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PROGRAMA REGIONAL DE PREVENÇÃO DE QUEDAS EM IDOSOS

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PROGRAMA REGIONAL DE PREVENÇÃO DE

QUEDAS EM IDOSOS

2019-2022

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Prefácio

O Governo Regional tem por missão na área da saúde garantir a saúde dos seus

cidadãos, isto é promover as condições adequadas para que as estratégias de

promoção da saúde e prevenção da doença tenham a possibilidade de poderem ser

concretizadas.

Nesse sentido a estratégia do PRPQIRAM (Programa Regional de Prevenção de Quedas

em Idosos na RAM) tem como objetivo evitar as quedas dos idosos na RAM a fim de

diminuir a morbilidade e a mortalidade e também os custos relacionados com as

quedas.

Esta nova estratégia vai ao encontro do Plano Estratégico do Sistema Regional de

Saúde 2011-2016 (PESRS) extensivo a 2020 e é o referencial de médio prazo que

orienta a atuação estratégica do setor da saúde na Região Autónoma da Madeira.

A queda é o acidente doméstico mais frequente e a principal causa de morte acidental

na população com idade superior a 65 anos, o que faz deste um tema de grande

atualidade, representando um desafio importante na medicina dos nossos tempos

Com o envelhecimento, o controlo postural é posto em causa levando a alterações que

podem ir desde a instabilidade até às quedas, as quais constituem um problema de

saúde pública, de grande impacto social, enfrentado por todos os países em que

ocorre um expressivo envelhecimento populacional.

A madeira não e exceção e cerca de 16% da nossa população tem mais de 65 anos

A definição de queda não é consensual, variando de acordo com os diferentes autores.

A mais abrangente define queda como “deslocamento não intencional do corpo para

um nível inferior à posição inicial, com incapacidade de correção em tempo útil e

determinado por circunstâncias multifatoriais que comprometem a estabilidade”.

Segundo Tinetti mais de um terço dos idosos caem todos os anos e, em 50% destes

casos, as quedas são recorrentes. Ainda segundo o mesmo autor, as quedas

representam 10% das idas ao serviço de urgência e destas 6% são motivo de

internamento.

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Alguns estudos evidenciam que entre 40 a 60% das quedas provocam algum tipo de

lesão, sendo 30 a 50% de gravidade minor, 5 a 6% de gravidade major e ainda 5% de

fraturas, não e portanto assunto desprezível.

Quem sofre uma queda apresenta um maior risco para voltar a cair no ano seguinte de

cerca de 60 a 70%. Além disso, uma percentagem elevada dos idosos que caem e que

sofrem lesões apresentará redução da mobilidade, da independência e aumento do

risco de morte. Predispõem à queda diversos fatores de risco. Podem ser intrínsecos,

extrínsecos, comportamentais e ter um efeito cumulativo.

Fatores de risco intrínsecos:

Idade

Sexo feminino

História prévia de quedas

Polimedicação (uso de 4 ou mais fármacos em simultâneo)

Alteração da marcha e do equilíbrio

Sedentarismo

Défice cognitivo

Alterações da visão

Alterações ortopédicas

Estado psicológico

Estado funcional (grau de dependência

Fatores de risco extrínsecos:

Iluminação deficiente

Piso irregular e/ou escorregadio

Degraus altos e estreitos

Ausência de corrimão (casa de banho e escadas)

Tapetes soltos

Obstáculos (mobiliário)

Roupa e sapatos inadequados

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Fatores comportamentais:

Grau de exposição ao risco – os dois grupos extremos em termos de atividade (mais

inativos e mais ativos) são os que têm maior risco de queda.

Perante um doente com esta patologia o médico não pode ter uma atitude passiva,

mas antes iniciar uma abordagem diagnóstica e terapêutica agressiva e multidisciplinar

mediante a qual serão identificados os fatores de risco de queda de maneira a

promover a qualidade de vida do idoso, no seu dia-a-dia no domicílio, unidade de

saúde e comunidade.

E preciso pois atuar na sensibilização na prevenção

Os programas de prevenção de queda no idoso devem focar-se numa abordagem

multidisciplinar do doente, atuando ao nível dos fatores de risco intrínsecos e

extrínsecos, definindo objetivos que devem ser atingidos a curto, médio e longo prazo,

evitando assim quadros de isolamento, solidão e depressão que são comuns neste

grupo etário com esta patologia.

Pretende-se com esta medida não só reduzir custos associados mas também sermos

mais eficientes na gestão deste problema.

Esperamos que o PRPQIRAM responda a esta situação na RAM com sucesso

Obrigado a toda a equipe sem exceção, que idealizou-concebeu-esta estratégia em

prol da nossa população idosa na RAM.

O trabalho multidisciplinar do SESARAM, EPE e do IA-Saúde-IPRAM é mais uma vez

posto a prova com sucesso devido a competência, diferenciação em várias áreas dos

seus profissionais.

Pedro Ramos

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Elaborado por:

CAIR – PQI RAM - Comissão de Avaliação para a Implementação de Recomendações

para a Prevenção de Quedas em Idosos na Região Autónoma da Madeira. (Comissão

da Secretaria da Saúde nomeada pelo Despacho nº 58/2018, publicado no Joram - II

série nº 24 de 12 de fevereiro de 2018

 Ricardo Miguel Velosa Silva – Enfermeiro Supervisor

 Ana Luísa C. Lopes – Médica de Medicina Geral e Familiar

 Marta Dora Freitas Ornelas – Médica de Medicina Geral e Familiar

 José Anacleto Câmara Leme Mendonça - Médico Especialista em Ortopedia

 Helena Paula Lemos Silva Ornelas – Enfermeira Especialista em Enfermagem de

Reabilitação

 Cisaltina Maria Sousa Pinto – Enfermeira Especialista em Enfermagem de

Reabilitação

Revisão

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ÍNDICE

Prefácio 0. INTRODUÇÃO ... 7 1. ENQUADRAMENTO ... 9 2. VISÃO ... 9 3. FINALIDADE E OBJETIVOS ... 10 4. EIXOS E MEDIDAS ... 12 5. MONITORIZAÇÃO E AVALIAÇÃO ... 18 6. BIBLIOGRAFIA ... 22

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0. INTRODUÇÃO

Os acidentes representam a quinta causa de morte nos indivíduos com idade igual ou

superior a 65 anos, sendo as quedas responsáveis por dois terços destas mortes

acidentais (1). A taxa de mortalidade aumenta exponencialmente com a idade em

ambos os sexos, sendo mais elevada no grupo etário dos 85 anos ou mais e no género

masculino (2)(3).

A presença de doenças crónicas, comuns nesta faixa etária, como osteoporose e

osteopenia, predispõe o indivíduo a um maior risco de sofrer uma lesão no contexto

de uma queda, podendo inclusive uma ligeira queda ser considerada potencialmente

perigosa (4).

A etiologia das quedas é frequentemente multifatorial, devido a alterações

relacionadas com a idade, com patologias associadas, com a polimedicação e com o

meio ambiente (2)(4)(5)(6). A maioria das quedas (55%) ocorre em casa, sendo as suas

principais causas o “escorregar” ou “tropeçar”, seguindo-se as quedas por

transferência de uma posição para outra, ou a subir e descer escadas ou degraus

(5)(7). Também podem ocorrer durante as atividades de vida diária (AVD), devido a

alterações posturais ou do reflexo vasovagal (6). Os défices da marcha e do equilíbrio

constituem uma das principais razões de queda nos idosos, relatada por pelo menos

30% dos idosos (8).

As consequências psicológicas mais frequentemente identificadas nos idosos,

decorrentes de quedas, são o medo de cair e a perda de confiança. Destas advêm

limitações funcionais com impacto, quer na atividade física, quer na interação social.

Para além disso, os custos imputáveis a estas quedas estão relacionados com os

cuidados de saúde necessários e com a perda de produtividade dos próprios ou dos

seus familiares, representando gastos económicos significativos (2)(4)(5).

De acordo com a literatura, o risco de queda pode variar entre 8%, na ausência de

fatores de risco, e 78%, quando estão presentes quatro fatores de risco (9).

Segundo a revisão de Al-Aama et al (9)., os fatores com maior evidência de risco de

queda, por ordem decrescente do grau de evidência, são: história de quedas

anteriores; alterações do equilíbrio; diminuição da força muscular; alterações visuais;

uso de mais de quatro fármacos; medicação psicotrópica; alterações da marcha;

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depressão; tonturas; limitações funcionais; idade superior a 80 anos; sexo feminino;

incontinência de esfíncteres; alterações cognitivas; osteoartrose; diabetes mellitus e

dor (9). Porém, devido à heterogeneidade nos estudos, não houve consenso entre as

diferentes meta-análises consultadas.

“As mais recentes recomendações publicadas pela U.S. Preventive Services Task Force

apontam para a avaliação individual do risco em todas as pessoas de mais de 65 anos,

a fim de identificar as que têm risco acrescido de queda, de forma prática e rápida” - In

Programa Nacional de Prevenção de Acidentes – DGS (10).

A Secretaria da Saúde da Região Autónoma da Madeira considerou ser necessário

criaro Programa Regional de Prevenção de Quedas em Idosos (PRPQI) que fosse ao

encontro deste desiderato, adaptando à especificidade da região algumas das

orientações, relativas ao objetivo estratégico seis, “Prevenir a Ocorrência de Quedas,

plasmadas no Despacho n.º 1400-A/2015, que comtempla “O Plano Nacional para a

Segurança dos Doentes 2015-2020” (11), incorporando e sistematizando em eixos

estratégicos e dimensões algumas das medidas implementadas e a implementar na

nossa Região.

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1. ENQUADRAMENTO

O Programa Regional de Prevenção de Quedas em Idosos (PRPQI) está alinhado com a

estratégia regional definida no Plano Estratégico do Sistema Regional de Saúde –

Extensão a 2020, que na sua área programática da Saúde Pública define como objetivo

“Fomentar um estado de compromisso coletivo de prevenção de acidentes e lesões

externas”, e que apresenta como recomendação de ação para cada estratégia regional

“Atribuir maior ênfase à prevenção nas unidades prestadoras de cuidados e serviços

de saúde”.

Segundo o Despacho n.º 1400-A/2015, que comtempla “O Plano Nacional para a

Segurança dos Doentes 2015-2020”, no que se refere ao eixo estratégico seis,

“Prevenir a Ocorrência de Quedas, o mesmo refere que “o envelhecimento da

população é uma realidade nacional, o que faz prever que esta problemática se venha

a acentuar. A estratégia de intervenção que deve ser adotada consiste na prevenção

de quedas, designadamente na avaliação e monitorização do risco da sua ocorrência,

investindo-se, assim, na melhoria da qualidade de vida dos doentes e,

simultaneamente, na redução dos custos para a sociedade em geral e o sistema de

saúde em particular”.

2. VISÃO

As estratégias apresentadas no PRPQI evocam, ainda, a visão holística de promoção da

saúde e da segurança apresentadas no Programa Nacional de Prevenção de Acidentes

2010-2016, designadamente, “contribuir para a obtenção de ganhos em saúde da

população portuguesa, através de ações que promovam comportamentos seguros e

competências específicas para lidar com o risco de acidente, integrando as atividades

do sector da Saúde com as de outros sectores”.

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3. FINALIDADE E OBJETIVOS

O PRPQI pretende desenvolver recomendações e implementar medidas no sentido da

promoção da saúde e da segurança com incidência na população idosa, com a

finalidade de diminuir a ocorrência de quedas em contexto institucional e no domicílio,

a fim de diminuir a morbilidade e a mortalidade e também os custos relacionados com

as mesmas.

No domínio dos objetivos estratégicos, propõe-se:

1) Definir orientações, que consistam num referencial para os profissionais de saúde, na identificação de fatores de risco de queda, na planificação de atividades preventivas, na monitorização e nos cuidados no âmbito da queda.

2) Definir medidas para capacitar os cidadãos, cuidadores e comunidade para a implementação de medidas de autoproteção e de comportamentos preventivos.

Tendo como referencial um espaço temporal de 4 anos e os indicadores de

avaliação do PRPQI à frente enumerados, descrevem-se os principais objetivos

operacionais deste programa:

Objetivos operacionais

a) Desenvolver e adotar instrumentos de avaliação de risco individual de quedas, adequados a cada contexto e idade.

b) Eliminar/mitigar os fatores contribuintes identificados nas quedas reportadas c) Implementar planos de ação transversais para corrigir ou mitigar os riscos comuns d) Disponibilizar procedimentos de auditoria/monitorização das medidas preventivas e) Avaliar as condições de segurança das habitações dos utentes idosos com risco

individual elevado de queda

f) Melhorar a interligação e acessibilidade dos cidadãos em risco, aos cuidados de saúde e garantir a qualidade da sua prestação, designadamente através de uma adequada articulação entre os diferentes níveis de cuidados.

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11 g) Garantir o funcionamento de uma rede de referenciação para os diferentes níveis de

cuidados que permita o atendimento em tempo útil.

h) Aumentar o número de utentes com conhecimento sobre os fatores de risco modificáveis de quedas e as medidas preventivas que possam ser instituídas pelos mesmos.

i) Produzir material informativo com linguagem adequada e acessível a toda a população, utilizando diferentes meios de difusão.

j) Formar os cuidadores de utentes idosos para adoção de medidas preventivas de queda no domicílio.

k) Promover as modificações estruturais necessárias à garantia daa segurança do idoso no domicílio

l) Promover a abertura necessária à integração de diferentes sectores no alcance de objetivos comuns, identificando instituições/entidades com importância na comunidade e que possam potenciar as ações anteriormente descritas.

m) Capacitar os profissionais de saúde para a promoção da segurança, a prevenção dos acidentes e o desenvolvimento de aptidões para gerir o risco.

n) Aumentar o número de profissionais de saúde sensibilizados para a importância do reconhecimento, correção e avaliação periódica dos fatores de risco clínicos de queda o) Reforçar a robustez do sistema de notificação de quedas a nível das instituições de

saúde.

p) Desenvolver um sistema de registo que permita a notificação das quedas de idosos ocorridos no domicílio e a sua caraterização.

q) Nomear uma equipa responsável pela análise compreensiva dos indicadores face aos dados colhidos.

r) Apresentar periodicamente à tutela e aos profissionais envolvidos e à população os dados obtidos.

s) Envolver o cidadão, os cuidadores informais, os profissionais de saúde e a comunidade;

t) Integrar as Inovações existentes em termos de materiais e equipamentos preventivos das quedas;

u) Promover um ambiente seguro quer nos domicílios visitados, quer nos serviços de internamento;

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4. EIXOS E MEDIDAS

Os eixos estratégicos do PRPQI estão orientados para as ações a desenvolver, no sentido de facilitar a sua integração.

Eixo 1 – VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Conceito: A atividade sistemática e continuada de recolha, tratamento e transmissão de

informação acerca das mais diversas situações relacionadas com a saúde

Medidas implementadas/a implementar:

 Estabelecer localmente metas anuais com base nos indicadores definidos de prevalência e incidência, monitorizando a sua evolução com base em benchmarkings de boa prática;

 Promover a notificação e registo das quedas, investigar as suas causas para prevenir a recorrência das mesmas;

 Estabelecer parcerias para a pesquisa e investigação/ação desde fenómeno com Departamentos e Institutos de Investigação da Saúde, Escolas Superiores de Saúde, Universidades e outras forças académicas;

 Implementar e monitorizar um processo assistencial integrado como modelo de intervenção para a diminuição das quedas dos idosos no domicílio;

 Desenvolver sistemas de informação que permitam o registo e a extração de indicadores de qualidade e segurança relativos a este fenómeno;

 Publicar Dashboard de indicadores de estrutura, processo e de resultado de qualidade e segurança, das medidas implementadas;

 Utilizar os dados de vigilância para priorizar as intervenções preventivas e corretivas nos contextos institucionais com maior prevalência de quedas;

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Eixo 2 – AVALIAÇÃO DOS FATORES DE RISCO INDIVIDUAIS E MULTIFATORIAIS ASSOCIADOS ÀS QUEDAS

Conceito: Determinar a probabilidade de ocorrência de um dano, face a determinantes

individuais da saúde, a fatores biológicos, sociais, comportamentais e ambientais que possam concorrer para a ocorrência de queda.

Medidas implementadas/a implementar:

 Nas Instituições de saúde, proceder na admissão ao internamento, a uma avaliação inicial do risco de quedas a todos os utentes utilizando uma Escala de Risco de Quedas validada e proceder à sua monitorização regular de acordo com as necessidades.  Nas Instituições de saúde, implementar sistemas de alerta imediato através da

utilização de pulseira de sinalização com cor diferenciada para o risco de queda, adaptada às necessidades específicas de cada serviço;

 Acompanhar e promover estudos para a implementação, validação e verificação da fiabilidade de escalas de Risco de Quedas cada vez mais adequadas a cada contexto;  Na comunidade, proceder ao mínimo de uma avaliação anual do risco individual de

queda no idoso de acordo com o Processo Assistencial Integrado (PAI), do Risco de Queda no Domicílio do Idoso na RAM.

 Proporcionar uma avaliação clinica regular de saúde dos idosos em termos de: polimedicação; no controlo das agudizações; avaliação da acuidade visual, da força muscular, do equilíbrio e das alterações cognitivas e comportamentais.

 Proceder à avaliação das condições de segurança das habitações dos idosos, cujo risco individual de queda seja elevado, utilizando escala validada.

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Eixo 3 – IMPLEMENTAÇÃO DE MEDIDAS CORRETIVAS E DE MITIGAÇÃO DO RISCO DE QUEDA Conceito: são ações para reduzir, gerir ou controlar qualquer dano futuro, ou probabilidade de

dano, associado à queda e aos seus fatores contribuintes identificados.

Medidas implementadas/a implementar:

 Implementar planos de cuidados para os utentes sinalizados de acordo com grau de risco identificado (baixo risco, risco moderado e alto risco);

 Proceder a análise dos fatores causais da queda e implementar planos de ação locais preventivos da sua recorrência;

 Implementar a metodologia de análise causa-raiz obrigatória, nas quedas, cuja gravidade do dano ou risco de recorrência seja elevado.

 Promover intervenções individuais de acompanhamento (vigilância, educação para a saúde…) aos doentes com maior risco de quedas;

 Proceder nas instituições de saúde a auditorias preventivas periódicas conforme procedimento existente;

 Efetuar o levantamento por unidade/ serviço, da adequação das camas e macas hospitalares, cadeiras de rodas e de higiene (sistemas de travagem, hidráulica, guardas laterais de apoio), que estejam obsoletas ou avariadas, procedendo à sua substituição/renovação;

 Efetuar avaliação dos pontos de iluminação nas camas bem como dos alarmes de chamada que devem estar em bom estado de funcionamento e acessibilidade;

 Ponderar para as unidades com maior prevalência de quedas a aquisição de alarmes individuais (sensores de pressão e/ou de movimentos), para uma rápida sinalização de levantes inadvertidos;

 Adquirir revestimentos e coberturas anti deslizantes, para as cadeiras e cadeirões;  Avaliar as locais de maior ocorrência de quedas em termos de barras de apoio e

dispositivos de proteção para maior segurança (WC, Corredores, escadas…)

 Promover as intervenções necessárias à correção e melhoria das condições de segurança das habitações dos idosos com risco elevado de quedas com base nos resultados da escala aplicada.

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Eixo 4 – CAPACITAÇÃO DOS CIDADÃOS PARA IMPLEMENTAR MEDIDAS PREVENTIVAS Conceito: Estar apto para desenvolver determinadas atividades preventivas

Medidas implementadas/a implementar:

 Implementar sessões individuais e coletivas de educação para a saúde, sobre fatores de risco de queda, na proteção individual e no controlo de fatores de risco externos;  Disponibilizar folhetos educativos sobre prevenção de quedas;

 Disponibilizar vídeos de conteúdos educativos preventivos para campanha televisiva regional, redes sociais e vídeowall nas instituições de saúde.

 Promover a adoção de hábitos de vida saudáveis;  Proporcionar sessões de exercício físico ao idoso  Proporcionar sessões de treino de atividades diárias

 Implementar parcerias com os centros de dia, juntas de freguesia para a promoção de atividades lúdicas e de lazer promotoras do exercício físico na população idosa

 Promover o acompanhamento do idoso e combater o seu isolamento, reforçando o suporte familiar

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Eixo 5 – CAPACITAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE PARA A PREVENÇÃO DE QUEDAS Conceito: Competência ou aptidão que alguém tem de fazer com que determinadas coisas

aconteçam ou se desenvolvam.

Medidas implementadas/a implementar:

• Reforçar no processo de integração de novos profissionais, a importância da cultura da notificação e análise de quedas na prática diária;

• Implementar formação obrigatória e regular nestas temáticas a todos os grupos profissionais da saúde envolvidos

• Planear sessões formativas com os Centros de Formação das Instituições de Saúde com conteúdos programáticos específicos

• Criar uma rede alargada de profissionais de saúde que sejam elementos de ligação entre as unidades de saúde e o programa de prevenção de quedas.

• Criar uma equipa multidisciplinar de peritos, para colaborar na análise dos fatores contribuintes das quedas e para o acompanhamento das medidas implementadas e a implementar

• Promover as dotações seguras dos profissionais em contexto de internamento e de visitação domiciliária preventiva e corretiva;

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Eixo 6 – AÇÃO INTERSETORIAL

Conceito: ação intersectorial, é entendida como a colaboração necessária entre o setor da

saúde, o setor social, o poder local e outras “forças vivas” da sociedade.

Medidas implementadas/a implementar:

 Promover apoios à melhoria da segurança das habitações avaliadas num projeto de intervenção integrado, com protocolos de atuação com as Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, Associações de Solidariedade Social, Segurança Social entre outros.  Envolver os serviços sociais locais e o maior número de Instituições,

 Criar sinergias, articulando este programa com outros programas em vigor cuja ação promova a qualidade de vida do idoso.

 Identificar parcerias para promoção de ações de educação para a saúde e para a disponibilização ou criação de banco de ajudas técnicas;

 Promover as modificações e as correções dos riscos, detetados numa habitação, são cruciais para a redução do número e da gravidade das quedas;

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5. MONITORIZAÇÃO E AVALIAÇÃO

A Secretaria da Saúde, através do IASAÚDE, IP-RAM, acompanha de forma contínua a implementação do Programa, emite orientações e promove a articulação intersectorial.

A responsabilidade da recolha dos dados é da Comissão para a Avaliação e Implementação de Recomendações para a Prevenção de Quedas em Idosos na RAM (CAIR – PQ), em articulação com os parceiros envolvidos e o IASAUDE, IP-RAM.

Os dados são reportados ao IASAÚDE, IP-RAM numa base semestral. Outros dados de monitorização poderão ser recolhidos por este instituto a partir de relatórios e de sistemas de informação e comunicação nacionais.

A elaboração de relatórios anuais de monitorização da estratégia é da responsabilidade da Comissão, em articulação com o IASAÚDE, IP-RAM.

O IASAÚDE, IP-RAM faz a avaliação final, após a conclusão do período de vigência do programa, tendo como referência os indicadores de monitorização apresentados.

Horizonte temporal

Este programa tem o horizonte temporal de 4 anos, sendo obrigatória a sua avaliação anual

Recursos humanos

Toda a atuação clínica proposta implica a existência de coordenação entre os diferentes profissionais de saúde e os diferentes níveis de cuidados do SESARAM.

A prestação de cuidados de saúde de qualidade, e o alcance das metas propostas, obriga à criação de condições para que os profissionais desempenhem as suas atividades de acordo com os pressupostos deste programa. O referido nível de qualidade é proporcional às qualificações técnicas e humanas dos profissionais, à sua atualização e formação contínua e à sua motivação no alcance dos objetivos da instituição.

Para além dos pressupostos acima descritos, a execução dos eixos estratégicos traçados prevê a nomeação de profissionais de saúde que desempenhem o papel de elos de ligação, responsáveis pela articulação dos diferentes serviços e níveis de cuidados e entre estes e a equipa coordenadora do presente programa.

Especificamente no que às visitas domiciliárias dos utentes de risco diz respeito, a disponibilidade de viaturas e motoristas são essenciais para este fim.

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Recursos tecnológicos

Importa dotar o Portal dos Cuidados de Saúde Primários de ferramentas para o registo da ocorrência de quedas e suas circunstâncias e dos fatores de risco de queda, clínicos e relacionados com o domicílio, permitindo a obtenção de dados de onde se pretende retirar informação estatisticamente válida para planeamento de ações e monitorização dos ganhos em saúde.

Os sistemas de registo portáteis, embora não essenciais ao alcance das metas definidas, poderão ser um auxiliar relevante na prestação de cuidados ao domicílio.

Recursos financeiros

Interessa identificar parcerias e oportunidades de financiamento, como candidaturas a programas ou parceiros que possam apoiar os idosos na correção dos fatores de risco identificados, em especial no que diz respeito à necessidade de ajudas técnicas.

Indicadores

Estratégia de monitorização na Comunidade

O painel de indicadores a considerar na monitorização do PRPQ é o seguinte: Fórmula Comum: (Numerador/Denominador) x100

1 - % Idosos com alto risco de queda

Número de idosos com alto risco de queda

Número de idosos avaliados

2 - % Idosos com avaliação anual de risco de queda

Número de idosos com pelo menos uma avaliação anual do risco de queda

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20 3 - % Idosos de alto risco de queda com habitação avaliada

Número de idosos com alto risco de queda com habitação avaliada

Número de idosos com alto risco de queda

4 - % Idosos que recorreram ao SU por queda

Número de idosos do CS atendidos em SU por queda

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21 Estratégia de monitorização nas Instituições de Saúde

O painel de indicadores a considerar na monitorização do PRPQ em contexto institucional é o seguinte:

 Nº de quedas  Índice de quedas

 Nº de quedas por gravidade do dano  Nº de quedas repetidas

 Nº de quedas por escalão etário  Nº de quedas por Género

 Nº de quedas por intervalo de tempo/turno  Nº de quedas e acompanhamento

 Nº de quedas por local ocorrido  Nº de quedas por score de risco  Nº de quedas por fatores de risco  Nº de óbitos após queda

 Nº de quedas por fator causal

 Nº de quedas por dotação de profissionais

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6. BIBLIOGRAFIA

1. Deandrea S, Lucenteforte E, Bravi F, Foschi R, La Vecchia C, Negri E. Risk factors for falls in community-dwelling older people: a systematic review and meta-analysis.

Epidemiology (Cambridge, Mass). 2010;21:658-68.

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3. Centers for Disease Control and Prevention. Falls Among Older Adults: An Overview - Home and Recreational Safety [2014]. Available from:

http://www.cdc.gov/HomeandRecreationalSafety/Falls/adultfalls.html.

4. Moniz-Pereira V, Carnide F, Ramalho F, Andre H, Machado M, Santos-Rocha R, et al. Using a multifactorial approach to determine fall risk profiles in portuguese older adults. Acta reumatologica portuguesa. 2013;38(4):263-72.

5. Fabre JM, Ellis R, Kosma M, Wood RH. Falls risk factors and a compendium of falls risk screening instruments. Journal of geriatric physical therapy (2001). 2011;33:184-97. 6. Ungar A, Rafanelli M, Iacomelli I, Brunetti MA, Ceccofiglio A, Tesi F, et al. Fall

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10. Direção-Geral da Saúde. Programa Nacional de Prevenção de Acidentes 2010-2016. Available from: http://www.dgs.pt

11. Direção-Geral da Saúde. Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2010. Available from: http://www.dgs.pt

Referências

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