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A catalogação no contexto linked data

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A CATALOGAÇÃO NO CONTEXTO LINKED DATA

CATALOGING IN THE CONTEXT OF LINKED DATA

GT3 - Tecnologia e Organização do Conhecimento

Artigo Completo Para Comunicação Oral

TOMOYOSE, Kazumi1 GALHARDO JÚNIOR, Fúlvio José2 CAVALHEIRO, Karen Cristina Soares3 RESUMO

Com a ampliação da ocupação da World Wide Web na sociedade atual aumenta-se a necessidade de se abordar sua implicação para o campo da Biblioteconomia e Ciência da Informação. Por meio de uma abordagem exploratória e descritiva buscou-se analisar a inserção da Catalogação na Web Semântica, em específico, alinhada à iniciativa Linked Data, a partir do levantamento bibliográfico sobre os temas. Constata-se que os objetivos da Catalogação e do Linked Data se intersectam e se complementam, uma vez que ambas visam a eficiência na recuperação da informação, enquanto a Catalogação potencializa a organização do Linked Data e este enriquece as relações dos recursos informacionais representados pela Catalogação. Ao analisar a Ciência da Informação e seus campos sob a perspectiva das tecnologias que se desenvolvem no âmbito da semantificação da Web, é possível tecer novas bases para a área, potencialmente proporcionando sua maior inovação. Palavras-chave: Catalogação. Linked Data. Representação da informação.

ABSTRACT

With the expansion of the occupation of the World Wide Web in the current society the need to approach its implication for the field of Library and Information Science increases. Through an exploratory and descriptive approach, we sought to analyze the insertion of the Cataloging in the Semantic Web, in specific, aligned to the Linked Data initiative, based on the bibliographic survey on the themes. It is observed that the objectives of Cataloging and Linked Data intersect and complement each other, since both aim at efficiency in information retrieval, while Cataloging enhances the organization of Linked Data and the initiative enriches the relations of the information resources represented by Cataloging. By analyzing Information Science and its fields from the perspective of the technologies that are developed in the context of Web semantification, it is possible to lay new foundations for the area, potentially providing its greatest innovation.

1 Discente de graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Email: [email protected].

2 Discente de graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Email: [email protected].

3 Discente de graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Email: [email protected].

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___________________________________________________ Keywords: Cataloging. Linked Data. Information Representation.

1 INTRODUÇÃO

Diante do cenário de constante crescimento e expansão do ambiente da World Wide

Web (ou apenas Web), a presença de instrumentos para o gerenciamento da informação nesse

âmbito torna-se de grande importância, uma vez que a recuperação de informações pertinentes é afetada, devido ao grande acúmulo de conteúdos, que carecem, em sua grande maioria, de representações adequadas que permitam sua identificação precisa. Visto isso, podemos atribuir relevância para as novas tecnologias que contribuem para a construção e estruturação de elementos e linguagens de representação na Web, como é o caso do Linked

Data: um instrumento idealizado a partir da proposta da Web Semântica, com o intuito de

arquitetar formas de recuperação, representação e ligação de recursos.

Conforme o escopo da representação da informação, o fundamento dos princípios da Catalogação se destaca pelos preceitos já consolidados em suas propriedades, sendo necessário um zelo no momento de construção do registro, isto é, de forma que os dados proporcionem integralidade e consistência na descrição dos recursos informacionais.

Neste sentido, o artigo objetiva-se a analisar as relações entre os fundamentos da Catalogação e os princípios Linked Data. Os procedimentos metodológicos são de carácter exploratório e descritivo e foi realizado a partir de análise da literatura bibliográfica referente aos temas de Catalogação e Linked Data.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

A representação da informação no contexto da Ciência da Informação consiste em uma das principais atividades realizadas pelos bibliotecários, com a finalidade de cumprir o objetivo principal dos acervos informacionais: atender ao usuário levando em consideração suas necessidades, para que o mesmo possa localizar, acessar e recuperar a informação buscada.

Os diferentes recursos informacionais podem ser descritos de acordo com suas características físicas (forma) ou de conteúdo. Por meio da representação dos diferentes aspectos de um objeto é possível otimizar o processo de busca pela informação, auxiliando, ainda, no desenvolvimento de instrumentos bibliográficos como os catálogos e as bibliografias (MEY, 1995).

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A representação dos aspectos físicos de um objeto é atribuída ao campo da Catalogação, a representação descritiva, enquanto a descrição do conteúdo de um objeto é foco de estudo da Classificação, a representação temática. Entretanto, vale ressaltar que ao abordar as representações descritiva e temática, ambas se relacionam, não sendo áreas de estudo opostas, mas sim complementares, uma vez que são guiadas pelo mesmo princípio de auxiliar no processo de recuperação da informação, distinguindo-se no foco dos elementos a serem representados.

Tendo em vista que tanto a representação descritiva quanto a representação temática da informação têm como objetivo de maior relevância possibilitar a recuperação e o acesso a recursos informacionais aos usuários, esses recursos precisam ser eficientemente tratados e identificados de forma única em diferentes tipos de sistemas informacionais (ALVES, 2010). Para tanto, utiliza-se o processo de catalogação que consiste desde o tratamento descritivo da informação até a análise de assunto.

Alinhando-se às necessidades dos usuários à descrição dos objetos informacionais, o campo da Catalogação busca representar diferentes recursos de acordo com suas características descritivas, tornando-os unicamente identificáveis. Mey e Silveira (2009, p. 07) definem a catalogação como

O estudo, preparação e organização de mensagens, com base em registros do conhecimento, reais ou ciberespaciais, existentes ou passíveis de inclusão em um ou vários acervos, de forma a permitir a interseção entre as mensagens contidas nestes registros do conhecimento e as mensagens internas dos usuários.

Assim, a catalogação considera que independentemente do meio no qual os registros do conhecimento residem ou seu(s) acervo(s), deve ser permitida a comunicação entre esses registros do conhecimento e as mensagens internas dos usuários, ou seja, o termo ou expressão que o usuário conhece como sendo aquilo que ele busca (MEY, 1995; MEY; SILVEIRA, 2009).

Uma das principais características da catalogação são os relacionamentos entre os recursos que seus processos permitem, aumentando o escopo de escolhas que podem ser realizadas pelos usuários para satisfazer suas necessidades informacionais. Isso pode ser feito por meio do fornecimento de opções, como traduções, suportes ou versões, de determinado item buscado, ou mesmo para promover novos itens desconhecidos pelo usuário que realiza a

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busca de forma mais generalizada, sem um recurso informacional específico em mente (MEY, 1995; MEY; SILVEIRA, 2009).

Para a efetividade da catalogação há alguns elementos fundamentais. São eles: 1. Descrição bibliográfica;

2. Pontos de acesso;

3. Localização ou o próprio documento (GORMAN, 2004)

A descrição bibliográfica consiste nos diferentes tipos de dados e as informações que representam. Para tal, utiliza-se o International Standard Bibliographic Description (ISBD), padrão internacional desenvolvido para uniformizar a descrição desses dados, sendo incorporado aos Códigos de Catalogação a partir da década de 70, inclusive na segunda edição revisada do Código de Catalogação Anglo-Americano (AACR2r), em sua parte I (MEY; SILVEIRA, 2009). Criado em 1967 a partir da “Conferência Internacional sobre Princípios de Catalogação” ocorrida em 1961 em Paris, patrocinada pela UNESCO e organizada pela IFLA, o código adquiriu atualizações ao longo do tempo, renovando sua estrutura e ampliando os suportes, estes sendo advindos da prosperidade das tecnologias da informação (FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE ASSOCIAÇÕES DE BIBLIOTECÁRIOS, 2018?).

Os pontos de acesso são termos que podem corresponder a um nome, título ou expressão, por meio dos quais o usuário pode encontrar e acessar os registros bibliográficos dos recursos informacionais (GORMAN, 2004; MEY; SILVEIRA, 2009). São eles que permitem que os mesmos sejam reunidos de acordo com suas semelhanças e ligam o usuário ao registro (GORMAN, 2004; MEY; SILVEIRA, 2009). A parte II da AACR2r volta-se para os pontos de acesso, orientando para a estruturação do conteúdo dos registros bibliográficos.

Já a localização consiste na atribuição de um código identificador pela biblioteca, acompanhando o número de chamada, para a localização dos itens em seu acervo, guiando o usuário ao recurso desejado (GORMAN, 2004; MEY; SILVEIRA, 2009).

No contexto dos Códigos de Catalogação, padrões de catalogação utilizados para guiar o processo de catalogação do profissional, Assumpção e Santos (2013, p. 204) expõem a defasagem da AACR2r, uma vez que “[...] sua estrutura está voltada aos catálogos com descrições em papel, muitas vezes, no formato de fichas.”. Como alternativa ao código, desenvolve-se o Resource Description and Access (RDA), padrão baseado nos seguintes princípios, modelos e padrões estabelecidos pela International Federation of Library

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[...] o International Cataloguing Principles (ICP), que atualiza os ‘Princípios de Paris’, nos quais a AACR é baseada; Functional Requirements for Bibliographic Records (FRBR) e Functional Requirements for Authority Data (FRAD), que fornecem os modelos conceituais fundamentais (entidades, relacionamentos e atributos) e user tasks, tarefas de usuários, para o RDA; e o International Standard Bibliographic Description (ISBD), que fornece uma visão de como os dados baseados em RDA podem ser apresentados. (JOINT STEERING COMMITTEE FOR DEVELOPMENT OF RDA, 2010, n.p., tradução nossa).

Assim, o Resource Description and Access (RDA) possui como diferencial o apoio que fornece para a catalogação de recursos digitais, além de focar nos aspectos de localização, identificação, seleção e obtenção da informação desejada pelos usuários (JOINT STEERING COMMITTEE FOR DEVELOPMENT OF RDA, 2010).

As bibliotecas são entidades que devem se comunicar umas com as outras para melhor servir seus usuários e promover a sustentabilidade, não estando a Catalogação fora dessa cooperação. Por meio da utilização de linguagem padronizada no processo da catalogação economizam-se seus custos, gerando economia tanto de recursos financeiros quanto de tempo (MEY; SILVEIRA, 2009). Esse processo de cooperação e intercâmbio de registros bibliográficos é realizado atualmente a partir do download de registros em formato

Machine Readable Cataloging (MARC) diretamente no sistema da instituição (JOUDREY;

TAYLOR; MILLER, 2015).

Como resultado do processo de catalogação, os catálogos são instrumentos bibliográficos que realizam a comunicação entre o acervo e os usuários, definidos por Mey (1995, p. 09) como os “[...] cana[is] de comunicação estruturado[s], que veicula[m] mensagens contidas nos itens, e sobre os itens, de um ou vários acervos, apresentando-as sob forma codificada e organizada, agrupadas por semelhanças, aos usuários desse(s) acervo(s)”. Dessa forma, por meio da apresentação em uma única ferramenta das representações das características identificadoras dos recursos informacionais torna-se possível facilitar a identificação e recuperação dos objetos informacionais.

Para que o catálogo seja de fato eficiente no cumprimento de seu objetivo, a presença de algumas qualidades fazem-se necessárias: a uniformidade, como forma de garantir a fácil compreensão e manuseio do catálogo, assim como permitir a reunião dos itens por suas semelhanças; a economia, tanto na preparação quanto na manutenção, em questão de

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tempo e recursos; e a atualidade, devendo o catálogo estar sempre atualizado, de acordo com o acervo (MEY, 1995).

Os catálogos podem ser manuais ou automatizados. Os primeiros se apresentam em formato impresso, podendo ser em livro, folhas soltas ou fichas, enquanto os catálogos automatizados encontram-se em ambiente online, fichas (automatizadas) ou microfichas (MEY, 1995).

A representação e a descrição correta dos recursos informacionais exigem metadados e padrões de metadados adequados. Segundo Alves (2010, p. 47) metadados são

[...] atributos que representam uma entidade (objeto do mundo real) em um sistema de informação. Em outras palavras, são elementos descritivos ou atributos referenciais codificados que representam características próprias ou atribuídas às entidades; [...].

Tanto nos catálogos manuais quanto nos automatizados são usados elementos descritores. Esses elementos descritores são os metadados,conhecidos também como atributos, podendo ser compreendidos, de forma simples, como tags (etiquetas) que representam a informação sobre o recurso que será descrito.

Já os padrões de metadados, ainda de acordo com Alves (2010), são elementos descritivos padronizados para usos mais direcionados que atendem às especificidades de recursos, de forma a manter a coerência entre os elementos, a interoperabilidade entre os recursos a serem descritos e promover facilidade de acesso aos recursos informacionais. Mey e Silveira (2009) apontam, também, que os metadados possuem normas, e cada padrão de metadados possui objetivos específicos, podendo coexistir sem problemas em um mesmo recurso informacional.

Os metadados possuem tipos e granularidades. Riley (2017) evidencia os tipos de metadados, sendo eles: metadados descritivos; metadados administrativos (dentro dos quais se encontram os metadados técnicos, os metadados de preservação e os metadados de direitos); metadados estruturais e de linguagem de marcação.

Compreende-se, então a relevância dos tipos de metadados e seus padrões, uma vez que são necessários para a devida representação da informação, garantindo: o correto armazenamento, a melhoria na busca, recuperação e acesso à informação.

Para a representação e intercâmbio dos registros bibliográficos no ambiente automatizado, utilizam-se os formatos de comunicação, como o MARC, amplamente usado na troca de dados legíveis por máquinas (LIBRARY OF CONGRESS, 2008). O MARC se

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desenvolveu inicialmente na década de 60, sendo que seus padrões foram se adaptando até o estabelecimento de um padrão em 1994, conhecido como MARC21, que possibilita o compartilhamento de registros de catalogação (SANTOS, 2008).

A estrutura do MARC21 possui campos para atributos como título, subtítulo, data, etc., nos quais devem ser adicionados pelo bibliotecário os valores que representarão o recurso informacional (LIBRARY OF CONGRESS, 2017; SANTOS, 2008). Um de seus principais benefícios consiste em extinguir o retrabalho da catalogação, permitindo que registros sejam trocados entre instituições.

Os novos padrões de metadados impulsionam perspectivas de trabalho a partir dos novos elementos de estrutura usados, como o eXtensible Markup Language (XML) e o

Resource Description Framework (RDF), linguagens de representação e descrição de

recursos na Web, promovendo harmonia com os objetivos do Controle Bibliográfico Universal – uma parceria da International Federation of Library Associations and

Institutions (IFLA) e adotado pela United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO) com o objetivo de promover o intercâmbio de dados bibliográficos

em escala universal, como forma de controle e compartilhamento de registros (ROMANETTO; SANTOS; ALVES, 2017). Assim, o Linked Data apresenta-se como uma prática para o melhor estruturamento e representação de dados na Internet.

O Linked Data faz parte de um dos elementos da Web Semântica, uma proposta de estruturação da Web de forma que os computadores possam atribuir e processar significados aos metadados de um conteúdo, realizando inferências entre o próprio registro e outros, permitindo uma melhor cooperação entre pessoas e máquinas (BERNERS-LEE; HENDLER; LASSILA, 2001).

A iniciativa Linked Data se relaciona com a ligação de elementos na construção do “bolo de noiva” (Figura 1), uma estrutura de camadas que descreve linguagens e recursos essenciais para produção da Web Semântica.

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Figura 1 - O “bolo de noiva” ou “pirâmide da Web Semântica”

Fonte: Isotani; Bittencourt (2015).

Para melhor organização dos dados, cada recurso no contexto da Web Semântica e

Linked Data possui um Uniform Resource Identifier (URI), identificador único que permite

que cada recurso não se repita e possua um registro exclusivo na Web, facilitando suas ligações e contribuindo para a concretização da catalogação única (ISOTANI; BITTENCOURT, 2015).

Alguns princípios são usados para a formação do Linked Data, sendo eles: 1. Uso de URIs para nomeação de recursos;

2. Uso de URIs HTTP para localização de recursos;

3. Adoção de padrões para descrição e recuperação de recursos;

4. Estabelecimento de links entre URIs para recuperação de recursos relacionados (WORLD WIDE WEB CONSORTIUM, 2016).

Destaca-se aqui o projeto Linking Open Data (LOD), variação do Linked Data, constituindo-se do esforço do World Wide Web Consortium (W3C) em criar uma comunidade que se empenha na publicação de dados abertos, ou seja, dados disponíveis para quaisquer usuários que desejam acessá-los, utilizá-los, modificá-los e compartilhá-los. O projeto deu

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origem ao LOD cloud diagram, retratado na Figura 2, sendo um diagrama em forma de nuvem representando diversos domínios (URIs) e suas inferências, dando uma ideia mais clara da aplicação do Linked Data:

Figura 2 - The Linking Open Data cloud diagram

Fonte: McCrae, 2018.

Cada um dos círculos, ou nós, representam um dataset (conjunto de dados), sendo que as linhas que os conectam representam as relações entre esses conjuntos de dados. A inserção de dados abertos interligados no LOD cloud promove maior utilização dos mesmos, resultando, consequentemente, em sua maior eficiência.

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___________________________________________________ 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O trabalho exploratório e descritivo foi realizado a partir de análise da literatura bibliográfica referente aos temas de Catalogação e Linked Data, sendo a pesquisa bibliográfica “[...] desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos.” (GIL, 2002, p. 42).

Por meio da análise de caráter exploratório e descritivo sobre os temas é possível construir um conhecimento teórico sobre as perspectivas do campo da Catalogação na proposta Linked Data, no ambiente da Web, de forma a melhor compreender as contribuições que um pode proporcionar ao outro.

O recorte de pesquisa restringiu-se às publicações nos idiomas português, inglês e espanhol, sendo utilizadas as seguintes bases de dados para suportar o desenvolvimento do artigo: Banco de Teses e Dissertações da CAPES, Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação (BRAPCI), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Web of Science, restringindo-se às publicações datadas entre o período de 2000 a 2018, sendo que são citados, ainda, alguns clássicos da área.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Com o desenvolvimento do ambiente Web e de tecnologias nela inseridas, o processo de descrição da informação se ajusta para melhor servir às necessidades dos usuários:

Para a Catalogação descritiva, a evolução tecnológica potencializou o aprimoramento das ferramentas de trabalho, o que deu origem a uma nova perspectiva de infraestrutura tecnológica para o intercâmbio de metadados, que tem sido aplicada nos novos padrões de metadados em desenvolvimento, assim como no mapeamento de padrões já adotados no domínio bibliográfico, criando condições para a concretização da catalogação única idealizada por Charles Jewett e do Controle Bibliográfico Universal pela IFLA. (ROMANETTO; SANTOS; ALVES, 2017, p. 585).

Diante disso, o campo da Catalogação ganha novas perspectivas, passando a fazer parte dessa nova realidade tecnológica, auxiliando na inserção dos princípios básicos de organização que regem a Ciência da Informação na Web.

Considerando as finalidades do processo de catalogação é possível relacioná-las aos objetivos da proposta Linked Data. A catalogação ocupa-se da recuperação da informação

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com base nas descrições de forma dos recursos, enquanto o Linked Data busca interligar dados estruturados (metadados) relacionados, presentes na Web, com a utilização de ligações semânticas. Portanto, o Linked Data não só contribui para o processo catalográfico de recuperação e acesso como também se torna cada vez mais necessário:

Com a atual tecnologia em catálogos de arquivos, bibliotecas e museus, é possível tão somente fazer um link de um registro do catálogo para um recurso Web externo; é impossível fazer o link inverso, ou então o link de um registro do catálogo de uma biblioteca para o de outra, ou do registro do catálogo de uma biblioteca para o de um arquivo ou o de um museu. Tal situação se torna um empecilho à integração em larga escala do conteúdo de catálogos de arquivos, bibliotecas e museus, com a infinidade de outros recursos informacionais agora disponíveis na Web. (MARCONDES, 2012, n.p.).

Ao analisar esses objetivos, é possível afirmar que a iniciativa Linked Data confere à Catalogação maior alcance, uma vez que poderia interligar dados relacionados, referentes aos recursos informacionais e propiciar uma sustentabilidade de dados gerados (NININ; SIMIONATO, 2014/2017), em um mesmo acervo ou em diferentes acervos, ampliando as possibilidades de recuperação da informação e evidenciando acervos de diferentes entidades, considerando-se, ainda, que ambos trabalham com os metadados para a representação da informação.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Dessa forma, tanto o Linked Data como outras ferramentas com intenções para representação semântica (RDF, URIs, Ontologias) servem como alicerces que constroem uma Catalogação mais representativa, recuperável e acessível, beneficiando, também, na qualidade das respostas de busca da informação.

Foi possível realizar a exploração e análise da Catalogação e da proposta Linked

Data, objetivo delineado pelo presente trabalho, de forma bem-sucedida, constatando-se,

porém, que apesar da intersecção observada entre a Catalogação e Linked Data no que diz respeito a seus objetivos e aplicações, aponta-se para a escassez de literatura que relaciona ambos os campos.

Considera-se ainda que a conciliação entre a Catalogação e Linked Data consegue aperfeiçoar o objetivo de unicidade e eliminação do retrabalho almejados por ambos os campos.

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Ao abordar a Ciência da Informação com novos olhares é possível enriquecer a área por meio da aplicação desses instrumentos e tecnologias já desenvolvidas, inovando o campo e abrindo espaço para a elaboração de novos conhecimentos capazes de potencializar a base teórica e prática dos estudos da informação.

AGRADECIMENTOS

Ao auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), ao Grupo de Pesquisa “Dados e Metadados” e à Prof.ª Dr.ª Ana Carolina Simionato.

REFERÊNCIAS

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