Programa da disciplina de Direitos Fundamentais
Ano letivo de 2014/15
Regente: Jorge Reis Novais
Colaboradores:
Prof. Doutor Domingos Soares Farinho
Mestre Tiago Fidalgo de Freitas
Mestre Tiago Antunes
Dra. Heloísa Oliveira
1- Apresentação da disciplina: programa, bibliografia, aulas e método de avaliação. O objectivo da
disciplina: o estudo dos direitos fundamentais enquanto garantias jurídico-constitucionais. A distinção entre direitos fundamentais e direitos humanos. A importância da fundamentação e do domínio da gramática e da linguagem dos direitos fundamentais.
Bibliografia: A bibliografia sobre direitos fundamentais, mesmo considerando apenas a de língua portuguesa, é inabarcável, pelo que qualquer selecção será sempre discutível. Não havendo um Manual que acompanhe a leccionação da matéria, optou-se pela indicação, relativamente a cada ponto do programa, das páginas das obras do regente da disciplina que correspondem ao sentido das lições, encontrando-se aí suficientes remissões para a literatura especializada.
Principais obras do regente utilizadas na disciplina:
Direitos Fundamentais e Justiça Constitucional em Estado de Direito Democrático, 2012 Direitos Sociais, 2010
Os Princípios Constitucionais Estruturantes da República Portuguesa, 2004 As Restrições aos Direitos Fundamentais, 2003
Com a advertência que noutras obras em língua portuguesa se sustentam, em geral, posições muito diversas do sentido com que a matéria é leccionada neste curso, aconselhamos ainda, para além das anotações aos direitos fundamentais constantes das duas principais Constituições Anotadas (de Gomes Canotilho/Vital Moreira e de Jorge Miranda/Rui Medeiros):
—Jorge Miranda, Manual de Direito Constitucional, IV, Direitos Fundamentais, Coimbra, 2012
—Vieira de Andrade, Os Direitos Fundamentais na Constituição Portuguesa de 1976, Coimbra, 2012
—Ingo Sarlet, A Eficácia dos Direitos Fundamentais, Porto Alegre, 2012
—Melo Alexandrino, Direitos Fundamentais, Lisboa, 2011
—Gomes Canotilho, Direito Constitucional e Teoria da Constituição, Coimbra, 2003
2. Os direitos fundamentais na história do Estado de Direito: no Estado de Direito liberal; no Estado
social e democrático de Direito. O sentido da evolução e a relativa inadequação da ideia das gerações de direitos.
Textos de apoio:
Jorge Reis Novais —Os Princípios Constitucionais Estruturantes da República Portuguesa, págs. 15 ss.
Jorge Reis Novais —Contributo para uma Teoria do Estado de Direito, págs. 59 segs, 179 segs. Jorge Reis Novais —Direitos Sociais, págs. 17 segs, 65 segs.
3. A viragem para um novo constitucionalismo na segunda metade do séc. XX e os direitos
fundamentais enquanto garantias jurídico-constitucionais em Estado de Direito democrático. Sua natureza, alcance e relevância jurídica. A relação entre o princípio do Estado de Direito e o princípio democrático. O novo papel do poder judicial na garantia dos direitos fundamentais em Estado democrático. Os direitos fundamentais como trunfos contra a maioria.
Texto de apoio:
Jorge Reis Novais —Direitos Fundamentais e Justiça Constitucional, págs. 183 segs; 197 segs; 17 segs; 55 segs.
4. A complexidade, as vantagens e as dificuldades da compreensão dos direitos fundamentais como
trunfos. A necessária compatibilização entre direitos fundamentais e outros bens dignos de protecção jurídica. A dependência que a garantia e a realização dos direitos fundamentais apresentam face à necessária intervenção e actuação do Estado. A inadequação constitucional do princípio in dubio pro libertate. A necessidade de uma dogmática sólida de enquadramento jurídico-constitucional dos direitos fundamentais.
Textos de apoio:
Jorge Reis Novais —Direitos Fundamentais e Justiça Constitucional, págs. 65 segs.
5. Conceito de direito fundamental. Direitos fundamentais em sentido formal e em sentido material.
A cláusula aberta. A estrutura típica das normas de direitos fundamentais. Titulares, destinatários e conteúdo dos direitos fundamentais. Algumas distinções dogmáticas essenciais. Enunciado normativo e norma de direito fundamental. Direito fundamental como um todo e cada uma das diferentes faculdades que o integram. Dimensão principal e dimensões secundárias no conteúdo dos direitos fundamentais. Dimensão objectiva e dimensão subjectiva das garantias jurídicas jusfundamentais. Direito fundamental e direito subjectivo.
Texto de apoio:
Jorge Reis Novais —As Restrições aos Direitos Fundamentais não Expressamente Autorizadas pela Constituição, págs. 51 e segs, 57 e segs.
6. Classificações e tipos de direitos fundamentais. As classificações de direitos fundamentais e a
Constituição portuguesa. A distinção entre direitos de liberdade e direitos sociais: na doutrina, nos textos de Direito Internacional de Direitos Humanos e na Constituição portuguesa. Direitos, liberdades e garantias e direitos económicos, sociais e culturais: critérios de sistematização e de distinção. O art. 17º da Constituição e a concepção tradicional sobre a distinção entre direitos, liberdades e garantias e direitos económicos, sociais e culturais. Os direitos análogos a direitos, liberdades e garantias e o pretenso regime de protecção especial dos direitos de liberdade. O regime especial de protecção dos direitos, liberdades e garantias enquanto regime material, orgânico e de revisão constitucional.
Texto de apoio:
Jorge Reis Novais —Direitos Sociais, págs. 333 segs.
7. Crítica da concepção tradicional sobre a distinção entre direitos de liberdade e direitos sociais na
Constituição portuguesa. Crítica da concepção tradicional sobre a existência de dois regimes diferentes de protecção dos direitos de liberdade e dos direitos sociais. Crítica da desqualificação dos direitos sociais enquanto direitos fundamentais. A reserva do financeiramente possível, a natureza positiva, a determinabilidade de conteúdo e a questão da aplicabilidade directa dos preceitos constitucionais sobre direitos fundamentais.
Textos de apoio:
Jorge Reis Novais —Direitos Sociais, págs. 65 segs., 89 segs., 251 segs.
8. A evidenciação da inconsistência e do peso da influência da doutrina tradicional na recente
jurisprudência constitucional portuguesa da crise.
Texto de apoio:
Jorge Reis Novais —"O direito fundamental à pensão de reforma em situação de emergência financeira" in www.e-publica.pt, págs. 6 segs.
9. A natureza constitucional das garantias jusfundamentais e a necessidade de uma dogmática de
direitos fundamentais unitária e abrangente. Os factores de diferenciação no quadro de uma dogmática de direitos fundamentais unitária e os seus reflexos na fixação de diferentes margens de decisão de legislador, administração e poder judicial. A diferente densidade normativa das normas de direitos fundamentais. A diferente natureza dos deveres estatais e das reservas que os afectam. A natureza negativa ou positiva dos direitos.
Texto de apoio:
Jorge Reis Novais —Direitos Sociais, págs. 255 segs., 269 segs.
10. A diferente densidade normativa das normas de direitos fundamentais. Regras e princípios.
Direitos definitivos e direitos sujeitos a ponderação.
Textos de apoio:
Jorge Reis Novais — Direitos Sociais, págs. 269 segs.
Jorge Reis Novais — As Restrições aos Direitos Fundamentais não Expressamente Autorizadas pela Constituição, págs. 322 segs.
11. A diferente natureza dos deveres estatais correlativos ou associados aos direitos fundamentais
(dever de respeitar, dever de proteger e dever de promover) e o controlo judicial da respectiva realização à luz do princípio da separação de poderes. As reservas próprias de cada tipo dos diferentes deveres estatais associados aos direitos fundamentais e o princípio da separação de poderes. O dever estatal de respeito dos direitos fundamentais e a reserva geral imanente de ponderação. O dever estatal de protecção dos direitos fundamentais e a reserva do politicamente adequado ou oportuno. O dever estatal de promoção dos direitos fundamentais e a reserva do financeiramente possível.
Texto de apoio:
12. A natureza negativa ou positiva dos direitos fundamentais em apreciação no caso concreto.
Texto de apoio:
Jorge Reis Novais —Direitos Sociais, págs. 282 segs.
13. A figura e o conceito de restrição aos direitos fundamentais enquanto instância central da teoria
de direitos fundamentais. Restrições expressamente autorizadas e restrições não expressamente autorizadas pela Constituição. Restrições e intervenções restritivas nos direitos fundamentais. O problema do fundamento da admissibilidade de restrições aos direitos fundamentais ou de limites dos direitos fundamentais. Teoria externa, teoria interna e teoria dos direitos fundamentais como princípios.
Texto de apoio:
Jorge Reis Novais — As Restrições aos Direitos Fundamentais não Expressamente Autorizadas pela Constituição, págs. 172 segs; 192 segs; 247 segs; 289 e segs.
14. Posição adoptada sobre o fundamento e as necessidades de controlo das restrições aos direitos
fundamentais. Direitos fundamentais como trunfos, a reserva geral imanente de ponderação como pressuposto lógico da admissibilidade de restrições e as necessidades do controlo da sua constitucionalidade em caso de ocorrência.
Textos de apoio:
Jorge Reis Novais —Direitos Fundamentais e Justiça Constitucional, págs. 65 segs, 68 segs, 87 segs.
15. Estado de Direito, necessidades de controlo das afectações desvantajosas dos direitos
fundamentais e proposta de um modelo constitucionalmente adequado de controlo. A natureza diferenciada das normas de direitos fundamentais e os procedimentos de controlo nos casos difíceis. A delimitação interpretativa do conteúdo do direito. primeira fase ou fase preliminar do processo de controlo: a delimitação do conteúdo constitucionalmente protegido do direito fundamental. A necessidade dessa fase de controlo face aos modelos alternativos: a concepção restritiva própria da teoria interna (que concentra todo o processo de controlo na interpretação do conteúdo protegido do direito fundamental e prescinde do controlo da restrição) e a concepção ampliativa própria da teoria dos princípios (que concentra todo o controlo na ponderação de bens que conduz à imposição de um limite e prescinde da necessidade de interpretação do conteúdo protegido do direito fundamental).
Textos de apoio:
Jorge Reis Novais —Direitos Fundamentais e Justiça Constitucional, págs. 87 segs; 97 segs.
Jorge Reis Novais —As Restrições aos Direitos Fundamentais não Expressamente Autorizadas pela Constituição, págs. 354 e segs, 396 e segs.
16. A fase de verificação da existência de uma restrição ao conteúdo protegido do direito
fundamental. A irrelevância prática da distinção entre restrições e conceitos afins. A necessidade de justificação das restrições aos direitos fundamentais não expressamente autorizadas e o controlo judicial intensivo das razões estatais.
Texto de apoio:
Jorge Reis Novais —Direitos Fundamentais e Justiça Constitucional, págs. 102 segs.
17. A necessidade de controlo da medida de uma restrição a direitos fundamentais. Os chamados
limites aos limites, a sua fundamentação no princípio da dignidade da pessoa humana e os seus diferentes tipos. O art. 18º, nº 2. O princípio da proibição do excesso e os seus diferentes subprincípios (aptidão, indispensabilidade, proporcionalidade, razoabilidade, determinabilidade).
Texto de apoio:
Jorge Reis Novais —Os Princípios Constitucionais Estruturantes da República Portuguesa, págs. 161 segs.
Jorge Reis Novais —Direitos Fundamentais e Justiça Constitucional, págs. 122 segs.
18. O art. 13º e o art. 18º, nº 3. O princípio da igualdade. A proibição de leis restritivas não gerais e
não abstractas.
Texto de apoio:
Jorge Reis Novais —Os Princípios Constitucionais Estruturantes da República Portuguesa, págs. 101 segs.
19. O art. 2º e o art. 18º, nº 3. O princípio da segurança jurídica e da protecção da confiança. A
Texto de apoio:
Jorge Reis Novais —Os Princípios Constitucionais Estruturantes da República Portuguesa, págs. 261 segs.
20. A garantia do conteúdo essencial dos direitos fundamentais. A discutível relevância desta
garantia entre a retórica e a identificação com a proibição do excesso ou com a dignidade da pessoa humana. As várias teorias explicativas: absoluta, relativa, objectiva, subjectiva.
Os limites orgânicos. O sentido da reserva de lei parlamentar.
Texto de apoio:
Jorge Reis Novais —As Restrições aos Direitos Fundamentais não expressamente autorizadas pela Constituição, págs. 727 e segs. e págs. 779 e segs, 823 ss.
21. A relevância jurídica dos direitos fundamentais enquanto direitos positivos. O controlo judicial
da afectação dos direitos fundamentais no âmbito dos deveres estatais de protecção e de promoção. O princípio da proibição do défice. Mínimo de protecção, mínimo social, razoabilidade e dignidade da pessoa humana.
Texto de apoio:
Jorge Reis Novais —Direitos Sociais, págs. 302 segs.
22. O princípio da dignidade da pessoa humana. O sentido da relevância do princípio nos direitos de
liberdade e nos direitos sociais. O dever estatal de protecção e a protecção contra si próprio. A renúncia a direitos fundamentais.
Textos de apoio:
Jorge Reis Novais —Os Princípios Constitucionais Estruturantes da República Portuguesa, págs. 51 segs.
Jorge Reis Novais —Direitos Fundamentais, Trunfos contra a Maioria, págs. 211 e segs.
23. A tutela dos direitos fundamentais. A tutela jurisdicional dos direitos fundamentais. A tutela pelo
Tribunal Constitucional. Incoerência e insuficiência do sistema português de fiscalização da constitucionalidade no domínio da tutela dos direitos fundamentais.
Texto de apoio:
Jorge Reis Novais —Direitos Fundamentais e Justiça Constitucional, págs. 239 e segs, 251 segs, 259 segs.
24. A tutela por parte dos tribunais comuns e a controvérsia doutrinária acerca da invocabilidade dos
direitos fundamentais nas relações jurídicas entre privados. O sentido controverso do art. 18º, nº 1, da Constituição. As diferentes teses de enquadramento do problema.
Textos de apoio:
Jorge Reis Novais —Direitos Fundamentais, Trunfos contra a Maioria, págs. 69 e segs.
Jorge Reis Novais —"A intervenção do Provedor de Justiça nas relações entre privados" in "O Provedor de Justiça, Novos Estudos", Lisboa, 2008, págs. 227 e segs. (este texto está no site do ICJP, no link Institutos da página da FDL).