Novembro, 2018 data base: 31 de Outubro de 2018
Atravessamos finalmente o período eleitoral e pode-se dizer que a economia reagiu relativamente bem no período. É bem verdade que a incerteza da transição política foi responsável em parte pelo desempenho fraco da economia em 2018, mas em vista do tamanho de nossas fragilidades, o efeito parece ter sido até pequeno. Se não fosse pela gestão fiscal dos últimos anos, a incerteza teria pesado mais sobre a economia brasileira.
De qualquer maneira se perdeu tempo. Depois de o país sofrer a maior recessão de sua história, a recuperação está gradual demais. As famílias e as empresas parecem já ter feito todo o ajuste
econômico e financeiro e estão preparadas para um novo ciclo de crescimento. Falta, portanto, o
governo continuar fazendo a sua parte e gerar uma reversão ainda mais rápida do déficit primário que assola as contas públicas e gera uma trajetória da dívida pública que se mostra insustentável. A despeito de todos os esforços recentes, que
contaram com a aprovação da lei que instituiu o teto de gastos para a administração federal, falta muito para o país gerir de forma responsável as contas públicas brasileiras. Afinal, a gestão fiscal nada mais é do que determinar prioridades de gasto, pois apenas uma fração das demandas cabe no
orçamento.
Há que se avançar mais ainda na gestão fiscal. Por mais engenhoso que seja o teto de gastos, ele carece dos instrumentos necessários ao seu cumprimento ao longo do tempo. É necessário, portanto, que a partir de agora a agenda seja voltada, por um lado, à discussão dos gastos constitucionais (com destaque para a previdência) e, por outro, a um possível aumento da receita, sendo desejável que isso ocorra sem um aumento da já elevada carga tributária. Há, por exemplo, espaço para avanço nas reversões de subvenções fiscais. Caso se deseje mantê-las, é importante que pelo menos as subvenções apareçam de forma mais transparente no orçamento federal, para que os contribuintes saibam onde estão sendo
investidos os recursos que eles pagam por meio dos impostos. Pode parecer uma questão menor, mas não é: a sociedade precisa entender que o orçamento não é o dinheiro de uma entidade etérea,
própria sociedade exija um bom gasto por parte do executivo e do legislativo.
Será preciso que o novo governo gaste o seu capital político inicial exatamente em questões fiscais. Se esse for mesmo o caso, as confianças devem continuar a se fortalecer, impulsionando a
expectativa de crescimento para o ano que vem. Em se gerando tal crescimento inicial, o próprio capital político do presidente se fortalece, gerando um possível ciclo virtuoso onde a expectativa de mais reformas gera um ambiente em que o crescimento aumenta, dando incentivos maiores a que as mudanças fiscais sejam de fato aprovadas. Por conta dessa possibilidade, revisamos o crescimento para 3% em 2019 (saindo de 1,3% em 2018), embutindo uma probabilidade elevada de aprovação da reforma da previdência (assim como a defesa de uma pauta positiva mais abrangente do ponto de vista fiscal). Além disso, acreditamos que a reforma da previdência que será apresentada irá
surpreender positivamente o mercado no curto prazo.
A despeito das incertezas externas (e políticas, no plano doméstico), apostamos que o câmbio se manterá relativamente apreciado no curto prazo, provendo um colchão para a inflação doméstica a qual se manterá em 4,2% tanto em 2018 quanto em 2019. Vale ressaltar que a inflação baixa é também resultado de um hiato do PIB muito negativo. É bem verdade que o crescimento mais robusto gerará uma trajetória mais rápida de fechamento de hiato, mas há tanta ociosidade hoje na economia que não esperamos fortes pressões de demanda sequer em 2019. Com isso, acreditamos que haja espaço para que a taxa de juros se mantenha no patamar atual durante todo o ano de 2019, condicional, é claro, que não haja uma crise externa de grandes proporções.
É bom lembrar que esse cenário é bastante condizente com uma agenda positiva inicial por parte do próximo governo e com um esforço grande para entregar essa agenda, sobretudo no âmbito fiscal. As condições iniciais parecem favoráveis, mas o seu sucesso é longe de assegurado. Dessa forma, avaliaremos constantemente os passos do
Nos Estados Unidos, as últimas semanas tiveram como destaque a divulgação de importantes indicadores, incluindo a primeira estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre. De acordo com o instituto estatístico do país (BEA), a atividade doméstica cresceu 3,5% no terceiro trimestre (taxa anualizada). O resultado marca uma desaceleração em comparação à taxa vista no segundo trimestre, porém aponta para um ritmo de expansão mais forte do que o esperado pelo consenso de mercado. Tão importante quanto o resultado geral, a composição da demanda doméstica e externa dá sinais de que a economia caminha para fechar o ano com uma expansão real próxima de 3,0%.
Ainda que a realidade tenha desafiado a teoria por um tempo, com a inflação mantendo-se moderada mesmo em um ambiente de baixa ociosidade e rápido crescimento, notamos sinais de aceleração dos preços, e,
principalmente, de salários – uma tendência que pode ser exemplificada pelo comportamento do índice de custo do emprego, que subiu mais do que o esperado no terceiro trimestre. A pergunta que surge naturalmente é como esse cenário afeta as decisões de política monetária. Nesse caso, a resposta já não é tão óbvia. Após um ciclo gradual de altas, o Federal Reserve tem se debruçado cada vez mais na discussão sobre o quão desejável é levar a taxa de juros para um patamar acima do seu nível neutro e sobre o balanço de riscos para uma economia que é sujeita ao arrefecimento do impulso fiscal positivo e a possíveis choques associados à guerra comercial travada entre os Estados Unidos e a China. Por ora, seguimos confortáveis com o nosso cenário base, que antevê mais uma alta de juros em dezembro de 2018 e quatro altas ao longo de 2019. Dito isso, ressaltamos que os riscos em torno da projeção para o próximo ano parecem ser concentrados na hipótese de um processo mais lento de aperto das condições monetárias. Assim como no caso dos Estados Unidos, as últimas semanas contaram com a divulgação do PIB das
principais economias europeias. As surpresas, no entanto, foram negativas para o bloco de uma maneira geral, indicando crescimento aquém do esperado por parte dos analistas. O crescimento de 1,7% entre o terceiro trimestre de 2017 e de 2018 marca uma desaceleração frente ao ritmo de 2,2% visto no trimestre imediatamente anterior. Tal informação foi disponibilizada após a reunião do
Além dos indicadores econômicos menos favoráveis, o Banco Central também poderá se defrontar com perguntas sobre a influência do ambiente político nas perspectivas econômicas. Ainda que seja difícil inferir o impacto direto das incertezas políticas, espera-se que os debates sobre o orçamento fiscal italiano afetem a confiança dos agentes econômicos, limitando a expansão da atividade de uma das maiores economias europeias. Na Alemanha, por sua vez, identificamos nas eleições regionais os sinais de que a fragmentação do parlamento seja um fenômeno persistente, um desafio importante quando pensamos em discussões sobre a Zona do Euro. Mesmo no âmbito da União Europeia, não faltam considerações sobre o progresso lento das negociações em torno do Brexit e uma possível descontinuidade das relações comerciais e diplomáticas entre o Reino Unido e os países europeus. Dessa forma, será importante acompanhar a evolução dos temas políticos e econômicos no curto prazo, mantendo sempre em mente que estes poderão influenciar tanto o início quanto a trajetória do processo de normalização da política monetária europeia. Na China, encontramos cada vez mais motivos para manter um viés cauteloso para nossas projeções. Tanto os dados de atividade do terceiro trimestre quanto os índices de confiança de diferentes setores da economia (PMI) publicados nas últimas semanas foram mais baixos no do que o esperado. Além disso, foram anunciadas medidas estimulativas tanto antes quanto depois da divulgação do PIB do 3º trimestre, que decepcionou parte dos analistas ao revelar uma expansão de 6,5% entre 2017 e 2018. Exemplos claros nesse sentido incluíram cortes nos depósitos compulsórios, uma medida que visa aumentar a liquidez das instituições financeiras e tende a impactar a disponibilidade de crédito, cortes de impostos sobre a renda e uma redução significativa de impostos sobre automóveis. Entre manchetes desencontradas, segue viva a possibilidade de anúncio de novas tarifas para a importação de produtos chineses para os Estados Unidos, mantendo um nível de incertezas elevado e, possivelmente, limitando uma melhora da confiança que os agentes têm para a economia chinesa nos próximos trimestres. Por essa razão, avaliamos que será importante acompanhar o comportamento dos indicadores de curto prazo de atividade, o processo de desalavancagem financeira e as sinalizações dos principais formuladores de política econômica na China, pois estas informações
Em outubro, devido à diminuição da incerteza com o resultado eleitoral e à expectativa de
encaminhamento de uma agenda econômica construtiva pelo novo governo, os prêmios de risco recuaram e o mercado de renda fixa apresentou forte desempenho positivo.
O dólar caiu 7,15% contra o real, encerrando o mês a R$ 3,72 (cotação PTAX). A expectativa de ingresso de recursos estrangeiros (via ofertas públicas de ações, captações de dívida externa, investimentos estrangeiros diretos, entre outros) e a diminuição das posições de proteção da indústria de fundos impulsionaram o movimento. O
comportamento da moeda brasileira destoou do de seus pares, num mês de valorização generalizada da moeda americana em relação às divisas consideradas fortes e emergentes.
A mudança de percepção com os rumos da política monetária foi significativa. O cenário básico, até o início do mês, considerava uma elevada probabilidade de que o próximo ciclo do Copom seria de alta da taxa Selic. Restavam dúvidas somente sobre o timing de início do processo e sua intensidade. Atualmente, a curva de juros prefixados precifica alta de 1,9p.p. da taxa Selic até o final de 2019 contra 3,6p.p. no final de setembro.
As taxas indicativas no DI Janeiro 2019 e 2021 recuaram, respectivamente, 0,27p.p. e 1,46p.p. (para 6,43% e 8,12% ao ano), enquanto que no DI Janeiro 2025 a queda foi de 1,95p.p. (para 9,83% ao ano). O cupom da NTN-B 2050 recuou de 5,98% para 5,2% ao ano entre os finais de setembro e outubro.
Recentemente, revisamos o cenário macro em bases otimistas. O IPCA deverá variar 4,2% em 2018/19, ou seja, em nível confortável diante das metas, supondo uma taxa de câmbio relativamente apreciada no curto prazo. Com isso, acreditamos que haja espaço para que a taxa de juros se mantenha no patamar atual durante todo o ano de 2019, condicionado, é claro, a que não haja uma crise externa de grandes proporções.
As discussões sobre o potencial de recomposição dos resultados primários e de apresentação de um projeto robusto de reforma previdenciária
resultaram em um desempenho superior dos benchmarks com maior duração. O IRF-M valorizou-se 3,59%, sendo 0,92% a variação do IRF-M1 e de 4,71% do IRFM-1+. A valorização do IMA-B foi de 7,14%, sendo 3,1% do IMA-B5 e 10,66% do IMA-B5+. A referência de remuneração dos ativos pós-fixados, o IMA-S, variou 0,55%.
Para a diminuição da inflação implícita negociada no mercado de NTN-Bs, além da influência da queda do dólar, tivemos também quedas dos preços da gasolina, mudança de bandeira tarifária de eletricidade e descompressão das coletas agrícolas. No caso da NTN-B 2019, o recuo foi de 0,35p.p. e para os demais vencimentos, de cerca de 0,5p.p.
As preocupações com o cenário internacional trouxeram oscilações ao mercado de renda fixa, mas não foram predominantes para os resultados finais. Seguiram focadas sobre os riscos de uma aceleração inflacionária nos Estados Unidos e de uma desaceleração mais forte do que a projetada do crescimento de seus parceiros num contexto de disputas comerciais ainda em aberto.
Fonte: Bloomberg. 31 de Outubro de 2018. Elaboração: Itaú Asset Management
Fonte: Bloomberg. 31 de Outubro de 2018. Elaboração: Itaú Asset Management 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0 5,5 6,0 a g o -2 0 a g o -2 2 a g o -2 4 a g o -3 0 m a i-3 5 a g o -4 0 m a i-4 5 a g o -5 0 31/10/2018 26/10/2018 19/10/2018 11/10/2018 05/10/2018 7,0% 8,0% 9,0% 10,0% 11,0% 12,0% ja n -2 1 ja n -2 3 ja n -2 5 ja n -2 7 31/10/2018 26/10/2018 19/10/2018 11/10/2018 05/10/2018 100 140 180 220 260 300 340
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IBrX 100 Small Caps Dividendos Governança Ibovespa
O mercado brasileiro registrou uma forte valorização no mês de outubro, repercutindo a diminuição da incerteza com o resultado eleitoral e a expectativa de
encaminhamento de uma agenda econômica construtiva pelo novo governo. Apesar da piora do sentimento global de aversão ao risco, do aumento da volatilidade nos mercados acionários internacionais e da relevante queda mensal do S&P500 nos Estados Unidos o cenário nacional foi mais determinante para os desempenhos do Ibovespa (+10,19%) e do IBrX (+10,42%).
As maiores altas no Ibovespa vieram dos papéis nos setores imobiliário e de utilidade pública. Por outro lado, as maiores quedas ocorreram em materiais básicos e setor industrial.
A valorização relativa dos índices brasileiros foi destaque. Enquanto o MSCI-Word recuou 7,42% e o MSCI-Emerging Markets 8,78%, o MSCI-Brazil subiu 17,76% (variações denominadas em dólares). Ainda que o fluxo de investimentos estrangeiros em ações tenha sido negativo no mês, segundo os dados da B3, houve um crescimento da demanda por parte dos alocadores locais.
Recentemente, revisamos a projeção de crescimento do PIB para 3% em 2019 (saindo de 1,3% em 2018). Espera-se que o lucro médio das empresas que
compõem o Ibovespa, ponderado pela participação delas no índice, cresça 28,7% em 2018 e 15% em 2019. Avaliamos que exista um potencial de surpresa positiva
com os resultados se considerarmos os ajustes operacionais feitos no período de crise econômica e os investimentos adiados para 2019 (quer seja pela
incerteza trazida pela greve ou pela baixa visibilidade das eleições presidenciais até pouco tempo). Além disso, cresceu a chance do cenário de taxa Selic permanecer estável a 6,5% em 2018/19.
Nos Estados Unidos, com a queda de 6,94% sofrida em outubro, o índice S&P500 diminuiu os ganhos para apenas 1,43% no ano de 2018. Os investidores têm sido mais críticos com relação às perspectivas para o crescimento mundial, debatendo a possibilidade de uma desaceleração mais intensa que a contemplada até o momento nos cenários.
Temos a divulgação de dados mais fracos nas mais recentes pesquisas sobre o nível de atividade na Europa e na Ásia, além das dúvidas sobre os próximos passos das disputas comerciais envolvendo os EUA e os seus principais parceiros. Além disso, estamos no auge da temporada de divulgação de balanços corporativos de empresas listadas no mercado americano. Embora a maioria delas tenha reportado lucros acima das expectativas dos analistas, as informações de vendas, custos e as perspectivas para os negócios nos próximos trimestres foram menos brilhantes do que no passado recente. Por fim, o próprio aumento da volatilidade gera aversão ao risco, pois as estratégias tradicionais e sistemáticas acabam por diminuir posições para cumprir seus orçamentos de risco.
Fonte: Bloomberg. 31 de Outubro de 2018. Elaboração: Itaú Asset Management
15,48% 16,73%
3,87% 11,30%
Fonte: Bloomberg. 31 de Outubro de 2018. Elaboração: Itaú Asset Management
O dólar bem comportado, as projeções inflacionárias em torno das metas em 2018/19 e a expectativa de avanço de uma agenda econômica positiva fortalecem o cenário de estabilidade da taxa Selic a 6,5%a.a. até o final de 2019. Dessa forma, avaliamos que as atuais taxas prefixadas são atrativas.
Os investimentos em NTN-Bs com prazos de
vencimentos até cinco anos também são atrativos, pois tendem a se beneficiar da melhora dos fundamentos da economia brasileira. Contudo, entendemos que a relação risco x retorno é mais atrativa em Juros Prefixados. Isso porque a variação do IPCA que corrige os títulos poderá se desacelerar no decorrer dos próximos meses.
-70% -50% -30% -10% 10% 30% 50% 70% 90% -9.000 -7.000 -5.000 -3.000 -1.000 1.000 3.000 5.000 7.000 9.000 11.000 se t-1 2 n o v-1 2 ja n -1 3 m a r-1 3 m a i-1 3 ju l-1 3 o u t-1 3 d e z-1 3 fe v-1 4 a b r-1 4 ju n -1 4 a g o -1 4 n o v-1 4 ja n -1 5 m a r-1 5 m a i-1 5 ju l-1 5 o u t-1 5 d e z-1 5 fe v-1 6 a b r-1 6 ju n -1 6 a g o -1 6 o u t-1 6 ja n -1 7 m a r-1 7 m a i-1 7 ju l-1 7 se t-1 7 d e z-1 7 fe v-1 8 a b r-1 8 ju n -1 8 a g o -1 8 o u t-1 8 R $ M ilh õ e s
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