Afiliação: Faculdade de Tecnologia Waldomiro May [email protected]
Marcílio Farias
O terceiro setor: Um agente de
transformação na sociedade
Afiliação: Faculdade de Tecnologia Waldomiro May [email protected]
Camila de Souza
Afiliação: Faculdade de Tecnologia Waldomiro May [email protected]
RESUMO
O Objetivo deste artigo é mostrar a importância do Terceiro Setor para a sociedade como um agente de transformação, organização e articulação da sociedade pela base, fortale-cendo a sociedade civil e os setores populares (público) através de trabalhos voluntários de pessoas que se associam e realizam esforços em diversos segmentos. Tais ações geram bens e serviços caracterizados como ações que beneficiam a dignidade humana, ajudam a cuidar de diferentes classes carentes na sociedade: idosos, meninos de rua, drogados, alcoólatras, órfãos e mães solteiras; educação de jovens, velhos e adultos. Atuando assim, em segmentos em que se observa a ausência ou a fraqueza do estado.
PALAVRAS CHAVES:
Terceiro Setor. Agente de transformação. Articulação da sociedade.
ABSTRACT
The objective of this article is to show the importance of the Third Sector to society as an agent of transformation, organization and articulation of society by the base, streng-thening civil society and the popular sectors (public), through volunteer work of people who join and make efforts in various segments of society, generating goods and services characterized as actions that benefit human dignity, help care for different classes of needy in society: the elderly, street children, drug addicts, alcoholics, orphans and single mothers, educating young people, older adults and, finally, operate in segments where there is the absence or weakness of the state.
KEYWORDS:
Janus, Lorena, n.17, Jan./Jun., 2013. p. 91
1. INTRODUÇÃO
A presente pesquisa aborda o terceiro setor como uma organização de pessoas que procuram realizar esforços comunitários, com o objetivo de gerar serviços e bens de caráter público que favoreçam a dignidade humana.
Esta pesquisa tem por objetivo mostrar a importância do Terceiro Setor como um Agente de Transformação, tendo em vista as necessidades da sociedade civil, frente ao descaso do Estado que deixa de cumprir seu papel em áreas que se fazem necessário. Nesse sentido, a atuação do setor privado se torna essencial.
O tema dessa pesquisa se apresenta relevante pelo grande benefício prestado à sociedade pelo terceiro setor, sejam através das fundações, filantropias, ONGs, entidades beneficentes, fundos comunitários, entidades sem fins lucrativos e empresas com responsabilidade social.
Embora na maioria das vezes estes trabalhos prestados não sejam divulgados, devido à maioria ser feito por voluntários, pessoas que têm a ética como principio. Vale ressaltar, que essa pesquisa não pretende e trazer à tona o sentido de ética no plano filosófico, mas sim, no sentido de indignação ética diante de situações desumanas e injustas.
2. TERCEIRO SETOR: UM HISTÓRICO EM QUESTÃO.
Segundo Vinhas e Silva, a partir da década de 1930 até a década de 1960 foi criada a 1º lei brasileira que regulamentava as regras para declaração de utilidade publica; também o conselho nacional de serviço social; e com isso algumas famílias privilegiadas economicamente realizavam ações filantrópicas; mas foi a partir dos anos de 1970 que a sociedade civil, em oposição ao governo militar se fortaleceu, fazendo com que as ONGs crescessem cada vez mais, vindo a culminar na década de 1990, onde passou por um processo de modernização, depois da ditadura militar, pois foi quando pela primeira vez os três setores se encontraram dentro de um sistema, pela preocupação com o crescimento das políticas sociais. Foi nessa época que o segundo setor começou a deixar claro publicamente que estava assumindo um papel importantíssimo no meio social, atuando por meio de códigos de ética e da responsabilidade social.
A partir do século XXI com a internet, os problemas que eram tidos como “regionais” viraram questões globais, e a preocupação com questões sociais e ambientais se tornou algo constante e comum para muitos.
Autores como Lester Salamon em seu artigo "A Emergência do Terceiro Setor - uma revolução associativa global" (1997), Simone de Castro Tavares Coelho em seu livro: Terceiro Setor: Um Estudo Comparativo Entre Brasil e Estados Unidos(2002) e outros abordam a questão do surgimento de palavras como ONGS. Siglas que designam Organizações Não-Governamentais que compõem o que muitos chamam de o Terceiro
Setor. Diferenciado do público (o governo) e do privado (iniciativa particular). Autores que revelam em suas pesquisas como vêm crescendo atividades voluntárias organizadas, bem como a criação de organizações privadas, não governamentais com fins não lucrativos ou não governamentais.
Segundo Merege (2000 p.173-174), o terceiro setor surgiu com o protestantismo, que preconizava o canal direto do indivíduo com Deus e, consequentemente a responsabilidade individual, o dízimo, a idéia de que Deus agraciava com riquezas materiais quem trabalhava arduamente, e que o fiel poderia também conquistar o reino dos céus e a salvação com boas obras na terra.
Merege (2000) nos diz que os colonos tinham a construção da igreja como prioridade para a comunidade, e que depois de construída a igreja era usada como escola para crianças, centro comunitários e instancia de resolução de conflitos.
Coelho (2000. p.31), também diz que nos primórdios das associações voluntárias eram em sua maioria ligadas às organizações religiosas e étnicas.
Em paralelo com o protestantismo nascia o capitalismo de Adam Smith que pregava o auto interesse como grande motor da evolução social como um todo; e com isto, foi rápida a evolução para as nações de responsabilidade do indivíduo para os assuntos de comunidade em geral.
Nesse sentido, Merege (2000) afirma que em consequência disso existe hoje nos Estados Unidos mais de um milhão de Organizações sem fins lucrativos dedicados ao bem estar social e à defesa do interesse público.
No Brasil, de acordo com Merege, herdamos a tradição cultural – religiosa de ajudar a igreja, a dar esmola; graças ao domínio absoluto da igreja católica por mais de 1500 anos, que ajudava a sociedade com suas obras de caridade, cuidando dos pobres e dos incapacitados. Mas com o acelerado processo de industrialização e urbanização da sociedade brasileira, a esmola foi ficando inadequada para atender ao crescimento da população carente nas cidades, e assim, a igreja passou a priorizar a remoção das causas que geravam milhões de pessoas necessitadas de esmola, e a denunciar as injustiças sociais.
Segundo Coelho (2000, p. 40) todas as religiões ressaltavam o papel de instituições como a família, os amigos, os vizinhos e a igreja como sendo as primeiras instâncias às quais apelam em tempos de necessidades.
Percebemos que os autores pesquisados até aqui relacionam de alguma maneira os primórdios do terceiro setor com algum credo; e em vista disso podemos concluir que tudo tem origem em um dos ensinamentos bíblico que diz que é para amar o próximo como a si mesmo.
Janus, Lorena, n.17, Jan./Jun., 2013. p. 93 2.1. O QUE É O TERCEIRO SETOR
Temos na economia do país três setores: o governamental, o privado e o chamado terceiro setor, que junto com o privado e até mesmo com o governamental, assume a responsabilidade de assistir a sociedade nas questões públicas, pois de alguma forma existe ausência do Estado.
Segundo Coelho (2000, p. 31) o terceiro setor pode ser definido como aquele que não visa o lucro, mas sim, o atendimento das necessidades coletivas (públicas).
Já Franco (1997) afirma que nem todas as entidades pertencentes ao terceiro setor possuem fins públicos, pois têm algumas que visam interesses próprios, como por exemplo, associações de grupos literários e artísticos, ou organizações para observação de pássaros tropicais, etc.
Contudo para Merege (2000), o terceiro setor tem por objetivo e finalidade, o desenvolvimento de ações voltadas à produção do bem comum (público) na sociedade, fortalecendo valores fundamentais como ética, solidariedade, responsabilidade social, capacidade de iniciativa, autogestão e exercício da cidadania.
Nesse sentido, levando em conta que cada um dos autores pesquisados tem propriedade naquilo que diz, chegamos à conclusão de que os benefícios são maiores que os ônus. Assim, ficamos com as opiniões benéficas de que o terceiro setor é aquele que é voltado ao atendimento das necessidades da sociedade, desenvolvendo ações destinadas à produção do bem comum, fortalecendo valores fundamentais como a ética, solidariedade, responsabilidade social, liberdade, igualdade de condições de crescimento pessoal e social; sem visar lucro, vantagens ou interesses próprios ou de poucos, que nada tem a ver com a sociedade como um todo.
A partir desta pesquisa, pudemos perceber que é através do terceiro setor que muitas pessoas no país são beneficiadas e conseguem alcançar uma melhor qualidade de vida com o trabalho de Associações e Fundações que geram bens e serviços públicos. Muitas ONGs lutam em defesa do meio ambiente e sustentabilidade, vários setores da sociedade se unem em torno de alguns projetos para o bem comum.
Kanitz, consultor economista, em entrevista sobre o terceiro setor afirma que Entidades Beneficentes ajudam a cuidar de diferentes classes de carentes na sociedade: idosos, meninos de rua, drogados, alcoólatras, órfãos e mães solteiras; protegem testemunhas; ajudavam a preservar o meio ambiente; educar jovens, velhos e adultos. O economista defende que o terceiro setor no Brasil possui entre gestores, voluntários, doadores e beneficiados cerca de 12 milhões de pessoas.
Luiz Eduardo Soares no Prefácio do livro "Terceiro Setor: Um Estudo Comparado Entre Brasil e Estados Unidos” afirma que é necessário que o Estado tenha uma presença mais forte nos locais que o Terceiro Setor age, devido ao reconhecimento da sociedade pela extraordinária e crescente ação desse novo ator (o Terceiro Setor) como fenômeno
histórico, com impacto que vai além da economia, ultrapassa o mercado e faz sentir seus efeitos em todas as esferas- chave para a construção e consolidação de uma ordem social verdadeiramente democrática.
3. METODOLOGIA
Este estudo Foi desenvolvido a partir de revisão de literatura, livros, artigos, leis e relatórios de pesquisas e revistas eletrônicas.
4. CONSIDERAÇÕES
Este artigo teve por objetivo mostrar a importância do Terceiro Setor para a sociedade e, também demonstrar que as associações organizadas com objetivos de construir projetos sociais visando ao bem coletivo é uma prática antiga, e que vem crescendo cada vez mais. Com esta pesquisa não temos a pretensão de esgotar o assunto, mas sim, pretendemos estender, aprofundar em outros artigos, posteriormente, para que o terceiro setor seja exposto em vários ângulos. Com essa exposição teremos a noção dos benefícios e também dos problemas deste setor que a cada dia mais vem sendo reconhecido como um importante aliado do setor governamental e do empresarial na assistência das necessidades da sociedade, na defesa dos direitos sociais, na solução de problemas ambientais.
REFERÊNCIAS
COELHO, Simone de Castro Tavares, Terceiro Setor: um estudo comparado entre Brasil e Estados Unidos, São Paulo: Editora SENAC, São Paulo, 2000.
FALCONER, Andres Pablo, VILELA, Roberto, Recursos privados para fins públicos: As grantmakers brasileiras, São Paulo, Petrópolis: Grupo de institutos e Empresas, 2001.
FRANCO, Augusto de, “A questão do fim público das organizações do terceiro setor”, Em relatório sobre o desenvolvimento humano no Brasil, São Paulo, PNUD/ IPEA,1997.
KANITZ, Stephen, O que é o terceiro setor, Disponivel em: http://www.filantropia. org/OqueeTerceiroSetor.htm. Acesso em 10 abr. 2013.
MEREGE, Luiz Carlos (coord), 3º Setor: Reflexões sobre o marco legal, Ed. Fundação Getulio Vargas, 2000.
SALAMON, Lester, A Emergência do Terceiro Setor - Uma revolução associativa global, 1997. SOARES, L C, Prefacio: In: Terceiro Setor, São Paulo, Ed. Senac SP, 2000.
VINHAS, Laisa Agostini e SILVA, Stephanie Cristhyne da. Cristiana Chieffi (Rev.), Terceiro Setor, Disponível em: http://terceiro-setor.info/index.html, Acesso em 15 Mar. 2013.