Tratamento Térmico e
Metalografia
CAPÍTULO I
Prof. Esp. Eng° Elson Avallone
Bibliografia
Básica:
1. CHIAVERINI, V. Aços e ferros fundidos. 7. ed. São
Paulo: ABM, 2012. 599 p.
2. COLPAERT, H. Metalografia dos produtos siderúrgicos
comuns. 6. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 2008. 672
p.
• Ferro
– Do latim (Ferrum) – Fe;
• Indícios do uso do Ferro:
– Retirados de
meteoritos
pelos sumérios e
egípcios;
• Mesopotâmia – Anatólia – Egito;
• Usado para fins cerimoniais por ser um metal muito
caro (mais caro que o ouro);
• O Faraó Tutankhamon está deitado sobre um apoio de cabeça de
ferro de um meteorito;
• Peça da idade do ferro:
Machado de ferro
Meteorito de ferro
• Meteoro da Rússia (2013): Feriu quase 1000 pessoas e não
chegou a bater na terra, explodiu na atmosfera;
• Se tivesse atingido a terra, seria uma catástrofe de mais de
10 bombas atômicas de Hiroshima;
• Era muito difícil obter ferro – processo muito caro e dificil;
• Entre os séculos XII e X no oriente médio: Rápida transição das
armas de bronze para as de ferro;
• Passou a ser mais fácil obter ferro do que bronze;
• Junto com esta transição do bronze ao ferro descobriu-se o
processo de "carburação“:
– Adicionar carbono ao ferro;
– O ferro era obtido misturado com a escória contendo carbono ou carbetos, e era forjado retirando-se a escória e oxidando o carbono, criando-se assim o produto já com uma forma;
– Continha baixa quantidade de carbono, não sendo possível endurecê-lo com facilidade ao esfriá-endurecê-lo em água;
– Observou-se que se podia obter um produto muito mais resistente aquecendo a peça de ferro forjado num leito de carvão vegetal, para então submergi-lo na água ou óleo;
– O produto resultante, apresentava uma camada superficial de aço, era mais duro e mais frágil que o bronze (quebradiço);
• A Espada de Damasco
• Feita com “woots”, um aço especial indiano, a Espada de Damasco foi o terror dos cavaleiros cristãos na época das Cruzadas, mas a fórmula de fabricação desta prodigiosa arma branca se perdeu.
• Conhecida durante as Cruzadas, na Idade Média Clássica, a Espada de Damasco, aos olhos dos europeus, parecia sobrenatural.
• Dessa mortífera arma desenvolvida por ferreiros muçulmanos, dizia-se que podia cortar um pedaço de seda ao meio antes dele cair ao chão, fragmentar rochas e partir as espadas adversárias como se fossem de madeira, sem perder a qualidade. Se colocada em um riacho, cortava as folhas que vinham flutuando ao seu encontro.
• Também de Cortar outras espadas fabricadas com aço qualidade inferior.
Espada de Damasco: Muito leve – curvilínea – com gumes cortantes muito afiados que não perdiam o fio.
Histórico
Tratamento térmico superficial no gume
Katana Samurai
Histórico
Curvatura gerada
pelo tratamento
térmico - Têmpera
• Ferro:
– Material mais abundante na face da terra e no
universo;
– Presente em forma de minério, é necessário a
extração e beneficiamento;
• Beneficiamento através de Alto-forno: O
minério de ferro é inserido no alto forno em
camadas alternadas de coque;
• Após a queima, o produto que se obtém é o
FERRO GUSA;
– Ferro Gusa: Tão importante que a balança comercial
de um país é medida pela sua produção deste
produto;
Ferro Gusa
Histórico
• A Torrei Eiffel foi construída com um ferro
fundido chamado Ferro Pudlado
• Ferro:
– Principal constituinte de uma das ligas mais
importantes na engenharia:
o aço
;
• Aço:
– Empregado nos mais variados componentes;
– Fica difícil imaginar um equipamento que não
possua uma peça de aço em sua constituição.
• Ferro:
– Metal alotrópico: apresenta mais de uma estrutura
cristalina de acordo com a temperatura;
– Acima de 1538°C: Se liquefaz
• Quando se solidifica (instantaneamente abaixo de 1538°C) -passa a apresentar uma estrutura cúbica de corpo centrado, a fase δ (delta);
• Continuando o resfriamento, ocorre uma mudança de fase na temperatura de 1394°C- Os átomos de ferro sofrem um rearranjo para uma estrutura cúbica de faces centradas, a fase γ (gama); • Em 912°C- ocorre um novo rearranjo cristalino e o ferro volta a
apresentar uma estrutura cúbica de corpo centrado, a fase α (alfa); • Abaixo de 768 °C (ponto Curie)– O ferro passa a apresentar um
comportamento magnético, sem no entanto apresentar qualquer mudança na estrutura cristalina.
Líquido Líquido + Sólido Temperaturas importantes Transformação no resfriamento: Indice “r” (refroidessement) Transformação no aquecimento: Indice “c” (chouffage)
• Todas estas transformações alotrópicas
(mudanças de estruturas) ocorrem:
– com liberação de calor no resfriamento (reações
exotérmicas);
– e com absorção de calor no aquecimento (reações
endotérmicas);
• A existência destas transformações faz com que
• Todos os metais, incluindo o ferro puro, possuem o que
se convenciona chamar de estrutura cristalina.
• Para entender, vamos considerar uma rede de pontos
que se prolonga infinitamente nas três direções do
espaço:
Como se fosse um armário de arames fixados
• Para o conhecimento perfeito dos aços, é
imprescindível o conhecimento do Diagrama de
Equilíbrio;
• O teor de carbono é a capacidade de
endurecimento do aço;
• O diagrama Fe
3C apresenta um teor até 6,7% de
carbono. Acima desse valor não se conhece nada;
• Teores acima de 4,0% a 4,5% de carbono tem
pequena ou nenhuma importância comercial;
• Formação do Aço:
– Diagrama Ferro - Carbono
Tem pouca importância comercial mas será estudado adiante(transfor mação Periética) O Fe3C pode se decompor em Ferro e Carbono (na forma de grafita) a 700°CDiagrama Ferro - Carbono
Linhas AC – CD – AE – ECF:
Reações de passagem do estado líquido ao sólido
Linhas GS – SE – PKS:
Ponto Eutético (C): uma fase liquida se
transforma em duas fases solidas (alfa e beta) – 4,3% de carbono
• Ferro Puro:
– 912°C (forma alotrópica): Ferro α;
– De 912°C a 1394°C (forma alotrópica): Ferro γ;
• Essas duas formas alotrópicas caracterizam-se por
possuírem reticulados cristalinos diferentes:
– Ferro α:
Cúbico de corpo centrado (CCC):
Ferrita
– Ferro γ:
Cúbico de face centrada (CFC):
Austenita
• Conseqüência importante desse fato:
– Grande importância prática nos tratamentos térmicos das ligas
de ferro carbono;
– O
ferro gama
pode manter em solução o carbono;
– O
ferro alfa
não pode manter;
Temperatura ambiente: Forma estável, chamada
ferrita
, ou
ferro
α
, tem uma estrutura cristalina CCC. A ferrita experimenta uma
transformação polimórfica (várias formas) a
austenita
CFC, ou
ferro γ
, a
912ºC
. Esta austenita persiste ate 1392ºC, temperatura
na qual a austenita CFC se reverte de volta para a fase CCC
conhecida como
ferro δ
, que finalmente se funde a
1536ºC
.
Diagrama Ferro - Carbono
Estrutura Cristalina do Ferro (CCC):Estrutura Cristalina do Ferro (CFC):
Diagrama Ferro - Carbono
Austenita:Solução sólida de
ferro gama(aparece somente em temperaturas elevadas)
γ-Fe
Quanto menor a temperatura, menor a solubilidade do carbono até o limite de 727°C, quando a concentração é 0,77% de
Ponto Eutoide (S):
Existe uma relação entre o ponto “C” e o ponto “S”, por isso o ponto “S” é chamado de Eutetoide– Corresponde a 0,77% de carbono (as ligas com esta composição são chamadas (Eutetoides) – linha SECF
A linha SK está presenta nas duas fases: Ferro gama e carbono (austenita) –
carboneto de ferro chamado de cementita
Linha Solidus
Diagrama Ferro - Carbono
Se houver um resfriamento muito lento –NÃO EXISTIRÁ
ferro-gama ou austenita (linha PSK) – 727°C γ-Fe Em 727°C a transformação gama-alfaé instantânea α-Fe Linha GS: Início da transformação de gama em ferro-alfa; Linha PS: Fim da transformação
• Teor de carbono
2,11% - Corresponde
ao ponto “E”
–
Separação teórica
entre os dois
principais produtos
siderúrgicos:
– Aços: Teores de
carbono até 2,11%
– Ferros fundidos:
Teores de carbono
acima de 2,11%
Aços Ferros Fundidos• Resumindo:
– Linhas AG – GS
– SE – EA:
• Fase sólida queestá presente é austenita;
– Entre as Linhas
GQ – GP – PQ:
• Transformações que ocorrem entre 0 e 2,11% de carbono: – Aços EUTETÓIDES: com 0,77% C; – Aços HIPOEUTETÓIDES: abaixo de 0,77% C; – Aços HIPEREUTETÓIDES: ente 0,77% e 2,11% C
• Considere o esfriamento de um aço HIPOEUTETOIDE(com 0,3% C):
– Atravessando a linha SOLIDUS, ele está totalmente solidificado (austenita) e ficará assim até atingir a zona crítica A3, no ponto x3;
– Essa austenita contem 0,3% de carbono dissolvidos no ferro gama e tem cristais na forma de CFC;
– Ao atingir o ponto x3 o ferro gama começa a se transformar em ferro alfa, senão um mínimo de carbono se separa – ocasionando enriquecimento de carbono;
– Chegando ao ponto x2, mais ferro gama se transformou em ferro alfa – nesse ponto o ferro alfa (ferrita) tem pequena porcentagem de carbono;
austenita restante se enriquece de carbono, percorrendo a linha GS;
• A 727°C – Ponto x1 da linha A1: O aço terá uma certa
quantidade de ferro alfa (ferrita) e pequena quantidade de austenita (teor de 0,77% de carbono);
• Ou seja: a 727°C, o aço com 0,3% de carbono terá a máxima quantidade de ferrita;
Fe-C de 0 a 2,11%
• REGRA DA ALAVANCA
– Estimativa da constituição estrutural dessa liga de 0,3% de
carbono:
%
0
,
61
0
77
,
0
30
,
0
77
,
0
100
ide)
(proeuteto
ferrita
de
%
=
−
−
×
=
%
0
,
39
0
77
,
0
0
30
,
0
100
perlita
de
%
=
−
−
×
=
% do Hipoeutetóide % da liga estruturalDiagrama Ferro - Carbono
Cementita e Ferrita
Cementita: Material muito duro (contem Carbono) Ferrita: Material mole
Cementita:Grão que contém carbono
Perlita:Carbono contido no grão (cementita)
Formação da granulação com o resfriamento do aço