Propriedades térmicas e mecânicas do NHG sob tração
Texto
(2) ´ Louis Gustavo da Costa Sobral e Sa. Propriedades T´ ermicas e Mecˆ anicas do NHG Sob Tra¸ c˜ ao. Disserta¸ca˜o. de. Departamento. mestrado de. apresentada. ao. Te´orica. e do. F´ısica. Experimental. da. Universidade. Federal. Rio. do. Norte. requisito. Grande. como. a`. obten¸ca˜o do grau de Mestre em F´ısica.. Orientador: Prof. Dr. Luiz Felipe Cavalcanti Pereira. Natal-RN Julho de 2017.
(3) Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas - SISBI Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Central Zila Mamede. Sá, Louis Gustavo da Costa Sobral e. Propriedades térmicas e mecânicas do NHG Sob Tração / Louis Gustavo da Costa Sobral e Sá. - 2017. 68 f.: il. Dissertação (mestrado) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ciências Exatas e da Terra, Pós-graduação em Física. Natal, RN, 2017. Orientador: Prof. Dr. Luiz Felipe Cavalcanti Pereira.. 1. Grafeno - Dissertação. 2. Nanoestruturas - Dissertação. 3. Elasticidade térmica - Dissertação. 4. Condutividade térmica Dissertação. I. Pereira, Luiz Felipe Cavalcanti. II. Título. RN/UF/BCZM. CDU 549.21:536.
(4) ´ Louis Gustavo da Costa Sobral e Sa Propriedades T´ ermicas e Mecˆ anicas do NHG Sob Tra¸ c˜ ao Disserta¸ca˜o apresentada ao Departamento de F´ısica Te´orica e Experimental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como parte dos requisitos para a obten¸ca˜o do t´ıtulo de Mestre em F´ısica. BANCA EXAMINADORA. Aprovada em: 24 de Julho de 2017.
(5) AGRADECIMENTOS. Agrade¸co ao meu orientador, Luiz Felipe Cavalcanti Pereira; por todos os conhecimentos transmitidos e pela realiza¸ca˜o deste trabalho. A minha m˜ae e a minha fam´ılia, por todo amor e suporte. Aos amigos: Ac´acio Silveira, Allyson Irineu, Bruno Silva, Jonh Anderson e Yuan Marinho. Ao CNPq, pelo apoio financeiro.. iii.
(6) RESUMO. Materiais em 1 e 2 dimens˜oes, tais como nanofios, nanotubos, grafeno e nitreto de boro, atraem enorme interesse devido a seu potencial de aplica¸c˜oes em novos dispositivos eletrˆonicos e no gerenciamento do calor. Em contraste aos materiais tridimensionais, o transporte de calor em baixas dimens˜oes pode ser bem diferente. Grafeno exibe extraordin´arias propriedades f´ısicas, incluindo uma condutividade t´ermica extremamente alta. Um novo material cristalino bidimensional, como o grafeno com uma estequiometria C2 N com buracos uniformemente distribu´ıdos e ´atomos de nitrogˆenio em seu plano basal, o grafeno com buracos nitrogenado [ou nitrogenated holey graphene (NHG)], foi recentemente sintetizado. Aqui apresentamos uma investiga¸c˜ao da condutividade t´ermica do NHG via simula¸c˜oes com dinˆamica molecular fora do equil´ıbrio baseado no potencial interatˆomico de Tersoff. N´os realizamos uma an´alise dos efeitos de tamanho finito e extrapolamos os nossos resultados para estimar as propriedades de longas folhas do NHG. Foi calculada uma condutividade t´ermica intr´ınseca 67,23 W/m·K do NHG a temperatura ambiente, com um livre caminho m´edio efetivo de 16,84 nm. Ambas as quantidades s˜ao muito menores do que as correspondentes para o grafeno. Sob tra¸ca˜o uniaxial e biaxial foi observado o aumento da condutividade t´ermica e do correspondente livre caminho m´edio efetivo, embora n˜ao seja t˜ao acentuada como no grafeno. iv.
(7) Palavras-chaves: grafeno, nanoestruturas, elasticidade t´ermica, condutividade t´ermica.. v.
(8) ABSTRACT. One and two-dimensional materials, such nanowires, nanotubes, graphene, and boron nitride, triggered enormous interest due to their potential application in novel electronic and heat management devices. In contrast to three-dimensional bulk materials, thermal transport in low-dimensions can be quite different. Graphene exhibits extraordinary physical properties, including an extremely high thermal conductivity. A novel graphene-derived twodimensional crystal with a C2 N stoichiometry and evenly distributed holes and nitrogen atoms in its basal plane, nitrogenated holey graphene (NHG), has recently been synthesized. Here we report an investigation of the thermal conductivity of NHG via non-equilibrium molecular dynamics simulations based on the Tersoff interatomic potential. We perform an analysis of finite-size effects and extrapolate our simulation results to estimate the properties of very large NHG sheets. The intrinsic thermal conductivity of NHG at room temperature was found to be 67.23 W/m-K, with an effective phonon mean free path of 16.84 nm. Both quantities are much smaller than the corresponding ones for graphene. Under uniaxial or biaxial strain we observe an increase in thermal conductivity and the corresponding effective phonon mean-free-path, although not as pronounced as in graphene. Keywords: graphene, nanostructures, elasticity, thermal conductivity.. vi.
(9) ´ SUMARIO. Agradecimentos. iii. Resumo. iv. Abstract. vi. 1 Introdu¸c˜ ao 1.1. 1.2. 1. Motiva¸c˜ao Para o Estudo das Propriedades T´ermicas e Mecˆanicas do NHG Sob Tra¸c˜ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 1. Descri¸ca˜o da Metodologia de Organiza¸ca˜o Adotada na Disserta¸ca˜o . . . . . .. 8. 2 Fundamenta¸c˜ ao Te´ orica 2.1. 9. Dinˆamica Molecular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 9. 2.1.1. Descri¸c˜ao de um Sistema Atˆomico Cl´assico . . . . . . . . . . . . . . .. 10. 2.1.2. Equa¸c˜oes de Movimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 13. 2.1.3. M´etodos Computacionais Para Solucionar as Equa¸co˜es de Movimento. 14. vii.
(10) 2.1.4 2.2. 2.3. Fun¸ca˜o de Autocorrela¸ca˜o do Tempo . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 18. Mecˆanica Estat´ıstica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 18. 2.2.1. Ensemble Estat´ıstico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 22. Dinˆamica da Rede Cristalina . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 29. 2.3.1. Modos Normais de Vibra¸c˜ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 29. 2.3.2. Cadeia Linear Monoatˆomica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 31. 2.3.3. Cadeia Linear Diatˆomica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 33. 3 Metodologia 3.1. 36. M´etodo Direto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 37. 3.1.1. 40. Efeitos de Tamanho Finito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 4 Resultados e Discuss˜ oes. 41. 4.1. Estrutura Atˆomica do NHG . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 42. 4.2. Rela¸ca˜o de Dispers˜ao de Fˆonons . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 43. 4.3. Propriedades Mecˆanicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 44. 4.4. Condutividade T´ermica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 49. 4.5. Densidade Vibracional dos Fˆonons. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 55. 4.6. Altera¸co˜es na Popula¸c˜ao de Fˆonons Devido a Deforma¸c˜ao . . . . . . . . . . .. 57. 5 Conclus˜ oes. 60. viii.
(11) CAP´ITULO 1 ˜ INTRODUC ¸ AO. 1.1. Motiva¸c˜ ao Para o Estudo das Propriedades T´ ermicas e Mecˆ anicas do NHG Sob Tra¸ c˜ ao O grafeno ´e o primeiro material cristalino bidimensional (2D), com uma u ´nica ca-. mada de a´tomos de carbono densamente compactado, arranjados em uma estrutura cristalina ´ um componente fundamental para o estudo de outros al´otropos do carbono, em favo de mel. E tais como o grafite (3D), nanofios e nanotubos (1D) e fulerenos (0D)(Fig.1.1). Nos u ´ltimos anos foram muitos os avan¸cos nas pesquisas sobre o grafeno, sendo consagrado como o novo material que poder´a substituir o sil´ıcio na tecnologia atual e revolucionar v´arios aspectos da nossa vida. Certamente ele tem esse potencial devido a suas extraordin´arias propriedades el´etricas e mecˆanicas, uma condutividade t´ermica extremamente alta e muitas outras (GEIM; NOVOSELOV, 2007; NOVOSELOV et al., 2012). Poucos anos atr´as, o grafeno era tratado apenas como um material “acadˆemico”, pois se acreditava que n˜ao poderia existir isolado na natureza por ser termodinamicamente inst´avel, e que devido `a baixa dimensionalidade a flutua¸ca˜o t´ermica ocasionaria deslocamentos atˆomicos maiores que as distˆancias interatˆomicas, 1.
(12) Cap´ıtulo 1. Introdu¸ca˜o. 2. Figura 1.1: O grafeno ´e uma folha de ´atomos de carbono, e partir dele outros al´otropos do carbono podem ser constru´ıdos, como, os fulerenos (0D), nanotubos (1D) e grafite (3D). Ref.(GEIM; NOVOSELOV, 2007) formando estruturas curvas, tais como nanotubos e fulerenos (PEIERLS, ; LANDAU, 1937). Mas em 2004, para a surpresa da comunidade cient´ıfica, Novoselov e Geim prepararam filmes de grafeno por uma simples t´ecnica de exfolia¸ca˜o mecˆanica, obtendo filmes com mais de 10 µm de tamanho (NOVOSELOV et al., 2004). Para aumentar ainda mais os aˆnimos, as experiˆencias confirmaram que os portadores de cargas se comportam de fato como fermions de Dirac sem massa, ou seja, agem efetivamente como part´ıculas relativ´ısticas sem massa em um espa¸co-tempo de (1+2) dimens˜oes, sendo uma dimens˜ao temporal e duas espaciais (NOVOSELOV et al., 2005). Devido as suas not´aveis propriedades, a aplica¸ca˜o de grafeno (Fig.1.2) abrange uma gama de a´reas, incluindo eletrˆonica flex´ıvel (NAIR et al., 2008; BAE et al., 2010), fotodetectores (XIA et al., 2009b, 2009a), moduladores o´ticos (REED et al., 2010), sensores e metrologia (LEE et al., 2008), aplica¸co˜es biol´ogicas (NAYAK et al., 2011; NAIR et al., 1993). Abrindo a banda gap do grafeno com modifica¸co˜es qu´ımicas, cresendo sobre diferentes substratos ou aumentando o n´ umero de camadas, ele pode ser utilizado para a produ¸ca˜o de transistores de alta frequˆencia (LIN et al., 2010; MERIC; DEAN; YOUNG,.
(13) Cap´ıtulo 1. Introdu¸ca˜o. 3. 2011), transistores l´ogicos (PONOMARENKO et al., 2008; STAMPFER et al., 2008), etc.. Figura 1.2: (a) Super capacitor baseado em grafeno. (b) Aplica¸c˜oes biol´ogica do grafeno para o transporte de droga para o interior da c´elula. Ref. (NOVOSELOV et al., 2012). Com os avan¸cos nas pesquisas outros materiais bidimensionais foram constru´ıdos e sintetizados, e cada vez mais vem aumentando a fam´ılia dos materiais semelhantes ao grafeno (graphene-like) (XU et al., 2013). Como as camadas de metais de transi¸c˜ao calcogˆenios (TMDs) (WILSON; YOFFE, 1969; LANG et al., 2012; TANG et al., 2007), que consistem em camadas hexagonais de ´atomos (M) entre duas camadas de ´atomos do grupo do calcogˆenio (X) com uma estequiometria MX2 (Fig.1.3). Dependendo da combina¸c˜ao dos ´atomos do grupo do calcogˆenio com os metais de transi¸co˜es, os TMDs ocorrem em mais 40 categorias diferentes, tendo v´arias a´reas de aplica¸co˜es (SHISHIDOU; FREEMAN; ASAHI, 2001; TAKADA et al., 2003). As folhas de nitreto de boro hexagonal (h-BN), que possuem a mesma estrutura do grafeno, mas com a´tomos de carbono substitu´ıdos por quantidades iguais de a´tomos de boro e nitrogˆenio (KUBOTA et al., 2007; GOLBERG et al., 2010). E outros materiais com a inclus˜ao de elementos do grupo IV e n˜ao-metais da tabela peri´odica, tais como siliceno(CAHANGIROV et al., 2009; JIANG et al., 2015), germaneno (BIANCO et al., 2013; TAKEDA; SHIRAISHI, 1994; LIU; FENG; YAO, 2011), borofeno (MANNIX et al., 2015), estaneno (ZHU et al., 2015), fosforeno (LI et al., 2014), etc. Juntos esses materiais apresentam um conjunto completo de propriedades eletrˆonicas, incluindo metais, semimetais e isolantes. Um novo membro da fam´ılia dos graphene-like ´e o grafeno com buracos nitroge-.
(14) Cap´ıtulo 1. Introdu¸ca˜o. 4. Figura 1.3: (a)Estrutura atˆomica da camada MoS2 . Ref.(XU et al., 2013).(b) Folha de h-BN. Ref.(TABARRAEI; WANG, 2016). nados [ou nitrogenated holey graphene (NHG)], sintetizado pela rea¸c˜ao qu´ımica entre hexa aminobenzeno (HAB) tri-cloridrato e hexaqueta ciclohexano (HKH) octahidratado em Nmetil-2-pirrolidona (NMP) na presen¸ca de algumas gotas de ´acido sulf´ urico (H2 SO4 ) ou em a´cido trifluorometanossulf´onico (Fig.1.4) (MAHMOOD et al., 2015). Apresenta uma estrutura cristalina com buracos distribu´ıdos uniformemente e a´tomos de nitrogˆenio com uma estequiometria C2 N em seu plano basal. A estrutura atˆomica do NHG ´e composta de an´eis de carbono terminada por ´atomos de nitrogˆenio. Sendo um semicondutor com um gap de energia no n´ıvel de Fermi de 1,6 eV (TROMER et al., 2017). Os primeiros estudos mostraram que o NHG possui uma condutividade t´ermica de 64,8 W/m·K, um livre caminho m´edio efetivo de 34,0 nm e um m´odulo de elasticidade de 335 GPa (MORTAZAVI et al., 2016b). As propriedades estruturais e eletrˆonicas u ´nicas do NHG, fazem dele uma material a ser usado em aplica¸c˜oes (Fig.1.5) onde o grafeno e outros graphene-like tenham inerentes limita¸co˜es , por exemplo, na constru¸c˜ao de materiais puramente orgˆanico n˜ao-met´alico magn´eticos (BLUNDELL; PRATT, 2004), biomol´eculas (MERCHANT et al., 2010; LU et al., 2009; WANG et al., 2011), e catalisadores (QU et al., 2010), Com a miniaturiza¸c˜ao dos dispositivos eletrˆonicos e mecˆanicos, a remo¸ca˜o eficiente do calor ´e de crucial importˆancia para o aumento da performance. Com essa motiva¸ca˜o as pesquisas sobre o transporte t´ermico em nanoestruturas tem sido um t´opico importante nas ´ bem entendido que o transporte t´ermico ´e governado pela lei de Fouu ´ltimas duas d´ecadas. E rier, e est´a relacionado com o tamanho e geometria da estrutura investigada. Para modelos de rede tridimensional, como materiais bulk, no limite termodinˆamico a condutividade t´ermica ´e um parˆametro intr´ınseco. A n´ıvel microsc´opico o comportamento da condu¸ca˜o de calor ainda.
(15) Cap´ıtulo 1. Introdu¸ca˜o. 5. Figura 1.4: (a) Representa¸ca˜o esquem´atica da rea¸ca˜o entre HAB e HKH para produ¸c˜ao do cristal C2 N-h2D. Fotos digitais:(b) cristal C2 N-h2D; (c) Solu¸c˜ao de cristal C2 N-h2D fundido sobre a superf´ıcie de SiO2 ap´os tratamento t´ermico a 700 ◦ C; (d) Filme de cristal C2 N-h2D transferido para um substrato de PET. Ref.(MAHMOOD et al., 2015). ´e um t´opico em aberto, mas significantes progressos tˆem sido alcan¸cados. Para modelos de rede unidimensional, nanoestruturas quasi-1D e pol´ımeros, a condutividade t´ermica tem uma dependˆencia com o comprimento da amostra, κ ∼ Lβ , como j´a previsto em trabalhos te´oricos e verificados experimentalmente (JENG et al., 2008; NARAYAN; RAMASWAMY, 2002; DHAR, 2008; LI et al., 2003; LI; WANG, 2003; PROSEN; CAMPBELL, 2000; LIU et al., 2014; YANG; ZHANG; LI, 2010; HENRY; CHEN, 2008; LIU; YANG, 2012). Para modelos bidimensionais, como as folhas de grafeno, uma divergˆencia logar´ıtmica da condutividade t´ermica foi demostrada experimentamente, mas resultados contradit´orios podem ser obtidos dependendo da t´ecnica e aproxima¸c˜ao utilizada (XU et al., 2014; LEE; CAHILL; VENKATASUBRAMANIAN, 1997; YANG; CHEN, 2004). Em muitos casos, a investiga¸c˜ao e interpreta¸c˜ao dos resultados de microestruturas elementares obtidos por t´ecnicas experimentais se torna dif´ıcil devido as contribui¸c˜oes dos defeitos, que n˜ao podem ser ignorados. Nessa situa¸c˜ao a melhor abordagem para estudar.
(16) Cap´ıtulo 1. Introdu¸ca˜o. 6. Figura 1.5: Potencial aplica¸co˜es dos cristais C2 N-h2D como um material para convers˜ao e armazenamento de energia, catalisador, biol´ogicos e etc. Ref.(MAHMOOD et al., 2015). o transporte t´ermico ´e utilizar simula¸co˜es computacionais para modelar sistemas atˆomicos cl´assicos usando dinˆamica molecular [molecular dynamics (MD)]. Em simula¸co˜es MD, os dois m´etodos comumente aplicados para computar a condutividade t´ermica s˜ao o m´etodo direto e o m´etodo Green-Kubo. O m´etodo direto ´e um m´etodo MD fora do equil´ıbrio [non-equilibrium MD (NEMD)], que imp˜oe um gradiente de temperatura atrav´es da c´elula de simula¸ca˜o, sendo uma situa¸c˜ao an´aloga a experimental. Em contraste, o m´etodo Green-Kubo ´e um m´etodo MD no equil´ıbrio que usa a flutua¸c˜ao da corrente de calor para computar a condutividade t´ermica via teoria dissipa¸ca˜o-flutua¸ca˜o (FAN et al., 2015). Um mecanismo para modificar as propriedades t´ermicas e mecˆanicas em s´olidos ´e por meio da aplica¸c˜ao de deforma¸ca˜o. No caso de materiais bulk, o transporte t´ermico ´e.
(17) Cap´ıtulo 1. Introdu¸ca˜o. 7. bem entendido, podendo ser qualitativamente explicado dentro do formalismo do modelo de intera¸c˜ao anarmˆonico de trˆes fˆonons. Para semicondutores e redes iˆonicas, a condutividade t´ermica pode aumentar sobre compress˜ao hidrost´atica, como relatado em in´ umeros estudos (BHOWMICK; SHENOY, 2006; SUN; THOMPSON; NISHIDA, 2010; ROSS et al., 1999). Contudo, os efeitos da tra¸c˜ao sobre a condutividade t´ermica em nanoestruturas podem ser muitas vezes maior do que em materiais bulk. Por exemplo, para uma tra¸ca˜o de 5% sobre um diamante bulk e uma folha de grafeno a condutividade t´ermica altera em 22% e 66%, respectivamente (LI et al., 2010; PEREIRA; DONADIO, 2013). Logo, o uso de tra¸co˜es ´e de interesse relevante para controlar as propriedades t´ermicas e ser utilizado em aplica¸co˜es tecnol´ogicas. Entretanto, a medida que as dimens˜oes v˜ao se aproximando ao comprimento do livre caminho m´edio dos fˆonons do material os efeitos de tamanho finito n˜ao podem ser ignorados. Portanto, no intuito de investigar o controle da condutividade t´ermica, tanto as tra¸co˜es como o comprimento da amostra s˜ao parˆametros de relativa importˆancia. Neste trabalho n´os investigamos o transporte t´ermico e as propriedades mecˆanicas do NHG sob tra¸ca˜o usando dinˆamica molecular. Calculamos a condutividade t´ermica a diferentes temperaturas, bem como determinamos a rela¸ca˜o de dispers˜ao dos fˆonons, m´odulo de elasticidade, resistˆencia mecˆanica, densidade vibracional dos fˆonons e altera¸c˜ao na popula¸c˜ao de fˆonons. As simula¸c˜oes foram realizadas com o pacote Large-scale Atomic/Molecular Massively Parallel Simulator (LAMMPS) (PLIMPTON, 1995), empregando o potencial Tersoff parametrizado para o BN-C (KINACI et al., 2012). A condutividade t´ermica foi computada aplicando o m´etodo direto, os resultados mostram que para estruturas sob deforma¸co˜es uniaxiais e biaxiais se obt´em valores no intervalo de 67,33 `a 131,38 W/mK, e que para o NHG relaxado a condutividade t´ermica ´e duas ordem de magnitude menor do que o grafeno. Por meio de deforma¸co˜es uniaxiais determinamos o m´odulo de elasticidade e a resistˆencia a ruptura, constatando que ambas quantidades s˜ao menores comparadas ao grafeno..
(18) Cap´ıtulo 1. Introdu¸ca˜o. 1.2. 8. Descri¸c˜ ao da Metodologia de Organiza¸ c˜ ao Adotada na Disserta¸c˜ ao A disserta¸c˜ao est´a organizada em cinco cap´ıtulos, que se v˜ao sucedendo numa l´ogica. que pretende ilustrar o desenvolvimento do pr´oprio trabalho de investiga¸c˜ao. Neste primeiro cap´ıtulo o objetivo foi expor o interesse em estudar o grafeno e a fam´ılia de materiais bidimensionais, e em especial o NHG que foi recentemente sintetizado. Mostrar a importˆancia em simular estruturas utilizando dinˆamica molecular para entender o transporte t´ermico e as propriedades mecˆanicas sob tra¸c˜oes para fins de aplica¸co˜es tecnol´ogicas. No cap´ıtulo dois, faremos a apresenta¸c˜ao das fundamenta¸c˜oes f´ısicas da dinˆamica molecular, mecˆanica estat´ısticas e dinˆamica da rede cristalina aplicadas no trabalho. No cap´ıtulo trˆes, apresentamos uma descri¸c˜ao do m´etodo direto e os detalhes computacionais para computar a condutividade t´ermica tendo como modelo de rede cristalina um diamante bulk. O cap´ıtulo quatro ´e o cerne do trabalho com os resultados e discuss˜oes das propriedades t´ermicas e mecˆanicas do NHG, onde foram obtidos os m´odulos de elasticidade, resistˆencia a ruptura, a condutividade t´ermica, a densidade vibracional dos fˆonons e observado a dependˆencia da temperatura sob alguns desses parˆametros. O trabalho finaliza com o cap´ıtulo cinco onde se encontram as principais conclus˜oes e resultados obtidos..
(19) CAP´ITULO 2 ˜ TEORICA ´ FUNDAMENTAC ¸ AO. 2.1. Dinˆ amica Molecular Dinˆamica molecular ´e um m´etodo usado para descrever as solu¸co˜es das equa¸co˜es de. movimento cl´assicas para um conjunto de part´ıculas ou mol´eculas (ALLEN; TILDESLEY, 1987). Consiste em uma t´ecnica para obter informa¸co˜es sobre a dinˆamica de um sistema de muitos corpos sobre um potencial emp´ırico cl´assico, por exemplo, modelos de potencial Lennard-Jones e Tersoff utilizados para medir a condutividade t´ermica em materiais bulk, e tamb´em de outras quantidades t´ermicas e mecˆanicas de sistemas 3D, 2D, 1D e 0D. Nesta sess˜ao temos como objetivo expor as condi¸co˜es necess´arias para simular um sistema cl´assico, mostrar como as equa¸c˜oes de movimento s˜ao escritas pelo formalismo lagrangiano e hamiltoniano, os potenciais Lennard-Jones e Tersoff, a importˆancia das condi¸c˜oes de contorno, e a aplica¸ca˜o do m´etodo de diferen¸ca finita como o Verlet e velocidade Verlet para integrar as equa¸c˜oes de movimento.. 9.
(20) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 2.1.1. 10. Descri¸ c˜ ao de um Sistema Atˆ omico Cl´ assico O estado microsc´opico de um sistema cl´assico pode ser especificado pelas posi¸co˜es e. momentos das part´ıculas. Considerando a aproxima¸ca˜o Born-Oppenheimer que desacopla os movimentos dos n´ ucleos com os dos el´etrons, ´e poss´ıvel expressar o hamiltoniano em fun¸c˜ao das vari´aveis nucleares. Para um sistema com N a´tomos o hamiltoniano H ´e a soma da energia cin´etica K e do potencial V em fun¸ca˜o dos conjuntos das coordenadas qi e momentos pi generalizados: q = (q1 , q2 , ..., qN ). (2.1). p = (p1 , p2 , ..., pN ) ,. (2.2). H(q, p) = K(p) + V (q) .. (2.3). tendo. A coordenada generalizada q pode ser definada como o conjunto de coordenadas Cartesianas ri de cada a´tomo do sistema. Usualmente, a energia cin´etica ´e dada por N. 1 X p2i K= , 2 i=1 mi. (2.4). onde mi ´e a massa do a´tomo i. O potencial ´e o termo mais importante, ele cont´em todas as informa¸co˜es necess´arias para descrever as intera¸co˜es entre os a´tomos, e a sua forma pode envolver muitos fatores, como a estrutura cristalina, a presen¸ca de for¸cas, torques, etc. Considerando o caso mais simples de um sistema com N a´tomos. A energia potencial pode ser dividida em termos das coordenadas individuais, pares, tripla, etc: V =. X i. V1 (ri ) +. XX i. j>i. V2 (ri , rj ) +. XX i. i>j. X. V3 (ri , rj , rk ) + ... .. (2.5). k>j>i. O primeiro termo V1 representa o efeito de um campo externo sobre o sistema e os termos seguintes as intera¸c˜oes entre as part´ıculas. O segundo termo V2 ´e o potencial de pares, dependendo unicamente do m´odulo da distˆancia entre os pares rij = |ri − rj |, escrevendo de maneira mais simples V2 (ri , rj ) = V2 (rij ). O terceiro ´e a intera¸ca˜o entre trˆes corpos, que.
(21) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 11. na maioria dos casos pode ser desprezada ou ser parcialmente inclu´ıda no potencial de pares efetivo V2ef f . Dessa forma a energia potencial, Eq. (2.5), pode ser escrita como V ≈. X i. V1 (ri ) +. XX i. V2ef f (rij ) .. (2.6). j>i. Uma consequˆencia dessa aproxima¸c˜ao ´e que o potencial de pares efetivo deve reproduzir resultados consistentes com os dados experimentais, enquanto o potencial de pares a priori n˜ao. Um simples e idealizado potencial de pares usualmente utilizado em simula¸c˜oes computacionais ´e o potencial de Lennard-Jones (LJ) V. LJ. σ 12 σ 6 = 4ε − , r r. (2.7). na qual providˆencia uma razo´avel descri¸ca˜o das propriedades do argˆonio com a escolha adequada dos parˆametros σ e ε. (TRETIAKOV; SCANDOLO, 2004; KABURAKI et al., 2007) Os termos 1/r12 e 1/r6 descrevem a repuls˜ao e a atra¸c˜ao, respectivamente.. Potencial Tersoff O Potencial de pares, como LJ, foram extensivamente usados para descrever ´atomos de gases raros, metais simples e sistemas altamente iˆonicos. Contudo, quando potenciais de pares s˜ao aplicados a materiais tais como semicondutores, cerˆamicos, pol´ımeros e outros metais, que apresentam liga¸c˜oes covalentes, v´arios problemas foram relatados. No interesse de descrever tais sistemas complexos, Tersoff desenvolveu um potencial interatˆomico emp´ırico que permite calcular as propriedades estruturais e energ´eticas desses sistemas que apresentam liga¸co˜es covalentes (TERSOFF, 1988a, 1988b). A ideia central ´e que em sistemas reais a ordem da liga¸c˜ao (i.e, a for¸ca em cada liga¸ca˜o) ´e descrito por uma fun¸ca˜o monotonicamente decrescente..
(22) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 12. O potencial interatˆomico ´e escrito como E=. X i. Ei =. 1X Vij 2 i6=j. (2.8). Vij = fC (rij )[aij fR (rij ) + bij fA (rij )],. (2.9). onde E ´e a energia total do sistema, que pode ser escrito em termo do potencial Vij . O ´ındice i e j decorre sobre os a´tomos do sistema, e rij ´e a distˆancia entre os ´atomos i e j. A fun¸ca˜o fR representa o potencial de repuls˜ao, fA o potencial atrativo associado com a liga¸ca˜o. O termo fC ´e a fun¸ca˜o de corte, que delimita o alcance do potencial dado por. fC =. 1, 1. 2 0,. r <R−D − 21 sin. π 2. . (r − R)/D , R − D < r < R + D. (2.10). r >R+D .. A fun¸ca˜o bij ´e a u ´nica caracter´ıstica nova no potencial. Ele representa a medida da ordem de liga¸c˜ao, supondo que seja uma fun¸ca˜o decrescente monatˆomica das coordenadas dos ´atomos i e j. A fun¸c˜ao aij consiste exclusivamente em termo do limite de alcance.. Condi¸c˜ oes de Contorno A condi¸c˜ao de contorno ´e aplicada para solucionar o problema dos efeitos de superf´ıcie. A c´elula de simula¸ca˜o que tem a forma de uma caixa ´e replicada em todo o espa¸co ao longo das dire¸co˜es desejadas (i.e nas dire¸c˜oes x e y no caso de um sistema 2D), formando uma rede infinita. Ao decorrer da simula¸c˜ao, os a´tomos se movem na caixa original, e os a´tomos nas outras caixas reproduzem o mesmo movimento. Quando um ´atomo sai da caixa central, outro ´atomo entra na posi¸c˜ao oposta devido `a sua r´eplica. Logo, a densidade na caixa central e em todo o sistema ´e conservada. Dessa maneira, para simular a rede infinita n˜ao ´e necess´ario armazenar as coordenadas de todos os a´tomos, mas apenas os da caixa central..
(23) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 2.1.2. 13. Equa¸ c˜ oes de Movimento Conhecida a forma da energia potencial que descreve as intera¸c˜oes entre os N a´tomos. do sistema ´e poss´ıvel escrever as equa¸c˜oes do movimento, uma vez que ´e poss´ıvel determinar as for¸cas que atuam sobre as part´ıculas atrav´es do potencial pela equa¸ca˜o F = −∇ri V ,. (2.11). onde ∇ri = xˆ. ∂ ∂ ∂ + yˆ + zˆ , ∂x ∂y ∂z. (2.12). consequentemente, obtemos as acelera¸co˜es, velocidades e posi¸c˜oes. Outra maneira elegante de escrever as equa¸c˜oes de movimento a partir de uma u ´nica fun¸ca˜o escalar expressa em termos de coordenadas independentes arbitr´arias, ´e por meio do formalismo lagrangiano (GOLDSTEIN; POOLE; SAFKO, 1950; LEMOS, 2007) d dt. . ∂L ∂ q˙k. −. ∂L =0 , ∂qk. k = 1, 2, ..., n ,. (2.13). onde L ´e a fun¸ca˜o de Lagrange ou, simplesmente, lagrangiana dada por ˙ =K −V , L(q, q). (2.14). onde L ´e uma fun¸ca˜o das coordenadas generalizadas qk e de sua derivada temporal q˙k , K ´e a energia cin´etica e V a energia potencial. Em coordenadas Cartesianas ri e com a defini¸ca˜o da energia cin´etica e potencial dadas pelas Eqs. (2.4 ) e (2.5), substituindo elas na Eq. (2.13) obtemos mi¨r = fi ,. (2.15). p˙ = ∇ri V = fi. (2.16). onde.
(24) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 14. ´e a for¸ca sobre o ´atomo. O momento generalizado pk ´e definido por ∂L . ∂ q˙k. pk =. (2.17). As equa¸c˜oes de movimento tamb´em podem ser obtidas atrav´es do formalismo Hamiltoniano, utilizando as seguintes equa¸co˜es: ∂H , ∂pk ∂H p˙k = − . ∂qk q˙k =. (2.18) (2.19). O Hamiltoniano escrito em termo da lagrangiana ´e dado por H(p, q) =. X. ˙ . q˙k pk − L(q, q). (2.20). k. Conhecidas as equa¸co˜es do movimento escritas pelo formalismo lagrangiano ou hamiltoniano, a conex˜ao delas com o potencial ´e atrav´es da derivada da coordena generalizada e do momento generalizado r˙ =. p mi. p˙ = −∇ri V = fi .. (2.21) (2.22). Com essas equa¸co˜es podemos, por exemplo, calcular o centro de massa das trajet´orias que envolve a solu¸ca˜o de 3N equa¸co˜es diferenciais de segunda ordem Eqs. (2.15) ou equivalentemente um conjuto de 6N equa¸co˜es diferenciais de primeira ordem com as Eqs. (2.21) e (2.22).. 2.1.3. M´ etodos Computacionais Para Solucionar as Equa¸c˜ oes de Movimento O m´etodo das diferen¸cas finitas ´e uma t´ecnica padr˜ao para solucionar equa¸co˜es or-. din´arias tais como as Eqs. (2.15) e (2.21). Basicamente o m´etodo consiste em conhecer as.
(25) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 15. condi¸co˜es inicias e a express˜ao da for¸ca sobre o sistema e determinar nos instantes de tempo posteriores as novas posi¸c˜oes, velocidades e acelera¸co˜es e, assim, resolver passo a passo as equa¸co˜es do movimento. Uma importante observa¸ca˜o se deve a escolha do passo de tempo δt que deve ser adequado a situa¸c˜ao, por exemplo, com um δt grande os resultados podem n˜ao ser confi´aveis devido ao erro introduzido em cada passo e para um δt muito pequeno ser´a necess´ario um longo tempo de simula¸c˜ao que poder´a acumular um erro global muito grande devido a quantidade de passos. A express˜ao da expans˜ao em s´erie Taylor de uma fun¸ca˜o f qualquer ´e dada por ∞ X 1 (n) f (x) = f (xo )(x − xo ), n! n=0. = f (xo ) + f 0 (xo )(x − xo ) +. (2.23) 1 00 f (xo )(x − xo ) + ... . 2. (2.24). Considerando uma fun¸ca˜o r(t) que representa a trajet´oria de uma part´ıcula, a posi¸ca˜o no instante seguinte t + δt pode ser obtida pela expans˜ao de Taylor em torno do instante xo = t, tendo f = r(t + δt) e substituindo na Eq. (2.24) obtemos r(t + δt) = r(t) + r˙ (t)[(t + δt) − t] + = r(t) + v(t)δt +. 1 ¨r(t)[(t + δt) − t]2 + .... 2. 1 a(t)δt2 + .... , 2. (2.25). e em seguida derivando em rela¸ca˜o ao tempo, 1 v(t + δt) = v(t) + a(t)δt + b(t)δt2 + ... 2. (2.26). a(t + δt) = a(t) + b(t)δt + ... ,. (2.27). onde b ´e denotado como a terceira derivada temporal de r. Considerando apenas os termos expl´ıcitos r, v e a nas Eqs. (2.25) e (2.26) r(t + δt) = r(t) + v(t)δt + v(t + δt) = v(t) + a(t)δt ,. 1 a(t)δt2 2. (2.28) (2.29).
(26) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 16. temos as equa¸co˜es b´asicas do m´etodo das diferen¸cas finitas. Contudo essas equa¸co˜es n˜ao geram trajet´orias corretas se a express˜ao da for¸ca n˜ao for determinada. Nas pr´oximas subse¸co˜es apresentaremos o m´etodo Verlet e velocidade Verlet para prever e corrigir as trajet´orias a cada passo de tempo e assim obter solu¸c˜oes num´ericas est´aveis. Em geral, simula¸co˜es com dinˆamica molecular s˜ao baseadas em algoritmos de previs˜ao e corre¸ca˜o, e seguem essencialmente essa l´ogica: 1. Prever as posi¸co˜es, velocidades e acelera¸c˜oes no tempo t + δt, usando os valores do instante anterior t. 2. Calcular a nova acelera¸c˜ao a(t + δt) atrav´es da for¸ca a = F/m. 3. Corrigir as posi¸co˜es, velocidades e acelera¸co˜es previstas, usando a nova acelera¸ca˜o 4. Calcular qualquer nova vari´avel de interesse, tal como a energia cin´etica e potencial. Em seguida voltar ao passo 1.. Algoritmo Verlet O algoritmo de Verlet ´e um dos m´etodos mais conhecidos para integrar as equa¸c˜oes do movimento. Consiste em uma solu¸c˜ao direta da equa¸ca˜o de segunda ordem (2.15). O m´etodo se baseia nas informa¸c˜oes sobre a posi¸ca˜o r(t), acelera¸c˜ao a(t) e da posi¸c˜ao r(t + δt) para prever o pr´oximo passo. Expandindo em s´erie de Taylor em torno do passo t a fun¸ca˜o da posi¸c˜ao antes (t − δt) e depois (t + δt) 1 a(t)δt2 2 1 r(t − δt) = r(t) − v(t)δt + a(t)δt2 , 2 r(t + δt) = r(t) + v(t)δt +. (2.30) (2.31). isolando o termo v(t) 1 1 2 r(t + δt) − r(t) − a(t)δt v(t) = δt 2 1 1 2 v(t) = − r(t − δt) − r(t) − a(t)δt , δt 2. (2.32) (2.33).
(27) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 17. somando as equa¸c˜oes v(t) =. r(t + δt) − r(t − δt) + O(δt2 ) . 2δt. (2.34). Substituindo a Eq. (2.34) na (2.28) ´e f´acil ver que r(t + δt) = 2r(t) − r(t − δt) + a(t)δt2 + O(δt4 ).. (2.35). As Eqs. (2.35) e (2.34) tem um erro local da ordem de δt4 e δt2 , respectivamente. S˜ao exatamente revers´ıveis no tempo e garantem a conserva¸ca˜o do momento linear.. Algoritmo Velocidade Verlet No intuito de minimizar o erro sistem´atico do m´etodo Verlet, o algoritmo velocidade Verlet ´e uma modifica¸ca˜o proposta (SWOPE et al., 1982). Para calcular a trajet´oria s˜ao necess´arias as informa¸c˜oes sobre posi¸co˜es, velocidades e acelera¸co˜es no instante t. O algoritmo ´e escrito com as equa¸co˜es 1 r(t + δt) = r(t) + v(t) + aδt2 2 1 v(t + δt) = v(t) + [a(t) + a(t + δt)] δt . 2. (2.36) (2.37). com o coeficiente de corre¸c˜ao da posi¸c˜ao igual a zero (GUNSTEREN; BERENDSEN, 1977). O primeiro est´agio do algoritmo ´e calcular as novas posi¸c˜oes no instante de tempo t + δt usando a Eq.(2.36), e as velocidades em um meio passo de tempo com a express˜ao 1 1 v(t + δt) = v + aδt . 2 2. (2.38). O segundo est´agio ´e calcular a acelera¸ca˜o no instante de tempo t + δt. E por fim, a nova velocidade usando 1 1 v(t + δt) = v(t + δt) + a(t + δt)δt . 2 2. (2.39). Note que substituindo a Eq.(2.38) na (2.39) obtemos a Eq. (2.37). Pelas Eq. (2.36) e (2.37) o algoritmo velocidade Verlet n˜ao consome uma quantidade.
(28) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 18. maior de mem´oria do que o algoritmo de Verlet, uma vez, que n˜ao ´e necess´ario armazenar as trajet´orias em ~r(t − δt). Em contrate ao algoritmo de Verlet que possue um erro global de O(∆t4 ) na trajet´oria e O(∆t2 ) na velocidade, o m´etodo velocidade Verlet possui um erro global O(∆t2 ) para a trajet´oria e velocidade.. 2.1.4. Fun¸ c˜ ao de Autocorrela¸c˜ ao do Tempo Para muitos casos de interesse computacional a fun¸c˜ao de autocorrela¸ca˜o ´e uma. ferramenta usualmente utilizada para obter informa¸c˜oes sobre a dinˆamica do sistema, como os coeficientes de transporte t´ermico (condutividade t´ermica, viscosidade, etc) que se relacionam diretamente com a integra¸ca˜o temporal de quantidades microsc´opicas (velocidade, fluxo de calor, etc) e com sua transformada de Fourier podem ser obtidos espectros experimentais. A fun¸c˜ao de autocorrela¸ca˜o ´e defina como C(t) = hA(t) · A(t = 0)i ,. (2.40). a m´edia do ensemble do produto de duas quantidades A separadas por t. Em simula¸co˜es MD, a m´edia do ensemble ´e substitu´ıda pela a m´edia do tempo. Na Fig.2.1, apresentamos a fun¸ca˜o de autocorrela¸c˜ao da velocidade para o diamante, para um sistema com 512 a´tomos a 300 K.. 2.2. Mecˆ anica Estat´ıstica A imensa quantidade de part´ıculas que constituem os corpos macrosc´opicos s˜ao go-. vernadas pelas leis da mecˆanica (cl´assica ou quˆantica, dependendo do n´ıvel e dos interesses da an´alise). No caso de um sistema cl´assico, as suas equa¸co˜es de movimento podem ser resolvidas atrav´es de simula¸c˜oes computacionais MD obtendo informa¸co˜es a n´ıvel microsc´opico (posi¸co˜es, velocidades, etc). O objetivo da mecˆanica estat´ıstica ´e estabelecer a conex˜ao dessas informa¸co˜es com as vari´aveis da termodinˆamica (press˜ao, energia interna, etc)..
(29) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 19. 15. 〈 v(0) v(τ) 〉. 10 5 0 -5 -10 -15 0. 2000. 4000. 6000. 8000. 10000. Tempo de correlação (ps) Figura 2.1: Fun¸ca˜o de autocorrela¸c˜ao da velocidade. Os estados termodinˆamicos de um sistema s˜ao caracterizados por uma pequena quantidade de vari´aveis, tais como o n´ umero de part´ıculas N , temperatura T , volume V . Outras propriedades termodinˆamicas (densidade ρ, calor espec´ıfico cV , etc) podem ser deduzidas atrav´es das equa¸co˜es de estado e das equa¸c˜oes fundamentais da termodinˆamica. Essas quantidades s˜ao exploradas pelas vari´aveis macrosc´opicas (e.g, N P T ) que caracterizam os estados termodinˆamicos. Os estados mecˆanicos s˜ao definidos pelas muitas posi¸co˜es e momentos atˆomicos. Essas posi¸co˜es e momentos podem ser pensados como uma coordenada em um espa¸co multidimensional, denominado espa¸co de fase. Para um sistema com N a´tomos, o espa¸co tem 6N dimens˜oes. Vamos definir Γ como um ponto no espa¸co de fase e A(Γ(t)) um instantˆaneo de alguma propriedade. Assumindo que um observ´avel experimental de alguma propriedade macrosc´opica ´e dado pela m´edia temporal ao longo de um intervalo de tempo Aobs = hA(Γ(t))itempo =. lim. tobs −→∞. 1 tobs. Z. tobs. A(Γ(t)) dt ,. (2.41). 0. onde tobs ´e o tempo total de observa¸c˜ao. Sendo as equa¸co˜es do movimento que governam a dinˆamica do sistema e as solu¸co˜es delas resolvidas passo a passo atrav´es de m´etodos compu-.
(30) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 20. tacionais, ´e conveniente escrever a equa¸ca˜o acima na forma discreta Aobs = hAitempo =. τobs 1 X. τobs. A(Γ(t)) ,. (2.42). τ =1. onde τobs ´e o passo de simula¸ca˜o. Devido a` complexidade da evolu¸c˜ao temporal de A(Γ(t)) para um sistema com uma grande quantidade de part´ıculas, para muitas situa¸c˜oes de interesse termodinˆamico a m´edia temporal dever ser substitu´ıda pela m´edia do ensemble h iens . Um ensemble estat´ıstico ´e uma cole¸ca˜o de pontos no espa¸co de fase que s˜ao distribu´ıdos de acordo com a fun¸ca˜o densidade de probabilidades ρ(Γ), acess´ıveis a um determinado sistema (ou seja, compat´ıveis com certos v´ınculos macrosc´opicos). Essa fun¸c˜ao ´e determinada pelas escolhas fixas dos parˆametros macrosc´opicos (N P T, N V T, etc), usando a nota¸c˜ao ρN P T , ρN V T ou em geral ρ. Um ponto representa um sistema t´ıpico em qualquer instante de tempo. Cada sistema ´e governado pelas suas equa¸co˜es do movimento, assim os sistemas s˜ao independentes uns dos outros. O teorema de Liouville garante que nenhum sistema ser´a criado ou destru´ıdo no espa¸co de fase ao longo da evolu¸ca˜o temporal, sendo essencialmente uma lei de conserva¸c˜ao da densidade de probabilidade dρ =0, dt. (2.43). onde d/dt ´e a derivada total em rela¸c˜ao ao tempo. Considerando um conjunto de part´ıculas com N a´tomos em coordenadas Cartesianas ri e momento pi , a derivada total no tempo ´e escrita como X X ∂ d = + r˙ i · ∇ri + p˙ · ∇pi , dt ∂t i i. (2.44). onde ∂/∂t ´e a derivada temporal parcial, ∇ri e ∇pi representam as derivadas em rela¸c˜ao as posi¸co˜es e momentos, respectivamente. O operador de Liouville ´e defino por iL =. X i. r˙ i · ∇ri +. X i. p˙ · ∇pi ,. (2.45).
(31) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 21. logo d ∂ = + iL . dt ∂t. (2.46). Usando o teorema de Liouville, Eq. (2.43), obtemos ∂ρ(Γ, t) = iL ρ(Γ, 0) . ∂t. (2.47). Essa equa¸c˜ao mostra a taxa de varia¸ca˜o de ρ sobre um ponto fixo no espa¸co de fase. A sua solu¸ca˜o ´e dada por ρ(Γ, t) = eiLt ρ(Γ, 0) ,. (2.48). onde a exponencial ´e um operador que por uma expans˜ao em s´erie tem a forma 1 eiLt = 1 − iLt − L2 t2 + ... . 2. (2.49). A equa¸ca˜o de movimento de uma fun¸c˜ao como A(Γ), que n˜ao depende explicitamente do tempo, tem a forma ˙ A(Γ(t)) = iL A(Γ(t)). (2.50). A(Γ(t)) = eiLt A(Γ(0)) .. (2.51). ou. Observe que nas Eq. (2.47) e (2.48) a densidade de probabilidade ´e um fun¸ca˜o do tempo sobre um ponto fixo no espa¸co de fase. Enquanto as Eqs. (2.50) e (2.51) dependem do tempo n˜ao sobre um ponto fixo, mas seguindo a trajet´oria de Γ(t). Para o caso de ρ representar um ensemble em equil´ıbrio, n˜ao h´a varia¸ca˜o com o tempo, ∂ρ/∂t = 0. A evolu¸ca˜o temporal do sistema Γ(t) explora toda a regi˜ao no espa¸co de fase energeticamente dispon´ıvel (superf´ıcie de energia) e acaba por cobrir essa regi˜ao uniformemente. A fim de evitar a necessidade do c´alculo de m´edias temporais que exigem o conhecimento da solu¸ca˜o exata das equa¸c˜oes de movimento a hip´otese erg´odica permite substituir m´edias temporais por m´edias sobre a superf´ıcie de energia no espa¸co de fase. Mesmo assim, o fato que um sistema individual se move sobre uma superf´ıcie de energia.
(32) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 22. n˜ao ´e importante, uma vez que as propriedades das m´edias podem ser tomadas em algum intervalo de tempo. Por conveniˆencia a fun¸ca˜o ρ(Γ) pode ser escrita em termos de uma fun¸c˜ao “peso”w: w(Γ) Q. (2.52). w(Γ) ,. (2.53). ρ(Γ) = Q=. X Γ. onde Q ´e denominada fun¸ca˜o de parti¸ca˜o, definida como a soma sobre os estados microsc´opicos. No caso, Q ´e uma fun¸c˜ao generalizada que vai depender do ensemble (e.g NVT, NVE, NPT). A fun¸ca˜o peso ´e essencialmente uma forma n˜ao normalizada da densidade de probabilidade, sendo Q o fator que o normaliza. A fun¸ca˜o de parti¸c˜ao ´e uma simples fun¸ca˜o das propriedades macrosc´opicas definidas pelo ensemble, e faz a conex˜ao com a termodinˆamica atrav´es de um potencial termodinˆamico Ψ = −ln Q .. (2.54). No equil´ıbrio termodinˆamico essa fun¸ca˜o tem o menor valor poss´ıvel.. 2.2.1. Ensemble Estat´ıstico Como j´a mencionado, um ensemble ´e uma cole¸ca˜o de pontos no espa¸co de fase. que especificam os microestados acess´ıveis a um sistema fechado. O postulado fundamental da mecˆanica estat´ıstica no equil´ıbrio estabelece que todos os microestados s˜ao igualmente prov´aveis. Para relacionar uma grandeza macrosc´opica com as informa¸co˜es microsc´opicas, vamos associar a um macroestado um n´ umero de microestados compat´ıveis Ω, sujeito a um conjunto {Xi } de v´ınculos internos. Considerando um sistema, por exemplo, com energia E, volume V e n´ umero de part´ıculas N . A probabilidade de encontrar o sistema em um.
(33) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 23. determinado microestado deve ser proporcional a Ω: P ({Xi }) ∝ Ω(E, V, N ; {Xi }) .. (2.55). Nesta se¸ca˜o vamos considerar quatro ensembles: o microcanˆonico (N, V, E), canˆonico (N, V, T ), grande canˆonico (µ, V, T ) e isot´ermico-isob´arico (N, P, T ). Para cada ensemble vamos tratar os sistemas sujeitos a certos v´ınculos e com vari´aveis termodinˆamicas espec´ıficas. Outras quantidades termodinˆamicas podem ser determinadas por equa¸c˜oes semelhantes a Eq.(2.54).. Ensemble Microcanˆ onico O ensemble microcanˆonico constitui de dois sistemas, inicialmente dentro de um recipiente separados por paredes adiab´atica, fixas e imperme´avel, mantendo os parˆametros (N, V, E) constantes. O n´ umero de estados microsc´opicos acess´ıveis ao sistema (1) ´e dado por Ω1 (E1 , V1 , N1 ) e ao sistema (2), por Ω1 (E2 , V2 , N2 ). Portanto, o n´ umero de estados microsc´opicos acess´ıveis ao sistema composto, ´e dado pelo produto Ω = Ω1 (E1 , V1 , N1 )Ω2 (E2 , V2 , N2 ) .. (2.56). Vamos trocar o v´ınculo da parede adiab´atica por uma diat´ermica. Os parˆametros macrosc´opicos dos dois subsistemas (V1 , V2 , N1 , N2 ) permanecem constantes. As energias de cada sistema podem flutuar, contanto que a energia total seja conservada E0 = E1 + E2 . Pelo primeiro postulado fundamental da mecˆanica estat´ıstica a probabilidade de encontrar o sistema em um microestado ´e P (E1 ) = cΩ(E1 )Ω(E0 − E1 ) , que pela condi¸ca˜o de normaliza¸c˜ao da probabilidade. P. (2.57). P = 1, o inverso da constante c ´e o.
(34) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 24. n´ umero total de estados do sistema E0 X 1 Ω(E1 )Ω(E0 − E1 ) . = c E =0. (2.58). 1. Em geral, Ω(E) deve crescer com o aumento da energia a medida que mais estados dispon´ıveis. Assim, Ω(E1 ) cresce equanto Ω(E0 − E1 ) decrese com a energia E1 , indicando que a fun¸ca˜o P (E1 ) deve apresentar um m´aximo. Por conveniˆencia, vamos tomar o logaritmo da probabilidade f (E1 ) = ln P (E1 ) = ln c + ln Ω1 (E1 ) + ln Ω(E0 − E1 ) .. (2.59). Encontrando a probabilidade m´axima, temos ∂ ln P (E1 ) ∂ ∂ ∂ = ln c + ln Ω1 (E1 ) + ln Ω2 (E0 − E1 ) ∂E1 ∂E1 ∂E1 ∂E1 ∂ ∂ = ln Ω1 (E1 ) − ln Ω2 (E2 ) = 0 , ∂E1 ∂E2. (2.60). note que E2 = E0 − E1 e sua derivada em fun¸c˜ao a E1 ´e respons´avel pelo sinal negativo no segundo termo da equa¸ca˜o acima: ∂ ∂E2 ∂ ln Ω2 (E2 ) = ln Ω2 (E2 ) ∂E1 ∂E2 ∂E1 ∂ ∂ = ln Ω2 (E2 ) (E0 − E1 ) ∂E2 ∂E1 ∂ =− ln Ω2 (E2 ) . ∂E2 Utilizando o segundo postulado da mecˆanica estat´ıstica em equil´ıbrio que faz a conex˜ao com a termodinˆamica, definida como entropia de Boltzmann S(E) = kB ln Ω ,. (2.61).
(35) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 25. onde kB ´e a constante de Boltzmann. Com a equa¸ca˜o de estado T =. ∂E ∂S. ,. (2.62). V,N. percebemos pela Eq.(2.60) ap´os a remo¸c˜ao do v´ınculo que a condi¸c˜ao de equil´ıbrio, T1 = T2 , ´e recuperado: ∂ kB ln Ω1 (E1 ) = ∂E1 ∂S1 = ∂E1 1 = T1. ∂ kB ln Ω2 (E2 ) ∂E2 ∂S2 ∂E2 1 T2. Uma consequˆencia da Eq. (2.61) ´e que a maximiza¸ca˜o da probabilidade corresponde diretamente a` maximiza¸c˜ao da entropia termodinˆamica.. Ensemble Canˆ onico O ensemble canˆonico constitui um sistema em contato com um reservat´orio t´ermico, na presen¸ca de um conjunto de v´ınculos (parede diat´ermica, fixa e impenetr´avel), com os parˆametros (N, V, T ) constantes. Considerando o reservat´orio R muitas vezes maior que o sistema S. No equil´ıbrio, os postulados fundamentais da mecˆanica estat´ıstica podem ser aplicados ao sistema composto (R+S), com E0 constante. Portanto, o n´ umero de estado acess´ıveis em um particular estado j de energia Ej ´e dado por Ω = ΩR ΩS = ΩR (E0 − Ej )ΩS (Ej ) .. (2.63). A distribui¸ca˜o de probabilidade ´e proporcional a Ω, Pj = cΩR (E0 − Ej )ΩS (Ej ), (2.64).
(36) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 26. ΩS (Ej ) representa um estado, ou seja, Ω(Ej ) = 1. Pj = cΩR (E0 − Ej ) . Tomando o logaritmo da probabilidade ln Pj = ln c + ln ΩR (E0 − Ej ). (2.65). Como E0 > Ej , vamos expandir ln ΩR (E0 − Ej ) em s´erie de Taylor
(37)
(38)
(39) ln ΩR = ln ΩR
(40)
(41). ER =R0. = ln ΩR (E0 ) −.
(42)
(43) ∂
(44) + lnΩR
(45)
(46) ∂ER.
(47)
(48) 1 ∂
(49) ln ΩR
(50) (ER − E0 ) + 2
(51) 2 ∂ER 2. ER =R0. (ER − E0 )2 + ... ER =R0. Ej + 0. kB T. (2.66). Logo ln Pj = c1 −. Ej , kB T. (2.67). onde c1 = ln c + ln ΩR (E0 ). Aplicado a exponencial em ambos os lados da equa¸c˜ao Pj = c2 e−Ej β ,. (2.68). onde c2 = ec1 e usando a nota¸ca˜o abreviada β = 1/kB T . Pela condi¸ca˜o de normaliza¸ca˜o, temos e−βEj Pj = P −βE , k ke. (2.69). o denominador ´e definido como a fun¸c˜ao de parti¸c˜ao Z que ´e a soma efetuada sobre os estados microsc´opicos. Portanto, o ensemble canˆonico ´e constitu´ıdo pelo conjunto de microestados j, associados `a distribui¸c˜ao de probabilidade dada pela equa¸c˜ao acima, acess´ıveis a um sistema S, em contato com um reservat´orio t´ermico a temperatura T . A conex˜ao entre o ensemble canˆonico e a termodinˆamica ´e por meio da energia livre de Helmholtz 1 F = F (N, V, T ) = − ln Z(N, V, T ) . β. (2.70).
(52) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 27. Ensemble Grande Canˆ onico O ensemble grande canˆonico consiste de um sistema em contato com um reservat´orio t´ermico e de part´ıculas, na presen¸ca de um v´ınculo (paredes diat´ermica, fixas e perme´avel), mantendo os parˆametros (µ, V, T ) constantes. O sistema composto est´a isolado, com energia total E0 e n´ umero total de part´ıculas N0 constantes. Utilizando o postulado fundamental da mecˆanica estat´ıstica no equil´ıbrio a probabilidade de encontrar o sistema em um determinado microestado j de energia Ej e n´ umero de part´ıculas Nj Pj = cΩR (ER , NR )ΩS (ES , NS ) = cΩR (ER , NR ) ,. (2.71). ln Pj = ln c + ln ΩR .. (2.72). tomando o logaritimo. Realizando uma expans˜ao em s´erie de Taylor em torno de E0 e N0
(53)
(54)
(55) ln Pj = ln c + ln ΩR
(56)
(57). E0 ,N0.
(58) ∂ln ΩR
(59)
(60) +
(61) ∂E
(62). E0 ,N0.
(63) ∂ln ΩR
(64)
(65) (ER − E0 ) +
(66) ∂N
(67). = c1 − βEj + βµNj .. (NR − N0 ) + ... E0 ,N0. (2.73). Utilizando a condi¸c˜ao de normaliza¸ca˜o obtemos Pj =. e−β(Ej −µNj ) , Ξ. (2.74). onde a grande fun¸ca˜o de parti¸c˜ao Ξ ´e dada por Ξ=. X. e−β(Ej −µNj ) .. (2.75). j. A conex˜ao entre o ensemble grande canˆonico com a termodinˆamica ´e atrav´es do.
(68) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 28. grande potencial termodinˆamico 1 Φ = Φ(µ, V, T ) = − ln Ξ(µ, V, T ) . β. (2.76). Ensemble das Press˜ oes No ensemble das press˜oes temos um sistema S em contato com um reservat´orio R de calor e trabalho, separados por um v´ınculo (parede diat´ermica, m´ovel e imperme´avel), mantendo os parˆametros (N, P, T ) constantes. O sistema composto est´a isolado, com energia E0 e volume V0 . Portanto, a probabilidade do sistema S ser encontrado num particular estado microsc´opico j, com energia Ej e volume Vj ´e dado por Pj = cΩ(E0 − Ej , V0 − Vj ) ,. (2.77). onde c ´e uma constante e Ω ´e o n´ umero de estados microsc´opicos acess´ıveis ao reservat´orio R, com energia E e volume V . Mais uma vez, tomando o logaritmo, utilizando o segundo postulado da mecˆanica estat´ıstica e aplicando a condi¸ca˜o de normaliza¸c˜ao, obtemos e−βEj Pj = , Y. (2.78). onde Y ´e a fun¸ca˜o de parti¸ca˜o, escrita como Y =. X. e−βEj −βpVj. (2.79). j. A conex˜ao desse ensemble com a termodinˆamica ´e por meio da energia de livre Gibbs 1 G = G(T, p, N ) −→ − ln Y (T, p, N ) . β. (2.80).
(69) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 2.3. 29. Dinˆ amica da Rede Cristalina Em um cristal, as intera¸c˜oes entre os a´tomos s˜ao devidas as liga¸co˜es qu´ımicas exis-. tentes entre eles e a forma como se movimentam determinam algumas propriedades f´ısicas, por exemplo, expans˜ao t´ermica, condutividade t´ermica e a temperatura de fus˜ao. Nesta se¸ca˜o vamos descrever os movimentos dos a´tomos em uma rede cristalina monoatˆomica e diatˆomica unidimensional, e discutir a ideia dos modos normais de vibra¸c˜ao que ´e conceito fundamental para entender a propaga¸c˜ao de calor.. 2.3.1. Modos Normais de Vibra¸c˜ ao. Figura 2.2: Massas m1 , m2 e m3 acopladas a molas com constante el´asticas k. (OLIVEIRA; JESUS, 2011).. Vamos considerar um oscilador harmˆonico acoplado unidimensional. No caso, um sistema de trˆes massas iguais m, acopladas por molas com constante el´astica k, Fig.2.2. O hamiltoniano do sistema pode ser expresso por H=. 1 p21 + p22 + p23 + k x21 + x22 + x23 − k(x1 x2 + x2 x3 ) 2m. (2.81). onde x1 , x2 e x3 s˜ao os deslocamentos das massas 1, 2 e 3, respectivamente, e p1 , p2 e p3 seus momentos. O primeiro parˆentese representa a energia cin´etica do sistema, o segundo e terceiro parˆenteses s˜ao devido a energia potencial. Como estamos considerando apenas a intera¸c˜ao entre os primeiros vizinhos, no u ´ltimo parˆentese n˜ao aparece o termo x1 x3 ..
(70) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 30. As equa¸c˜oes de movimento acopladas s˜ao obtidas com o hamiltoniano pela Eq(2.19): ∂H = −p˙1 = −m¨ x1 = 2kx1 − kx2 ∂x1 ∂H = −p˙2 = −m¨ x2 = 2kx2 − kx1 − kx3 ∂x2 ∂H = −p˙3 = −m¨ x3 = 2kx3 − kx2 . ∂x3 Usando ´algebra matricial o sistema de equa¸co˜es pode ser escrito sob a forma . . . . . x¨ 2k −k 0 x 1 1 1 x¨2 = − −k 2k −k x2 m x¨3 0 −k 2k x3. (2.82). ¨ = −AR . R. (2.83). ou. A Eq.(2.83) possui a mesma forma que a de um oscilador harmˆonico simples, x¨ = −kx, logo tˆem solu¸c˜oes estacion´arias do tipo: R = Xeiωt. (2.84). onde as componentes de X s˜ao dadas pelas condi¸c˜oes iniciais. Substituindo Eq.(2.84) na (2.83) obtemos: AX = ω 2 X.. (2.85). Uma equa¸c˜ao de autovalores, e suas solu¸c˜oes s˜ao obtidas de modo que seu determinante se anule:.
(71)
(72)
(73) 2k − mω 2 −k 0
(74)
(75)
(76) −k 2k − mω 2 −k
(77)
(78)
(79) 0 −k 2k − mω 2.
(80)
(81)
(82)
(83)
(84)
(85) =0
(86)
(87)
(88). (2.86).
(89) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 31. A solu¸c˜ao dessa equa¸ca˜o fornece seis ra´ızes r. 2k ω1 = ± sm √ (2 + 2)k ω2 = ± m s √ (2 − 2)k ω3 = ± . m. (2.87). Como a equa¸ca˜o de autovalores depende somente de ω 2 , apenas trˆes dessas ra´ızes s˜ao fisicamente distingu´ıveis, que s˜ao os chamados modos normais de oscila¸c˜ao do sistema. Assim, qualquer movimento das massas do sistema pode ser escrito como uma superposi¸ca˜o dos modos normais.. 2.3.2. Cadeia Linear Monoatˆ omica Vamos considerar as vibra¸co˜es el´asticas em uma rede cristalina unidimensional e. determinar a frequˆencia de uma onda el´astica em termos do vetor de onda e das constantes el´asticas.. Figura 2.3: Cadeia monoatˆomica linear com a´tomos com massa m e constante el´astica k. (OLIVEIRA; JESUS, 2011).. O caso mais simples a ser estudado, consiste de uma cadeia linear com N a´tomos idˆenticos, ligados por molas de constante k, Fig.2.3. A distˆancia de equil´ıbrio entre os a´tomos ´e a. Um a´tomo na posi¸c˜ao xn sente uma for¸ca igual a: F = m¨ xn = k(xn+1 − 2xn + xn−1 ) .. (2.88). Como as vibra¸co˜es se propagam em um meio discreto, os deslocamentos dos a´tomos ocorrem em torno das suas posi¸c˜oes de equil´ıbrio, ou seja, nas posi¸c˜oes atˆomicas xn = na, onde n ´e um n´ umero inteiro. Logo, suas solu¸co˜es devem ter a forma de uma onda que se.
(90) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 32. propaga ao longo da dire¸ca˜o x dada por: xn = x0n ei(qna−ωt) .. (2.89). De acordo com as Eq.(2.88) e (2.89), temos: ω 2 m = −k(eiqa − 2 + e−iqa ) = 2k[1 − cos(qa)] ou. r ω(q) =. (2.90). qa
(91) 4k
(92)
(93)
(94)
(95) sen
(96) . m 2. (2.91). A rela¸ca˜o entre ω e q ´e denominada rela¸ca˜o de dispers˜ao. Devido a simetria da rede cristalina, apenas os valores de q que est˜ao na primeira zona de Brillouin tˆem significado f´ısico, como mostra a Fig.2.4.. 1. ω/(4k/m). 1/2. 0,8. 0,6. 0,4. 0,2. 0. -π/a. 0. q. π/a. Figura 2.4: Gr´afico de ω em fun¸ca˜o de q. A regi˜ao entre -π/a a` π/a representa a primeira zona de Brillouin..
(97) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 33. Figura 2.5: Cadeia diatˆomica linear de a´tomos com massas m1 e m2 e constante el´astica k. (OLIVEIRA; JESUS, 2011). 2.3.3. Cadeia Linear Diatˆ omica Vamos considerar uma cadeia linear diatˆomica, com a´tomos com massas m1 e m2 ,. mas constantes el´asticas iguais, Fig.2.5. Sendo un e vn os deslocamentos dos a´tomos com massas m1 e m2 , respectivamente, temos duas equa¸c˜oes de movimento acopladas: m1 u¨ = k(vn + vn−1 − 2un ). (2.92). m2 v¨ = k(un+1 + un − 2vn ) . Estamos interessados em uma solu¸ca˜o na forma de uma onda, com diferentes amplitudes para u e v: un = uei(nqa−ωt). (2.93). vn = vei(nqa−ωt). Substituindo a Eq. (2.93) na (2.92), encontramos que a solu¸ca˜o n˜ao trivial do sistema ´e obtida pela condi¸c˜ao:
(98)
(99)
(100) 2k − m1 ω 2 −k(1 + e−iqa )
(101)
(102)
(103) −k(1 + e−iqa ) 2k − m1 ω 2.
(104)
(105)
(106)
(107) =0
(108)
(109). (2.94). ou m1 m2 ω 4 − 2k(m1 + m2 )ω 2 + 2k 2 [1 − cos(qa)] = 0 .. (2.95). No limite de longos comprimentos de onda aq << 1, cos aq = 1−a2 q 2 /2 e a Eq.(2.95) pode ser escrita como: ω 4 − bω 2 + c, 2 ec= onde b = 2k mm11+m m2. k2 a2 q 2 . m1 m2.
(110) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 34. As raizes da equa¸ca˜o acima s˜ao dadas por " 1/2 # b 4c ω2 = 1± 1− 2 . 2 b Aplicando uma expans˜ao binˆomial (1 ± x)n = 1 ± nx: b 2c ω ∼ 1± 1− 2 . = 2 b 2. Logo, c ω12 = , b c ω22 = b − . b Em ω22 , c −→ 0, assim −c/b −→ 0. Portanto, as raizes se tornam:. k q 2 a2 2(m1 + m2 ) 1 1 ∼ + . = 2k m1 m2. ω22 ∼ =. (2.96). ω12. (2.97). Vemos que a Eq.(2.96) representa o modo ac´ ustico, ou seja, ω ∝ q. Enquanto a Eq.(2.97), n˜ao se anula para q = 0, essa solu¸c˜ao ´e chamado de ramo ´otico. Nos limites da primeira zona de Brillouin q = ±π/a, a Eq.(2.95) pode ser escrita como: ω 4 − 2k. m1 + m2 2 4k 2 ω + =0 m1 m2 m1 m2. Considerando m1 > m2 , as raizes se tornam:.
(111) Cap´ıtulo 2. Fundamenta¸ca˜o Te´orica. 35. Ramo ótico Ramo acústico. ω. (2k/m2). 1/2. (2k/m1). m1 > m2. q. 1/2. π/a. Figura 2.6: Gr´afico de ω em fun¸ca˜o de q.. 2k m1 2k . ω22 = m2. ω12 =. (2.98) (2.99). A rela¸ca˜o de dispers˜ao ω(q) apresenta dois ramos: um ac´ ustico e um o´tico, como mostra a Fig.2.6. O ramo ac´ ustico ´e devido aos a´tomos que se movem no mesmo sentido, como as part´ıculas de uma onda ac´ ustica cl´assica. O ramo ´otico s˜ao os ´atomos que vibram em sentidos opostos, mas com o centro de massa permanecendo fixo..
(112) CAP´ITULO 3 METODOLOGIA. Neste cap´ıtulo apresentaremos uma discuss˜ao dos detalhes te´oricos e computacionais para calcular a condutividade t´ermica utilizando o m´etodo direto. As simula¸co˜es MD e NEMD foram realizadas com o pacote LAMMPS, com condi¸co˜es de contorno peri´odicas ao longo da dire¸c˜ao x, y e z, onde para todas as simula¸c˜oes foi utilizado um passo de tempo de 1,0 fs. Aqui n´os usamos o diamante como modelo de estrutura, a escolha foi devido a ser um material largamente investigado e pelo fato de ser um semicondutor, sendo ideal para realizar simula¸co˜es atˆomicas cl´assicas, uma vez que, a contribui¸c˜ao dos el´etrons sobre o transporte de calor pode ser ignorada. As intera¸c˜oes entre os a´tomos de carbono foram modeladas pelo potencial Tersoff parametrizado para o sil´ıcio, carbono e germˆanio (TERSOFF, 1989). As simula¸c˜oes s˜ao independentes umas das outras, associadas `as diferentes sementes que geram um conjunto de velocidades iniciais obedecendo a distribui¸c˜ao Maxwell-Boltzmann. Em particular, n´os apresentamos uma an´alise da equilibra¸c˜ao t´ermica, os efeitos de respostas n˜ao lineares, a estabiliza¸c˜ao do gradiente de temperatura e do fluxo de calor, e os efeitos de tamanho finito.. 36.
(113) Cap´ıtulo 3. Metodologia. 37. Figura 3.1: Representa¸ca˜o esquem´atica da c´elula de simula¸ca˜o.. 3.1. M´ etodo Direto O m´etodo direto computa a condutividade t´ermica an´aloga as medidas experimen-. tais. Ele imp˜oe um gradiente de temperatura atrav´es da c´elula de simula¸c˜ao que resulta em uma corrente de calor, tal que a condutividade t´ermica ´e diretamente calculada a partir da lei de Fourier Jµ = −. X. κµν. ν. ∂T , ∂xν. (3.1). onde Jµ ´e uma componete da corrente de calor, κµν ´e um elemento do tensor da condutividade t´ermica e ∂T /∂xν ´e o gradiente de temperatura. Na Fig.3.1, apresentamos uma representa¸c˜ao esquem´atica da c´elula de simula¸c˜ao utilizada. A c´elula tem um comprimento L = na, sendo n o n´ umero de vezes que a c´elula unit´aria ´e repetida na dire¸ca˜o do fluxo de calor e a ´e o parˆametro de rede, que no caso do diamante a = 3,57 ˚ A, com uma espessura fixa de 14,28 ˚ A. Durante as simula¸co˜es NEMD, inicialmente o sistema foi equilibrado a temperatura desejada via termostato de Nos´e-Hoover ´ 1984; HOOVER, 1985) por 100 ps, Fig.3.2.a. A temperatura no instante t foi (NOSE, calculada a partir da energia cin´etica m´edia dos a´tomos via teorema da equiparti¸c˜ao: hT i =. 1 X mi vi2 , 3N κB. (3.2). onde N ´e o n´ umero de ´atomos, κB a constante de Boltzmann, mi a massa do a´tomo i e.
(114) Cap´ıtulo 3. Metodologia. 38. Figura 3.2: a) Temperatura m´edia em fun¸c˜ao do tempo para um sistema com 2x2x500 u.c, termalizado a 300 K. b) Energia adicionada a fonte quente e removida da fonte fria em fun¸c˜ao do tempo. vi representa a velocidade. Em seguida o termostato foi desativado do sistema, e a c´elula de simula¸ca˜o dividida em n fatias ao longo da dire¸ca˜o do transporte de calor. A segunda e pen´ ultima fatias foram definidas como a fonte de calor fria e quente, respectivamente, acoplando dois termostatos independentes com diferentes temperaturas por 5,0 ns. Assim, a cada passo de simula¸ca˜o MD foi removido/acrescentado uma quantidade de energia ∆ε na forma de energia cin´etica, ou seja, a cada passo MD as velocidades das part´ıculas na fatia da fonte fria/quente foram escalonadas pelo mesmo fator resultando na diminui¸c˜ao/aumento da energia cin´etica l´ıquida por uma quantidade ∆ε, como mostra a Fig.3.2.b. Enfatizando que a energia potencial n˜ao ´e alterada, desse modo se espera que as frequˆencias dos ´atomos fiquem abaixo dos 100 THz e ocorra a equilibra¸ca˜o entre a energia cin´etica e potencial. (SCHELLING; PHILLPOT; KEBLINSKI, 2002) Uma complica¸ca˜o que ocorre ´e o deslocamento do centro de massa devido aos deslocamentos dos a´tomos na dire¸c˜ao da corrente de calor (JUND; JULLIEN, 1999), para contornar esse problema nas nossas simula¸co˜es as posi¸co˜es dos a´tomos localizados nas bordas foram fixadas. Portanto, quando o sistema alcan¸ca um estado estacion´ario, aproximadamente ap´os 2,0 ns, com a corrente de calor e o gradiente de temperatura estabilizados, a condutividade t´ermica da amostra com comprimento L ´e calculada pela lei.
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