Compreender as
Exacerbações
COMPREENDER AS EXACERBAÇÕES PULMONARES
INTRODUÇÃO
Reconhecer as alterações nos sinais e nos sintomas da sua doença pulmo-nar é muito importante para o controlo da doença. Você pode passar longos períodos sem sintomas e subitamente desenvolver insuficiência res-piratória aguda. Estes recrudescimentos dos sintomas respiratórios deno-minam-se “exacerbações.” Apesar da sua prevalência, as exacerbações da doença pulmonar obstrutiva crónica por Alfa-1 (DPOC Alfa-1) são pouco conhecidas e não têm uma definição normalizada clara. Um grupo de trabalho constituído por pneumologistas dos Estados Unidos da
América e da Europa avançaram recentemente com a seguinte definição:
DEFINIÇÃO: Uma exacerbação é um agravamento constante da condição do doente a partir de um estado estável que exclui as variações normais quotidianas e que requer a uma alteração na medicação regular.
É muito útil saber quando os sintomas se alteram, para assim poder ini-ciar rapidamente um tratamento. Uma avaliação oportuna e correta dos seus sintomas pode ajudá-lo(a) a si e ao seu médico a decidirem se o trata-mento pode ser realizado em casa, no consultório médico ou então nas urgências hospitalares ou no hospital.
Todos os doentes com DPOC Alfa-1 experimentam ocasionalmente um incremento da tosse, da produção de expetoração e da falta de ar. Ser capaz de distinguir um “dia mau” de uma exacerbação mais prolongada é muito importante e, por vezes, difícil de fazer. Eis alguns dos fatores que podem causar um dia mau:
• condições climatéricas • alergias • variações barométricas • maior altitude
Como medir a frequência respiratória (ciclos respiratórios por minuto):
1. Coloque a mão no tórax superior para senti-lo a subir e descer. Cada conjunto de subida/descida conta como um ciclo respiratório.
2. Conte durante 30 segundos e multiplique por dois. Como medir a frequência cardíaca
(batimentos por minuto):
1. Encontre o pulso da carótida (encoste o dedo indicador e médio do lado da traqueia, debaixo do queixo. Pressione com cuidado e não esfregue a área.). O pulso também pode ser sentido no lado da palma da mão do punho debaixo do polegar.
2. Conte o pulso durante seis segundos
3. Coloque 0 no fim da contagem para obter os batimentos por minuto.
O QUE CAUSA AS EXACERBAÇÕES?
As infeções respiratórias são a causa mais comum das exacerbações. Os vírus específicos responsáveis pelas exacerbações são frequentemente o influenza vírus, o rinovírus ou o adenovírus. Estudos recentes sugerem que as exacerba-ções de DPOC são causadas muitas vezes por determinados tipos de bactérias conhecidos por micoplasma e organismos do tipo Clamídia. Outras bactérias associadas comummente a exacerbações são o Streptococcus pneumoniae (pneumococos), Hemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis. O seu médico deve considerar a possibilidade de você desenvolver uma infeção a partir de um destes organismos atípicos ou menos comuns ao receitar um antibiótico. As bactérias e os vírus podem provocar infeções em várias partes do pulmão, origi-nando bronquite, bronquiolite e pneumonite ou pneumonia.ATENÇÃO: As bactérias e os vírus podem provocar infeções em várias partes do pulmão, originando bronquite, bronquiolite e pneu-monite ou pneumonia.
RECONHECER UMA EXACERBAÇÃO
Os sintomas precoces ou os sinais de alerta de uma exacerbação são únicos para cada pessoa. Regra geral, é você quem melhor sabe se está a sentir dificuldades em respirar. No entanto, algumas das alterações serão detetadas provavelmente mais rápido por outras pessoas, razão por que deve partilhar esta informação com a sua família e com quem está perto de si. Os sinais e os sintomas mais comuns associados a uma exacerbação são:
• O agravamento de uma condição estável prévia
• A dificuldade crescente em respirar mesmo em repouso • A maior sibilação
• A tosse acrescida
• A maior produção de expetoração
• A alteração das características da expetoração como parecer ser mais espessa/pegajosa, a alteração na cor de claro ou branco para verde-amarelado ou a presença de sangue
• A opressão no tórax
• A irritabilidade e/ou a alteração de personalidade • A retenção de fluidos (tumefação das mãos ou pés)
• O esquecimento, confusão mental, discurso arrastado e sonolência Por vezes, uma exacerbação pode ser acompanhada de:
• Sensação acrescida de fadiga e um período prolongado de falta de energia
• Utilização de mais almofadas ou adormecimento numa cadeira em vez de na cama para evitar a falta de ar
• Febre
• Respiração rápida. É importante conhecer a sua frequência respi-ratória na linha de base, ou quando se sente bem. Como a fre-quência respiratória pode ser afetada facilmente pela consciência própria, peça a alguém que realize o exame.
• Mudança da tonalidade da pele para uma cor “acinzentada” ou “azul”, conhecida como cianose, especialmente nas pontas dos
dedos e/ou lábios
• Mais dores de cabeça matinais, tonturas, nervosismo
• Frequência cardíaca elevada. É importante conhecer a sua fre-quência cardíaca na linha de base ou quando se está a sentir bem.
segue guardar e a rapidez com que consegue expeli-lo. Um medidor do cau-dal de pico também é um aparelho que pode determinar a rapidez da expul-são de ar dos pulmões. Estes aparelhos podem ser muito úteis para detetar precocemente uma exacerbação nos Alfas com uma componente asmática. No entanto, e devido ao menor fluxo de ar, podem não ser a melhor opção para Alfas com obstrução irreversível que queiram monitorizar as exacerba-ções.
• A utilização pontual de esteroides quando houver indicação para tal. • Está provado que a utilização de betagonistas de ação prolongada e de
corti-costeroides inalados diminui a frequência das exacerbações em pessoas com DPOC.
CONCEBER UM PLANO DE AÇÃO
Você e o seu médico devem conceber um plano escrito para as exacerbações. Este plano pode incluir:
• Uma maior e mais frequente utilização de broncodilatadores
• A introdução de um esteroide inalado no tratamento ou o aumento da dosa-gem se já estiver a tomar algum
• A inclusão de um novo broncodilatador • A utilização de antibióticos
• A utilização de corticoesteroides orais até duas semanas em doses decrescentes
• Uma alimentação adequada e a ingestão de bastantes líquidos durante a exa-cerbação
Depois de falar com o seu médico e de compreender o plano de ação, consegui-rá provavelmente tratar as exacerbações sozinho em sua casa. No entanto, aquelas pessoas com terapia de oxigénio crónica, que no passado tenham sofri-do de insuficiência pulmonar crónica ou outras gravemente sofri-doentes podem necessitar de internamento hospitalar ou, eventualmente, de ingresso numa unidade de cuidados intensivos. Adicionalmente, muitos doentes com exacer-bações de DPOC Alfa-1 podem precisar de um exame médico ao tórax, bem como de um raio X (para exclusão de pneumonia), e de analisar os gases san-guíneos arteriais (para o controlo dos níveis de dióxido de carbono e de oxigé-nio no sangue) no início da exacerbação para determinar a gravidade do episódio.
Nas pessoas com DPOC Alfa-1 julga-se que uma exacerbação pode ser provocada por um agente infeccioso, exceto se existir outro agente causador identificado. Como os antibióticos só são eficazes contra as infeções bacterianas, não são receita-dos na população geral para presumíveis infeções víricas. No entanto, quando os Alfas desenvolvem uma exacerbação a partir de uma infeção vírica, adquirem fre-quentemente uma infeção bacteriana secundária devido aos danos no tecido pul-monar causados pelo enorme influxo de glóbulos brancos. Portanto, o tratamento antibiótico é a base terapêutica para todas as exacerbações, tenha ou não sido iden-tificado como agente causador um organismo bacteriano.
Outras causas comuns de exacerbações são: • A poluição atmosférica interior e exterior • A insuficiência cardíaca (edema pulmonar)
• A tromboembolia pulmonar (coágulos sanguíneos no pulmão) • Outras afeções
MINIMIZAR A FREQUÊNCIA E A GRAVIDADE
DAS EXACERBAÇÕES
Embora as exacerbações não possam ser completamente prevenidas, é possível reduzir a sua frequência e a gravidade, monitorizando adequada e continuamente os seus cuidados de saúde.
CONSULTAR: Para mais informação sobre a lavagem de mãos, consulte o folheto “Vida Saudável.”
As indicações gerais para minimizar as exacerbações incluem:
• A lavagem das mãos cuidadosa e frequente como forma simples de evitar as infe-ções. Tentar evitar também o contacto próximo com pessoas constipadas ou gri-padas.
• As vacinações da gripe e pneumonia em dia.
• A atividade pulmonar ao mais alto nível utilizando broncodilatadores e/ou anti-inflamatórios no tratamento.
• A utilização pontual de antibióticos e outros medicamentos sempre que necessá-rios para infeções do trato respiratório superior ou problemas do seio nasal.
OPÇÕES DE TRATAMENTO PARA EXACERBAÇÕES
Há várias opções de tratamento que conseguem aliviar os sintomas de DPOC Alfa-1. É muito importante que conheça todas as opções à sua disposição para que você e o seu médico concebam um programa de tratamento adaptado a si. E seguir todos os dias à risca este programa é vital para o seu bem-estar e saúde. Leia as seguintes opções terapêuticas e não se esqueça de falar delas ao seu médico.1. Medicamentos receitados para exacerbações DPOC Alfa-1:
• Agonistas beta2 de curta ação como broncodilatadores anticolinérgicos e derivados de teofilina, que ajudam a abrir as vias respiratórias apertadas. • Broncodilatadores de ação prolongada, que ajudam a aliviar a constrição das
vias aéreas e a prevenir o broncoespasmo associado com DPOC Alfa-1. [Aviso — não utilize mais do que a dose receitada.]
• Esteroides inalados, que já provaram prevenir as exacerbações e que podem ser suficientes para diminuir a duração de uma exacerbação, se os sintomas forem ligeiros.
• Antibióticos, normalmente administrados com os primeiros sinais de infeção respiratória para prevenir lesões e infeção adicional em pulmões debilitados. • Expetorantes, que ajudam a libertar e a expelir secreções mucosas das vias
aéreas e que facilitam a respiração.
• Frequentemente, também é necessário administrar esteroides orais durante uma exacerbação. Algumas pessoas sugerem que a utilização precoce de ele-vadas doses de esteroides pela boca ou por via intravenosa pode diminuir consideravelmente a duração e a gravidade de uma exacerbação. Com o apa-recimento das melhoras, terá necessária uma desabituação de 10 dias a duas semanas com uma dosagem diária baixa ou em dias alternados, passando depois para um esteroide inalado. Nunca deixe de tomar os esteroides orais de longo prazo abruptamente, porque as glândulas suprarrenais podem não conseguir retomar imediatamente uma produção adequada de esteroides. A inexistência de níveis adequados de esteroides pode provocar situações poten-cialmente fatais. Se já tiver tomado esteroides orais de longo prazo, é essen-cial que informe o seu médico assistente.
1. Contacte o seu médico no prazo de 24 horas se detetar um ou mais dos seguintes sintomas respiratórios:
• Utilização do inalador ou nebulizador mais frequentemente para conseguir respirar
• Alteração persistente na cor, espessura, cheiro ou quantidade de expetoração • Inchaço dos tornozelos que não desaparece mesmo depois de uma noite a
dormir com os pés elevados
• Acordar com falta de ar mais de uma vez por noite • Cansaço que dura mais de um dia
• Febre persistente
• Falta de ar ou sibilação que não para ou diminui com broncodilatadores ina-lados ou utilização mais frequente do inalador ou nebulizador
2. Procure imediatamente assistência médica de emergência se expe-rimentar os seguintes sintomas:
• Desorientação, confusão mental, discurso arrastado ou sonolência durante uma infeção respiratória aguda
• Perda de vigilância ou dois ou mais dos seguintes sintomas:
- Aumento marcado da intensidade dos sintomas como o aparecimen-to súbiaparecimen-to de dispneia em repouso (falta de ar enquanaparecimen-to descansa)
- Uso excessivo dos músculos superiores do tórax e pescoço, também denominados acessórios, para conseguir respirar
- Aumento ou diminuição significativa da frequência respiratória
- Aumento significativo da frequência cardíaca
• Qualquer falta de ar, dor no peito grave ou outro sintoma que o(a) faça temer pela sua vida.
Tal como há medidas eficazes que pode adotar em casa para tratar os sinais e os sintomas, também há ações que deve evitar, como:
• Tomar doses suplementares de medicamentos derivados da teofilina • Ingerir codeína ou qualquer outro supressor da tosse
• Utilizar sprays nasais não sujeitos a receita médica durante mais de três dias • Fumar
• Demorar mais de 24 horas a contactar o seu médico se os sintomas persisti-rem
ATENÇÃO: Nunca deixe de tomar os esteroides orais de longo prazo abruptamente, porque as glândulas suprarre-nais podem não conseguir retomar imediatamente uma produção adequada de esteroides.
2. A terapia de oxigénio é a base para o tratamento hospitalar ou de urgência das exacerbações de DPOC Alfa-1.
Conseguir níveis de oxigenação adequados superiores a 90 % em exacerbações sem complicações é simples, mas pode ocorrer a retenção de CO2 com uma pequena variação nos sintomas. Depois de iniciar o oxigénio, os gases sanguí-neos arteriais têm de ser verificados decorridos 30 minutos para garantir uma oxigenação satisfatória sem retenção de CO2. As máscaras Venturi permitem controlar com mais precisão o oxigénio que os injetores nasais.
Apesar de as exacerbações na DPOC Alfa-1 não poderem ser prevenidas sem-pre, elas podem ser tratadas. O seu médico terá de colaborar consigo para con-ceberem um plano que inclua tomar a medicação, respirar melhor, fazer exercí-cio, controlar o stress e deixar de fumar para ajudar a prevenir a ocorrência de exacerbação. Completar o seu plano de tratamento fará toda a diferença na forma como se sente e naquilo que conseguirá fazer.
Este folheto foi elaborado pela AlphaNet como parte do seu programa de Prevenção e Controlo da Doença Alfa-1 (PCDA).