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Construir uma sociedade para todas as idades

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Academic year: 2021

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Emprego Digno:

Inclusão Social e Protecção Social

“O aumento da longevidade está a criar uma nova fronteira para a humanidade, a ampliar as nossas perspectivas mentais e físicas. Os idosos dos nossos dias são, em muitos aspectos, pioneiros. Fazendo jus a este espírito, foram inovadores, catalisadores e condutores de muitas iniciativas levadas a cabo durante o Ano. Ao fazerem-no, ajudaram-nos a preparar o caminho para uma vida mais segura, mais saudável e mais rica para muitas gerações de idosos que virão depois deles”.

Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan

A população de mais de 60 anos está a crescer mais rapidamente do que qualquer outro grupo etário. Prevê-se que, entre 1950 e 2050, passe de 200 milhões para 2 mil milhões. À medida que o número de idosos aumenta, maior é também a necessidade de garantir a sua inclusão social, com base num rendimento proveniente de um trabalho ou reforma dignos e numa possibilidade de participação na vida da comunidade através do emprego, do voluntariado ou de outras actividades. Segundo a Organização Mundial do Trabalho (OIT), “trabalho digno” é um trabalho que satisfaz as aspirações básicas das pessoas, não só em termos de rendimento, mas também em termos de segurança para si próprias e para a sua família, num ambiente laboral que seja seguro. O trabalho digno trata equitativamente homens e mulheres, não permitindo a discriminação ou o assédio. Por último, o trabalho digno proporciona segurança social e é realizado em condições de liberdade e de dignidade humana.

Mas existem mais de 1,2 milhões de pessoas, em todo o mundo, que vivem com um rendimento inferior a um dólar por dia e mais de mil milhões que vivem com menos de dois dólares diários. Vivem na pobreza, dia a dia, e não têm rendimentos suficientes para assegurar a sua subsistência quotidiana – quanto mais para pôr alguma coisa de lado para a reforma. Na maioria dos países em desenvolvimento, a reforma é um luxo que só está ao alcance de um reduzido número de idosos. Até mesmo nos países desenvolvidos, algumas pessoas que trabalham arduamente não irão ter meios de subsistência suficientes quando atingirem a reforma. Muitas mulheres – que recebem menos do que os homens, trabalham mais no lar do que estes e estão mais presentes no sector paralelo – podem nem sequer vir a poder descansar aos 65 anos.

Tradicionalmente, pelo menos nos países desenvolvidos, há uma alteração de papéis quando da transição da idade activa para a reforma “calma” e “agradável”. Esta alteração de papéis tem sido vista – pelo público, pelo governo e pelas empresas – como uma transição da fase produtiva da vida para uma outra que é improdutiva e dependente. Mas hoje em dia, mais do que nunca, isso não é verdade. A maior parte dos idosos não se retira da sociedade. Pelo contrário, continuam a contribuir para os seus agregados familiares, para os seus descendentes e para as suas comunidades – embora a sua contribuição possa não assumir a forma de um emprego remunerado.

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Em vez de produzirem bens ou serviços – os “produtos” do modelo económico tradicional – os idosos podem contribuir com um “produto” que tenha um valor social como, por exemplo, cuidar das crianças, cuidar de outros idosos, cuidar dos muito idosos, dirigir a comunidade, aconselhar ou ser um modelo de comportamento eficaz. Mas, apesar dos benefícios humanos e económicos significativos que acarretam, esses contributos não se traduziram em números no Produto Interno Bruto (PIB) de uma economia. E não foram valorizados adequadamente.

Ao longo das últimas décadas, a maior parte dos países industrializados assistiu a um queda substancial da média de idade a que os indivíduos se retiram do mercado de trabalho. A maior esperança de vida e a melhor saúde não foram acompanhadas de uma vida activa mais longa. Consequentemente, estes países enfrentam graves preocupações com a viabilidade dos sistemas de segurança social. Um desafio fundamental para estes países é atenuar os efeitos de um decréscimo da população em idade activa através do aumento e do prolongamento da participação dos idosos no mercado de trabalho.

Protecção social

A protecção social é uma componente básica do trabalho digno. O objectivo da maior parte dos regimes de protecção social é proporcionar acesso aos cuidados de saúde e à segurança dos rendimentos. Mas, hoje em dia, mais de metade da população mundial está excluída da protecção de qualquer tipo de segurança social. Na África a sul do Sara e na Ásia Meridional, a cobertura da segurança social legal varia entre 5 e 10% da população activa e, em alguns casos, está a decrescer. Na América Latina, a cobertura varia de país para país, indo de 10 a 80%. No Sudeste Asiático e na Ásia Oriental, a cobertura pode variar entre 10 e quase 100%.

Na maior parte dos países em desenvolvimento, apenas 20% – e, por vezes, apenas 5% – dos idosos podem esperar receber uma pensão ou cuidados de saúde adequados. As pessoas que trabalham no sector paralelo, predominan-temente mulheres, terão provavelmente um rendimento muito baixo, ou até nulo, na velhice.

Saúde e cuidados

Para os idosos, a principal fonte de despesa tem tendência para ser a saúde. Os cuidados de saúde são uma parte essencial da protecção social em qualquer sociedade e, à medida que a população mundial envelhece, é essencial que os serviços de saúde se adaptem às novas exigências. Até mesmo em países onde a família assume a responsabilidade por cuidar dos idosos debilitados, as pressões e tendências mundiais apontam para que os idosos sejam cada vez mais obrigados a depender de si mesmos, à medida que os jovens se mudam de zonas rurais para urbanas, por razões económicas.

Um sector cada vez mais numeroso da população que irá certamente exigir cuidados é o dos mais idosos, aqueles que têm 80 anos ou mais. Alguns adoptaram estratégias para cuidarem de si próprios e uns do outros e, assim, podem receber e prestar cuidados e apoio, manter a independência e assumir o controlo das suas vidas. Mas a percentagem dos mais idosos está a aumentar muito rapidamente e há uma necessidade urgente, em especial nos países em desenvolvimento, de alargar as redes de assistência e segurança.

Prevê-se que o custo global dos cuidados de saúde que se devem apenas ao envelhecimento aumente 41% entre 2000 e 2050 (36%, no caso dos países mais desenvolvidos e 48%, no dos menos desenvolvidos). O

“A vitalidade das nossas sociedades depende cada vez mais de garantirmos que as pessoas de todas as idades, incluindo os idosos, continuam plenamente integradas na sociedade. Para os trabalhadores mais idosos, a integração significa, em primeiro lugar, um rendimento digno proveniente do trabalho ou da reforma e, em segundo, a possibilidade de participação na vida de uma comunidade através do emprego, do voluntariado ou de outra actividade”.

Juan Somavia, Director-Geral da Organização Internacional do Trabalho

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financiamento de sistemas de saúde, tomando em consideração os custos relacionados com o envelhecimento, constituirá um dos principais desafios para todos os países.

Mulheres idosas

As mulheres são, de longe, os idosos mais vulneráveis, dado ser mais provável que, em comparação com os homens, tenham menos capacidades em termos de alfabetização e numeracia, menos probabilidade de disporem de um trabalho remunerado e menos probabilidade de preencherem os requisitos para o recebimento de uma pensão – quando esta está disponível. Quando as mulheres preenchem os requisitos para o recebimento de uma pensão é mais provável que, devido aos salários mais baixos que receberam e à vida laboral intermitente, recebam pensões mais baixas. As idosas que perderam os seus companheiros são muito mais numerosas do que os seus homólogos. Em alguns países, é negado muitas vezes às viúvas o acesso aos recursos ou o seu controlo. Além disso, os direitos sucessórios das mulheres estão definidos deficientemente em muitas sociedades. Por essas e outras razões, é mais provável, em especial nos países em desenvolvimento, que as mulheres caiam na pobreza, quando atingem a velhice. Os sistemas de segurança social que visam a redução da pobreza devem ter em consideração que a maior parte dos idosos pobres são mulheres, sendo que muitas delas têm uma experiência limitada no mercado de trabalho.

Desenvolvimento de competências

A procura de novas competências e conhecimentos coloca os trabalhadores idosos em desvantagem, dado que a formação e competências que adquiriram no início da vida se tornam obsoletas. Mas a discriminação em função da idade agrava as muitas dificuldades que os idosos enfrentam no mercado de trabalho. Atitudes preconceituosas malogram os esforços dos idosos para encontrar novos empregos e desincentivam os empregadores de lhes darem formação. No entanto, existem provas de que os preconceitos em relação às capacidades dos trabalhadores idosos carecem de fundamento e que a diferença média, em termos de desempenho laboral, entre os grupos etários é significativamente menor do que as diferenças entre trabalhadores no seio de cada um dos grupos etários.

Permitir que os trabalhadores que assim o desejarem trabalhem durante mais tempo tem vantagens evidentes para as empresas. Mantendo um amplo quadro de trabalhadores com uma gama mais diversificada de conhecimentos especializados e capacidades, uma empresa pode evitar o vazio criado pela reforma de diversos trabalhadores especializados e experientes.

A formação e a educação são especialmente importantes para ajudarem os trabalhadores idosos a adaptarem-se a exigências e oportunidades em mutação. A aprendizagem permanente, que é cada vez mais recomendada pelos peritos em políticas sociais, é um recurso cultural e económico importante. O conceito de aprendizagem permanente implica a rejeição de uma sociedade estruturada com base na idade, em que a educação e a formação são adquiridas num único momento – no início da vida.

Tecnologias de informação e comunicação

As tecnologias de informação e comunicação podem desempenhar um papel importante no prolongamento da vida laboral. Permitem potencialmente que os trabalhadores idosos mantenham os seus vínculos ao mercado de trabalho e melhorem os seus contributos e a sua qualidade de vida.

O teletrabalho representa uma grande promessa como ferramenta que poderá ajudar os trabalhadores idosos a manter a sua integração na economia e na sociedade. As poupanças em despesas de transporte são apenas uma das vantagens. Para trabalhadores idosos com incapacidades, o teletrabalho representa uma alternativa à reforma precoce ou à baixa por incapacidade. Existem também vantagens evidentes do lado dos empregadores: as empresas podem continuar a ter acesso a competências e conhecimentos de especial importância e fazê-lo de uma forma que é económica em termos de espaço de escritório. No entanto, para que tal possa acontecer, será necessário que se alterem as atitudes tanto dos empregados como dos empregadores.

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Condições de trabalho adequadas e seguras

A capacidade e o desejo de os trabalhadores idosos continuarem a trabalhar depende também do seu estado de saúde pessoal, condições de trabalho e motivação. Os trabalhadores idosos enfrentam dificuldades especiais no trabalho, tais como uma maior vulnerabilidade à tensão num ambiente laboral, problemas de adaptação a novos métodos e técnicas de trabalho e stress relacionado com a transição para a reforma. É crucial garantir condições de trabalho adequadas aos idosos.

Uma resposta política

A vitalidade das nossas sociedades dependerá cada vez mais da participação activa dos idosos. Logo, é imperativo que fomentemos as condições económicas e sociais que permitem que as pessoas de todas as idades permaneçam integra-das na sociedade. Um desafio essen-cial é promover uma cultura que valorize a experiência e sabedoria que a idade dá. A Organização Inter-nacional do Trabalho (OIT), o orga-nismo especializado das Nações Unidas que trata das questões labo-rais, defende a adopção de instru-mentos de políticas orientados para o apoio à participação dos trabalha-dores idosos na vida económica e social. Para tal, a OIT recomenda:

• A tomada de medidas que garantam um rendimento mínimo adequado a todos os idosos. Deveriam ser criados regimes de segurança social baseados no princípio da cobertura universal dos idosos. Tanto as mulheres como os homens deveriam adquirir os seus direitos e independência.

• Pôr em execução políticas destinadas a eliminar a discriminação em função da idade no mercado de trabalho e que promovam uma idade de reforma flexível.

• Tomar medidas – envolvendo tanto as organizações laborais como as patronais – que garantam que os idosos possam continuar a participar na vida económica e na sociedade incluindo a prestação de formação e reciclagem.

• Promover programas informais e baseados na comunidade que ajudem os idosos a desenvolver um sentimento de autoconfiança e de responsabilidade pela comunidade.

• Envolver os jovens na prestação de serviços e assistência e na participação de actividades destinadas aos idosos ou em que estes participem.

• Pôr em execução medidas que garantam uma transição gradual para a reforma. Tais medidas deveriam incluir cursos de pré-reforma, uma redução do volume de trabalho durante os últimos anos de vida activa e a flexibilização da idade a partir da qual uma pessoa pode beneficiar de uma pensão. • Assegurar aos trabalhadores idosos condições e ambiente de trabalho satisfatórios. Quando

necessário, as condições e o ambiente de trabalho deveriam tomar em consideração as características dos trabalhadores idosos.

A OIT e os trabalhadores idosos

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) esforça-se por garantir aos idosos um trabalho ou reforma dignos. A Recomendação da OIT sobre os Trabalhadores Idosos (N.º 162), de 1980, exorta os Estados a adoptarem políticas nacionais de promoção da igualdade de oportunidades e de tratamento para os trabalhadores, independentemente da idade; e a tomarem medidas para evitar a discriminação dos trabalhadores idosos, principalmente no que se refere a:

acesso a serviços de orientação profissional e colocação;

acesso a um emprego que escolham e que tome em consideração as suas aptidões pessoais, experiência e qualificações;

acesso a formação profissional, em especial formação complementar e reciclagem, e segurança do emprego.

Quando da reforma, a OIT recomenda que sejam tomadas medidas que garantam que a transição do trabalho para a reforma é gradual, que a reforma é voluntária, e que a idade a partir da qual uma pessoa pode beneficiar de uma pensão seja flexível.

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O envelhecimento da população não é uma “catástrofe”, mas constitui um desafio no que às políticas se refere. Dado que o envelhecimento é um problema a longo prazo, dispomos de tempo suficiente para introduzir gradualmente mecanismos para o resolver. É mais provável que esses mecanismos sejam encontrados no mundo laboral e em sistemas de transferências sociais. As Nações Unidas e a OIT têm um papel extremamente importante a desempenhar na criação de soluções clarividentes e na sua implementação.

Este artigo baseou-se em informações fornecidas pela Organização Internacional do Trabalho. Para mais informações, é favor contactar:

Organização Mundial do Trabalho (OIT) Genebra, Suíça

Mariàngels Fortuny Tel.: (00 41 22) 799-8761 E-mail: [email protected]

Departamento de Assuntos Económicos Sociais das Nações Unidas Tel.: (00 1-212) 963-0500

E-mail: [email protected]

Departamento de Informação Pública das Nações Unidas Tel.: (00 1-212) 963-0499

Referências

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