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Comunicado de Imprensa
TEATRO HELENA SÁ E COSTA
SEM PALAVRAS
Diálogo de dois instrumentos em busca de uma história.
Pedro Sousa Silva e Hugo Sanches
20 de Fevereiro 2015 – 21h30
A combinação alaúde - flauta de bisel é, provavelmente, uma das mais bem-sucedidas na história da música. Talvez tenha sido o acaso a ditar essa parceria. Se nos séculos XVI-XVIII estes instrumentos estavam entre os mais tocados nos meios não profissionais (sendo a prática da música uma das atividades principais da nobreza e de uma burguesia que a
pretendia emular), no século XX esses instrumentos foram motores do movimento designado pela “nova música antiga”, o primeiro pela sua aparente semelhança com a guitarra, o segundo pela ampla difusão que teve nos meios escolares. De permeio, um período de ocaso chegado em meados do século XVIII ditado pela necessidade de preencher os cada vez maiores espaços associados às práticas musicais clássicas e românticas. O novo moto, ‘cada vez mais, cada vez maior’, não era de facto acolhedor para dois instrumentos cuja eloquência habita as entrelinhas do texto musical. Embora muito diferentes organologicamente – um é polifónico o outro melódico, um é de cordas o outro de sopro – os dois instrumentos partilham uma enorme afinidade linguística. De ambos poderíamos dizer que são instrumentos de recursos limitados, sobretudo num plano dinâmico e tímbrico. Mas confronte-se um alaudista ou um flautista com tal opinião e logo ficaremos convencidos do contrário. É o culto dos detalhes - de articulação, dos ataques, da agógica – que permite construir uma aparência macro dinâmica e timbricamente variada. É que a arte de os tocar é a arte de mentir. O programa que propomos percorre um século e meio de música, desde os primórdios do barroco ainda no final do século XVI, em que a linguagem instrumental procura emular a capacidade de narrar característica da canção até meados do século XVIII, em que as filigranas do barroco francês aprisionam o ouvinte num labirinto que confunde tempo com movimento. Ao longo deste programa, não
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Programa:
Luis de Milán (c. 1500 – 1561) Fantasia Diego Ortiz (c. 1510 – c. 1570) Recercada Primera
Pierre Sandrin (c. 1490 – 1561) / Diego Ortiz (c. 1510 – c. 1570) Recercada sobre Doulce Memoire
Pedro de Cristo (ca. 1550 - 1618) Virgo Prudentissima Bartolomeo di Selma y Salaverde (ca. 1595 - ca. 1638) Canzon terza
(intervalo)
Robert de Visée (ca. 1655 – 1732/1733) Prélude
Jacques-Martin Hotteterre (1674 – 1763) Prelude em D.La.Re 3e Majeure Jacques-Martin Hotteterre (1674 – 1763) Premiere Suitte (du Premier Livre de Pieces) Prelude - Allemande La Royalle - Rondeau Le Duc d'Orleans - Saraband la d'Armagnac - Gavotte la
Meudon - Menuet le Comte de Brione - Gigue la folichon
"Um dia ouvi um concerto e a minha vida mudou". Assim, parafraseando um personagem de Orhan Pamuk, poderia começar a biografia de Pedro Sousa Silva. Esse evento, vagamente situado no ano de 1990, marca o início de uma viagem que nos traz a este momento e a este local. Foram sobretudo os encontros que mapearam o percurso: Pedro Couto Soares na Escola Superior de Música de Lisboa e, mais tarde, Pedro Memelsdorff na Civica Scuola di Musica, em Milão, foram mestres que deixaram marca indelével, e cujos ensinamentos são o fundamento da expressão de Pedro enquanto intérprete. Outros ainda - como Ana Mafalda Castro, Jill Feldman ou Kees Boeke, Miguel Ribeiro Pereira - ofereceram lições que até hoje não chegaram ao fim. Pedro tem a enorme felicidade de poder contar com os melhores companheiros de viagem que poderia desejar. Músicos como Amandine Beyer, Ana Mafalda Castro,
Magna Ferreira, Xurxo Varela, Pedro Castro ou Pedro Couto Soares são, para além de cúmplices, fonte inesgotável de inspiração e entusiasmo.
Consequência da sua especialização num instrumento – a flauta de bisel - e num reportório – a polifonia anterior a 1750 - Pedro é convidado regular de vários grupos de música antiga, mas é com os seus projetos A Imagem da Melancolia, Mi contra Fa e Arte Minima, que desenvolve a maior parte da sua atividade concertística. A postura artística de Pedro, refletida nos
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da Melancolia, sempre utilizando cópias de instrumentos originais construídas pelos seus amigos Adrian Brown, Luca de Paolis e Monika Musch.
O ensino é outra das expressões de Pedro enquanto músico, dedicando-lhe parte considerável do seu tempo. Demonstrando-se que o destino é um ironista (ou, segundo outra versão, que a vida tem muitas esquinas), é Professor Adjunto no local onde escutou o concerto referido no exórdio, na Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo, no Porto, coordenando o Curso de Música Antiga e o Mestrado em Música-Interpretação Artística. É também convidado frequentemente para realizar cursos de aperfeiçoamento e conferências em instituições de ensino superior, tanto em Portugal como no estrangeiro (Conservatorio Superior de Música de Vigo, Conservatorio Superior de Música de Aragón, Universität für Musik und darstellende Kunst Wien, Joseph Haydn Konservatorium, Koninklijk Conservatorium Brussel, Conservatorio di Musica di Cosenza, Norges Musikkhøgskole, Akademie für Alte Musik Bremen, entre outras). Porque não há duas sem três, Pedro encontra na pesquisa outra vertente da sua profissão. Após realizar estudos de musicologia na Universidade Nova de Lisboa (UNL), doutorou-se em Música na Universidade de Aveiro com uma tese sobre práticas polifónicas no Renascimento e presentemente dedica particular atenção ao reportório contido nas fontes portuguesas dos séculos XVI e XVII, sendo investigador do Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical da UNL.
Nos raros momentos em que não está ocupado a ser músico, Pedro gosta de olhar para o mar, jogar xadrez, ou de fazer outra coisa qualquer.
Hugo Sanches nasceu no Porto em 1973. É mestre e licenciado em música antiga pela ESMAE (Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Instituto Politécnico do Porto), licenciado em guitarra clássica pela mesma escola e pós-graduado em psicologia da música pela
Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto.
Estudou alaúde e práticas históricas de interpretação musical com Ronaldo Lopes, Ana Mafalda Castro e Pedro Sousa Silva. Aperfeiçoou-se enquanto instrumentista com músicos como (entre outros) Léo Brouwer, Eugène Ferré e Amandine Beyer.
A sua atividade principal é presentemente a de músico “freelance”. Para além de atuar em recitais a solo, colaborou ou colabora com agrupamentos como Ensemble Pavaniglia, Orquestra Barroca da Casa da Música, The English Air, Officina da Música, L’Universo
Sommerso, Amar contra o Silêncio, Sete Lágrimas, Orquestra Vigo 430, Ensemble Norte do Sul, Orquestra barroca de Veneza, Os Músicos do Tejo e Ensemble Mi contra Fa, tendo atuado no Festival Sons da História, Festival Internacional de Música de Espinho, “La Folle Journée”,
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Internacional de Música Antiga da Academia de Música Antiga de Lisboa, Festival Internacional de Música da Madeira, Música em São Roque, Festival de Música em Leiria, Festival Via Stellae (Galiza), Monte Music Festival (Goa, Índia), Stocholm Early Music Festival (Suécia), Festival Mozart Rovereto (Itália) e Festival de Sablé (França).
Gravou com o grupo Sete Lágrimas os CD Kleine Musik, Diáspora.pt, Silêncio, Pedra Irregular, Vento e Terra.
Participou na gravação do CD Orquestra Vigo 430 pela orquestra com o mesmo nome.
Foi assistente de produção do CD The Bad Tempered Consort pelo agrupamento A Imagem da Melancolia.
Paralelamente ao trabalho como concertista, desenvolve também atividade pedagógica sendo assistente convidado no curso de Música Antiga da ESMAE, lecionando as disciplinas de alaúde, música de câmara e baixo contínuo.
Na área de investigação em musicologia, fez a sua primeira comunicação científica nas jornadas “Mundos e Fundos” realizadas pela Universidade de Coimbra, Portugal, em Dezembro de 2012.
Espetáculo para maiores de 6 anos Duração: 60’ (aproximadamente) Bilhetes: 4,00 euros
Teatro Helena Sá e Costa Rua da Alegria, 503 Rua da Escola Normal, 39 4000-045 Porto
Informações/Programação: www.esmae-ipp.pt/thsc [email protected]
Rua da Alegria, 503 – 4000-045 Porto | t. +351 225 193 760 | m. +351 961 631 382 | www.esmae-ipp.pt/thsc | [email protected] Reservas:
961631382 / 225193765 Horário de Bilheteira:
Em dias de espetáculo, duas horas antes do início. Horário de reservas (dias úteis):
10h30 às 12h30; 14h30 às 18h00