RODRIGO MUCHAILH MUNIZ SIAUFI
LINFOMA MEDIASTINAL EM GATOS
CURITIBA 2011
RODRIGO MUCHAILH MUNIZ SIAUFI
LINFOMA MEDIASTINAL EM GATOS
Monografia apresentada para a conclusão do Curso de Especializaçao Latu sensu em Clínica Médica em Pequenos Animais – CREUPI
Orientadora; Daniele Bier
CURITIBA 2011
RODRIGO MUCHAILH MUNIZ SIAUFI
LINFOMA MEDIASTINAL EM GATOS
__________________________________________________
Orientadora Daniele Bier__________________________________________________ Instituto de pós graduação Qualittas
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Região mediastínica (área pontilhada)...14
Figura 2 – Projeção ventro-dorsal do tórax de gato...15
Figura 3 – Imagem ultrassonográfica de massa (m) mediastinal associada com hidrotótax (h)...17
Figura 4 – Tomografia Computadorizada do tórax de um gato saudável...18
Figura 5 – TC do tórax de um gato com massa mediastinal...19
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
% Porcentagem mg Miligrama LSA Linfoma/Linfossarcoma FIV Vírus da Imunodeficiência Felina FeLV Vírus da Leucemia Felina TC Tomografia Computadorizada PAAF Punção Aspirativa por Agulha Fina COP Ciclofosfamida, Vincristina e Prednisona CHOP Ciclofosfamida, Doxorrubicina, Vincristina e Prednisona ELISA Enzyme Linked Immunono Sorbent Assay Mm Milímetro
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO...10
2 REVISÃO DE LITERATURA...11
2.1 Etiologia e Epidemiologia...11
2.2 Características Clínicas...11
2.3 Características Hematológicas e Bioquímicas séricas...13
2.4 Diagnóstico por Imagem...13
2.4.1 Características Radiográficas...14 2.4.2 Características Ultrassonográficas...16 2.4.3 Tomografia Computadorizada...17 2.5 Diagnóstico Definitivo...19 2.6 Tratamento...20 3 CONCLUSÃO...22 REFERÊNCIAS...23
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1 INTRODUÇÃO
O linfoma (linfoma maligno, linfossarcoma [LSA]) é definido como a malignidade linfóide que se origina de órgãos sólidos (por exemplo, linfonodos, fígado, baço) (NELSON; COUTO, 1994; COUTO, 2001; VAIL, 2004). Isto diferencia os linfomas de leucemias linfóides, que se originam na medula óssea (NELSON; COUTO, 1994; COUTO, 2001).
O linfoma é considerado o tumor mais frequente em gatos porque, exclusivamente nos felinos, essa neoplasia pode ser causada pelo retrovírus denominado vírus da leucemia felina (FeLV). Aproximadamente 75% dos gatos com linfoma apresentam sorologia positiva para o vírus da leucemia felina (FeLV-positivo). O vírus da imunodeficiência felina (FIV) também já foi reconhecido como um agente causador do linfoma em gatos (AMORIM et al, 2006).
A doença tem quatro formas anatômicas de apresentação, multicêntrico, mediastínico, alimentar e a forma extranodal. Nos felinos, as formas mediastínicas e alimentar são mais comuns de se verem (NELSON; COUTO, 1994).
Os gatos com a doença mediastínica geralmente apresentam dificuldade respiratória grave devido aos efeitos da massa intratorácica ou à presença de efusão pleural significativa (VAIL, 2004). Os felinos com linfoma alimentar demonstram graus variados de perda de peso, pelagem mal-assentada, inapetência, diarréia crônica e vômito (NELSON; COUTO, 1994).
O diagnóstico para o linfoma consiste num conjunto de ações como, exame físico, anormalidades hematológicas e bioquímicas séricas, diagnóstico por imagem e diagnóstico citológico e histopatológico (VAIL, 2004).
Após fechado o diagnóstico para linfoma, cabe ao médico veterinário escolher a melhor terapia para seu paciente. Gatos que não recebem tratamento geralmente vivem uma média de 4 a 6 semanas de vida. Em geral o linfoma é uma doença sistêmica, que requer uma abordagem terapêutica também sistêmica (ou seja, quimioterapia). Exceções à regra ocorrem nos casos de linfomas extranodais ou em regiões isoladas, em que a terapia local envolvendo tanto cirurgia como radioterapia pode ser indicada (VAIL, 2004).
O prognóstico da doença pode variar de acordo com a resposta completa à terapia, ao estado negativo para FeLV, estágio clínico inicial, subestágio e a adição de doxorrubicina ao protocolo de tratamento. Em geral os felinos negativos para o FeLV que produzem resposta completa aos protocolos quimioterápicos possuem alta probabilidade de sobrevivência por longo prazo, com cerca de 35% deles sobrevivendo um ano e meio após o diagnóstico (VAIL, 2004).
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2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA
No gato, aproximadamente 70% dos linfomas estão associados à leucemia felina viral (FeLV). A prevalência da viremia em gatos com linfoma varia com a forma anatômica de apresentação, mas, em geral, os gatos jovens com linfoma são FeLV-positivos, ao passo que os mais idosos são negativos. O papel do vírus da imunodeficiência felina (FIV) na patogenia do linfoma felino ainda é desconhecido, apesar de vários relatos recentemente publicados descrevendo gatos FIV-positivos com linfoma (NELSON; COUTO, 1994).
O risco relativo de que gatos FeLV-positivos desenvolvam linfoma é de aproximadamente 60 vezes maior do que o de animais negativos. Já o risco relativo do gato FIV-positivo é menor, de aproximadamente cinco vezes. Aqueles que são FIV e FeLV-positivos possuem quase 80 vezes maior possibilidade de desenvolver linfoma do que os negativos para ambos os vírus. No entanto, esse tumor pode se desenvolver espontaneamente ou por anormalidades cromossomais, independentemente de estímulo viral (AMORIM et al, 2006).
Em relação à raça, siameses e orientais sofrem grande risco de desenvolver linfoma. Os gatos siameses são os predispostos a apresentar linfoma do tipo mediastínico (AMORIM et al, 2006).
Os machos têm risco duplicado de desenvolver a doença em relação às fêmeas. Provavelmente, essa diferença está ligada à transmissão do FIV e do FeLV. A transmissão do FeLV pela saliva é facilitada pelo comportamento social dos felinos, principalmente em locais com elevada densidade populacional, onde mordeduras e desfrutes dos mesmos fômites e vasilhas sanitárias são freqüentes. Disputas por território são uma atividade comum entre os gatos machos, tornando-os mais susceptíveis à infecção por FeLV e FIV (AMORIM et al, 2006).
A idade de apresentação de gatos com linfoma é bimodal, com o primeiro pico ocorrendo aproximadamente com dois anos de idade e o segundo, com aproximadamente 10 a 12 anos de idade. O primeiro pico é composto predominantemente de gatos positivos para FeLV, enquanto o segundo inclui gatos predominantemente negativos para FeLV. A idade média de apresentação em gatos FeLV-positivos com linfoma é de três anos, ao passo que nos gatos negativos para o FeLV é de sete a oito anos (NELSON; COUTO, 1994).
2.2 CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
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a) Multicêntrico, caracterizado por linfadenopatia generalizada e envolvimento hepático, esplênico e/ou da medula óssea.
b) Mediastínico, caracterizado por linfadenopatia mediastínica, com ou sem infiltração da medula óssea.
c) Alimentar, caracterizado por infiltração solitária, difusa ou multifocal do trato gastrintestinal, com ou sem linfadenopatia intra-abdominal.
d) Formas extranodais, acometendo qualquer órgão ou tecido (exemplo: renal, neural, ocular, cutâneo) (COUTO, 2001).
A distribuição das diferentes formas anatômicas não é igual para gatos e cães. Nos gatos, as formas mediastínicas e alimentar são mais comuns do que as formas multicêntricas e extranodais (COUTO, 2001).
Os achados clínicos em gatos com linfoma estão associados à forma anatômica de apresentação (COUTO, 2001).
Os pacientes com a forma multicêntrica apresentam-se sintomatologia clínica variada de acordo com a forma da doença e a localização do(s) tumor(es) sendo que na maioria dos gatos com este tipo de lesão é assintomático (XAVIER et al, 2006). Mais frequentemente, os pacientes são examinados por causa de sinais clínicos inespecíficos como perda de peso, anorexia, letargia e palidez de mucosas (COUTO, 2001; XAVIER et al, 2006). Se os linfonodos aumentados de volume provocar obstrução mecânica da drenagem linfática, ocorre edema; se provocarem compressão das vias áreas, a tosse é a queixa (COUTO, 2001). O exame físico de gatos com linfoma multicêntrico geralmente revela um aumento de volume dos linfonodos, hepatomegalia ou linfoma intestinal apresentam massas abdominais palpáveis (XAVIER et al, 2006). Os linfonodos acometidos estão acentuadamente tumefatos (cinco a quinze vezes seu tamanho normal), indolores, livres e frios. Uma síndrome de linfadenopatia reativa (hiperplásica) em gatos pode mimetizar as características clinicopatológicas do linfoma multicêntrico (COUTO, 2001).
Os gatos com linfoma mediastínico geralmente se apresentam para avaliação de dispnéia, tosse ou regurgitação (mais comumente em gatos) de estabelecimento recente (COUTO, 2001; AMORIM et al, 2006). A poliúria e a polidipsia são queixas comuns em cães com linfoma mediastínico e hipercalcemia; a hipercalcemia paraneoplásica é extremamente rara em gatos com linfoma. Os sinais respiratórios e do trato digestivo superior são provocados por compressão de um linfonodo mediastínico cranial aumentado de volume, apesar de que o derrame pleural maligno possa contribuir para a gravidade dos sinais respiratórios. Ao exame físico, as anormalidades geralmente estão confinadas à cavidade torácica e consistem de diminuição dos bons broncovesiculares, deslocamento dos sons pulmonares normais à cavidade torácica dorsocaudal, som maciço à percussão da cavidade torácica ventral e o mediastino não-compressível (em gatos), este último sugere a presença de massa mediastínica. A síndrome de Horner, uni ou bilateral pode ocorrer em gatos (e ocasionalmente em cães) com linfoma mediastínico (COUTO, 2001).
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Os gatos com linfoma alimentar geralmente exibem sinais gastrointestinais como vômito, anorexia, diarréia e perda de peso (COUTO, 2001; VAIL, 2004; WILSON, 2008). Ocasionalmente, sinais compatíveis com obstrução intestinal ou peritonite (provocada pela ruptura da massa linfomatosa) podem ocorrer (COUTO, 2001). O exame físico nesses pacientes caracteriza-se pela presença de massas intra-abdominais - linfonodos mesentéricos aumentados de volume ou massas intestinais e alças intestinais espessadas (no linfoma difuso do intestino delgado) (COUTO, 2001; WILSON, 2008). Podem, ocasionalmente, protrair-se massas linfomatóides pelo ânus em gatos e em cães com linfoma colorretal (COUTO, 2001).
Os sinais clínicos e os achados físicos em gatos com linfomas extranodais são extremamente variáveis e dependem da localização da(s) massa(s). Em geral, os sinais clínicos são resultado da compressão ou deslocamento de células parenquimatosas normais no órgão acometido (por exemplo, azotemia no linfoma renal, sinais neurológicos variáveis no linfoma do sistema nervoso central). As formas extranodais mais evidentes nos gatos são a nasofaríngea, ocular, renal e neural (COUTO, 2001).
2.3 CARACTERÍSTICAS HEMATOLÓGICAS E BIOQUÍMICAS SÉRICAS
Em geral, os exames hematológicos e bioquímicos séricos são úteis para investigação diagnóstica em casos de linfoma (MALIK, GABOR, CANFIELD, 2003). Porém é raro fechar um diagnóstico somente com esses dados (NELSON; COUTO, 1994).
Uma variedade de anormalidades hematológicas e bioquímicas séricas não-específicas pode ser detectada em gatos com linfoma (NELSON; COUTO, 1994).
O hemograma completo, incluindo a contagem plaquetária, é uma etapa necessária de qualquer avaliação em gatos com suspeita de linfoma (VAIL, 2004). As anormalidades hematológicas comuns incluem anemia, leucocitose, presença de células linfóides anormais no sangue periférico (leucemia de células do linfossarcoma), trombocitopenia, citopenias isoladas ou combinadas e reações leucoeritroblásticas, dentre outras (NELSON; COUTO, 1994).
As anormalidades da bioquímica sérica, frequentemente refletem a região anatômica acometida (VAIL, 2004). E resultam ou da produção de substâncias bioativas pelas células tumorais (paraneoplasia) ou de insuficiência orgânica secundária à infiltração neoplásica. E essas alterações são mais comuns em cães do que em gatos (NELSON; COUTO, 1994)
2.4 DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
O diagnóstico por imagem (radiografia, ultrassonografia ou tomografia computadorizada) pode ser importante para o diagnóstico, especialmente naqueles casos que não apresentam linfadenopatia
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periférica ou que estão limitados a regiões intracavitárias ou extranodais. O diagnóstico por imagem é igualmente importante para a classificação clínica (por exemplo, determinar a extensão da doença), já que seu resultado pode influenciar significativamente no prognóstico final e alterar a propensão do profissional de saúde em prosseguir com a terapia (VAIL, 2004).
2.4.1 Características Radiográficas
O mediastino é um espaço virtual situado na linha média entre os espaços pleurais direito e esquerdo (FIGURA - 1). Contendo o coração, a traquéia, vasos sanguíneos importantes, esôfago, linfonodos, nervos e em animais jovens, o timo (LEE, 1999).
O mediastino pode ser dividido em cranial, porção cranial ao coração; medial, porção média contendo o coração; e caudal, porção caudal ao coração. O mediastino também pode ser dividido em porções dorsal e ventral (THRALL, 2002).
Figura 1 – Região mediastínica (área pontilhada). Fonte: AGUT, 2002.
Em uma radiografia pode-se identificar, em geral, o coração, a aorta, a veia cava caudal, a traquéia e em animais jovens o timo. O restante das estruturas não pode ser visualizado devido ao seu
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pequeno tamanho ou também por estarem rodeadas de tecido de densidade radiopacidade similar (LEE, 1999).
Massas mediastinais são comuns e sua aparência radiográfica é frequentemente similar. As projeções ventrodorsal ou dorsoventral são mais úteis do que a vista lateral para decidir se uma massa anormal está localizada no mediastino ou no pulmão (THRALL, 2002).
Figura 2- Projeção ventrodorsal do tórax de gato. Fonte: BURK, 1996.
Nota: Presença de massa em mediastino cranial associada com pequena quantidade de fluido pleural entre os lobos pulmonares (setas).
Massas no mediastino cranioventral causam um aumento de opacidade nessa área, de tal modo que a radioluscência pulmonar no tórax cranial é perdida. Tais massas deslocam a traquéia dorsalmente e poderão produzir um sinal de silhueta com a margem cranial do coração. Um linfonodo supra-esternal aumentado de tamanho produz uma opacidade de tecido mole acima da segunda esternébra. Massas craniodorsais tendem a deslocar a traquéia ventralmente e à direita. (KEALY; McALLISTER, 2005).
Massas na área hilar causam um aumento na opacidade ao redor da bifurcação traqueal e poderão deslocar ou comprimir os troncos bronquiais. Linfonodos traqueobronquiais aumentados de
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tamanho deslocam a traquéia terminal ventralmente e separam os troncos bronquiais na projeção dorsoventral e o esôfago será deslocado dorsalmente (KEALY; McALLISTER, 2005).
Massas no mediastino caudal produzem opacidades mal definidas sobrepostas aos lobos pulmonares caudais e poderão produzir um sinal de silhueta com o diafragma. O esôfago e a veia cava caudal poderão estar deslocados (KEALY; McALLISTER, 2005).
O líquido no interior do tórax que poderá acompanhar as massas mediastinais pode ocultar a lesão mediastinal, particularmente no tórax caudal (KEALY; McALLISTER, 2005). Se a quantidade de líquido presente for pequena, uma radiografia lateral com o animal em pé utilizando um feixe horizontal será muito útil (LAVIN, 1999). A toracocentese ou a diurese pode ser utilizada para melhorar a visualização (KEALY; McALLISTER, 2005).
2.4.2 Características Ultrassonográficas
A ultrassonografia pode ser usada para verificar a presença de uma massa mediastinal em um paciente previamente avaliado radiograficamente. É usada para detectar a origem da massa, já detectada no exame radiográfico, e distinguir gordura de massa de origem vascular ou pulmonar. Além disso, a ultrassonografia auxilia na avaliação da natureza e extensão da lesão (CARVALHO; PEREIRA, 2004).
A visibilização de uma massa mediastinal depende de sua localização e tamanho ou de se obter uma boa janela acústica que auxilie a varredura. Para a varredura do mediastino cranial utilliza-se uma janela intercostal paraesternal; para o mediastino caudal e médio utilizam-se, respectivamente, as janelas intercostal ou hepática e a janela cardíaca (CARVALHO; PEREIRA, 2004).
O linfoma é o tipo mais comum de lesão mediastinal em massa encontrado nos gatos. A aparência clássica é uma massa hipoecóica nodular (ou massas) com um contorno fino, distinto e ecogênico (FIGURA – 3). E alguns casos, as massas podem aparecer coalescentes e se tornar maiores, com margens irregulares ou cheias de protuberâncias. Em outros casos, pode haver massas grandes, lisas, homogêneas e relativamente hipoecóicas. Alguns casos de linfoma possuem uma ecotextura mais heterogênea. Com frequência, a análise por Doppler de fluxo colorido indica extensa vascularização. A efusão pleural, frequentemente grave, é um achado comum, especialmente em gatos, durante a ultrassonografia torácica (MATTOON; NYLAND, 2004).
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Figura 3- Imagem ultrassonográfica de massa (m) mediastinal associada com hidrotótax (h). Fonte: BURK, 1996
2.4.3 Tomografia Computadorizada (TC)
As indicações da TC torácica em pequenos animais são similares às dos humanos. Graças aos avanços tecnológicos e a maior experiência clínica, estas se difundiram nos últimos anos. A TC é usada como estudo diagnóstico complementar aos exames radiográficos. Uma das indicações para realizar a TC é para avaliar o mediastino, caso uma possível anormalidade seja detectada nessa região pelas radiografias torácicas e mesmo em casos onde haja suspeita clínica sem alterações no exame radiográfico. Assim , quando da suspeita de alterações do mediastino e/ou do contorno hilar, a TC contrastada é recomendada (ROMALDINI; NOGUEIRA; VALERIO, 2009).
Na TC torácica de um animal saudável, o mediastino apresenta-se como uma massa compacta delimitada pelos pulmões, conforme demonstrado na figura 4 (VLADOVA; TONEVA; STEFANOV, 2005).
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Figura 4 – Tomografia Computadorizada do tórax de um gato saudável. Fonte: VLADOVA et al, 2005.
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A TC torácica em animais com massas mediastinais é indicada por determinar as seguintes características: a localização e tamanho da massa; número de massas; características atenuadas; e melhor contraste, conforme demonstrado na figura 5 (YOON et al, 2004).
Figura 5- TC do tórax de um gato com massa mediastinal. Fonte: YOON et al, 2004.
Nota: TC, da segunda vértebra torácica, apresentando uma grande e redonda massa em mediastino cranial. Os grandes vasos, traquéia e o esôfago estão deslocados devido à presença da
massa, mas não parecem estar sendo invadidos.
2.5 DIAGNÓSTICO DEFINITIVO
O linfoma pode ser diagnosticado por meio de exames citológicos ou histológicos. O diagnóstico precoce depende da forma de apresentação do linfoma. Cabe ao clínico veterinário, realizar exames complementares para investigar outras possíveis causas de linfoadenomegalia (MORENO; BRACARENSE, 2006).
O exame citológico consiste no fornecimento de material (apenas células) para a realização da análise (KANAYAMA, 2004). A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) tem sido empregada, tanto no homem quanto nos animais, como método de diagnóstico de lesões das mais diversas origens, inclusive neoplásicas. As vantagens desse método estão relacionadas à rapidez do diagnóstico, ao baixo custo e à sua eficácia. Nos casos de linfadenopatia, esse exame permite a diferenciação rápida entre processos
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reacionais benignos e neoplásicos. Quando há suspeita de lesão ou alteração em órgãos internos, como vísceras abdominais ou torácicas, a PAAF também pode ser realizada com auxílio da ultrassonografia (SUZANO; SEQUEIRA; ROCHA, 2008).
Para a realização de PAAF o indicado é ter: equipamentos necessários (seringas, agulhas descartáveis e lâminas); material para assepsia do local (tampões e PVP iodo álcool iodado); preparar o animal e o local da realização da PAAF (tricotomia, se precisar sedar o animal e deixá-lo em jejum); escolher o alvo; e por fim realizar corretamente a técnica, conforme demonstrado na figura 6 (KANAYAMA, 2004).
Figura 6 - Técnica de punção aspirativa por agulha fina. Fonte: MÉNARD et al., 1986.
Citado por TOSTES, 2009.
Nota: uma agulha de 30x7 ou 30x8mm acoplada a uma seringa é introduzida na massa e é aplicada uma pressão negativa (A); a agulha é movimentada em direções diferentes dentro da massa
para obter uma amostra representativa (B); a pressão negativa é desfeita, a agulha é retirada e destacada da seringa (C). A seguir (D a F) são feitos esfregaços imediatamente.
O exame histológico consiste numa prática mais invasiva ao animal, pois esse fornece material (fragmentos) para análise histopatológica, ou seja, é a remoção de pequenos fragmentos (KANAYAMA, 2004).
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A quimioterapia é o tratamento de escolha para os casos de linfoma. O tratamento quimioterápico para gatos com linfoma é dividido em quatro fases estratégicas: indução de remissão, intensificação, manutenção e resgate (NELSON; COUTO, 1994; COUTO, 2001; AMORIM et al, 2006).
O sucesso terapêutico consiste na indução da remissão completa do tumor, seguida pela fase de manutenção quando o êxito é alcançado. Se ao final da fase de indução o paciente obteve apenas remissão parcial, é recomendada a intensificação do tratamento antes que se inicie a fase de manutenção. Se o paciente apresentar recidiva, a reindução da remissão – com um dos protocolos de resgate – deve ser implementada (AMORIM et al, 2006).
Vários protocolos quimioterápicos são indicados para o tratamento de linfoma. Tais protocolos podem ser formulados com a utilização de um único fármaco ou a combinação entre alguns fármacos (MORENO; BRACARENSE, 2006).
Um desses protocolos é o COP, que inclui os quimioterápicos: ciclofosfamida, vincristina e prednisona, com pequenas variações (TESKE et al, 2002; AMORIM et al, 2006).
Outro protocolo quimioterápico muito utilizado é o CHOP, sendo considerado muito bom para o tratamento de linfoma. O protocolo CHOP consiste de ciclofosfamida, doxorrubicina, vincristina e prednisona, com pequenas alterações (WILSON, 2008). A adição de doxorrubicina aos protocolos demonstrou resultados superiores ao esquema de COP utilizado isoladamente em felinos (MOORE et al, 1996; VAIL, 2004).
Protocolos com combinações de fármacos apresentam melhores resultados na obtenção de remissão completa da doença, bem como maior tempo de vida livre de doença e melhor qualidade de vida (MORENO; BRACARENSE, 2006).
A taxa de remissão completa em gatos tratados com diversos protocolos de quimioterapia é de aproximadamente 65% a 75% (AMORIM et al, 2006).
O linfoma mediastínico é a forma de linfoma mais responsiva ao tratamento com quimioterápicos. As taxas de resposta variam de 45% a 90% em alguns estudos. Entretanto, o êxito da terapia é frequentemente dificultado pelo tempo de apresentação da doença e pela dispnéia aguda causada pela efusão pleural. Os gatos que não alcançam a remissão completa, normalmente não sobrevivem mais do que um ano (AMORIM et al, 2006).
Durante a quimioterapia deve-se monitorar o exame hematológico rotineiramente (MALIK; GABOR; CANFIELD, 2003).
A maioria dos gatos com linfoma tem expectativa de vida de seis a nove meses quando tratados com múltiplos agentes quimioterápicos, associados ou não ao tratamento cirúrgico ou radioterápico. Aproximadamente 20% dos animais vivem mais de um ano. Para gatos FeLV-positivos o prognóstico é pior, com sobrevida de três a quatro meses. Felinos FeLV-negativos sobrevivem mais tempo, chegando de 9 a 18 meses de vida, dependendo da forma anatômica (AMORIM et al, 2006).
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3 CONCLUSÃO
O linfoma é um tumor hematopoiético muito comum nos felinos.
Geralmente o aparecimento do linfoma está associado com gatos FIV e FeLV positivos, jovens e machos. Porém não se sabe realmente qual o relação da viremia com o aparecimento do linfoma.
A classificação do linfoma pode ser dividida em quatro apresentações: multicêntrico, mediastinal, alimentar e extranodais. Sendo que nos gatos é mais comum a forma mediastinal e alimentar.
Em casos de linfoma mediastínico, os sinais clínicos mais corriqueiros são a tosse, dispnéia e regurgitação.
Um fator importante em casos de linfoma mediastinal em gatos é poder fechar o diagnóstico de uma maneira mais rápida e precisa. Para isso, é preciso submeter o paciente a diversos tipos de exames. Sendo que nos casos de linfoma mediastinal a avaliação radiológica e ultrassonográfica são fundamentais para um diagnóstico presuntivo. E o diagnóstico definitivo, ocorrerá com os dados obtidos nos exames citológicos e/ou histológicos.
O tratamento de eleição nos casos de linfoma mediastinal é o quimioterápico.
Apesar da efetividade e a duração do tratamento do linfoma felino permaneçam desestimulantes, o mais importante consiste em adquirir maior conhecimento sobre a doença, pois certamente, junto a ele cresce também a efetividade do tratamento, proporcionando ao animal melhor prognóstico, tempo e qualidade de vida.
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REFERÊNCIAS
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