Aula 11
Conhecimentos Específicos para SEDUC GO
Prof. Danuzio Neto
SUMÁRIO
SUMÁRIO 2
A QUEDA DA MONARQUIA 3
OIMPERADORCANSADOESEMHERDEIRO 6
REPUBLICANISMO 8
PROCESSO DE ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA 9
AMANOBRADAPRINCESAISABEL 13
DESAVENÇAS COM A IGREJA CATÓLICA 17
ATRITO COM OS MILITARES 18
A TENTATIVA FRUSTRADA DE MANTER A MONARQUIA 20
REAÇÃODEDOMPEDROII 22
QUESTÕES COMENTADAS PELO PROFESSOR 23
LISTA DE QUESTÕES 36
GABARITO 45
RESUMO DIRECIONADO 46
A QUEDA DA MONARQUIA
Em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I proclamou a Independência do Brasil, dando início ao Primeiro Reinado (1822-1831). Diferentemente das outras ex-colônias da América, o Brasil adotou a monarquia como forma de governo.
Em 1840 começou o Segundo Reinado, com Dom Pedro II o imperador. Nesse período, o Brasil passou por diversas modificações internas e viu a economia reaquecer por meio do cultivo do café, que passou a ser o principal produto gerador de riqueza.
A estrutura econômica brasileira continuava a mesma do Período Colonial. Ou seja, o latifúndio predominava como propriedade rural, a mão de obra continuava sendo escrava negra, e mantinha-se a monocultura voltada para a exportação.
A Queda da Monarquia brasileira iria iniciar um novo período da nossa História, o Brasil República. Mas, afinal de contas, o que é uma monarquia e o que é uma república?
Fique atento!!
Monarquia e República são FORMAS DE GOVERNO. Entre elas, há as seguintes principais diferenças:
MONARQUIA – Forma de governo na qual um rei ou imperador exerce o poder, geralmente passado de pai para filho.
REPÚBLICA – Forma de governo em que um ou vários indivíduos eleitos pelo povo exercem o poder por tempo determinado.
Dom Pedro I, que proclamou a Independência do Brasil em 1822, ficou no poder por apenas nove anos. Por pressões internas, abriu mão de seu trono em favor de seu filho, o futuro Dom Pedro II, que na época era apenas uma criança, com 5 anos de idade. Com essa idade, obviamente, ele não poderia governar o Brasil.
Então, enquanto o Imperador de direito não assumia o trono, nosso país foi governado por REGENTES. O período das Regências durou de 1831 a 1840 (praticamente o mesmo tanto de tempo que Dom Pedro I ficou à frente do poder no Brasil).
Em 1840, quando Dom Pedro II completou 14 anos, SUA MAIORIDADE FOI ANTECIPADA e ele pôde assumir o cargo de imperador do Brasil. Durante a maior parte do seu reinado o Brasil viveu um período de paz e estabilidade. Mas com o passar do tempo, a monarquia começou a entrar em crise.
A partir da década de 1870, a monarquia passa a ser questionada por diversos setores da sociedade brasileira. Esse fato, aliado a outros acontecimentos, foi desgastando essa forma de governo.
O declínio e queda de Dom Pedro II do Brasil, o segundo e último monarca brasileiro, iria ocorrer de maneira ainda mais intensa no decorrer da década de 1880. Este período coincidiu com uma época de grande progresso e estabilidade econômica e social, então inéditos, no Império do Brasil. Neste período, a nação conseguiu crescer internamente e alcançar um lugar de destaque como potência emergente no cenário internacional.
Muitas provas, inclusive, tentam confundir o candidato dizendo que crises econômicas foram fundamentais para a queda do Império. Esse raciocínio é ERRADO.
Além da estabilidade econômica do Império, Dom Pedro II foi derrubado e enviado ao exílio mesmo sendo amado pela maioria esmagadora de seu povo e tendo aclamação internacional. Enquanto o imperador esteve no
poder, estes fatores foram fundamentais para o avanço de grandes reformas socioeconômicas de cunho liberal no país. Ou seja, governo e governante gozavam de prestígios que, teoricamente, seriam capazes de sustentá-los.
Naquele momento, o Império gozava de incrível prosperidade e influência.
Enquanto Dom Pedro II era um governante altamente bem-sucedido. A República que o substituiu, por outro lado, foi marcada por mais de um século de ditaduras e instabilidade política.
Apesar da boa imagem do imperador perante à população, a sua saúde, a partir de 1881, entra num período de piora. Por este motivo, Pedro afastou-se gradualmente dos assuntos públicos. Para piorar a situação do Império, Isabel, a herdeira do trono, não demonstrava grande interesse em suceder o pai.
Mesmo com essa situação sensível, ambos eram amados pelo povo brasileiro, que ainda apoiava a monarquia. Foi a indiferença com o poder, tanto do imperador quanto de sua filha, portanto, que permitiu que a descontente minoria republicana, formada principalmente por oficiais militares insubordinados e fazendeiros insatisfeitos com o fim da escravidão, pudesse levar adiante as ideias republicanas que, desde o século XVIII, motivava movimentos rebeldes no país. São exemplos de movimentos com algum tipo de motivação republicana, a Inconfidência Mineira, a Conjuração Baiana, a Revolução Pernambucana, a Confederação do Equador e a Guerra dos Farrapos, por exemplo.
FOTO DE DOM PEDRO II
Fonte: Foto de Lucien Walery, em 1887
Se havia prestígio por parte do Império e do imperador, além de estabilidade econômica do país, quais fatores levaram à queda do Império?
Além da desconfiança de interferência de um estrangeiro, o francês Conde d´Eu, marido da princesa Isabel, no terceiro reinado, a crise que contribuiu para a queda da Monarquia foi ocasionada também pelos seguintes fatores:
• MOVIMENTO ABOLICIONISTA;
• QUESTÃO RELIGIOSA;
• MOVIMENTO REPUBLICANO;
• QUESTÃO MILITAR.
Vejamos a seguir uma questão que pergunta justamente sobre as causas da Queda do Império.
Questão para fixar!
(CESPE/CEBRASPE - Instituto Rio Branco - 2014)
O Segundo Reinado compreende quatro décadas, abrangendo desde o golpe da Maioridade (1840) à Proclamação da República (1889) e determinando quatro períodos, que podem ser apontados como a mais longa fase da história política do Brasil. Houve um primeiro período, de organização, do Segundo Reinado — de 1840 a 1850 —, que primou pela repressão aos levantes regionais do período regencial, preparação do imperador e montagem do aparato legislativo para garantir a ordem constitucional. O segundo período — de 1850 a 1864 — caracterizou-se por certa estabilidade, quando se implementaram as primeiras iniciativas materiais de porte. No terceiro período — de 1864 a 1870 —, sobressaiu a campanha da guerra contra o Paraguai, transformada em questão nacional. O último período — de 1870 a 1889 — foi marcado não só pelo desenvolvimento econômico, mas também pelo aprofundamento das contradições, ampliado com a propaganda republicana.
Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil: uma interpretação. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2008, p. 462-8 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial, julgue (C ou E) os itens seguintes, considerando o quadro de crise que leva à queda do regime monárquico e a sua substituição pelo regime republicano.
O texto sugere que uma das principais causas do enfraquecimento do regime monárquico foi a sua incapacidade de reorientar os rumos da economia brasileira nos anos que se seguiram ao fim da Guerra do Paraguai: a queda brusca dos preços do café no mercado internacional acarretou retrocesso econômico e instabilidade política.
( ) Certo ( ) Errado Comentário:
ERRADO. "O texto sugere que uma das principais causas do enfraquecimento do regime monárquico foi a sua incapacidade de reorientar os rumos da economia brasileira nos anos que se seguiram ao fim da Guerra do Paraguai: a queda brusca dos preços do café no mercado internacional acarretou retrocesso econômico e instabilidade política."
O próprio texto fala que o período de 1870-1889 foi marcado por desenvolvimento econômico.
Gabarito: ERRADO
O IMPERADOR CANSADO E SEM HERDEIRO
O reinado de Dom Pedro foi longo, durou aproximadamente cinco décadas. Ao final, o imperador já estava cansado e sofrendo de várias doenças.
Neste cenário, o imperador ausentava-se cada vez mais das decisões do império.
Nos últimos anos do Império, era relativamente comum observar Dom Pedro II caminhando pelas ruas da cidade (algumas vezes cercado por crianças), olhando frutas nos mercados e experimentando a comida servida aos estudantes em visitas a escolas. Dom Pedro II, no fim das contas, tentava viver uma vida comum. Neste processo, ele aboliu vários rituais da monarquia, como o beija-mão, em 1872, e a Guarda dos Arqueiros, em 1877.
O Paço Imperial, onde o governo se reunia, foi praticamente abandonado assim como o Paço de São Cristóvão.
O diplomata austríaco barão Joseph Alexander Hübner, em 1882, relatou:
Encontro o Palácio de São Cristóvão como sempre. É o castelo encantado dos contos de fada. Uma sentinela à porta e fora disso nem viva alma. Erro só pelos corredores que circundam o pátio. Não encontro ninguém, mas ouço o tilintar dos garfos num quarto ao lado onde o Imperador janta só com a Imperatriz sem o seu séquito, que se compõe de uma dama e de um camareiro.
Ao fim deste processo Pedro passou a ser visto como "um grande cidadão" pelo povo, ao mesmo tempo, porém, a sua imagem simbólica de autoridade como monarca foi diminuída.
Em 1883, o jornalista Carlos von Koseritz escreveu:
"Passa-se uma coisa rara, na situação do Imperador: ele não possui nenhuma fortuna pessoal e sua lista civil, já de si insuficiente, vai na maior parte para obras de beneficência, de modo que ele não pode manter nenhuma pompa na corte, nem pode fazer nada para dar brilho às suas residências [...] Sem dúvida isso é muito honroso para o homem, mas contribui pouco para dar o necessário prestígio ao Imperador ".
Além do cansaço de Dom Pedro II, a ausência de um herdeiro também fragilizava a situação da Monarquia.
Pedro demonstrava grande amor e admiração pela sua única filha viva, a Princesa Isabel, porém, ele considerava que uma sucessora feminina era inadequada para ser governante do Brasil. Essa visão patriarcal era também compartilhada pela classe política, que nutria desconfianças sobre a possibilidade de ser liderada por uma mulher.
A própria Princesa Isabel não demonstrava interesse em assumir a posição de monarca. Ela não fez nenhum esforço para criar um campo político no seu entorno. Além disso, suas visões e crenças não eram politicamente interessantes e tinham pouco apelo popular. Ela era católica fervorosa e parecia bastante satisfeita com a vida aristocrática e sem grandes compromissos que tinha.
Apesar de ser pintado como um ardiloso que pretendia tomar o trono para si, o marido da Princesa Isabel, o príncipe Gastão, Conde d'Eu, também demonstrava desinteresse pelo trono. Ele era tímido e evitava demonstrações de luxo. A imagem que pintavam dele, no entanto, é que se tratava de um estrangeiro ganancioso.
O certo, porém, é que a perspectiva de um estrangeiro como Conde d´Eu se tornar consorte prejudicava ainda mais as perspectivas de Isabel para se tornar imperatriz.
Nas décadas finais do Império, portanto, tínhamos um imperador cansado que não mais se importava com o trono e uma herdeira que não demonstrava interesse em assumir a coroa. No fim das contas, tudo parecia indicar o fim iminente da monarquia. Apesar das condições desfavoráveis, Dom Pedro II acreditava que o apoio de seus súditos era imutável.
Por esses fatores e a falta de uma resposta enérgica por parte do imperador, costuma-se responsabilizar o próprio Dom Pedro II, principalmente, pela queda da monarquia.
REPUBLICANISMO
Outro fator que contribuiu para a queda da Monarquia foi o avanço do republicanismo, um movimento político que surgiu no Brasil de maneira duradoura em dezembro de 1870, na província do Rio de Janeiro, com a publicação de um manifesto assinado por sessenta pessoas e a criação de um Clube Republicano.
O republicanismo era defendido por uma minoria de acadêmicos e não diferenciava da monarquia na questão da escravidão, já que o seu manifesto nada falava sobre o tema.
Em 1873, quando o Partido Republicano da província de São Paulo foi criado, afirmou-se que a escravidão teria de ser resolvida pelos partidos monarquistas, o Partido Conservador e o Partido Liberal. Isso aconteceu porque muitos republicanos paulistas eram também fazendeiros donos de escravos.
O objetivo da maioria dos republicanos era aguardar a morte de Dom Pedro II e impedir, em seguida, a ascensão da Princesa Isabel – fosse por meio de um plebiscito, fosse por outra forma pacífica.
No Brasil, os republicanos estavam numa posição de tão pouco prestígio e possuíam tão pouca conexão nacional que, na eleição de 1884, só conseguiram eleger dois deputados para as eleições de 1884 para a Câmara dos Deputados. Na eleição de 1889, nenhum parlamentar foi eleito para a última legislatura do império em 1889.
Os republicanos não tinham o tamanho, organização e apoio popular suficiente para derrubar a monarquia, como o próprio movimento reconhecia.
Em 1870, Dom Pedro II demonstrou pouco interesse no manifesto republicano.
O imperador, por exemplo, mesmo sendo aconselhado do contrário, recusou-se a proibir os republicanos de se tornarem funcionários públicos. O imperador ainda contratou o oficial militar republicano Benjamin Constant como professor de matemática para seus netos.
Dom Pedro II também permitiu atividades republicanas públicas, como jornais, assembleias, encontros e partidos políticos. Além disso, o imperador também isentou deputados republicanos eleitos de realizarem o juramento de lealdade à coroa.
PROCESSO DE ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA
O primeiro grande motivo para a proclamação da República foi a questão da escravidão. Como a maior força política do país era a dos cafeicultores, donos da grande maioria de escravos do país, a Abolição da Escravatura, em 1888, abriu espaço para que este segmento poderoso da sociedade ficasse descontente com a Monarquia e passasse a apoiar a derrocada desta forma de governo.
Principalmente a partir da segunda metade do século XIX, o império passou a ser pressionado por outros países para libertar os negros cativos, e por esse motivo, foi decretando leis que, na prática, não significavam grandes avanços, apenas criavam expectativa para o fim da escravidão no futuro.
Em 1871, por exemplo, Dom Pedro II aprovou a Lei do Ventre Livre, que determinava que todos os escravos nascidos a partir daquela data seriam livres.
Os grandes cafeicultores, poderosos, eram contrários à abolição da escravatura. Além disso, o fim da escravidão foi entendido também como forma de traição do Império contra os fazendeiros, já que não houve indenização ou qualquer compensação financeira para as perdas de escravos.
Passo efetivo 1 – O FIM DO TRÁFICO DE ESCRAVOS - Lei Eusébio de Queirós
O comércio negreiro só foi efetivamente proibido com a LEI EUSÉBIO DE QUEIRÓS, de 1850.
Esse é o que chamo de PASSO 1 PARA O FIM DA ESCRAVIDÃO NO BRASIL, o FIM DO TRÁFICO NEGREIRO.
Em 1850, quando essa lei foi publicada, a continuidade da escravidão no Brasil ficava cada vez mais insustentável, pois colocava o país entre as nações vistas como "não civilizadas".
O fim do tráfico negreiro, que foi alcançado com a Lei Eusébio de Queirós, significava um grande passo para o caminho civilizatório para o qual o Brasil queria caminhar.
Ela, porém, não foi formulada de maneira totalmente espontânea, já que a esquadra britânica atacou a costa brasileira belicamente apenas dois meses antes da aprovação da lei Eusébio de Queirós, pressionando pelo fim do tráfico de escravos no Brasil.
Lei do Ventre Livre
Posteriormente, em 1871, é publicada a LEI DO VENTRE LIVRE, que decretava que todo escravo nascido a partir de sua vigência seria considerado livre.
Como essa lei obrigava que os “senhores” dos escravos poderiam alforriá-los aos 8 anos (com indenização ao “senhor” do escravo) ou aos 21 anos (sem indenização).
Essa lei teve efeitos práticos mínimos, pois os escravinhos deveriam ficar nas fazendas até os oito anos de idade, e depois disso só seriam libertos se pagassem ao dono da fazenda uma indenização, e como quase nunca conseguiam pagar, tinham de trabalhar como escravos até os 21 anos.
Passo efetivo 2 – Dava liberdade aos negros com mais de 65 anos - Lei dos Sexagenários
Na década de 1880, o movimento abolicionista voltou a ganhar força e importantes organizações começaram a se mobilizar, como a SOCIEDADE BRASILEIRA CONTRA A ESCRAVIDÃO e a CONFEDERAÇÃO ABOLICIONISTA.
Com várias publicações em defesa da causa, em 1885 é promulgada a LEI SARAIVA-COTEGIPE (Lei dos Sexagenários), que previa normas para libertação gradual dos cativos.
A medida resultou de uma intensa luta política travada entre os parlamentares e foi uma resposta das instituições e das elites brasileiras ao clamor pela abolição da escravatura que tomava as ruas e ameaçava comprometer a ordem social, política e econômica.
Esta lei garantia liberdade aos escravos com 60 anos de idade ou mais, cabendo aos seus proprietários o pagamento de indenização. A indenização deveria ser paga pelo ex-cativo, sendo obrigado a prestar serviços ao seu ex-senhor por mais três anos. Sem o pagamento da indenização, o cativo deveria ser obrigatoriamente libertado ao completar 65 anos de idade.
Do ponto de vista econômico e humanitário, a medida teve pouca repercussão. Submetidos a trabalhos extenuantes e péssimas condições de vida, poucos escravos conseguiam chegar aos 60 anos de idade. Além disso, um escravo com mais de 60 anos era prejuízo para o dono, pois já não conseguia trabalhar. Mas a aprovação da lei foi de extrema importância do ponto de vista da luta política que se travava à época entre abolicionistas e escravagistas na sociedade e nas instituições do Império.
Se, por um lado, levar o debate sobre a abolição para o âmbito legislativo ajudou a acalmar as ruas, por outro, no próprio Parlamento os ânimos se viram acirrados com a apresentação do projeto que redundou na Lei dos Sexagenários. A proposta foi responsável pela renúncia do presidente da Câmara, pela dissolução e formação de uma nova Assembleia Geral e pela escolha de um novo presidente do Conselho de Ministros (cargo equivalente ao de primeiro-ministro) pelo imperador dom Pedro II.
Os argumentos levantados contra a aprovação da Lei dos Sexagenários eram os mesmos dos que temiam o fim da escravatura. Sem a mão de obra escrava, diziam os escravagistas, a economia do país, fortemente agrária, seria conduzida à ruína. Acostumado com o mínimo necessário para sobreviver, o escravo não se esforçaria para trabalhar como um homem livre, diziam. Somente o imigrante poderia substituir o trabalho forçado nas lavouras.
Assim, sem trabalhar, o negro livre ficaria nas ruas, “perturbando a ordem pública”.
O preconceito também se manifestava na forma como a liberdade do escravo era tratada na lei. Uma vez livre, deveria ser vigiado. Era obrigado a trabalhar, deveria permanecer por cinco anos em sua província de domicílio e quem se ausentasse de seu domicílio era considerado vagabundo, poderia ser preso e condenado a trabalhos forçados. Não houve, nem depois da abolição, uma lei que assegurasse condições mínimas de cidadania, como acesso à escola, moradia e saúde.
Se, por um lado, a Lei dos Sexagenários facultou às elites cafeicultoras postergar uma decisão final sobre a escravidão, por outro, ela possibilitou que a frustração popular fosse canalizada para uma abolição definitiva, feita de uma vez só três anos depois, sem indenização aos proprietários de escravos.
Passo efetivo 3, o definitivo – Lei Áurea
Finalizando o processo da luta escravagista, em 13 de maio de 1888, por meio da Lei Áurea, a liberdade total e definitiva é finalmente alcançada pelos negros brasileiros.
Numa única canetada a princesa libertava os escravos e implodia o famigerado sistema socioeconômico que vigorava desde o Descobrimento.
Durante todo o processo de busca por sua liberdade, o negro brasileiro escravizado buscava a sua liberdade tanto por meio da fuga e formação de quilombos, quanto por meio de pequenas negociações, como momentos livres para se dedicar a seus afazeres, a sua cultura e religiosidade, e a suas famílias, recebendo eventuais concessões.
Conforme informações do Senado, a Lei Áurea nasceu em tempo recorde. O governo imperial enviou ao Parlamento numa terça-feira o projeto de lei que aboliria a escravidão. Os deputados aprovaram o texto na quinta.
Os senadores, no domingo. A lei foi sancionada pela princesa imediatamente, e o Rio, capital do Império, explodiu em festa.
A aprovação, contudo, não foi unânime. Documentos guardados no Arquivo do Senado revelam um lado pouco conhecido da história: houve um grupo de parlamentares — reduzido, porém ruidoso — que se posicionou contra a Lei Áurea. Cinco senadores e nove deputados votaram pela derrubada do projeto.
Defensores dos interesses dos fazendeiros do café, eles profetizaram em tom catastrofista que o fim abrupto do trabalho escravo tornaria a agricultura inviável e, como consequência, levaria a economia nacional à ruína.
Os discursos dos parlamentares à época estão disponíveis no sítio do Senado. Alguns são no mínimo interessantes, como podemos observar a seguir.
Principal líder da bancada escravagista, o senador Barão de Cotegipe (BA) discursou:
Tenho conhecimento da nossa lavoura, especialmente das províncias de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia, e afianço que a crise será medonha. A verdade é que haverá uma perturbação enorme no país durante muitos anos.
O senador Paulino de Souza (RJ), ele próprio um latifundiário do Vale do Paraíba (região entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro), bateu na mesma tecla:
O elemento servil é o único trabalho organizado em quase todo o país, inclusive na extensa e rica zona das margens do Rio Paraíba, que tem sido nestes últimos 50 anos a oficina da riqueza nacional. Eu, ligado por muitos laços com os outros produtores da região, tenho o dever de colocar- me na resistência, em defesa de tamanhos e tão legítimos interesses, que entendem tanto com a fortuna particular como com a ordem econômica e financeira do Estado.
Em outra frente, Cotegipe classificou o projeto de inconstitucional:
A Constituição, as leis civis, as eleitorais, as de impostos etc., tudo reconhece o escravo como propriedade. Mas, de um traço de pena, legisla-se que não existe mais tal propriedade, que tudo pode ser destruído por meio de uma lei, sem atenção a direitos adquiridos? Daqui a pouco se pedirá a divisão dos latifúndios, a expropriação, por preço mínimo ou de graça. Esperem. O primeiro passo é o que custa a dar, depois...
Pela rejeição do projeto da Lei Áurea, Cotegipe chegou a recorrer a argumentos humanitários:
Agora entro no mar da caridade e da filantropia e pergunto qual é a sorte dos libertados, quais os preparativos para que aqueles que abandonarem as fazendas tenham ocupação honesta. Temos um frisante exemplo no Peru. Ali, os escravos foram de uma vez libertados. Uma pequena parte continuou nas fazendas, outra parte morreu pelas estradas e nos hospitais, e outra foi morta a tiro.
Quer dizer que estes últimos se tornaram saqueadores, atacavam os viandantes e as fazendas e praticavam toda casta de barbaridade.
Décadas antes, dom Pedro II havia fechado com a poderosa classe dos latifundiários uma espécie de acordo tácito por meio do qual a escravidão não seria abolida repentinamente. Em vez disso, seria eliminada de forma lenta, gradual e segura, de modo a não provocar nenhum grande abalo nas plantações, responsáveis pela sustentação política e econômica do Império.
Foi buscando a abolição gradual que se aprovaram a Lei do Ventre Livre (1871) e a Lei dos Sexagenários (1885).
Calculava-se, à época, que as duas leis bastariam para que a escravidão encolhesse até desaparecer naturalmente por volta de 1930. Ou seja, o Brasil parecia disposto a entrar em pleno século XX com a escravidão legalizada em seu território.
Considerando a alta taxa de mortalidade dos negros e o crescente número de cartas de alforria, os proprietários de escravo afirmavam que o fim poderia vir antes disso.
A MANOBRA DA PRINCESA ISABEL
FOTO DA PRINCESA ISABEL
A grande reviravolta na luta abolicionista aconteceu em junho de 1887, quando dom Pedro II viajou para a Europa com o objetivo de cuidar da saúde, debilitada pelo diabetes. Na ocasião, a princesa Isabel assumiu a Coroa pela terceira e última vez. Católica fervorosa e abolicionista convicta, ela decidiu que era o momento de romper o acordo pela abolição gradual e sepultar imediatamente a escravidão.
O plano só não vingou em 1887 porque o primeiro-ministro do Império era o Barão de Cotegipe, o mesmo senador que no ano seguinte faria discursos inflamados contra o projeto da Lei Áurea. O primeiro-ministro escravagista fez de tudo para frear os ímpetos da princesa.
O primeiro-ministro conseguiu engavetar todos os esboços da Lei Áurea. A princesa, então, percebeu que, se quisesse que a causa abolicionista prosperasse, teria que derrubar o chefe do gabinete ministerial. Em março de 1888, usando como desculpa um incidente na segurança do Rio, Isabel exigiu que Cotegipe demitisse o chefe de polícia da capital. Ofendido, ele se recusou a fazê-lo e renunciou.
Livre do primeiro-ministro, a princesa escolheu como substituto o senador João Alfredo, afinado com as ideias abolicionistas. Isabel, que já tinha o apoio popular, ganhou o respaldo político que faltava para acabar com a escravidão.
Todo este histórico do processo legislativo o aluno pode encontrar também no sítio do Senado.
Em 3 de maio, na fala do trono (discurso com o qual a Coroa abria os trabalhos do Parlamento), Isabel avisou aos senadores e deputados que queria a aprovação da Lei Áurea, “aspiração aclamada por todas as classes”.
No dia 8, a proposta do governo chegou à Câmara. No dia 13, o projeto — com dois artigos — foi transformado em lei.
A pressão e a pressa foram tantas que o Senado trabalhou inclusive no sábado e no domingo. A comissão de senadores encarregada de fazer a primeira análise do texto emitiu seu parecer favorável em cinco minutos.
Em todas as sessões, a população encheu as galerias e os arredores da Câmara e do Senado. O deputado Andrade Figueira (RJ), contrário à abolição, irritou-se com a “invasão de pessoas estranhas à Câmara” e disse que a “augusta majestade do recinto” havia virado um “circo de cavalinhos”. O deputado Joaquim Nabuco (PE), célebre abolicionista, acusou o colega de ter “coração de bronze”.
No final, atropelados pela onda abolicionista, os parlamentares escravocratas já sabiam que perderiam e até passaram a admitir a abolição imediata — mas com a condição de que o governo indenizasse os senhores com títulos da dívida pública. Inúmeros projetos de lei com essa previsão foram apresentados antes e depois da Lei Áurea, mas nenhum vingou.
O senador e latifundiário Paulino de Souza, no dia 13, discursou:
O cidadão brasileiro não pode ser privado de uma propriedade legal e garantida senão mediante prévia indenização do seu valor. É o que está na lei fundamental do Império.
O historiador Mauro Henrique Miranda de Alcântara, autor de D. Pedro II e a Emancipação dos Escravos, explica que a indenização estava fora de cogitação:
O Império vivia uma crise econômica, em parte ainda decorrente da Guerra do Paraguai. Além disso, o movimento abolicionista conseguiu convencer a sociedade de que a escravidão era uma coisa monstruosa. Com tal, seria inadmissível indenizar alguém que havia mantido pessoas escravizadas. Houve quem pedisse que os escravos fossem indenizados.
Com a aprovação parlamentar, a princesa aguardou no Paço da Cidade a chegada da Lei Áurea, que, para entrar em vigor, dependia de sua sanção. Uma delegação de senadores foi encarregada de levar-lhe o livro de leis, onde ela, com uma pena de ouro, deixaria sua assinatura. O trajeto dos parlamentares demorou mais do que o previsto porque o centro da cidade estava tomado por uma multidão efusiva.
— Seria o dia de hoje um dos mais belos da minha vida se não fosse saber meu pai enfermo — disse Isabel aos senadores.
De acordo com o historiador Bruno Antunes de Cerqueira, presidente do Instituto Cultural Dona Isabel I, havia resistência à princesa como herdeira da Coroa, por ser mulher, religiosa, liberal e casada com um estrangeiro (o francês Conde d’Eu).
Num cálculo político, a princesa apostou na abolição como a medida que sedimentaria o seu reinado. Quis mostrar que era, sim, forte e capaz de tomar decisões importantes para o país. Ela indicava que, como imperatriz, continuaria com as medidas abolicionistas e integraria os ex- escravos à sociedade. Isso afrontava a elite agrária. O golpe de 1889 não foi contra o reinado de Pedro II, mas contra o futuro reinado de Isabel.
A profecia dos escravocratas de colapso total do país não se concretizou. A libertação dos escravos, abrupta e sem indenização, não levou o Brasil à ruína. MAS IMPLODIU O IMPÉRIO. Os latifundiários do café retiraram a sustentação que vinham dando à Coroa e, em 1889, respaldaram o golpe militar que implantou a República.
PLENÁRIO DO SENADO NO DIA DA EDIÇÃO DA LEI ÁUREA.
Fonte: Foto de Antônio Luiz Ferreira
Esta outra imagem mostra a multidão reunida no Paço da Cidade para ver a Princesa Isabel que aparece num balcão logo depois de sancionar a Lei Áurea
O quadro a seguir mostra a evolução legislativa na questão da escravidão no Brasil:
DESAVENÇAS COM A IGREJA CATÓLICA
OUTRO FATOR QUE ACELEROU O DESGASTE DO IMPÉRIO FOI UM ATRITO COM A IGREJA CATÓLICA.
Desde 1824, quando Dom Pedro I outorgou o documento constitutivo do país, o estado era unido à igreja por meio da Constituição.
No Brasil, a igreja não estava diretamente subordinada ao papa, mas sim ao imperador. Até então isso não tinha gerado nenhum tipo de conflito, pois, além de não contrariar as resoluções do papa, o imperador ainda ajudava nas finanças da igreja.
Na Constituição, inclusive, havia o REGIME DE PADROADO, que outorgava ao imperador o poder de escolher clérigos para os cargos importantes da igreja.
Em 1864, porém, o PAPA PIO IX PROIBIU A PERMANÊNCIA DE MEMBROS DA MAÇONARIA NA IGREJA.
O imperador, por ser membro da maçonaria e cercado de políticos que também eram maçons, rejeitou a decisão do papa.
O clero ficou dividido, sem saber a quem obedecer: se ao papa ou ao imperador.
Os bispos de Olinda e Belém desobedeceram ao imperador e foram fiéis ao papa. O imperador, então, processou os bispos e os condenou à prisão com trabalhos forçados. Esse motivo levou a igreja a romper com o governo imperial.
ATRITO COM OS MILITARES
Outro grande motivo para a Proclamação da República foi um atrito do Império com os militares. O exército brasileiro havia lutado e ganhado a guerra contra o Paraguai, tendo saído fortalecido da batalha.
Cacifados por um grande esforço que beneficiou toda a nação, os militares não se sentiam prestigiados pelo governo.
Ou seja, com o sucesso da Guerra do Paraguai o exército percebeu que possuía força nacionalmente, mas não vigor político expressivo para realizar as próprias aspirações. Logo, as reivindicações dos militares por melhores salários e maior influência na política resultariam em conflitos com a coroa.
Mesmo após a Guerra do Paraguai, os militares eram mal remunerados, não possuíam equipamentos adequados, eram parcamente instruídos e eram divididos de maneira desigual pelo vasto império. Não era raro, por exemplo, encontrar pequenas guarnições de 20, 10, 5 e até mesmo 2 homens.
A maioria dos membros mais rasos do Exército era composta por homens recrutados no sertão do Nordeste ou de ex-escravos (voluntários que procuravam alguma forma de subsistência). Ou seja, pessoas despreparadas para a vida militar, com pouca educação e sem noção de responsabilidade cívica.
As principais queixas dos militares em relação ao Império eram as seguintes:
• Baixos salários;
• Promoções lentas;
• Pouco investimento; e
• Quase nenhum reconhecimento.
Descontentes, os militares passaram a assumir uma posição radicalmente contrária ao governo imperial, defendendo a abolição da escravidão e o fim da monarquia. Não que todos eles fossem necessariamente republicanos. Muitos se sentiam simplesmente desprivilegiados pelo governo. Estes entendiam que a queda da Monarquia lhes traria oportunidades de valorização da carreira.
O enfraquecimento da disciplina dentro das forças armadas também foi um problema durante esse processo.
A antiga geração de oficiais era leal à monarquia e acreditava que as forças armadas deveriam ficar sob controle civil. Na década de 1880, porém, esses militares mais velhos não estavam mais no controle e muitos tinham morrido.
A maioria dos oficiais militares ativos participava da política como membros do Partido Conservador ou do Partido Liberal. Ou seja, dependendo da conjuntura do país, suas carreiras políticas entravam em conflito com a das forças armadas.
Nessa confusão entre o que era vida política e o que era a vida militar, havia verdadeira confusão na hierarquia do Exército.
Registros a partir de 1884 mostram que do exército de paz, formado por 13.500 homens, mais de 7.526 tinham sido em algum momento presos por insubordinação.
Outra importante influência que apareceu no Exército durante a década de 1880 foi a DISSEMINAÇÃO DO POSITIVISMO entre os oficiais de baixa e média patentes. Os positivistas acreditavam que uma república era superior à monarquia.
Os positivistas, porém, guardavam algumas semelhanças em relação ao pensamento vigente no Império.
Eles acreditavam, por exemplo, que uma democracia representativa e a liberdade de expressão eram ameaças à
“ordem” do país.
Por outro lado, diferenciavam-se do Império ao se oporem às religiões, especialmente à Igreja Católica.
Os republicanos que queriam derrubar o Império defendiam o estabelecimento de um governo altamente centralizado, de uma ditadura com um ditador vitalício que poderia nomear seu sucessor.
Alguns positivistas, inclusive, queriam que Pedro assumisse a primeira ditadura, esperando usá-lo para suavizar a transição da monarquia para a nova república.
Um dos positivistas mais influentes do Brasil era o tenente-coronel Benjamin Constant, professor da Escola Central Militar que chegou a ser contratado por Dom Pedro II para ensinar matemática para membros da Família Real.
A TENTATIVA FRUSTRADA DE MANTER A MONARQUIA
Em 1888, Dom Pedro II ainda tentou se manter no poder, nomeando como primeiro-ministro o visconde de Ouro Preto, que lançou um projeto de grandes reformas políticas inspiradas nos ideais republicanos. A fim de tentar manter os seus privilégios, porém, o Parlamento recusou o projeto.
Diante desse fato, os republicanos começaram a ver uma real possibilidade da proclamação da república.
Passaram, então, a espalhar boatos de que o governo iria prender importantes membros do exército. A reação do exército foi imediata: no dia 14 de novembro, à noite, algumas unidades militares começaram a se rebelar. No dia seguinte, marcharam em direção ao centro da cidade, sob o comando do Marechal Deodoro da Fonseca e a inspiração do ativista político José do Patrocínio, para depor o imperador D. Pedro II.
Foi o marechal Deodoro da Fonseca que, com o apoio dos republicanos, demitiu o Conselho de Ministros e seu presidente e, na noite do mesmo dia, assinou manifesto proclamando a República e instalando um governo provisório.
A partir de então, os fatos se desenrolariam de maneira rápida.
Em 18 de novembro, Dom Pedro II e a família imperial partiram rumo a Europa. Os militares formaram um grupo para governar provisoriamente o país, com Deodoro da Fonseca no cargo de presidente.
Foi assim que, de uma hora para outra, desapareceu a única monarquia que ainda existia nas Américas.
Como podemos perceber, A POPULAÇÃO QUASE NÃO PARTICIPOU DESSE IMPORTANTE MARCO HISTÓRICO. O povo praticamente só assistiu ao movimento de tropas militares que colocou fim à monarquia.
Salvo pequenos incidentes, não houve reações importantes contra o acontecimento, nem grandes manifestações populares de apoio à instalação da república.
É importante sabermos disso porque há uma ideia equivocada, no imaginário popular, de que a República foi um movimento do povo, que estava cansado da Monarquia. Errado. O povo não pedia a queda da Monarquia.
Quem queria a República eram alguns grupos da elite do país, como clérigos, militares e cafeicultores.
Observe o quadro a seguir, que mostra a Proclamação da República. Não há o povo nas ruas, mas apenas militares dentro de instalações do Exército derrubando a Monarquia. O povo mesmo nem sabia o que estava acontecendo naquele 15 de Novembro, data em que a Monarquia caiu e a República foi Proclamada.
Proclamação da República, quadro de Benedito Calixto
É célebre a frase que o povo assistiu bestializado à Proclamação da República. O registro, de três dias depois da Proclamação, em 18 de novembro de 1889, foi feito pelo jornalista – e republicano – Aristides Lobo.
“O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditaram seriamente estar vendo uma parada”.
REAÇÃO DE DOM PEDRO II
Quando o golpe militar que levou à República eclodiu no Rio de Janeiro, em 15 de novembro de 1889, Dom Pedro II estava em Petrópolis. Ele poderia ter deixado a cidade e comandado a resistência, a fim de tentar continuar no poder, poderia tentar uma aliança com o marechal Deodoro da Fonseca, seu amigo, que, alçado à posição de líder do movimento, não tinha grandes ideais republicanos. O imperador, porém, simplesmente aceitou os fatos e, dois dias depois, partiu com a família para o exílio na Europa.
No Brasil, o Marechal Deodoro, que ficaria conhecido como o Marechal de Ferro, combateu de maneira ferrenha os opositores e monarquistas – vários foram exilados ou fuzilados.
Entre 1891 e 1894 houve a Revolta da Armada, formada por marinheiros, rebeldes e monarquistas. A intenção do grupo era derrubar o governo republicano. A Revolta não apenas foi frustrada, mas terminou também com mais de 10 mil baixas, entre militares e civis.
Em 1896, veio o maior desafio para a República recém proclamada: um movimento místico, sócio- religioso, liderado pelo pregador Antônio Conselheiro. O religioso, que com seus seguidores foi imediatamente tachado de “fanático religioso monarquista”, considerava a república como um pecado em si mesmo.
Antônio Conselheiro não reconhecia a República, especialmente por ela ter estabelecido a separação entre Igreja e Estado.
No embate com o movimento de Conselheiro, foi travada a Guerra de Canudos, narrada por Euclides da Cunha em “Os Sertões”. O governo, após algumas derrotas, acabou saindo vitorioso no embate.
A resistência monarquista, porém, continuaria.
Em documentos como os manifestos de 1896 e 1913, políticos brasileiros defenderam a volta do Império.
Os membros da família imperial, porém, não demonstravam interesse em lutar pela causa, e o movimento teve pouca expressão.
Questão para fixar!
(CESPE/CEBRASPE - SEDUC-PA - 2006) A proclamação da República, no Brasil,
a) foi um fenômeno que envolveu grande mobilização social das frentes de imigrantes europeus que buscavam novas formas de inserção política no país que os recebia.
b) apareceu, no imaginário popular, como um arranjo das elites para as elites.
c) apresentou características revolucionárias do porte da transição do Antigo Regime europeu para a era das revoluções burguesas clássicas.
d) igualou-se, no contexto das independências hispano-americanas, ao processo de substituição de elites na América Latina, ocorrido no início do século XIX.
Comentários:
A Proclamação da República no Brasil não teve grande apoio popular e não dependeu das massas para a sua consecução. Pelo contrário, o povo admirava a Monarquia e o Imperador.
Assim, a Proclamação da República foi vista pelo povo mais como um arranjo das elites (militares, clericais e econômicas).
Gabarito: B
QUESTÕES COMENTADAS PELO PROFESSOR
1. (CESPE - IPHAN - 2018)
Julgue o item subsecutivo, referente à historiografia do século XIX.
A historiografia sobre a proclamação da República no Brasil é consensual em afirmar que a derrubada da monarquia portuguesa atendeu a fortes e generalizados apelos da população brasileira pela mudança do regime político.
( ) Certo ( ) Errado RESOLUÇÃO:
A Proclamação da República é vista como um movimento elitista e que ocorreu sem a participação popular.
Resposta: Errado
2. (CESPE - Instituto Rio Branco - 2018)
Tendo em vista que a questão servil, como denominada por D. Pedro II em sua fala do trono em 1865, foi elemento fulcral na formação da sociedade brasileira, julgue (C ou E) o próximo item, relativos à escravidão no Império brasileiro.
O movimento abolicionista brasileiro se deu a partir da década de 80 do século XIX e foi marcado pelo isolamento internacional, uma vez que o Brasil era o último país ocidental a manter a escravidão. A base desse movimento no Brasil era a defesa do direito natural à liberdade.
( ) Certo ( ) Errado RESOLUÇÃO:
Apesar de ter alcançado o sucesso esperado apenas na década de 80 do século XIX, o movimento abolicionista brasileiro ganhou intensidade a partir da década de 1850.
Organizado politicamente, porém, esse movimentou começou a atuar de maneira relevante a partir da década de 1870.
Resposta: Errado
3. (CESPE - Instituto Rio Branco - 2018)
Tendo em vista que a questão servil, como denominada por D. Pedro II em sua fala do trono em 1865, foi elemento fulcral na formação da sociedade brasileira, julgue (C ou E) o próximo item, relativo à escravidão no Império brasileiro.
A despeito do longo histórico das pressões inglesas, o tráfico de escravos para o Brasil passou a ser tipificado como ilegal apenas em 1850, quando o contexto interno tornou-se favorável à adoção dessa tipificação.
( ) Certo ( ) Errado RESOLUÇÃO:
A proibição do comércio de escravos não ocorreu a partir do momento em que o contexto interno brasileiro tornou-se favorável para tal, mas sim por conta da pressão internacional que o Brasil passou a sofrer, especialmente dos ingleses.
Resposta: Errado
4. (CESPE - Câmara dos Deputados - 2014)
O fato é que a transição do Império para a República, proclamada em 1889, constituiu a primeira grande mudança de regime político ocorrida desde a Independência. Republicanistas “puros", como Silva Jardim, defendiam uma mudança de regime que, a exemplo da França, tivesse como resultado maior participação da população na vida política nacional. Mas, vitoriosos, os republicanos conservadores, como Campos Sales, mantiveram o modelo de exclusão política e sociocultural sob nova fachada. Ao “parlamentarismo sem povo" do Segundo Reinado, sucedeu uma República praticamente “sem povo", ou seja, sem cidadania democrática.
Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil: uma interpretação. São Paulo: Ed. SENAC São Paulo, 2008, p. 552.
Tendo o fragmento de texto acima como referência inicial e considerando o contexto histórico brasileiro ao longo da segunda metade do século XIX e da primeira do século XX, julgue o item a seguir.
A homogeneidade do movimento republicano, nas últimas décadas do século XIX, contrapunha-se à heterogeneidade das forças políticas que sustentavam o regime monárquico, o que facilitou sobremaneira a vitória do golpe de 15 de novembro de 1889.
( ) Certo ( ) Errado RESOLUÇÃO:
Não havia homogeneidade do movimento republicano, que se dividia basicamente em duas alas: os oligarcas e os militares. As duas alas, inclusive, tinham as suas próprias divisões internas, o que torna a questão incorreta.
Resposta: Errado
5. (CESPE - SEDU-ES - 2010)
Proclamada a independência, em 1822, o Brasil se constituiu na única monarquia do continente americano.
Marcado por crises, o Primeiro Reinado (1822-1831) se extinguiu com a volta de D. Pedro I a Portugal. Seguiu-se a fase regencial (1831-1840), uma espécie de ensaio republicano em meio a crises e revoltas armadas que se sucederam. Antecipada a maioridade de D. Pedro II, iniciou-se o Segundo Reinado (1840-1889), no qual conviveram fases de estabilidade política, de crescimento econômico e de crises, as quais anunciaram o ocaso do regime. A República Oligárquica foi o regime da exclusão política, social e econômica. A Revolução de 1930 pôs fim a essa “República”, dando origem à Era Vargas (1930-1945).
Acerca desse período da História do Brasil, julgue o item.
A proclamação da República derivou de movimento popular, com ampla participação das camadas sociais médias e subalternas da população brasileira.
( ) Certo ( ) Errado RESOLUÇÃO:
Não houve grande participação popular durante a transição do Império para a República e nem nos primeiros anos desta.
Resposta: Errado
6. (CESPE/CEBRASPE - Instituto Rio Branco - 2007)
No Brasil, a instabilidade da política alfandegária prevaleceu no século XIX - estendendo-se até o advento da República - e foi uma das causas da baixa industrialização. A respeito das tarifas praticadas e do comércio exterior brasileiro nesse período, julgue (C ou E) os itens a seguir.
No Brasil, durante as décadas finais da Monarquia, o deficit do comércio exterior contribuiu para a queda desse regime.
( ) Certo ( ) Errado
RESOLUÇÃO:
O Império possuía uma economia estável e o próprio Imperador gozava de prestígio junto à população.
A crise que contribuiu levou à queda da Monarquia foi ocasionada por alguns fatores, sendo os principais os seguintes:
• MOVIMENTO ABOLICIONISTA;
• QUESTÃO RELIGIOSA;
• MOVIMENTO REPUBLICANO;
• QUESTÃO MILITAR.
Resposta: Errado
7. (CESPE/CEBRASPE - Instituto Rio Branco - 2014)
O Segundo Reinado compreende quatro décadas, abrangendo desde o golpe da Maioridade (1840) à Proclamação da República (1889) e determinando quatro períodos, que podem ser apontados como a mais longa fase da história política do Brasil. Houve um primeiro período, de organização, do Segundo Reinado — de 1840 a 1850 —, que primou pela repressão aos levantes regionais do período regencial, preparação do imperador e montagem do aparato legislativo para garantir a ordem constitucional. O segundo período — de 1850 a 1864 — caracterizou-se por certa estabilidade, quando se implementaram as primeiras iniciativas materiais de porte. No terceiro período
— de 1864 a 1870 —, sobressaiu a campanha da guerra contra o Paraguai, transformada em questão nacional. O último período — de 1870 a 1889 — foi marcado não só pelo desenvolvimento econômico, mas também pelo aprofundamento das contradições, ampliado com a propaganda republicana.
Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil: uma interpretação. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2008, p.
462-8 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial, julgue (C ou E) os itens seguintes, considerando o quadro de crise que leva à queda do regime monárquico e a sua substituição pelo regime republicano.
A Questão Religiosa, que se tornou problema político não contornado pelo governo imperial, nasceu da intolerância das autoridades governamentais com os integrantes da Maçonaria, algo que a hierarquia católica aceitava com naturalidade, chegando mesmo a incentivar a atuação política dos grupos maçônicos.
( ) Certo ( ) Errado RESOLUÇÃO:
Esta questão inverteu o que aconteceu na realidade.
Não eram as autoridades do governo que perseguiam os maçons, mas as autoridades da Igreja. Era a Igreja Católica que não aceitava que os seus integrantes fossem maçons.
No Brasil, a igreja não estava diretamente subordinada ao papa, mas sim ao imperador. Até então isso não tinha gerado nenhum tipo de conflito, pois, além de não contrariar as resoluções do papa, o imperador ainda ajudava nas finanças da igreja.
Em 1864, porém, o PAPA PIO IX PROIBIU A PERMANÊNCIA DE MEMBROS DA MAÇONARIA NA IGREJA.
O imperador, por ser membro da maçonaria e cercado de políticos que também eram maçons, rejeitou a decisão do papa.
O clero ficou dividido, sem saber a quem obedecer: se ao papa ou ao imperador.
Resposta: Errado
8. (MPE-GO - MPE-GO - 2016)
Sobre a Proclamação da República, a tradição historiográfíca relaciona três questões responsáveis pela queda da monarquia: a questão servil (escravidão), a religiosa e a militar. Leia atentamente os itens abaixo.
I. Segundo o regime de padroado, cabia ao imperador a escolha dos clérigos para os cargos importantes da igreja.
II. A igreja afastou-se do governo imperial, após D. Pedro II ter ordenado aos padres afastarem-se da maçonaria.
III. A Lei Saraiva-Cotegipe estabelecia liberdade aos escravos com mais de 60 anos de idade, tendo um alcance extremamente positivo na luta contra a escravidão no Brasil, pois na prática colocava em liberdade imediata um grande contingente de escravos que já tinham atingido a idade.
IV. Em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel promulgou a Lei do Ventre Livre, declarando extinta a escravidão no Brasil.
V. O Exército Brasileiro tomou consciência de sua importância após a guerra do Paraguai.
Assinale a única alternativa em que todos os itens listam características corretas.
a) I, II e V.
b) II e IV c) III, IV e V.
d) II, III e IV e) I e V RESOLUÇÃO:
I. De acordo com a Constituição do país da época do Império, a Igreja era subordinada ao Estado por meio do regime do Padroado. Por este regime o imperador tinha o poder de nomear clérigos importantes, como padres, bispos e cardeais. ITEM CORRETO.
II. Foi a Igreja Católica que, em 1864, decidiu proibir a existência de párocos maçons. Dom Pedro II, que era maçom, era contrário à posição da Igreja. ITEM INCORRETO.
III. A Lei Saraiva-Cotegipe (Lei dos Sexagenários), concedia liberdade aos escravos com mais de 60 anos de idade. A lei, porém, acabou por beneficiar apenas uma pequena parcela de escravos, já que estes, por causa dos grandes problemas que sofriam, raramente atingiam esta idade. ITEM INCORRETO.
IV. A lei que extinguiu a escravidão no Brasil foi a Lei Áurea. ITEM INCORRETO.
V. Após a vitória na Guerra do Paraguai, os militares conseguiram um prestígio até então inédito no país. A partir deste momento, começaram a acreditar também que não eram reconhecidos na mesma proporção pelo Segundo Reinado. Essa situação, em última instância, acabou por fragilizar a Monarquia. ITEM CORRETO.
Resposta: E
9. (UECE-CEV - SEDUC-CE - 2018)
Quanto ao quadro econômico, político e social do Segundo Reinado é correto afirmar que
a) por se tratar de um país essencialmente rural, não havia nenhum movimento de cunho sindical no Brasil até 1930, quando surgem as primeiras organizações de trabalhadores.
b) a insatisfação da oficialidade do exército com o governo, o movimento abolicionista após a guerra do Paraguai e a criação do partido republicano, em 1870, são causas da queda da monarquia.
c) apesar da herança patriarcal, este reinado trouxe consigo a cidadania plena para as mulheres, estabelecida, com o direito de voto, desde o período regencial com o Ato Adicional de 1834.
d) ocorrida em são Paulo, a Semana de Arte Moderna de 1822 redefiniu os padrões estéticos em diversas modalidades artísticas e buscou renovar o estagnado ambiente artístico e cultural.
RESOLUÇÃO:
a) Durante o Segundo Reinado também houve greves operárias. ITEM INCORRETO.
b) ITEM CORRETO.
c) As mulheres só conseguirão alcançar direitos mais amplos durante o século XX, especialmente a partir da década de 1930. ITEM INCORRETO.
d) A Semana da Arte Moderna aconteceu em 1922, não foi durante o Brasil Império. ITEM INCORRETO.
Resposta: B
10. (IBFC - SEDUC-MT - 2017)
Leia o trecho a seguir: “Tratava-se da primeira grande mudança de regime político após a independência. Mais ainda: tratava-se da implantação de um sistema de governo que se propunha, exatamente, trazer o povo para o proscênio da atividade pública.”
(Carvalho, José Murilo. “Os bestializados”.p.11).
De acordo com o autor, e seus conhecimentos sobre o assunto, assinale a alternativa que contenha a afirmação correta sobre a proclamação da Republica em 1889:
a) Foi um processo de longo prazo, e em seus primeiros momentos, apresentou a disputa entre duas correntes ideológicas; de um lado o jacobinismo a francesa e de outro a democracia à americana
b) A República no Brasil se consolidou e executou por força das elites cafeeiras paulistas
c) Nos debates historiográficos atuais sobre a Proclamação da República, é bastante aceita a ideia de que não houve participação popular na transposição do regime monárquico ao regime republicano, havendo, posteriormente, tentativas de inserção popular na política republicana
d) Devido ao carinho popular pelos Monarcas, o povo repudiou e tentou desfazer o ocorrido. Um desses ocorridos ficou conhecido como “Noite das Garrafadas”
e) A república trouxe inúmeras modificações ao povo que de súdito se torna cidadão. Exemplo disso é o voto universal e secreto que foi empregado na constituição de 1891
RESOLUÇÃO:
Atualmente, entende-se que não houve grande participação popular no processo que culminou na queda da Monarquia e na Proclamação da República. Esta, apesar de ter acontecido com o apoio dos grandes cafeicultores brasileiros, foi principalmente tocada, especialmente nos primeiros anos, pelos militares.
Resposta: C
11. (CEFET-AL - IF-AL - 2013)
A proclamação da República no Brasil de 1889 deve ser entendida como fruto de um movimento resultante da:
a) Aliança entre militares, influenciados pelas ideias nacionalistas, e a burguesia paulistana, que defendia a implantação de uma indústria de base nacional.
b) Articulação entre cafeicultores paulistas, defensores de um modelo federalista, e setores militares influenciados pelo ideário positivista.
c) Grande participação popular em função do descontentamento com a alta do custo de vida e da influência das ideias anarquistas trazidas pelos imigrantes italianos.
d) Influência para combater o crescimento das ideias socialistas no operariado paulista e nas fazendas do vale do Paraíba.
e) Campanha feita pelos produtores de cana de açúcar do nordeste e por cafeicultores paulistas, que se sentiam traídos em função da abolição da escravidão.
RESOLUÇÃO:
Antes de tudo, é sempre importante frisarmos que a Proclamação da República não se deu por causa de pressões populares.
Dito isso, temos de entender também que foi um movimento encampado no Brasil por militares (influenciados pelo ideário positivista ou simplesmente descontente com o governo), por cafeicultores paulistas e os defensores de um modelo federalista.
Assim, temos que a resposta correta é a letra B.
Resposta: B
12. (CESPE/CEBRASPE - Instituto Rio Branco - 2005)
Passados os primeiros momentos da transição da ordem militar para a civil, do marechal Deodoro ao fim do mandato de Prudente de Morais, as turbulências deram lugar ao projeto de “saneamento financeiro”, implementado pelo presidente Campos Sales, controlando-se o meio circulante e estabilizando-se a dívida externa. No plano político, foi articulada a chamada “política dos governadores”, segundo a qual apenas os candidatos aliados à bancada situacionista no Congresso tinham seus diplomas eleitorais reconhecidos. Isso permitiu ao governo do Rio de Janeiro uma situação de controle centralista, neutralizando o que, no início do regime, havia sido denominado as “vinte ditaduras”, resultado da redução do princípio federal à ação irrefreada das oligarquias estaduais. Esses arranjos conservadores foram coroados com o Convênio de Taubaté (1904), que, ao criar favorecimento cambial arbitrário à cafeicultura, fundou as bases da “política do café-com-leite”, por meio da qual os estados mais populosos e ricos, São Paulo e Minas Gerais, imporiam sua hegemonia de forma praticamente contínua até 1930.
Nicolau Sevcenko. O prelúdio republicano, astúcias da ordem e ilusões do progresso. In: Fernando A. Novais (coordenador- geral da coleção) e Nicolau Sevcenko (organizador do volume). História da vida privada no Brasil (3). São Paulo: Companhia
das Letras, 1998, p. 33 (com adaptações).
Julgue os itens subsequentes, relativos à trajetória do regime republicano brasileiro descrita brevemente no texto acima.
Apesar de ter sido um golpe, a proclamação da República significou, simultaneamente, a deposição do imperador e a chegada ao poder dos republicanos históricos, especialmente das elites paulistas.
( ) Certo ( ) Errado
RESOLUÇÃO:
Os que primeiro ascenderam ao poder com a Proclamação da República foram os militares, principalmente os descontentes/desiludidos com a Monarquia. Ou seja, nem todos os militares que chegaram ao poder eram republicanos históricos.
Além disso, esses militares também não faziam parte das elites paulistas.
Resposta: Errado
13. (CESPE/CEBRASPE - SEE-AL - 2013)
Julgue os itens seguintes, referentes à história da República brasileira.
A proclamação da República, em novembro de 1889, surpreendeu grande parte da sociedade brasileira, visto que ela foi efetivada antes da morte de D. Pedro II. No entanto, considerando-se o desgaste político do regime monárquico, esse ato foi bastante previsível.
( ) Certo ( ) Errado RESOLUÇÃO:
A proclamação da República, em novembro de 1889, surpreendeu grande parte da sociedade brasileira, visto que ela foi efetivada antes da morte de Dom Pedro II.
Tanto Dom Pedro II quanto o próprio Império gozavam de bastante prestígio junto à sociedade.
Resposta: Errado
14. (CESGRANRIO - IBGE - 2010) Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1889.
Eu quisera dar a esta data a denominação seguinte: 15 de novembro do primeiro ano da República; mas não posso, infelizmente fazê-lo.
O que se fez é um degrau, talvez nem tanto, para o advento da grande era.
Em todo o caso, o que está feito pode ser muito, se os homens que vão tomar a responsabilidade do poder tiverem juízo, patriotismo e sincero amor à Liberdade.
Como trabalho de saneamento, a obra é edificante.
Por hora a cor do governo é puramente militar e deverá ser assim. O fato foi deles, deles só, porque a colaboração do elemento civil foi quase nula.
O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditavam sinceramente estar vendo uma parada.
Era um fenômeno digno de ver-se. O entusiasmo veio depois, veio lentamente, quebrando o enleio dos espíritos.
Pude ver a sangue frio tudo aquilo.
Aristides Lobo apud CARONE, Edgard. A Primeira República (1889-1930): texto e contexto, 1969.
A carta de Aristides Lobo, publicada no Diário Popular de São Paulo em 18 de novembro de 1889, é uma das fontes mais conhecidas e citadas sobre o evento da proclamação da República no Brasil. Sua percepção sobre esse acontecimento se caracterizou por:
a) destacar a ruptura com a monarquia.
b) valorizar a participação popular.
c) defender o apoliticismo dos civis.
d) identificar a unidade dos militares.
e) caracterizar a revolução liberal.
RESOLUÇÃO:
A cena narrada por Aristides Lobo, publicada no Diário Popular de São Paulo em 18 de novembro de 1889, mostra a Proclamação da República no Brasil. Ou seja, narra a ruptura com a Monarquia e a ascensão da República.
Resposta: A
15. (FUNDEP (Gestão de Concursos) - Prefeitura de Uberaba-MG - 2016)
Às vésperas de 1889, D. Pedro II viu toda a sua experiência política ser contestada em virtude de uma série de instabilidades políticas vivenciadas no Brasil. As críticas vinham de todos os lados, abrindo espaço para o discurso republicano, que, já adotado em outros países latino-americanos, ganhava espaço em diversos setores sociais.
São fatores que contribuíram para Proclamação da República, EXCETO:
a) A indisposição criada com o clero católico diante da questão epíscopo-maçônica.
b) A tentativa de esvaziamento do Exército Brasileiro após o fim da Guerra do Paraguai.
c) O processo abolicionista, que libertou os escravos sem indenizar os seus senhores.
d) A dependência econômica do Brasil em relação à Inglaterra, contestada pelas elites.
RESOLUÇÃO:
Causas da proclamação da republica : 1 - Questão RELIGIOSA
2 - Questão MILITAR
3 - Questão ESCRAVOCRATA Resposta: D
16. (CESPE/CEBRASPE - Câmara dos Deputados - 2014)
O fato é que a transição do Império para a República, proclamada em 1889, constituiu a primeira grande mudança de regime político ocorrida desde a Independência. Republicanistas “puros", como Silva Jardim, defendiam uma mudança de regime que, a exemplo da França, tivesse como resultado maior participação da população na vida política nacional. Mas, vitoriosos, os republicanos conservadores, como Campos Sales, mantiveram o modelo de exclusão política e sociocultural sob nova fachada. Ao “parlamentarismo sem povo" do Segundo Reinado, sucedeu uma República praticamente “sem povo", ou seja, sem cidadania democrática.
Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil: uma interpretação. São Paulo: Ed. SENAC São Paulo, 2008, p. 552.
Tendo o fragmento de texto acima como referência inicial e considerando o contexto histórico brasileiro ao longo da segunda metade do século XIX e da primeira do século XX, julgue o item a seguir.
A conhecida expressão de Aristides Lobo — “o povo a tudo assistia bestializado" —, empregada em referência à proclamação da República, justifica-se pela trajetória do regime até 1930: pelo domínio das oligarquias, pelo reduzido número de pessoas legalmente aptas a participar das eleições e pelo elevadíssimo índice de analfabetismo.
( ) Certo ( ) Errado RESOLUÇÃO:
A Proclamação da República se deu sem participação popular. O povo, inclusive, continuaria alijado das grandes decisões políticas do país nas próximas décadas, mesmo com a Queda da Monarquia.
Resposta: Certo
17. (FCC - SABESP - 2019) Considere o texto.
A partir da década de 1870, começaram a surgir uma série de sintomas de crise do Segundo Reinado, dentre eles, o início do movimento republicano e os atritos do governo imperial com o Exército e a Igreja.
(Adaptado de: FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2002, p. 217) Os atritos com o Exército e com a Igreja, aos quais se refere o autor, e que contribuíram para a proclamação da República no Brasil, estiveram relacionados, respectivamente,
a) à crescente influência do positivismo no Exército Brasileiro e à presença de maçons em cargos políticos importantes ligados ao Imperador, criticados pela Igreja Católica.
b) à derrota dos militares na Guerra do Paraguai e à separação entre Estado e Igreja desde a Constituição de 1824.
c) à insatisfação dos militares com a proposta de dissolução do Exército por parte da Nobreza e a proibição, por Dom Pedro II, de padres participarem da política.
d) à reivindicação por melhores salários e certos privilégios, por parte dos oficiais do Exército, e a contestação do poder e da autoridade religiosa do Papa em território nacional, pelo Imperador.
e) às aspirações expansionistas defendidas pelo Exército, que contrariavam a política imperial, e o casamento do Imperador com uma herdeira dos Bourbon, de religião protestante.
RESOLUÇÃO:
A Queda da Monarquia no Brasil se deu em decorrência de alguns fatores. A questão nos exige o conhecimento de dois deles: a questão militar e a questão religiosa.
Na questão militar podemos citar a crescente influência do positivismo no Exército Brasileiro e o descontentamento que outra ala militar, mesmo não sendo republicana, tinha com a Monarquia por não encontrar nesta forma de governo o prestígio que buscavam.
Na questão religiosa podemos citar a presença de maçons em cargos políticos importantes ligados ao Imperador, o que era criticado pela Igreja Católica.
Resposta: A
18. (IF-MT - IF-MT - 2014)
O presente texto de Machado de Assis, originalmente escrito em 1904, pode ser considerado um testemunho do advento republicano e dos tempos que a ele se seguiram. Leia-o com atenção.
Como diabo é que eles fizeram isto, sem que ninguém desse pela coisa? – refletia Paulo – Podia ter sido mais turbulento. Conspiração houve, decerto, mas uma barricada não faria mal. Seja como for, venceu-se a campanha.
[...] é que o regime estava podre e caiu por si... Enquanto a cabeça de Paulo ia formulando essas ideias, a de Pedro ia pensando o contrário [...] Um crime e um disparate, além de ingratidão; [...] Mas nem tudo acabou. Isso é fogo de palha; [...] amanhã ainda é tempo; por hora tudo são flores. Há ainda um punhado de homens...
(MACHADO DE ASSIS. Esaú e Jacó. São Paulo: Martin Claret, 2008, cap. LXVII.) Sobre a Proclamação da República no Brasil, assinale a afirmativa correta.
a) Em que pese o fato de ter sido desfechada em um único dia, não se pode considerá-la um improviso, como sugeriu Euclides da Cunha.
b) Foi um golpe militar sem a participação das elites civis ou do povo da jovem nação que, como sugeriu Aristides Lobo, assistiu a tudo bestializado.
c) Tornou-se possível graças ao depauperamento do Império e impôs-se com completa aceitação, sem resistências, como afirmou o Barão de Lucena.
d) Pode-se considerá-la obra de Deodoro da Fonseca, um de seus principais articuladores, responsável pela conspiração que anulou toda a oposição ao golpe.