UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” FACULDADE DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS E VETERINÁRIAS
CAMPUS DE JABOTICABAL
Formação de
Pastagens
Prof. Dra. Ana Cláudia Ruggieri Jaboticabal – Agosto de 2011
Introdução
Criação animal no Brasil => exploração de pastagens como fonte principal na alimentação
Tipos de pastagens
Pastagem natural
Pastagem nativa
Pastagens artificiais ou cultivadas Permanentes
Temporárias
Fonte: Beefpoint
Preparo do solo
Avaliação da fertilidade do solo Finalidade:
Grau de suficiência ou de deficiência de nutrientes no solo
Condições adversas Acidez ou salinidade
Amostragem de solo
Dividir a propriedade em áreas uniformes Máximo 20 ha (± 8 alqueires)
Os critérios:
Topografia ou declividade Drenagem
Cobertura vegetal ou cultura Cor do solo
Tipo do solo ou textura e de adubação Produção em anos anteriores Sintomas em plantas na última cultura
Divisão da propriedade em áreas
uniformes
Caminhamento em zigue-zague Mínimo 20 locais diferentes
Amostra composta
Caixinha ou saquinho de plástico identificado
Retirada de uma amostra simples
Profundidade: 0 - 20 cm
Época e freqüência da amostragem: Qualquer época do ano Dois a três anos
Utensílios para amostragem
A- Trado de Rosca, B-Trado Holandês, C- Enxadão e D- Pá
Balde de plástico (10 a 20 litros)
Caixinha de papelão ou saquinhos de plástico especiais para envio da amostra composta ao laboratório
Correção da acidez do solo
Aplicação: Dois a três meses antes do plantio No início das chuvas
Incorporação 20 a 30 cm aração
uma gradagem de nivelamento (antes do plantio)
Tipo de Corretivo Calcário Cal virgem agrícola
Cal hidratada agrícola ou cal extinta Calcário calcinado
Escória básica de siderurgia Carbonato de cálcio
PRNT
Adubação de correção
Macronutrientes Fósforo:
Em função da exigência da planta A aplicação de correção + formação são feitas simultaneamente, na implantação da pastagem, somando os requerimentos Aplicação próxima à semente Potássio:
Em cobertura
Forrageira: cobrir 60 a 70% do solo Soma-se os requerimentos da correção e de formação
Nitrogênio:
Aplicado parceladamente e anualmente Sempre aplicar a lanço e em cobertura Preferência: sulfato de amônio, para evitar perdas de nitrogênio
Uréia: em condições de umidade no solo, sem sol pleno, e dias não muito quentes
Adubação de correção
Macronutrientes Cálcio e magnésio:
Formas disponíveis em pH acima de cinco Correção da acidez fornece, normalmente, as quantidades exigidas
Enxofre:
Normalmente o uso de superfosfatos e sulfatos podem ser o suficiente para pastagem O gesso
Eliminar o Al+3 trocável Fornece Cálcio
Fornece quantidade apreciável de S ao solo
Adubação de correção
Micronutrientes
Leguminosas
Forrageiras mais produtivas recomenda-se: 80Kg/ha de FTE – BR.12 (9% -Zn, 1,8% - B, 0,8% - Cu, 3% - Fe, 2% - Mn, 0,1% - Mo, 0% - Cu) Aplicação: à época da correção do solo
Muito pouco se sabe sobre as exigências das plantas nestes elementos.
Adubação de manutenção
Anual, devido ao ciclo vegetativo das espécies forrageiras
Análise de solo de amostras coletadas nos 10 cm superficiais
Pastagens já formadas
Fósforo: fosfatos naturais reativos e em cobertura
Nitrogênio: de 60 a 240 Kg de N por ano, independente da análise do solo.
Economicidade
Limpeza da área
Áreas de agricultura ou pastagem
roçada geral e/ou aplicação de herbicida para posterior semeadura
Áreas com vegetação natural
Correntão: para áreas maiores e planas e com vegetação composta de arvoretas pouco densas Lâminas frontais: áreas com vegetação mais densa
Limpeza manual: recomendado para áreas pequenas e/ou locais de difícil mecanização Queima: menos recomendável
Uso de correntão
Uso de
Lâminas
frontais
A escolha da espécie forrageira
Critérios: Assistência técnica
Levantamento de um histórico detalhado da região: índice pluvial médio anual e mensal temperatura média anual e mensal fotoperíodo
ocorrência de geadas ocorrência de pragas importantes Levantamento da área em que será implantada a pastagem: profundidade fertilidade estrutura textura do solo topografia susceptibilidade à erosão culturas de cobertura anteriores possibilidade e duração de encharcamento
Escolha da espécie forrageira
Alguns detalhes...
Topografia
topografia mais acidentada
Preferência para espécies estoloníferas:
B. decumbens cv. Basilisk; B. humidicola cv.
Humidicola; B. humidicola cv. Llanero (Dictyoneura)
Textura do solo
solos arenosos ou de textura mista: todas as espécies podem ser utilizadas
Para solos com textura mais argilosa, espécies com sistema radicular mais vigorosos:
B. brizantha cv. Marandú; B. brizantha cv.
Xaraés (MG-5); Panicum maximum cv. Mombaça
Escolha da espécie forrageira
Alguns detalhes... Fertilidade do solo Baixa Exigência Média Exigência Alta Exigência Drenagem do solo Deficiência de drenagem: espécies tolerantes ao encharcamento, como B.
humidicola cv. Humidicola
Drenagem lenta: a B brizantha cv. BRS Piatã e Xaraés podem ser empregadas
Tabela 1. Exigências de adaptação e tolerância das plantas forrageiras a alguns componentes ambientais abióticos
A escolha da espécie forrageira
Critérios:
Tipo de manejo que será adotado
utilização ou não de fertilizantes na formação e manutenção
Forma de estabelecimento
Sistema de pastejo – lotação rotacionada ou lotação contínua
Espécie e raça animal
Expectativa de produção
Os tipos de semeadura mais empregados são: Semeadura Manual
áreas com alto declive e de difícil acesso para máquinas
A lanço Com matraca Semeadura Mecanizada
A lanço
mesmo equipamento para distribuição de calcário
Em sulcos
distribui e cobre as sementes em uma só operação Plantio de mudas Semeadura Aérea
Semeadura
Semeadura manual
Matraca LançoSemeadura mecanizada
Lanço Sulcos de plantioSemeadura aérea
Incorporação
Profundidade de incorporação das sementes por espécie (cm)
Implementos para a incorporação das
sementes, quando a semeadura for feita a
lanço:
Grade niveladora fechada
logo após a semeadura
germinação e emergência das
plântulas.
Rolo compactador
sempre ser empregado em solos
arenosos
Incorporação
Grade
niveladora
Uso de rolo compactador
Valor cultural (VC)
Exprimi a qualidade físico-fisiológica das sementes de gramíneas forrageiras
Esse valor representa a proporção de sementes puras que são viáveis em um lote ou amostra O preço das sementes é geralmente baseado no valor cultural
Esse índice também é utilizado para regular a taxa de semeadura
O VC é expresso em porcentagem e é obtido pela seguinte fórmula:
% VC = (% pureza x % germinação ou % sementes viáveis) 100
Taxa de semeadura
É a quantidade mínima em quilogramas do lote de sementes disponível a ser plantado por hectare A taxa de semeadura recomendada para cada espécie deve ser respeitada.
A recomendação pode ser calculada pela seguinte fórmula:
Q = SPV x 100 VC
onde:
Q = quantidade de sementes comerciais (kg) a serem
semeadas.
SPV = Sementes puras viáveis (kg/ha). VC = Valor cultural
Controle de plantas invasoras
A partir de duas semanas da semeadura: processo de competição e redução da produção da forrageira O controle duas semanas da semeadura
a área livre de invasoras até 45 dias do crescimento
Tipos de controle:
Controle preventivo
Limpeza cuidadosa dos tratores e dos implementos Fermentação de esterco e de materiais orgânicos Uso de sementes de espécies de plantas forrageiras não contaminadas
Isolamento de áreas e quarentena de animais oriundos de zonas infestadas
Evitar a introdução de plantas ornamentais que podem mais tarde migrar para a área de pastagem
Adubação
Controle de plantas invasoras
Controle mecânico Deve ser adotado com freqüência e empregado desde o momento de implantação da pastagem Evitar que as plantas invasoras entrem em fase de reprodução
A intervenção deve ser sempre antes que as plantas invasoras atinjam a fase reprodutiva
Esse método pode ser realizado: Roçagem manual Arranquio Roçagem mecanizada Gradagem e aração
Controle de plantas invasoras
Controle cultural Conjunto de procedimentos que direta ou indiretamente contribuem para aumentar a competitividade da planta forrageira e reduzir a das plantas invasoras
Alguns deles:
A adubação correta de pastagem NPK
Utilização de espécies de plantas forrageiras bem adaptadas ao ambiente
Tipo de manejo empregado pelos produtores.
Espécies forrageiras com maior agressividade
Controle de plantas invasoras
Controle químico Consiste no uso de produtos químicos: herbicidas Inibem o crescimento normal ou matam as plantas sem interesse agronômico
Vantagens:
Alto rendimento na aplicação Eficiência elevada e uniforme
Controle das plantas indesejáveis sem comprometer as plantas de pastagens
Efeito rápido
Redução do potencial do banco de sementes Viabilidade econômica
Desvantagens:
Risco aos recursos naturais, vida silvestre e humana Contaminação dos alimentos dos humanos e dos animais Cuidados específicos durante sua aplicação Cuidados especiais no armazenamento das embalagens
Tipos de preparo do solo
A escolha da forma de preparo do solo para semeadura ou plantio depende de vários fatores:
O nível tecnológico adotado na propriedade Participação em associações e cooperativas
Sistema convencional
Limpeza da área
Em áreas de vegetação de porte baixo com pequeno grau de declividade: primeira medida é usar uma grade pesada.
Esta fará a incorporação da:
Matéria orgânica Sementes de ervas daninhas Descompactação deste solo Se necessário
Aração com arado tipo aiveca
Após a aração promover uma gradagem de nivelamento: antes do plantio
Esta operação deverá ser realizada durante o período seco, se possível
Solos arenosos: compactação do solo com rolo compactador, após o seu preparo, antes e após o plantio da forrageira. principalmente, das gramíneas
Arar
Gradear
Preparo convencional
Preparo convencional
Cultivo mínimo O cultivo mínimo: forma não convencional de preparo do solo para receber mudas ou sementes de uma determinada cultura
Consiste do preparo do solo e plantio ao mesmo tempo, em um menor número de operações possível
Apenas as linhas em que haverá o plantio terão o solo revolvido
Há o revolvimento mínimo do solo
Benefícios:
Menor revolvimento do solo Conserva a estrutura a estrutura do solo Mantém o solo coberto pelos resíduos da cultura Economia de combustível.
Diminui a ação de processos erosivos
Cultivo mínimo
Sistema plantio direto (SPD) Plantio direto: processo de semeadura em solo não revolvido, no qual a semente é colocada em sulcos ou covas, com largura e profundidade suficientes para a adequada cobertura e contato das sementes com a terra Técnica de cultivo conservacionista
Considera-se uma técnica de cultivo mínimo Objetivo: manter o solo sempre coberto por plantas em desenvolvimento e por resíduos vegetais
Essa cobertura tem por finalidade:
Proteger o solo do impacto das gotas de chuva Escoamento superficial
Erosões hídrica e eólica
O preparo do solo limita-se ao sulco de semeadura, procedendo-se a semeadura, a adubação e, eventualmente, a aplicação de herbicidas em uma única operação
Sistema plantio direto (SPD)
Fundamentos Eliminação/redução das operações de preparo do solo
Uso de herbicidas para o controle de plantas daninhas
Formação e manutenção da cobertura morta
Rotação de culturas
Uso de semeadoras específicas
Sistema plantio direto (SPD)
Sistema plantio direto (SPD)
Sistema plantio direto (SPD)
Principais métodos de estabelecimento de pastagens e implicações de manejo
Pastejo inicial
O pastejo inicial: estimula o crescimento lateral e perfilhamento
Deve ser realizada quando as plantas apresentarem um desenvolvimento compatível com o porte da espécie
Alta lotação Curta duração
Atenuar os efeitos danosos da desfolha e pisoteio sobre a forrageira
O uso de animais mais leves
Em condições ótimas: 60-90 dias após a semeadura
Renovação, recuperação e reforma de
pastagens degradadas
Entende-se por:
Recuperação: a aplicação de práticas culturais
e/ou agronômicas, visando o restabelecimento da cobertura do solo e do vigor das plantas forrageiras na pastagem.
Reforma: entende-se a realização de um novo
estabelecimento da pastagem, com a mesma espécie e, geralmente, com a entrada de máquinas.
Renovação: consiste na utilização da área
degradada para a formação de uma nova pastagem com outra espécie forrageira, geralmente mais produtiva.
Principais causas e sinais de degradação de pastagens com suas interrelações
Recuperação sem preparo de solo
Características:
A degradação ocorreu devido a erros de manejo Há grande ocorrência de plantas invasoras Baixa produção de forragem
A forrageira está adaptada às condições edafoclimáticas locais e, eventualmente, o estande possui uma boa densidade de plantas desejadas
Neste caso
O controle químico das plantas invasoras Adubação
sem a necessidade da utilização de máquinas para o preparo do solo
Tratamentos físico-mecânicos do solo
A densidade de plantas estando muito abaixo da necessária para boa produção de forragem Ocorrendo áreas sem cobertura e com acentuada compactação do solo
Conjunto com a ressemeadura e novo estabelecimento, seja da mesma, ou outra, espécie forrageira
Uso de leguminosas forrageiras
Necessita nível tecnológico médio da propriedade
Podem ser:
Plantadas em consórcio com as gramíneas
Exclusivas para uso na época seca como banco de proteína
depois de certo tempo a área é plantada com gramíneas e o banco é usado para recuperar uma nova pastagem degradada Cultivo
Formação e utilização de banco de
proteína
Escolha da leguminosa forrageira
A leguminosa deve ser:
Adaptada às condições edafoclimáticas locais Tolerante à seca
Elevado teor protéico
Produzir forragem satisfatoriamente Boa recuperação pós-pastejo Ser bem consumida pelos animais
Tamanho da área
O tamanho da área pode ser de 10% a 15% do total da área de pastagem
Preparo da área Final do período seco
Formação e utilização de banco de
proteína
Plantio
No início do período chuvoso. Sementes que devem ser escarificadas
Água quente à temperatura de 80° C, por 2 a 4 minutos
Água natural: sementes emergidas por +/- 4 horas, quando serão tiradas da água
Secar na sombra.
Essa operação deve ser feita de preferência à tarde, na véspera do plantio
Outra forma de escarificação é danificar o tegumento da semente com lixa, areia grossa ou seixo Adubação
A adubação deve ser feita em razão da análise de solos e das exigências da leguminosa escolhida para a formação do banco de proteína
Utilização do banco de proteína Pastejo
O animal deve ter acesso à área de leguminosa, de acordo com o manejo a ser adotado
Deve-se proporcionar uma maior freqüência possível do animal ao banco de proteína
Alternativas de manejo
Acesso diário dos animais ao banco de proteína, por aproximadamente 1 a 2 horas
Acesso dos animais ao banco de proteína apenas a cada 2 ou 3 dias, por aproximadamente 1 a 2 horas O banco de proteína pode apresentar duas ou mais subdivisões, permitindo-se fazer um sistema de rodízio entre elas, visando auxiliar a recuperação da leguminosa, que é normalmente lento, variando de 40 a 60 dias.
Esquema de um sistema integrando
uma pastagem de gramínea e um
banco de proteína
Ilustração: Guilherme Azevedo
Banco de proteína de puerária (Pueraria
phaseoloides) pastejada por bovinos
Fonte: Embrapa
Integração lavoura – pecuária (ILP)
Sistema importante em áreas com declividades moderadas
O sistema Barreirão (CNPAF/EMBRAPA) Recuperação de pastagens degradadas
Sistema Santa Fé (CNPAF/EMBRAPA) Mais moderno e com várias alternativas
Sistema Barreirão
O sistema Barreirão é uma tecnologia de recuperação/renovação de pastagens em consórcio com culturas anuais
Vantagens:
Ocupação da área para recuperação/renovação por curto período de tempo (setembro/outubro a março/abril), coincidindo com o período de possível sobra de pastagens
Menor necessidade de máquinas e implementos, em relação ao sistema de rotação
Correção de acidez do solo de acordo com as exigências das espécies a serem consorciadas
Vantagens:
Redução apreciável dos cupinzeiros de monte e das plantas daninhas perenes
Redução dos riscos de perdas por deficiência hídrica, devidos aos veranicos, graças ao manejo diferenciado do solo
Desenvolvimento vegetativo das forrageiras por mais tempo, no período seco
Retorno parcial ou total do capital aplicado em curto prazo, pela venda dos grãos produzidos no consórcio
Facilidade de aplicação, bastando haver disponibilidade de máquinas e implementos e de orientação técnica
Sistema Barreirão
No sistema Barreirão, a escolha da cultura e da forrageira a serem consorciadas depende do interesse do produtor e das condições do solo. Normalmente, consorcia-se milho, sorgo, milheto com forrageiras, principalmente braquiárias,Andropogon gayanus e Panicum sp. e/ou
leguminosas forrageiras, como Stylosanthes sp.,
Calopogonio mucunoides e Arachis pintoe.
Sistema Barreirão
Implantação Correção da acidez do solo
Preparo do solo Segunda etapa Objetiva-se:
Descompactação
Controle de plantas daninhas anuais e perenes
Incorporação de resíduos orgânicos e corretivos
Adubação Análise de solo
Implantação do Consórcio A terceira etapa
Uso de sementes de qualidade, tanto das culturas anuais como das forrageiras
Sistema Barreirão
Semeadura Deve-se dar preferência às cultivares recomendadas para a região
Espaçamento e densidade de semeadura das culturas anuais
No Sistema Barreirão, a consorciação de culturas anuais, como o milho, o sorgo e o milheto, com forrageiras obedece às recomendações convencionais
Sistema Barreirão Mistura das sementes das forrageiras com o adubo
As sementes das forrageiras do gênero Brachiaria são misturadas ao adubo para posterior incorporação ao solo
Mistura: imediatamente antes de sua incorporação ao solo, não devendo permanecer estocada por mais de 24 horas
Profundidade de adubação e de semeadura da forrageira As forrageiras dos gêneros Panicum e Andropogon: recomendações convencionais
As do gênero Brachiaria, principalmente B. brizantha e B.
Sistema Barreirão
Condução
A quarta etapa diz respeito à condução da lavoura
A quinta etapa é a colheita
O processo e a velocidade da colheita são idênticos aos recomendados para os cultivos solteiros
A sexta e última etapa é a vedação da área, por um período mínimo de 30 dias, após a colheita
Melhor formação da pastagem e/ou produção de novas sementes da forrageira
Inicia-se o pastejo
Sistema Santa Fé
Embrapa Arroz em 1993
Fundamenta-se: na produção consorciada de culturas de grãos (milho, sorgo, milheto e soja) com forrageiras tropicais
Sistema de plantio direto como no convencional, em áreas de lavoura, com solo devidamente corrigido Vantagem:
Não altera o cronograma de atividades do produtor
Não exige equipamentos especiais para sua implantação
Sistema Santa Fé
Estabelecimento do Sistema Santa Fé Semeadura simultânea
Misturada do adubo com as sementes da forrageira
Alguns cuidados devem tomados para a implantação do consórcio, tais como:
Dessecação da área ou preparo do solo Semente da forrageira
5 a 10 kg de semente de braquiária por hectare com valor cultural (VC) igual ou superior a 30%
Adubação
Misturar as sementes da forrageira ao adubo correspondente a um hectare
Sistema Santa Fé
Semeadura
Velocidade entre 4 e 6 km/h
A mistura de adubo e semente da forrageira deve ser colocada mais profundamente que as sementes da cultura anual
Nos solos com teor de argila entre 30% e 50%: de 4 a 6 cm abaixo das sementes da cultura
Nos solos com mais de 60% de argila ou mais de 70% de areia: em torno de 2 a 3 cm abaixo das sementes da cultura
Sistema Santa Fé
Semeadura da forrageira em pós emergência da cultura anual
Recomendada para áreas muito infestadas por plantas daninhas
Permite controlá-las em pós-emergência precoce Em seguida semeia-se a cultura forrageira Utilizar o espaçamento idêntico ao da cultura anual Os sulcos de semeadura: mais próximo possível das fileiras da cultura anual
No caso de espaçamento da cultura anual ser superior a 80 cm, devem-se semear duas fileiras da forrageira entre duas fileiras da cultura anual
Sistema Santa Fé
A adubação nitrogenada Solos com mais de 30% de argila: dez dias após a emergência das plântulas
Solos com mais de 70% de areia aplicar: 50% aos dez dias da emergência e 50% quando o milho, o sorgo ou o milheto apresentarem seis a sete folhas totalmente expandidas e o arroz estiver no estádio de primórdio floral
Manejo de herbicidas
Semeadura imediatamente após a dessecação A área não apresente grande quantidade de cobertura viva, em número de plantas ou volume de massa vegetal Caso contrário:
Dessecar com herbicida sistêmico
Aguardar o secamento das plantas e a emergência de novas plantas daninhas,
Realizar a semeadura
Antes da emergência das espécies consorciadas, dessecar com herbicida de contato
Sistema Santa Fé
Colheita da cultura Para os consórcios entre sorgo, arroz ou milho com forrageira, o procedimento de colheita é o convencional
Evitar atrasos
Utilização da forrageira
Pastejo, silagem, silagem seguida de pastejo, fenação e cobertura morta.
Pastejo
Vedar a área, após a colheita da cultura anual 30 a 60 dias
Sistema Santa Fé
Sistema Santa Fé
Sistema Santa Fé
Sistemas silvipastoris
Integração de árvores ou arbustos, pastagens e animais, com a finalidade de obter produtos ou serviços destes três componentes.
Caracterização
Sistemas silvipastoris
Solo
• captação de nutrientes de camadas profundas pelas raízes das árvores e devolução de parte destes nutrientes nas camadas superficiais com decomposição de raízes e folhas
• melhora na atividade microbiológica pela mudança no microclima sob a copa das árvores
• plantadas em locais estratégicos as árvores ajudam a controlar o processo de erosão
BENEFÍCIOS
Sistemas silvipastoris
Produção de forragens:
• crescimento das forrageiras => prejudicado ou favorecido, dependerá da tolerância da espécie à sombra, ao grau de sombreamento e a competição entre as plantas por água e nutrientes
Sistemas silvipastoris
Valor nutritivo da forragem:
Brachiaria decumbens sombreadas, teores de proteína bruta influenciados pela luminosidade, sendo 29% maiores na sombra do que no sol Tendência de redução dos teores de FDN e
aumento da digestibilidade (variável conforme a espécie, o grau de sombreamento e as condições climáticas – temperatura e umidade
Benefícios
Sistemas silvipastoris
Consumo da forragem:
Embrapa Gado de Leite => não há diferença significativa entre o sistema agrosilvipastoril e o sistema tradicional
pesquisas em outros países demonstraram haver diferença entre os sistemas
Benefícios
Sistemas silvipastoris
Conforto animal:
Procura dos animais por ambientes sombreados, durante o verão
No inverno, vacas mestiças, em lactação, em um experimento da Embrapa, permaneceram 43% do tempo de pastejo sob a sombra das árvores. No verão este percentual subiu para 69%
Benefícios
Sistemas silvipastoris
Gramíneas: sombreamento
Uso de arbustos ou árvores que perdem folhas facilmente
Dependendo do tipo de sombra e pelo trânsito dos animais, a espécie forrageira pode ficar rareada ou deixar de cobrir estas áreas, ficando o solo susceptível à compactação e também à erosão
Desvantagens
Sistemas silvipastoris
Implantação onerosa e o retorno financeiro demora
Falta de conhecimento por parte dos produtores dos benefícios deste sistema
Dificuldade de implantar árvores em pastagens já estabelecidas
Aumento na mão de obra
Barreiras para adoção do sistema
silvipastoril
Escolha das espécies
As espécies arbóreas e as gramíneas devem ser tolerantes ao sombreamento Forrageiras: ter boa produtividade, alto valor nutritivo, serem adaptadas ao manejo e condições edafoclimáticas da região onde será implantado o sistema
Árvores: crescimento rápido, copa reduzida e pouco densa, fuste longo, para diminuir sombreamento no pasto e regeneração rápida quando sofrer alguma injúria, não causar efeito tóxico aos animais e nem efeito alelopático sobre a espécie forrageira
Arranjo espacial
Plantio de linhas simples: o espaçamento entre árvores é com base na espécie, altura da árvore e tipo de copa. Recomendados: 3x10; 5x10; 10x10; 5x20; Sentido leste-oeste.
Arranjo espacial
Plantio de linhas duplas: espaçamentos de no
mínimo 10 m entre linhas duplas. Sentido leste-oestemodelo; para evitar plantas daninhas entre as linhas, recomenda-se o plantio de uma leguminosa tolerante ao sombreamento, como o Arachis pintoi
Arranjo espacial
Pequenos bosques: espaçamentos 3x2; 3x3; 3x5 m. Há problemas com pisoteio do gado nas raízes superficiais das árvores, compactação do solo, devido ao não crescimento de gramíneas por excesso de sombra, provocando a exposição do solo
Arranjo espacial
Plantio aleatório: não há espaçamento indicado, pois é muito utilizado quando se deseja aumentar a biodiversidade, ou a regeneração de espécies naturais existentes na pastagem
Arranjo espacial
O plantio ao longo da cerca também é uma opção; pode ser feito nas divisórias das cercas, funcionando como uma cerca viva
Fonte: Embrapa
Manejo
O principal é evitar o uso de fogo e herbicidas, e se usados fazê-lo com maior controle para evitar danos às árvores
Fonte: Beefpoint
Consórcio de eucalipto com Brachiária
Obrigada
Prof. Dra. Ana Cláudia Ruggieri