Escrivão de Polícia
Direitos Humanos
Prof. Mateus Silveira
DIREITOS HUMANOS: Declaração sobre a Proteção de Todas as Pessoas contra a Tortura e Outras
Penas ou Tratamentos Cruéis, Desumanos ou Degradantes. Convenção contra a Tortura e Outras Penas ou Tratamentos Cruéis, Desumanos ou Degradantes. PORTARIA INTERMINISTERIAL No- 2, DE 15 DE DEZEMBRO DE 2010, que estabelece Diretrizes Nacionais De Promoção E Defesa Dos Direitos Humanos Dos Profissionais De Segurança Pública. Publicado no Diário Oficial da União nº 240 – Seção 1, em 16 de dezembro de 2010 PORTARIA INTERMINISTERIAL No- 4.226, DE 31 DE DEZEMBRO DE 2010 que estabelece Diretrizes sobre o Uso da Força pelos Agentes de Segurança Pública. Decreto n° 48.118 que dispõe sobre o tratamento nominal, inclusão e uso do nome social de travestis e transexuais nos registros estaduais relativos a serviços públicos prestados no âmbito do Poder Executivo Estadual (Decreto publicado no DOE n° 123 de 28 de junho de 2011) Decreto n° 49.122, de 7 de maio de 2012 que institui a Carteira de Nome Social para Travestis e Transexuais no Estado do Rio Grande do Sul. (DOE n°096, de 18 de maio de 2012) DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS, Proclamada pela Resolução nº 217A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas, de 10 de dezembro de 1948. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL - 1998. Cap. I - Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos (Art. 5º).
BANCA: FDRH
DIREITOS HUMANOS . . . 9
CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS HUMANOS . . . 9
Das categorias e Gerações de Direitos Humanos . . . 10
Dimensão ou Geração de Direitos Humanos. . . 11
Sistema Global de Proteção dos Direitos Humanos . . . 11
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS (1948) . . . 11
DECLARAÇÃO SOBRE A PROTEÇÃO DE TODAS AS PESSOAS CONTRA A TORTURA OU OUTROS TRATAMENTOS OU PENAS CRUÉIS, DESUMANOS OU DEGRADANTES . . . 17
CONVENÇÃO CONTRA A TORTURA E OUTROS TRATAMENTOS OU PENAS CRUÉIS, DESUMANOS OU DEGRADANTES. . . . 19
DECRETO Nº 40, DE 15 DE FEVEREIRO DE 1991. . . . 19
PORTARIA INTERMINISTERIAL SEDH/MJ Nº 2, DE 15 DE DEZEMBRO DE 2010 (DOU 16.12.2010).. . . . 29
PORTARIA INTERMINISTERIAL Nº 4.226, DE 31 DE DEZEMBRO DE 2010 (A). . . 34
DECRETO Nº 48.118, DE 27 DE JUNHO DE 2011. (publicado no DOE nº 123 de 28 de junho de 2011). . . 40
DECRETO Nº 49.122 DE 17/05/2012 (PUBLICADO NO DOE EM 17 MAIO 2012). . . 41
MATERIAL – POLÍCIA CIVIL
Link utilizado para ver o vídeo “O que são Direitos Humanos?”:
http://br.humanrights.com/#/what-are-human-rights
Unidos pelos Direitos Humanos é uma organização internacional, sem fins lucrativos dedicada à implementação da Declaração Universal dos Direitos do Homem a nível local, regional, nacional e internacional. É composta por indivíduos, educadores e grupos em todo o mundo que estão ativamente a transmitir o conhecimento e a proteção dos direitos humanos por e para toda a Humanidade.
Link do you tube no canal Casa do Saber:
https://www.youtube.com/watch?v=fMBNL4HFEOQ
DIREITOS HUMANOS
Conceito: O conjunto de direitos e garantias assegurados nas declarações e tratados internacio-nais de direitos humanos.
Conjunto de direitos considerado indispensável para vida humana pautada na liberdade, igualdade e dignidade.
“Dá-se o nome de liberdades públicas, de direitos humanos ou individuais àquelas prerrogati-vas que tem o indivíduo em face do Estado.”
CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS HUMANOS
INERÊNCIA: os DH pertencem a todos os seres humanos;
UNIVERSALIDADE: não importa a raça, a cor, o sexo, a origem, a condição social, a língua, a
re-ligião ou opção sexual;
TRANSNACIONALIDADE: não importa o local em que esteja o ser humano;
INDIVISIBILIDADE: os DH não são fracionados; implica em unicidade, assegurando não ser
pos-sível se reconhecer apenas alguns direitos humanos (atenção aos direitos sociais).
obrigatoria-INDISPONIBILIDADE: o ser humano não pode abrir mão, dispor de um direito humano, por ser
inerente a ele e nem os Estados podem suprimi-los, a partir do momento que os reconhece;
IMPRESCRITIBILIDADE: um direito humano não prescreve por decurso de prazo.
Atualmente a majoritária jurisprudência do STJ está aplicando a imprescritibilidade dos direitos humanos.
PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. INDENIZAÇÃO. REPARAÇÃO DE DANOS MATERIAIS E MORAIS. REGIME MILITAR. DISSIDENTE POLÍTICO PRESO NA ÉPOCA DO REGIME MILITAR. TORTURA. DANO MORAL. FATO NOTÓRIO. NEXO CAUSAL. NÃO INCIDÊNCIA DA PRESCRIÇÃO
QUINQUENAL – ART. 1º DECRETO 20.910/1932. IMPRESCRITIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL Nº
1.165.986 – SP (2008/0279634-1) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX – Julgado em 16/11/2010.
INDIVIDUALIDADE: podem ser exercidos por apenas um indivíduo;
COMPLEMENTARIEDADE: os direitos humanos devem ser interpretados em conjunto, não
ha-vendo hierarquia entre eles;
INVIOLABILIDADE: esses direitos não podem ser descumpridos por nenhuma pessoa ou
auto-ridade;
IRRENUNCIABILIDADE: são irrenunciáveis estes direitos.
INTERRELACIONARIEDADE: os direitos humanos e os sistemas de proteção se inter-relacionam,
possibilitando às pessoas escolher entre o mecanismo de proteção global ou regional não ha-vendo hierarquia entre eles;
HISTORICIDADE: estão vinculados ao desenvolvimento histórico e cultural do ser humano; VEDAÇÃO DO RETROCESSO OU DO REGRESSO: uma vez estabelecidos os direitos humanos,
não se admite o retrocesso visando sua limitação ou diminuição.
PREVALÊNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA: na solução de um caso concreto deve prevalecer a
norma mais benéfica para a vítima da violação dos direitos humanos.
Das categorias e Gerações de Direitos Humanos
As dimensões ou gerações de DH: A doutrina menciona 3 dimensões clássicas dos DH: Liberda-de, Igualdade e Fraternidade.
LIBERDADE: protege os direitos civis e políticos individuais (liberdade, vida e segurança); IGUALDADE: protege os direitos econômicos, sociais, culturais e trabalhistas;
FRATERNIDADE: também conhecida como “princípio da solidariedade”, protege os direitos
Dimensão ou Geração de Direitos Humanos
1º Dimensão ou Geração: Direitos das Liberdades;
Civis e Políticos. Vida, liberdade, segurança e propriedade. 2º Dimensão ou Geração:
Direitos da Igualdade; Direitos Sociais e Econômicos.
Sociais, econômicos, culturais, trabalhistas, saúde, educação e habitação.
3º Dimensão ou Geração: Fraternidade dos povos; Transindividuais/difusos/coletivos
Paz, meio ambiente, patrimônio histórico e cultural, defesa do consumidor.
Sistema Global de Proteção dos Direitos Humanos
Tema:
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS (1948)
A DUDH é o 1º documento universal elabo-rado pela ONU. É composta de um preâm-bulo e 30 artigos.
Trata-se de uma recomendação do Conse-lho Econômico e Social da ONU, feita pela Comissão de DH à Assembleia Geral da ONU que efetuou uma resolução recomendando o texto aos seus membros. No entanto o seu alcance é de norma jus cogens (norma imperativa aceita por todos as nações). Foi adotada e proclamada pele Res. 217-A da III Assembleia Geral em 10/12/1948.
O Preâmbulo reconhece a DIGNIDADE DA PESSOA como núcleo da DUDH.
A DUDH surge como exigência moral da hu-manidade para impedir que os atos bárba-ros cometidos nas duas guerras mundiais não se repitam mais.
Por não possuir status de tratado interna-cional, após a promulgação da DUDH, ini-ciou-se o árduo trabalho de juridicizar os
direitos humanos na esfera internacional.
A estrutura da DUDH se baseia no Código de Napoleão, em que há um preâmbulo e
princípios gerais introdutórios. Os arts. 1º e 2º inserem as ideias mestras da declara-ção, com referência aos princípios da digni-dade, liberdigni-dade, igualdade e fraternidade.
Na mesma senda podemos dividir a DUDH em 4 partes:
1º parte: arts. 3 ao 11, que referem-se aos direitos individuais;
2º parte: arts. 12 ao 17, referem-se aos di-reitos do indivíduo e de participação
3º parte: arts. 18 a 21, refere-se às
liberda-des políticas, públicas e religiosas, como
li-berdade de associação;
4º parte: arts. 22 a 27, refere-se aos direitos econômicos, sociais e culturais.
Os arts. 28, 29 e 30 servem como um fechamento que dá sistematicidade e força a DUDH, declarando o dever do indivíduo perante a sociedade e a proibição do uso dos direitos contra os fins das Nações Unidas.
A DUDH nos seus artigos traz proteções aos direitos humanos de 1º e 2º dimensão, ou seja, direitos de liberdade e igualdade.
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS
DIREITOS HUMANOS
Introdução dos direitos e menção às três dimensões dos direitos humanos.
Artigo 1º Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de
razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
Artigo 2º
I) Todo o homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração sem
distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
II) Não será também feita nenhuma distin-ção fundada na condidistin-ção política, jurídica
ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem go-verno próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.
Os dois artigos anteriores consagram o Di-reito a Igualdade e a Vedação à Discrimina-ção.
Artigo 3º Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
DIREITOS HUMANOS ESSENCIAIS (Art. 1 ao Art. 3)
Direito a Igualdade; Direito à Vida; Direito à Liberdade; Direito à Segurança;
Direito à Propriedade. (Art. 17 da DUDH);
Da Vedação à escravidão e à tortura, tratamento ou castigo cruel , desuma-no ou degradante.
Artigo 4º Ninguém será mantido em escravidão
ou servidão, a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.
Artigo 5º Ninguém será submetido à tortura,
nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
Princípio da Igualdade formal (igualda-de perante ou frente a lei)
Artigo 6º Toda pessoa tem o direito de ser, em
todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.
Artigo 7º Todos são iguais perante a lei e tem
direito, sem qualquer distinção, a igual proteção
da lei. Todos tem direito a igual proteção contra
qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
Garantias Processuais
Este artigo regula o devido processo legal e o acesso a remédios que garantam o respei-to e a aplicação dos direirespei-tos humanos.
Artigo 8º Todo o homem tem direito a receber
dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.
Artigo 9º Ninguém será arbitrariamente preso,
detido ou exilado.
Princípio da Igualdade no Processo, da Atuação Imparcial do Julgador e da Publicidade dos Atos Processuais
Artigo 10. Todo ser humano tem direito, em
plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir sobre seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.
Princípio da Presunção da Inocência e da Irretroatividade da Lei Penal
Artigo 11.
1. Todo ser humano acusado de um ato
delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julga-mento público no qual lhe tenham sido as-seguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
2. Ninguém poderá ser culpado por
qual-quer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito na-cional ou internana-cional. Também não será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.
GARANTIAS PROCESSUAIS DA DUDH:
Devido processo legal;
Vedação à prisão, detenção e exílio arbitrá-rios;
Igualdade no processo; Imparcialidade do julgador; Publicidade dos atos processuais; Princípio da presunção da inocência; Princípio da irretroatividade da lei penal.
Direito à intimidade e à vida privada e à inviolabilidade domiciliar
Artigo 12
Ninguém será sujeito a interferências na
sua vida privada, na sua família, no seu lar
ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interfe-rências ou ataques.
Direito de Ir e Vir
Artigo 13
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de
locomoção e residência dentro das frontei-ras de cada Estado.
2. Toda pessoa tem o direito de deixar
qual-quer país, inclusive o próprio, e a este re-gressar.
• Direito de transitar pelo país; • Direito de deixar o país livremente; • Direito de regressar ao país quando
Direito de Asilo
Artigo 14.
1. Toda pessoa, vítima de perseguição, tem
o direito de procurar e de gozar asilo em ou-tros países.
2. Este direito não pode ser invocado em
caso de perseguição legitimamente motiva-da por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Na-ções Unidas.
Atenção – Não poderá ser invocado o Direi-to de Asilo quando:
Crimes de direito comum;
Atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.
Direito de Nacionalidade
Artigo 15.
1. Todo ser humano tem direito a uma
na-cionalidade.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de
sua nacionalidade, nem do direito de mu-dar de nacionalidade.
Direito de Constituir Família
Artigo 16
1. Os homens e mulheres de maior idade,
sem qualquer restrição de raça, nacionali-dade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.
2. O casamento não será válido senão com o
livre e pleno consentimento dos nubentes.
Direito de Propriedade
Artigo 17.
1. Todo ser humano tem direito à
proprie-dade, só ou em sociedade com outros.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de
sua propriedade.
Direito à liberdade de expressão, pen-samento, religião e opinião.
Artigo 18. Todo o homem tem direito à liberdade
de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.
Artigo 19. Todo o homem tem direito à
liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras.
Direito de reunião e associação
Artigo 20
I) Todo o homem tem direito à liberdade de
reunião e associação pacíficas.
II) Ninguém pode ser obrigado a fazer parte
de uma associação.
Direitos Políticos e Direito à proteção do Estado
Artigo 21
1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte
no governo de seu país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
2. Toda pessoa tem igual direito de acesso
ao serviço público do seu país.
3. A vontade do povo será a base da
autori-dade do governo; esta vontade será expres-sa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou pro-cesso equivalente que assegure a liberdade de voto.
Artigo 22
Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realiza-ção, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organiza-ção e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensá-veis à sua dignidade e ao livre desenvolvi-mento da sua personalidade.
Direitos Trabalhistas
Artigo 23.
1. Todo ser humano tem direito ao
traba-lho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2. Todo ser humano, sem qualquer
distin-ção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.
3. Todo ser humano que trabalhe tem
direi-to a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se ne-cessário, outros meios de proteção social.
4. Todo ser humano tem direito a organizar
sindicatos e neles ingressar para proteção de seus interesses.
Artigo 24
Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e férias periódicas remuneradas.
Direitos Trabalhistas Previstos na DUDH:
Direito ao trabalho (emprego); Liberdade de escolha de emprego;
Condições justas e favoráveis de trabalho; Proteção contra o desemprego;
Igualdade de remuneração para igual traba-lho;
Direito a remuneração justa e satisfatória; Liberdade de associação em sindicatos; Direito à repouso e lazer;
Direito à jornada limitada; Direito a férias.
Direitos Sociais: Vida digna, proteção a maternidade e a infância.
Artigo 25
1. Toda pessoa tem direito a um padrão de
vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.
2. A maternidade e a infância têm direito a
cuidados e assistência especiais. Todas as crianças nascidas dentro ou fora do matri-mônio, gozarão da mesma proteção social.
DIREITO À EDUCAÇÃO E INSTRUÇÃO
Artigo 26.
1. Todo ser humano tem direito à
instru-ção. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A
ins-trução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
2. A instrução será orientada no sentido do
pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade en-tre todas as nações e grupos raciais ou re-ligiosos, e coadjuvará as atividades das Na-ções Unidas em prol da manutenção da paz.
3. Os pais têm prioridade de direito na
esco-lha do gênero de instrução que será minis-trada a seus filhos.
QUANTO AO DIREITO À EDUCAÇÃO:
GRAU ELEMENTAR – Gratuita – Obrigatória; GRAU FUNDAMENTAL – Gratuita;
GRAU TÉCNICO PROFISSIONAL – Acessível
a todos – Mérito.
Direitos Culturais
Artigo 27
1. Toda pessoa tem o direito de participar li-vremente da vida cultural da comunidade,
de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.
2. Toda pessoa tem direito à proteção dos
interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.
Artigo 28
Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberda-des estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.
Artigo 29
1. Toda pessoa tem deveres para com a
co-munidade, em que o livre e pleno desenvol-vimento de sua personalidade é possível.
2. No exercício de seus direitos e liberdades,
toda pessoa estará sujeita apenas às limita-ções determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconheci-mento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigên-cias da moral, da ordem pública e do bem--estar de uma sociedade democrática.
3. Esses direitos e liberdades não podem,
em hipótese alguma, ser exercidos contra-riamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas.
Direitos Sociais na DUDH:
• Direito do Trabalho;
• Direito de uma garantia de vida social-mente digna;
• Proteção à maternidade e infância; • Direito à instrução;
• Direito de participação dos bens cultu-rais.
Interpretação ampla e integradora da DUDH
Artigo 30
Nenhuma disposição da presente Decla-ração pode ser interpretada como o reco-nhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer ati-vidade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liber-dades aqui estabelecidos.
DECLARAÇÃO SOBRE A PROTEÇÃO DE TODAS AS PESSOAS CONTRA A
TORTURA OU OUTROS TRATAMENTOS OU PENAS CRUÉIS, DESUMANOS
OU DEGRADANTES
Adotada pela Assembléia Geral das Nações Uni-das, em 9 de dezembro de 1975 – Resolução 3452 – XXX.
A Assembléia Geral,
Considerando que, conforme os princípios pro-clamados na Carta das Nações Unidas, o reco-nhecimento da dignidade inerente e dos direi-tos iguais e inalienáveis de todos os membros da família humana é a base da liberdade, da jus-tiça e da paz no mundo.
Considerando que estes direitos emanam da dignidade inerente da pessoa humana.
Considerando assim mesmo a obrigação que incumbe aos Estados em virtude da Carta , em particular o "Artigo 55", de promover o respeito universal e a observância dos direitos humanos e das liberdades fundamentais.
Levando em conta o "artigo 5" da Declaração Universal de Direitos Humanos e o "artigo 7" do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, que proclamam que ninguém será submetido à tortura nem a tratamentos ou penas cruéis, de-sumanos ou degradantes.
Aprova a Declaração sobre a Proteção de Todas as Pessoas contra a Tortura e outros Tratamen-tos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradan-tes, cujo texto está anexado na presente reso-lução, como norma de orientação para todos os estados e demais entidades que exerçam um poder efetivo.
Artigo 1º
§ 1. Sob os efeitos da presente declaração,
será entendido por tortura todo ato pelo qual um funcionário público, ou outra pes-soa a seu poder, inflija intencionalmente a uma pessoa penas ou sofrimentos graves,
de obter dela ou de um terceiro informa-ção ou uma confissão, de castigá-la por um ato que tenha cometido ou seja suspeita de que tenha cometido, ou de intimidar a essa pessoa ou a outras. Não serão consideradas torturas as penas ou sofrimentos que sejam consequência única da privação legítima da liberdade, ou sejam inerentes ou inciden-tais a esta, na medida em que estejam em acordo com as Regras Mínimas para o Trata-mento dos Reclusos.
§ 2. A tortura constitui uma forma
agrava-da e deliberaagrava-da de tratamento ou de pena cruel, desumana ou degradante.
Artigo 2º
Todo ato de tortura ou outro tratamento ou pena cruel, desumano ou degradante cons-titui uma ofensa à dignidade humana e será condenado como violação dos propósitos da Carta das Nações Unidas e dos Direitos Humanos e Liberdades Fundamentais Pro-clamados na Declaração Universal de Direi-tos Humanos.
Artigo 3º
Nenhum Estado poderá tolerar a tortura ou tratos ou penas cruéis, desumanos ou de-gradantes. Não poderão ser invocadas cir-cunstâncias excepcionais tais como estado de guerra ou ameaça de guerra, instabilida-de política interna ou qualquer outra emer-gência pública como justificativa da tortura ou outros tratamentos ou penas cruéis, de-sumanos ou degradantes.
Artigo 4º
Todo Estado tomará, conforme suas dis-posições da presente Declaração, medidas
dentro de sua jurisdição torturas ou outros tratamentos ou penas cruéis, desumanas ou degradantes.
Artigo 5º
No treinamento da polícia e outros funcio-nários públicos responsáveis pelas pessoas privadas de sua liberdade, será assegurado que se tenha plenamente em conta a proi-bição da tortura e de outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes. Esta proibição será incluída nas normas ou instruções gerais que sejam publicadas na relação com os deveres e funções de qual-quer encarregado da custódia ou tratamen-to de tais pessoas.
Artigo 6º
Todo Estado examinará periodicamente os métodos de interrogatório e as disposições para a custódia e tratamento das pessoas privadas de sua liberdade em seu território, a fim de prevenir todo caso de tortura ou outros tratamentos ou penas cruéis, desu-manos ou degradantes.
Artigo 7º
Todos os Estados devem assegurar que to-dos os atos de tortura definito-dos no "artigo 1º" constituem delitos conforme a legisla-ção penal. O mesmo será aplicado aos atos que constituem participação, cumplicidade, incitação ou tentativa para cometer tortura.
Artigo 8º
Toda pessoa que alegue que tenha sido sub-metida a tortura ou outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes, por um funcionário público à instigação do
mesmo, terá direito a que seu caso seja exa-minado imparcialmente pelas autoridades competentes do Estado interessado.
Artigo 9º
Sempre que tenha motivos razoáveis para acreditar que se tenha cometido um ato de tortura tal como está definido no "artigo 1º", as autoridades competentes do Esta-dos interessado procederão de ofício e com presteza a uma investigação imparcial.
Artigo 10º
Se a investigação a que se refere os "arti-gos 8º ou 9º" chegar-se à conclusão de que pode Ter sido cometido um ato de tortura tal como está definido no artigo 1, se inicia-rá um procedimento penal contra o supos-to culpado ou culpados serão submetidos à procedimentos penais, de disciplina ou ou-tros procedimentos adequados.
Artigo 11
Quando seja demonstrado que um ato de tortura ou outros tratamentos ou penas cruéis, desumanas ou degradantes tenham sido cometidos por um funcionário público ou à instigação deste, será concedia à víti-ma reparação e indenização, de conformi-dade com a legislação nacional.
Artigo 12
Nenhuma declaração, em que se prove que esta tenha sido pronunciada sob o efeito da tortura ou qualquer outro tratamento cruel, desumano ou degradantes, poderá ser in-vocada como prova contra a pessoa envol-vida nem contra nenhuma outra pessoa em qualquer procedimento.
CONVENÇÃO CONTRA A TORTURA E OUTROS TRATAMENTOS OU PENAS
CRUÉIS, DESUMANOS OU DEGRADANTES.
DECRETO Nº 40, DE 15 DE FEVEREIRO DE 1991.
Promulga a Convenção Contra a Tortura e Ou-tros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atri-buição que lhe confere o art. 84, inciso VIII, da Constituição, e
Considerando que a Assembléia Geral das Na-ções Unidas, em sua XL Sessão, realizada em Nova York, adotou a 10 de dezembro de 1984, a Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamen-tos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradan-tes;
Considerando que o Congresso Nacional apro-vou a referida Convenção por meio do Decreto Legislativo nº 4, de 23 de maio de 1989;
Considerando que a Carta de Ratificação da Convenção foi depositada em 28 de setembro de 1989;
Considerando que a Convenção entrou em vigor para o Brasil em 28 de outubro de 1989, na for-ma de seu artigo 27, inciso 2;
DECRETA:
Art. 1º A Convenção Contra a Tortura e Outros
Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, apensa por cópia ao presente De-creto, será executada e cumprida tão inteira-mente como nela se contém.
Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de
sua publicação.
Brasília, em 15 de fevereiro de 1991; 170º da Independência e 103º da República.
CONVENÇÃO CONTRA A TORTURA E
OUTROS TRATAMENTOS OU PENAS
CRUÉIS, DESUMANOS
OU DEGRADANTES
Os Estados Partes da presente Convenção, Considerando que, de acordo com os princípios proclamados pela Carta das Nações Unidas, o reconhecimento dos direitos iguais e inaliená-veis de todos os membros da família humana é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,
Reconhecendo que estes direitos emanam da dignidade inerente à pessoa humana,
Considerando a obrigação que incumbe os Es-tados, em virtude da Carta, em particular do Artigo 55, de promover o respeito universal e a observância dos direitos humanos e liberdades fundamentais.
Levando em conta o Artigo 5º da Declaração Universal e a observância dos Direitos do Ho-mem e o Artigo 7º do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, que determinam que ninguém será sujeito à tortura ou a pena ou tra-tamento cruel, desumano ou degradante,
Levando também em conta a Declaração sobre a Proteção de Todas as Pessoas contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desuma-nos ou Degradantes, aprovada pela Assembléia Geral em 9 de dezembro de 1975,
Desejosos de tornar mais eficaz a luta contra a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes em todo o mundo, Acordam o seguinte:
PARTE I
ARTIGO 1º
1. Para os fins da presente Convenção, o
termo "tortura" designa qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são infligidos intencionalmen-te a uma pessoa a fim de obintencionalmen-ter, dela ou de uma terceira pessoa, informações ou confis-sões; de castigá-la por ato que ela ou uma terceira pessoa tenha cometido ou seja sus-peita de ter cometido; de intimidar ou co-agir esta pessoa ou outras pessoas; ou por qualquer motivo baseado em discriminação de qualquer natureza; quando tais dores ou sofrimentos são infligidos por um funcioná-rio público ou outra pessoa no exercício de funções públicas, ou por sua instigação, ou com o seu consentimento ou aquiescência. Não se considerará como tortura as dores ou sofrimentos que sejam consequência unicamente de sanções legítimas, ou que sejam inerentes a tais sanções ou delas de-corram.
2. O presente Artigo não será interpretado
de maneira a restringir qualquer instrumen-to internacional ou legislação nacional que contenha ou possa conter dispositivos de alcance mais amplo.
ARTIGO 2º
1. Cada Estado Parte tomará medidas
efi-cazes de caráter legislativo, administrativo, judicial ou de outra natureza, a fim de impe-dir a prática de atos de tortura em qualquer território sob sua jurisdição.
2. Em nenhum caso poderão invocar-se
cir-cunstâncias excepcionais tais como ameaça ou estado de guerra, instabilidade política interna ou qualquer outra emergência pú-blica como justificação para tortura.
3. A ordem de um funcionário superior ou
de uma autoridade pública não poderá ser invocada como justificação para a tortura.
ARTIGO 3º
1. Nenhum Estado Parte procederá à
ex-pulsão, devolução ou extradição de uma pessoa para outro Estado quando houver razões substanciais para crer que a mesma corre perigo de ali ser submetida a tortura.
2. A fim de determinar a existência de tais
razões, as autoridades competentes levarão em conta todas as considerações pertinen-tes, inclusive, quando for o caso, a existên-cia, no Estado em questão, de um quadro de violações sistemáticas, graves e maciças de direitos humanos.
ARTIGO 4º
1. Cada Estado Parte assegurará que todos
os atos de tortura sejam considerados cri-mes segundo a sua legislação penal. O cri- mes-mo aplicar-se-á à tentativa de tortura e a todo ato de qualquer pessoa que constitua cumplicidade ou participação na tortura.
2. Cada Estado Parte punirá estes crimes
com penas adequadas que levem em conta a sua gravidade.
ARTIGO 5º
1. Cada Estado Parte tomará as medidas
necessárias para estabelecer sua jurisdição sobre os crimes previstos no Artigo 4º nos seguintes casos:
a) quando os crimes tenham sido cometidos
em qualquer território sob sua jurisdição ou a bordo de navio ou aeronave registrada no Estado em questão;
b) quando o suposto autor for nacional do
Estado em questão;
c) quando a vítima for nacional do Estado
em questão e este o considerar apropriado.
2. Cada Estado Parte tomará também as
medidas necessárias para estabelecer sua jurisdição sobre tais crimes nos casos em que o suposto autor se encontre em qual-quer território sob sua jurisdição e o
Esta-para qualquer dos Estados mencionados no parágrafo 1 do presente Artigo.
3. Esta Convenção não exclui qualquer
ju-risdição criminal exercida de acordo com o direito interno.
ARTIGO 6º
1. Todo Estado Parte em cujo território se
encontre uma pessoa suspeita de ter come-tido qualquer dos crimes mencionados no Artigo 4º, se considerar, após o exame das informações de que dispõe, que as circuns-tâncias o justificam, procederá à detenção de tal pessoa ou tomará outras medidas le-gais para assegurar sua presença. A deten-ção e outras medidas legais serão tomadas de acordo com a lei do Estado, mas vigora-rão apenas pelo tempo necessário ao início do processo penal ou de extradição.
2. O Estado em questão procederá
imedia-tamente a uma investigação preliminar dos fatos.
3. Qualquer pessoa detida de acordo com o
parágrafo 1 terá assegurada facilidades para comunicar-se imediatamente com o repre-sentante mais próximo do Estado de que é nacional ou, se for apátrida, com o repre-sentante do Estado de residência habitual.
4. Quando o Estado, em virtude deste
Ar-tigo, houver detido uma pessoa, notificará imediatamente os Estados mencionados no Artigo 5º, parágrafo 1, sobre tal detenção e sobre as circunstâncias que a justificam. O Estado que proceder à investigação prelimi-nar a que se refere o parágrafo 2 do presen-te Artigo comunicará sem demora seus re-sultados aos Estados antes mencionados e indicará se pretende exercer sua jurisdição.
ARTIGO 7º
1. O Estado Parte no território sob a
juris-dição do qual o suposto autor de qualquer dos crimes mencionados no Artigo 4º for encontrado, se não o extraditar, obrigar-se--á, nos casos contemplados no Artigo 5º, a
submeter o caso as suas autoridades com-petentes para o fim de ser o mesmo proces-sado.
2. As referidas autoridades tomarão sua
decisão de acordo com as mesmas normas aplicáveis a qualquer crime de natureza gra-ve, conforme a legislação do referido Esta-do. Nos casos previstos no parágrafo 2 do Artigo 5º, as regras sobre prova para fins de processo e condenação não poderão de modo algum ser menos rigorosas do que as que se aplicarem aos casos previstos no pa-rágrafo 1 do Artigo 5º.
3. Qualquer pessoa processada por
qual-quer dos crimes previstos no Artigo 4º re-ceberá garantias de tratamento justo em todas as fases do processo.
ARTIGO 8º
1. Os crimes a que se refere o Artigo 4°
se-rão considerados como extraditáveis em qualquer tratado de extradição existente entre os Estados Partes. Os Estados Partes obrigar-se-ão a incluir tais crimes como ex-traditáveis em todo tratado de extradição que vierem a concluir entre si.
2. Se um Estado Parte que condiciona a
ex-tradição à existência de tratado de receber um pedido de extradição por parte do ou-tro Estado Parte com o qual não mantém tratado de extradição, poderá considerar a presente Convenção com base legal para a extradição com respeito a tais crimes. A ex-tradição sujeitar-se-á ás outras condições estabelecidas pela lei do Estado que rece-ber a solicitação.
3. Os Estado Partes que não condicionam a
extradição à existência de um tratado reco-nhecerão, entre si, tais crimes como extradi-táveis, dentro das condições estabelecidas pela lei do Estado que receber a solicitação.
4. O crime será considerado, para o fim de
extradição entre os Estados Partes, como se tivesse ocorrido não apenas no lugar em
dos Estados chamados a estabelecerem sua jurisdição, de acordo com o parágrafo 1 do Artigo 5º.
ARTIGO 9º
1. Os Estados Partes prestarão entre si a
maior assistência possível em relação aos procedimentos criminais instaurados relati-vamente a qualquer dos delitos menciona-dos no Artigo 4º, inclusive no que diz respei-to ao fornecimenrespei-to de respei-todos os elemenrespei-tos de prova necessários para o processo que estejam em seu poder.
2. Os Estados Partes cumprirão as
obriga-ções decorrentes do parágrafo 1 do presen-te Artigo conforme quaisquer tratados de assistência judiciária recíproca existentes entre si.
ARTIGO 10
1. Cada Estado Parte assegurará que o
en-sino e a informação sobre a proibição de tortura sejam plenamente incorporados no treinamento do pessoal civil ou militar encarregado da aplicação da lei, do pesso-al médico, dos funcionários públicos e de quaisquer outras pessoas que possam par-ticipar da custódia, interrogatório ou tra-tamento de qualquer pessoa submetida a qualquer forma de prisão, detenção ou re-clusão.
2. Cada Estado Parte incluirá a referida
proi-bição nas normas ou instruções relativas aos deveres e funções de tais pessoas.
ARTIGO 11
Cada Estado Parte manterá sistematica-mente sob exame as normas, instruções, métodos e práticas de interrogatório, bem como as disposições sobre a custódia e o tratamento das pessoas submetidas, em qualquer território sob sua jurisdição, a qualquer forma de prisão, detenção ou re-clusão, com vistas a evitar qualquer caso de tortura.
ARTIGO 12
Cada Estado Parte assegurará suas autori-dades competentes procederão imediata-mente a uma investigação imparcial sempre que houver motivos razoáveis para crer que um ato de tortura tenha sido cometido em qualquer território sob sua jurisdição.
ARTIGO 13
Cada Estado Parte assegurará a qualquer pessoa que alegue ter sido submetida a tor-tura em qualquer território sob sua jurisdi-ção o direito de apresentar queixa perante as autoridades competentes do referido Es-tado, que procederão imediatamente e com imparcialidade ao exame do seu caso. Serão tomadas medidas para assegurar a prote-ção do queixoso e das testemunhas contra qualquer mau tratamento ou intimação em conseqüência da queixa apresentada ou de depoimento prestado.
ARTIGO 14
1. Cada Estado Parte assegurará, em seu
sistema jurídico, à vítima de um ato de tor-tura, o direito à reparação e a uma indeni-zação justa e adequada, incluídos os meios necessários para a mais completa reabili-tação possível. Em caso de morte da vítima como resultado de um ato de tortura, seus dependentes terão direito à indenização.
2. O disposto no presente Artigo não afetará
qualquer direito a indenização que a vítima ou outra pessoa possam ter em decorrência das leis nacionais.
ARTIGO 15
Cada Estado Parte assegurará que nenhu-ma declaração que se demonstre ter sido prestada como resultado de tortura possa ser invocada como prova em qualquer pro-cesso, salvo contra uma pessoa acusada de tortura como prova de que a declaração foi prestada.
ARTIGO 16
1. Cada Estado Parte se comprometerá a
proibir em qualquer território sob sua juris-dição outros atos que constituam tratamen-to ou penas cruéis, desumanos ou degra-dantes que não constituam tortura tal como definida no Artigo 1, quando tais atos forem cometidos por funcionário público ou outra pessoa no exercício de funções públicas, ou por sua instigação, ou com o seu consenti-mento ou aquiescência. Aplicar-se-ão, em particular, as obrigações mencionadas nos Artigos 10, 11, 12 e 13, com a substituição das referências a tortura por referências a outras formas de tratamentos ou penas cru-éis, desumanos ou degradantes.
2. Os dispositivos da presente Convenção
não serão interpretados de maneira a res-tringir os dispositivos de qualquer outro ins-trumento internacional ou lei nacional que proíba os tratamentos ou penas cruéis, de-sumanos ou degradantes ou que se refira à extradição ou expulsão.
PARTE II
ARTIGO 17
1. Constituir-se-á um Comitê contra a
Tortu-ra (doTortu-ravante denominado o "Comitê) que desempenhará as funções descritas adian-te. O Comitê será composto por dez peritos de elevada reputação moral e reconhecida competência em matéria de direitos huma-nos, os quais exercerão suas funções a tí-tulo pessoal. Os peritos serão eleitos pelos Estados Partes, levando em conta uma dis-tribuição geográfica eqüitativa e a utilidade da participação de algumas pessoas com ex-periência jurídica.
2. Os membros do Comitê serão eleitos em
votação secreta dentre uma lista de pessoas indicadas pelos Estados Partes. Cada Estado Parte pode indicar uma pessoa dentre os seus nacionais. Os Estados Partes terão pre-sente a utilidade da indicação de pessoas
Direitos Humanos estabelecido de acordo com o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e que estejam dispostas a servir no Comitê contra a Tortura.
3. Os membros do Comitê serão eleitos em
reuniões bienais dos Estados Partes convo-cadas pelo Secretário-Geral das Nações Uni-das. Nestas reuniões, nas quais o quorum será estabelecido por dois terços dos Esta-dos Partes, serão eleitos membros do Co-mitê os candidatos que obtiverem o maior número de votos e a maioria absoluta dos votos dos representantes dos Estados Par-tes presenPar-tes e votanPar-tes.
4. A primeira eleição se realizará no
máxi-mo seis meses após a data de entrada em vigor da presente Convenção. Ao menos quatro meses antes da data de cada elei-ção, o Secretário-Geral das Nações Unidas enviará uma carta aos Estados Partes para convidá-los a apresentar suas candidaturas no prazo de três meses. O Secretário-Geral organizará uma lista por ordem alfabética de todos os candidatos assim designados, com indicações dos Estados Partes que os tiverem designado, e a comunicará aos Es-tados Partes.
5. Os membros do Comitê serão eleitos para
um mandato de quatro anos. Poderão, caso suas candidaturas sejam apresentadas no-vamente, ser reeleitos. No entanto, o man-dato de cinco dos membros eleitos na pri-meira eleição expirará ao final de dois anos; imediatamente após a primeira eleição, o presidente da reunião a que se refere o pa-rágrafo 3 do presente Artigo indicará, por sorteio, os nomes desses cinco membros.
6. Se um membro do Comitê vier a falecer,
a demitir-se de suas funções ou, por outro motivo qualquer, não puder cumprir com suas obrigações no Comitê, o Estado Par-te que apresentou sua candidatura indica-rá, entre seus nacionais, outro perito para cumprir o restante de seu mandato, sendo que a referida indicação estará sujeita à
Considerar-se-á como concedida a referida aprovação, a menos que a metade ou mais dos Estados Partes venham a responder negativamente dentro de um prazo de seis semanas, a contar do momento em que o Secretário-Geral das Nações Unidas lhes houver comunicado a candidatura propos-ta.
7. Correrão por conta dos Estados Partes
as despesas em que vierem a incorrer os membros do Comitê no desempenho de suas funções no referido órgão.
ARTIGO 18
1. O Comitê elegerá sua mesa para um
perí-odo de dois anos. Os membros da mesa po-derão ser reeleitos.
2. O próprio Comitê estabelecerá suas
re-gras de procedimento; estas, contudo, de-verão conter, entre outras, as seguintes dis-posições:
a) o quórum será de seis membros;
b) as decisões do Comitê serão tomadas por
maioria de votos dos membros presentes.
3. O Secretário-Geral das Nações Unidas
co-locará à disposição do Comitê o pessoal e os serviços necessários ao desempenho eficaz das funções que lhe são atribuídas em virtu-de da presente Convenção.
4. O Secretário-Geral das Nações Unidas
convocará a primeira reunião do Comitê. Após a primeira reunião, o Comitê deverá reunir-se em todas as ocasiões previstas em suas regras de procedimento.
5. Os Estados Partes serão responsáveis
pe-los gastos vinculados à realização das reuni-ões dos Estados Partes e do Comitê, inclu-sive o reembolso de quaisquer gastos, tais como os de pessoal e de serviço, em que incorrerem as Nações Unidas em conformi-dade com o parágrafo 3 do presente Artigo.
ARTIGO 19
1. Os Estados Partes submeterão ao
Comi-tê, por intermédio do Secretário-Geral das Nações Unidas, relatórios sobre as medi-das por eles adotamedi-das no cumprimento medi-das obrigações assumidas em virtude da pre-sente Convenção, dentro de prazo de um ano, a contar do início da vigência da pre-sente Convenção no Estado Parte interes-sado. A partir de então, os Estados Partes deverão apresentar relatórios suplementa-res a cada quatro anos sobre todas as novas disposições que houverem adotado, bem como outros relatórios que o Comitê vier a solicitar.
2. O Secretário-Geral das Nações Unidas
transmitirá os relatórios a todos os Estados Partes.
3. Cada relatório será examinado pelo
Co-mitê, que poderá fazer os comentários ge-rais que julgar oportunos e os transmitirá ao Estado Parte interessado. Este poderá, em resposta ao Comitê, comunicar-lhe todas as observações que deseje formular.
4. O Comitê poderá, a seu critério, tomar a
decisão de incluir qualquer comentário que houver feito de acordo com o que estipula o parágrafo 3 do presente Artigo, junto com as observações conexas recebidas do Esta-do Parte interessaEsta-do, em seu relatório anu-al que apresentará em conformidade com o Artigo 24. Se assim o solicitar o Estado Parte interessado, o Comitê poderá também in-cluir cópia do relatório apresentado em vir-tude do parágrafo 1 do presente Artigo.
ARTIGO 20
1. O Comitê, no caso de vir a receber
infor-mações fidedignas que lhe pareçam indicar, de forma fundamentada, que a tortura é praticada sistematicamente no território de um Estado Parte, convidará o Estado Parte em questão a cooperar no exame das infor-mações e, nesse sentido, a transmitir ao Co-mitê as observações que julgar pertinentes.
2. Levando em consideração todas as
ob-servações que houver apresentado o Esta-do Parte interessaEsta-do, bem como quaisquer outras informações pertinentes de que dis-puser, o Comitê poderá, se lhe parecer justi-ficável, designar um ou vários de seus mem-bros para que procedam a uma investigação confidencial e informem urgentemente o Comitê.
3. No caso de realizar-se uma investigação
nos termos do parágrafo 2 do presente Arti-go, o Comitê procurará obter a colaboração do Estado Parte interessado. Com a concor-dância do Estado Parte em questão, a inves-tigação poderá incluir uma visita a seu ter-ritório.
4. Depois de haver examinado as
conclu-sões apresentadas por um ou vários de seus membros, nos termos do parágrafo 2 do presente Artigo, o Comitê as transmitirá ao Estado Parte interessado, junto com as ob-servações ou sugestões que considerar per-tinentes em vista da situação.
5. Todos os trabalhos do Comitê a que se
faz referência nos parágrafos 1 ao 4 do pre-sente Artigo serão confidenciais e, em todas as etapas dos referidos trabalhos, procurar--se-á obter a cooperação do Estado Parte. Quando estiverem concluídos os trabalhos relacionados com uma investigação realiza-da de acordo com o parágrafo 2, o Comitê poderá, após celebrar consultas com o Es-tado Parte interessado, tomar a decisão de incluir um resumo dos resultados da investi-gação em seu relatório anual, que apresen-tará em conformidade com o Artigo 24.
ARTIGO 21
1. Com base no presente Artigo, todo
Esta-do Parte da presente Convenção poderá de-clarar, a qualquer momento, que reconhece a competência dos Comitês para receber e examinar as comunicações em que um Es-tado Parte alegue que outro EsEs-tado Parte não vem cumprindo as obrigações que lhe impõe a Convenção. As referidas
comuni-cações só serão recebidas e examinadas nos termos do presente Artigo no caso de serem apresentadas por um Estado Parte que houver feito uma declaração em que reconheça, com relação a si próprio, a com-petência do Comitê. O Comitê não receberá comunicação alguma relativa a um Estado Parte que não houver feito uma declaração dessa natureza. As comunicações recebidas em virtude do presente Artigo estarão sujei-tas ao procedimento que se segue:
a) se um Estado Parte considerar que outro
Estado Parte não vem cumprindo as dispo-sições da presente Convenção poderá, me-diante comunicação escrita, levar a questão ao conhecimento deste Estado Parte. Den-tro de um prazo de três meses a contar da data do recebimento da comunicação, o Es-tado destinatário fornecerá ao EsEs-tado que enviou a comunicação explicações ou quais-quer outras declarações por escrito que es-clareçam a questão, as quais deverão fazer referência, até onde seja possível e perti-nente, aos procedimentos nacionais e aos recursos jurídicos adotados, em trâmite ou disponíveis sobre a questão;
b) se, dentro de um prazo de seis meses, a
contar da data do recebimento da comuni-cação original pelo Estado destinatário, a questão não estiver dirimida satisfatoria-mente para ambos os Estado Partes inte-ressados, tanto um como o outro terão o direito de submetê-la ao Comitê, mediante notificação endereçada ao Comitê ou ao outro Estado interessado;
c) o Comitê tratará de todas as questões
que se lhe submetam em virtude do presen-te Artigo somenpresen-te após presen-ter-se assegurado de que todos os recursos jurídicos internos disponíveis tenham sido utilizados e esgota-dos, em consonância com os princípios do Direito internacional geralmente reconhe-cidos. Não se aplicará esta regra quando a aplicação dos mencionados recursos se pro-longar injustificadamente ou quando não for provável que a aplicação de tais recursos
venha a melhorar realmente a situação da pessoa que seja vítima de violação da pre-sente Convenção;
d) o Comitê realizará reuniões confidenciais
quando estiver examinando as comunica-ções previstas no presente Artigo;
e) sem prejuízo das disposições da alínea c),
o Comitê colocará seus bons ofícios à dis-posição dos Estados Partes interessados no intuito de se alcançar uma solução amisto-sa para a questão, baseada no respeito às obrigações estabelecidas na presente Con-venção. Com vistas a atingir esse objetivo, o Comitê poderá constituir, se julgar con-veniente, uma comissão de conciliação ad hoc;
f) em todas as questões que se lhe
subme-tam em virtude do presente Artigo, o Comi-tê poderá solicitar aos Estados Partes inte-ressados, a que se faz referência na alínea b), que lhe forneçam quaisquer informa-ções pertinentes;
g) os Estados Partes interessados, a que se
faz referência na alínea b), terão o direito de fazer-se representar quando as questões forem examinadas no Comitê e de apresen-tar suas observações verbalmente e/ou por escrito;
h) o Comitê, dentro dos doze meses
seguin-tes à data de recebimento de notificação mencionada na b), apresentará relatório em que:
I) se houver sido alcançada uma solução nos
termos da alínea e), o Comitê restringir-se--á, em seu relatório, a uma breve exposição dos fatos e da solução alcançada;
II) se não houver sido alcançada solução
alguma nos termos da alínea e), o Comitê restringir-se-á, em seu relatório, a uma bre-ve exposição dos fatos; serão anexados ao relatório o texto das observações escritas e as atas das observações orais apresentadas pelos Estados Partes interessados.
Para cada questão, o relatório será encami-nhado aos Estados Partes interessados.
2. As disposições do presente Artigo
entra-rão em vigor a partir do momento em que cinco Estado Partes da presente Convenção houverem feito as declarações menciona-das no parágrafo 1 deste Artigo. As referimenciona-das declarações serão depositadas pelos Esta-dos Partes junto ao Secretário-Geral das Na-ções Unidas, que enviará cópia das mesmas aos demais Estados Partes. Toda declaração poderá ser retirada, a qualquer momento, mediante notificação endereçada ao Secre-tário-Geral. Far-se-á essa retirada sem pre-juízo do exame de quaisquer questões que constituam objeto de uma comunicação já transmitida nos termos deste Artigo; em virtude do presente Artigo, não se receberá qualquer nova comunicação de um Estado Parte uma vez que o Secretário-Geral haja recebido a notificação sobre a retirada da declaração, a menos que o Estado Parte in-teressado haja feito uma nova declaração.
ARTIGO 22
1. Todo Estado Parte da presente
Conven-ção poderá, em virtude do presente Artigo, declarar, a qualquer momento, que reco-nhece a competência do Comitê para rece-ber e examinar as comunicações enviadas por pessoas sob sua jurisdição, ou em nome delas, que aleguem ser vítimas de violação, por um Estado Parte, das disposições da Convenção.O Comitê não receberá comu-nicação alguma relativa a um Estado Parte que não houver feito declaração dessa na-tureza.
2. O Comitê considerará inadmissível
qual-quer comunicação recebida em conformi-dade com o presente Artigo que seja anô-nima, ou que, a seu juízo, constitua abuso do direito de apresentar as referidas comu-nicações, ou que seja incompatível com as disposições da presente Convenção.
3. Sem prejuízo do disposto no parágrafo
apresentadas em conformidade com este Artigo ao conhecimento do Estado Parte da presente Convenção que houver feito uma declaração nos termos do parágrafo 1 e so-bre o qual se alegue ter violado qualquer disposição da Convenção. Dentro dos seis meses seguintes, o Estado destinatário sub-meterá ao Comitê as explicações ou decla-rações por escrito que elucidem a questão e, se for o caso, indiquem o recurso jurídico adotado pelo Estado em questão.
4. O Comitê examinará as comunicações
re-cebidas em conformidade com o presente Artigo á luz de todas as informações a ele submetidas pela pessoa interessada, ou em nome dela, e pelo Estado Parte interessado.
5. O Comitê não examinará comunicação
alguma de uma pessoa, nos termos do pre-sente Artigo, sem que se haja assegurado de que;
a) a mesma questão não foi, nem está
sen-do, examinada perante uma outra instância internacional de investigação ou solução;
b) a pessoa em questão esgotou todos os
recursos jurídicos internos disponíveis; não se aplicará esta regra quando a aplicação dos mencionados recursos se prolongar in-justificadamente ou quando não for prová-vel que a aplicação de tais recursos venha a melhorar realmente a situação da pessoa que seja vítima de violação da presente Convenção.
6. O Comitê realizará reuniões confidenciais
quando estiver examinado as comunicações previstas no presente Artigo.
7. O Comitê comunicará seu parecer ao
Es-tado Parte e à pessoa em questão.
8. As disposições do presente Artigo
entra-rão em vigor a partir do momento em que cinco Estado Partes da presente Convenção houverem feito as declarações menciona-das no parágrafo 1 deste Artigo. As referimenciona-das declarações serão depositadas pelos
Esta-ções Unidas, que enviará cópia das mesmas ao demais Estados Partes. Toda declaração poderá ser retirada, a qualquer momento, mediante notificação endereçada ao Secre-tário-Geral. Far-se-á essa retirada sem pre-juízo do exame de quaisquer questões que constituam objeto de uma comunicação já transmitida nos termos deste Artigo; em virtude do presente Artigo, não se receberá nova comunicação de uma pessoa, ou em nome dela, uma vez que o Secretário-Geral haja recebido a notificação sobre retirada da declaração, a menos que o Estado Parte interessado haja feito uma nova declaração.
ARTIGO 23
Os membros do Comitê e os membros das Comissões de Conciliação ad noc designa-dos nos termos da alínea e) do parágrafo 1 do Artigo 21 terão o direito às facilidades, privilégios e imunidades que se concedem aos peritos no desempenho de missões para a Organização das Nações Unidas, em conformidade com as seções pertinentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas.
ARTIGO 24
O Comitê apresentará, em virtude da pre-sente Convenção, um relatório anula sobre suas atividades aos Estados Partes e à As-sembléia Geral das Nações Unidas.
PARTE III
ARTIGO 25
1. A presente Convenção está aberta à
assi-natura de todos os Estados.
2. A presente Convenção está sujeita a
rati-ficação. Os instrumentos de ratificação se-rão depositados junto ao Secretário-Geral das Nações Unidas.
ARTIGO 26
diante depósito do Instrumento de Adesão junto ao Secretário-Geral das Nações Uni-das.
ARTIGO 27
1. A presente Convenção entrará em vigor
no trigésimo dia a contar da data em que o vigésimo instrumento de ratificação ou ade-são houver sido depositado junto ao Secre-tário-Geral das Nações Unidas.
2. Para os Estados que vierem a ratificar a
presente Convenção ou a ela aderir após o depósito do vigésimo instrumento de ratifi-cação ou adesão, a Convenção entrará em vigor no trigésimo dia a contar da data em que o Estado em questão houver deposita-do seu instrumento de ratificação ou ade-são.
ARTIGO 28
1. Cada Estado Parte poderá declarar, por
ocasião da assinatura ou da ratificação da presente Convenção ou da adesão a ela, que não reconhece a competência do Comi-tê quando ao disposto no Artigo 20.
2. Todo Estado Parte da presente
Conven-ção que houver formulado uma reserva em conformidade com o parágrafo 1 do presen-te Artigo poderá, a qualquer momento, tor-nar sem efeito essa reserva, mediante noti-ficação endereçada ao Secretário-Geral das Nações Unidas.
ARTIGO 29
1. Todo Estado Parte da presente
Conven-ção poderá propor uma emenda e deposi-tá-la junto ao Secretário-Geral das Nações Unidas. O Secretário-Geral comunicará a proposta de emenda aos Estados Partes, pedindo-lhes que o notifiquem se desejam que se convoque uma conferência dos Esta-dos Partes destinada a examinar a propos-ta e submetê-la a vopropos-tação. Se, dentro dos quatro meses seguintes à data da referida comunicação, pelos menos um terço dos Estados Partes se manifestar a favor da
refe-rida convocação, o Secretário-Geral convo-cará uma conferência sob os auspícios das Nações Unidas. Toda emenda adotada pela maioria dos Estados Partes presentes e vo-tantes na conferência será submetida pelo Secretário-Geral à aceitação de todos os Es-tados Partes.
2. Toda emenda adotada nos termos das
disposições do parágrafo 1 do presente Ar-tigo entrará em vigor assim que dois terços dos Estados Partes da presente Convenção houverem notificado o Secretário-Geral das Nações Unidas de que a aceitaram em con-sonância com os procedimentos previstos por suas respectivas constituições.
3. Quando entrarem em vigor, as
emen-das serão obrigatórias para todos os Esta-dos Partes que as tenham aceito, ao passo que os demais Estados Partes permanecem obrigados pelas disposições da Convenção e pelas emendas anteriores por eles aceitas.
ARTIGO 30
1. As controvérsias entre dois ou mais
Esta-dos Partes com relação à interpretação ou à aplicação da presente Convenção que não puderem ser dirimidas por meio da nego-ciação serão, a pedido de um deles, subme-tidas a arbitragem. Se durante os seis meses seguintes à data do pedido de arbitragem, as Partes não lograrem pôr-se de acordo quanto aos termos do compromisso de ar-bitragem, qualquer das Partes poderá sub-meter a controvérsia à Corte Internacional de Justiça, mediante solicitação feita em conformidade com o Estatuto da Corte.
2. Cada Estado poderá, por ocasião da
as-sinatura ou da ratificação da presente Convenção, declarar que não se considera obrigado pelo parágrafo 1 deste Artigo. Os demais Estados Partes não estarão obriga-dos pelo referido parágrafo com relação a qualquer Estado Parte que houver formula-do reserva dessa natureza.
sente Artigo poderá retirá-la, a qualquer momento, mediante notificação endereça-da ao Secretário-Geral endereça-das Nações Uniendereça-das.
ARTIGO 31
1. Todo Estado Parte poderá denunciar a
presente Convenção mediante notificação por escrito endereçada ao Secretário-Geral das Nações Unidas. A denúncia produzirá efeitos um ano depois da data de recebi-mento da notificação pelo Secretário-Geral.
2. A referida denúncia não eximirá o Estado
Parte das obrigações que lhe impõe a pre-sente Convenção relativamente a qualquer ação ou omissão ocorrida antes da data em que a denúncia venha a produzir efeitos; a denúncia não acarretará, tampouco, a sus-pensão do exame de quaisquer questões que o Comitê já começara a examinar antes da data em que a denúncia veio a produzir efeitos.
3. A partir da data em que vier a produzir
efeitos a denúncia de um Estado Parte, o Comitê não dará início ao exame de qual-quer nova questão referente ao Estado em apreço.
ARTIGO 32
O Secretário-Geral das Nações Unidas co-municará a todos os Estados membros das Nações Unidas e a todos os Estados que as-sinaram a presente Convenção ou a ela ade-riram:
a) as assinaturas, ratificações e adesões
re-cebidas em conformidade com os Artigos 25 e 26;
b) a data de entrada em vigor da
Conven-ção, nos termos do Artigo 27, e a data de entrada em vigor de quaisquer emendas, nos termos do Artigo 29;
c) as denúncias recebidas em
conformida-des com o Artigo 31.
ARTIGO 33
1. A presente Convenção, cujos textos em
árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo são igualmente autênticos, será depo-sitada junto ao Secretário-Geral das Nações Unidas.
2. O Secretário-Geral das Nações Unidas
en-caminhará cópias autenticadas da presente Convenção a todos os Estados.
PORTARIA INTERMINISTERIAL SEDH/MJ Nº 2, DE 15 DE DEZEMBRO
DE 2010 (DOU 16.12.2010)
Estabelece as Diretrizes Nacionais de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos dos Profissio-nais de Segurança Pública.
O MINISTRO DE ESTADO CHEFE DA SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA e o MINISTRO DE ESTADO DA JUSTI-ÇA, no uso das atribuições que lhes conferem os incisos I e II, do parágrafo único, do art. 87, da Constituição Federal de 1988, resolvem:
Art. 1º Ficam estabelecidas as Diretrizes
Nacio-nais de Promoção e Defesa dos Direitos Huma-nos dos Profissionais de Segurança Pública, na forma do Anexo desta Portaria.
Art. 2º A Secretaria de Direitos Humanos da
Presidência da República e o Ministério da Jus-tiça estabelecerão mecanismos para estimular e monitorar iniciativas que visem à implemen-tação de ações para efetivação destas diretrizes em todas as unidades federadas, respeitada a
repartição de competências prevista no art. 144 da Constituição Federal de 1988.
Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de
sua publicação.
PAULO DE TARSO VANNUCHI
Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da
Repú-blica
LUIZ PAULO TELES FERREIRA BARRETO Ministro de Estado da Justiça
ANEXO
DIREITOS CONSTITUCIONAIS E PARTICIPAÇÃO CIDADÃ
1) Adequar as leis e regulamentos
discipli-nares que versam sobre direitos e deveres dos profissionais de segurança pública à Constituição Federal de 1988.
2) Valorizar a participação das instituições e
dos profissionais de segurança pública nos processos democráticos de debate, divulga-ção, estudo, reflexão e formulação das polí-ticas públicas relacionadas com a área, tais como conferências, conselhos, seminários, pesquisas, encontros e fóruns temáticos.
3) Assegurar o exercício do direito de
opi-nião e a liberdade de expressão dos profis-sionais de segurança pública, especialmen-te por meio da Inespecialmen-ternet, blogs, siespecialmen-tes e fóruns de discussão, à luz da Constituição Federal de 1988.
4) Garantir escalas de trabalho que
contem-plem o exercício do direito de voto por to-dos os profissionais de segurança pública.
VALORIZAÇÃO DA VIDA
5) Proporcionar equipamentos de proteção
individual e coletiva aos profissionais de segurança pública, em quantidade e quali-dade adequadas, garantindo sua reposição
permanente, considerados o desgaste e prazos de validade.
6) Assegurar que os equipamentos de
pro-teção individual contemplem as diferenças de gênero e de compleição física.
7) Garantir aos profissionais de segurança
pública instrução e treinamento continuado quanto ao uso correto dos equipamentos de proteção individual.
8) Zelar pela adequação, manutenção e
permanente renovação de todos os veícu-los utilizados no exercício profissional, bem como assegurar instalações dignas em to-das as instituições, com ênfase para as con-dições de segurança, higiene, saúde e am-biente de trabalho.
9) Considerar, no repasse de verbas federais
aos entes federados, a efetiva disponibiliza-ção de equipamentos de protedisponibiliza-ção individu-al aos profissionais de segurança pública.
DIREITO À DIVERSIDADE
10) Adotar orientações, medidas e práticas
concretas voltadas à prevenção, identifica-ção e enfrentamento do racismo nas insti-tuições de segurança pública, combatendo qualquer modalidade de preconceito.
11) Garantir respeito integral aos direitos
constitucionais das profissionais de segu-rança pública femininas, considerando as especificidades relativas à gestação e à amamentação, bem como as exigências permanentes de cuidado com filhos crian-ças e adolescentes, assegurando a elas ins-talações físicas e equipamentos individuais específicos sempre que necessário.
12) Proporcionar espaços e oportunidades
nas instituições de segurança pública para organização de eventos de integração fami-liar entre todos os profissionais, com ênfase em atividades recreativas, esportivas e cul-turais voltadas a crianças, adolescentes e