A digital geográfica do turismo: uma análise teórico-metodológica e conceitual de teses e dissertações no âmbito dos programas brasileiros de pós-graduação stricto sensu em geografia
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(2) UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM GEOGRAFIA DOUTORADO EM GEOGRAFIA. Christiano Henrique da Silva Maranhão. A DIGITAL GEOGRÁFICA DO TURISMO: uma análise teórico-metodológica e conceitual de teses e dissertações no âmbito dos programas brasileiros de pósgraduação stricto sensu em Geografia. Natal, 2017..
(3) Christiano Henrique da Silva Maranhão. A DIGITAL GEOGRÁFICA DO TURISMO: uma análise teórico-metodológica e conceitual de teses e dissertações no âmbito dos programas brasileiros de pósgraduação stricto sensu em Geografia. Tese apresentada ao Programa de PósGraduação e Pesquisa em Geografia, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como pré-requisito para a obtenção do título de Doutor em Geografia. Área de concentração: Dinâmica Socioambiental e Reestruturação do Território. Orientador: Francisco Fransualdo de Azevedo, Dr.. Natal, 2017..
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(5) Christiano Henrique da Silva Maranhão. A DIGITAL GEOGRÁFICA DO TURISMO: uma análise teórico-metodológica e conceitual de teses e dissertações no âmbito dos programas brasileiros de pósgraduação stricto sensu em Geografia Tese apresentada ao Programa de PósGraduação e Pesquisa em Geografia, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como pré-requisito para a obtenção do título de Doutor em Geografia. Área de concentração: Dinâmica Socioambiental e Reestruturação do Território.. Natal, 10 de fevereiro de 2017. Banca Examinadora Francisco Fransualdo de Azevedo – Orientador: ___________________________ Doutor em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Rita de Cássia da Conceição Gomes: ___________________________________ Doutora em Geografia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Wilker Ricardo de Mendonça Nóbrega: __________________________________ Doutor em Ciências do Desenvolvimento Socioambiental pelo Núcleo de Altos. Estudos Amazônicos – NAEA – Universidade Federal do Pará. Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Márcia da Silva: _________________________________ Doutora em Geografia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO-PARANÁ). Karla Rosário Brumes: ________________________________ Doutora em Geografia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO-PARANÁ).. Natal, 2017..
(6) Por todo carinho e apoio, dedico este estudo aos meus pais, Francisco Pereira Maranhão e Francidalva Maria da Silva Maranhão, e aos meus irmãos, Anderson Vitor da Silva Maranhão e Francisco Pereira Maranhão Junior. Pessoas fundamentais para esta conquista..
(7) AGRADECIMENTOS. O momento de agradecer é a ocasião mais justa e esperada desta minha trajetória acadêmica, sempre repleta de objetivos, dificuldades, choros, conquistas e alegrias. Aprendi com meus pais que ninguém faz nada sozinho, e por isso, existe a necessidade de tornar público o suporte que meu orientador Francisco Fransualdo de Azevedo reservou para as minhas empreitadas científicas, fornecendo a base necessária para uma construção conjunta do conhecimento. Sempre dedicado, paciente e empenhado na busca pelo melhor resultado. Além de orientador, tornouse um amigo que guardarei com bastante zelo.. De forma similar, também sou grato ao professor Celso Locatel, que sempre esteve comprometido nos direcionamentos da pesquisa.. E por falar sobre a arte de ensinar, não posso deixar de ratificar o agradecimento que venho fazendo desde a minha graduação (2005), à professora Andréa Virgínia Sousa Dantas, que influenciou positivamente minhas escolhas iniciais, demonstrando o papel do mestre e ressignificando minha condição de cidadão do mundo.. Sou grato igualmente aos demais professores do Programa de PósGraduação e Pesquisa em Geografia (PPGe) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, assim como aos funcionários da secretaria do PPGe, por tornarem o meu percurso acadêmico mais rico de profissionalismo e de bons exemplos.. Agradeço também a Jacimária (a querida Mara), Erimar, Kelson (in memoriam), Rafael, Welton, Raquel, Viviane, Adriana, Luiz, Maria, Anderson, Jalmara, Pe. Tiago Theinsen e Ana Paula Felizardo, amigos doutorandos, mestrandos e da caminhada da vida, com quem partilhei angústias, incertezas e conquistas que surgiam ao longo do caminho.. Por fim, agradeço a Deus pelo seu cuidado comigo e por ter me proporcionado os encontros a que me referi acima..
(8) De turismo eu não entendo, mas, se ele está no território, se ele faz a Geografia do movimento, do espaço de comando, do uso competitivo dos lugares, da revalorização dos lugares, da racionalidade dos espaços, ele pertence à Geografia. Milton Santos.
(9) MARANHÃO, Christiano H. da Silva. A digital geográfica do turismo: uma análise teórico-metodológica e conceitual de teses e dissertações no âmbito dos programas brasileiros de pós-graduação stricto sensu em Geografia. 355f. il. 2017. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2017. RESUMO Esta pesquisa analisa as principais tendências teórico-metodológicas e conceituais presentes nos estudos sobre o turismo, a partir da produção do conhecimento geográfico (teses e dissertações), fomentada no âmbito dos Programas brasileiros de Pós-graduação stricto sensu em Geografia. Paralela a essa questão, está a possibilidade de identificar a relevância do uso do conteúdo científico contido no conceito de Espaço geográfico e na sua teoria, com base na obra do geógrafo Milton Santos, verificando com isso, a significância de um conhecimento específico da Geografia para a construção e validação do saber em questão. Este estudo classifica-se como descritivo-exploratório, dotado de um viés qualiquantitativo. Além disso, aplicou-se a análise de conteúdo de Bardin (2004), análise temática indicada por Richardson (2008), além dos Programas Wordle (Nuvens de palavras) e Pajek (constituição de Redes). Como suporte analítico, tem-se a forma como o turismo se materializa no Brasil, desde 1930, gênese da atividade no país. Somada com o ordenamento dos principais subsídios teórico-metodológicos da ciência geográfica, a fim de identificar as possibilidades, pelas quais as pesquisas norteiam-se. Por tudo isso, atesta-se que, dos 63 programas brasileiros de pós-graduação stricto sensu em Geografia validados no período do levantamento, 44 deles apresentaram 814 pesquisas sobre o turismo, das quais 641 são dissertações (nível mestrado) e 173 teses (nível doutorado), espacializadas por 35 Instituições de Educação Superior. De posse desses dados, entende-se que a Geografia estuda o turismo por meio das ações que ele promove nas paisagens, sobretudo naturais, revelando que o turismo brasileiro se dá, prioritariamente, pela utilização dos recursos naturais, os quais motivam os deslocamentos turísticos. E a partir dessa atuação nas paisagens, o turismo acaba transformando-as em “produtos” e “mercadorias” a serem comercializadas e consumidas, com todo processo mediado pelo sistema capitalista. Com isso, os principais estudos realizados pela ciência geográfica para interpretar a organização da práxis do turismo brasileiro, variam pelo viés econômico, pelo enfoque sobre o espaço geográfico, pelos impactos causados na natureza, pela busca por sustentabilidade e pela consolidação da instância social. Grande parte dessas informações é respaldada pelo método de abordagem dialético. A ciência geográfica ainda empenha-se em desvendar o fenômeno turístico entendendo-o como fenômeno social intrínseco ao processo de desenvolvimento. Contudo, essa forma de analisar o turismo ainda se configura como minoritária, fato que justifica a pífia presença de pesquisas com base no método fenomenológico. Enquanto tema de pesquisa, o turismo não precisa ser mais nem menos importante para a Geografia. Juntamente com os demais temas, só precisa ser estimulado, em função da contribuição que pode fornecer, a fim de construir uma sociedade mais justa no futuro breve. Palavras-chave: Turismo.. Geografia.. Fundamentos. teórico-metodológicos.. Pesquisa..
(10) ABSTRACT The aim of this research is to analyze the main theoretic-methodological and conceptual trends existing in the studies on tourism brought about with the production of geographical knowledge (theses and dissertations) stimulated in the scope of the Brazilian Programs of Post-graduation stricto sensu in Geography. Alongside that, there is the possibility of identifying the scientific contents inside the geographical space and in its theory in the work of the geographer Milton Santos, verifying, with it, the meaning of a specific knowledge in Geography to the construction and validation of this science. The study is defined as descriptiveexploratory and possessing a qualitative-quantitative bias. In addition, it applies Bardin‟s (2004), analysis of thematic contents indicated by Richardson (2008), besides the programs Wordle (cloud of words) and Pajek (network constitution). As an analytical support, one visits the way tourism gains materiality in Brazil since 1930, genesis of this activity in the country, added with the ordaining of the main theoretic-methodological contributions of the geographical science to identify the odds of the research. it is useful to mention that among a total of 63 stricto sensu post-graduation programs in Geography validated in the period of the researching, 44 presented 814 studies on tourism: 641 master‟s dissertations and 173 doctoral theses, in a total of 35 superior education instances. Given these data, Geography studies tourism through the actions of tourism on the landscape, especially the natural ones, for the Brazilian tourism focuses particularly the natural resources behind the touristic displacements and trips. Through these actions, tourism eventually transforms landscapes in “products” and “merchandises” to be commercialized and consumed, in a process intermediated in every phase by the capitalist system. That is why the principal studies realized by the geographic science interpreting how the praxis of tourism in Brazil is organized vary due the economic biases, the focus on the geographic space, the impacts on environment, the yearning for sustainability and the consolidation of the social instance. A great number of these information are supported by the method of dialectical approach. The geographical science still endeavors to disclose the touristic phenomenon understanding it as a social phenomenon intrinsic to the development process. However, this kind of analysis is still minority, what justifies the negligible existence of researches of phenomenological trend. As a research subject, tourism does not need to be especially important to Geography. Along with other subjects, it only needs encouragement in function of the contribution it can give to help building a society more just in the coming future.. Key words: Geography. Theoretic-Methodological Bases. Research. Tourism..
(11) LISTA DE ILUSTRAÇÕES Mapa 1: Detalhamento e espacialização da amostra de trabalhos analisados ......... 46 Figura 1: Organograma do Ministério do Turismo do Brasil ..................................... 85 Figura 2: Modelo da Gestão Descentralizada do Brasil ........................................... 95 Figura 3: Enclaves que interferem na práxis do turismo no Brasil.......................... 125 Figura 4: Elementos, noções e conceitos da Teoria do Espaço geográfico. .......... 181 Figura 5: Nuvem de palavras do conceito de Paisagem ........................................ 252 Figura 6: Grafo da Rede do conceito de Paisagem ................................................ 255 Figura 7: Nuvem de palavras do conceito de Território .......................................... 258 Figura 8: Grafo da Rede do conceito de Território ................................................. 261 Figura 9: Nuvem de palavras do conceito de Região ............................................. 262 Figura 10: Grafo da Rede do conceito de Região .................................................. 264 Figura 11: Nuvem de palavras do conceito de Lugar ............................................. 266 Figura 12: Grafo da Rede do conceito de Lugar .................................................... 268 Figura 13: Nuvem de palavras do conceito de Espaço geográfico......................... 271 Figura 14: Grafo da Rede do conceito de Espaço geográfico ................................ 272 Figura 15: Nuvem de palavras de outros conceitos geográficos e/ou científicos ... 273 Figura 16: Teorias geográficas aplicadas aos estudos sobre o turismo ................. 277 Figura 17: Teorias Não Geográficas – Grupo A ..................................................... 285 Figura 18: Teorias Não Geográficas – Grupo B ..................................................... 293 Gráfico 1: Número de eventos trabalhados pela Embratur (2003/2013) ................ 113 Gráfico 2: Evolução de dissertações e teses geográficas que estudam o turismo . 139 Gráfico 3: Quantitativo de estudos selecionados na região Norte.......................... 216 Gráfico 4: Quantitativo de estudos selecionados na região Nordeste .................... 218 Gráfico 5: Quantitativo de estudos selecionados na região Centro-Oeste ............. 224 Gráfico 6: Quantitativo de estudos selecionados na Região Sudeste .................... 228 Gráfico 7: Quantitativo de estudos selecionados na Região Sul ............................ 237 Gráfico 8: Marco temporal das pesquisas selecionado pela amostra .................... 244 Gráfico 9: Conceitos-chave da Geografia usados nas pesquisas sobre o turismo 251 Gráfico 10: Levantamento dos Métodos de Abordagem da amostra analisada ..... 298 Quadro 1: Estudos relacionais entre a Geografia e o turismo .................................. 29 Quadro 2: Evolução das instâncias de gestão do turismo no Brasil ......................... 65 Quadro 3: Levantamento de instrumentos políticos do turismo brasileiro ................ 73.
(12) Quadro 4: Dados sobre as principais ações e impactos PRODETUR/Ne I (1990). 136 Quadro 5: Categorias de análise do Espaço geográfico, por Ruy Moreira ............. 167 Quadro 6: O Espaço geográfico por Milton Santos ................................................ 173 Quadro 7: Grupos de coordenações de cursos e programas (Área Geografia) ..... 207 Quadro 8: Programas de Pós-graduação em Geografia que não estudam o turismo ................................................................................................................................ 246 Quadro 9: Áreas de concentração e linhas de pesquisa dos Programas de Pósgraduação que estudam o turismo .......................................................................... 348.
(13) LISTA DE TABELAS. Tabela 1: Quantitativo de teses e dissertações, no âmbito dos programas brasileiros de pós-graduação stricto sensu em Geografia, que apresentam estudos sobre o turismo.......................................................................................................... 39 Tabela 2: Distribuição dos estudos geográficos em porcentagem (%) ..................... 41 Tabela 3: Tamanho da amostra estratificada por região e por IES........................... 43 Tabela 4: Evolução do orçamento do Ministério do Turismo (em R$ milhões) ......... 86 Tabela 5: Índice geral dos principais destinos competitivos do Brasil .................... 101 Tabela 6: Número de viagens domésticas realizadas no Brasil.............................. 111 Tabela 7: Chegadas de turistas ao Brasil, entre os anos de 1970 e 2014 .............. 115 Tabela 8: Quantitativo dos principais fluxos receptivos de turismo do Brasil .......... 116 Tabela 9: Chegadas de turistas ao Brasil (principais países emissores) ................ 117 Tabela 10: Chegada de turistas ao Brasil, segundo Unidades Federativas .......... 118 Tabela 11: Quantitativo das vias de acesso usadas pelos fluxos turísticos no Brasil ................................................................................................................................ 119 Tabela 12: Países que podem promover o turismo a partir de seus recursos culturais ................................................................................................................................ 120 Tabela 13: As primeiras economias no âmbito do turismo ..................................... 121 Tabela 14: Análise do Brasil: Relatório de competitividade viagens e turismo ....... 122 Tabela 15: Classificação das pesquisas quanto à centralidade do tema do turismo ................................................................................................................................ 336 Tabela 16: Amostra das pesquisas (teses e dissertações), fomentadas pelos Programas brasileiros de pós-graduação stricto sensu em Geografia que estudam o turismo .................................................................................................................... 344 Tabela 17: Relação dos números aleatórios para composição da amostra ........... 353.
(14) LISTA DE SIGLAS ABNT AGB BID BNB Cadastrur Capes CCT CERES CIFAT CNC CNTur DAI EMBRATUR FGV FINAM FINOR FIPE FISET Fornatur FUNGETUR FUFSE IBGE IADH ICCA IES MMA MEC SUDAM MTCI Mtur NET OMT OEA Plantur PIB PNMT PNT PPGe PRA Proecotur PRODETUR PRT PUC/MG PUC/SP PUC/RJ SEBRAE SICONV. Associação Brasileira de Normas Técnicas Associação dos Geógrafos Brasileiros Banco Interamericano de Desenvolvimento Banco do Nordeste Cadastro de Pessoas físicas e jurídicas do setor do turismo Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Centro de Ciências e Tecnologia Centro de Ensino Superior do Seridó Comitê Interministerial de Facilitação Turística Confederação Nacional do Comércio Conselho Nacional de Turismo Dissertation Abstract Index Instituto Brasileiro de Turismo Fundação Getúlio Vargas Fundo de Investimento da Amazônia Fundo de Investimento do Nordeste Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas Fundo de Investimentos Setoriais Fórum de Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo Fundo Geral de Turismo Fundação Universidade Federal de Sergipe Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano International Congress and Convention Association Instituição de Ensino Superior Ministério do Meio Ambiente Ministério da Educação Ministério do Planejamento, Superintendência e Desenvolvimento da Amazônia Meio Técnico-Científico-Informacional Ministério do Turismo Nova Era do Turismo Organização Mundial de Turismo Organização dos Estados Americanos Plano Nacional de Turismo Produto Interno Bruto Programa Nacional de Municipalização do Turismo Plano Nacional de Turismo Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia Plano Plurianual de Ação Programa de Desenvolvimento do Ecoturismo na Amazônia legal Programa Regional de Desenvolvimento do Turismo Programa de Regionalização do Turismo Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro Sistema Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Sistema de Convênios do Governo.
(15) SIG SISTUR SNT SNET SNQPT SNPG SUDENE TSI TGS UGI UNB UNICAMP UECE UNICENTROPARANÁ UEL UEM UFMS UF UNIR UNIOESTE UNESP UEPG UERJ UFBA UFC UFES UFF UFGD UFG UFMT UFMG UFPB UFPA UFPR UFPE FURG UFRN UFRGS UFRJ UFSC UFSM USP UFU UEC WTTC ZOPP. Sistemas de Informações Geográficas Sistema de Turismo Sistema Nacional de Turismo Secretaria Nacional de Estruturação do Turismo Secretaria Nacional de Qualificação e Promoção do Turismo Sistema Nacional de Pós-Graduação Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste Turismo Sustentável e Infância Teoria Geral dos Sistemas União Geográfica Internacional Universidade de Brasília Universidade Estadual de Campinas Universidade Estadual do Ceará Universidade do Centro-Oeste do Paraná Universidade Estadual de Londrina Universidade Estadual de Maringá Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul Unidade Federativa Fundação Universidade Federal de Rondônia Universidade Estadual do Oeste do Paraná Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Universidade Estadual de Ponta Grossa Universidade Estadual do Rio de Janeiro Universidade Federal da Bahia Universidade Federal do Ceará Universidade Federal do Espirito Santo Universidade Federal Fluminense Universidade Federal da Grande Dourados Universidade Federal de Goiás Universidade Federal de Mato Grosso Universidade Federal de Minas Gerais Universidade Federal da Paraíba Universidade Federal do Pará Universidade Federal do Paraná Universidade Federal de Pernambuco Universidade Federal do Rio Grande Universidade Federal do Rio Grande do Norte Universidade do Rio Grande do Sul Universidade Federal do Rio de Janeiro Universidade Federal de Santa Catarina Universidade Federal de Santa Maria Universidade de São Paulo Universidade Federal de Uberlândia Universidade Estadual do Ceará The Word Travel & Tourism Council Planejamento de projetos orientados por objetivos.
(16) SUMÁRIO 1 COORDENADAS INICIAIS .................................................................................... 17 1.1 Problemática ...................................................................................................... 18 1.2 Justificativa........................................................................................................ 26 1.3 Objetivos ............................................................................................................ 33 1.3.1 Objetivo Geral .................................................................................................. 33 1.3.2 Objetivos específicos........................................................................................ 33. 2 CAMINHOS DA PESQUISA .................................................................................. 34 2.1 Tipo de Estudo .................................................................................................. 36 2.2 Universo da Pesquisa e Amostra ..................................................................... 37 2.3 Coleta de Dados ................................................................................................ 47 2.4 Análise dos Dados ............................................................................................ 49 2.5 Etapas e Procedimentos ................................................................................... 54 2.6 Alcances e Limitações ...................................................................................... 55. 3 AS MATERIALIDADES DO FENÔMENO DO TURISMO NO BRASIL ................. 56 3.1 Trajetória Histórica da Institucionalização do Turismo Brasileiro ................ 62 3.1.1 Política e Planos ............................................................................................... 75 3.1.2 Programas e Projetos ....................................................................................... 78 3.2 Turismo no Brasil: cenários contemporâneos, críticas e projeções ............ 83 3.2.1 A organização administrativa ........................................................................... 84 3.2.2 O modelo de gestão e seus elementos gerenciais ........................................... 93 3.2.3 A atual estruturação da oferta turística brasileira ............................................. 96 3.2.4 A nova categorização turística e os principais segmentos no Brasil .............. 106 3.2.5 Os fluxos, modais e destinos que despontam no turismo brasileiro. .............. 114 3.2.6 A competitividade e os impactos econômicos do turismo no Brasil ............... 120 3.2.7 Crítica à práxis do turismo no Brasil ............................................................... 124 3.2.8 A relação entre a materialização do turismo e a produção de pesquisas ...... 135. 4 A GEOGRAFIA E SUA EPISTEME ..................................................................... 144 4.1 A Trajetória Histórico-Científica da Geografia .............................................. 147 4.1.1 O saber geográfico a caminho da formalização ............................................. 148.
(17) 4.1.2 A particularidade alemã e o início da sistematização geográfica ................... 154 4.2 O Movimento de Renovação da Geografia .................................................... 156 4.3 As Categorias de Análise geográfica ............................................................ 164 4.4 Os Conceitos-chave da Geografia ................................................................. 168 4.5 Teorias Geográficas ........................................................................................ 179 4.6 O Método Científico de Abordagem e a Geografia ....................................... 194 4.7 A Geografia Brasileira: histórico e desafios contemporâneos ................... 202. 5 OS ESTUDOS DO TURISMO À LUZ DA CIÊNCIA GEOGRÁFICA ................... 211 5.1 Levantamento de pesquisas (teses e dissertações), que abordam o turismo, nos programas brasileiros de pós-graduação stricto sensu em Geografia..... 213 5.1.1 A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) . 214 5.1.2 Programas de pós-graduação stricto sensu em Geografia que apresentam estudos com a temática do turismo ......................................................................... 215 5.1.3 Programas brasileiros de pós-graduação stricto sensu em Geografia que não apresentam estudos com a temática do turismo ..................................................... 245. 5.2 Debate sobre os principais conceitos empregados pelas pesquisas geográficas, em nível de pós-graduação stricto sensu no Brasil, que se empenham no campo de investigação do turismo ............................................ 249. 5.3 As teorias que alicerçam, metodologicamente, as pesquisas geográficas diante da abordagem do turismo, no contexto dos Programas brasileiros de Pós-graduação stricto sensu em Geografia ....................................................... 276. 5.4 O emprego do método científico nas pesquisas vinculadas aos Programas brasileiros de Pós-graduação stricto sensu em Geografia que abordam a temática do turismo .............................................................................................. 296. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS: o turismo enquanto tema de investigação geográfica no Brasil.............................................................................................. 310.
(18) REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 323 APÊNDICES ........................................................................................................... 335 APÊNDICE A........................................................................................................... 336 APÊNDICE B........................................................................................................... 344 APÊNDICE C .......................................................................................................... 348 ANEXOS ................................................................................................................. 352 ANEXO A ................................................................................................................ 353.
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(20) P á g i n a | 18. 1.1 Problemática. A produção do conhecimento científico no Brasil nunca esteve tão em evidência como se pode notar na contemporaneidade. Reflexo direto do aumento na oferta de cursos de pós-graduação, de eventos científicos das mais diversas tipologias e temáticas, de grupos de pesquisas, parcerias e intercâmbios nacionais e internacionais, além dos diversos canais de publicações que estimulam a fluidez de estudos com temas originais. Atrelado à possibilidade de atuação nesses múltiplos espaços de construção do saber, percebe-se certo empenho em superar determinados preconceitos, que ainda engessam as fronteiras disciplinares, por meio do estabelecimento de um diálogo proativo entre aportes científicos de áreas distintas. Sabe-se que esse movimento de aproximação entre ciências diferentes é consequência da partilha de alguns problemas de ordem global, como a desigualdade socioeconômica e a degradação ambiental, por exemplo, que, demudados em questionamentos científicos, acabaram solicitando um trabalho contíguo entre campos disciplinares distintos, tornando maleáveis os perímetros circunscritos de cada conhecimento específico (MARANHÃO, 2010; MENEGHEL, 2007). Com efeito, entende-se que em face dessa realidade globalizada, parece dissonante manter-se apático à disposição de relacionar-se com outros campos de investigação. Legitimando essa fala, Perdigão (1995, p. 157-158) afirma que: Nenhum aspecto da realidade pode ser considerado isoladamente [...] As partes da realidade são pedaços de um todo e estão interligados: Há um agrupamento de coisas em que o sentido de cada parte só aparece por inteiro quando ela é vista em relação às outras partes do todo.. Ao refletir sobre as possibilidades de vínculo entre campos distintos do conhecimento, é possível recordar que o caminho traçado pela Geografia, a fim de consolidar-se enquanto ciência moderna no século XIX, foi marcado por aproximações e empréstimos com diversas áreas de investigação já consolidadas, como é o caso das Ciências Naturais (GOMES, 1996). Contribuindo com essa situação, tem-se ainda, dentre os vários parâmetros iniciais que forneciam base aos apontamentos científicos da Geografia, a perspectiva corológica (visão espacial), fazendo referência ao estudo geográfico.
(21) P á g i n a | 19. como uma espécie de síntese de todas as outras ciências. Essa concepção que se originou a partir dos apontamentos de Kant, acabou qualificando a ciência geográfica como sintética e descritiva, justamente por se pautar na visão de conjunto do planeta (MORAES, 2005). Por conta disso, ainda é permitido destacar certa predisposição geográfica por análises que envolvem uma gama de temas e relações diferentes, sempre condicionados ao surgimento das novas racionalidades postas no espaço, e que acabam solicitando pesquisas, em face da ação conjunta que estabelecem com o todo espacial. Verticalizando essa análise para a ciência geográfica, nota-se um processo caracterizado por uma “multiplicidade temática e teórico-metodológica” (CARLOS, 2002, p. 161). No entanto, mesmo evidenciando que a aproximação da Geografia com outras ciências é um fato historicamente comprovado, faz-se necessário pontuar que esses empréstimos sempre motivaram uma série de críticas, por parte de alguns estudiosos, quanto à cientificidade da Geografia, que por vezes passou a ser considerada como uma ciência descritiva e redundante, uma vez que suas ideias eram manifestadas com base em saberes já verificados por outras ciências. Confrontando essa visão limitante, La Blache (1913 apud CHRISTOFOLETTI, 1982, p. 38) fala que: Na complexidade dos fenômenos que se entrecruzam na natureza, não se deve ter uma única maneira de abordar o estudo dos fatos. É útil que sejam observados sob ângulos diferentes e se a Geografia retoma certos dados que possuem outro rótulo, não há nada para que se possa taxar essa aproximação de anticientífica.. Dessarte, o turismo para esta pesquisa é visto como uma relevante temática de investigação científica. Aqui, não se quer entrar no mérito de sua cientificidade, mas admite-se que o mesmo ainda não dispõe de uma aceitação conceitual integral entre seus pesquisadores, e após ter passado por várias vertentes interpretativas, vem solicitando novas análises críticas, favorecendo o surgimento de diversas pesquisas científicas que abordam seu temário. Segundo Azevedo et al. (2013, p. 11-12), o turismo é um dos aspectos mais relevantes da sociedade contemporânea. Para esse autor, Os deslocamentos para lazer, as viagens de férias, o entretenimento associado à viagem, tem feito milhares de pessoas se movimentarem no mundo, principalmente pela existência de meios de transportes rápidos, fáceis e com uma rede que se conecta quase sem restrições a maior parte.
(22) P á g i n a | 20. do mundo organizado pelo capital. Isso transforma o fato turístico, observável, em fenômeno. Dessa forma, o fluxo contínuo de pessoas se deslocando pelo mundo com objetivos [...] ligados à realização do lazer [...] ganhou enorme proporção sendo assim necessário diagnosticar suas situações [...] O turismo dessa forma precisou ser pensado e teorizado. A busca por conceitos explicativos, que respondessem a questões que se colocavam [...] gerou os primeiros ensaios de compreensão do fenômeno, e esse primeiro panorama de ensaios-teorias acenou para um entendimento da forma prática mais aparente da dinâmica do turismo: os efeitos econômicos.. Há de se considerar que a demanda por uma compreensão analítica do turismo, aparece simultaneamente ao momento de ebulição que a produção do conhecimento científico vivencia no Brasil, e, em função disso, identificam-se inúmeras aproximações de ciências distintas com o campo do conhecimento do turismo, buscando gerar estudos científicos necessários tanto para turismólogos (em face da demanda por postulados científicos já consolidados), quanto para os diversos pesquisadores, de outras áreas (diante da interferência do turismo nos seus campos de estudo), verificando ganhos para ambos os lados. Por tudo isso, nota-se de forma mais recorrente, nos debates propostos em torno da temática do turismo, a fala que demonstra sua inerente relação com diversos campos do conhecimento, a saber: Administração, Economia, Geografia, Psicologia, Sociologia, dentre outros, que fornecem contribuições diferenciadas para o seu estudo. E dessa lista de ciências, a Geografia é o destaque neste trabalho. Lançando um primeiro olhar sobre a provável origem da relação entre a ciência geográfica e o turismo, recorda-se novamente o final do século XIX, diante da formalização da Geografia enquanto ciência sistematizada. Sabe-se que o geógrafo alemão Alexandre Von Humboldt cogitou esquematizar metodologicamente os dados que observava durante suas excursões, a partir da elaboração de um inventário de elementos naturais e de localizações (rios, montanhas, enseadas, plantas, climas, entre outros) (MORAES, 2007). O que se percebe nos relatos, é que a experiência da viagem, mesmo que ainda não se configurasse na prática de um turismo moderno, acabou servindo de ferramenta metodológica para o aludido geógrafo alemão, na sua tentativa de organizar sistematicamente o conhecimento geográfico, desencadeando um método específico para a Geografia (GOMES, 2006). Apesar desses acontecimentos históricos, a relação entre a Geografia e o turismo só tomou proporções acadêmico-científicas no ano de 1841, diante do.
(23) P á g i n a | 21. primeiro registro de interesse epistemológico de um geógrafo austríaco chamado Kohl (ainda no século XIX), que foi atraído pela transformação do meio natural, promovida pelo deslocamento de turistas sobre o território, ao interagir com lugares, culturas e populações visitadas (GÓMEZ, 1987). Destaca-se, além disso, que em 1905, outro geógrafo austríaco chamado Joseph Stradner, denominou de Geografia do turismo, Fremdenverkehrsgeographie, o conhecimento que era gerado a partir do olhar geográfico sobre o fenômeno turístico. Dentre os estudos que se destacavam nesse período, estavam os que tratavam dos efeitos positivos da atividade turística na balança de pagamentos, já evidenciando certo protagonismo da visão econômica, que tanto limita as análises formuladas sobre o turismo na atualidade (CASTRO, 2006). Neste momento, torna-se imperativo interromper a linha de raciocínio para fazer uma observação importante. Mesmo reconhecendo o valor histórico que a disciplina Geografia do turismo adquire, não é possível atribuir-lhe o status de ciência. O que ocorre nesse caso, é que a Geografia enquanto ciência é a mesma e não muda. Ela apresenta os mesmos fundamentos metodológicos, verticalizando apenas na temática utilizada nos seus estudos, e com isso, podendo analisar temas ligados à saúde, aos transportes, dentre outras possibilidades. Esse alerta alinha-se com a fala de Santos (1996, p. 33), quando o autor diz que “a Geografia é uma só, e as variáveis que criam as diferenças no espaço [...] não poderão jamais desfazer a profunda unidade”. Continuando com a exposição de fatos que marcam o início da abordagem geográfica do turismo, é possível citar que, no ano de 1919, um geógrafo alemão, chamado de K. Sputz, por meio de sua tese de doutorado intitulada de Die Geographischen Bedigungen und Wirkungen dês Fremdenverkehrs in tirol1, também expressa certo ineditismo, quando se trata dos primeiros estudos geográficos que abordam a temática do turismo, fazendo relação com o deslocamento espacial (GÓMEZ, 1987). Ainda é possível citar a contribuição dos geógrafos Ruppert e Maier, em obra de 1969. Esses pesquisadores, por reconhecerem a importância que o lazer 1. “Condicionantes geográficos e efeitos do turismo no tirol”..
(24) P á g i n a | 22. passava a assumir na sociedade da época, elegeram as formas e os processos de organização espacial, resultante dos deslocamentos dos grupos humanos na busca pelo lazer e/ou descanso, como questão problema para nortear seus estudos (CASTRO, 2006). Já no Brasil, é possível mencionar a tese do professor Dr. Armando Corrêa da Silva, intitulada O litoral norte do estado de São Paulo: formação da região periférica, defendida em 1975, no Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), como o primeiro esforço acadêmico-científico da Geografia brasileira para com a temática do turismo (CASTRO, 2006). A tese aludida fez uma leitura elementar do turismo, uma vez que, nessa época, a atividade turística no Brasil ainda não contava com uma organização estatal e privada estruturada. Esse fator acabou refletindo diretamente na forma como o turismo foi abordado. O estudo limitou-se à tipologia itinerante dos acampamentos, a busca pelo lazer e por descanso, e ainda ao inventário de algumas obras urbanas que davam suporte à atividade nas cidades estudadas. Também foi possível verificar uma tímida preocupação com questões ambientais e culturais. Nas palavras de Silva (1975, p. 165-169). Em suas características gerais, o turismo é a atividade das pessoas que fazem uma viagem de ida e volta a um núcleo receptor a partir de um mercado turístico, efetuando gastos diferentes do local habitual de residência, com a finalidade de desenvolver uma atividade de lazer [...] O objetivo maior dos turistas é a busca por sossego e informalidade, com a valorização da paisagem, principalmente do relevo, vegetação e a costa [...] O turismo do litoral norte do estado de São Paulo é ainda um turismo regional que abrange principalmente parte do sudeste, principalmente o estado de São Paulo, parte de Minas Gerais e o estado do Rio de Janeiro.. Em suma, o turismo para esse trabalho configurava-se apenas como um elemento que participava da dinâmica econômica do litoral norte do estado de São Paulo, e que junto com as demais atividades: portuárias, costeiras e de mercado, concatenadas ao processo da urbanização, formatava o cenário estudado, diante da composição de uma região periférica, fator que justificava seu uso nas análises. Mas quando se trata do primeiro trabalho geográfico, em nível de pósgraduação stricto sensu no Brasil, que estudou o turismo como temática principal, destaca-se a tese de Kleber M. B. Assis, intitulada O Turismo Interno no Brasil,.
(25) P á g i n a | 23. datada de 1976, e defendida junto ao Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (RODRIGUES, 2001). Esse estudo apresentava, além de um perfil descritivo, um expressivo volume de dados, que também sinalizavam para os aspectos econômicos da atividade, carecendo por isso, de análises mais amplas, uma vez que o turismo ainda necessitava de organização e legitimação, por parte do Estado, como já informado. Todavia, o que se observa no cenário acadêmico brasileiro é que de 1975 até o ano de 1998, a produção de estudos que tratavam do olhar geográfico sobre o turismo se centralizava, em grande parte, nos Programas de Pós-graduação das regiões Sudeste e Sul. Muito em decorrência, ainda, do reduzido número de programas de pós-graduação em geografia no país, fora do eixo Sul-sudeste. Somente após o ano de 1999, com o advento de políticas públicas estruturantes com foco no turismo, é que ocorre a descentralização desses estudos por outras instituições de ensino superior do país, e paralelo a isso, nota-se o fomento de outros programas de pós-graduação nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte (CASTRO, 2006). Ainda cogitando sobre algumas possibilidades de abordagens do turismo, encabeçadas por pesquisas geográficas, é permitido recordar três linhas teóricas que se destacaram, em conformidade com Costa et al. (2004). A primeira linha refere-se aos estudos voltados ao fomento dos espaços turísticos, compreendendo o turismo como uma atividade político-econômica. Uma segunda possibilidade faz menção ao tratamento do espaço vivido dos indivíduos dos locais turísticos, focando em relações mais subjetivas. E uma terceira perspectiva, fala de uma vertente relacionada aos estudos sobre as representações espaciais das áreas turísticas, elencando a viagem como o princípio da atividade. Destaca-se aqui, a busca pelo entendimento do alcance e da aplicabilidade que estes direcionamentos se inserem nas pesquisas geográficas que se dedicam ao turismo nos dias atuais. A critério de informação, quando se trata de estudos produzidos no âmbito do turismo, também é possível ilustrar esforços em torno do relacionamento para com a Geografia. Informa-se que no início da década de 1980, uma pesquisa de autoria de Jafari e Aaser, a qual analisou um empírico de 157 teses sobre o turismo, produzidas nos Estados Unidos entre os anos de 1951 e 1987, com base nos arquivos do Dissertation Abstract Index (DAI), e constatou que a Geografia é uma.
(26) P á g i n a | 24. das áreas científicas mais tradicionais a produzir conhecimento fazendo uso da temática do turismo (LIMA; REJOWSKI, 2011). Fato que só autentica a relação entre as áreas estudadas por esta tese. Diante de todos os exemplos expostos, verifica-se que a abordagem geográfica do turismo se estabelece, prioritariamente, por meio da ação dos deslocamentos (cerne da prática do turismo), auxiliados por materialidades (infraestruturas diversas) que possibilitam o movimento dos fluxos turísticos pelo espaço, este visto aqui como elemento determinante para que a experiência turística aconteça. Atestando esse viés geográfico do turismo, Coriolano e Silva (2005, p. 153) declaram que: O turismo [...] possui uma base geográfica, por envolver os espaços naturais e produzidos pelo trabalho humano. Envolve pessoas e lugares, os dois eixos da Ciência geográfica. [...] O turismo materializa-se na lógica da diferenciação geográfica dos lugares e das regiões. [...] diz respeito ao espaço, pois as relações sociais ocorridas ao longo do tempo alteram e reestruturam espaços produzidos em tempos diferenciados, construindo os patrimônios culturais, as cidades, a chamada segunda natureza, ou seja, os lugares que passam a ser objeto do olhar do turismo.. A relação estabelecida entre as pessoas e os lugares evidencia a presença de “fluxos” e de “materialidades” como elementos que compõem a afinidade entre a Geografia e o turismo. Destaca-se o papel determinante do espaço, enquanto um condicionante que possibilita a sinergia entre esses elementos. Explanando esse cenário, Gastal (2002, p. 8) afirma que “nesse turismo que é, antes de tudo, deslocamento [...] as questões do espaço têm sido encampadas pela Geografia”. Fato que admite a articulação da atividade turística com uma base territorial, aproximando-a intimamente do Espaço geográfico, por meio da concatenação das materialidades (equipamentos turísticos, infraestrutura urbana, estradas, acessos) com os deslocamentos (fluxos de pessoas, mercadorias e capital), justificando a existência de um viés geográfico do turismo, com proposições específicas de questões, motivando com isso, o questionamento desta tese. Diante de toda a conjuntura exposta, e movido pelos diversos elementos que promovem o estudo do turismo na Ciência Geográfica, é que este estudo de tese apresenta como questão-chave na sua problemática saber: quais são as principais tendências teórico-metodológicas e conceituais presentes nos estudos sobre o turismo, a partir da produção do conhecimento geográfico (teses e.
(27) P á g i n a | 25. dissertações), fomentada no âmbito dos Programas brasileiros de Pósgraduação stricto sensu em Geografia? Entende-se que tão somente de posse desse esclarecimento, uma digital geográfica do turismo poderá ser delineada. Apontando para o modo específico e característico da Ciência Geográfica empreender esforços científicos para com a temática do turismo, utilizando de conceitos, teorias, métodos de abordagens e outras categorias de análise. Em sinergia com as relações já postas, cabe frisar outra importante questão que necessita de um breve destaque, uma vez que será tratada na Seção IV, dedicada à episteme da Geografia. Paralela à questão problema desta tese, está a possibilidade de identificar a relevância do uso do conteúdo científico contido no conceito de Espaço geográfico e em sua teoria (elementos, noções, pares dialéticos e ideias), ambos de autoria do geógrafo brasileiro Milton Santos. Verifica-se, desse modo, a significância desse conhecimento tipicamente geográfico, e por isso disciplinar, na construção do saber em questão, e na sua posterior validação. A partir disso, busca-se o alinhamento entre a proposta desta tese, que visa analisar os estudos geográficos (teses e dissertações) que fazem uso da temática do turismo, na busca por determinar uma tendência teórico-metodológica e conceitual, com os subsídios disciplinares presentes no conceito de Espaço geográfico e na respectiva teoria. Depreende-se que, mesmo havendo a possibilidade de comunicação entre ciências e temáticas diferentes, deve existir um fio condutor disciplinar que confira às pesquisas analisadas um caráter específico, mesmo quando elas centram seus esforços em outros campos do conhecimento, uma vez que ao final do processo de investigação, os resultados deverão ser atribuídos a determinadas áreas científicas. Daí vem a importância de primeiro delimitar o caminho disciplinar, para depois adentrar em questões interdisciplinares. Esclarece-se ainda que não é de exclusividade de Milton Santos o estudo e a proposição de elementos científicos a respeito do Espaço geográfico. No entanto, para esta pesquisa, a produção do referido autor foi selecionada como base para as análises, muito devido ao alcance conquistado por suas proposições, em nível nacional e, sobretudo, mundial..
(28) P á g i n a | 26. De forma complementar, é preciso deixar claro que esta tese, em nenhum momento, quer atribuir geograficidade e legitimidade aos estudos, nem tão pouco indicar um elemento normatizador para as pesquisas geográficas sobre o turismo no Brasil. Antes, o empenho está em problematizar e tecer aproximações que possam esclarecer e alinhar o significado da representatividade do turismo enquanto tema relevante de investigação para a Geografia brasileira, assim como constatar a ligação dos estudos sobre o turismo com questões espaciais. Por fim, o comprometimento direciona-se para a condição de possibilitar novos olhares e debates, visando estimular avanços no conhecimento sobre o turismo, a partir da análise geográfica, em face de suas múltiplas interfaces e relações.. 1.2 Justificativa. A relevância teórica que justifica esta tese, centraliza-se na construção de um cenário alusivo à produção do conhecimento geográfico brasileiro (teses e dissertações), no que se refere aos seus aspectos teórico-metodológicos e conceituais, destacando os conceitos, as teorias, os conteúdos e as inclinações metodológicas, com vistas a determinar possíveis tendências de uso desses elementos, nas investigações geográficas, em nível de pós-graduação, que optam pelo turismo como tema de estudo. No que se refere à relevância prática, tem-se a investigação de como essas produções acadêmicas se convertem em informações destinadas ao uso pragmático dos pesquisadores, fator que favorece a ampliação de oportunidades que facilitam a conexão entre os campos de investigação trabalhados por esta pesquisa. Uma vez que, apreendendo os elementos (benesses e enclaves) presentes no conhecimento originado dessa afinidade, torna-se possível perceber a postura que vem sendo adotada até o momento, assim como verificar a importância da temática do turismo para os estudos geográficos no âmbito dos Programas brasileiros de Pós-graduação em Geografia. Pensar o turismo como um campo recente de estudos, também justifica a necessidade de maiores empenhos no sentido de ampliar os questionamentos científicos sobre esta temática. Assim, a Geografia se configura, dentre as demais.
(29) P á g i n a | 27. ciências, como uma real possibilidade de suporte teórico-metodológico e conceitual para as pesquisas que levantam questões problematizadoras alusivas ao turismo. Segundo Castrogiovanni (2002, p. 60-61): O estudo do fenômeno do turismo é recente e, por sua complexidade, merece ser realizado por diferentes áreas do conhecimento. No Brasil, a partir de 1990, inicia-se uma verdadeira avalanche de escritos sobre preocupações voltadas ao turismo.. Simultâneo a esses fatos, é permitido fazer referência à valorização que a área do turismo vem recebendo na academia e, sobretudo no mercado. Uma vez que é possível notar os esforços em torno do debate sobre o turismo, por meio da dedicação de órgãos de fomento científico, vinculados com grandes áreas do conhecimento (Ciências Humanas, Sociais e Aplicadas), e concatenadas com os setores de mercado, como: planejamento, gestão, marketing e publicidade, estimulando esforços conjuntos, em face de intencionalidades dissonantes (RODRIGUES, 2001). Como desdobramento dessa valorização do tema na pesquisa científica, o Sistema Nacional de Pós-Graduação (2016), identifica no Brasil 11 (onze) Programas de Pós-graduação em turismo, nos quais são ofertados quatro (4) cursos de Mestrado acadêmico (Universidade de São Paulo, Universidade Anhembi Morumbi, Universidade Federal do Paraná e Universidade Federal Fluminense), três (3) cursos de Mestrado profissional (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe, Universidade de Brasília e Universidade Estadual do Ceará), e quatro (4) cursos de Mestrado/Doutorado (Universidade Anhembi Morumbi, Universidade de Caxias do Sul, Universidade do Vale do Itajaí e Universidade Federal do Rio Grande do Norte). O SNPG destaca ainda um cenário com perspectivas para novas aprovações de cursos para a área do turismo nos próximos anos. Vale registrar que no ano de 2016, foi aprovado mais um curso de Pósgraduação em turismo, ofertado pela Universidade Federal de Pernambuco. Já meditando sobre os ganhos que esta tese pode ofertar para a Geografia, aponta-se a dedicação para análises sinérgicas entre o conceito de Espaço geográfico e teoria que ele abrange. Enfatiza-se que a motivação para relacioná-los se deve à compreensão de que a oxigenação das ideias em Geografia depende da frequente depuração da noção de Espaço geográfico, e pelo exame das suas categorias disciplinares de análise (SANTOS, 1988)..
(30) P á g i n a | 28. Ou seja, quanto mais se coloca em questão esses fundamentos geográficos, mas eles possibilitam avanços substanciais, novas relações e questionamentos. Por essa razão, opta-se por trabalhar com as tendências teórico-metodológicas e conceituais das pesquisas geográficas que abordam a temática do turismo, em meio à compreensão do Espaço geográfico e de sua teoria. Outro entendimento que justifica a escolha desta tese é a visão do turismo como um elemento que interfere na dinâmica espacial. Esse complexo fenômeno consegue moldar, interagir e consumir territórios (produzindo e reproduzindo espaços), participando ativamente da composição do conjunto sistemático e relacional de fluxos e materialidades, que fomentam as totalizações espaciais (AZEVEDO, 2013). E, por essa razão, acaba sendo captado pela leitura e discussão do Espaço geográfico proposta por Milton Santos. Para Silva (2012), a relevância social, política, cultural e econômica que o turismo passou a desempenhar é o que impulsiona o interesse da Geografia pelo seu estudo. No entanto, o que se destaca como o principal alicerce e fator motivacional para o crescimento dos estudos geográficos que fazem uso da temática do turismo é o caráter espacial que é inerente à atividade. Pensando assim, é de interesse geográfico discutir o turismo, uma vez que ele se configura como uma prática social que utiliza, interfere, transforma, produz e consome o objeto de estudo geográfico. Sem embargo, compreende-se que o turismo reflete um espaço que é socialmente produzido. E esse mesmo espaço, tem sido edificado e moldado a partir de elementos históricos e naturais, por intermédio de processos sociopolíticos e econômicos, muitas vezes verticais. Em função disso, Rodrigues (2001, p. 40), abona que, devido às expressivas “incidências espaciais do turismo, o tratamento geográfico do fenômeno vem tornando-se cada vez mais destacado”. Como consequência, e no que se refere à aproximação dos geógrafos com a temática do turismo, Castro (2006) menciona que no ano de 1980, já era possível perceber na produção do conhecimento geográfico brasileiro, uma maior aproximação com questões relacionadas ao fenômeno turístico, produzindo uma gama de questionamentos e debates, acampados pela Geografia, em função da práxis do turismo no Brasil..
(31) P á g i n a | 29. Com base nisso, tem-se outro fator que valida esta pesquisa. É notória a expressiva ocorrência de estudos que aproximam a Ciência Geográfica do turismo. No Quadro 1, verifica-se uma lista de estudos e pesquisas que, embora não se configurem como dissertações ou teses, são identificados como desdobramentos destes, e estão vinculados aos Programas de Pós-graduação, apresentando focos transversais, subsidiados por óticas diferentes, mas sem deixar de revelar uma interface com esta tese de doutorado. Quadro 1: Estudos relacionais entre a Geografia e o Turismo Título da pesquisa, artigo ou estudo. Tourism geographies: connections with human geography and emerging responsible geographies Framing tourism geography: notes from the underground Guides to a geography of tourism Espaço e turismo: contemporâneas. reflexões. Geography and Tourism Contribuição geográfica ao estudo do turismo A geografia e a dimensão espacial do turismo: um ensaio exploratório. Geographies of tourism: (un)ethical Encounters Una década de cambios: la geografía humana y el estudio del turismo A geografia estudando o turismo: uma análise dos trabalhos apresentados em dois eventos geográficos nacionais O turismo enquanto espaço de análise geográfica: três perspectivas de abordagem Issues and approaches in the contemporary Geography of tourism Fonte: Dados da pesquisa (2017).. Autor (es) JarkkoSaari nen. Canal de divulgação Geographia Polonica. Ano 2014. C. Michael Hall Bosse Bergman Rita M. de P. Garcia. Annals of tourism research (Science Direct) National Committee of Geography of Belgium – Belgeo IX Seminário da Associação Nacional de Pesquisa e PósGraduação em Turismo Almatourism. 2013. Mercator Revista de Geografia. 2011. Revista PublICa VI. 2010. Progress in HumanGeography. 2010. Scripta nova. 2008. Universidade Estadual de Londrina. 2005. Mercator Revista de Geografia. 2004. Tourism Geography. 2003. Giácomo Corna. P. Wilson M. Lopes Júnior Kelson Silva e Maria. A.P. da Fonseca Chris Gibson Daniel Hiernaux Carlos E.P. G. Filho Maria A. Freitas Costa et al. Stephen Williams. 2012 2012. 2011. Os dados apresentados no Quadro 1 atestam a recorrência de pesquisas que tratam da aproximação da Ciência Geográfica com o turismo. Nota-se que a temática circula pelos debates e estudos nacionais e internacionais, em meio a.
(32) P á g i n a | 30. diferentes canais de divulgação científica de ambas as áreas. Evidência que leva Silva (2012, p. 48-49) a afirmar que: A renovação teórica incitada pela Geografia nos últimos 50 anos [...] já retrata a preocupação que a referida ciência tem em estudar temas atuais, que emergem das diversas linhas de pensamento [...] Observando as ciências humanas e sociais, a Geografia tem se apresentado como uma das que mais tem se aberto ao debate acadêmico sobre variados temas relevantes do período contemporâneo [...] A abordagem geográfica do turismo liga-se a aplicação dos métodos, técnicas e teorias da Geografia para a compreensão do fenômeno do turismo [...]. O que emerge é uma leitura geográfica do turismo, levando em consideração os atributos naturais, físicos, sociais, econômicos, culturais e políticos do espaço que, em interação, conformam um território com características únicas voltadas para o turismo. O turismo representa apenas uma parcela das várias que compõem o Espaço geográfico.. Desse modo, dentre os fatos aludidos e que justificam este estudo, tem-se, conforme a fala de Galvão Filho (2005), o entendimento de que as análises geográficas variam com o tempo e por isso se empenham na leitura da realidade vivida no passado e no presente. Sendo o turismo uma peça de composição expressiva no caminho histórico, e sobretudo na contemporaneidade, ele acaba habilitando-se como um conteúdo que desperta o interesse geográfico. Com isso, tem-se o crescimento de estudos que se utilizam desse subsídio espacial, trazendo a abordagem geográfica do turismo para o centro dos principais ciclos de debates e produções acadêmicas no Brasil e no Mundo. Reconhece-se, pois, uma articulação sistêmica entre territórios, paisagens, lugares, ambientes e turismo, na perspectiva da transformação espacial induzida pelos diversos tipos de infraestrutura e equipamentos, de forma principal para os que visam atender as demandas turísticas. Isso evidencia a capacidade modeladora do turismo, apontando a urbanização turística como um dos seus desdobramentos (CRUZ, 2000). Assim sendo, a Geografia instiga a pensar, processualmente, as relações sociais impostas, os diferentes lugares, a diversidade da formação socioespacial e, por fim, a complexidade que é o turismo. Outra questão que justifica este estudo, é que a maioria das abordagens geográficas sobre o turismo acaba centralizando suas análises nos espaços produzidos em função da atividade, os chamados de espaços turísticos. Esse direcionamento. majoritário. acaba. contrariando. as. advertências. feitas. por. pesquisadores, que mencionam sobre a falta de fundamentação teórica e o excesso.
(33) P á g i n a | 31. de descrição e empiria, presentes nos estudos que tratam do espaço turístico (CASTROGIOVANNI, 2002). Nesse sentido, Rodrigues (1998, p. 50) também chama a atenção para a recorrência de estudos que fazem um intensivo uso da “Geografia do turismo”, o que acaba banalizando e/ou enfraquecendo os possíveis avanços, uma vez que, na perspectiva da Geografia do turismo, os pesquisadores: Não fazem mais do que elencar os atributos naturais ou físicos de uma dada região ou, quando não passam a enumerar uma série de lugares com certa atratividade, indicando a visitação, formando um verdadeiro guia turístico. Essa dita Geografia do turismo está completamente fora de cogitação em estudos sobre a real contribuição geográfica no turismo. [...] Por esta razão, algumas pesquisas acabaram considerando apenas parte das características da relação existente entre Espaço geográfico e turismo e não a sua plenitude.. Contrariando essa acomodação, busca-se, com esta tese, analisar as tendências teórico-metodológicas e conceituais, de forma mais ampla, para com isso verificar outras possibilidades para os estudos geográficos que pesquisam sobre o turismo, mesmo que em algum momento tenha sido necessário pensar a partir da lógica do espaço turístico. Defende-se aqui a necessidade de avanços que extrapolem as frágeis fronteiras científicas do espaço dito “turístico”, uma vez que as transformações espaciais, mesmo sendo demarcadas e concentradas em “corredores turísticos”, acabam excedendo os seus limites e intervindo na dinâmica do local, motivadas pelo efeito. multiplicador. inerente. ao. próprio. turismo,. instigado. pelas. relações. globalizantes. Ao meditar sobre os fatos pessoais que estimulam esta pesquisa, cita-se o envolvimento profissional e acadêmico do autor com atividades do setor de turismo, uma vez que, imerso nesse cenário, a percepção da afinidade entre a Geografia e o turismo foi se clarificando e desdobrando-se diante da prática profissional cotidiana. De igual modo, cita-se também o estímulo a partir do contato direto com as ações, atividades e pesquisas desenvolvidas pelo orientador deste estudo. Sendo o autor turismólogo de profissão, informa-se ainda que sua migração para um Programa de Pós-graduação em Geografia, após a conclusão do curso de Mestrado em turismo, se deu em função do entendimento e do aceite sobre a necessidade da interdisciplinaridade que o turismo solicita. A partir disso,.
(34) P á g i n a | 32. compreende-se que, ao cursar uma Pós-graduação em Geografia, teve a possibilidade de ampliar os horizontes e de ter acesso a novas leituras e novas experiências. Profissionalmente, ratifica-se este trabalho pela intenção de cooperar para a formação do geógrafo e do turismólogo. Cita-se a possibilidade efetiva, com base nos resultados, de mapear novos subsídios para a formulação de um conhecimento cumulativo, ressignificando e priorizando o esforço por análises completas, fugindo da ênfase produtiva “em massa” empregada comumente, que favorece o aparecimento de lacunas e imprecisões no saber construído. Entende-se, por fim, que a discussão proposta nesta tese tem uma meta definida, no que se refere ao aprimoramento do conhecimento geográfico sobre o turismo, uma vez que, de acordo com Castro (2006), existe uma orientação pluriparadigmática que compõe a base da sustentação teórica, conceitual e temática do conhecimento estabelecido entre a Geografia e o turismo. Assim, nota-se a precisão de melhor mapear essas possibilidades, para com isso ultrapassar as análises descritivas e otimizar a migração para enfoques mais complexos, delimitando com isso, a digital geográfica que identifica a maneira como a Geografia no Brasil entende o turismo. Revela-se que a principal finalidade perante este cenário científico não é a de esgotar a discussão, e sim, lançar questionamentos que possam suscitar debates originais e assim, contribuir para a ampliação do arcabouço teórico que trate da sinergia entre a Geografia e o turismo. Por tudo que foi dito, observa-se a Geografia como uma ciência de dimensões diversas, constituindo-se a partir de elementos físicos e de relações sociais, abrindo possibilidades para estudos de fenômenos que apresentem dimensão espacial, e é neste momento que o turismo aproxima-se, ofertando reflexões e ideias, e possibilitando novas aplicações de teorias e métodos geográficos. Segundo Castrogiovanni (2002), toda vez que a Geografia disponibiliza teorias, métodos e técnicas. para. outros. campos. do. conhecimento,. consequentemente, a ampliação do seu papel social.. ela. acaba. favorecendo,.
(35) P á g i n a | 33. 1.3 Objetivos. 1.3.1 Objetivo Geral. Analisar as principais tendências teórico-metodológicas e aportes conceituais presentes nos estudos sobre o turismo, considerando a produção do conhecimento (teses e dissertações), no âmbito dos Programas brasileiros de Pós-graduação stricto sensu em Geografia.. 1.3.2 Objetivos específicos. (a) Inventariar, sistematicamente, os estudos produzidos pelos Programas brasileiros de Pós-graduação stricto sensu em Geografia que abordam o turismo como temática de pesquisa;. (b) Identificar e discutir os principais conceitos empregados por esses estudos, no que se refere à procedência geográfica e/ou de outras áreas do saber;. (c) Entender quais são as teorias que embasam estas pesquisas, empregando como parâmetro, o caráter geográfico que as caracterizam;. (d) Examinar os métodos de abordagem utilizados com maior assiduidade pelos estudos geográficos que fazem uso da temática do turismo, apontando possíveis relações com as teorias identificadas..
(36) P á g i n a | 34.
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