Analgésicos não-opióides
Metamizol (dipirona) (Dolocalma®, Nolotil®)
Efeito analgésico, antipirético, antiespasmódico e
ligeiramente anti-inflamatório
Risco de agranulocitose alérgica
Risco de hipotensão
Analgésicos não-opióides
Metamizol / dipirona (Dolocalma®, Nolotil®)
Mecanismo de acção
analgésico, antipirético, antiespasmódico (ligeiramente anti-inflamatório)
efeito antinociceptivo central >> periférico (inibição central da síntese das prostaglandinas e outro mecanismo de acção ainda não
completamente esclarecido)
Efeitos adversos
hipotensão agranulocitoseAnalgésicos não-opióides
Flupirtina (Metanor®)
Mecanismo de acção
analgésico e miorelaxante, sem feito antipirético ou anti-inflamatório efeito antinociceptivo central nos sistemas endógenos de inibição da dor (noradrenérgicos, serotoninérgicos) e receptores GABA
Não inibe a síntese de prostaglandinas
Efeitos adversos
fadiga miastenia
doenças da função hepática
Parecoxib
Dynastat®
Pró-fármaco do valdecoxib
Único coxib injectável, indicado sobretudo para o alívio
da dor pós-operatória
Parecoxib T
1/2=15-30 minutos; metabolito - valdecoxib
T
1/2= 8h
Analgésicos não-opióides
Combinações de analgésicos inibidores da síntese das
prostaglandinas
• aumento do risco de lesão renal
• aumento do risco de abuso
Ex:
Ácido acetilsalicílico + Paracetamol Ácido acetilsalicílico + Paracetamol + Cafeína etc...
“Entre os remédios que aprouve a Deus
Todo-Poderoso dar ao homem para aliviar o seu
sofrimento, nenhum é tão universal e tão eficaz
como o ópio”
Sydenham, 1680
Analgésicos opióides
Classificação
•
Opióides fracos (como p. ex. tramadol)
• Opióides fortes (como p. ex. morfina)
Definição
•
Os opióides são substâncias que actuam ligando-se
aos receptores opióides
• Os opióides diferem na intensidade de efeitos e no
Receptor
(OP3)
Receptor
(OP2)
Receptor
(OP1)
Receptor
Receptor
da nociceptina, ε
(OP4)
Receptores opiáceos
Polipéptidos de 3
famílias diferentes:
Encefalinas
Endorfinas
Dinorfinas
Mediadores endógenos dos receptores
opiáceos
Receptores opiáceos Tipo de receptor
Mu (μ)
OP3
Kappa (κ)
OP2
Delta (δ)
OP1
Ligando endógeno(principal afinidade) -endorfina dinorfina encefalina
Efeito
Analgesia Depressão respiratória Euforia Obstipação Analgesia Depressão respiratória Disforia Sedação Analgesia Depressão respiratória
Agonistas totais
Agonistas parciais
Antagonistas
É possível um
composto ter efeito
agonista num subtipo
de receptor opiáceo e
agonista parcial ou
total noutro
Origem natural Origem semi-sintética Origem sintética Morfina Codeína Diacetilmorfina Diidrocodeína Diidrocodeinona Oximorfona Alfentanil Buprenorfina Butorfanol Dextropropoxifeno Fenoperidina Fentanil Levorfanol Meperidina Metadona Nalbufina Pentazocina Remifentanil Sufentanil Tramadol Analgésicos centrais de acordo com a sua origem
Nome genérico Dose equipotente (mg) Duração de acção (h)
Morfina Codeína Heroína Meperidina Metadona Fentanil Alfentanil Sufentanil Pentazocina Nalbufina Buprenorfina 10 120 (200) 3 80-100 (300) 7,5 – 10 (20) 0,1 0,75 0,015 45 - 60 (25 – 100) 10 0,4 4 – 5 4 – 6 3 – 4 2 – 4 3 – 5 0,5 0,2 0,5 3 4 – 5 4 – 6
Doses equipotentes e duração de acção de diversos fármacos
opióides
Efeito analgésico
Farmacodinamia geral dos opiáceos
Local de acção supraespinal
• activação de vias inibitórias descendentes
• inibição da actividade neuronal (tálamo e sistema límbico)
Locais de acção espinais
• inibição pré e pós-sináptica da transmissão das fibras predominantemente
aferentes na medula espinal
Local de acção periférico
• ligação a receptores dos opióides em tecidos lesados/inflamados
Tolerância
Perda gradual da eficácia de uma mesma dose de morfina ou seus derivados após administrações repetidas.
Para que seja obtido o efeito inicial tem que ser administradas doses muito superiores.
Dependência física
Ocorrência de síndroma de abstinência quando o tratamento é interrompido ou se administra um antagonista.
Mecanismos de desenvolvimento de tolerância e dependência física não são completamente conhecidos
Analgesia
Dor é composta por uma componente sensitiva e uma componente emocinal. Opióides alteram ambos os aspectos da experiência dolorosa.
Euforia
Após administração de morfina, doente com dor experimenta uma sensação agradável de liberdade e bem-estar.
Outros doentes e indivíduos saudáveis podem experimentar disforia (sensação desagradável de cansaço e mal-estar).
Sedação
Sensação de turvação mental. Pouca ou nenhuma amnésia.
Sono é induzido mais facilmente em idosos do que em indivíduos jovens e saudáveis. Fácil acordar.
Diversas espécies manifestam excitação: gato, cavalo, porco, vaca.
Efeitos sistémicos da morfina e seus derivados
Depressão respiratória
Todos podem produzir depressão respiratória por inibição do centro respiratório a nível do SNC.
Supressão da tosse
Codeína, principalmente tem sido utilizada com vantagem em indivíduos com tosse ou com entubação endotraqueal.
Pode resultar em acumulação de secreções levando a obstrução das vias aéreas.
Aparecimento de tolerância.
Miose
Constrição pupilar é observada para todos os opiáceos.
Não sofre desenvolvimento de tolerância (válido para o diagnóstico de overdose por opiáceos).
Esta acção é bloqueada pelos antagonistas opióides e é mediada pelo parasimpático (bloqueada pela atropina).
Rigidez muscular do tronco
Intensificação do tónus dos músculos do tronco. Pode interferir com a ventilação.
Pode ser contrariada pela administração de antagonista (antagoniza também a acção analgésica).
Náuseas e vómitos
Analgésicos opióides pode activar quimioreceptores no cérebro que induzem náuseas e vómitos.
Efeitos sistémicos da morfina e seus derivados
Tracto gastrintestinal
Obstipação. Elevada densidade de receptores opióides no tracto gastrintestinal.
Tracto biliar
Opióides contraem o músculo liso biliar cólica biliar.
Tracto geniturinário
Função renal é deprimida pelos opiáceos.
Útero
Podem prolongar o trabalho de parto por mecanismo mal conhecido.
Alto Analgesia Euforia, disforia Turvação mental Sedação Depr. respiratória Antidiurese Náuseas e vómitos Supressão da tosse Moderado Bradicárdia Mínimo ou nenhum Miose Obstipação Convulsões Acção dos antagonistas
Graus de tolerância para alguns dos efeitos dos
opiáceos
Grupo Interacções com opiáceos
Sedativos hipnóticos
Aumento da depressão do SNC, particularmente depressão respiratória.Tranquilizantes antipsicóticos
Aumento da sedação. Efeitos variáveis na depressão respiratória. Acentuação dos efeitos cardiovasculares (acções antimuscarínicas e -bloqueantes.IMAO
Contra-indicação relativa para todos os analgésicos opiáceos devido à elevada incidência de coma hiperpiréxico; tem sido reportada hipertensão.Analgésicos
Edema pulmonar agudo
Tosse
Diarreia
Aplicações em anestesia
Utilização clínica dos compostos opiáceos
• Tramadol
• Dihidrocodeína
• Codeína
Opióides fracos
Analgésico de acção central com duplo mecanismo de acção:
Agonista fraco
Inibidor da recaptação da 5-HT e da noradrenalina (favorece a função da via inibitória descendente espinal)
Utilização:
Dores agudas (pós operatórias de média e fraca intensidade) Dores crónicas, incluindo neoplásicas. Papel importante devido à sua eficácia e ausência de obstipação. Nos doentes neoplásicos o tramadol deve preceder os opiáceos tradicionais
Efeitos adversos:
Efeitos adversos típicos dos opióides
náuseas, vómitos, tonturas, sudação, xerostomia (secura da boca) obstipação (menos do que a morfina)
depressão respiratória (muito raro) convulsões na sobredosagem Cinética: Biodisponibilidade oral: 70%
Tramadol
Duração de acção: 4 - 6 horas 8 – 12 horas (libertação prolongada) depressão respiratória (muito raro) convulsões na sobredosagem Posologia máxima diária:
6 mg/kg/dia; máximo 400 (-600) mg/dia Via de administração:
oral rectal
• Espectro de acção sobre os receptores opiáceos idêntico ao da morfina
• Menos potente
• Absorvida por via oral. Cerca de 10% é desmetilada em morfina
• Largamente utilizada, em doses relativamente baixas, como antitússico e pouco como analgésico
Potência:
Relação das doses que provocam um efeito com a mesma intensidade Ex.: Codeína é 12 vezes menos potente que a morfina 120 mg de codeína provocam um efeito analgésico idêntico ao de 10mg de morfina
Codeína
Mecanismo de acção:
Agonista dos receptores dos opióides
Codeína
Efeitos adversos:
Efeitos adversos típicos dos opióides
Em posologias terapêuticas, a codeína é menos propensa a
produzir efeitos adversos comparativamente com a morfina, embora a obstipação possa ser problemática com a administração a longo prazo
Outra utilização:
Cinética:
biodisponibilidade oral variável Duração de acção:
4 – 6 horas
Posologia máxima diária:
Posologia recomendada de 30 – 60 mg de 4 em 4 horas
Codeína
Via de administração:
oral, parentérica
Combinações de
Codeína
com analgésicos
não opióides
• Contêm codeína + paracetamol e/ou outros
analgésicos não opióides
ex: Dol-u-ron®, Dafalgan Codeína®
• A posologia do analgésico opióide não é
frequentemente reduzida
• Em comparação, a codeína é habitualmente
administrada em posologias muito baixas
Combinações de
tramadol
com
paracetamol
• Ambos os analgésicos em posologias quase
igualmente reduzidas (comparativamente com a
dose respectiva quando administrados em
monoterapia)
• efeitos analgésicos aditivos
• rápido início de acção devido ao paracetamol
Opióides fracos
Combinações de
tramadol
com
paracetamol
Efeitos adversos:
- Náuseas, tonturas, fadiga
- Cefaleias, vómitos, obstipação, diarreia
Cinética:
biodisponibilidade oral: 75% Duração de acção:
4 – 6 horas
Posologia máxima diária:
Máximo de 8 comprimidos contendo
37.5 mg de tramadol + 325 mg de paracetamol Via de administração:
oral
Opióides fracos
Combinações de
tramadol
com
paracetamol
• Morfina
• Metadona
• Oxicodona
• Hidromorfona
• Buprenorfina
• Fentanil
Opióides fortes
100 vezes mais potente do que a morfina Curta duração de acção
Efeitos farmacológicos semelhantes ao da morfina. Efeitos centrais da mesma intensidade para doses equianalgésicas
Escassos efeitos depressores cardiovasculares
Ao contrário da morfina, o fentanil não promove a libertação de histamina
Pode ser usado por via transdérmica (níveis terapêuticos durante cerca de 72 horas).
Fentanil
Fentanil
Mecanismo de acção:
agonista dos receptores dos opióides Efeitos adversos:
- náuseas, vómitos, depressão respiratória, tonturas, obstipação (menos do que com a morfina)
Vias de administração:
i.v., epidural e intratecal transdérmica = TTS
• Fentanil TTS
• Buprenorfina TDS
Sistemas terapêuticos transdérmicos
Adequados à terapêutica da dor crónica
Vantagens:
níveis sanguíneos constantes baixo risco de efeitos adversos
longa duração de acção (aproximadamente 72 horas) não é utilizado o tubo digestivo
sem efeito de primeira passagem elevada adesão do doente ao tratamento
Desvantagens:
sistema relativamente lento risco de irritação dérmica
•
Sistema de reservatório
Substância activa incorporada numa câmara, difusão através de uma membrana permeável •
Sistema de matriz
Substância activa homogeneamente dispersa na matriz
Fentanil TTS
Efeitos adversos:
- náuseas, vómitos, depressão respiratória, tonturas, obstipação (menos do que com a morfina)
Cinética:
Sistema de reservatório controlado por membrana / matriz D-trans
Débitos de administração: 25, 50, 75, 100 μg/h
Sem acumulação na insuficiência renal, utilização em hemodiálise
Fentanil TTS
Duração de acção:
início de acção: 12 horas (1-31 horas) duração de acção: 48-72 horas
constante temporal: 16 horas (2-22 horas) Posologia máxima diária:
Buprenorfina TDS
Efeitos adversos:
- náuseas, vómitos, depressão respiratória, tonturas, sedação, obstipação (menos do que com a morfina)
- irritação dérmica local
Cinética:
Sistema transdérmico de matriz (substância activa incorporada na matriz)
Débitos de administração: 35 μg/h equivalente a 0.8 mg/dia 52.5 μg/h equivalente a 1.2 mg/dia 70 μg/h equivalente a 1.6 mg/dia
Buprenorfina TDS
Duração de acção: início de acção: aproximadamente 10 horas duração de acção: 72 horas
semi-vida de eliminação (TDS 100): 12.6 h (± 8.1) Posologia máxima diária:
Exibe todos os efeitos da morfina, excepto o efeito antitússico. Em dose analgésica, os efeitos cardiovasculares são pouco marcados.
Em doses elevadas provoca depressão cardíaca, dependente da dose.
Intenso efeito de 1ª passagem.
Acumulação no organismo (insuf. renal, idosos) pode originar tremores, contracções musculares e convulsões.
Cirrose hepática, hepatite vírica aguda depuração plasmática,
aumenta a semi-vida e biodisponibilidade.
Uso frequente como analgésico IM no trabalho de parto.
Atravessa facilmente a placenta podendo provocar depressão central no recém-nascido.
Meperidina ou Petidina
Antagonizam a depressão respiratória.
Antagonizam o efeito analgésico.
Desencadear síndroma de abstinência.
Agonistas parciais vs. Antagonistas puros
Antagonismo dos opióides
Antagonista competitivo a nível dos receptores , , e .
Na ausência de agonistas é praticamente destituída de efeitos. Apenas ligeira sonolência para doses muito altas.
Administração i.v. Tempo de latência muito curto (1-2 minutos). Duração do efeito: 20-40 minutos.
Síndroma de privação desencadeado pela naloxona inicia-se rapidamente em doentes que tomam opiáceos regularmente.
Antagonista puro dos opiáceos.
Administração por via oral.
Longa duração de acção.
Interesse terapêutico cinge-se ao tratamento da toxicodependência.
Naloxona
Naltrexona
Analgésicos adjuvantes
(co-analgésicos)
• Antidepressivos
• Anticonvulsivantes
• Agonistas dos receptores
2
•
Outros
Analgésicos adjuvantes
• Antidepressivos tricíclicos
Indicações:
dor neuropática
CRPS (síndrome da dor regional complexa)
cefaleia tipo tensão
fibromialgia
• Antidepressivos tricíclicos
Mecanismo de acção:
• inibem a recaptação neuronal de serotonina e/ou noradrenalina actuam no sistema de inibição monoaminérgico da dor
• apresentam efeitos anticolinérgicos são responsáveis por muitos efeitos adversos
Antidepressivos
• Antidepressivos tricíclicos
Efeitos adversos:
• efeitos adversos anticolinérgicos
xerostomia, obstipação, retenção urinária, perturbações da acomodação, midrísase, impotência • hipotensão ortostática, sedação, tonturas, ganho de peso • raros: convulsões, perturbações da condução cardíaca
Antidepressivos tricíclicos
• amitriptilina (Tryptizol®, ADT®) tende a apresentar um efeito sedativo • nortriptilina (Norterol®)
menor incidência de sedação • clomipramida (Anafranil®)
efeito estimulante
Antidepressivos
Anticonvulsivantes
Indicações:
dor neuropática paroxística
Por exemplo, nevralgia do trigémio, nevralgia pós-herpética e outras nevralgias
Mecanismo de acção:
• inibem a excitação neuronal e/ou a disseminação do estímulo excitatório
• carbamazepina
(Tegretol®)
• gabapentina
(Neurontin®)
• pregabalina
(Lyrica®)
• lamotrigina
(Lamictal®)
• topiramato
(Topamax®)
• clonazepam
(Rivotril®)
Anticonvulsivantes
Dor neuropática
• Clonidina
(Catapresan®)
Agonistas dos receptores
2
Indicações:
dor neuropática
• Corticosteróides
• Reguladores do metabolismo do cálcio
• Relaxantes musculares de acção central
• Benzodiazepinas
• Antiespasmódicos
• Anestésicos locais
• S-cetamida
Outros analgésicos adjuvantes
• Dexametasona
(Decadron®, Oradexon®)
• Prednisolona
(Lepicortinolo®, Solu-Dacortina®)
• Metilprednisolona
(Medrol®, Depo-Medrol®)
Corticosteróides
Indicações:
compressão dos nervos, plexos, tecidos moles
metástases (ósseas)
dor capsular
edema cerebral
emese refractária
• Bifosfonatos (ácido clodrónico, pamidrómico e zoledrónico)
• Calcitonina
(Osteodon®, Salcat®, Miacalcic® 200, Osteocalcina® 200, Calcyn® 200)
Reguladores do metabolismo do cálcio
Inibição da actividade osteoclástica
Indicações (Dor):
metástases ósseas
a calcitonina também é prescrita para outros
síndromas da dor (dor do membro fantasma, CRPS)
• Benzodiazepinas
• Baclofeno
• Tolperisona
• Flupirtina
Relaxantes musculares
Indicações:
• Diazepam
• Lorazepan
• Alprazolam
• Oxazepam
• Midazolam
Benzodiazepinas
Indicações:
ansiedade, insónias, epilepsia
espasmo muscular
• Butilescopolamina
• Dipirona (metamizol)
Anti-espasmódicos
Indicações:
• Lidocaína
• Ropivacaína
• Levobupivacaína
• Oxibuprocaína
• Mexiletina
Anestésicos locais
Indicações:
Dor neuropática
Analgesia loco-regional
Mucosites
• S-cetamina
(derivado da fenciclidina)
Anestesia dissociativa, estado cataléptico dissociado do meio mas não necessariamente adormecido
2mg/kg i.v.
15 minutos de efeito(completa recuperação em 15-30 minutos)
S-cetamina
Indicações:
tolerância aos opióides
sensibilização central
medicina de emergência
• Para profilaxia e tratamento da úlcera péptica
• Para tratamento de náuseas e vómitos
• Para a profilaxia e tratamento da obstipação
• Outros
Medicação concomitante
Profilaxia e tratamento da úlcera
péptica
• Ranitidina
- Bloqueador dos receptores H
2• Omeprazole
- inibidor da bomba de protões
• Misoprostol
São causas de náuseas e vómitos em doentes
com dor crónica:
fármacos
- opióides - agentes citostáticos radioterapia
perturbações metabólicas
- uremia - hipercalcemiaTratamento náuseas e vómitos
(anti-eméticos)
• Antagonistas dos receptores da dopamina
- metoclopramida (Primperan®) e haloperidol (Haldol®)
• Antagonistas dos receptores H
1da histamina
- Dimenidrinato (Vomidrine®, Enjomin®, Viabom®)
• Antagonistas dos receptores muscarínicos
- escopolamina (Buscopan®)
• Antagonistas dos receptores da serotonina
- ondansetrom (Zofran®) e Tropissetrom (Nevoban®)
• Corticosteróides - dexametasona
• Gastrocinéticos – domperidona
(Motilium®, Cinet®, Mogasinte®, Remotil®)Tratamento náuseas e vómitos
(anti-eméticos)
Tratamento náuseas e vómitos
(anti-eméticos)
Níveis de tratamento para náuseas/vómitos
(relacionadas com opióides)
Metoclopramida 3 x 10 mg ou Haloperidol 3 x 0.5 mg
Alternativa na criança: dimenidrinato
I
Para além disso:
dimenidrinato 3 x 100-200 mg
ou sistema de membrana com escopolamina
II
Para além do passo I: ondansetron 3 x 4-8 mg ou dexametasona 4-8 mg
São causas de obstipação em doentes com dor
crónica:
fármacos
- opióides - antidepressivos tricíclicos - neurolépticos ausência de ingestão de líquidos e sólidos
fraqueza
Profilaxia e tratamento da obstipação
Profilaxia e tratamento da obstipação
• Laxantes expansores do volume fecal - linhaça, farelo de trigo
• Laxantes osmóticos - lactose
- lactulose - leite de magnésio - macrogol
• Laxantes anti-absorção e secretagogos - senoside
- bisacodil - picosulfato de sódio • Outros
Níveis de tratamento para obstipação
(relacionadas com opióides)
Picosulfato de sódio
ou lactulose
Alternativa: macrogol
I
Para além disso: parafina
ou senoside
II
Para além do passo II: Sorbitol, clisteres ou evacuação digital
III
Nutrição rica em fibras e fornecimento adequado de líquidos
• alterar o opióide (rotação de opióides)
• alterar o modo de administração
Obstipação refractária durante o
tratamento com opióides
A dor:
um problema de
saúde pública
Dor em PortugalCerca de 2 milhões
de Portugueses
sofrem de dor
crónica!
“Mais de 70% dos doentes oncológicos tem dor moderada a intensa que necessita de tratamento
com opióides, muitas pessoas receiam a dor mais do que a morte em si”
Segundo a OMS
as principais razões para um tratamento
insatisfatório da dor oncológica são:
• medos em relação à
adicção
• uma
falta de preocupação
pela maioria
dos governos
Barreiras ao controlo da dor
• sistema de saúde
• profissionais de saúde
• doentes e famílias
• leis e regulamentos
• sociedade
Principais obstáculos ao controlo da dor
crónica
Por parte dos profissionais de saúde:
• Falta de informação e treino
• Opióidofobia e mitos acerca dos opióides
• “Inexistência” de mais opióides disponíveis na
farmácia
• Falta de avaliação e monitorização correcta do
Profissionais de saúde
• Não consideram o alívio da dor como muito
importante
• Não querem “perder” tempo e avaliar a dor
• Recusa em aceitar a auto-avaliação do doente
• Falta de avaliação
• Subavaliação
• Disparidade entre pontuação da intensidade da dor
avaliada pelo próprio e pelo doente
• Preocupações inapropriadas ou exageradas
• Conhecimentos inadequados ou desactualizados
Principais obstáculos ao controlo da dor
crónica
Por parte das Universidades:
A DOR não tem feito parte da formação pré-graduada
nas escolas de:
• Farmácia
• Medicina
• Enfermagem
Principais obstáculos ao controlo da dor
crónica
Por parte do doente e família:
- Medo
• Medo da dependência dos opióides
• Medo dos efeitos secundários dos fármacos
• Medo da perda de eficácia dos fármacos
- Crenças religiosas
- Má adesão ao tratamento
Principais obstáculos ao controlo da dor
crónica
Por parte do ambiente cultural:
• Dor como estoicismo
• “Conspiração do silêncio”
Por parte do sistema de saúde:
• Pouca disponibilidade / acessibilidade aos opióides
• Falta de serviços de dor e cuidados paliativos
Importância da dor
Sinais
vitais
• Frequência cardíaca
• Frequência respiratória
• Pressão arterial
• Temperatura
•
DOR
A dor: 5º sinal vital
• Se a dor for avaliada com o mesmo zelo do
que os outros sinais vitais terá uma hipótese
maior de ser tratada correctamente
• É necessário treino dos profissionais de
saúde para que abordem a dor como um sinal
vital
• Cuidados de saúde com qualidade implicam
A dor: 5º sinal vital
• Circular normativa da DGS nº9/DGCG de 14/6/2003
• Todos os serviços prestadores de cuidados de saúde
• Registo sistemático da intensidade da dor
Estratégia de implementação
• Avaliação rotineira da presença e da intensidade da
dor em todos os doentes usando uma escala
numérica
• Documentação da intensidade da cor em todos os
doentes tal como os outros sinais vitais
• Avaliação cuidada da dor em doentes com um nível
significativo de dor
• Documentação da avaliação da dor, plano e
Pain in Europe
Survey
Pan-European Results
O maior estudo europeu sobre dor!
• Inclui dados de prevalência
resultantes de mais de 46.000
entrevistas
• Inclui dados de atitude de mais de
5.000 entrevistas
• Os resultados demonstram o
impacto devastador da dor crónica
A dor crónica atinge um em cada cinco adultos na europa
As pessoas com dor crónica sofrem em média 7 anos; uma pessoa em cada cinco sofre
por 20 anos ou mais
Na Europa a dor crónica é responsável por ≈ 500 milhões de dias de trabalho perdidos
por ano – custando à CE pelo menos 34 biliões de €
Cerca de 40% dos doentes de dor crónica dizem que esta tem impacto nas suas
actividades quotidianas, desde o levantar, carregar pesos até ao exercício físico e
inclusivamente o sono
Apesar dos avanços na terapêutica da dor crónica, muitos doentes ainda sofrem
desnecessariamente por sub-avaliação, diagnóstico, monitorização e tratamento
Objectivos
– Estimar a
prevalência da dor crónica
através da Europa
– Saber e quantificar as
fontes e causas
da dor crónica;
– Analizar a
demografia
dos doentes;
– Explorar o
impacto da dor
na qualidade de vida
– Saber
práticas correntes de tratamento
e níveis de
satisfação
Metodologia
– CATI
(Computer Assisted Telephone
Interviewing), entrevista telefónica aleatória
– Questionário de avaliação
(2,900 em média)
• Determinar a prevalência da dor crónica por País
– Questionário detalhado
(300)
– Critérios de inclusão
• Adulto (≥18 anos);
• Sofrer de dor há pelo menos 6 meses
• Ter tido dor no mês anterior ao da entrevista
• Ter dor várias vezes por semana
• Intensidade da dor >5/10
• Não ter participado em estudos clínicos
Country Screen Phone Structured Phone Interviews
UK 3,800 300 France 3,846 300 Germany 3,832 302 Italy 3,849 300 Spain 3,801 301 Poland 3,812 300 Sweden 2,563 300 Norway 2,018 304 Denmark 2,169 303
Country Screen Phone Structured Phone Interviews
Netherlands 3,197 300 Belgium 2,451 301 Finland 2,004 303 Ireland 2,722 300 Switzerland 2,083 300 Austria 2,004 303 Israel 2,244 322 Total 46,394 4,839
Dor na Europa:
16 Países envolvidos
Dor – Um problema generalizado
– Afecta cerca de um em cinco adultos
na europa = 19% (75 milhões de
pessoas)
• Maior prevalência na Noruega, Polónia e Itália (>um em quatro)
• Menor prevalência em Espanha, mas ainda assim mais de um em dez (11%)
– Um terço das mulheres Europeias
sofre de dor crónica
Prevalência da dor crónica por País
14% 13% 12% 17% 15% 13% 19% 21% 8% 13% 8% 9% 4% 5% 7% 4% 0% 50% 5% 8% 9% 10% 10% 10% 7% 12% 6% 6% 10% 5% 5% 4% 5% 6% 0% 50% Severa Moderada Noruega (n=2,018) Polónia (n=3,812) Itália (n=3,849) Bélgica (n=2,451) Finlândia (n=2,004) Austria (n=2,004) Suécia (n=2,563) Holanda (n=3,197) Alemanha (n=3,832) Israel (n=2,244) Dinamarca (n=2,169) Suiça(n=2,083) França (n=3,846) Reino Unido (n=3,800) Irlanda (n=2,722) Espanha (n=3,801) 30% 27% 26% 23% 21% 19% 18% 18% 17% 17% 16% 16% 15% 13% 13% 11% Prevalência Global = 19% (n=46,394) Moderada 13% Severa 6%
4 8 22 20 17 8 21 0 5 10 15 20 25 6 Months to <1 Year 1 to <2 Years 2 to <5 Years 5 to <10 Years 10 to <15 Years 15 to <20 Years 20 Years or More
Source: SQ6. For how long have you suffered from pain due to your illness or medical condition?
Duração da dor crónica (n=4,839)
Doentes “forçados” a viver com dor
%Com que frequência dói?
– Um terço dos doentes têm sempre dor
35%
31% 34%
At All Times Daily Several Times a Week
Frequência
Source: SQ11. Where is your pain located? SQ12. Please tell me the illness or medical condition that is the cause of your pain. Q1. Is your pain caused by…?
7 6 4 4 4 3 34 15 12 8 0 5 10 15 20 25 30 35 40 Arthritis/osteoarthritis Herniated/deteriorating discs Traumatic injury Rheumatoid arthritis Migraine headaches Fracture/deterioration of spine Nerve Damage Cartilage Damage Whiplash Surgery
As causas mais comuns de dor crónica (n=4,292)
Onde dói?
– A causa mais frequente de dor crónica é a
artrose/osteoartrose (34%)
– O local mais comum é a zona lombar
%
Source: Q4. Thinking about the intensity of your pain when it was at its worst, which of the following statements best
Tolerance Level for More Pain (n=4,785)
31% 47% 18% 4%
0% 100%
Não posso tolerar mais Posso tolerar um pouco mais
Por vezes posso tolerar mais dor
Posso tolerar muito mais dor
Pode tolerar mais?
– Um terço relata que a sua dor é tão
forte que não poderão tolerar mais
A dor crónica é insidiosa…
– Cerca de 40% dos doentes relatou
sentimentos de infelicidade ou
inabilidade para pensar ou
funcionar normalmente
– Um doente em cada seis disse
que por vezes a sua dor é tão má
que “preferia morrer”
… e pode ser implacável!
– A dor crónica tem um indiscutível impacto na vida do
doente
– A dor crónica tem impacto nas actividades quotidianas
– Um quarto dos indivíduos sente que a dor tem impacto
no seu trabalho
– 15 dias de trabalho por ano são perdidos devido à dor
(estimativa com base em dados de 6 meses)
–
Um em cada cinco
perdeu o emprego (19%)
– A
um em cada cinco
foi diagnosticada depressão
… e pode devastar vidas!
Source: Q6a. Have any of the following ever happened as a result of your pain…? (Read list) Q6b. Have you ever been diagnosed with depression by a medical doctor as a result of your pain?
Total Ponderado UK (n=243) França (n=232) Alemanha (n=232) Itália (n=233) Espanha (n=255) Polónia (n=220) Suécia (n=292) Noruega (n=289) Dinamarca (n=298) Perdeu o emprego 19% 25% 15% 14% 17% 22% 14% 24% 24% 29% Mudou de responsabilidades no trabalho 16% 16% 12% 11% 28% 8% 19% 28% 28% 21% Mudou de emprego 13% 18% 12% 8% 20% 4% 13% 25% 22% 11% Diagnóstico de depressão 21% 24% 18% 20% 22% 29% 14% 24% 28% 11%
… e pode devastar vidas! (2)
Source: Q6a. Have any of the following ever happened as a result of your pain…? (Read list) Q6b. Have you ever been
Holanda (n=294) Belgica (n=286) Finlândia (n=290) Irlanda (n=272) Suíça (n=274) Austria (n=279) Israel (n=299) Perdeu o emprego 29% 15% 22% 15% 16% 20% 25% Mudou de responsabilidades no trabalho 20% 9% 19% 24% 15% 20% 17% Mudou de emprego 16% 9% 14% 23% 12% 11% 14% Diagnóstico de depressão 19% 19% 22% 19% 18% 21% 16%
Os doentes com dor crónica consultam uma
enorme diversidade de médicos…
– As consultas são maioritariamente
com clínicos gerais
– Seguindo-se ortopedistas e num
número mais reduzido,
reumatologistas e neurologistas
– Apenas 23% dizem ter consultado um
especialista em dor
Uso de MSRM no controlo da dor
– Os AINE’s são a classe mais
prescrita para o tratamento da dor
(44%)
– Outros medicamentos prescritos são
os opióides fracos (23%) e o
paracetamol (18%)
– Número médio de comprimidos/dia é
de 3.4
Uso de MSRM no controlo da dor 44 18 6 3 3 3 2 5 23 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 NSAID Narcotic Analgesic Paracetamol COX-2 Inhibitor Barbiturate Ergotamine Tricyclic/ SSRI/SNRI Triptan Anti-Epileptic
Source: Q18. Which prescription pain medicines are you currently taking for the specific pain we have been discussing?
%
Opióides fracos
Opióides fortes
Classes de medicamentos prescritos
para a dor crónica
– Sumário Europeu –
(n=2,063)
44% 23% 18% 6% 5% 3% 3% 3% 2% 2% 1% 1% 0% 50% NSA ID Wea k O pioi d Par acet amol CO X-2 Inhi bito r Stron g O pioi d Bar bitu rate Erg otam ine Tric yclic / SS RI/S NRI Trip tan DM ARD / Ste roid Ant i-Epi lept ic Mus cle Rel axan t Bet a/CC Blo ckerTotal ponderado UK (n=300) França (n=300) Alemanha (n=302) Itália (n=300) Espanha (n=301) Polónia (n=300) Suécia (n=300) Noruega (n=304) Dinamarca (n=303) AINE’s 44% 23% 25% 54% 68% 49% 71% 27% 24% 38% Opióides fracos 23% 50% 19% 20% 9% 13% 28% 36% 50% 8% Paracetamol 18% 38% 38% 2% 6% 8% 8% 26% 45% 0% Inibidores COX-2 6% 3% 6% 8% 7% 2% 1% 7% 11% 8% Opioids Fortes 5% 12% 4% 4% 0% 1% 4% 3% 6% 11%
Source: Q18. Which prescription pain medicines are you currently taking for the specific pain we have been discussing? (most common mentions)
Holanda (n=300) Belgica (n=301) Finlândia (n=303) Irlanda (n=300) Suiça (n=300) Austria (n=303) Israel (n=322) AINE’s 36% 42% 54% 32% 48% 58% 53% Opióides fracos 14% 15% 22% 19% 18% 14% 5% Paracetamol 11% 33% 26% 5% 12% 4% 3% Inibidores COX-2 16% 13% 16% 8% 13% 4% 36% Opióides fortes 5% 7% 2% 13% 2% 5% 5%
Uso de MNSRM no controlo da dor
Source: Q18. Which prescription pain medicines are you currently taking for the specific pain we have been discussing?
Non-Prescription (OTC) Classes and Medications Chronic Pain Sufferers Report Currently Using for Pain
(n=1,914) 55% 43% 13% 0% 100%
AINE Paracetamol Opióide fraco
Dor: terapêuticas alternativas
2 3 3 4 5 9 8 10 13 21 31 30 3 0 5 10 15 20 25 30 35 N o n e M a s s a g e P h y s ic a l t h e ra p y A c u p u n c tu re O in tm e n t/c re a m s H e a t E x e rc is e N e rv e s tim u la tio n R e la x a tio n th e ra p y D ie t/s p e c ia l f o o d s C o ld H e rb a l s u p p s Th e ra p y %
E o doente?
Como avalia o tratamento?
– Cerca de 64% dos doentes com
dor acha o seu tratamento
inadequado
– O doente com dor crónica acha
que há enorme oportunidade de
melhoria na eficácia do
tratamento da dor
E o doente?
Como classifica o tratamento?
Controlo adequado da dor com medicamentos (n=2,450) Dor com a actividade física
(n=4,787)
21%
79%
Dor com a actividade Sem dor com a actividade
36%
64%
Medicação inadequada Medicação adequada
Source: Q36. Where do you hear about new methods for treating pain?
Onde o doente com dor crónica ouve falar de novos tratamentos da dor
(n=4,586) 5 4 27 39 33 24 14 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45
Revistas/Jornais Televisão Consultório médico
Amigos, Família, Colegas
Internet Farmácia Não ouviu falar sobre novos
métodos
Ouvir falar sobre novos tratamentos
Cabe também ao profissional de Farmácia na comunidade:
- Informar o doente que a DOR tem “controlo” com medicamentos em cerca de 95% dos casos
- Desmitificar os “mitos” culturais e religiosos - Combater a “opióidofobia”
- Informar o doente e familiares sobre a existência de unidades de DOR na sua área de influência
Cabe também ao profissional de Farmácia na comunidade:
SER UM VERDADEIRO PARCEIRO NA