Educação, Continuada
na Area
de Biblioteconornia
nos Estados Unidos
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CDU 02:37(73)
Geneviéve M. Casey**
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[ o s E s t a d o s U n i d o s , a e d u c a ç ã o c o n t i -u a d a v e m - s e t o r n a n d o i m p r e s c i n d t v e l ~ r a o b o m d e s e m p e n h o p r o fi s s i o n a l d o f; b l i o t e c á r i o . E s t u d o s d e m o n s t r a r a m q u e a ~ m i n i s t r a ç ã o d e b i b l i o t e c a s , a a p l i c a ç ã o
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n o v a s t e c n o l o g i a s e o e s t a b e l e c i m e n t oe s e r v i ç o s p a r a g r u p o s e s p e c i a i s d e c o n s u -~ n t e s s ã o á r e a s q u e d e v e m m e r e c e r
priori-u d e . S i s t e m a s d e r e c o n h e c i m e n t o o fi c i a l
de
r e s p o n s a b i l i d a d e s d e p a t r o c i n i o d e ~ r s o se a t i v i d a d e s d e e d u c a ç ã o c o n t i n u a-an ã o fo r a m a i n d a e s t a b e l e c i d o s .
Cada vez mais, nos Estados Unidos, bibliotecários e professores de biblioteco-nomia estão conscientes não só da neces-sidade de preparo, em alto nível, dos bi-bliotecários que vão entrar no mercado de trabalho, mas também do aperfeiçoamento profissional dos bibliotecários que dele participam.
A educação continuada de bibliote-cário é responsabilidade a ser comparti-lhada por: escolhas de biblioteconomia, bibliotecas estaduais, associações nacionais de bibliotecas ( A m e r i c a n L i b r a r y A s s o c i a -t i o n , S p e c i a l L i b r a r y A s s o c i a t i o n , M e d i c a l L i b r a r y A s s o c i a t i o n , etc.), associações esta-duais e regionais de bibliotecas, sistemas de bibliotecas e bibliotecas municipais. Duran-te a última década as escolas de pós-gra-duação em biblioteconomia, que se dedica-ram quase que exclusivamente a preparar candidatos para mestrado e doutorado em biblioteconomia, estão-se preocupando
tam-Resum o de conferência sobre "Continuing Library Education", pronunciada no Dep-to. de Biblioteconom ia e Docum entação da ECA/USP, em 22 de m aio de 1979. Traduzido por M ay Brooking Negrão, Di-retora do Departam ento de Bibliotecas Públicas da Prefeitura de São Paulo.
** Professora da Library School da W ayne State University Detroit, USA.
Cenevíêve M . Casey
especialistas em saúde e previdência social, com ampla colaboração da comunidade, estão auxiliando pessoas com defeitos men-tais a atingir todo o seu potencial humano. Os bibliotecários estão sentindo, mais in-tensamente agora, que todos, inclusive os. deficientes mentais, necessitam ter acesso ao registro do conhecimento humano, pois toda pessoa necessita de informação. Fazer com que pessoas analfabetas tenham acesso ao conhecimento e à informação é outro desafio que se apresenta aos bibliotecários. Estes necessitam conhecer os recursos não impressos, estar preparados para avaliar o material existente destinado ao adulto neo-alfabetízado e entender os paradigmas de aprendizagem dos deficientes mentais. Os bibliotecários também estão cons-cientes da necessidade de serem instruídos quanto às carências especiais de grupos, tais como membros do governo. Precisam entender como os funcionários públicos de vários níveis utilizam o registro do conhecimento; além disso, precisam saber também quais as ferramentas de que po-derão necessitar para recuperar imediata-mente as informações de várias fontes, e como condensar, avaliar e acondicionar a informação.
Embora cada bibliotecário tenha a sua própria necessidade de educação con-tinuada, as três áreas - administração de bibliotecas, uso de nova tecnologia e pla-nejamento de serviços e materiais apropria-dos a grupos específicos - se sobressaem nas determinações das necessidades em todo o país. A essência da educação conti-nuada em biblioteconomia está claramente indicada .
Porém, quatro questões não são fáceis de responder:
1) Quem patrocina a educação conti-nuada?
2) Como a educação continuada, num país de grande dimensão, pode atin-gir as pessoas mais necessitadas de treinamento, as que estão mais dis-tantes dos locais de treinamento? A Educação continuada na área de Biblioteconomia nos Estados Unidos
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foram interrogados bibliotecários e adll1i. . sobre o que pode ser compartilhadonistradores de todos os tipos de biblioteca: idéla~ibliotecase o que deve ser duplicado. pública, escolar, especial, de escolas isola. po~adicional biblioteca municipal autõno-das de ensino superior (college) e, tambéill ~
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conhecemos está sendo substituída de universidades. Alguns projetos de deter: JIIa~m novo tipo de rede de bibliotecas. minação de ~ec~ssid~~es foram, dirigidos pO}atodo circuito fechado de televisão ter somente aos bibliotecários com pos-gradua. O tencialidade de levar informação deção do 19 grau (rnestrado); ~u~ros inclUí. ~J'~íduOS que a buscam, nas telas de
tele-ram pessoal de apoio em bibliotecas Ou ~ de seus lares poderia revolucionar o
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mesmo elementos dos conselhos dlfetores d de fornecimento dos serviços de fo~ad?~ por mem~ros da comu~id~de, Os~~Ji~tecas e dos seus registros ..
quais dirigem a maior parte das biblIotecas A tecnologia relacionada à redução públicas. As necessidades de educação cor, d tamanho dos registros - do impresso à tinuada ou aperfeiçoamento, de acordo e. oforma ou até mesmo à fita
magné-d . di três á d Jl\Icr
com estes estu os, in icam res are as e. _ pode tornar obsoletos os atuais
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maior pre~c~paçao: .. prédios de biblioteca. O sucesso do M ARC 1) administração de bibliotecas; . (Cópia do catálogo em forma legível à
2) uso de autornação e outras tecnologia máquina), da Biblioteca do Congresso
modernas; . . Americano, possibilitou nova centralização 3) serviços para grupos especiais. de registros bibliográficos, novos modos de
. . . . partilhar catalogação, de recuperar infor-. . Ad~lstr~çã~ de blbl~o~ecas~ para mação dos registros de conhecimento e de biblíotecários, Significa administração de localizar materiais, facilitando, assim, o pessoal, orçamento, etc. A necessidade deempréstimo interbibliotecas. A evolução da maior conhecimento de técnicas de. a?mi. tecnologia, que possibilita inovações a cada nistração se manifesta em todos os bibliote mêse a cada ano, afeta bibliotecas de todos cários de qualquer nível, desde aquele.sos tipos e tamanhos, exigindo educação operando bibliotecas com apenas um b,· continuada dos bibliotecários nesta área de bliotecário, em escolas pequenas, hospitas grandedinamismo.
ou empresas, até os responsáveis, a nível A terceira preocupação do bíblíote-médio e superior, pelos sistemas de biblio cãríocom sua educação continuada relacio-tecas com orçamentos de milhões dena-se ao atendimento das necessidades de dólares. grupos de clientela especial, anteriormente
A segunda necessidade de educaçãO não atendida ou atendida ínadequadamen-continuada identifica da foi a de aprendiz~ te. ~ntre esses grupos estão os idosos, mi-do para se poder aplicar, nas bibliotecas, nonas étnicas e culturais, os institucionali-uma ampla variedade de novas tecnologís' zados, os excepcionais, os portadores de Estas incluem não só computador, quedefeitos físicos, assim como os grupos que agora emerge como uma ferr~enta ~ant~~oseguem: indústria e co~ércio, pesquisa-.para a organização e recuperaçao da mfor gra~S, pro!essores do e?~m~ de 19 e. 29
mação, como para os serviços complerre" fedeS ~ legisladores mumcipars, estaduais e tares - folha de pagarnento.contabílídad- ralS. . .. etc como também outras tecnologias / Por exemplo, pacientes excepcionais, mi~~oformas e xerografia à longa distância-~ Estados yni?o~, estão s~n.do remov~dos O fato, por exemplo, de as páginas imP!e~ res gran~es instituições s~clals com milha-sas poderem agora ser transmitidas em ~ n de leitos (agora consideradas desuma-nutos a longas distâncias, por fio telefôrUcop~ Para l~re~ co~~nitá?os de pequeno ou satélite, está revolucionando noss~ e. Os biblíotecáríos, Juntamente com bém com a educação continuada. Como
prova dessa tendência, as escolas de bíblio-teconomia das Universidades de M ichigan, do Kentucky e da Universidade Estadual de W ayne já designaram um membro do corpo docente para coordenar os cursos de educação continuada. Já nos meados da década de sessenta, a Escola de Bíblíoteco-nomia da Universidade de Indiana patroci-nara um cargo no seu corpo docente, criado pela Universidade juntamente com a Biblio-teca Estadual de Indiana, destinado a efetuar pesquisa pertinente e a treinar bi-bliotecários daquele Estado.
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A s s o c i a ç ã o d a s E s c o l a s A m e r i c a n a s d e B i b l i o t e c o n o m i a dispõe hoje de um Comitê Permanente de Educação Continua-da que planeja, como parte de sua ativiContinua-da- ativida-de, uma conferência preliminar anual para a atualização dos seus professores.Em 1974, a C o m i s s ã o N a c i o n a l d e B i b l i o t e c a s e C i ê n c i a d a I n fo r m a ç ã o patro-cinou um estudo sobre as necessidades de educação continuada de bibliotecários de todos os níveis com atividades profissionais em todos os tipos de bibliotecas. Deste tra-balho resultou a CLENE ( R e d e d e E d u c a -ç ã o C o n t i n u a d a e m B i b l i o t e c o n o m t a i , or-ganização destinada a coordenar a educa-ção bibliotecária, a nível nacional, e a .disseminar informação sobre as
oportuni-dades de educação continuada em todo o país. Duas grandes preocupações da CLENE são: estimular a avaliação das ne-cessidades de educação continuada entre bibliotecários de vários estados e regiões e propor um sistema nacional de reconheci-mento, que inclua não só os cursos que dão créditos acadêmicos, mas também oportu-nidades de aprendizagem, que não dão créditos, patrocinadas por associações de biblioteca, bibliotecas estaduais e munici-pais, assim como universidades.
-Durante a última década, as avalia-ções das necessidades foram realizadas por várias bibliotecas estaduais, escolas de biblioteconomia e associações estaduais e municipais de bibliotecas. Nesses trabalhos
Genevíêve M . Casey
3) Como pode a educação continuada ser reconhecida (promoção, salário, etc.) e/ou ser oficializada no exercí-cio profissional?
4) Como poderia a responsabilidade pela educação continuada ser dividi- . da entre instituições, associações e universidades atualmente envolvidas no processo?
Estas são perguntas que nos Estados Unidos ainda não tiveram uma resposta definitiva dos profissionais.
A nível federal, pela Lei de Educação Superior de 1965, o M inistério da Educação dos Estados Unidos concedeu dotações para "institutos" (que patrocinam cursos intensivos de curta duração, sem concessão de créditos), destinados a preparar os bi-bliotecários para atenderem às prioridades da nação, tais como: serviços aos deficien-tes e aos institucionalizados. Geralmente, mas não sempre, as bolsas são concedidas a cursos de pós-graduação de escolas reco-nhecidas pela
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A m e r i c a n L i b r a r y A s s o c i a-t i o n , patrocinando todos os custos institu-cionais e fornecendo ajuda de custo aos participantes.
Embora estas instituições nacionais (ou regionais) venham oferecendo educa-ção continuada para uma minoria de bi-bliotecários, dentre os milhares que a necessitam, assim mesmo conseguiram
alertar as escolas de biblioteconomia 'quanto às necessidades de educação con-tinuada, servindo, portanto, como elemen-tos catalizadores.
Pressões inflacionárias sobre as ins-tituições que suprem as necessidades de educação continuada e, também, sobre bibliotecas locais e bibliotecários, acar-retaram um problema crucial: decidir quem deve arcar com as despesas de educação continuada em biblioteconomia ou como o custo pode ser dividido entre institui-ções. M uitas vezes os problemas orçamen-tários fazem com que a educação conti-nuada seja o primeiro programa a ser eliminado.
Com o aumento do custo de Vi os bibliotecários não têm condições,: podem ou não querem arcar com de sas cada vez maiores dos custos de e~ cação. Alguma fórmula, ainda a ser contrada, poderá permitir que se diyj~
eqüi~ativamente os. cu~t~s da educ~ continuada entre o. índívíduo, que, c~ profissional, deve ter responsabilidade PtI sua própria competência e aperfeiço~ to, a biblioteca local, que deve estar selll~ empenhada no aprimoramento de ~ pessoal, a escola de biblioteconomia
e,
governos, a nível federal e estadual.A questão do reconhecimento e(
relacionada com a questão dos enc~ financeiros e com a educação continu~ em biblioteconomia. Algumas profisSÕe nos Estados Unidos, como a dos mIl cos, exigem comprovação de educ~ continuada, para renovação da lice~ profissional.
Como os bibliotecários, nos Esta~ Unidos, não são, de modo geral, licenci dos como os médicos e os advogados, e! padrão de reconhecimento não p31ll apropriado. O estado de M ichigan, naI
recém-promulgada regulamentação para credenciamento de bibliotecários público exige para o mesmo não s6 o mestradoI
biblioteconomia, mas também prova I continuidade de educação, seja atravési
cursos universitários, que lhe fomes créditos acadêmicos ap6s o mestrado, ( experiências reconhecidas, porém '/. créditos acadêmicos. Algumas profisstt como a de professores de 19 e 29 graU relacionam educação continuada nãoI
mente à manutenção de seu credenç mento, como também a aumentos salatiJi
Até o 'momento, o reconhecímé da educação continuada como fator, aumento salarial s6 ocorre entre os es~ listas em m e d i a , nas escolas.
Um sistema organizado de reconb~ mento da educação continuada implica~ só num sistema aprovado de recompe~ mas também num controle de qualida
R. bras. Bibliotecon. e Doc. 13 (1/2): 79-83,jan./juJl
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Em suma, é consenso crescente nos meios biblioteconômicos que:
1) se esta profissão é a fornecedora de serviços responsáveis de informação para o povo americano, a educação continuada é tão necessária quanto a educação anterior ao início de uma carreira;
2) a educação continuada, no momen-to, deve se concentrar em adrninis-tração de bibliotecas, aplicação de novas tecnologias e serviços para grupos especiais;
3) devem ser estabelecidos sistemas do reconhecimento para oficializar a educação continuada e assegurar à
sua qualidade;
4) deve ser desenvolvido um sistema racional para dividir a responsabili-dade pela educação continuada entre as escolas de biblioteconomia, asso-ciações de biblioteca, bibliotecas locais e cada bibliotecário;
5) os governos municipais, estaduais e federal precisam compartilhar de maior responsabilidade para assegurar que o povo americano seja atendido, na área de atuação da. bibliotecono-mia, por profissionais que se atuali-zem continuamente, tendo em vista a realidade da pressão inflacionária que atinge a todas as bibliotecas, universi-dades, associações de bibliotecas e cada bibliotecário em particular. A Educação continuada na área de Biblioteconomia nos Estados Unidos
sistemas de registro para experiências que não concedam créditos acadêmicos. Todas as pessoas concordam que cursos universi-tários formais após o mestra do, conceden-do créditos que levem a um grau de conceden-doutor, ou certificado e especialização, não são os únicos meios de um bibliotecário aperfei-Çoar as suas qualidades profissionais. Um fator a ser determinado é a equivalência entre os trabalhos de um curso acadêmico formal e as alternativas de seminários in-formais, ou estudo individual; é uma ques-tão a ser estudada. O conceito da U n i d a d e d e E d u c a ç ã o C o n t i n u a d a (UEC), oferecida e registrada como experiência que não con-cede crédito, porém com controle estrutu-rado de qualidade, tanto pelas universida-des, como pelos sistemas de bibliotecas ou associações de bibliotecários, é apontado como uma solução parcial para o problema de reconhecimento.
Alguns sistemas recentes ou um pouco mais antigos de educação continua da incluem conferências para indivíduos ou grupos de bibliotecários, por telefonia, por televisão e por correspondência. No sudoeste americano, uma região interesta-dual de população relativamente escassa, a Associação dos Bibliotecários do Sudoeste formou uma agência interestadual destina-da a promover a educação continuada através de equipes que viajam constante-mente por toda região.