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(2) MARCOS GONÇALVES COSENTINO. GLOBO ECOLOGIA: O DISCURSO AMBIENTAL NA TELEVISÃO. Dissertação apresentada em cumprimento parcial às exigências do Programa de PósGraduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo, para obtenção do grau de Mestre. Orientadora: Profa. Dra. Elizabeth Moraes Gonçalves. Universidade Metodista de São Paulo Curso de Pós-Graduação em Comunicação Social São Bernardo do Campo, 2007..
(3) FOLHA DE APROVAÇÃO. A dissertação GLOBO ECOLOGIA: O DISCURSO AMBIENTAL NA TELEVISÃO, elaborada por Marcos Gonçalves Cosentino, foi defendida no dia de. de_____________. ,tendo sido:. (. ) Reprovada. (. ) Aprovada, mas deve incorporar nos exemplares definitivos modificações. sugeridas pela banca examinadora, até 60 (sessenta) dias a contar da data da defesa. (. ) Aprovada. (. ) Aprovada com louvor. Banca examinadora:___________________________________. ___________________________________. ___________________________________. Área de concentração: Processos Comunicacionais Linha de Pesquisa: Comunicação Especializada Projeto temático: Linguagens e Discursos Especializados na Comunicação.
(4) A meus pais pelo amor, apoio, carinho e paciência, muita paciência..
(5) Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. Cora Coralina.
(6) AGRADECIMENTOS A todos que esperaram e torceram por essa dissertação. À minha orientadora, pela paciência com seu orientando que aprendeu a funcionar sob pressão, igual às emissoras de TV. Aos meus colegas acadêmicos, Alexandra, Sidney, Tais e Zé. Àquela que pretendo agradecer e amar a vida inteira, a minha Cris..
(7) SUMÁRIO Introdução .................................................................................................................... 11 Capítulo. I - Comunicação e a questão ambiental. ................................................... 14 I. 1 Contribuição social da TV ........................................................................... 14 I. 2 Compromisso social de Ecologia ................................................................ 27 Capítulo. II - Ambiente de produção ......................................................................... 34 II. 1 Contextualização ou ambiente de produção. .............................................. 34 II. 2 Revisão de bibliográfica. ............................................................................ 41 II. 3 Analise do Discurso .................................................................................... 49 Capítulo. III - Preocupação Ambiental na Fundação Roberto Marinho. .............. 55 III. 1 Rede Globo ............................................................................................... 55 III. 2 Fundação Roberto Marinho ...................................................................... 59 III. 3 Concorrência ............................................................................................. 62 III. 4 Globo Ecologia ......................................................................................... 64 III. 5 A parte técnica do Globo Ecologia ........................................................... 66 Capítulo. IV - As técnicas televisivas a serviço do ambiente ................................... 71 IV. 1 A imagem construída de proteção a natureza do programa. .................... 73 IV. 2 Análise do conteúdo pedagógico ambiental do Globo Ecologia .............. 84. Conclusão ...................................................................................................................... 93 Referências Bibliográficas ............................................................................................96.
(8) RESUMO. O progr ama Globo Ecologia está no ar há 15 (quinze) anos e tem como objetivo principal auxiliar a preservação do ambiente. A cada semana são exibidas matérias em lugares de difícil acesso ao homem como, por exemplo, comunidades indígenas, comunidades de pescadores, áreas que sofrem com o desmatamento e a poluição. Seu discurso está, aparentemente, todo voltado para a proteção ambiental. Com um formato jornalístico simples, tem por meta maior demonstrar que a Fundação Roberto Marinho se preocupa também com essa temática. No entanto, esse programa é veiculado em um horário sem muita audiência, com um tempo de duração curto. O Objetivo dessa pesquisa é avaliar, por intermédio de uma leitura subsidiada pela análise do discurso e avaliação dos recursos técnicos utilizados, a imagem que esse programa constrói da Ecologia. Trata-se de uma pesquisa descritiva, com o auxílio de uma pesquisa bibliográfica, documental.. PALAVRAS-CHAVE Globo Ecologia; Produção Televisiva; Meio Ambiente; Eco e Análise do discurso.
(9) RESUMEM. El programa GLOBO ECOLOGIA está en el aire hace 15 (quince) años y tiene como objetivo principal auxiliar en la preservación del medioambiente, con materias en locales de difícil acceso, como comunidades indígenas, comunidades de pescadores, áreas que sufren con el deforestación e la polución. Su discurso aparentemente se vuelve hacia la protección del medioambiente. Con un formato periodístico simples tiene como meta mayor demostrar que la Fundação Roberto Marinho se preocupa también con esa temática. Sin embargo ese programa se vehicula en un horario disperso y su tiempo de duración es extremamente. El objetivo de la pesquisa es analizar el discurso del programa, con el intuito de averiguar si realmente podemos contar con un simple programa de televis ión para la preservación del medioambiente o si el discurso es ineficiente o si el propio contexto que o cerca o torna ineficaz o no.. PALABRAS-CLAVE Globo Ecologia, Producion Televisiva, Medioambiente, Eco e Análisis del Discurso..
(10) ABSTRACT. The program Globo Ecologia has been transmited since 15 (fifteen) years ago and have the principal objective to help the preservation of enviroment. A weekly program whose that shows spots of difficult to access of a man, for examp le: indians communities, fishers communities, areas that suffers with deforestation and polution. The speech of program has, apparently, turned completely into the protection of enviroment. With a simple jornalistc format, have the huge aim to show that the Fundação Roberto Marinho (Roberto Marinho Foundation) have been worried with this subject too. However, this program is transmited to a low audience, in a short time duration. The Objective of this research is to avaliate, by intermed of a subsidized reading by the analyzes of speech and an avaliation of technical resource in use, the image of ecology that has been constructed by this program. It deals of a descriptive research, with the support in a bibliographic and documental research.. KEY WORDS Globo Ecologia; Television Production, Enviroment; Eco and Speech Analysis..
(11) INTRODUÇÃO Atualmente a preocupação da opinião pública com a Ecologia tem sido ocasional, como uma “moda”, na qual existem momentos de “quase pânico”, quando só se fala dos graves problemas do ecossistema e outros momentos em que praticamente ninguém lembra que eles existem. Nesse início de 2007, ocorreu uma assembléia da ONU (Organização das Nações Unidas) para discutir os efeitos do aquecimento global no mundo. Foi divulgado um relatório pelo IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) que comprovou dados alarmantes sobre a temperatura em nosso planeta. Mais uma vez voltou a se falar e mostrar imagens de geleiras derretendo, gráficos do aumento gradativo do volume dos oceanos, crescimento de temperatura, oceanos poluídos, escapamentos de carro soltando fumaça, entre muitas outras notícias que já fazem parte das matérias ambientais. O aparelho de televisão está cada dia mais barato e, portanto, de fácil aquisição. É muito comum ver em casas de famílias de baixa renda faltar uma mesa, uma cama ou geladeira, mas sempre há em algum espaço um aparelho de televisão. Sem diferença de classe, cor ou credo, a televisão está ali na vida de muitos. Mais que um eletrodoméstico, ela é uma companheira para esse ritmo frenético em que vivemos. Se estivermos cansados ou sem nada para fazer, eis ali algo que pode nos distrair. Quando queremos saber o que está acontecendo no Brasil e no mundo, é só esperar que algum telejornal vá nos informar sobre vários assuntos, do nosso interesse ou não. Torna-se um problema, quando gastamos mais tempo na frente desse emissor de imagens, do que perante as pessoas reais ao nosso lado, por isso é muito importante saber dosar essa relação de amizade e precisamos também selecionar muito bem o que é dito e mostrado pelo monitor da TV. Podemos também encontrar na televisão conteúdos que suprem as falhas do nosso sistema educacional, inclusive informações pedagógicas ambientais que instruam crianças e também adultos, mesmo essas informações aparecendo vez ou outra. Apesar desse “oportunismo” do viés ambiental, existem programas especializados em ambiente nas emissoras de televisão aberta. São programas importantes, mesmo que sejam inexpressiva minoria ante as centenas de programas espalhados pelas grades de programação das emissoras abertas do nosso país. São, na realidade, apenas 2 (dois) esses programas: o Repórter ECO, da Fundação Padre Anchieta, e o Globo Ecologia, da Fundação Roberto Marinho. Pode parecer alarmante constatar que existam apenas esses programas, porém eles contam e têm peso na divulgação.
(12) da informação ambiental. A atual preocupação ecológica não é suficiente para motivar as emissoras a criar vários programas de cunho ambiental, se não há qua se ninguém para assistir. A televisão proporciona bons e maus momentos, mas podemos enxergar nela uma possível arma para a divulgação de informações ambientais. Minha escolha acadêmica de Comunicação Social foi totalmente influenciada pela telinha, devido ao fato de sempre admirar os programas de bastidores da emissora e em algumas oportunidades até acompanhar as gravações de alguns. Porém, quando o assunto é Ecologia, sempre procuro me expressar a quem quiser ouvir que sou a favor da luta contra a destruição do ambiente. Minhas ações, entretanto, foram apenas verbais, com apenas um destaque, ou seja, um vídeo ambiental de conclusão de curso, que apenas veiculou no meio acadêmico e em um festival de cinema isolado. Foi um feito importante, mas ainda longe de ser satisfatório. Uma análise de programa ambiental pode ser uma contribuição muito pequena à natureza, porém a pesquisa nunca pode ser diminuída e certamente será um primeiro passo para muitos outros projetos e estudos sobre uma temática tão importante na vida de todos. Verificar a imagem que é construída pelo programa Globo Ecologia e em que medida essa imagem foca o entretenimento e descarta, de fato, a proteção ambiental são os objetivos desta análise. Pesquisar se a maneira com que é produzido esse programa resulta em um modelo ecológico ineficaz devido à falta de cuidado com a edição e curto tempo de duração do programa é a principal dúvida. A mensagem divulgada no programa pode não ser pedagógica o suficiente para educar e informar, em relação à temática do ambiente. São escassas e, a nosso ver, necessárias as pesquisas em relação a específico programa de gênero ambiental, veiculado em uma emissora de abrangência nacional, no caso a Rede Globo, e principalmente um estudo que a priori tem uma preocupação com o discurso utilizado. A análise do discurso com ênfase na escola francesa foi escolhida como um guia para essa leitura, devido a sua preocupação com as entrelinhas de um texto. Será feita uma revisão bibliográfica sobre a Análise do Discurso e sobre a mídia, no caso a Televisão, o Meio Ambiente e a Ecologia e também será pesquisado o que já foi abordado em relação a essas diferentes disciplinas. “Análise de discurso é o nome dado a uma variedade de diferentes enfoques no estudo de textos, desenvolvida a partir de diferentes disciplinas” (GILL, 2002, p.140). Será feita, enfim, uma leitura do programa e serão considerados elementos como: produção, enquadramento, formato, canais de veiculação, iluminação, entre outras linguagens visuais usadas na área técnica de televisão que possam vir direta ou indiretamente produzir algum sentido..
(13) Os analistas de discurso estão interessados nos textos em si mesmos, em vez de considerá-los como um meio de “chegar a” alguma realidade que é pensada como existindo por detrás do discurso – seja ela social, psicológica ou material (GILL, 2002, p.247).. No primeiro capítulo desta análise – Comunicação e a questão ambiental – foi produzida uma análise sobre a televisão citando um pouco da sua história e principalmente como ela pode interferir em uma sociedade. A ecologia também é abordada nesse capítulo para assim reforçar a importância do tema. A produção de um programa de televisão dentro dos moldes comerciais, algumas de suas especificidades técnicas, é o assunto inicial do segundo capítulo – Ambiente de produção. A revisão de literatura ilustra as “guias” em que essa pesquisa se desenvolveu. O programa Globo Ecologia é agora detalhadamente exposto citando todas as entidades que contribuem para a sua produção e exibição. Assim, o capítulo – Preocupação Ambiental na Fundação Roberto Marinho – foi o espaço encontrado para a voz de dentro do programa, com citações da entrevista produzida com a produção. A análise técnica da qualidade de imagem e montagem também é um dos tópicos desse capítulo. “Em um filme ou vídeo, uma edição habilidosa pode remover palavras faladas de uma frase e um reprocessamento visual pode remover pessoas centrais, ou traços, de um contexto mais amplo” (GILL, 2003, p.140). Para encerrar o quarto capítulo são apresentadas as análises dos 3 (três) episódios escolhidos como corpus. Os programas foram gravados para possibilitar uma detalhada procura por especificidades técnicas e para análise do seu discurso. Essa dissertação monográfica tem dois focos, um programa de televisão e o ambiente, porém é estritamente focada na contribuição de um meio de comunicação com a natureza. “Fique claro, ainda, que o termo ‘monográfico’ pode ter uma acepção mais vasta que a usada aqui. Uma monografia é a abordagem de um só tema, como tal se opondo a uma ‘história de’, a um manual, a uma enciclopédia” (ECO, 2005, p.10). A pesquisa visa contribuir com estudos presentes e futuros na discussão de um problema sério que não é novidade alguma. A pretensão não é grandiosa, apenas contribuir para fortalecer um programa de televisão, que já presta um serviço fundamental que é investir na pedagogia ambiental, tão necessária hoje em dia quanto qualquer forma de educação e criação..
(14) CAPÍTULO I – COMUNICAÇÃO E A QUESTÃO AMBIENTAL 1. Contribuição social da TV O homem, no seu anseio de criação, sempre buscou inovações que pudessem tornar a sua vivência neste planeta mais fácil e prazerosa. Foi assim com a roda, com o controle do fogo, com a eletricidade, com o rádio e com outros incontáveis inventos que revolucionaram a nossa história. Porém o invento que será analisado nesse trabalho – a televisão – trouxe, além de conforto, uma tecnologia que pode auxiliar no aprendizado de muitos seres desse mesmo planeta. A televisão surgiu nos moldes do rádio, que por sua vez estava em ascensão, porém, em relação à tecnologia, nossa telinha foi criada com vistas no grande telão de cinema, na possibilidade de se trazer para casa uma tela que propicie entretenimento para a família e amigos.. A televisão brasileira nasceu do rádio e viveu do rádio até entrar em operação a segunda emissora que, creio, foi a Tupi do Rio, e depois a TV Paulista, de Victor Costa (que nasceu ela também da Rádio Nacional do mesmo Victor Costa). Portanto, muito do que discutimos vinha da nossa experiência no rádio e algumas referências do teatro e cinema (SILVA JÚNIOR, 2001, p.154).. A descoberta do selênio, que podia transformar energia luminosa em energia elétrica, possibilitou uma série de “inventores” experimentarem o que poderia ser a transmissão de imagens. Houve vários experimentos de transmissão de imagens, porém vários projetos foram arquivados com a chegada da primeira grande guerra. Mas a idéia do novo aparelho já estava concedida, só faltava o experimento perfeito, que pudesse transmitir uma imagem à distância. Ela envolve a varredura de uma imagem por um feixe de luz em uma série de linhas seqüenciais movendo-se de cima para baixo e da esquerda para direita. Quando a luz passa sobre ela, cada parte da imagem produz sinais que são convertidos em impulsos elétricos, fortes ou fracos. Os impulsos são então amplificados e transmitidos por cabos ou pelo ar, por ondas de rádio que são reconvertidas (BRIGGS, 2004, p.179).. Fala–se desses experimentos já no final do século XIX. Desde então, essa transmissão de imagens, de luz, foi se aprimorando e conquistando pessoas no mundo inteiro. Essas imagens eram produzidas e enviadas entre locais próximos. As transmissões foram cada vez mais amplificadas. Data de 1920 o momento em que os televisores começaram a ser.
(15) produzidos em escala comercial, isso nos Estados Unidos da América. A tecnologia deu um grande salto com o final da Primeira Guerra Mundial, possib ilitando experimentos científicos que melhoravam a imagem que estava sendo transmitida. O crescimento da televisão não foi um processo demorado e o surgimento de emissoras, que vinham do rádio, nos EUA e na Europa, acompanhavam esse ritmo e até chegar o ano de 1950, quando se deu a primeira transmissão televisiva em nosso país. Trazido de navio por Assis Chateaubriand em 1950, esse novo veículo de comunicação foi entrando, em ritmo lento, nas casas dos brasileiros. O ritmo não foi acelerado porque a tecnologia nacional demorou a se firmar. “A introdução da televisão no Brasil coincide com o começo de um importante período de mudanças e procurava um método para desenvolver, integrar e modernizar o país (MATTOS, 2000, p.34)”.. A televisão brasileira foi inaugurada oficialmente no dia 18 de setembro de 1950, pela TV Tupi, em São Paulo. Às 21 horas, com uma hora e pouco de atraso, foi ao ar o espetáculo inaugural. Chamou-se Show na taba, com música, humorismo, dança e quadro de dramaturgia, e foi apresentado por Homero Silva (DANIEL FILHO, 2001, p.15).. Os técnicos, como todos os atores e diretores, vieram do rádio e aprenderam a fazer televisão na “raça”, isto é, por vontade própria, havia a ajuda técnica, porém era cara e escassa e os câmeras, assistentes, eletricistas, atores, iluminadores, diretores, entre muitos outros foram fazendo história e construindo um dos maiores poderes do nosso país : as emissoras de televisão. Ele (Assis Chateaubriand) viveu assim, dando um “jeitinho” para conseguir tudo que suas ambições ilimitadas pareciam lhe impor. Essa mesma expressão foi repetida por ele para tentar tranqüilizar o técnico americano Walther Obermuller, um mês antes da inauguração da primeira televisão no Brasil – a PRF-3-TV, TV Tupi -, em 18 de setembro de 1950 (SILVA JUNIOR, 2001, p.149).. O ritmo de vida da década de 50 com certeza era outro. As pessoas ainda andavam de bonde, não tinha m medo de andar na rua em horários noturnos e as janelas das residências não tinham grades. O brasileiro trabalhava duro (isso ainda não mudou) nas grandes e novas metrópoles, atrás de uma vida digna para sua família. O êxodo rural já era uma realidade. Os imigrantes vindos no final da Primeira Grande Guerra, estabelecidos em nosso país em regiões rurais, iam cada vez mais constituindo famílias que, com o passar do tempo, iam seguindo o fluxo do progresso e se dirigiam para as metrópoles em busca de um salário.
(16) melhor, que o campo já não podia mais oferecer. Algumas dessas famílias tornaram-se poderosas, inclusive proprietárias de emissoras nacionais. A grande maioria, entretanto, apenas engrossou as camadas média e baixa da população. As grandes metrópoles urbanas já eram os pólos financeiros do nosso país. As principais capitais como o Rio de Janeiro – então capital federal – e São Paulo ditavam as regras para o cidadão brasileiro na época e foram as grandes responsáveis pela distribuição dessa nova tecnologia. Mas é em São Paulo que vai acontecer a mudança mais significativa. Ali, a concorrência nos programas de teledramaturgia resumia -se, até então, à disputa da Tupi contra a Record. Mas entra em cena a Excelsior, que começa a tomar atores da Tupi (DANIEL FILHO, 2001, p.30).. A história recente mostra que o ritmo do surgimento de novas tecnologias acompanhava a vida do ser humano. Algo criado nos Estados Unidos demorava anos para ser utilizado em nosso país. Apenas os cidadãos poderosos que detinham o poder econômico sabiam dessas inovações e alguns teimavam em trazer para nosso país experimentos recentes. Foi assim com a nossa televisão, o videoteipe, as camcoders, entre outros avanços da tecnologia, por exemplo, a televisão colorida começou com transmissões regulares em 1954 “[...] e no Brasil a primeira transmissão oficial em cores é datada de 19 de fevereiro de 1972” (TUDO SOBRE TV, 2006, on- line). Porém, aos poucos, os aparelhos começaram a ser industrializados no Brasil. A televisão se tornou objeto de desejo de muitas famílias. Quando elas não podiam adquirir o seu próprio aparelho, se dirigiam às casas dos vizinhos ou parentes mais ricos para sentaremse todos em volta da televisão e ver imagens vindas pelo ar. O encantamento trazia o desejo e fazia pais de famílias batalharem para comprar o seu aparelho. Era, até então, uma forma de demonstrar status perante a comunidade, que ficava boquiaberta diante da chegada de uma televisão na casa de algum felizardo. Realmente, o televisor rapidamente virou símbolo de posição sócioeconômica. No início de sua difusão, as famílias que mal podiam dispor de recursos para adquirir um receptor, às vezes economizavam em artigos de primeira necessidade para poder comprá-lo (DE FLEUR, 1993, p.128).. Todos os programas de televisão eram ao vivo nos anos iniciais e isso influenciava a maneira como eram produzidos. Se ocorresse alguma espécie de erro, os atores envolvidos com os programas tinham que usar um recurso do teatro, que é o improviso, onde o.
(17) importante era o telespectador não notar o ruído que poderia ocorrer com esse erro. Se acontecesse uma falha, seja ela técnica, seja pessoal, a pessoa em casa não tinha outra opção a não ser aceitar esse erro e absorvê-lo, afinal todos estavam encantados, porém sabiam que a televisão era feita, ainda, em tempo real. Claro, não há nada de espantável nisso. Se a televisão está transmitindo imagens e sons de um evento no mesmo instante em que ele ocorre, não há como suprimir ou estender intervalos de tempo: ela deve, pelo contrário, se submeter ao tempo real do evento, absorvendo inclusive a sua morosidade e os seus vazios (MACHADO, A., 2003, p.138).. Com o tempo, os televisores foram perdendo sua característica de atribuir status a quem os possuía. A televisão em preto e branco já começava a dominar os lares brasileiros e assim também começava a se firmar o grande poder de influência na vida dos telespectadores. A possibilidade de ter em casa um aparelho, por menor que ele fosse, tornou-se uma necessidade e a realização de um sonho. Conforme iam se passando os anos e a tecnologia avançando, as pessoas adquiriam aparelhos condizentes com sua situação econômico-social. Os preços começaram a sofrer um leve declínio e a concorrência de grandes montadoras multinacionais de eletroeletrônicos trouxe para o brasileiro a possibilidade de comprar a sua própria televisão.. Fonte: (MATTOS, 2000, p.95) NÚMERO DE TELEVISORES P&B E em CORES EM USO NO BRASIL Ano Aparelhos 1950 ................................................................................................ 200 1952 ........................................................................................... 11.000 1954 ........................................................................................... 34.000 1956 ......................................................................................... 141.000 1958 ......................................................................................... 344.000 1960 ......................................................................................... 598.000 1962 ...................................................................................... 1.056.000 1964 ...................................................................................... 1.663.000 1966 ...................................................................................... 2.334.000 1968 ...................................................................................... 3.276.000 1970 ...................................................................................... 4.584.000 1972 ...................................................................................... 6.250.000 1974 ...................................................................................... 8.781.000 1976 .................................................................................... 11.603.000 1978..................................................................................... 14.818.000 1979..................................................................................... 16.737.000 1980..................................................................................... 18.300.000 1986..................................................................................... 26.500.000 1989..................................................................................... 28.000.000 1990..................................................................................... 30.000.000.
(18) 1991..................................................................................... 31.000.000 1996..................................................................................... 34.000.000 1998..................................................................................... 38.000.000 1999 (Estimativa) .............................................................. 53.500.000 Os números não pararam de aumentar, isto é, a quantidade de aparelhos televisores seguiu a progressão de crescimento e o valor desses televisores está cada vez mais baixo, facilitando sua aquisição. Os novos aparelhos de plasma e de cristais líquidos (LCD) auxiliam o atual aparelho vendido ser considerado obsoleto. O Brasil é o país da América Latina que possui o maior número de televisores instalados (cerca de 50 milhões) e também o maior mercado para aparelhos de televisão da região. Somente em 2000, foram consumidos mais de 5 milhões de televisores. Esses números devem-se em grande parte ao fato do serviço de televisão aberta ser prestado gratuitamente e também a vertiginosa queda de preços dos televisores analógicos ocorrida nos últimos anos (TAVARES, 2007, on-line).. Essa “janela” trazia diversão, notícias, músicas, shows que encantavam e, também, a propaganda de todo tipo de produtos que surgiam para dar maior conforto e lazer, alimentos que faziam a alegria das crianças e tecnologia para reduzir o trabalho da dona de casa. A televisão foi, pouco a pouco, seduzindo todos os integrantes da família e se tornando praticamente um membro dela. O receptor percebe a mensagem de tevê como algo de “natural” no interior de sua casa. Caem as eventuais barreiras aos fenômenos de projeção e identificação, desde que a mensagem atenda às características de <<naturalidade>> do veículo. Este finge ser o olho da família assestado para a espontaneidade dos acontecimentos do mundo, escondendo a sua condição de olhar hipnótico e imobilizador do sistema. A astúcia semiótica do vídeo consiste em adaptar o mundo à ótica familiar (SODRÉ, 1977, p.59).. O mundo foi mudando, nosso ritmo de vida também, e tudo isso era possível de ver através da televisão. Viu-se, na década de 60, o exército tomar as ruas e anunciar os Atos Inconstitucionais que assustaram toda nação, que passou a viver com medo e com poucas alegrias. A televisão ajudava a transformar grandes fatos em fatos descomunais, como o Tricampeonato do Brasil na Copa do Mundo de futebol em 1970, quando através do correio aéreo eram trazidos os rolos gravados no México, possibilitando ver as imagens que proporcionaram amplificada alegria à nação, em um dos momentos mais difíceis da sua história, a ditadura militar brasileira, que criara e controlava o mecanismo da censura para controlar o que a nação poderia assistir ou não. Nesse momento histórico, a televisão servia de.
(19) arma para informar e, assim, saber o que poderia ser feito contra o sistema opressor. Mas o poder da ditadura logo se pôs à frente das emissoras e trazendo com ela uma censura mais agressiva e cada dia mais violenta. Tínhamos funcionários para acompanhar o assunto, mas na maioria das vezes eu e o Borjalo tínhamos de enfrentar o problema para encontrar uma solução. Íamos a Brasília com freqüência com esse objetivo. Eram negociações duras e desgastantes. Foi um período amargo (apud SILVA JUNIOR, 2001, p.50).. Eles censuravam, nem sempre com critérios plausíveis de compreensão, o que ia ao ar em toda programação e qualquer programa que pudesse trazer algum tipo de “perigo” ao sistema governante era severamente punido, isto é, os produtores desses programas poderiam sofrer represálias que poderiam até fazer as listas de possíveis terroristas aumentarem. Foram tempos conturbados sem dúvida e isso acabou se refletindo na qualidade da programação da TV brasileira. Tudo estava cercado, os jornais colocavam receitas de bolos para suprir as lacunas criadas pela censura, os músicos compunham letras com uma ambigüidade quase que subliminar para tentar burlar a censura e muitos desses casos viraram clássicos da Música Popular Brasileira. Na televisão foram os programas estrangeiros, as séries “enlatadas” americanas que surgiram na programação porque era colocado no ar apenas o que era permitido, pois em 1966 o Departamento Federal de Segurança Pública decreta novas normas de censura à TV, dados esses do site Tudo Sobre TV (2006). Houve o caso clássico da telenovela “Roque Santeiro”, que só foi ao ar anos após a anistia. A perseguição ocorria em todas as emissoras, isso não era exceção na Rede Globo, que foi criada nos idos da década de 60, em plena ditadura e podemos conferir isso nesse depoimento de Dias Gomes: A Rede Globo sempre me defendeu nos episódios de censura e isso tenho de reconhecer. Até mesmo quando foi pedida a minha cabeça, na ocasião de suspensão de Roque Santeiro, a Globo não cedeu. Pelo contrário, prestigiou-me. Não posso provar, mas nessa ocasião falou-se que havia uma lista de comunistas e pseudocomunistas – porque eram tidos como tais – que deveriam ser expurgados da Globo, segundo solicitação do governo. Mas nenhum foi demitido, essa é a verdade (apud SILVA JUNIOR, 2001, p.92).. Muitos outros autores também sofriam com a censura, que sem nenhuma explicação prévia simplesmente cancelava a produção inteira. Em alguns casos, o programa já estava sendo gravado e mesmo assim o seu fim era decretado..
(20) Lembro-me de que a novela Selva de Pedra a censura era permanente em relação a comportamento. Infidelidade era uma coisa que não podia haver na relação das personagens e a questão sexual deveria ser tratada com discrição, sem entrar na discussão que ocorria na época (SILVA JUNIOR, 2001, p.330).. Por outro lado, a par de toda a rígida censura, existiam alguns programas ou produtores que – próximos à ditadura – tinham as portas abertas para suas produções. Um caso muito interessante e extremamente relevante para essa pesquisa é o programa “Amaral Netto, o Repórter”, que pode ser considerado o primeiro programa ambiental da televisão brasileira. O protagonista desse programa, o próprio Amaral, era deputado da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido que apoiava o golpe militar. Seu programa tinha como ênfase mostrar as maravilhas desconhecidas do nosso país com esplendor e grandiosidade. Ele queria ser conhecido como um herói que estava desbravando com muita coragem os perigos que havia nesse mundo desconhecido da “natureza”. Andrade (2003) cita que “o programa [...] se utilizava de recursos do exército [...], como helicópteros e aviões da FAB (Força Área Brasileira), para enaltecer ainda mais o tipo de espetáculo que exibia na televisão”. Um claro exemplo da padronização de propósito na produção do programa é a adjetivação típica usada para dar ênfase emocional ao fenômeno da Pororoca, chamada por Amaral Neto de “monstro das mil faces”, ao descrever o encontro do rio Amazonas com o mar. Andrade (2003) considera praticamente iguais a postura e as tomadas áreas que foram feitas para filmar tanto a Pororoca como a feita no Atol das Rocas.. Assim como aconteceu com o monstro das mil faces, há abordagens sobre o Atol em tomada área (para variar, um avião da FAB), de forma que se salienta sua geografia quase que circular, sua cor azulada e as piscinas naturais que se formam ao redor dos platôs (ANDRADE, 2003, p.111).. Apesar de tudo, o programa “Amaral Netto, o Repórter” foi de suma importância ambiental, pois após alguns programa s o governo tomava atitude em relação ao meio ambiente “ano seguinte à realização do filme, o Atol das Rocas se tornou a primeira Reserva Biológica Marinha do país [...]” (ANDRADE, 2003, p.111). Algo novo e moderno que há um tempo poderia ser censurado era motivo de comoção no povo brasileiro quando a sua exibição era possível e assim todos começaram a aproveitar essa liberdade, inclusive os produtores de televisão. O brasileiro ainda era observado, mas.
(21) agora o medo ia ficando cada vez menor e o governo se contentava com uma mensagem antes da exibição de cada programa dizendo que era para certas idades e que tal programa havia sido aprovado pela censura. Deixando de lado a situação política nacional de então, resta- nos constatar que a televisão, que começou com um formato importado e para não sofrer tantas restrições, iniciou a introdução de novos programas com destaque para a telenovela, vinda de fora no início, mas que – mesmo assumindo muitos desafios – começou a ser produzida aqui mesmo no Brasil. Esse formato, a telenovela, acabou sendo o principal programa da televisão brasileira e hoje em dia, tornou-se um produto de exportação. É um programa de popularização fácil e rápida, pois reflete histórias comuns e cotidianas que podem ser a de qualquer um. Atua lmente a novela dita valores, regras e até moda. Tem tratado de modo paternalista e simplório temas polêmicos, tabus e beneficentes. No final de 2006 – usando uma tática que se pode chamar de “realismo de espelho”1 – começou na Rede Globo a novela “Páginas da Vida”, que no encerramento de cada episódio trazia depoimentos reais, fortalecendo ainda mais esse vínculo de “espelho interativo” com o telespectador. Os hábitos costumam mudar com velocidade cada vez maior, transformando nossas vidas com um ritmo tão rápido que quase não se percebe as mudanças. A própria experiência pessoal do autor do presente trabalho permite constatar que muitas crianças têm como companhia a televisão. Nas décadas de 80 e 90, tendo os jovens e as crianças essa companhia em todas as horas, acabam até mesmo “interagindo” com ela. A televisão, nesses casos, já não é mais uma exclusividade das salas das famílias. O filho mais velho já tinha um pequeno aparelho no quarto e a filha caçula, com ciúme, sabia o que pedir de Natal para os pais. E dessa maneira o número de audiência cada vez aumenta mais e cada emissora batalha em busca da liderança de televisores ligados em seu canal. De fato, após “formar” as crianças, ela continua formando, ou pelo menos influenciando, os adultos mediante a “informação”. Em primeiro lugar, mantendo-os informados, mais por meio de notícias do que mediante noções, isto é, informando a respeito do que acontece no mundo, tanto próximo como distante (SARTORI, 2001, p.49).. Pouco a pouco uma emissora começou a se destacar e atingir níveis nunca dantes alcançados por nenhum canal de televisão brasileiro. Quando a Rede Globo de Televisão alcançou o patamar de líder, com o maior número de televisores ligados em sua programação, desse lugar ela nunca mais saiu e continua assim até hoje. A disputa agora fica por conta do 1. Onde o telespectador consegue ver seu reflexo de maneira metafórica na televisão, se reconhece..
(22) segundo lugar, porque a Rede Globo parece ser imbatível. Detêm os direitos de programas que transmite com exclusividade, dos maiores espetáculos aos mais importantes eventos esportivos. E mesmo quando não é a única a transmitir, é a que oferece a melhor qualidade técnica. Com isso, a Globo consegue, como nenhuma outra emissora de TV, manter a fidelidade de seus espectadores. Esse, em suma, era o segredo: segurar a audiência. A Globo começava a oferecer uma programação consistente que pedia fidelidade ao seu espectador e, em troca, o respeitava por isso (DANIEL FILHO, 2001, p.35).. Além do crescente aumento na qualidade de produção da Globo, com o surgimento cada vez mais rápido de novas tecnologias, foram baixando os preços dos televisores, permitindo assim transmissões para um público cada vez mais amplo e diversificado. Os tamanhos dos monitores variam enormemente e existem pessoas que colocam a TV em seus quartos, para terem mais privacidade durante a exibição de seus programas prediletos. E com a gama de canais abertos e por assinatura cada vez maior, criou-se uma independência de programação. De tal modo que, se o mentor da família mudar de canal pode-se ir para o quarto, cozinha ou outra dependência da casa e assistir o que quiser. Já existem casos conhecidos de pessoas com televisores dentro do seu próprio banheiro. Mais uma vez constatamos que a TV como evento social não existe mais, isto é, na década de 70 era comum famílias inteiras se reunirem na frente da telinha para assistirem ao programa escolhido pelos pais, igualzinho no início do rádio. Nos dias de hoje está ocorrendo, principalmente nas classes médias, mas também entre os mais humildes, um distanciamento familiar. Ao assistir televisão, isolado em seu lugar, acaba-se perdendo um pouco do contato com os outros familiares. Embora isso não seja raro, deve-se, entretanto, levar em conta que a maior ou menor freqüência desse isolamento depende do poder financeiro de cada família. A televisão está tornando um único cômodo de casa – o quarto – em uma espécie de “residência independente”, para onde se trazem até as refeições para não se perder um programa. Nos dias de hoje, a TV por assinatura, via satélite ou a cabo é a grande responsável pela eno rme quantidade de canais que se têm disponível. Importando canais, que nem imaginávamos existir, possuímos uma vasta opção de escolha, embora essa alta quantidade não deva ser confundida com qualidade. Mas mesmo quando a TV aberta ou a cabo não chega naquela pequena cidade esquecida no sertão do Brasil, pequenas antenas recebem sina is via satélites e ninguém mais fica afastado e pode, com seu controle remoto, “zappear”.
(23) tranquilamente no fim do mundo em que está e assistir ao seu programa preferido de televisão. Se os espectadores de televisão recebem atualmente mais mensagens televisivas, também variam as formas pelas quais se relacionam com elas, desde as maneiras como as selecionam até os modos como compõem autonomamente suas próprias fichas de programação ou desenham seus ritmos pessoais de recepção televisiva, agora muito mais impactados pelas possibilidades de zapping (BARBERO, 2004, p.67).. A “janelinha” agora está acessível a toda população. As classes sociais mais baixas fazem crediários que possibilitam a compra desse aparelho com muito acréscimo, mas que não pode faltar na mansão, casebre, cabana, maloca ou casa. Talvez saneamento básico, água potável possam não existir, porém energia elétrica por meio de “gatos”, isto é, ligações improvisadas e ilegais, possibilitam o acesso à programação da TV aberta do nosso país. Além disso, improvisações ilegais chamadas de “gatos” podem permitir o acesso grátis à televisão paga. O novo passo agora é a HDTV (High Definition Television), que trará uma imagem muitas vezes melhor do que a do padrão atual, o SDTV (Standard Definition Television). Também estamos em direção de outra inovação esperada pelos dirigentes e estudiosos da comunicação em nosso país, que é a interação com o meio. Essas tecnologias já estão em funcionamento em outros países. Existem 3 (três) sistemas de HDTV: o europeu, o americano e o japonês. O Brasil, após intermináveis discussões, escolheu o padrão japonês. Porém, os engenheiros brasileiros querem adaptar esse padrão, atrasando assim em mais alguns anos a implantação do sistema HD em nosso país. As emissoras já se preparam para a transição, mesmo havendo algumas indefinições técnicas e políticas. As empresas de eletrodomésticos também começam a se preparar para adaptar o sinal com o Set top Box, uma caixa que converte os sinais, para no início assistirmos em nossos televisores padrões o conteúdo da HDTV. Teremos a possibilidade de escolher a nossa grade de programação, isso possibilita assistirmos o programa escolhido no horário que desejarmos. A televisão se tornará praticamente um computador “plugado” na rede mundial de computadores (WEB), onde poderemos interagir, isto é, fazer compras, manipular a ação de alguns programas e, se o programa tiver várias opções de narrativa, poderemos escolher o final da trama. O receptor (telespectador) irá provar que não será mais passivo e tomará atitudes que construirão a mensagem da maneira que ele escolher. Marcondes Filho, em 1994, já nos falou dessa capacidade do receptor de interagir e de não ser mais uma esponja de.
(24) informações, antes mesmo de se falar em HDTV. A nova tecnologia já conhecida só reforça as afirmações de Marcondes, feitas há mais de 12 (doze) anos, que praticamente previu a interação dos dois meios: a TV e o computador, em um só, permitindo um receptor ativo interagindo com ele. Estamos diante, portanto, do fim do receptor passivo, o fim da não reciprocidade na comunicação, diante de uma nova maneira de se ver a televisão, agora num mundo em que ela se coloca no plural, marcado por uma diversidade até então desconhecida de opções e pelo desaparecimento da grande tevê que informa tudo a todos (MARCONDES, C., 1998, p.36).. Por outro lado, a par dessa tecnologia, é em outro campo, o da criatividade, que constatamos, na produção de um programa de televisão atual, a facilidade da utilização da “realidade falsa”, isto é, podemos recriar uma realidade dentro de um estúdio. Os professores de cursos de televisão ensinam aos alunos que a vantagem de se trabalhar em um estúdio de TV é que apenas irá chover no momento que escolherem, que teremos o sol das 10 (dez) horas da manhã no momento que quisermos. Com o recurso do Chroma Key podemos levar o nosso ator de Paris a Manaus em fração de segundos, ainda há o recurso da computação gráfica 3D (Terceira Dimensão) que possibilita recriar a história do mundo no nosso televisor, ver, por exemplo, os primeiros inventos aéreos de Alberto Santos Dumont. Com a utilização das melhorias da tecnologia, os recursos de criação e produção, o telespectador fica cada ve z mais espantado com o que vê em seu aparelho e começa a não saber o que é real e o que não é. A televisão deixa de ser um aparelho que se tem dentro de casa para assistir-se aos mundos fabricados em estúdio, para passar a contar com uma participação maior do receptor, primeiramente através do controle remoto, mas também através de um acesso muito maior à diversidade de fontes emissoras e de uma nova relação de tudo isso com o mundo múltiplo da eletrônica (MARCONDES FILHO, 1988, p.36).. O inegável poder de manipulação da televisão é algo relevante e que pode mudar vários valores sociais daqueles que consomem seus programas. Por exemplo, um programa ecológico pode ser recriado em um estúdio, porém com certeza a intenção desses programas é mostrar a real natureza e, principalmente, o que está acontecendo de verdade, isto é, retratar a poluição, o desmatamento, a falta de água, entre outros assuntos de suma importância para o ser humano. O espectador (receptor) pode ser confundido através da tecnologia, por isso precisa acreditar nas fontes de informação que busca. E novamente, nos dias de hoje, a televisão serve de arma contra os abusos do homem e aliada da Ecologia..
(25) No plano social mais amplo, a manipulação pode ser feita por complexos sistemas que legitimam qualquer visão deturpadora, sistemas instituídos que, pela s suas próprias formas sociais, emanam uma aparência de verdade: são os meios de comunicação, os livros de divulgação científica, a ciência, as conferências e palestras. Diante desses mecanismos, os nãofamiliarizados com o assunto, os iniciantes, os desinformados, podem ser facilmente manipulados (MARCONDES FILHO, 1998, p.90).. Formadora de opinião e criadora de valores sociais, a contribuição social da televisão também está na possibilidade de entreter um povo sofrido atrás de diversão ou informar sobre assuntos relevantes que podem contribuir para a melhoria de uma comunidade, alertar sobre o trânsito ou, ainda, educar a população, cobrindo lacunas deixadas pelas escolas. Elas, por falta de conteúdo e ausência de auxílio do governo, não transmitem conhecimento adequado aos cidadãos e especialmente aos analfabetos, que muitas vezes não têm tempo de se locomover até a uma unidade de ensino, porém consegue obter em um programa de TV, informações que podem melhorar sua qualidade de vida. Esse meio é totalmente persuasivo e um programa bem produzido pode contribuir com a sociedade auxiliando nos pontos básicos da condição humana e não apenas manipular para um falso mundo de pseudo-alegrias, como infelizmente ocorre frequentemente nas emissoras comerciais, onde o lema é “tudo pelo maior IBOPE”. O conteúdo da programação em muitas vezes, ou melhor, na maioria das vezes não importa, os produtores precisam vender os programas, os espaços dentro dos programas, porque se conseguirem um bom número de telespectadores, os patrocinadores tornam esse programa lucrativo para a emissora e assim ele pode se manter no ar por mais tempo. É extremamente complicado para os programas educativos permanecer no ar por muito tempo. Entretanto, muitos sabem da necessidade de se informar e ligam a TV em busca de notícias e de conteúdo para o seu próprio bem, por isso uma pesquisa de qualificação de hábitos e expectativas do espectador por horários seria de extrema importância para quem deseja produzir algum programa de televisão. Em suma, podemos dizer que a televisão já se tornou uma companheira para os bons e maus momentos. Podemos usá- la como uma mera distração ou também com um auxiliador, uma amiga que nos avisa que podemos aprender mais do que sabemos. Em muitos casos, apenas o barulhinho desse aparelho traz um alívio para quem está sozinho sem nada o que fazer em casa. Podemos nem estar prestando atenção ou até mesmo longe da TV, porém se alguém a desliga ficamos imediatamente incomodados com medo da solidão..
(26) Os conteúdos exibidos nos programas geram discussões, pois se acredita que a qualidade do que é exibido está cada vez mais baixa e o que se mostra atualmente é pura banalidade. Mas a televisão é apenas um produto do meio social e apenas reproduz esse ambiente em que se insere. Dizer que na televisão só existe banalidade é um duplo equívoco. Em primeiro lugar, há o erro de considerar que as coisas são muito diferentes fora da televisão. O fenômeno da banalização é resultado de uma apropriação industrial da cultura e pode ser hoje estendido a toda e qualquer forma de produção intelectual do homem (MACHADO, A., 2003, p.9).. No Brasil, seguindo os moldes de outras partes do mundo, existem instituições que procuram controlar ou até mesmo repreender conteúdos que podem vir a prejudicar ou ofender quem está assistindo. Muitos podem interpretar isso como uma forma de censura, igual a que já foi citada nesse mesmo capítulo, porém a vasta gama de opções de canais a serem assistidos dificulta o controle de qualidade dos mesmos e assim precisamos que outras instituições busquem informações que possam vir a prejudicar alguém. Claro, temos que cobrar o bom senso de quem vigia esse conteúdo e também temos que acreditar que esse mesmo bom senso aparece no telespectador para controlar o que ele e seus filhos vêem, pois o controle remoto está sempre à mão e, se algo os incomoda, podem simplesmente mudar de canal. Se o filho corre para o quarto para ligar a TV em algo que se acabou de proibir, cabe aos pais dialogar com eles e tentar explicar o porquê dessa proibição. Em casos extremos existem até bloqueadores de canais. Seguindo o exemplo da Internet, está cada vez mais difícil controlar o conteúdo para os filhos. Na HDTV, o desafio será o mesmo, pois a grade de programação estará sempre sujeita a alteração pelo próprio telespectador. Contamos com a Constituição e com a decência dos produtores e donos de emissoras para usarem algo que tem faltado em muitos programas, a Ética. Há quem não saiba ou finja não saber o que seja Ética. Para estes existem instituições e pessoas que os ajudarão a saber. O deputado Orlando Fantazzini, por exemplo, que criou uma cartilha sobre ética na televisão e a distribui gratuitamente para quem quiser, define: Os meios de comunicação devem ter a responsabilidade de produzir programas pautados por parâmetros éticos com informação pluralista e educacional, em defesa de valores e da cultura nacional e regional, além de estimular produções independentes (FANTAZZINI, 2004, p.32)..
(27) Em relação ao conteúdo, problemas na inclusão digital e muitos outros problemas que ocorrem em todos os meios de comunicação, foi criado um fórum de discussão que visa à pesquisa e possíveis soluções: o FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação). “Criado em julho de 1991 como movimento social e transformando-se em entidade em 20 de agosto 1995, o Fórum congrega entidades da sociedade civil para enfrentar os problemas da área das comunicações no País ” (FDNC, 2006, on-line). Por todos estes aspectos aqui levantados, podemos dizer que o papel social da televisão muitas vezes acaba se tornando algo supérfluo e não bem aproveitado. Contamos sempre com a possibilidade de informar e educar desse meio, para o bem geral da sociedade. A televisão é um eletrodoméstico, sim, porém depende de quem faz sua programação e de quem escolhe o que vai assistir. Creio que deveria ser objetivo de todos fazer com que esse aparelho transmita algo mais do que simplesmente imagens. “A televisão é uma técnica, um eletrodoméstico, em busca de necessidades que a legitimem socialmente” (SODRE, 1977, p.14). Ou, como disse Bezzerra (1999, p.23), reportando-se à Lei: Podemos entender como papel social da TV o cumprimento daquilo que estabelece a Constituição brasileira em seu artigo 221 ao regulamentar os serviços de radiodifusão: “[...] preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas”, nessa ordem.. 2. Compromisso social de Ecologia No atual conturbado mundo em que vivemos é preciso se preocupar com um número incomensurável de atividades que possam vir a prejudicar ou melhorar a nossa vida. Tem-se que ficar atento se a inflação nos permitirá comprar determinado bem, para o qual, com muito esforço se juntou dinheiro para adquirir. É necessário trancafiar-se em casa, devido à escalada de violência que assola as grandes metrópoles. Somos obrigados a agüentar certas pessoas que só visam prejudicar e superar tudo isso apenas para continuar em um estafante e mal remunerado emprego, que é a única alt ernativa para levar comida ao prato de nossos filhos. Claro, o mundo não é só essa desgraça, mas é essa a ambientação do homem urbano atual, ao qual se destina o presente estudo, que visa tão somente expor, analisar e compreender, enfim, dar uma modesta contribuição sobre um problema que assola há muito tempo este planeta; a interação do ser humano com seu ambiente..
(28) Aproveitando esta primeira referência para elucidar o significado da palavra ambiente, que será usada muitas vezes nesta pesquisa. Para tanto, a colocação a seguir do texto de Assis visa evitar uma redundância frequentemente usada por muitos autores. A palavra ambiente indica a esfera, o círculo, o âmbito que nos cerca, em que vivemos. Em certo sentido, portanto, nela já se contém o sentido da palavra meio. Por isso, até se pode reconhecer que na expressão meio ambiente, se denota certa redundância (ASSIS, 2000, p.18).. Ainda neste campo de definições e, conforme o dicionário Aurélio, Ecologia significa: “Estudo das relações entre os seres vivos e o meio onde vivem, e de suas recíprocas influências” (FERREIRA, 2004, p.333). Portanto, tem-se na Ecologia uma ciência que estuda todo ser vivo em relação ao seu habitat. Como o habitat do ser humano é todo o planeta, nossa atenção deve focar as devastações que se tem feito na natureza, estudando o que pode ser melhorado em relação à poluição, erosão, desmatamento, enfim, ao impacto ambiental gerador de inúmeros problemas no ecossistema. A preservação do ambiente não é mais uma utopia que apenas enxerga o que o homem está fazendo com a natureza e o que poderia ser feito. Já sabemos de quem é a culpa e temos algumas soluções. É algo concreto que já dá seus primeiros passos, mesmo dependendo de onde serão dados esses passos. Já há educação ambiental, já podemos aprender na escola ou encontrar alguma bibliografia sobre o tema, em bibliotecas das mais remotas cidades do país. A preservação do ambiente está auxiliada, como já vimos acima, em nossa Constituição, que assegura que se algo acontecer com a natureza isso poderá ser passível de punição, seja ela financeira ou penal. A definição legal de ambiente é fornecida pela lei nº.938 de 31 de agosto de 1981, como conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas, conceituando-o como bem incorpóreo. A Constituição Federal não o define, afirmando que se trata de um bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, apenas enumera os bens da União, no art. 20 (ASSIS, 2000, p.19).. É possível, então, averiguar que muito vem sendo feito em prol da prática da proteção ambiental em nosso país e no mundo. São criadas cada vez mais entidades que visam auxiliar o controle do ambiente, sejam elas estatais ou não- governamentais. O exemplo de Organização Não-Governamental (ONG) mais conhecida é a Greenpeace, que faz protestos e denúncias em toda parte do globo. Existem muitas ONG’s de âmbito mundial e regional,.
(29) como o SOS Mata Atlântica, que procura salvar o pouco que resta desse tipo de mata no país, principalmente no Estado de São Paulo. O ser humano está cada vez mais consciente da necessidade de preservação da natureza, tornando realidade essa consciência ecológica. Quanto mais cedo conseguirmos embutir isso na mentalidade das pessoas, mais forte será essa consciência e assim poderemos contar com um maior número de agentes propagadores de informações de cunho ambiental. A “consciência ecológica” seria, pois o resultado de esforços combinados, desde os efetuados por lideranças científicas nos diversos campos da investigação aos setores técnicos da aplicação de conhecimentos, aos quadros de decisão política e ao contexto social, indiscriminadamente (LAGO, 1991, p.26).. A sociedade científica participa com afinco dessa jornada ambiental procurando ilustrar para o mundo dados empíricos sobre a degradação ambiental e no impacto social que isso acarreta no mundo. Nos grandes centros urbanos, os debates científicos em torno do ambiente aumentam cada dia mais, pois o impacto ambiental é sentido com maior amplitude. A Educação Ambiental é o porta-voz do ambiente, havendo similaridade com a questão da estratégia metodológica da resolução de problemas ambientais, locais pelo enfoque das atividades fim ou do tema gerador de Educação Ambiental: enquanto a abordagem do Grupo de Interesse está relacionada à resolução de problemas como atividade fim, o novo Movimento Social e Movimento Histórico convergem para a solução de problemas ambientalistas como um tema gerador (CAMPOS, 2004, p.14).. Como retrato da gravidade da situação ecológica, é preciso salientar que nossas reservas de água, ou estão desaparecendo com a escassez de chuva, ou simplesmente já estão poluídas. No caso da cidade de São Paulo, já estamos trazendo água de outros municípios, pois o complexo Cantareira e a Represa de Guarapiranga não comportam mais a necessidade de água potável da população. Destaque maior para a Guarapiranga que está inserida no meio da cidade de São Paulo e a cada dia que passa os problemas apenas aumentam. As ONGs atuam firmemente para amenizar esses impactos e, se elas nada fizessem, talvez nem água nas nossas torneiras teríamos. Em reportagem ao Jornal Hoje de 14 de novembro de 2006, a Rede Globo anunciou que para tornar a água da represa de Guarapiranga potável, está sendo usado 30% (trinta por cento) mais agentes químicos do que na década de 70. Outro dado alarmante exibido na reportagem é que todos os braços da represa estão poluídos. O problema da Guarapiranga não é recente, como podemos conferir no site da ONG SOS Guarapiranga, onde.
(30) dizem que: “os primeiros alertas para a degradação da qualidade da água e da região da Bacia foram feitos em 1954” (site SOS Guarapiranga). De acordo com Buhler (apud EPSTEIN, 1991, p.40), as publicações científicas possuem como principal atributo a função da linguagem descritiva, “A função descritiva, também chamada de representação ou enunciativa, tem por finalidade sobretudo informar sobre algo exterior, tanto falante quanto ouvinte”. No entanto as publicações, digamos assim populares, se preocupam com o modo que essa notícia será veiculada, afinal, se usarmos apenas a linguagem científica, os telespectadores podem mudar de canal e isso não faria o programa se manter no ar ou pior, o cidadão não entende a informação e não a utiliza de uma maneira útil para a educação ambiental. A linguagem nos programas de televisão ditos ambientais é considerada uma linguagem poética, segundo Jakobson, “A função poética coloca o centro de gravidade na própria configuração da mensagem e corresponde aproximadamente à função estética dos signos [...]” (apud EPSTEIN, 1991, p.45). Felizmente a educação ambiental é estendida a grandes entidades relacionadas à cultura e à educação como a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura), que estabelece em suas diretrizes, em relação ao ambiente, cláusulas para reforçar a necessidade da educação ambiental em um parâmetro mundial. A UNESCO, 1980, estabeleceu a Educação Ambiental, junto com a participação popular, como um dos caminhos para a resolução dos problemas, construindo coletivamente estratégias e atividades para eliminálos de forma a repercutirem na qualidade do meio ambiente (CAMPOS, 2004, p.13). Até nas grandes corporações industriais, a temática do meio ambiente já é considerada. uma responsabilidade social. Devido a essa preocupação da sociedade, as empresas começaram a divulgar em seus produtos, selos ou rótulos mostrando ao consumidor essa atenção, nascendo assim uma espécie de Marketing Ambiental ou, como alguns autores mencionam, o Marketing Verde. No Brasil, os casos mais relevantes e precursores foram os selos de reciclável e os selos de não-poluente à camada de ozônio (CFC). Mas, no entanto, existem empresas que se aproveitam desse marketing e na realidade não se adaptaram e não demonstram nenhuma preocupação verdadeiramente ecológica. Por isso, cada vez mais entidades são criadas, pelo governo ou não, para um combate a esse marketing enganoso que continua prejudicando a natureza e ludibriando os consumidores. Foi criado até um selo ISO para as grandes empresas em relação ao ambiente, que é o ISO 14000..
(31) As normas ISO 14000 – Gestão Ambiental foram inicialmente elaboradas visando o “manejo ambiental”, que significa “o que a organização faz para minimizar os efeitos nocivos ao ambiente causados pelas suas atividades” (ISO, 2000) (EMBRAPA, 2006, on-line).. Quando se fala de ambiente, portanto, não existe mais o olhar utópico. Alguns estudos científicos apresentam teorias que parecem tiradas de livros de mitologia e, entretanto, são pesquisas sérias, com dados comprovados pelo meio científico. Deve-se dar atenção, por exemplo, para duas teorias que chegam a ser um tanto quanto românticas, porém muito interessantes. Uma delas é aquela que “em 1979, o bioquímico James Lovelock lança, pela Oxford University Press, um livro intitulado Gaia, em que sugere a hipótese da Terra como um organismo vivo” (HOEFFEL, 1998, p.71) que sofre com as agressões, porém responde à altura para poder se sustentar no Universo, ou seja, se nós acabamos com uma grande faixa de mata de uma respectiva região, isso acarretará problemas no mundo inteiro. Um tanto quanto semelhante é a Teoria do Caos, que enuncia que, se deslocarmos as asas de uma borboleta no Brasil, de uma maneira diferente, isso pode trazer algum dia um tufão no Japão. [...] uma ação realizada por você ou qualquer outra pessoa ou um animal. hoje, trará uma resultado amanhã, este desconhecido. Nas primícias da década de 1960, o então meteorologista americano Edward lorenz descobriu que fenômenos aparentemente simples tinham um comportamento tão desordenado quanto à vida (BRASIL ESCOLA, 2006, on-line).. Essas duas teorias podem ser respostas de alguns cientistas modernos e poéticos ao excesso de dados e análises que não atraem a atenção do senso comum, por isso criam estudos inovadores e curiosos, que podem atrair a atenção de pessoas que não entendem e nem procuram entender a linguagem científica. Essa visão romântica da educação ambiental se assemelha ao formato dos programas de televisão. Podemos incluir nesse meio os programas ditos ambientais. Se eles não usarem uma linguagem mais informal, não conseguirão atrair a atenção do telespectador, principalmente os do senso comum. Usar recursos na edição, como um BG (background) com uma música bem calma e tranqüila, que remeta a pessoa para o meio da reportagem e que sinta o que sofre a natureza com a degradação. Usar slow motion para ilustrar uma bela paisagem, que se não formos capazes de salvar em poucos anos só existirá na memória e na fita gravada. Esses são recursos que mexem com o sentimento, que têm um apelo emocional muito grande, apenas como gancho para quem procura educação ambiental. Os roteiristas têm que pegar informações científicas e transformar em algo fácil de absorver e que, ao mesmo tempo, atraia bastante audiência e contribua para a preservação do ambiente..
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