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Sobre a perspectiva de amplitude na concessão da guarda compartilhada.

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE

CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS

UNIDADE ACADÊMICA DE DIREITO

CURSO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS

LÍVIA DE FIGUEIRÊDO COSTA XAVIER

SOBRE A PERSPECTIVA DE AMPLITUDE NA CONCESSÃO DA

GUARDA COMPARTILHADA

SOUSA - PB

2009

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SOBRE A PERSPECTIVA DE AMPLITUDE NA CONCESSÃO DA

GUARDA COMPARTILHADA

Monografia apresentada ao Curso de

Ciências Jurídicas e Sociais do CCJS

da Universidade Federal de Campina

Grande, como requisito parcial para

obtenção do título de Bacharela em

Ciências Jurídicas e Sociais.

Orientadora: Professora Ma. Giorggia Petruce Lacerda e Silva Abrantes.

SOUSA - PB

2009

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S O B R E A P E R S P E C T I V A DE A M P L I T U D E NA C O N C E S S A O DA G U A R D A C O M P A R T I L H A D A

T r a b a l h o m o n o g r a f i c o a p r e s e n t a d o ao Curso de Direito do Centro de Ciencias Jurfdicas e Sociais d a Universidade Federal de C a m p i n a G r a n d e , c o m o exigencia parcial da o b t e n c a o do titulo de Bacharel e m Ciencias Juridicas e Sociais.

O r i e n t a d o r a : Prof3. MSc. Giorggia Petrucce

Lacerda e Silva A b r a n t e s

B a n c a E x a m i n a d o r a : Data de a p r o v a c a o :

Orientadora: Prof3. M S c . Giorggia Petrucce Lacerda e Silva A b r a n t e s

E x a m i n a d o r interno

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irmaos, c o m quern pude e posso contar irrestritamente, q u e s a o a razao de t u d o q u e fago e de t u d o pelo que eu luto.

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A g r a d e c o a Deus que e a fonte de t o d a s as m i n h a s forgas diante d o s percalgos. T o d a s as superagoes e vitorias s a o por Sua honra e gloria.

A minha mae do ceu, Maria, pela sua protegao e por seu olhar intercessor constantes sobre m i m n e s s e s cinco a n o s longe de c a s a .

A minha mae, Maria Irisnalda, que e urn verdadeiro exemplo a ser seguido por m i m de forga, fe e superagao; o pilar que D e u s c o l o c o u na minha vida e na de m e u s irmaos para nos ensinar o valor d a familia.

A o s m e u s queridos irmaos, Higo e Lourena, pela confianga, incentivo e carinho a m i m ofertados.

A minha avo pelas oragoes e pelo modelo de mulher e de mae baseado na c o r a g e m , simplicidade e dignidade.

A o s m e u s avos, Pedro e Inaldo, que d e i x a r a m varios e n s i n a m e n t o s de vida, de a c o r d o c o m s u a s limitagoes (e a p e s a r do p o u c o t e m p o de convivencia fisica) e d o s quais a lembranga e a presenga espiritual a q u e c e m m e u coragao.

A t o d o s os m e u s familiares, q u e sao co-autores de m o m e n t o s especiais e m m i n h a vida.

A o s a m i g o s e colegas pela ajuda de perto ou de longe nessa f a s e de minha vida. Em especial a Celimarco Junior, Mariana e Pacelly pela a m i z a d e sincera.

A g r a d e g o a m i n h a professora orientadora Giorggia, que a l e m d o s consistentes c o n h e c i m e n t o s juridicos c o m os quais norteou a pesquisa, ofereceu seguranga, s e r e n i d a d e e paciencia essenciais na elaboragao do p r e s e n t e t r a b a l h o .

E a t o d o s q u e direta e indiretamente contribuiram de a l g u m a f o r m a para a minha f o r m a g a o .

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e s p e l h o historico-social v i v e n c i a d o , pois sua identidade varia de acordo c o m os c o s t u m e s de c a d a e p o c a ; entretanto, seu alicerce principal, q u e e o amor, e permanente". ( R o z a n e d a Rosa C a c h a p u z )

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A convivencia familiar e a maior experiencia d e sociabilidade que urn ser h u m a n o pode adquirir, s e n d o d e especial relevancia a f o r m a c a o da crianga e d o a d o l e s c e n t e . D e s s e m o d o , as q u e s t o e s atinentes a protegao do menor, tais c o m o o direito de g u a r d a , sao importantes para o resguardo d a entidade familiar e m s u a s diversas m o d a l i d a d e s . Destarte, a g u a r d a compartilhada traz a possibilidade do exercicio conjunto do poder familiar; c o m o e s s a m o d a l i d a d e objetiva o m e l h o r interesse d a crianga e d o a d o l e s c e n t e , f u n d a m e n t a d o no principio da protegao integral do menor, o c o m p a r t i l h a m e n t o d e v e ser e s t e n d i d o a outros parentes, visto que i m p e d e a ruptura ou privagao da convivencia efetiva do m e n o r c o m os s e u s familiares, que c e r t a m e n t e Ihe traria prejuizo. Para a concretizagao do p r e s e n t e trabalho utilizou-se a p e s q u i s a bibliografica e os m e t o d o s historico-evolutivo e exegetico-juridico, q u e p r o p o r c i o n a r a m r e s p e c t i v a m e n t e e m b a s a m e n t o teorico, e n t e n d i m e n t o do processo evolutivo e d a e x p r e s s a o atual dos institutos e x a m i n a d o s , e analisar a aplicabilidade da g u a r d a compartilhada a p e s s o a s q u e nao sao titulares do poder familiar. O estudo esta o r g a n i z a d o e m tres c a p i t u l o s , dos quais o primeiro trata da evolugao historica do conceito de f a m i l i a , analisando-se a familia plural e s u a s particularidades; o s e g u n d o a b o r d a , d e f o r m a a m p l a , o instituto da g u a r d a e s u a s m o d a l i d a d e s , incluindo a g u a r d a compartilhada e o t r a t a m e n t o da Lei n° 11.698/08; e o terceiro capitulo discorre s o b r e a possibilidade d a c o n c e s s a o da g u a r d a compartilhada a sujeitos que p o s s u e m vinculo de p a r e n t e s c o c o m o menor. Destarte, a problematizagao circunda a admissibilidade de e x t e n s a o da c o n c e s s a o d a g u a r d a compartilhada a parentes, onde a hipotese m a n i f e s t a d a e de q u e a convivencia efetiva do m e n o r c o m t o d o s os m e m b r o s de sua familia e essencial ao s e u d e s e n v o l v i m e n t o s a u d a v e l , e a g u a r d a compartilhada e u m a m o d a l i d a d e que estimula e s s e r e l a c i o n a m e n t o , d e v e n d o ser c o n s i d e r a d a c o m o m a n i f e s t a m e n t e possivel. N e s s e vies, averigua-se q u e a disposigao introduzida no C o d i g o Civil pela Lei n° 11.698/08 sobre guarda compartilhada d e v e alcangar interpretagao a m p l a , para lograr o proposito de assegurar o direito a convivencia familiar no t o d o , de a c o r d o

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crianga e do a d o l e s c e n t e .

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La vida familiar es la m a y o r experiencia de sociabilidad q u e un ser h u m a n o puede adquirir, siendo de especial relevancia a la formacion del nino y del a d o l e s c e n t e . A s i pues, las cuestiones relativas a la proteccion del menor, tales c o m o el d e r e c h o de guardia, son importantes para el resguardo de la entidad de la familia en sus diversas formas. A s i pues, la guardia compartida brinda la posibilidad de ejercicio conjunto del p o d e r de la familia; c o m o este tipo objetiva lo mejor intereses del nino y del a d o l e s c e n t e f u n d a m e n t a n d o s e en el principio d e la proteccion integral del nino, el compartir de esta debe d e ser e x t e n d i d o a otros a l l e g a d o s por consiguiente impide la interrupcion o la privacion de la convivencia efectiva do m e n o r con s u s familiares, que ciertamente Le c o n d u c i r i a perjuicio. Para la r e a l i z a t i o n de este trabajo utilizose la p e s q u i s a y los m e t o d o s historicoevolutivo y exegeticojuridico, q u e proporcionaron r e s p e c t i v a m e n t e razon teorica, la c o m p r e n s i o n del proceso evolutivo y la e x p r e s i o n actual de los institutos e x a m i n a d o s , y e s p e c i a l m e n t e t e n i e n d o en c u e n t a la aplicabilidad de la guardia c o m p a r t i d a a las p e r s o n a s q u e no estan en posesion del poder familiar. El estudio esta o r g a n i z a d o en tres capitulos, el primer de ellos trata de la e v o l u t i o n del c o n c e p t o de familia, a n a l i z a n d o s e la familia plural y suyas peculiaridades, el s e g u n d o hace abordaje, en g e n e r a l , el instituto de la guardia y s u s tipos, i n c l u y e n d o la guardia c o m p a r t i d a y el tratamiento de la Ley n ° 11.698/08; y el tercer capitulo se analiza la posibilidad de conceder la g u a r d i a compartida de los sujetos q u e tienen relacion de parentesco c o n el nino. A s i , la problematizacion circinda a la a d m i s i b l e d a d de la a m p l i a t i o n de la c o n c e s i o n de la guardia c o m p a r t i d a a los parientes, d o n d e la hipotesis e x p r e s a e s de q u e la convivencia efectiva con todos los m i e m b r o s de la familia e s esencial al suyo s a n o desarrollo, y la g u a r d i a compartida e s un tipo que excita esa relacion, d e b e n d o de ser c o n s i d e r a d a c o m o m a n i f e s t a m i e n t e posible. En e s e bies a v e r i g u a s e q u e la d i s p o s i t i o n del C o d i g o Civil, introducida por la Ley n 0 11.698/08 sobre la guardia

c o m p a r t i d a d e b e alcanzar i n t e r p r e t a t i o n amplia para lograr el proposito de garantizar el d e r e c h o a la convivencia familiar e m el t o d o , de a c u e r d o c o m el

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a d o l e s c e n t e .

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1 I N T R O D U g A O 11 2 E V O L U Q A O H I S T O R I C A D O C O N C E I T O D E FAMJLIA 14 2.1 D A F A M I L I A C O N T E M P O R A N E A 17 2.2 A F A M i L I A P L U R A L 2 0 2.2.1 E s p e c i e s 21 2.3 A P R O L E 2 5 3 D A G U A R D A 2 9 3.1 D E F I N I Q A O E E V O L U Q A O D O I N S T I T U T O 2 9 3.2 M O D A L I D A D E S DE G U A R D A 3 6 3.3 S O B R E O S D I R E I T O S E D E V E R E S D O S R E S P O N S A V E I S P E L O M E N O R . . 4 3 4 A P O S S I B I L I D A D E D E C O N C E S S A O D A G U A R D A C O M P A R T I L H A D A A O U T R O S P A R E N T E S 4 8 4.1 A P R O B L E M A T I C A 4 8 4.2 A R G U M E N T A Q A O F A V O R A V E L E D E S F A V O R A V E L 5 2 4 . 3 D O S P R I N C I P A I S E N T R A V E S E POSSJVEIS S O L U Q O E S 5 7 5 C O N C L U S A O 6 2 R E F E R E N C E S 6 4 A N E X O A - L E I N° 11.698, D E 13 D E J U N H O D E 2008 6 8

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1 I N T R O D U g A O

A familia, instituicao ativa na s o c i e d a d e que nao fica imovel diante das m u d a n c a s sociais, e urn g r u p o de especial relevancia para qualquer ser h u m a n o . A s m u t a c o e s ocorridas influenciaram as m u d a n c a s trazidas a o Direito de Familia pelas n o r m a s constitucionais e infraconstitucionais que t r o u x e r a m a equiparagao: d a familia nao-matrimonial a matrimonial (referente aos direitos de s e u s m e m b r o s ) ; d o s direitos e d e v e r e s de a m b o s os c o n j u g e s ; d o s filhos matrimoniais aos extramatrimoniais.

Do m e s m o m o d o , e x s u r g e a f o r m a pluralizada de e n t e n d i m e n t o d a familia, p r e t e n d e n d o resguardar as diversas m o d a l i d a d e s e n c o n t r a d a s a t u a l m e n t e e p r o p o r c i o n a n d o maior s e g u r a n c a as relagoes provenientes da f o r m a c a o familiar, inclusive q u a n d o esta nao ostenta o carater tradicional derivado da uniao entre pai, m a e e filhos. O s direitos c o n c e r n e n t e s a protegao do m e n o r e de sua familia a d q u i r e m , pois, especial importancia, d e v e n d o s e m p r e os p o s i c i o n a m e n t o s judiciais estar a m p a r a d o s pelo principio do melhor interesse do menor.

O trabalho ora d e s e n v o l v i d o tratara d a aplicabilidade da g u a r d a compartilhada d e menor entre p e s s o a s que nao sao s e u s genitores m a s t o m a m para si responsabilidades q u e sao naturais d o s titulares d o poder familiar, m e s m o a p r e s e n t a n d o s i m p l e s m e n t e o v i n c u l o de parentesco, seja s a n g u i n e o o u afim. A s s i m , serao analisadas as m u d a n g a s trazidas pela Lei n° 11.698/2008, de c o n f o r m i d a d e c o m os principios q u e c o r r o b o r a m c o m o direito d o m e n o r a familia e d e s t a c a n d o - s e o principio do melhor interesse do menor.

Destarte, o objetivo geral e expor a problematica da inseguranga trazida pelas lacunas d a Lei n° 11.698/2008 e pela interpretagao restrita dada sobre a c o n c e s s a o da g u a r d a c o m p a r t i l h a d a , limitando-a aos genitores. O s objetivos e s p e c i f i c o s se d e s e n v o l v e m a partir da d i s c u s s a o sobre a familia no contexto socio-historico, o b s e r v a n d o a organizagao familiar c o n t e m p o r a n e a e as novas v e r e d a s q u e estao s e n d o tragadas para a g u a r d a c o m o c o m p a r t i l h a m e n t o .

C o n s t a t a - s e a p r o e m i n e n c i a do t e m a q u a n d o p e d i d o s de g u a r d a compartilhada entre p a r e n t e s c h e g a m ao P o d e r Judiciario, c o m p o r t a n d o diversas hipoteses q u a n t o a o s sujeitos aos quais sera deferida a g u a r d a ; ao v i n c u l o de p a r e n t e s c o ( s a n g u i n e o o u afim); e sobre a n e c e s s i d a d e d o c o m p a r t i l h a m e n t o . De

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qualquer m o d o , o certo e q u e a crianca ou o a d o l e s c e n t e nao d e v e ser privado do convfvio c o m s e u grupo familiar e que as d e c i s o e s judiciais d e v e m observar o caso concreto e garantir o bem-estar do menor.

A a b o r d a g e m do t e m a sera a p r e s e n t a d a atraves da sistematizagao d a pesquisa e m tres capitulos. O primeiro capitulo tratara d a e v o l u c a o historica do conceito de familia, analisando o processo de e v o l u c a o social e p e r c e b e n d o a flexibilizacao do t e r m o q u e resultou na familia c o n t e m p o r a n e a , a qual esta p o s s u i caracteristica de definicao a m p l a que abarca as diversas m o d a l i d a d e s de f o r m a c a o familiar, s e n d o identificada c o m o familia plural. D e s s e m o d o , sera o b s e r v a d o o a m p a r o que o Estado d e v e oferecer a t o d a s as instituicoes familiares, p r o p o r c i o n a n d o o pleno d e s e n v o l v i m e n t o e realizacao de t o d o s os s e u s m e m b r o s , inclusive c o m a melhor aplicagao legal no q u e se refere a o s direitos e d e v e r e s familiares d o s responsaveis pelo menor.

No s e g u n d o capitulo abordar-se-a o instituto da g u a r d a , a d u z i n d o - s e a evolugao legislativa brasileira sobre a protegao d o s filhos m e n o r e s atraves do exercicio d a g u a r d a , c o m o t a m b e m a definigao d e s s e instituto e a elucidagao de s u a s m o d a l i d a d e s e, por fim, salientando-se a g u a r d a unilateral e a g u a r d a compartilhada no ambito do Diploma Civil pos Lei n° 11.698/08.

Por derradeiro, o terceiro capitulo discorrera sobre a possibilidade da c o n c e s s a o d a g u a r d a compartilhada a sujeitos q u e p o s s u e m vinculo de p a r e n t e s c o c o m o menor, e n t e n d e n d o - s e q u e a sua c o m p a n h i a e relevante para o d e s e n v o l v i m e n t o d a crianga e do a d o l e s c e n t e . D e s s e m o d o , refletir-se-a s o b r e a conveniencia d a adogao da g u a r d a conjunta, de acordo c o m o texto legal introduzido pela Lei n° 11.698/08 c o m b i n a d o c o m o principio do melhor interesse do menor, para a p e r m a n e n c i a d o infante e m c o m p a n h i a de t o d o s a q u e l e s c o m quern m a n t e m efetivos lagos de afeto.

A fim de lograr suporte teorico que assente o trabalho e m bases solidas recorrer-se-a ao m e t o d o de estudo bibliografico, atraves d o qual serao utilizadas doutrinas e sites juridicos c o m a finalidade de robustecer o e n t e n d i m e n t o sobre o t e m a , p r o p o r c i o n a n d o maior seguranga no m o m e n t o de aplicar a lei. A d e m a i s , a d o t a r - s e - a o os m e t o d o s : exegetico-juridico, para analise da legislagao patria pertinente; e historico-evolutivo, q u e proporcionara m e l h o r c o m p r e e n s a o d a t e m a t i c a a partir d a ciencia sobre o p r o c e s s o historico d o s institutos m e n c i o n a d o s .

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A partir dos m e t o d o s e fontes d e pesquisa sera desenvolvida a problematica sob o seguinte q u e s t i o n a m e n t o : E a d m i s s i v e l a e x t e n s a o d a c o n c e s s a o d a g u a r d a compartilhada a parentes? S e n d o a hipotese: S i m , visto que a convivencia efetiva do m e n o r c o m t o d o s os m e m b r o s de sua familia e essencial ao s e u d e s e n v o l v i m e n t o saudavel e q u e a g u a r d a c o m p a r t i l h a d a e u m a m o d a l i d a d e que estimula e s s e relacionamento.

A s s i m s e n d o , aspira-se contribuir para o fortalecimento do e n t e n d i m e n t o posto s o b r e os vinculos familiares, d o afeto e da mutua assistencia entre o s m e m b r o s da familia; e, e m especial no que t o c a ao menor, revelar o a m p a r o legal que possibilita-lhe u m a f o r m a c a o equilibrada e sadia.

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2 E V O L U Q A O H I S T O R I C A D O C O N C E I T O D E F A M I L I A

A palavra famflia nao a p r e s e n t a significado u n i v o c o , visto q u e representa u m conceito historico c o m d i n a m i c a propria, nao existindo a c e p c a o p r e d e t e r m i n a d a aplicavel a t o d a s as e p o c a s e a t o d a s as nacoes indistintamente. C o n t u d o , o c a m i n h o m a i s eficaz a tracar na b u s c a pela linha de e v o l u c a o etimologica e juridica d o v o c a b u l o e o dos povos antigos, a partir de R o m a , o n d e era e m p r e g a d o e m varias definigoes, aplicando-se as coisas e as p e s s o a s .

C o m efeito, num m o m e n t o significava o conjunto das p e s s o a s sujeitas ao poder do pater familias; e m outro, u m grupo de parentes unidos pelo vinculo d a cognigao; s e n d o utilizado ate para d e s i g n a r patrimonio o u heranga, pelo qual o Direito R o m a n o apresentou u m l i n e a m e n t o peculiar, p r e s t a n d o a e s s a instituigao o merito de unidade juridica, e c o n o m i c a e religiosa f u n d a d a na autoridade s o b e r a n a de um c h e f e ( G O M E S , 1991).

O u t r o s s i m , o t e r m o familia deriva do latim familia, famili, q u e p r o v e m de famulus, o qual significa servo, criado ou escravo ( G L A N Z , 2 0 0 5 ) . D a i se f o r m a r a o conceito de familia patriarcal, d e s i g n a n d o o conjunto de p e s s o a s unidas por vinculos de parentesco acrescido d o s a g r e g a d o s ( G O M E S , 1991). Esse e o e n t e n d i m e n t o m a i s remoto sobre a f o r m a g a o dos g r u p o s familiares, trazido por cientistas e e s t u d i o s o s d e ciencias sociais c o m o A n t r o p o l o g i a , Sociologia e Direito: o de q u e u m a familia e g o v e r n a d a por u m c h e f e v a r a o mais v e l h o , o patriarca. Ressalte-se q u e m e s m o c o m a mutagao etimologica p r e d o m i n a n t e m e n t e ocorrida s o b r e e s t a instituigao nos p a i s e s ocidentais, ainda s a o e n c o n t r a d o s p a i s e s e a l g u m a s regioes ( e m sua maioria interioranas) e m que e n t e s c o m o o Estado e/ou a Religiao c o n t i n u a m estimulando e s s e d o g m a .

V a r i o s e s t u d o s f o r a m d e s e n v o l v i d o s e m todo o m u n d o sobre e s s a instituigao a n t i q u i s s i m a e respeitavel q u e , h o d i e r n a m e n t e , ainda gera i m p a s s e s , nao restando d u v i d a s s o b r e a sua importancia. C o n f o r m e o filosofo Aristoteles "O h o m e m e um animal politico e social; nao pode viver no isolamento, s e n a o definha e morre" ( E D I P E , 1989, p. 1152). O p e n s a d o r entendia que a familia era u m a organizagao e n c o n t r a d a e m i n u m e r a s especies de a n i m a i s (principalmente m a m i f e r o s ) , recordando o a s p e c t o biologico do animal q u e e o ser h u m a n o e d e s t a c a n d o

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t a m b e m o ser politico, o b s e r v a d a a n e c e s s i d a d e do h o m e m de viver e m s o c i e d a d e (polis e palavra g r e g a que significa cidade).

De a c o r d o c o m os regramentos do p e r i o d o historico e de e n t e s influentes c o m o o Estado e a Igreja, f o r a m - s e m o l d a n d o diversos conceitos sobre f a m i l i a ; m e r e c e n d o d e s t a q u e o estudo de Engels (apud G L A N Z , 2 0 0 5 , p. 19) sobre a o r i g e m do t e r m o :

Em sua origem, a palavra familia nao significa o ideal - mistura de sentimentalismo e dissensoes domesticas - do filisteu de nossa epoca - a principio, entre os romanos, nao se aplicava sequer ao par de conjuges e aos seus filhos, mas somente aos escravos. Famulus quer dizer escravo domestico e familia e o conjunto dos escravos pertencentes a um mesmo homem. Nos tempos de Gaio, a familia 'id est patrimonium' (isto e, heranca) era transmitida por testamento.

Entao, veio a tona o juizo de q u e a g e n e s e d e s s a palavra estava vinculada ao fator propriedade, que a b a r c a v a a l e m de c a s a s , terras e e s c r a v o s , os proprios individuos q u e c o o p e r a v a m para a f o r m a g a o d a q u e l e g r u p o . Engels {apud G L A N Z , 2 0 0 5 ) alerta sobre u m dos vinculos cognitivos d a p r o c e d e n c i a , que nao esta e m b a s a d a e m fatores afetivos e s i m p l e s m e n t e s a n g u i n e o s . A d e m a i s , e m seu trabalho c o m p r e e n d e u que a escolha h u m a n a pela m o n o g a m i a , por m e i o d a qual se fortaleceu a c o n c e p c a o de familia patriarcal, proveio d e interesses e c o n o m i c o s ; objetivando proteger a propriedade e o patrimonio privados.

Destarte, a preponderancia do h o m e m c o m o c h e f e politico, religioso e juiz, s e m interferencia real do Estado R o m a n o , p o s s u i n d o o pater familias o c h a m a d o ius vitae ac necis (direito de vida e de morte sobre t o d o s os m e m b r o s do grupo familiar); e a procriacao pela pratica m o n o g a m i c a (possuindo o h o m e m herdeiros so seus) e r a m caracteres e s t r a t e g i c a m e n t e voltados aos propositos e c o n o m i c o s d a q u e l a e p o c a (TEIXEIRA, 2 0 0 5 ) .

Essa estrutura unitaria d a familia (constituida sob a autoridade do chefe) persistiu, e m principio, ate os t e m p o s m o d e r n o s . No sistema f e u d a l , s o b r e l e v o u - s e o e l e m e n t o politico no estrato m a i s alto da s o c i e d a d e , a p r e s e n t a n d o - s e a familia (do ponto de vista e c o n o m i c o ) c o m o o o r g a n i s m o c o m p a c t o de interesses e d e s p e s a s c o m u n s , na d e p e n d e n c i a de uma v o n t a d e s o b e r a n a . Mas, a Escola do Direito Natural influenciou significativamente a alteracao da estrutura tradicional d a familia, que se sustentava no tripe de a s p e c t o s religioso, e c o n o m i c o e politico. A i

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se c o m b a t i a o carater patriarcal e sua finalidade politica; e m contrapartida, d e f e n d i a - s e u m a organizagao e q u a n i m e ( c o m o e n f r a q u e c i m e n t o d a autoridade paterna) e negava-se-lhe e s s a d i m e n s a o politica e o carater religioso do matrimonio. A l g u n s t e r m o s d e s s a doutrina f o r a m acolhidos no C o d i g o de Napoleao, p o r e m , a autoridade paterna, o poder marital, a distincao entre filhos legitimos e os q u e p o s s u i a m a condigao de ilegitimos, e a inferioridade d a mulher (considerada c o m o incapaz e s u b m i s s a ) s a o tracos m a r c a n t e s do Direito de Familia nessa c o m p i l a c a o ( G O M E S , 1991).

S o b a e g i d e d o Codigo Civil de 1916, o jurista G o m e s (1991) se pronunciou sobre as fontes da familia, s e n d o estas o c a s a m e n t o , o c o n c u b i n a t o e a adogao, por m e i o d a s quais se d e t e c t a m as e s p e c i e s de familia: a familia legitima, a familia natural e a adotiva. O t e r m o familia aplicava-se na d e s i g n a g a o d a c o n s i d e r a d a familia legitima, oriunda e x c l u s i v a m e n t e do c a s a m e n t o q u e se c o n s i d e r a v a c o m o o unico v i n c u l o q u e p o s s u i a as caracteristicas de moralidade e estabilidade imprescindiveis ao p r e e n c h i m e n t o d e sua fungao social. Sobre o r e c o n h e c i m e n t o de unioes constituidas fora do c a s a m e n t o , afirma q u e : " t a m b e m justificam d e s i g n a g a o e m e r e c e m protegao juridica [...] familia legitima. Essa m e s m a e x p r e s s a o indica a existencia de outras especies de familia" ( G O M E S , 1 9 9 1 , p. 31) (grifo n o s s o ) .

No s e c u l o XVIII iniciou-se a Revolugao Industrial, c o n s i d e r a d a um m a r c o de desestabilizagao do patriarcalismo ocidental porque, neste interregno, a m u l h e r se introduziu no m e r c a d o de trabalho. Posteriormente, e m 1960, a d v e i o a c h a m a d a Revolugao S e x u a l , que pos e m duvida varios padroes morais da s o c i e d a d e ocidental e trouxe a reivindicagao pela igualdade entre h o m e n s e m u l h e r e s . A s revolugoes m o d e r n a s e as ideias de s o c i e d a d e s d e m o c r a t i c a s revelam q u e a evolugao na familia e c o n t i n u a , s e n d o o e n t e n d i m e n t o d e s s e instituto t r a n s f o r m a d o c o m o t e m p o e de acordo c o m as m u d a n g a s sociais (FIUZA, 2 0 0 3 ) .

A d e m a i s , v e - s e que a busca por firmar o e n t e n d i m e n t o sobre a familia nao se limita aos juristas, a n t r o p o l o g o s e sociologos, m a s t a m b e m se e s t e n d e aos linguistas, tal c o m o e m Rocha (1996, p. 2 7 3 ) : "Conjunto de a s c e n d e n t e s e d e s c e n d e n t e s , colaterais e afins de u m a l i n h a g e m . 2 Mais restritamente, o pai, a m a e e os filhos. 3 D e s c e n d e n c i a ; linhagem".

Entretanto, se verifica q u e e s s e j u i z o ora a p r e s e n t a d o pelos linguistas nao se a d e q u a ao Direito, que idealiza seguir as t r a n s f o r m a goes d a s o c i e d a d e . Desse

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m o d o , o Direito almeja encontrar p o s i c i o n a m e n t o s o b r e esta polemica internacional, que se faz e s p e c i a l m e n t e pelas ciencias h u m a n a s , c o n s o l i d a n d o - s e nos principios gerais e nos c o s t u m e s .

2.1 D A F A M i L I A C O N T E M P O R A N E A

C o m o e cedigo, a maioria d o s conceitos trazidos por dicionarios e m todo o m u n d o se refere a s o c i o l o g i c a m e n t e d e n o m i n a d a familia nuclear ou elementar, f o r m a d a particularmente por marido, e s p o s a e filhos co-residentes. P o r e m , s a b e - s e que e s s a definigao d e v e ser analisada c o m abertura e s e m preconceitos ou diferenciagoes, t e n d o e m f o c o o respeito pela n e c e s s i d a d e h u m a n a de manter convivencia fraterna c o m o p r o x i m o , ligados que e s t a o pelo s a n g u e ou por afinidade.

E m se e n q u a d r a n d o o t e r m o familia c o m o um v o c a b u l o t a m b e m juridico, e c o m u m a plurivalencia s e m a n t i c a , f a z e n d o - s e necessaria a delimitagao do seu sentido. N u m a a c e p g a o a m p l i s s i m a , a familia a b r a n g e t o d o s os individuos que p o s s u e m ligagao c o n s a n g u i n e a ou de afinidade e t a m b e m p e s s o a s que nao p o s s u e m e s s e s lagos, a e x e m p l o dos q u e e x e c u t a m os servigos d o m e s t i c o s ; e m sentido lato, abarca c o n j u g e s ou c o m p a n h e i r o s , os filhos, os parentes e m linha reta ou colateral e os afins; c o n f o r m e significado restrito, c o m p r e e n d e os c o n j u g e s ou c o m p a n h e i r o s e a prole, unidos pelo m a t r i m o n i o ou uniao estavel e pelo lago da filiagao. Esta ultima c o n c e p g a o encontra-se e x p r e s s a na Carta M a g n a (artigo 2 2 6 , §§ 1° e 2°), s e n d o inovador o q u e prescreve o m e s m o artigo 2 2 6 , §§ 3° e 4°, q u e r e c o n h e c e nao so a entidade familiar constituida pelo c a s a m e n t o , m a s t a m b e m a proveniente de uniao estavel e a c o m u n i d a d e m o n o p a r e n t a l ou unilinear (DINIZ, 2 0 0 9 ) .

Esta c o n c e p g a o ainda restrita nao e apropriada a s o c i e d a d e atual (e muito m e n o s ao Direito que regula e s s a s relagoes h u m a n a s ) , o n d e a taxa de divorcio a u m e n t a e o c a s a m e n t o nao esta e m primeiro lugar no rol d e prioridades, vindo depois de varios e l e m e n t o s , tais c o m o os e s t u d o s , a carreira etc.; m o r m e n t e e m u m p e r i o d o o n d e e c o m u m a gravidez na adolescencia e os a v o s t o m a r e m para si as responsabilidades da paternidade.

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A Constituicao Federal, e m seu artigo 2 2 6 , §§ 3° e 4 ° , supriu a n e c e s s i d a d e do r e c o n h e c i m e n t o d a existencia d e e n t i d a d e s familiares q u e nao f o r a m constituidas pelo c a s a m e n t o ( c o m o a uniao estavel e a familia m o n o p a r e n t a l ) , d e s c a r a c t e r i z a n d o - o c o m o unica fonte constitutiva d a primitivamente c h a m a d a familia legitima. M a s a doutrina orienta q u e o artigo s u p r a m e n c i o n a d o e seus paragrafos d e v e m ser interpretados e m seu carater exemplificativo, p o r q u e explicita a s situagoes m a i s c o m u n s . A s s i m , v e - s e q u e a M a g n a Carta nao limitou a revolugao civilista q u e alargou os conceitos oferecidos as relagoes interpessoais e pluralizou as relagoes familiares. Entao, houve a flexibilizagao d o conceito de familia, que nao m a i s esta vinculado ao c a s a m e n t o ou ao simples e n v o l v i m e n t o sexual, e sim a projegoes de vida c o m u n s , s u s c i t a n d o u m a responsabilidade mutua ( D I A S , 2 0 0 6 ) .

Em relagao a estruturagao do Direito de Familia m o d e r n o , s a b e - s e q u e se c o n d u z pelos seguintes principios: principio da ratio do matrimonio e da uniao estavel, t r a z e n d o c o m o f u n d a m e n t o d e s s a s unioes o afeto; principio d a igualdade j u r i d i c a d o s c o n j u g e s e d o s c o m p a n h e i r o s (CF/88, artigo 226, § 5°); principio da igualdade j u r i d i c a de t o d o s os filhos; principio d a c o n s a g r a g a o do p o d e r familiar; principio d a liberdade; principio do superior interesse da crianga e do a d o l e s c e n t e ; principio do respeito a dignidade da pessoa h u m a n a ; o principio d a afetividade e o principio do pluralismo familiar (DINIZ, 2 0 0 9 ) .

O s cinco ultimos principios e l e n c a d o s sao de e s p e c i a l importancia para este trabalho, e s t a n d o d e a c o r d o c o m o perfil d a familia c o n t e m p o r a n e a que se perfaz a l e m d o s lagos matrimoniais e d a filiagao. S e n d o a s s i m , anota-se que o principio da liberdade prescreve q u e e livre a e s c o l h a do m o d o de constituir familia, intervindo o Estado restritivamente no q u e t o c a a s u a responsabilidade de proporcionar recursos e d u c a c i o n a i s e cientificos proprios ao exercicio d e s s e direito. Essa liberalidade atinge, a l e m do poder de f o r m a r u m a c o m u n h a o de vida, a opgao q u a n t o a a d o g a o de diretrizes de p l a n e j a m e n t o familiar; o regime matrimonial de bens; os m e i o s de aquisigao e a f o r m a de administragao do patrimonio familiar; e o m o d e l o e d u c a c i o n a l , religioso e cultural oferecido aos filhos (DINIZ, 2 0 0 9 ) .

A Constituigao Federal d e 1988 respeita o disciplinamento realizado pelas Declaragoes Internacionais de Direitos do H o m e m , e m especial no que toca ao instituto familiar, trazendo: o principio d a isonomia entre h o m e m e mulher, a igualdade de direitos entre os filhos e a a m p l a protegao a crianga e ao a d o l e s c e n t e ,

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q u a n d o reconhece-lhes a prioridade de direitos c o m o objetivo de u m d e s e n v o l v i m e n t o salutar, s e g u r o e a d e q u a d o a sua integridade fisica e psicologica. N e s s e d i a p a s a o , a decisao judicial proferida acerca do instituto da g u a r d a d e v e b a s e a r - s e e s s e n c i a l m e n t e nesse preceito (o principio do superior interesse da crianga e do a d o l e s c e n t e ) , b u s c a n d o livrar de t r a u m a s os c o n s i d e r a d o s sujeitos e m d e s e n v o l v i m e n t o q u a n d o Ihes oferta protegao integral ( L O T U F O , 2 0 0 2 ) .

A d i g n i d a d e da pessoa h u m a n a e o m a i s valoroso dentre os principios constitucionais (pois e f u n d a m e n t o do Estado D e m o c r a t i c o de Direito) estando c o n s a g r a d a no artigo 1°, inciso III da Constituigao Federal. A s s i m , traz c o m o prioridade salvaguardar o d e s e n v o l v i m e n t o integral do h o m e m para que t e n h a u m a vida social m e l h o r e digna, s e n d o e s s e o pilar d a s o c i e d a d e . Este principio e de s u m a importancia para todo o Direito e m u m Estado o n d e vige a d e m o c r a c i a , e s p e c i a l m e n t e para o Direito de Familia, que busca u m a melhor organizagao e o respeito a e s s e instituto t a o antigo e importante q u e e a entidade familiar, d i r e c i o n a n d o - a a melhor convivencia, solidariedade e afeto q u e resultam no d e s e n v o l v i m e n t o h u m a n o .

A afetividade tornou-se p a r a m e t r o para fazer-se a distingao entre u m a c o m u n i d a d e familiar e outro g r u p o social, t o r n a n d o as relagoes familiares m e n o s hierarquicas e taxativas. A l g u n s cientistas t r a t a m e s s a s p r o f u n d a s modificagoes c o m o se r e p r e s e n t a s s e m a crise da f a m i l i a , todavia, e s s a s m u d a n g a s o c o r r e m por n e c e s s i d a d e d a e p o c a atual, q u e visa u m relacionamento nao m a i s b a s e a d o e m antigos preceitos desiguais e m a c h i s t a s . O principio d a afetividade corrobora c o m os preceitos do pleno d e s e n v o l v i m e n t o e d u c a c i o n a l d a crianga e do adolescente, a p r e g o a n d o u m a melhor convivencia entre t o d o s os entes familiares, n u m a relagao d e tolerancia, respeito e solidariedade mutua (DINIZ, 2 0 0 9 ) .

Intimamente relacionado c o m o anterior, o principio do pluralismo familiar trazido pela n o r m a constitucional a s s e g u r a a protegao do Estado as entidades familiares, a b a r c a n d o nao so as e x p r e s s a s (de carater exemplificativo), m a s t a m b e m as outras especies nao contidas no texto constitucional e que m o s t r a m v i n c u l o s validos e estaveis d e familiaridade, sejam biologicos o u afins. Esse principio nao objetiva d e s c o n s i d e r a r o c a s a m e n t o , q u e tern primordial importancia para a s o c i e d a d e , mas salvaguardar as outras f o r m a s d e instituigao de entidades familiares, o q u e condiz e m especial c o m a dignidade da p e s s o a h u m a n a e

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a d o l e s c e n t e , relevando a protegao do Estado ao pleno d e s e n v o l v i m e n t o e realizagao de t o d o s os s e u s m e m b r o s (DINIZ, 2 0 0 9 ) .

N e s s e d i a p a s a o , pode-se observar q u e os novos t e m p o s e contornos relativos a familia p r o v o c a m u m a exaustiva investigacao que objetiva lograr u m a definicao exata, possibilitando a s u a real distincao de outros g r u p o s sociais. Na p e r s e c u c a o d e s s e objetivo constata-se q u e o m o d e l o tradicional de f a m i l i a , e m que os papeis familiares (do pai, da m a e , do filho etc.) estao p r e - d e t e r m i n a d o s e definidos rigidamente e m funcao d o sexo ou da idade das p e s s o a s , o p o e - s e ao m o d e l o c o n t e m p o r a n e o , e m que os papeis profissionais, d o m e s t i c o s , e d u c a t i v o s etc., sao f u n g i v e i s entre os individuos e exercidos, e m f u n c a o d a s circunstancias, de m o d o pluralizado e igualitario.

2.2 A F A M I L I A P L U R A L

T a l c o m o se disse antes, a familia m o d e r n a e resultado de u m a revolugao q u e rebaixou a figura marital, e q u i p a r o u a m u l h e r e os filhos e desestabilizou a instituigao do c a s a m e n t o (ate e n t a o intocavel) facilitando o divorcio e abrindo espago para unioes livres.

A flexibilizagao do t e r m o , d e n o t a n d o c o m o c o n s e q u e n c i a o a p a r e c i m e n t o de novos m o d e l o s de f a m i l i a , so fez ratificar o a c o l h i m e n t o das m u d a n g a s politicas, sociais e e c o n o m i c a s que o c a s i o n a r a m o fortalecimento de ideais c o m o igualdade, d e m o c r a c i a , liberdade, h u m a n i s m o e, e m especial, o pluralismo das relagoes h u m a n a s , incluindo as juridico-familiares.

D a i se p e r c e b e q u e o conceito de familia c o n t e m p o r a n e a nao e c o m p a t i v e l c o m t e r m o s exatos e classificagoes restritas, m a s requer u m e n t e n d i m e n t o plural q u e descreva as varias facetas q u e a instituigao esta revelando. Destarte, nao se coloca o c a s a m e n t o c o m o unica fonte, e x i g i n d o - s e algo q u e ligue as p e s s o a s c o m objetivos c o m u n s , m e s m o que s i m p l e s m e n t e o de p e r m a n e c e r e m u m a ao lado da outra por t e m p o indeterminado v i s a n d o obter maior apoio, seja financeiro ou e m o c i o n a l ou e m decorrencia de u m lago de p a r e n t e s c o natural ou afetivo.

A Carta M a g n a trouxe c o m o f u n d a m e n t o a d i g n i d a d e da pessoa h u m a n a , e e s s e principio corrobora c o m a opgao da Republica Federativa do Brasil e m ser u m

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Estado D e m o c r a t i c o de Direito, c o n s a g r a n d o os principios da igualdade e da liberdade. E m d e s a v e n g a , ainda existem e m p e c i l h o s a d e m o c r a t i z a g a o , originados de d i s c r i m i n a c o e s que inclusive f e r e m as entidades familiares (a e x e m p l o das antigas e x p r e s s o e s utilizadas: ilegitimidade e adulterina); flagrantes distincoes que nao d e v e r i a m m a i s ocorrer n u m pais alicergado por tais preceitos, s e n d o m e s m o v e d a d a s pela legislagao patria.

O texto constitucional c o n s a g r a a s u p r e m a c i a d a d i g n i d a d e d a pessoa h u m a n a e trouxe uma significativa abertura s o b r e o r e c o n h e c i m e n t o d a existencia d e outras e n t i d a d e s familiares, visto q u e o s e u artigo 2 2 6 m e n c i o n a , a p e n a s de m o d o exemplificativo, alguns d e s s e s m o d e l o s , nao s e n d o e s t e u m rol taxativo. A s s i m , nao mais se restringe o q u e seria e c o m o se f o r m a u m a familia, o q u e se pode afirmar e q u e deve existir algo m a i s que a distinga do direito obrigacional.

A d e s e m b a r g a d o r a Dias (2006, p. 39) traz q u e : "O novo m o d e l o d a familia f u n d a - s e sobre pilares da repersonalizagao, da afetividade, d a pluralidade e do e u d e m o n i s m o , impingindo nova r o u p a g e m axiologica ao direito de familia" (grifo n o s s o ) . C o m o se nota, essa c o n c e p g a o esta de a c o r d o c o m a possibilidade juridica derivada do pluralismo d a s relagoes familiares estabelecido pela Constituigao Federal.

O b s e r v a - s e , pois, que as m u d a n g a s sociais ocorridas influenciaram o conceito de familia, s e g u i n d o a linha evolutiva e t e m p o r a l , q u e t a m b e m sofreu varias t r a n s f o r m a g o e s d i r e c i o n a d a s a ampliagao do s e u significado. A s s i m s e n d o , para respeitar o artigo 5° do D o c u m e n t o Constitucional, d e v e - s e c o n s i d e r a r c o m o entidade familiar nao a p e n a s a familia derivada do c a s a m e n t o ou uniao estavel, m a s t o d a s as f o r m a s de constituigao familiar, t e n d o o Codigo Civil que a d e q u a r - s e e resguardar as outras e s p e c i e s trazidas pela familia plural.

2.2.1 E s p e c i e s

A familia plural, considerada a mais acertada e d e m o c r a t i c a c o m p r e e n s a o d a familia c o n t e m p o r a n e a , abarca as i n u m e r a s possibilidades de e n t i d a d e s familiares constituidas. N e s s e sentido, varias sao as e s p e c i e s trazidas pela doutrina, vistas por a s p e c t o s diferentes.

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U m primeiro e n s i n a m e n t o distingue as especies de familias plurais e m : matrimonial, informal, homoafetiva, m o n o p a r e n t a l , anaparental e e u d e m o n i s t a (DIAS, 2 0 0 6 ) . A familia matrimonial nasce c o m o c a s a m e n t o , q u e ate a n t e s da Constituigao Federal atual era a unica f o r m a legalmente admitida de se constituir u m a f a m i l i a , posta atraves de chancela estatal de f o r m a solene e a p r e s e n t a n d o os antigos preceitos de entidade familiar patriarcal, heterossexual e matrimonial.

A n t e s da Carta M a g n a atual a filiagao era condicionada ao estado civil d o s pais, por isso os relacionamentos nao instituidos pelo matrimonio e r a m discriminados m e d i a n t e d e n o m i n a g o e s c o m o adulteros o u concubinarios e nao a l c a n g a v a m a protegao legal dos direitos patrimoniais e extrapatrimoniais dali provenientes. C o m o r o m p i m e n t o de i n u m e r a s unioes extramatrimoniais e as reivindicagoes d o s s e u s participantes o Estado considerou a n e c e s s i d a d e d e regularizar e barrar as t a m a n h a s injustigas q u e e s s a o m i s s a o legal estava g e r a n d o . A s m u d a n g a s nao f o r a m muitas, o m a x i m o q u e os j u i z e s conferiam e r a m indenizagoes a mulher pelos servigos d o m e s t i c o s prestados e, d e s c o n s i d e r a n d o q u e e s s e s enlaces t i v e s s e m natureza familiar, atribuiram-lhes indole de negocio, r e c o n h e c e n d o - o s c o m o s o c i e d a d e s de fato q u e d e v e r i a m regular-se, a n a l o g i c a m e n t e , pelo direito comercial (DIAS, 2 0 0 6 ) .

O v i g o r a m e n t o da Constituigao Federal de 1988 t r o u x e a m p a r o legal a e s s a s estruturas familiares, provindo a d e s i g n a g a o uniao estavel. Do m e s m o m o d o , o C o d i g o Civil r e g u l a m e n t a a uniao estavel, revelando acerca dos requisitos n e c e s s a r i o s para seu r e c o n h e c i m e n t o , que o c a s i o n a direitos e d e v e r e s a o s c o n v i v e n t e s . N a o obstante o D o c u m e n t o Constitucional ter a l b e r g a d o a uniao estavel c o l o c o u - s e , na m e l h o r das hipoteses, de f o r m a impropria ao r e c o n h e c e r s o m e n t e o c o m p a n h e i r i s m o d a d o entre h o m e m e mulher c o m o entidade familiar para os efeitos de resguardo estatal ( C F / 8 8 , artigo 2 2 6 , § 3°) no q u e conflita c o m o principio da dignidade da pessoa h u m a n a (artigo 1°, inciso III d a C F / 8 8 ) e c o m a corrente pluralista d a s relagoes familiares. No q u e diz respeito ao r e c o n h e c i m e n t o do v i n c u l o afetivo de p e s s o a s de m e s m o sexo (tao c o m u m na s o c i e d a d e m o d e r n a ) c o m o e s p e c i e de familia (homoafetiva), Dias (2006, p. 43) se pronuncia:

A nenhuma especie de vinculo que tenha por base o afeto pode-se deixar de conferir status de familia, merecedora da protecao do Estado, pois a Constituigao (1.° Ill) consagra, em norma petrea, o respeito a dignidade da pessoa humana.

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A t u a l m e n t e , a jurisprudencia c o n c e b e e s s e s v i n c u l o s c o m o s o c i e d a d e s de fato, m a s a l g u m a s d e c i s o e s judiciais m o s t r a m que j a se p o n d e r a a c e r c a d a s c o n s e q u e n c i a s jurfdicas dali provindas. A autora supracitada e u m a atuante d e f e n s o r a d a igualdade e liberdade nas escolhas de m o d o s de vida e acolhe c o m o medida, c o n f o r m e o Direito, que seja aplicada por analogia a legislacao d a uniao estavel para suprir a o m i s s a o legislativa referente a uniao homoafetiva, tramitando os p r o c e s s o s na vara d a familia e g a r a n t i n d o - s e os direitos sucessorios e partilha d o s bens, a l e m do direito real de habilitagao (DIAS, 2 0 0 6 ) .

E n u n c i a n d o o artigo 2 2 6 d a Constituigao Federal sobre os tipos de e n t i d a d e s familiares, utilizou-se d a s estruturas m a i s triviais d a s o c i e d a d e , e u m a d e s s a s ilustragoes feitas pelo legislador trata d a familia m o n o p a r e n t a l (artigo 2 2 6 , § 4 ° da C F / 8 8 ) , q u e consiste n u m a entidade familiar f o r m a d a por d e s c e n d e n t e s e u m d o s pais, e s t a n d o p o s s i v e l m e n t e relacionada a g u a r d a unilateral d o s filhos. O Projeto d o Estatuto d a s Familias (Projeto d e Lei n° 2.285/2007) e m seu artigo 6 9 , § 1° traz a a c e p g a o de familia m o n o p a r e n t a l c o m o "entidade f o r m a d a por u m a s c e n d e n t e qualquer q u e seja a natureza d a filiagao ou do parentesco".

A visao c o n t e m p o r a n e a de familia plural nao se baseia e m c a s a m e n t o , a s c e n d e n c i a e d e s c e n d e n c i a , c o m o no conceito primitivo d e familia patriarcal. E a familia anaparental v e m ilustrar e s s a c o n c e p g a o , pois e f o r m a d a entre p e s s o a s c o m relagao de parentesco e q u e p o s s u a m u m a identidade de proposito de vida e m c o m u m , que e a convivencia familiar ( D I A S , 2 0 0 6 ) . Essa e s p e c i e de familia e tratada no artigo 6 0 , caput do Projeto do Estatuto d a s Familias. C o m o e x e m p l o d e s s e tipo de entidade familiar t e m - s e o caso de irmaos q u e m o r a m juntos, sobrinho q u e reside c o m s e u s tios etc.

N u m a s o c i e d a d e e m q u e nao p r e p o n d e r a a p e n a s u m a f o r m a de satisfagao d a s n e c e s s i d a d e s h u m a n a s de p r e e n c h i m e n t o e evolugao pessoal ( c o m o na imposigao d a ideia de casar e procriar) originou-se a familia e u d e m o n i s t a , b a s e a d a na teoria de que o bem s u p r e m o d a vida h u m a n a e a felicidade. Essa entidade nao se identifica c o m o m o d e l o hierarquico o n d e t u d o gira e m torno do patriarca ou dos pais, m a s d e m o n s t r a que o v e r d a d e i r o e l e m e n t o constitutive n u m relacionamento tao importante c o m o o familiar e o v i n c u l o afetivo. Essa e a nova f o r m a de viver q u e as p e s s o a s e n c o n t r a r a m para lograr realizagoes pessoais e profissionais, p r e s e r v a n d o s e u s lagos familiares atraves do amor, d a solidariedade e d a responsabilidade reciproca, o n d e os m e i o s e objetivos escolhidos s a o diversos de

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a c o r d o c o m c a d a s o c i e d a d e , c o m u n i d a d e familiar e ser h u m a n e C o m o elucida Blackburn (1997 apud DE S O U Z A , 2 0 0 9 ) a c o n c e p g a o de e u d e m o n i s m o e n c o n t r o u f u n d a m e n t o na n o c a o aristotelica de " e u d a i m o n i a " ou felicidade h u m a n a ; s e n d o variavel c o n f o r m e o e n t e n d i m e n t o d a felicidade; o autor exemplifica q u e e n q u a n t o os estoicos (individuo q u e s e g u e o estoicismo - Escola filosofica d a A n t i g u i d a d e ) p r e g a m o d e s p r e z o pelos m a l e s fisicos e espirituais e T o m a s de A q u i n o vincula felicidade a c o n t e m p l a c a o de Deus, os capitalistas e n a l t e c e m o c o n s u m i s m o .

A l e m d a s e s p e c i e s supra referidas e possivel encontrar outros tipos de f a m i l i a , c o n s i d e r a n d o a natureza plurima q u e ora se apresenta e a realidade de familia m u t a n t e . A c r e s c e n t a - s e a possibilidade de familia unipessoal, c o m p o s t a por a p e n a s u m a pessoa m o r a n d o sozinha, s e p a r a d a ou divorciada, solteira ou c a s a d a e c o m residencia diversa d a de seu conjuge ( G L A N Z , 2 0 0 5 ) , t e n d o o ST J conferido r e c e n t e m e n t e a impenhorabilidade de b e m de familia aos imoveis p e r t e n c e n t e s as p e s s o a s solteiras, s e p a r a d a s e viuvas ( S u m u l a 364).

O u t r o s s i m , d e s t a q u e - s e t a m b e m as f a m i l i a s sucessoria e alimentar, b a s e a d a s e m relacao de parentesco e afinidade, s e n d o a s e g u n d a mais restrita que a primeira. Nestes t e r m o s , a familia sucessoria diz respeito a possibilidade de s u c e d e r mortis causa na titularidade de direitos patrimoniais de outros; a d m i t i n d o -se a heranga, s e m limite a o s a s c e n d e n t e s e d e s c e n d e n t e s , nao obstante o s m a i s proximos e x c l u a m os m a i s remotos. Entretanto, na linha colateral (no direito brasileiro) ficam restringidos os parentes s u c e s s i v e i s a o s primos, q u e sao parentes d o quarto g r a u . Em sentido m a i s restrito, a familia alimentar c o m p r e e n d e os a s c e n d e n t e s e d e s c e n d e n t e s (sem limite) e colaterais ate o s e g u n d o grau, ou seja, o s irmaos ( G L A N Z , 2 0 0 5 ) .

Portanto, nota-se que a s o c i e d a d e nao c o m p o r t a mais u m ideal de familia adstrito a q u e l a s m e n c i o n a d a s pelo o r d e n a m e n t o juridico, tais c o m o : a matrimonial, a informal e a m o n o p a r e n t a l ; s e n d o importante considerar a e s s e n t i a da entidade e m sentido lato, visto q u e t o d a s tern o f u n d a m e n t o principal que as origina, q u e e o a s p e c t o emocional-afetivo. A s s i m , a adogao do conceito de familia plural legitima a s i n u m e r a s praticas familiares c o n t e m p o r a n e a s , e proporciona m e l h o r aplicagao legal no q u e se refere a o s direitos e d e v e r e s parentais, inclusive os de protegao a m e n o r e s .

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2.3 A P R O L E

A prole e u m a figura c o m u m e m m e i o ao a m b i t o familiar, d e s d e os primordios e n c o n t r a d a na familia patriarcal e ate na estrutura c o n t e m p o r a n e a de f a m i l i a , p o d e n d o ser o b s e r v a d a c o m o resultado da p r o p a g a c a o ou reprodugao dos seres, e n q u a n t o e l e m e n t o f o r m a d o r d o grupo familiar.

E m sentido estrito o substantivo prole se refere a g e r a c a o f o r m a d a por filho (a) ou filhos (as), ou seja, d e s c e n d e n t e s de primeiro grau de u m a p e s s o a , provindos d e u m ato reprodutivo ( R O C H A , 1996). C o n t u d o , n u m e n t e n d i m e n t o lato o b s e r v a - s e q u e a etimologia da palavra prole esta relacionada t a n t o ao t e r m o progenie (vinculado a a s c e n d e n c i a , a o r i g e m , a geragao e a linhagem) q u a n t o ao v o c a b u l o d e s c e n d e n c i a , s e n d o este ultimo relativo a f o r m a g a o d a linha reta de p a r e n t e s c o que relaciona os procriadores e os procriados ( N E V E S , 1988).

D e s s e m o d o , o v o c a b u l o prole (de f o r m a ampla) nao abarca s i m p l e s m e n t e o f e n o m e n o d e d e s c e n d e n c i a e m primeiro g r a u , s e n d o titulares tao s o m e n t e os filhos, m a s t a m b e m relaciona a linha originaria que se encontra na a s c e n d e n c i a . C o m e s s e e n t e n d i m e n t o c o r r o b o r a m Diniz (2009) e Fiuza (2003), inferindo q u e o t e r m o prole tern u m significado m a i s e x t e n s o do q u e a palavra filho (sendo e s t e u m a prole) p o r q u e o neto e o bisneto sao prole do a s c e n d e n t e .

A d e m a i s , o t e r m o prole seguiu a e v o l u c a o historica e, c o n s e q u e n t e m e n t e , etimologica d a palavra f a m i l i a . A t r a v e s d a m e s m a Jornada evolutiva, c o m as m u t a c o e s na o r g a n i z a c a o familiar, o b s e r v a - s e q u e a prole (assim c o m o os d e m a i s m e m b r o s d a familia) se submetia a o s d i r e c i o n a m e n t o s de u m chefe varao, s e n d o m e i o de p r o s s e g u i m e n t o de u m a l i n h a g e m . Na Grecia antiga o pai tinha o direito de aceitar ou rejeitar o filho nascido de s u a mulher, c o m p e t i n d o a q u e l e decidir se este poderia ou nao participar de sua f a m i l i a . Portanto, no quinto dia a p o s o n a s c i m e n t o , o chefe d a familia noticiava sua d e c i s a o aos parentes e a m i g o s e, se h o u v e s s e o c o n s e n t i m e n t o de que a crianga e n t r a s s e efetivamente para o grupo familiar, ela seria ungida c o m oleo e receberia o n o m e ; s e n d o oferecido u m b a n q u e t e que reuniria parentes e amigos que l e v a v a m presentes a m a e e b r i n q u e d o s ao bebe ( C O T R I M , 1999).

Na s o c i e d a d e r o m a n a , por sua vez, a familia patricia era e n c a b e g a d a por u m pater familias q u e exercia f u n g o e s d e pai, e s p o s o , juiz ( j u ' 9a v a o s m e m b r o s

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d a q u e l e grupo c o m o presidente do tribunal d o m e s t i c o ) , administrador e s a c e r d o t e (responsavel pelo culto a o s d e u s e s d o m e s t i c o s ) ; tanto q u e a este se s u b m e t i a m t o d o s os d e m a i s m e m b r o s d a casa. Em se deferindo a s u c e s s a o do poder patriarcal ao filho primogenito a p o s a morte do pater familias, caso este nao p o s s u i s s e filho deveria adotar u m , pois o importante era impedir a v a c a n t i a de seu lugar, s o b pena de nao se dar continuidade ao culto familiar (FIUZA, 2 0 0 3 ) .

De f o r m a s e m e l h a n t e se d a v a a o r g a n i z a c a o familiar no Brasil durante a vivencia d a s o c i e d a d e colonial, o n d e a familia estava s o b a autoridade absoluta do s e n h o r d e e n g e n h o que definia as fungoes q u e c a d a m e m b r o da c a s a g r a n d e deveria exercer. O s filhos h o m e n s c o s t u m a v a m passar periodos e m c a s a d e a m i g o s ou parentes q u e Ihes p u d e s s e m transmitir alguns e n s i n a m e n t o s f u n d a m e n t a l s ; o filho mais velho era norteado para s u c e d e r o pai na chefia do e n g e n h o e, dentre os d e m a i s filhos, u m c o m u m e n t e s e tornava padre e o outro se f o r m a v a e m Direito pela Universidade de C o i m b r a e m Portugal (o a d v o g a d o desenvolvia o trabalho de t r a n s f o r m a r e m poder politico o prestigio social d a familia). A d e m a i s , herdou-se o p e n s a m e n t o r o m a n o de que u m g r a n d e n u m e r o d e d e s c e n d e n t e s correspondia a estrategia necessaria para a protegao e perpetuagao d o grupo ( C O T R I M , 1999).

N e s s e m e s m o p e r i o d o , era habitual o c a s a m e n t o de j o v e n s de quinze anos c o m h o m e n s de cinquenta e ate m a i s idade. O s n a m o r o s e c a s a m e n t o s c a r e c i a m d a autorizagao do pai e havia episodios de e s c r a v a s q u e d e l a t a v a m n a m o r o s e e n c o n t r o s das s i n h a s - m o g a s (filhas) ou sinhas-donas ( e s p o s a s ) ; por v e z e s , e s s a s historias induziam o senhor a d e t e r m i n a r o h o m i c i d i o d a e s p o s a ou de u m a filha ( C O T R I M , 1999).

C o m o s e ve, na realidade d a familia patriarcal a prole, a s s i m c o m o os outros m e m b r o s d a f a m i l i a , era p r o p r i e d a d e de u m chefe v a r a o , visto q u e o destino de c a d a u m estava e m s u a s m a o s . Esse contexto foi-se modificando c o m as m u d a n g a s sociais ocorridas na familia, m u t a g o e s estas que levaram ao e n t e n d i m e n t o d a igualdade de direitos e b u s c a pelo d e s e n v o l v i m e n t o de cada m e m b r o do grupo familiar ora visto c o m o sujeito de direitos e d e v e r e s .

No que t a n g e a relagao entre pais e filhos, os p o d e r e s d a q u e l e s sobre estes d e i x a m d e ser absolutos; o patrio poder ou patria potestas d e u lugar ao poder familiar q u e e o "complexo d e direitos e d e v e r e s q u a n t o a pessoa e bens do filho, exercidos pelos pais na mais estreita colaboragao, e e m igualdade de condigoes"

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( P E R E I R A 1996 apud FIUZA, 2 0 0 3 , p. 835). Entao, os pais ou responsaveis pela prole ( e n q u a n t o m e n o r e s d e idade) p a s s a r a m a ter muito mais d e v e r e s para c o m esta do que p r o p r i a m e n t e direitos, e a lei resguarda aos filhos o direito de alimentos, protegao, n o m e , guarda, i n c o l u m i d a d e fisica etc., s e n d o proibida qualquer diferenciagao e adjetivagao p r e c o n c e i t u o s a (como filho ilegitimo ou incestuoso) pois q u e a Constituigao Federal de 1988 igualou os filhos e m direitos e d e v e r e s . (FIUZA, 2 0 0 3 ) .

Ressalte-se que os direitos e d e v e r e s da prole nao c e s s a m c o m a m a i o r i d a d e , pois o v i n c u l o familiar p e r m a n e c e nao ficando interrompida a responsabilidade familiar, a e x e m p l o d a obrigagao alimentar que f u n d a m e n t a - s e no principio d a preservagao da d i g n i d a d e da p e s s o a h u m a n a (CF/88, artigo 1°, III) e na solidariedade social e familiar prevista no artigo 3° d o D o c u m e n t o Constitucional ( P E R E I R A , 1979 apud DINIZ, 2 0 0 9 ) .

C o m efeito, a obrigagao de prestar alimentos e u m dever p e r s o n a l i s s i m o adquirido e m razao do parentesco, vinculo conjugal ou convivencia, d e v i d o pelo alimentante e q u e o liga ao a l i m e n t a n d o . A s s i m , prescreve o C o d i g o Civil ser possivel a o s parentes, c o n j u g e s ou c o m p a n h e i r o s solicitar "uns aos outros os alimentos d e q u e necessitem para viver d e m o d o c o m p a t i v e l c o m a sua condigao social, inclusive para a t e n d e r as n e c e s s i d a d e s de sua e d u c a g a o " (artigo 1.694). Diniz ( 2 0 0 9 , p. 577) destaca a distingao entre:

[...] a obrigagao de prestar alimentos com os deveres familiares de sustento, assistencia e socorro que tern o marido em relacao a mulher e vice-versa e os pais para com os filhos menores, pois seus pressupostos sao diferentes. A obrigagao alimentar e reciproca, dependendo das possibilidades do devedor, e so e exigivel se o credor potencial estiver necessitado, ao passo que os deveres familiares nao tern o carater de reciprocidade por serem unilaterais e devem ser cumpridos incondicionalmente.

Portanto, os d e v e r e s familiares de s u s t e n t o , assistencia e s o c o r r o (alem da obrigagao alimenticia) s a o responsabilidades familiares q u e o legislador e n t e n d e u necessarias a pacificagao de conflitos existentes na nova estrutura familiar, r e s g u a r d a n d o os direitos e t a m b e m estatuindo o s d e v e r e s da prole e d o s outros m e m b r o s do g r u p o .

N e s t e s t e r m o s , constata-se a p r e o c u p a g a o social, refletida e m disposigoes legais, posta no sentido d e proteger a famflia c o m o u m todo, p r e t e n d e n d o o

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d e s e n v o l v i m e n t o integrado d e t o d o s os s e u s m e m b r o s , inclusive d o s q u e n e c e s s i t a m de protegao especial. A s s i m , a prole (como os d e m a i s m e m b r o s d a familia) deixou de ser pega decorativa ou u m sujeito s e m direitos (e c o m a vida tragada pelo c h e f e da familia) p a s s a n d o a ter protegao necessaria a o pleno d e s e n v o l v i m e n t o fisico, mental e e m o c i o n a l q u a n d o m e n o r e s e tendo-se-lhe p r e s e r v a d o os direitos e d e v e r e s familiares c o m a m a i o r i d a d e .

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3 D A G U A R D A

Para u m a maior c o m p r e e n s a o do a s s u n t o tratado no presente trabalho, e imprescindivel fazer t a m b e m u m a analise etimologica e historica d a g u a r d a , que sofreu t r a n s f o r m a goes para a d e q u a r - s e aos objetivos de u m a s o c i e d a d e que se p r e o c u p a c o m o futuro e, nao p o d e n d o ser de outra f o r m a , age e m favor d a protegao a o s m e n o r e s . Destarte, a g u a r d a d e v e estar c o m p r o m e t i d a c o m o m e l h o r interesse d o menor, p r o t e g e n d o - o e a s s e g u r a n d o - l h e o pleno d e s e n v o l v i m e n t o f u n d a d o no principio da dignidade h u m a n a .

3.1 D E F I N I Q A O E E V O L U Q A O D O I N S T I T U T O

A g u a r d a t e v e sua evolugao etimologica e legislativa c o n j u g a d a c o m a d a instituigao familiar q u e , c o m o ja e l u c i d a d o , a t u a l m e n t e objetiva o m e l h o r interesse d e s e u s entes, m o r m e n t e a protegao integral aos m e n o r e s , t e n d o c o m o f u n d a m e n t o os principios constitucionais e outras fontes.

C o m o se s a b e , o Direito R o m a n o e x e r c e u a maior influencia sobre o Direito de Familia brasileiro, visto que atribuia ao poder paternal a fungao d e c h e f e d a c a s a , s e n d o o d e n o m i n a d o m o d e l o patriarcal utilizado para a feitura do C o d i g o Civil d e 1916. C o m o transcorrer do seculo XX veio o e x o d o rural, diferentes projegoes d e vida e o trabalho realizado a p e n a s pelo h o m e m nao mais satisfaziam a n e c e s s i d a d e d e sustento da familia nos centros urbanos, induzindo a entrada da mulher no m e r c a d o de trabalho.

Essas m u d a n g a s historicas e sociais influenciaram de f o r m a irrefutavel as relagoes familiares, a m e n i z a n d o a responsabilidade exclusiva d a m u l h e r pela criagao dos filhos e c o b r a n d o do h o m e m nao s i m p l e s m e n t e o fator e c o n o m i c o e de defesa d a unidade familiar, m a s u m maior c o m p r o m e t i m e n t o c o m a criagao dos filhos e p r e o c u p a g a o c o m o b e m - e s t a r de t o d o s os c o m p o n e n t e s d a q u e l a f a m i l i a . A s responsabilidades, direitos e d e v e r e s d o s c o n j u g e s t o r n a r a m - s e igualitarios diante d a familia, o c a s i o n a n d o u m a m u d a n g a na estrutura familiar e na criagao dos

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filhos f u n d a d a na p r e o c u p a g a o c o m uma f o r m a g a o e m o c i o n a l e afetiva que e n f r a q u e c e o e n t e n d i m e n t o que dava preferencia a mulher na g u a r d a d o s filhos.

E m meio a t o d o s os a c o n t e c i m e n t o s que m o v i m e n t a v a m a s o c i e d a d e , uma e v o l u c a o legislativa incidiu sobre o instituto d a g u a r d a , iniciada na p r e o c u p a g a o c o m o d i r e c i o n a m e n t o dos filhos de pais que nao m a i s c o n v i v e s s e m j u n t o s ; d a i adveio o Decreto n° 181/1890, e s t a b e l e c e n d o q u e na sentenga de divorcio j a se conferiria ao c o n j u g e inocente a convivencia direta c o m os filhos c o m u n s e m e n o r e s , fixar-se-ia a cota c o m que o culpado deveria afluir para a e d u c a g a o deles e q u e contribuiria o marido para o sustento da mulher, q u a n d o esta f o s s e inocente e p o b r e ( G R I S A R D F I L H O , 2 0 0 5 ) .

Posteriormente, sob a vigencia do C o d i g o Civil de 1916 s u p r a m e n c i o n a d o , surgiu a distingao entre dissolugao amigavel e judicial. Na primeira seria a c o r d a d o entre os c o n j u g e s sobre a g u a r d a dos filhos; na dissolugao judicial, relativamente a protegao d a pessoa dos filhos haveria de se o b s e r v a r fatores c o m o : a culpa d e um ou de a m b o s os consortes pela ruptura, o sexo e a idade d o s filhos. Se constatada a presenga de conjuge inocente na ruptura, este ficaria c o m os filhos m e n o r e s ; h a v e n d o culpa reciproca, as filhas m e n o r e s de q u a l q u e r idade e os filhos m e n o r e s ate os seis a n o s p e r m a n e c e r i a m c o m a m a e ; a p o s c o m p l e t a r e m seis a n o s , os filhos seriam e n t r e g u e s aos c u i d a d o s do pai. O juiz, o b s e r v a n d o o b e m - e s t a r dos m e n o r e s e f u n d a d o e m motivos fortes aplicaria d e maneira diversa o exercicio da g u a r d a s e g u n d o o caso concreto ( G R I S A R D F I L H O , 2 0 0 5 ) .

D e m o d o diverso do q u e r e g u l a v a m os anteriores preceitos legais sobre a protegao d o s filhos o Decreto - lei n° 3.200/41 i m p o s u m atraso na legislagao posta sobre e s s a tematica. Em s e u artigo 16 regulamentou a g u a r d a de filho natural, d i s p o n d o que esta seria exercida pelo genitor q u e o tivesse reconhecido e, se a m b o s a t i v e s s e m perfilhado, seria entregue o m e n o r ao pai, salvo se o juiz decidisse de outra f o r m a q u e melhor se a d e q u a s s e as n e c e s s i d a d e s do m e n o r ( G R I S A R D F I L H O , 2 0 0 5 ) .

O Decreto - Lei n° 9.701/46 previu acerca do direito de visitas q u a n d o , apos d e s q u i t e judicial, a g u a r d a dos filhos fosse conferida a pessoa idonea d a familia do c o n j u g e inocente. E a Lei n° 4 . 1 2 1 / 6 2 (conhecida c o m o Estatuto da Mulher C a s a d a ) constituiu u m singelo p a s s o para a evolugao legislativa brasileira no que se refere a nao diferenciagao por sexo e por idade para a c o n c e s s a o da g u a r d a , c h a m a n d o a responsabilidade para c o m o m e n o r outras p e s s o a s que c o m ele

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p o s s u i s s e m vinculo de parentesco. V e - s e , portanto, q u e alterou as disposicoes referentes a dissolugao litigiosa e m que h o u v e s s e culpa reciproca, d e t e r m i n a n d o q u e a g u a r d a dos filhos m e n o r e s e c o m u n s f i c a s s e m c o m a m a e i n d e p e n d e n t e de sexo e idade, salvo melhor interesse do m e n o r o b s e r v a d o pelo juiz. A d e m a i s , verificando o m a g i s t r a d o q u e a g u a r d a nao deveria ser exercida por n e n h u m dos genitores, estava autorizado a deferi-la a pessoa idonea da familia de q u a l q u e r dos c o n j u g e s , r e s g u a r d a n d o - s e o direito de visitas ( G R I S A R D F I L H O , 2 0 0 5 ) .

A Lei n° 5.582/1970 alterou o Decreto n° 3 . 2 0 0 / 1 9 4 1 , e s t a b e l e c e n d o q u e a g u a r d a de filho natural reconhecido por a m b o s os progenitores f o s s e c o n c e d i d a a m a e , salvo melhor interesse do menor, r e d u n d a n d o q u a n t o a colocagao d o s filhos s o b o poder de pessoa idonea, c o m prioridade para a familia ( G R I S A R D F I L H O , 2 0 0 5 ) .

E m 1977 e x s u r g e no m u n d o j u r i d i c o a d e n o m i n a d a Lei do Divorcio (Lei n° 6.515/77) q u e , c o m o o proprio n o m e j a esclarece, instituiu o divorcio no Brasil. C o n t u d o , ve-se q u e nao trouxe g r a n d e s alteragoes, t e n d o c o n s e r v a d o a possibilidade de a c o r d o sobre a g u a r d a d o s filhos nos casos de dissolugao c o n s e n s u a l d e t e r m i n a n d o q u e , nos c a s o s o n d e o c o n s e n s o nao fazia parte da natureza da lide, seriam aplicadas as seguintes regras: o conjuge que nao d e u c a u s a a ruptura ficaria c o m os filhos; ou p e r m a n e c e r i a c o m a g u a r d a a q u e l e e m cuja c o m p a n h i a c o n t i n u a r a m durante a q u e b r a da vida e m c o m u m ; o u , ainda, observar-se-ia qual d o s dois estava e m m e l h o r e s condigoes de a s s u m i r a responsabilidade d a g u a r d a e e d u c a g a o . Na ocorrencia de s e p a r a g a o nao c o n s e n s u a l por culpa reciproca, a g u a r d a seria c o n c e d i d a a m a e , i n d e p e n d e n t e m e n t e de sexo e idade d a crianga ( G R I S A R D F I L H O , 2 0 0 5 ) .

A m e s m a lei previu a hipotese de que q u a n d o u m conjuge f o s s e a c o m e t i d o por grave doenga m e n t a l , d e m o n s t r a d a d e p o i s do c a s a m e n t o e t o r n a n d o i m p o s s i v e l a continuagao d a vida e m c o m u m , se apos 5 a n o s a e n f e r m i d a d e fosse c o n s i d e r a d a de cura improvavel, os filhos ficariam c o m o consorte que estivesse e m condigoes de satisfazer as r e s p o n s a b i l i d a d e s trazidas pela g u a r d a . O diploma autorizava o deferimento pelo magistrado da g u a r d a dos filhos a pessoa idonea da familia de qualquer dos c o n j u g e s , se verificado prejuizo para o m e n o r caso p e r m a n e c e s s e sob a g u a r d a do pai ou da m a e ; e t a m b e m que se podia decidir de f o r m a diferente d a s previstas q u a n d o h o u v e s s e motivo grave, respeitando-se o principio d e atender aos interesses d o s filhos e deixar e m s e g u n d o piano a

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autoridade paterna. C o n t u d o , sob a e g i d e do C o d i g o Civil de 1916 (que seguia o m o d e l o patriarcal) e s s e s dois p o d e r e s conferidos aos m a g i s t r a d o s pela Lei d o Divorcio e r a m aplicados poucas v e z e s ( G R I S A R D F I L H O , 2 0 0 5 ) .

No que pertine a legislacao especial menorista, o Decreto n° 17.493/27, c o g n o m i n a d o Codigo de M e n o r e s d o Brasil, d e s i g n o u c o m o e n c a r r e g a d o da g u a r d a do m e n o r a l g u e m que nao f o s s e m o s genitores nem o tutor e p o s s u i s s e , por a l g u m motivo, a responsabilidade pela sua vigilancia e e d u c a c a o ou q u e v o l u n t a r i a m e n t e o tivesse e m seu poder ou c o m p a n h i a . Essa c o n c e p g a o foi modificada c o m o novel Codigo de M e n o r e s , instituido pela Lei n° 6.697, de 10 de outubro de 1979, data que c u r i o s a m e n t e marcou o a n o internacional d a crianga. A o inves de e n c a r r e g a d o , a lei utilizou o t e r m o responsavel pela g u a r d a , a c o l h e n d o a possibilidade d e colocagao e m familia substituta ( G R I S A R D F I L H O , 2 0 0 5 ) .

O n o v o C o d i g o Menorista c o n s a g r o u a doutrina da situagao irregular, pela qual os m e n o r e s p a s s a r a m a ser objeto da n o r m a por r e p r e s e n t a r e m u m a patologia social (visto que nao se e n q u a d r a v a m ao padrao) c o n s i d e r a n d o e m condigao de m e n o r e s , s e m distingoes pela letra d a lei, tanto o m e n o r a b a n d o n a d o c o m o o d e l i n q u e n t s juvenil ( G R I S A R D F I L H O , 2 0 0 5 ) .

E m s e g u i d a , veio a lume a Constituigao Federal de 1988 q u e , e m s e u Titulo VII e C a p i t u l o VII sobre a O r d e m Social, resguarda d e f o r m a especial a familia, a crianga, o a d o l e s c e n t e e o idoso e g a r a n t e , e m s e u artigo 227, maior protegao, c o m absoluta prioridade, a crianga e ao a d o l e s c e n t e , r e s g u a r d a n d o - l h e s o direito a vida, a s a u d e , a alimentagao, a e d u c a g a o , ao lazer, a profissionalizagao, a cultura, a d i g n i d a d e , ao respeito, a liberdade e a convivencia familiar, s e n d o responsaveis pelo respeito a e s s e s direitos a f a m i l i a , a s o c i e d a d e e o Estado.

C o m o a d v e n t o do Estatuto d a Crianga e d o A d o l e s c e n t e , Lei n° 8.069 de 13 de j u l h o de 1990 respaldada na Constituigao Federal de 1988 (que j a trazia o principio d a protegao integral) administrou-se i n u m e r a s m u d a n g a s aos direitos d o s infantes, p r o t e g e n d o - o s de f o r m a integral (artigo 1° do E C A ) e e x p a n d i n d o a responsabilidade por igual entre os pais.

T o m a n d o - s e os m e s m o s p r e c e d e n t e s o C o d i g o Civil de 2 0 0 2 substituiu a e x p r e s s a o patrio poder por poder familiar, por entende-la m a i s condizente c o m a realidade atual. O estatuto trata da protegao da pessoa d o s filhos nos artigos 1.583 a 1.590, a t r a v e s s a n d o importantes e recentes m u d a n g a s atraves da Lei n° 11.698, de 13 d e j u n h o de 2 0 0 8 . O artigo 1.583 e s e u s paragrafos d e t e r m i n a m a

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