1º MÓDULO
PROF. DR. JEFFERSON CABRAL AZEVEDO
CURSO DE
HISTÓRIA DA
PSICOLOGIA
HISTÓRIA DA PSICOLOGIA - 1º Módulo
• Prof. Dr. Jefferson Cabral Azevedo
OBJETIVOS:
Discutir o processo de formação das ideias psicológicas e o desenvolvimento da Psicologia como ciência e profissão, relacionando-o ao contexto sócio histórico.
Demonstrar a evolução das ideias psicológicas ao longo da história;
Identificar as principais contribuições filosóficas para o campo da psicologia;
Analisar a influência do contexto sócio histórico para a formação da Psicologia como campo
científico;
Diferenciar os principais movimentos da Psicologia nos séculos 19 e 20;
Analisar o desenvolvimento da Psicologia como profissão no Brasil;
Reconhecer o panorama dos debates contemporâneos da Psicologia.
HISTÓRIA DA PSICOLOGIA
700 a.C. – Origem da Filosofia na Grécia
Psyché (alma) – Logos (razão)
Etimologicamente – Estudo da Alma
- Alma: parte imaterial (pensamento, percepção, desejo, sentimentos)
- Corpo: a parte física
MITOLOGIA E MITO
Mitologia
é a ciência que procura a explicação dos
mitos
, que têm um caráter social desde sua origem, e
só são compreensíveis
dentro do contexto geral da
cultura
em que foram criados.
Mito, do grego,
significa narrar, contar.
No sentido
figurado significa coisa inacreditável. Mito significa
também personagem divinizado. Logia, do grego lógos,
significa estudo, palavra, ciência.
• Representação coletiva;
• Transmitida através de gerações;
• Relata uma explicação do mundo que não se prende à
lógica racional, nem busca comprovações de suas
afirmações.
PENSAMENTO FILOSÓFICO
Filosofia pode ser entendida como o amor pela sabedoria, experimentado apenas
pelo ser humano consciente de sua própria ignorância.
Filósofos Gregos
Pré-socráticos –
Idealista
Materialistas
Sócrates (469-399 a.C.) –
Razão
Essência humana
Platão (427-347 a.C.) –
Alma: cabeça
Alma imortal
Aristóteles (384-322 a.C.) –
Alma mortal
“ Da Anima”
MAIÊUTICA
Maiêutica é um método socrático que consiste
na multiplicação de perguntas, induzindo o
interlocutor na descoberta de suas próprias
verdades e na conceituação geral de um objeto.
Pressupostos de Sócrates:
• “Conhece-te a ti mesmo”;
• Procura o
conceito
;
• Perguntas são meios de chegar ao conceito;
PSYCHÊ
Do grego: “alma”;
Parte imaterial do ser humano;
Pensamento, sentimento,
irracionalidade, desejo, sensação
e percepção.
Platão (Psychê)
Platão concebia a alma como
separada do corpo humano.
Aristóteles, discípulo de Platão,
ganhou notoriedade ao postular
que
alma
e
corpo
são
indissociáveis, para ele, a psyché
era o princípio ativo da vida.
Visões sobre o Homem na Filosofia Grega
Antiguidade Clássica
Platão (429 a 348 a C.)
Inatismo
Conhecimento é
reconhecimento que o sujeito faz ao entrar em contato com
o mundo material
Aristóteles (384 a 322 a C.)
Ambientalismo
Conhecimento é
resultado do contato do
homem com o mundo
material
PENSAMENTO FILOSÓFICO
A filosofia não é um conjunto de conhecimentos prontos,
um sistema acabado, fechado em si mesmo. A filosofia é
uma maneira de pensar e é também uma postura diante do
mundo. Antes de mais nada, ela é uma forma de observar a
realidade que procura pensar os acontecimentos além da
sua vida cotidiana.
Filosofia:
• Nasce na Grécia, meados do século VI (ou VII) a.c.;
• Saber mítico;
• Pensamento racional - Filosofia;
• Não rompe com os pensamentos do passado;
• Atividade racional voltada à discussão e à explicação
intelectualizada das coisas que nos circundam.
PENSAMENTO FILOSÓFICO
(Algumas questões)
De onde viemos?
O que fazemos neste planeta?
Pra onde vamos?
ARISTÓTELES (Psychê)
A "alma" (psyche), para Aristóteles, é a
causa dos fenômenos vitais, podendo ter
diferentes tipos ou níveis de complexidade.
Princípio ativo da vida:
• Vegetais:
alma vegetativa, que se define
pela função de alimentação e reprodução;
• Animais:
alma vegetativa e alma sensitiva
que tem a função de percepção e
movimento.
• Homem:
além da alma vegetativa e da alma
sensitiva, tem a alma racional que tem a
função pensante.
Império Romano –
Cristianismo
Idade Média – 400 anos d.C.
A Igreja Católica monopoliza o saber
Santo Agostinho (354-430)
“
Alma presente de Deus”
O aparecimento do protestantismo levou ao
questionamento da Igreja.
São Tomás de Aquino (1225-1274)
“
Corpo templo da alma”
-
Mercantilismo
- Nova classe social: burgueses
- Avanço das artes e ciência
1300 - Dante – Divina Comédia
1478 - da Vince – Anunciação
1484 - Michelângelo – Davi
1543 - Copérnico – Heliocentrismo
René Descartes (1596-1659)
-
Separa Mente (Alma) x Corpo
Renascimento
O Renascimento foi um movimento cultural, econômico e político que surgiu na Itália do
século XIV, se consolidou no século XV e se estendeu até o século XVII por toda a Europa.
Inspirado nos valores da Antiguidade Clássica e gerado pelas modificações estruturais da
sociedade, resultou na reformulação total da vida medieval, dando início à Idade Moderna.
-No século XVIII, em que as filosofias do Iluminismo começaram a ter um efeito dramático, há um marco nos trabalhos de novos filósofos, como Immanuel Kant e Jean-Jacques Rousseau, que influenciam uma geração nova de pensadores, surgindo, assim a Filosofia do século XIX. Nos finais do século XIX um movimento conhecido como Romantismo buscou combinar a racionalidade formal do passado, com um maior e mais imediato senso emocional e orgânico do mundo. Ideias fundamentais que reluzem esta mudança são a Evolução, como postulado por Goethe, Erasmus Darwi e Charles Darwin.
• Século XIX
- capitalismo,
industrialização.
- crescimento da Ciência
Hegel –
História
Darwin –
Evolucionismo
Augusto Comte –
Positivismo
• Meados do Século XIX
- Máquinas
- Relógio
- Estudo do Cérebro,
Neuroanatomia.
Empiristas e Associacionistas Britânicos
2º Módulo
Prof. Dr. Jefferson Cabral Azevedo
A observação é a mãe do
empirismo.
Empirismo Britânico
Corrente filosófica que estava voltado para o modo
como a mente adquire conhecimento.
Todo conhecimento é derivado da experiência
Teve o principal papel na configuração das primeiras
etapas do desenvolvimento da nova ciência psicológica
Estava voltado para o desenvolvimento da mente, para
o modo como ela adquire conhecimento
a mente se desenvolve por meio do acúmulo
progressivo de experiências sensoriais
Principais empiristas britânicos:
John Locke, George Berkeley, David Hume,
David Hartley, James Mill , John Stuart Mill.
John Stuart Mill
John Locke David Hartley
Empiristas Britânicos
• Nada está na consciência que não tenha estado antes nos órgãos do sentido
• A mente humana nasce como uma tábula rasa
• Toda a fonte do conhecimento é a experiência
John Locke (1632-1704)
An
Essay
Conceming
Human
Understanding
(Ensaio Acerca do Entendimento Humano) - 1690
• ponto culminante de quase vinte anos de estudo
e reflexão -
assinalou o inicio formal do empirismo
britânico;
Se interessava essencialmente pelo funcionamento
cognitivo
Negou a existência de ideias inatas propostas por
Descartes
, retomando Aristóteles – tabula rasa
Tipos distintos de conhecimento - da sensação e da
reflexão.
Impressões sensoriais simples:
as ideias que advêm
da sensação, da estimularão sensorial direta causada
por
objetos
físicos
no
ambiente
Reflexão :
ação da mente sobre essas sensações,
refletindo acerca delas e, assim, gerando ideias.
Depende das ideias já experimentadas por intermédio
dos sentidos
Ideias simples
• podem advir da sensação e da reflexão, sendo recebidas passivamente pela mente. São
elementares e, por isso, não podem ser analisadas nem reduzidas a ideias mais simples.
ideias complexas
• formadas a partir de ideias simples advindas tanto da sensação como da reflexão, se
compõem de ideias simples, razão por que podem ser analisadas ou decompostas em
ideias simples
Essa noção da combinação ou composição de ideias e de sua análise marca o começo da abordagem da
química mental que caracteriza a teoria da associação, na qual ideias simples podem ser vinculadas para
formar ideias complexas – aprendizagem.
A redução, ou análise, da vida mental a elementos ou ideias simples e a associação desses elementos para compor ideias complexas formaram o núcleo da nova psicologia científica.
Locke tratou a mente como se esta se comportasse de acordo com as leis do universo físico. As partículas básicas ou átomos do mundo mental são as ideias simples, conceitualmente análogas aos átomos materiais do esquema mecanicista de Galileu e Newton
Esse foi um passo significativo para vir-se a considerar a mente tal como já se considerava o corpo:
uma máquina.
As qualidades secundárias existem apenas no ato da percepção. Se não mordermos um pêssego, o seu gosto não vai existir. As qualidades primárias, como o tamanho e a forma do pêssego, existem nele quer as percebamos ou não. Noção de Qualidades primárias e secundárias aplicada a ideias sensoriais simples
As qualidades primárias existem no objeto quer as percebamos ou não.
As qualidades secundárias não existem no objeto, mas na percepção que a pessoa tem dele.
A visão mecanicista do universo sustentava que a
matéria em movimento constituía a única realidade
objetiva
.
Sendo
a
matéria
tudo
o
que
existe
objetivamente, é lógico que a percepção de tudo o mais
— cores, odores, sabores, etc. — seria subjetiva. Portanto,
tudo que pode existir independentemente do observador
são as qualidades primárias.
Ao estabelecer essa distinção,
Locke reconhecia o caráter
subjetivo de quase todas as nossas percepções do
mundo
, uma ideia que o intrigou e alimentou sua
necessidade de compreender a mente e a experiência
consciente. Ele introduziu as qualidades secundárias
tentar explicar a falta de correspondência precisa entre o
mundo físico e a nossa percepção.
Uma vez que os estudiosos aceitaram a distinção teórica
entre qualidades primarias e secundárias - a ideia de que
algumas existiam na realidade e outras somente na nossa
percepção - era inevitável que alguém perguntasse se
havia, afinal, alguma diferença real esses dois tipos de
qualidades.
George Berkeley (1685-1753)
An Essay Towards a Theory of Vision (1709) (Ensaio para uma Nova Teoria da Visão)
A Treatise Conce the Principies of Human Knowledge (1710)
(Tratado Acerca dos Princípios do Conhecimento Humano)
Concordava com Locke que todo conhecimento do mundo exterior vem da
experiência, mas discordava da distinção lockeana entre qualidades primárias e secundárias.
Não há qualidades primárias, mas somente o que Locke denominava qualidades secundárias – mentalismo.
A percepção é a única realidade de que podemos estar certos. Não nos é dado conhecer com certeza a natureza dos objetos físicos do mundo vivencial. Tudo o que sabemos é como percebemos esses objetos. Como está dentro de nós, sendo portanto subjetiva, a percepção não reflete o mundo externo. Um objeto físico nada mais é que um acúmulo de sensações experimentadas
conjuntamente, de modo que a força do hábito as associa entre si na mente. O mundo experimentado - o mundo que deriva da nossa experiência ou se baseia nela - é, ao ver de Berkeley, a soma das nossas sensações.
Reconhecia a existência de um certo grau de independência, de consistência e estabilidade nos objetos do mundo material – se devia a Deus.
Nosso conhecimento dos objetos do mundo real se deve à teoria da associação. Esse conhecimento é essencialmente uma construção ou composição de ideias simples ou elementos mentais unidos pelo cimento da associação.
A profundidade é resultado da experiência - as contínuas experiências sensoriais de caminhar na direção dos objetos ou de alcançá-los, e as sensações advindas dos músculos oculares, se associam ou se ligam para produzir a percepção da profundidade.
• Não é uma experiência sensorial simples, mas uma associação
de ideias que devem ser aprendidas.
Talvez pela primeira vez, um processo puramente psicológico foi explicado em termos da associação de sensações.
David Hume (1711-1776)
Apoiou a noção lockeana da combinação de ideias
simples em ideias complexas, e desenvolveu e tornou
mais explícita a teoria da associação.
Concordou com Berkeley que o mundo material não
existe para o indivíduo até ser percebido.
Aboliu a mente como substância, dizendo que ela, tal
como a matéria, é uma qualidade secundária.
A mente só é observável por meio da percepção
e não
passa do fluxo de ideias, sensações e lembranças.
Conteúdo mental -
Impressões
são os elementos básicos
da vida mental, assemelhando-se à sensação e à
percepção na terminologia de hoje.
Ideias
são as
experiências mentais que temos na ausência de objetos
estimulantes; seu equivalente moderno é a imagem.
Os conteúdos mentais diferem das ideias em termos de sua força relativa.
• As impressões são fortes e vívidas
• As ideias são cópias fracas de impressões
• Podem ser simples ou complexos, e uma ideia simples se assemelha à sua impressão simples.
• As ideias complexas não se assemelham necessariamente a quaisquer ideias simples
Leis de associação: a semelhança ou similaridade, e a contiguidade no tempo e no espaço. Quanto mais semelhantes e contíguas duas ideias, tanto mais prontamente elas se associam.
Mecanicismo, associacionismo e empirismo.
Se a astronomia determinou as leis e forças do universo físico a partir das quais
funcionam os corpos celestes
As leis da associação de ideias eram a contraparte mental da lei da gravidade na física – princípios universais do funcionamento da mente. Noção de que ideias complexas são construídas mecanicamente, através de um amálgama de ideias simples.
David Hartley (1705-1757)
Digno de nota não tanto pela originalidade de suas
ideias sobre a associação quanto pela clareza e precisão
com que organizou e apresentou o trabalho anterior de
outros.
Reuniu as tendências anteriores de pensamento, sendo
com frequência reconhecido como o fundador formal
do associacionismo enquanto doutrina.
A lei fundamental de associação de Hartley é a
contiguidade, com a qual ele tentou explicar os
processos da memória, do raciocínio, da emoção, bem
como da ação voluntária e involuntária.
As ideias ou sensações que ocorrem juntas, de modo
simultâneo ou sucessivo, se associam de tal maneira
que a ocorrência de uma resulta na ocorrência da outra.
• A repetição era tão necessária quanto a contiguidade para a formação de
associações. A medida que a criança cresce e acumula uma variedade de experiências sensoriais, vão se estabelecendo conexões ou cadeias de associação de complexidade crescente. Assim, à época que uma pessoa alcança a idade adulta desenvolvem-se sistemas superiores de pensamento.
• A vida mental de ordem superior pode ser analisada ou reduzida aos elementos ou átomos dos quais se formou mediante a combinação mental de associações. • Concordava com Locke que todas as ideias e todo o conhecimento são derivados
da experiência sensorial, que não há associações inatas nem conhecimentos presentes ao nascimento.
• As vibrações nos nervos - que Hartley considerava sólidos, em vez de ocos, como Descartes pensara - transmitem impulsos de uma para outra parte do corpo. Essas vibrações produzem no cérebro vibrações menos intensas que Hartley considerava os equivalentes fisiológicos das ideias. A importância dessa noção para a psicologia é o fato de ser mais uma tentativa de usar o conhecimento do universo mecânico como modelo para a compreensão da natureza humana.
James Mill (1773-1836)
Aplicou a doutrina mecanicista à mente humana com uma precisão e abrangência raras.
Seu objetivo era destruir a ideia de atividades psíquicas ou subjetivas e demonstrar que não passa de uma máquina.
Acreditava que os outros empiristas, ao alegarem que a mente é semelhante a uma máquina em suas operações, não tinham ido longe o bastante
A mente é uma máquina — ela funciona do mesmo modo mecânico que um relógio — e é posta em ação por forças físicas externas, sendo dirigida por forças físicas internas.
A mente é uma entidade passiva que sofre a ação de estímulos externos. A pessoa responde a esses estímulos de modo automático e é incapaz de agir com espontaneidade.
Não deu espaço algum para o livre-arbítrio. Esse ponto de vista persiste hoje nas formas de psicologia derivadas da tradição mecanicista, principalmente o comportamentalismo de B. F. Skinner.
John Stuart Mill (1806-1873)
• James Mill aceitou o argumento de Locke de que a mente humana, ao nascer, é como papel em branco, uma folha vazia que a experiência vai preencher. Quando seu filho John nasceu, Mill resolveu que determinaria as experiências que iriam preencher a mente do menino, e empreendeu o que pode ser considerado o mais rigoroso exemplo de educação particular registrado. Todos os dias, por até cinco horas, ele ensinava ao filho grego, latim, álgebra, geometria, lógica, história e economia política, questionando-o repetidas vezes até que ele desse as respostas corretas.
• Aos três anos de idade, John Stuart Mill lia Platão no original em grego. Aos onze, escreveu seu primeiro artigo acadêmico e, aos doze, já dominava o currículo universitário padrão da época. Aos dezoito ele descreveu a si mesmo como uma "máquina lógica" e, aos vinte e um sofreu um grave colapso mental, com intensas sensações de depressão. Foram necessários vários anos para que ele recuperasse seu senso de valor pessoal.
• Espantava-se com o fato de as mulheres
não
terem
direitos
financeiros
nem
propriedade, e comparava a situação
feminina
com
a
de
outros
grupos
desprivilegiados. Condenava a ideia de que
a esposa devesse se submeter sexualmente
ao marido a pedido dele, mesmo contra a
sua vontade, e de que o divórcio com base
na incompatibilidade não fosse permitido.
Ele sugeriu que o casamento deveria ser
mais uma parceria entre iguais do que um
relacionamento entre senhor e escrava.
Manifestou se contra a posição mecanicista e atomista do pai;
Para John Stuart Mill, a mente tinha um papel ativo na associação de ideias;
As ideias complexas não são apenas uma soma decorrente da associação de ideias simples. Elas são mais do que a soma das partes individuais (as ideias simples) porque assumem novas qualidades que não estavam presentes nos seus componentes mais simples.;
Posteriormente a psicologia da gestalt irá dizer:
“o todo é diferente da mera soma das partes”;
Por exemplo, a mistura de pigmentos azuis, vermelhos e verdes na proporção correta produz o o branco que é uma qualidade inteiramente nova. Do ponto de vista dessa síntese criativa, a combinação de elementos mentais sempre gera alguma coisa nova
.
Teve o seu pensamento influenciado pelas descobertas da ciência química que lhe forneceu um modelo ou contexto diferente do da física, que moldara tão fortemente as ideias de seu pai e dos primeiros empiristas e associacionistas.
Conceito de síntese - os compostos químicos exibem atributos não identificados em suas partes ou elementos componentes. Ex. água. Do mesmo modo, as ideias complexas surgem de combinações de ideias simples e possuem características não encontradas nesses elementos. Mill denominou sua abordagem associacionista de química mental.
Argumentou insistentemente na possibilidade de ter uma ciência da psicologia. Pronunciando-se contra que Auguste Comte, negavam a possibilidade de estudar a mente em termos científicos.
Propôs um campo de estudo, denominado etologia, dedicado à consideração dos fatores que influenciam o desenvolvimento da personalidade humana.
Contribuições do empirismo à psicologia
1. o papel essencial dos processos da sensação
2. a análise da experiência consciente em seus
elementos
3. a
síntese
de
elementos
para
formar
experiências mentais mais complexas por
meio do processo da associação
4. e a concentração nos processos conscientes.
Encerra-se a participação da filosofia que se deu
com a produção de uma justificativa teórica para
que uma ciência natural do homem.
O que era necessário para traduzir a teoria em
prática era uma abordagem experimental do
objeto de estudo.
Positivismo
Pensamento filosófico europeu da metade do século XIX;
Criado
por
Auguste
Comte,
que
empreendia
um
levantamento sistemático de todo o Conhecimento;
Para tornar a sua tarefa mais factível, Comte decidira limitar
seu trabalho a fatos inquestionáveis, aqueles que tinham
sido determinados através dos métodos da ciência.
POSITIVISMO -
sistema baseado exclusivamente em fatos objetivamente
observáveis e indiscutíveis. Tudo o que tiver natureza especulativa inferencial
ou metafísica é rejeitado como ilusório.
Referimo-nos aos objetos dos sentidos, e isso é uma afirmação científica. O
resto é absurdo!
Materialismo
Ideia
no
campo
da
filosofia
que
sustentavam o positivismo antimetafísico.
Os adeptos do
materialismo
acreditavam
que todas as coisas podiam ser descritas
em termos físicos e compreendidas à luz
das propriedades físicas da matéria e da
energia.
A consciência também podia ser explicada
nos termos da física e da química.
As
considerações
materialistas
dos
processos mentais privilegiavam o aspecto
físico, isto é, as estruturas anatômicas e
fisiológicas do cérebro.
As influências fisiológicas na Psicologia
3º Módulo
Prof. Me. Jefferson Cabral Azevedo
• Por que, quando ao observamos
determinado fenômenos, sempre
vemos aspectos diferentes do
mesmo objeto?
Contribuição dos primeiros desenvolvimentos da fisiologia
Indicam os
tipos de técnica de pesquisa
e
as
descobertas
que sustentavam uma
abordagem
científica
da
investigação
psicológica da mente
A
direção da pesquisa fisiológica
vai
influenciar a psicologia recém-surgida
Enquanto
os
filósofos
preparavam
o
caminho
para
uma
abordagem
experimental
da
mente
os
fisiologistas
investigavam
experimentalmente
os
mecanismos
fisiológicos
que
estão
na
base
dos
fenômenos mentais.
O papel do observador humano
O caso de diferenças no registro de observações na Inglaterra;
As diferenças nos registros não são causadas por erros casuais nem propositais, mas por fatores pessoais sobre os quais não se tem controle;
Conclusões:
• A ciência teria que considerar as diferenças individuais, pois essas podem influenciar as observações relatadas
• Se isso era verdadeiro para a astronomia, também o seria em outras ciências que se utilizassem da observação
Algumas consequências
O estudo de Bessel na astronomia ilustra as
afirmações de Locke e Berkeley:
“Sempre há, ou nem sequer é frequente haver, uma
correspondência exata entre a natureza de um
objeto e a percepção que uma pessoa tem dele”
A comunidade científica se obriga a focar o papel
do observador humano e a natureza da observação
para entender o resultado dos experimentos.
Passou-se a investigar os processos psicológicos da
sensação e da percepção, estudando os órgãos do
sentido e os mecanismos fisiológicos na captação
de informações.
Os Avanços Iniciais da Fisiologia
A fisiologia tornou-se uma disciplina voltada aos
experimentos durante a década de 1830, devido a forte
influência do fisiologista Johannes Müller (1801 - 1858),
defensor do método experimental.
Vai influenciar diretamente a psicologia no final do século
XXI
Tornou-se disciplina de orientação experimental na
década de 1830
Johannes Müller – 1801/1858.
A influência de Müller é importante devido á
teoria
específica dos nervos
– a excitação ou estimulação de um
dado nervo sempre produz uma sensação característica, já
que cada nervo sensorial tem sua própria energia
específica.
Vai contribuir para a psicologia devido a descoberta de
áreas específicas do cérebro e pelo uso posterior de seus
métodos na psicologia fisiológica.
Mapeamento Interno das Funções Cerebrais
Marshall Hall
Pierre Flourens
(1790 – 1857)
(1794 - 1867)
Paul Broca
Método Clínico
Técnica dos Estímulos Elétricos
Gustav Fritsch e Eduard Hitzig
Carl Wernicke
Extirpação –
Técnica de remover ou destruir
determinada parte do cérebro animal e
observar as mudanças no comportamento, com
o objetivo de definir sua função.
Método Clínico –
Exame pós-morte das
estruturas
cerebrais
para
detectar
áreas
lesionadas consideradas
responsáveis pelo
comportamento do indivíduo em vida.
Estímulos Elétricos –
técnicas de exploração do
córtex cerebral, onde são aplicados pequenos
choques elétricos para observar a resposta
motora.
• Pierre Flourens (1794 – 1867)
• Destruiu sistematicamente várias partes do cérebro e da medula espinhal, determinando que partes do cérebro controlam comportamentos específicos
• Flourens e Hall: método da extirpação
• Paul Broca (1824 – 1880)
• Método clínico: uma espécie de extirpação póstuma, oferece a oportunidade de examinar a área danificada do cérebro que se supõe ser responsável por uma condição comportamental existente antes da morte do paciente
• Uso de estímulos elétricos: explorar o córtex cerebral com correntes elétricas fracas – a estimulação de certas áreas corticais produzia respostas motoras
Hermann von Helmholtz (1821-1894)
Verdadeira base da psicologia experimental:
conhecer as
sensações.
Opositor dos vitalistas que afirmavam existir forças não físicas
imperceptíveis para os sentidos.
Forças orgânicas e inorgânicas eram perceptíveis e poderiam
ser medidas por meios mecânicos (fisiologia mecânica).
Estuda a fisiologia e a física da visão – oftalmoscópio
Teoria da Percepção:
a sensação é a captação do estímulo
enquanto a percepção compõe-se da sensação e da
experiência
. A percepção é um processo cognitivo muito
mais
complexo que
implica
inferências
inconscientes
baseadas na experiência passada. A percepção está longe de
nos relacionar de um modo simples e direto com o mundo
exterior
Ernst Heinrich Weber (1795-1878)
Nasceu em Wittenberg e estudou na Universidade de LeipzigAnatomista e fisiologista
Estudo pioneiro dos órgãos dos sentidos e a sensibilidade da pele.
Mudanças físicas nem sempre produzem mudanças psicológicas.
Problema da relatividade perceptual.
Weber inspirou-se em Daniel Bernoulli que em 1838 disse que 1 franco vale mais para um homem pobre do que 10 francos para um homem rico.
Qual é a menor diferença entre dois pesos que pode ser percebida com confiabilidade?
A percepção da diferença não era fixa mas variável e dependia do tipo de peso apresentado.
A capacidade para discriminar pequenas diferenças em um estímulo depende não só da intensidade do estímulo, senão também de uma certa relação entre a diferença de pesos e o peso padrão utilizado no experimento.
Gustav Theodor Fechner (1801-1887)
Físico e Filósofo;
Elementos de Psicofísica em 1860; Introdução à Estática em 1876;
Problema: relação entre fenômenos físicos e fenômenos mentais; Expande a teoria de Weber e estabelece a Psicofísica.
Ciência exata das relações funcionais de dependência entre o mundo físico e o psíquico, em que o evento físico era medido e controlado com os instrumentos da física, e o evento mental era indiretamente registrado mediante o relato verbal dos sujeitos experimentais
A psicofísica prefere adotar a abordagem que leva em conta a dependência do espírito relativamente ao corpo; pois só o físico está imeditamente acessível, ao passo que a medição do psíquico somente pode ser obtida sendo dependente do corpo.
Animais
decapitados
continuavam
a
se
movimentar por algum tempo quando submetidos
a formas apropriadas de estímulo.
Concluiu que vários tipos de comportamento
dependem de partes distintas do cérebro e do
sistema nervoso.
Postulou que:
• O movimento voluntário depende do cérebro
• O movimento reflexo, da medula espinhal
• O movimento involuntário, do estímulo direto
da musculatura
• E o movimento respiratório, da medula
As descobertas da fisiologia influenciou a Psicologia moderna;
As descobertas da anatomia, identificando neurônios e sinapses eram compatíveis com uma imagem mecanicista e materialista dos seres humanos: o sistema nervoso, assim como a mente, era formado por estruturas atomísticas que se combinavam para gerar o produto mais complexo;
Caminhos para formar o núcleo de fisiologia do século XIX: o materialismo, o mecanicismo, o empirismo, a experimentação, e a medição.
Teorias anteriores sob a transmissão da atividade nervosa no corpo: Descartes – tubos nervosos e Hartley – teoria das vibrações
Metade do século XIX – o sistema nervoso era essencialmente um condutor de impulsos elétricos, e que o sistema nervoso central funcionava como uma estação distribuidora, enviando os impulsos para as fibras nervosas sensoriais ou motoras
Todas sugeriam que alguma coisa vinda do exterior (estímulo) entrava em contato com um órgão dos sentidos e excitava um impulso nervoso que ia até o lugar apropriado no cérebro ou no sistema nervoso central. Ali era gerado um novo impulso, transmitido pelos nervos motores, para gerar alguma resposta por parte do organismo