 = PRIVLIXO é o percentual da população da região metropolitana que sobrevive em domicílios particulares que não têm acesso ao serviço de coleta sistemática de lixo domestico direta ou indiretamente;
Yi4 = PRIVEDUC constitui-se no percentual da população maior de 10 anos que não é alfabetizada, segundo definição do IBGE;
Yi5 = PRIVREND é o percentual da população da região metropolitana que sobrevive em domicílios particulares cuja renda diária por pessoa é menor ou igual a 1 (um) dólar americano.
Segundo Lemos o Índice de Exclusão Social é constituído em dias fases:
No primeiro estágio, emprega-se o método de análise fatorial para estimar os escores fatoriais que serão utilizados na construção do índice parcial de exclusão social [...]. Na segunda etapa da construção do IES, procede-se uma regressão linear do índice parcial de exclusão social contra os indicadores de privação (PRIVAGUA, PRIVSANE, PRIVLIXO, PRIVEDUC e PRIVREND).
Os dados utilizados vêm da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio (PNAD) de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005. Serão utilizadas as nove regiões metropolitanas do Brasil:
Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Os pesos utilizados no estudo foram retirados do trabalho de Lemos (2005).
Na tabela 01, Lemos utiliza o método de análise fatorial para estimar os fatores e os escores fatoriais, com rotação ortogonal Varimax. Reduzindo as cinco variáveis iniciais em dois fatores ortogonais, que são os seguintes:
Tabela 01— Resultados Obtidos para a Estimação dos Pesos Adotados para Estimar o Índice de Exclusão Social.
FATORES (após rotação Varimax)
ESCORES FATORIAIS
(coeficientes) PESOS ESTIMADOS
VARIÁVEIS FATOR 1 FATOR 2 VARIÁVEIS FATOR 1 FATOR 2 VARIÁVEIS PESOS
PRIVAGUA 0,921 0,121 PRIVAGUA 0,632 -0,329 PRIVAGUA 0,1460
PRIVSANE 0,673 0,467 PRIVSANE 0,288 0,049 PRIVSANE 0,1471
PRIVLIXO 0,819 0,429 PRIVLIXO 0,415 -0,047 PRIVLIXO 0,1310
PRIVEDUC 0,269 0,902 PRIVEDUC -0,212 0,567 PR1VEDUC 0,3119
PRIVREND 0,271 0,914 PRIVREND -0,216 0,575 PRIVREND 0,2640
% da Variância
42,343 41,327 Variância Explicada 83,671%
Explicada
FONTE: LEMOS, 2005.
Observa-se na tabela acima que a variância total explicada pelos dois fatores ortogonais é 83,671%, dividida em 42,343% do primeiro fator e 41,327% do segundo fator.
Constatamos também que as variáveis ligadas ao primeiro fator são: PRIVAGUA, PRIVSANE e PRIVLIXO. E ao segundo fator: PRIVEDUC e PRIVREND. A variável que tem a maior ponderação é o PRIVEDUC. Baseando-se nos pesos estimados, serão encontrados neste trabalho os índices de exclusão social de cada região metropolitana do Brasil.
27
3.1. Privação de Água Tratada
A evolução dos níveis de privações de água tratada nas Regiões Metropolitanas do Brasil, no periodo de 2001 a 2005, está apresentada na tabela 02.
Em 2001, a região analisada que apresentou o menor percentual da população excluída foi São Paulo (1,87%), seguida de Belo Horizonte (1,96%). Observa-se, na tabela abaixo, que Belém possui 35,78% da população de sua região metropolitana sobrevivendo em domicílios sem acesso ao serviço de água tratada. A região metropolitana que apresentou o maior percentual da população excluída, naquele ano, no que se refere aos domicílios que não possuem acesso ao serviço de água tratada, se encontra na região Norte, em Belém. Já os menores percentuais estão na região Sudeste.
No ano seguinte, 2002, o número de domicílios sem acesso a água passou para 37,35%
na região metropolitana de Belém, ou seja, com relação ao ano anterior houve um aumento de 1,57 pontos percentuais. Outras duas regiões, Rio de Janeiro e São Paulo, também tiveram um aumento nas suas porcentagens de, respectivamente, 8,61% para 9,38% e de 1,87% para 2,09%. As demais tiveram uma redução, com destaque para Curitiba, que passou de 8,69%
para 6,81%, ou seja, uma diminuição de 1,88 pontos percentuais na porcentagem da população sem acesso ao serviço de água tratada.
Tabela 02 - Evolução dos Níveis de Privações de Água Tratada (Percentagem da População em Domicílios sem Água Tratada)
2001 2002 2003 2004 2005 BELÉM 35,78 37,35 36,17 35,11 37,84 BELO HORIZONTE 1,96 1,75 1,78 1,65 2,05
CURITIBA 8,69 6,81 6,25 6,16 5,47 FORTALEZA 16,93 16,15 14,92 12,00 13,82 PORTO ALEGRE 11,19 10,24 11,22 10,49 11,55 RECIFE 11,32 9,94 11,10 10,54 10,51 RIO DE JANEIRO 8,61 9,38 8,44 8,37 9,05
SALVADOR 3,54 2,07 2,57 1,79 1,93 SÃO PAULO 1,87 2,09 2,04 1,80 1,87 Fonte: Valores estimados a partir dos Relatórios da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios nos anos indicados.
Elaboração própria.
Belo Horizonte, em 2003, apresentou o menor percentual de exclusão da água tratada, com 1,78%. Já o maior aumento no nível de privações foi na região metropolitana de Belém, com 36,17%. Nota-se que em Belém a um maior número de pessoas excluídas, diferente de outras regiões metropolitanas como as do Sul e Sudeste, com destaque também para a Salvador que possui 2,57% de excluídos. 2004 foi o ano, que houve uma maior redução da privação de água tratada nas regiões metropolitanas, com exceção de Curitiba, Porto Alegre e Recife. O menor percentual foi em Belo Horizonte com 1,65% da população. Enquanto o maior foi em Belém com 35,11%, apesar da menor porcentagem entre os cinco anos analisados.
O último ano analisado foi 2005, no qual teve destaque a região metropolitana de São Paulo com 1,87%. Tendo o mesmo percentual de 2001, quando também obteve o menor valor. Mais uma vez, a região que maior valor percentual apresentou foi Belém com 37,84%
da população privada do serviço de água tratada, sendo a maior porcentagem entre os cinco anos analisados dentre as nove regiões metropolitanas.
Observa-se que a privação da água tratada durante os anos de 2001 a 2005, tem uma maior porcentagem na região Norte do país e a região que se destaca com os menores valores percentuais é o Sudeste. Enquanto no Sul e Sudeste, estes valores não ultrapassam 12%, no Norte eles não alcançam menos que 35%. 0 Nordeste fica entre estas regiões, com porcentagens entre 1,79% em Salvador (2004) e 16,93% em Fortaleza (2001).
O Nordeste destaca-se pelas diferentes variações na porcentagem das suas três regiões metropolitanas. Salvador apresenta os menores percentuais, variando entre 1,79% e 3,54% da população sem água tratada. Enquanto, Fortaleza expressa os maiores valores das regiões metropolitanas do Nordeste, variando entre 12% (2004) e 16,93% (2001). A região Sul apresenta os menores percentuais de população excluída. Mas, a região que tem a menor porcentagem, entre 2001 e 2005, é o Sudeste com destaque para São Paulo.
O gráfico 01 mostra o elevado percentual da população sem acesso ao serviço de água tratada na região metropolitana de Belém e os menores valores percentuais se encontram em Belo Horizonte, Salvador e São Paulo, com destaque para a região Nordeste, que apesar de possuir uma das regiões metropolitanas com a menor porcentagem da população excluída,
40,00 35,00 30,00 25,00 20,00 15,00 10,00 5,00 0,00
-♦-BELÉM
- m- BELO HORIZONTE CURITIBA
FORTALEZA - PORTO ALEGRE -~--RECIFE
- +- RIO DE JANEIRO - SALVADOR -SÃO PAULO
2001 2002 2003 2004 2005
29
apresentam também as duas regiões que se encontram, juntamente com Belém, no topo da exclusão: Fortaleza e Recife.
Gráfico 01 — Porcentagem dos Níveis de Privações de Água Tratada nas Regiões Metropolitanas do Brasil no período de 2001-2005.
Fonte: Valores estimados a partir dos Relatórios da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios nos anos indicados.
Elaboração própria.
3.2. Privação de Saneamento
A privação do saneamento apresenta a porcentagem da população excluída sem acesso ao saneamento, ou seja, aquelas pessoas que não possuem em seus domicílios rede coletora de esgoto, ou que não têm uma fossa séptica para depositar seus dejetos, nas Regiões Metropolitanas, no período de 2001-2005.
De acordo com a tabela 03, em 2001 a região metropolitana que apresentou o maior número de excluídos foi Recife, com 46,80% dos domicílios privados de saneamento. Em seguida vem Fortaleza (36,53%) e Belém (24,66%). As regiões que apresentam as menores porcentagens são Sul e Sudeste, respectivamente, Porto Alegre (8,62%) e São Paulo (9,27%), mesmo tendo o menor número de excluídos com relação às outras regiões metropolitanas estes valores percentuais são bastante significativos.
Em 2002, Recife teve um aumento absurdo. Passando de 46,80% para 61,49%, sendo o maior percentual estudado entre os anos de 2001 - 2005 nas privações de saneamento. Mais duas regiões tiveram um aumento, Curitiba de 10,36% passou a 12,55% o maior percentual registrado dentre os cinco anos na região Sul e o Rio de Janeiro de 9,76% passou a 10,85%.
As demais, tiveram uma queda na porcentagem de excluídos, com destaque para Porto Alegre que registrou 7,39% de sua população sem saneamento.
Tabela 03 - Evolução dos Níveis de Privações de Saneamento (Percentagem da População em Domicílios sem Saneamento)
2001 2002 2003 2004 2005 BELÉM 24,66 16,22 15,26 14,01 13,40 BELO HORIZONTE 18,07 16,83 14,03 12,40 14,99 CURITIBA 10,36 12,55 8,96 8,75 7,44 FORTALEZA 36,53 29,29 34,00 38,70 32,97 PORTO ALEGRE 8,62 7,39 7,50 6,19 6,86
46,80 61,49 52,88 58,76 54,18.
RECIFE
RIO DE JANEIRO 9,76 10,85 8,80 8,53 8,37 SALVADOR 21,84 13,03 15,34 14,04 13,37 SÃO PAULO 9,27 8,91 8,55 9,18 8,09 Fonte: Valores estimados a partir dos Relatórios da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios nos anos indicados.
Elaboração própria.
No ano seguinte, 2003, Recife continua no topo da exclusão, mesmo tendo uma diminuição no seu valor percentual que passou a 52,88%. Fortaleza vem em seguida com 34% da população que sobrevive em domicílios sem acesso ao serviço de esgotamento sanitário ou não dispõem de ao menos uma fossa séptica. O menor registro foi em Porto Alegre de 7,50% de domicílios sem saneamento.
2004 e 2005, foram anos em que houve uma redução no valor percentual na maioria das regiões metropolitanas, em Belém passou de 14,01% para 13,40%, Curitiba de 8,75%
para 7,44%, no Rio de Janeiro foi de 8,53% para 8,37%, Salvador de 14,04% para 13,37 e São Paulo de 9,18% para 8,09% dos domicílios sem saneamento. Outras duas se destacaram por terem tido uma maior diminuição nos valores percentuais de população sobrevivendo em domicílios sem saneamento, que foram Fortaleza e Recife, respectivamente, de 38,70% para 32,97% e de 58,76% para 54,18%.
70, 00 60, 00 50, 00 40,00 30,00 20,00 10,00
-s-BELÉM
-~-BELO HORIZONTE CURITIBA
-,< FORTALEZA PORTO ALEGRE RECIFE
--- RIO DE JANEIRO - SALVADOR
SÃO PAULO
2001 2002 2003 2004 2005
31
Gráfico 02 — Porcentagem dos Níveis de Privações de Saneamento nas Regiões Metropolitanas do Brasil no período de 2001-2005.
Fonte: Valores estimados a partir dos Relatórios da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios nos anos indicados.
Elaboração própria.
O gráfico 02 dá uma maior dimensão dos dados apresentado. Observa-se que Recife está sempre no topo dos níveis de privações de saneamento das regiões metropolitanas, mesmo com um percentual menor em 2001. Fortaleza vem logo em seguida com uma queda mais considerável, em 2002, que foi de 29,29%, tendendo a crescer nos anos seguintes, com exceção de 2005 que voltou a diminuir. Porto Alegre tem os menores valores registrados no periodo de 2001 — 2005. A região metropolitana de Belém teve um aumento no inicio com queda nos anos seguintes. As outras se mantiveram constantes, com variações pouco significativas tanto pra mais quanto pra menos.
3.3. Privação de Coleta Sistemática de Lixo
Na tabela 04, serão apresentadas as evoluções dos níveis de privação de coleta sistemática de lixo em cada uma das Regiões Metropolitanas entre os anos de 2001 e 2005.
Observa-se que 2001 foi o ano no qual foram registradas as maiores porcentagens com relação aos anos analisados. Fortaleza teve o maior registro que foi 8,94% dos domicílios sem coleta sistemática de lixo, seguido de Recife com 8,91%. A região metropolitana de São Paulo
apresenta o menor percentual da população que sobrevive em domicílios sem coleta direta ou indireta de lixo, com 0,90% da população excluída. Porto Alegre foi a segunda com o menor percentual, cerca de 2% de privação de coleta de lixo.
Tabela 04 - Evolução dos Níveis de Privações de Coleta Sistemática de Lixo (Percentagem da População em Domicílios sem Coleta Sistemática de Lixo)
2001 2002 2003 2004 2005
BELÉM 5,66 4,68 4,93 4,52 4,25
BELO HORIZONTE 4,96 423 3,53 2,90 3,19 CURITIBA 3,65 3,15 2,62 2,71 2,40 FORTALEZA 8,94 7;32 7,85 7,74 7,34 PORTO ALEGRE
. -_- - 2,00
- -
8,91 3,44
----
4,16
-
0,90
1,82
-- -
6,09 2,28 3,79 0,69
1,64
- -
5,70 1,53 2,85 0,82
1,41 5,42 -
1,95 3,91 0,74
1,31
-- 4,03
1,69 3,28
_ -
0,48 RECIFE
RIO DE JANEIRO
- -- -
SALVADOR
--- -__
SÃO PAULO
Fonte: Valores estimados a partir dos Relatórios da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios nos anos indicados.
Elaboração própria.
Em 2002, houve uma queda no número de domicílios sem coleta sistemática de lixo em todas as regiões metropolitanas. Fortaleza continuou a apresentar o maior valor percentual de 7,32% e São Paulo o menor de 0,69%, sendo este o menor valor analisado dentre os cinco anos. Nos anos de 2003 a 2005, quatro regiões apresentaram queda na porcentagem dos domicílios privados do serviço de coleta sistemática de lixo, que foram Belém, Porto Alegre, Recife e São Paulo. Belo Horizonte teve queda nos anos de 2003 e 2004 com um aumento em 2005. Fortaleza teve um aumento em 2003 caindo nos anos seguintes. As outras três regiões metropolitanas, Curitiba, Rio de Janeiro e Salvador variaram, tendo uma queda em 2004 enquanto em 2003 e 2005 foram marcados pelo aumento no valor percentual no indicador de privação de coleta sistemática de lixo.
O gráfico 03 mostra a variação na porcentagem dos níveis de privação da coleta sistemática de lixo das regiões metropolitanas do Brasil. Observa-se que Recife apresenta as maiores quedas, em 2001 a região metropolitana tinha 8,91% e no ano de 2005 caiu pela metade o valor percentual de privações de coleta de lixo, ficando em 4,03%. Fortaleza mesmo com quedas nas porcentagens durante os cinco anos analisados, continuou a ser a região metropolitana com o maior número de excluídos da coleta sistemática de lixo, dentre todas as
33
outras. As outras regiões metropolitanas apresentaram uma diminuição em 2002, seguidas de aumentos nos anos seguintes e voltando a cair no último ano analisado. São Paulo foi a única região metropolitanas que apresentou percentuais menores que 1%, tendo quase toda a população beneficiada com a coleta de lixo.
10,00 9,00 8,00 7,00 6,00 5,00 4,00 3,00 2,00 1,00
—~ BELÉM
—.—BELO HORIZONTE CURITIBA
r FORTALEZA - PORTO ALEGRE
—~ - RECIFE
—1— RIO DE JANEIRO
—SALVADOR SÃO PAULO
2001 2002 2003 2004 2005
Gráfico 03 — Porcentagem dos Níveis de Privações de Coleta Sistemática de Lixo nas Regiões Metropolitanas do Brasil no período de 2001-2005.
Fonte: Valores estimados a partir dos Relatórios da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios nos anos indicados.
Elaboração própria.
3.4. Privação de Educação
O nível de privação de educação apresenta a porcentagem da população maior de dez anos analfabeta ou com menos de um ano de escolaridade, nas Regiões Metropolitanas no período de 2001 a 2005.
Em 2001, a maior porcentagem no número de analfabetos foi 11,94% na região metropolitana de Fortaleza, enquanto o menor registro foi em Porto Alegre com 4,55% de analfabetos. Recife também teve seu valor elevado, 10,51% de sua população maior de dez anos é analfabeta. Curitiba apresentou 7,84% de privações quase o dobro de Porto Alegre, mostrando que a região Sul, juntamente com o Nordeste, apresenta os maiores níveis de privação de educação.
i
Em 2002, houve lima diminuição nos níveis de privação de educação das regiões metropolitanas, com exceção de Belo Horizonte que passou de 5,95% para 6,21% e Porto Alegre de 4,55% para 4,60%. No ano de 2003, somente quatro das regiões metropolitanas tiveram queda, sendo estas: Belo Horizonte (5,91%), Curitiba (5,14%), Fortaleza (11,17%) e Porto Alegre (4,51%).
No ano de 2004, somente três regiões metropolitanas tiveram aumento nos percentuais da população maior de dez anos analfabeta, Curitiba (5,49%), Fortaleza (11,50%) e Rio de Janeiro (5,19%). Em 2005, encontram-se os menores níveis de privação da educação dentre os anos analisados, as regiões metropolitanas que apresentam estes valores percentuais são:
Belém (5,08%), Belo Horizonte (5,45%), Curitiba (4,81%), Fortaleza (10,38%), Porto Alegre (4,02%), Recife (8,25%) e Rio de Janeiro (4,94%).
Tabela 05 - Evolução dos Níveis de Privações de Educação (Percentagem da População em Domicílios sem Educação)
2001 2002 2003 2004 2005
BELÉM 5,69 5,50 6,04 5,80 5,08
BELO HORIZONTE 5,95 6,21 5,91 5,74 5,45 CURITIBA 7,84 5,55 5,14 5,49 4,81 FORTALEZA 11,94 11,26 11,17 11,50 10,38 PORTO ALEGRE 4,55 4,60 4.51 4,29 4,02
RECIFE 10,51 9,19 10,09 8,25
RIO DE JANEIRO 6,63 5,37 4,83 5,19 4.94
SALVADOR 7,76 7,40 7,52 5,81
SÃO PAULO 6,26 6,15 6,40 5,84 5,95 Fonte: Valores estimados a partir dos Relatórios da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios nos anos indicados.
Elaboração própria.
Verifica-se que a menor privação de educação dentre os anos de 2001 e 2005 está na região metropolitana de Porto Alegre e a maior em Fortaleza. Na qual, a população de Fortaleza apresenta mais da metade na porcentagem de excluídos com relação a Porto Alegre.
A região Nordeste é a que apresenta os maiores percentuais da população maior de dez anos com até um ano de escolaridade ou analfabetas. Curitiba também apresenta um percentual alto em 2001, 7,84%, comparável com os do Nordeste, mas no decorrer dos cinco anos estudados esta porcentagem decresceu e chegou a 4,81% da população sem instrução.
14, 00 12, 00 10, 00 8,00 6,00 4,00 - 2,00
35
-4- BELÉM
—0—BELO HORIZONTE CURITIBA
FORTALEZA
—)K-- PORTO ALEGRE
—4)— RECIFE
—i—RIO DE JANEIRO - SALVADOR
SÃO PAULO ---~~-~—~~
2001 2002 2003 2004 2005
Gráfico 04 — Porcentagem dos Níveis de Privações de Educação nas Regiões Metropolitanas do Brasil no período de 2001-2005.
Fonte: Valores estimados a partir dos Relatórios da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios nos anos indicados.
Elaboração própria.
Analisando o gráfico 04, pode-se ver que as regiões metropolitanas com maiores porcentagens da população analfabeta são Fortaleza, Recife e Salvador, pertencentes à região Nordeste. Com exceção de Curitiba e das regiões metropolitanas do Nordeste, as demais mantiveram seus valores percentuais praticamente constantes, com variações não muito significativas.
3.5. Privação de Renda
Lemos (2005), mostra que o indicador Privação de Renda foi desenhado tendo como ponto de referência o nível de renda per capita diária estabelecida pela ONU como linha de pobreza. Segundo a ONU, uma pessoa é considerada pobre quando sua renda diária não ultrapassa 1 (um) dólar americano por dia. Baseando-se neste conceito de pobreza, a privação de renda será analisada pelo percentual da população que sobrevive em domicílios particulares cuja renda diária por pessoa é menor ou igual a 1 (um) dólar americano, nas regiões metropolitanas no período de 2001 a 2005.
Tabela 06 - Evolução dos Níveis de Privações de Renda (Percentagem da População em Domicílios sem Renda)
2001 2002 2003 2004 2005 BELÉM 34,00 34,48 35,48 34,84 38,34 BELO HORIZONTE 22,85 25,15 26,70 25,38 27,48 CURITIBA 18,82 17,29 19,81 19,14 20,34 FORTALEZA 40,30 39,31 46,03 43,24 44,62 PORTO ALEGRE 17,11 20,20 20,53 19,09 22,15 36,75 40,77 44,21 45,61 45,92 RECIFE
RIO DE JANEIRO 19,70 20,98 23,63 22,16 25,71 SALVADOR 34,28 35,59 42,75 39,15 40,79 SÃO PAULO 16,29 16,88 19,48 19,75 20,36 Fonte: Valores estimados a partir dos Relatórios da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios nos anos indicados.
Elaboração própria.
Pela tabela 06, verifica-se que o ano de 2001 foi o que apresentou as menores porcentagens, nas regiões metropolitanas do Brasil, da população sem renda durante os cinco anos analisados. O menor valor percentual foi em São Paulo (16,29%), sendo a menor porcentagem registrada durante o periodo estudado. A maior porcentagem foi na região metropolitana de Fortaleza, com 40,30% de sua população sem renda. Os maiores registros estão nas regiões Norte e Nordeste, que são Belém (34%), Recife (36,75%) e Salvador (34,28%), além de Fortaleza no qual já foi citado.
Em 2002, Recife passou a ter a maior porcentagem da população privada de renda, com 40,77%, e em seguida, Fortaleza com 39,31%. São Paulo (16,88%) continuou com o menor número de pessoas sem renda. No ano de 2003, houve um aumento na população sem renda de todas as regiões metropolitanas brasileiras. O maior registro foi em Fortaleza, com um aumento bastante significativo, com 46,03% da população em domicílios cuja renda total era de no máximo dois salários mínimos.
As regiões metropolitanas do Sul do país registraram em 2004 os menores níveis privação de renda, Porto Alegre com 19,09% e Curitiba com 19,14% da população sem renda.
Recife apresentou o maior valor percentual de população privada de renda, com 45,61%, dentre as regiões metropolitanas. Em 2005, Curitiba tinha 20,34% da população privada de renda, enquanto Recife tinha 45,92%, ou seja, mais que o dobro da porcentagem do menor registro entre as regiões metropolitanas. As regiões Norte e Nordeste continuaram com os