CONSTITUIÇÃO
DE 1937
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CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL DE 1937
O Presidente da Republica dos Estados Unidos do Brasil:
Attendendo ás legitimas aspirações do povo brasileiro á paz politica e social, profundamente perturbada por conhecidos factores de desordem, resultantes da crescente aggravação dos dissídios partidarios, que uma notoria propaganda demagogica procura desnaturar em lucta de classes, e da extremação, de conflictos ideologicos, tendentes, pelo seu desenvolvimento natural, resolver-se em termos de violencia, collocando a Nação sob a funesta imminencia da guerra civil;
Attendendo ao estado de aprehensão creado no paiz pela infiltração communista, que se torna dia a dia mais extensa e mais profunda, exigindo remedios, de caracter radical e permanente;
Attendendo a que, sob as instituições anteriores, não dispunha, o Estado de meios normaes de preservação e de defesa da paz, da segurança e do bem estar do povo;
Com o apoio das forças armadas e cedendo ás inspirações da opinião nacional, umas e outras justificadamente aprehensivas deante dos perigos que ameaçam a nossa unidade e da rapidez com que se vem processando a decomposição das nossas instituições civis e politicas;
Resolve assegurar á Nação a sua unidade, o respeito á sua honra e á sua independencia, e ao povo brasileiro, sob um regime de paz politica e social, as condições necessarias á sua segurança, ao seu bem estar e á sua prosperidade;
Decretando a seguinte Constituição, que se cumprirá desde hoje em todo o paiz: (...)
3 INFLUÊNCIA E CONTEXTO HISTÓRICO
A constituição de 1937, também conhecida como Polaca foi outorgada pelo presidente Getúlio Vargas em 10 de Novembro de 1937, mesmo dia em que implanta a ditadura do Estado Novo, é a quarta Constituição do Brasil e a terceira da república de conteúdo pretensamente democrático. Carta política que acaba mantendo Getúlio no poder. Rompendo com as anteriores, a Constituição de 1937 tinha um caráter centralista e autoritário, influenciada pela Constituição autoritária da Polônia e sendo apelidada, por isso, de Polaca, deu início à Ditadura Vargas. Foi redigida pelo jurista Francisco Campos, ministro da Justiça do novo regime, e obteve a aprovação prévia de Vargas e do ministro da Guerra, general Eurico Gaspar Dutra.
A sucessão presidencial que se preparava para 1938, quando Vargas entregaria o poder a um sucessor civil, já tinha dois candidatos: o governador de São Paulo, Armando Salles de Oliveira, oposição, e o candidato governista José Américo de Almeida. Mas Getúlio não deu atenção nem a um, nem a outro, com a intenção de esvaziar as duas candidaturas. Preparava, sim, terreno para a continuidade de seu governo, e após várias reuniões nas cúpulas do poder, determinou-se que ela só seria possível através de um golpe de estado: o golpe do Estado Novo.
Uma das causas para a instalação do Estado Novo foi a crescente ameaça comunista, verificada não em um, mas em vários episódios ocorridos entre 1934 e 1937. O Congresso permitira a anistia aos antigos perseguidos políticos, entre eles Luís Carlos Prestes, tenentista, líder da Coluna Prestes, que estava filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Sob a orientação da Internacional Comunista, de agentes comunistas estrangeiros e da direção nacional do PCB, foi
4 fundada a ANL (Aliança Nacional Libertadora), tendo Prestes como presidente de honra, com o objetivo de organizar a revolta armada contra o governo de Vargas e formar um governo popular.
DOS DIREITOS E DEVERES DO ESTADO
Papel da Religião, Escola e Trabalho na Constituição de 1937 EDUCAÇÃO
Em termos educacionais, a Constituição de 1937 dá fim às tendências democráticas estabelecidas na Carta de 34. Na Constituição de 34, o Estado se responsabilizava pela educação do país, dando um ensino público (totalmente gratuito) de qualidade a quem quer que seja. Já na Carta de 37, o Estado, de certa forma, se desvincula da educação pública ao se colocar numa posição secundária. O objetivo era, na verdade, que os ricos passassem a “pagar” pela educação dos pobres; isso fica bem claro no artigo 130 da constituição.
– Art 130 - O ensino primário é obrigatório e gratuito. A gratuidade, porém, não exclui o dever de solidariedade dos menos para com os mais necessitados; assim, por ocasião da matrícula, será exigida aos que não alegarem, ou notoriamente não puderem alegar escassez de recursos, uma contribuição módica e mensal para a caixa escolar. –
Não era o interesse do Estado dar uma educação geral e gratuita para a população. Pelo contrário, a intenção era manter esse dualismo:
5 Os ricos estudariam nos sistemas públicos ou privados e os pobres, sem acesso a esses sistemas, estudariam nas escolas profissionalizantes.
A partir de 1942, com as Leis Orgânicas do Ensino (definidas pelo Ministro da Educação, Gustavo Capanema), a regulamentação da escolaridade no Brasil começou a ter efeito. Essas leis garantiram a estruturação do ensino industrial, trouxe mudanças para o ensino secundário e reformou o ensino comercial a partir da criação do SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
TRABALHO
Apesar do seu reconhecimento como defensor dos trabalhadores, Getúlio não se colocava de tal forma. Garantia que as mudanças, beneficiárias à classe trabalhadora, visavam a melhoria da economia do país.
Uma das medidas tomada por Vargas na Carta de 37, como forma de evitar maiores dificuldades no controle, foi a instituição da unidade sindical e a hierarquização dos sindicatos; diante de uma estrutura hierárquica seria mais simples controlar todo o sistema. Outra medida, foi a criação do imposto sindical, instituto pelo qual o trabalhador passou a ser obrigado a contribuir anualmente, com um valor equivalente a um dia de trabalho, ao sindicato que o representa.
É importante citar que, não na Constituição de 37, mas com a criação das Leis Trabalhistas (CLT), Getúlio ficou conhecido como “pai dos pobres”; suas leis beneficiaram fortemente os trabalhadores com a criação do salário mínimo e da carteira de trabalho, jornada de 8 horas de trabalho, férias remuneradas, direito a previdência, regulamentação do trabalho do menor e da mulher, etc.
6 RELIGIÃO
Na Constituição de 37 a religião está definitivamente fora do foco, sendo citada apenas seis vezes. O Estado se estabelece como laico, dando a “todos os indivíduos e confissões religiosas o direito de exercer pública e livremente o seu culto...” (Art. 122). Nos moldes das Constituições anteriores, a Carta de 37 previa que o Estado não estabeleceria, subvencionaria ou embaraçaria o exercício de cultos religiosos; ou seja, reconheceu a liberdade de culto.
Também deixou de ser obrigatório o ensino religioso como matéria nas escolas primárias, normais e secundárias. Fora isso, a religião, em especial a cristã, somente permanece presente e inevitável quando nos feriados.
DIVISÃO DOS PODERES
A tônica da mudança é o fortalecimento do Executivo, que passa a legislar por Decreto-Lei (art. 38), salvo em algumas matérias (art.13). As tendências autoritárias tornaram-se centrais a partir do golpe de Getúlio Vargas e da elaboração da Constituição de 1937, que era completamente desequilibrada em termos de relação entre os Poderes. Em substituição ao Congresso Nacional, haveria um "Parlamento Nacional", a ser composto por duas Casas: a Câmara dos Deputados e um "Conselho Federal", que substituiria o Senado. No entanto, o Parlamento Nacional nunca veio a ser instalado, e o Presidente da República fez amplo uso de decretos-leis, que lhe permitiram legislar sobre matérias de competência legislativa da União.
7 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA CONSTITUIÇÃO DE 1937
Através da justificativa de um estado de guerra, a Constituição de 1937 entrou em vigor sem uma resposta do povo. Como medidas centralizadoras e autoritárias podemos citar a extinção dos partidos políticos, redução do poder Legislativo e fim da divisão federativa. Era possível, pelo presidente, a nomeação e demissão de interventores estaduais e a demissão sumária de qualquer servidor público. Foi novamente instaurada a pena de morte e instituído o estado de emergência que permitia a suspensão de imunidades parlamentares, o exílio, prender e invadir domicílios. O mandato presidencial foi ampliado para 6 anos.
Alguns instrumentos foram criados para auxiliar o funcionamento do novo regime ditatorial. O DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) foi instituído com o objetivo de manipular ideologicamente a população mantendo um medo de uma suposta ameaça comunista no ar e ao mesmo tempo criar uma boa imagem de Getúlio. A Polícia Secreta foi outro utensílio que foi criado para reprimir indivíduos que eram considerados como perigosos contra a ordem pública. O último instrumento, com influência fascista, foi a vinculação dos trabalhadores as sindicatos. Dessa forma o ele poderia melhor controlar a massa operária e sua influência política e manipulá-los de acordo com seus interesses.
- Aboliu-se a invocação ao nome de Deus;
- Concentração de poderes ao chefe do Executivo;
- Determinou-se eleições indiretas para presidente, cujo mandato será de seis anos;
8 - O Senado Federal passou a ser denominado de Conselho Federal;
- Restringiu a autonomia dos Estados-Membros; - Criou a técnica do estado de emergência; - Os órgãos legiferantes foram dissolvidos; - Foi estabelecida a pena de morte;
- Extinguiu-se o federalismo; - Suprimiu-se o liberalismo;
- Retirou-se o direito de greve do trabalhador;
- O Governo tinha a prerrogativa de expungir funcionários opositores do regime;
- Mandato presidencial prorrogado até a realização de um plebiscito, o que nunca se realizou;
- Extirpou-se os partidos políticos e a liberdade de imprensa, vigorando a censura prévia;
- Possibilitou que o Presidente da Republica interferisse nas decisões do Judiciário, pois lhe possibilitava submeter à apreciação do Parlamento as leis declaradas inconstitucionais, podendo o Parlamento desconstituir esta declaração e inconstitucionalidade através de dois terços de seus membros;
- Restringiu os direitos individuais e desconstitucionalizou o instituto da ação popular e o mandado de segurança.