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PODER JUDICIÁRIO SÃO PAULO

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Academic year: 2021

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PODER JUDICIÁRIO

SÃO PAULO

SEGUNDO TRIBUNAL DE ALÇADA CIVIL

Décima Câmara APELAÇÃO SEM REVISÃO Nº 579.885-0/8 – SÃO PAULO

Apelante: Degrau Serviço de Atendimento Psiquiátrico e Psicopedagógico S/C Ltda. Apelada: Dulce Salles Cunha Braga

AÇÃO DESPEJO. Definindo sobre o decreto de despejo pela infração contratual, diante do laudo pericial sustentando a falsidade de assinatura, a sentença deixou clara toda situação reclamada pela parte.

PROVA GRAFOTÉCNICA. REPARAÇÃO ECONÔMICA. Acostada aos autos prova grafotécnica concluindo ser falsa a assinatura lançada em documento que teria importância fundamental na decisão, uma vez que o resultado seria inverso fosse ela verdadeira, é justa a reparação econômica pretendida pela Apelada, pois, não poderia o julgador deixar de assim agir em defesa da

dignidade da Justiça.

LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. CARACTERIZAÇÃO. A apelante extrapolou os limites do procedimento; não contrariou a prova técnica na época própria e, agora, cria entraves formais ao bom andamento do processo. A utilização de recursos para evitar a preclusão das questões e retardar o desfecho do processo, tumultua seu curso e evidencia irreflexão e inadvertência. Sem justa causa tentou obstar o livre desenvolvimento da atividade jurisdicional para

prejudicar seu adversário. O modus agendi evidencia a

intenção de procrastinar ou, quem sabe, utilizar-se da Justiça para alcançar propósitos não aclarados.

Voto nº 4.182

Visto.

Vencidas as diligências restou definida a posição de DULCE SALLES CUNHA BRAGA no pólo ativo da Ação de Despejo por Infração Contratual movida contra DEGRAU SERVIÇO PSIQUIÁTRICO E PSICOPEDAGÓGICO S/C LTDA., qualificação e caracteres das partes nos autos, com justificativa no contrato de locação do imóvel situado na Rua Adolfo Tabacow, nº 75, Bairro Itaim Bibi, nesta Capital.

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Décima Câmara

Formalizada a angularidade a Requerida apresentou contestação, que foi impugnada. Em audiência a conciliação resultou inviabilizada. O despacho saneador autorizou a realização da perícia grafotécnica e nomeou Perita. A Requerente indicou Assistente Técnica. A Perita Judicial fez encarte de laudo que, contrariado, exigiu-lhe esclarecimentos. As razões finais seguiram-se à audiência com nova tentativa de acordo e com homologação da desistência da prova oral.

Houve entrega da prestação jurisdicional que, julgando procedente a pretensão rescindiu o contrato, decretou o despejo da locatária, concedendo-lhe 30 dias para desocupação voluntária, condenou-a ao pagamento de perdas e danos pelo representativo da sub-locação a se apurar em liquidação, nas custas e despesas processuais e na verba honorária de 10% sobre o valor atualizado da condenação.

Determinou o traslado das peças do processo e a remessa delas ao 1º Distrito Policial para a apuração da

responsabilidade criminal.

DEGRAU SERVIÇO DE ATENDIMENTO PSIQUIÁTRICO E PSICOPEDAGÓCICO S/C LTDA. interpôs recurso. Afirma que não houve irregularidade “... na forma

como as partes telaram acordo ...” (folha 440); “... a assinatura partiu

do punho do Sr. Antonio Roberto Alves Braga ...” (folha 442)

,

o

contrato de locação não tinha a essência necessária em vista do ínfimo valor mensal, falta de multa por infração ou pelo atraso da mensalidade; temerária a afirmação de que a assinatura não partiu do punho da pessoa indicada, por ser o método de confronto “... elemento auxiliar, mas nunca como

elemento preponderante para uma conclusão eficaz ...” (folha 444);

não há configuração de prática de ilícito penal e nem prova sobre a existência da infração contratual.

DULCE SALLES CUNHA BRAGA contrariou as razões defendendo o acerto da decisão, uma vez que resultou incontroversa a sub-locação, que deu ensejo ao encarte de documento com assinatura considerada falsa pela perícia, “... após os exames e confrontos efetuados entre a

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indenização por perdas e danos, já que não auferiu ela os frutos

produzidos por seu imóvel ...” (folha 464).

É o relatório, adotado no mais o da r. sentença. O ponto controvertido central das razões está evidenciado pela não aceitação da infração contratual caracterizada pela sub-locação, que teria sido autorizada por documento escrito e assinado pelo locador, que veio a falecer, e, que, submetido a perícia grafotécnica teve a assinatura inquinada pela falsidade. Daí os consectários.

Ao sanear o processo o MM. Juiz determinou a realização da prova pericial, nomeou Perita e facultou às partes a indicação de Assistentes Técnicos e a articulação de quesitos. A Apelada apresentou nome, mas não foi por ela elaborado laudo. A Apelante assim não agiu.

Trata-se de perícia grafotécnica que, pela natureza, está a reclamar conhecimento especializado de pessoa habilitada para satisfação dessa incumbência, como

longa manus do Juízo. E, os termos próprios dos atos

lançados no laudo poderiam receber crítica positiva ou negativa de outro profissional da área, onde o julgador poderia formar sua convicção. A pronunciação distinta das palavras, não obstante a boa qualidade do trabalho advocatício, sem elementos essenciais, não pode alijar a essência do laudo firmado por pessoa especializada.

O exame grafotécnico foi realizado no

documento denominado “Autorização”, de 5.1.95, com

assinatura atribuída a Antonio Roberto Alves Braga e referente à sub-locação do imóvel situado na Rua Adolfo Tabacow, nº 75, Bairro Itaim-Bibi, nesta Capital.

Mesmo compreendendo de pronto, por não oferecer dúvida e por ser claro, manifesto e patente o laudo pericial, circunstâncias que dispensariam demonstração, afigura-se saudável a transcrição de alguns pontos dessa peça técnica.

Estão discriminados os documentos que forneceram o chamado “padrão de confronto”, ao lado dos elementos técnicos necessários para a orientação dos

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trabalhos, destacando-se o uso adequado de aparelhamento óptico de precisão, com especialidade em microscópio e lupas em convenientes graus de ampliação, e fotografação singularizada mostrando detalhes técnicos relevantes.

“CONCLUSÃO

A ASSINATURA ILEGÍVEL ATRIBUÍDA A ANTONIO ROBERTO ALVES BRAGA, QUE FIGURA NA AUTORIZAÇÃO DE FLS. 138, PEÇA DE EXAME, NÃO SE IDENTIFICA GRAFICAMENTE COM AS PARADIGMÁTICAS PERTINENTES AO PUNHO ESCRITOR DA REFERIDA PESSOA, CONSTANTES NOS DOCUMENTOS ESPECIFICADOS NO CAPÍTULO PADRÕES DE CONFRONTO DO PRESENTE LAUDO PERICIAL, SENDO,

PORTANTO, A FIRMA QUESTIONADA FALSA” (folha 217).

Como fundamentação técnica explicou a Perita: “... A conclusão retro expendida embasa-se nas expressivas divergências escriturais detectadas, nos exames efetuados entre a firma questionada exarada na Autorização de fls. 138 objeto de exame, e as oferecidas como termos

de comparação” (folha 218).

“... Registre-se que, dispondo a infra-assinada de firmas de Antonio Roberto Alves Braga, produzidas no período de 1957 a 1995, fornecidas como termos de comparação para a elaboração do presente trabalho, pode a relatora realizar um estudo de seu comportamento gráfico no curso do tempo e fixar, sobretudo, os gestos gráficos individualizadores do punho escritor da pessoa acima mencionada” (folha 219).

“... Diante do que ficou consignado, a assinatura espúria é produto de falsificação por imitação livre ou exercitada, de firmas legítimas de Antonio Roberto Alves Braga” (folha 221 – destaque do original).

A jurisprudência dominante refuta o posicionamento eleito pelas razões da Recorrente.

“Concluida a prova pericial, no sentido de que a assinatura atribuída ao locador não emanou de seu próprio punho, declara-se nulo, falso, o contrato de locação supostamente firmado

1”.

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“Mercê dos mandamentos dos artigos 388, inciso I e 389, inciso II, do Código de Processo Civil, fixou-se no processo brasileiro o princípio de que a simples contestação quanto à autenticidade da assinatura basta para dar cabo à fé do documento particular, dispensando a parte de argüi-la por incidente de falsidade. Mais, ainda, atribuiu, expressamente, o legislador àquele que exibe o documento o

ônus da prova da autenticidade da assinatura contestada 2”.

A decisão não merece censura também nas partes relativas às perdas e danos e na de remessa de peças à Autoridade Policial para apuração da responsabilidade criminal. É que, acostado aos autos prova grafotécnica concluindo ser falsa a assinatura lançada em documento que teria importância fundamental na decisão, uma vez que o resultado seria inverso fosse ela verdadeira, é justa a reparação econômica pretendida pela Apelada, pois, não poderia o julgador deixar de assim agir em defesa da dignidade da Justiça.

Ao contrário do que sustenta a Apelante, a decisão está tecnicamente fundada nas provas que foram realizadas pelas partes. Acresce-se que o ônus da prova incumbe ao Requerido quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor3. E

extrapolou os limites do procedimento; não contrariou a prova técnica na época própria e, agora, cria entraves formais ao bom andamento do processo.

Não é pelo fato do ordenamento jurídico prever a possibilidade de impugnação dos atos judiciais que a parte pode fazer uso indiscriminado dos meios. A utilização de recursos para evitar a preclusão das questões e retardar o desfecho do processo, tumultua seu curso e evidencia irreflexão e inadvertência.

J. 14.2.95.

2 - 2º TACivSP - Ap. c/ Rev. 486.054 - 1ª Câm. - Rel. Juiz VIEIRA DE MORAES - J. 30.6.97. No mesmo sentido: Ap. c/ Rev. 466.808 - 4ª Câm. - Rel. Juiz RODRIGUES DA SILVA - J. 18.2.97; AI 520.002 - 2ª Câm. - Rel. Juiz NORIVAL OLIVA - J. 9.3.98; AI 544.201 - 7ª Câm. - Rel. Juiz AMÉRICO ANGÉLICO - J. 15.9.98; Ap. c/ Rev. 527.466 - 12ª Câm. - Rel. Juiz ROBERTO MIDOLLA - J. 24.9.98; AI 551.478 - 3ª Câm. - Rel. Juiz ROBERTO MIDOLLA - J. 24.11.98; AI 574.424-00/3 - 10ª Câm. - Rel. Juiz SOARES LEVADA - J. 26.5.99; AI 614.484-00/3 - 11ª Câm. - Rel. Juiz CARLOS RUSSO - J. 27.1.00.

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SEGUNDO TRIBUNAL DE ALÇADA CIVIL

Décima Câmara

Sem justa causa tentou obstar o livre desenvolvimento da atividade jurisdicional para prejudicar

seu adversário. O modus agendi evidencia a intenção de

procrastinar ou, quem sabe, utilizar-se da Justiça para alcançar propósitos não aclarados.

"Caracteriza litigância de má-fé o intuito meramente procrastinatório do impetrante que opõe injustificável resistência ao andamento da ação de despejo, sujeitando-se à indenização prevista no artigo 18 do Código de Processo Civil4".

"Afronta a literalidade do artigo 17, V, do Código de Processo Civil, a conduta dolosa da parte que se utiliza de expediente protelatório, com a intenção de retardar o

andamento do processo, causando dano à parte contrária5".

Em face ao exposto, nega-se provimento ao recurso e condena-se a Apelante aos pagamentos de 1% do valor da causa atualizado a título de multa e, de 20% sobre o mesmo valor (da causa, atualizado), como indenização para a Apelada, pela litigância de má-fé.

IRINEU PEDROTTI Relator

4 - 2º TACivSP - MS 447.569 - 6ª Câm. - Rel. Juiz PAULO HUNGRIA - J. 13.2.96. 5 - 2º TACivSP - AI 522.452 - 6ª Câm. - Rel. Juiz CARLOS STROPPA - J. 27.5.98.

Referências

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