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JOSÉ RENATO DE ARAUJO COSTA

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Academic year: 2021

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FOMENTO DA INOVAÇÃO NA BASE INDUSTRIAL DE DEFESA: UMA NECESSIDADE PARA A MANUTENÇÃO DAS CAPACIDADES

DA FORÇA AÉREA BRASILEIRA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Escola Superior de Guerra - Campus Brasília, como exigência parcial para obtenção do título de Especialista em Altos Estudos em Defesa.

Orientador: Prof. Dr. Darcton Policarpo Damião

Brasília 2020

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Fomento da inovação na Base Industrial de Defesa:

uma necessidade para a manutenção das capacidades da Força Aérea Brasileira

José Renato de Araujo Costa1 RESUMO

O presente artigo tem por objetivo analisar as possibilidades de fomento à inovação no desenvolvimento de sistemas de defesa nacionais pela Base Industrial de Defesa (BID) para a manutenção das capacidades da Força Aérea Brasileira (FAB). É notório que, com rápido ritmo de avanço tecnológico mundial, é necessária a atualização dos vetores e armamentos em uma cadência cada vez maior. Assim, por meio de pesquisa bibliográfica e documental, identifica-se a importância de a FAB planejar o deidentifica-senvolvimento e a aquisição de novos sistemas de defesa nacionais, de modo a manter suas capacidades frente aos possíveis cenários de emprego. Nessa perspectiva, fica saliente a vantagem no uso do modelo de inovação da Tripla Hélice, que é composto por uma rede entre universidade, indústria e governo representando as três pás da hélice. Como resultado, observa-se a necessidade de o Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER) se tornar mais atuante sobre os projetos de pesquisa e desenvolvimento, bem como de o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) assumir papel central na gerência de projetos de pesquisa e desenvolvimento que englobem ICTs, indústrias, universidades e fundações de apoio. Ressalta-se também que, apesar de este estudo não esgotar o tema tratado, a pesquisa tem a finalidade de despertar uma reflexão acerca da importância de planejar o desenvolvimento de inovações utilizando sinergicamente o potencial nacional.

Palavras-chave: Base Industrial de Defesa. Inovação. Planejamento Baseado em Capacidades.

Tripla Hélice.

Fostering innovation in the Defense Industrial Base:

a necessity for maintaining the capabilities of the Brazilian Air Force

ABSTRACT

This article aims to analyze the possibilities of fostering innovation in the development of national defense systems by the Industrial Defense Base (IDB) to maintain the capabilities of the Brazilian Air Force (BAF). It is well known that with a rapid pace of technological advancement worldwide, it is necessary to update vectors and armaments at an increasing rate. Thus, through bibliographic and documentary research, it is identified the importance of the BAF to plan the development and acquisition of new national defense systems, in order to maintain its capabilities in the face of possible defense scenarios. In this perspective, an advantage is identified in using Triple Helix innovation model, which is composed of a network among university, industry and government representing the three helix blades. As a result, it is observed the need of Aeronautical Staff (EMAER) to become more active on research and development projects, as well as of the Department of Aerospace Science and Technology (DCTA) to assume a central role in the management of research and development projects that include science and technology institutions, industries, universities and support foundations. It is also noteworthy that, although this study does not exhaust the topic treated, the research aims

1 Coronel Aviador da Força Aérea Brasileira. Trabalho de Conclusão do Curso de Altos Estudos em Defesa (CAED) da Escola Superior de Guerra (ESG), Campus Brasília, 2020.

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to awaken a reflection on the importance of planning the development of innovations using all the national potential synergistically.

Keywords: Capability Based Planning. Defense Industrial Base. Innovation. Triple Helix.

1 INTRODUÇÃO

A Política Nacional de Defesa tem como um de seus pilares a própria Defesa2, composta pelas três Forças Armadas, para prover dissuasão e, se necessário, atuar no enfrentamento de ações hostis a fim de garantir a Segurança e a Defesa nacionais.

Devido ao rápido ritmo de avanço tecnológico mundial é necessária a atualização dos vetores e armamentos em uma cadência cada vez maior. Nesse cenário, se faz importante que a Força Aérea Brasileira (FAB) planeje o desenvolvimento e a aquisição de novos sistemas de defesa nacionais, de modo a manter suas capacidades frente aos possíveis cenários de emprego. Esse planejamento tem por base a lista priorizada de sistemas de defesa necessários para a FAB manter suas capacidades no nível adequado, resultante do Planejamento Baseado em Capacidades (PBC)3.

Dessa forma, a FAB determina os sistemas a serem providos por parceiros estratégicos e aqueles a serem desenvolvidos nacionalmente por se enquadrarem em uma das seguintes situações: aproveitar a capacidade já instalada na Base Industrial de Defesa (BID); desenvolver soluções nacionais inovadoras e evitar restrições devido a embargos de outros países; ou ainda manter em âmbito nacional o desenvolvimento e a produção de sistemas sensíveis.

Não se mostra adequado simplesmente adquirir no exterior todos os equipamentos militares, uma vez que, as parcerias podem ser desfeitas em caso de conflito de interesses, e o suprimento desses equipamentos pode ser descontinuado, a exemplo do ocorrido na Guerra das Malvinas com a Argentina, conforme assevera Vieira (2016, p.4):

O Reino Unido, apoiado principalmente pelos Estados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e da então Comunidade Econômica Europeia (CEE) – hoje União Europeia (UE) -, procurou de todas as formas dificultar a aquisição de armamentos e suprimentos por parte da Argentina, convencendo seus aliados a impor um embargo armamentício ao país platino.

2 Defesa é o conjunto de meios, materiais e humanos, somados a atitudes concretas e planejadas, para impedir ou mitigar ameaças capazes de causar dano a bem ou interesse (ABREU, 2018, p.71).

3 O Planejamento Baseado em Capacidades (PBC) é um conjunto de procedimentos que proporcionam um método para a obtenção e desenvolvimento de capacidades, adequadas ao atendimento dos interesses e necessidades de defesa do Estado, em um horizonte temporal definido, observados cenários e limites orçamentários e tecnológicos (BRASIL, 2020, p. 31).

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Dentro desse cenário de soluções inovadoras, identifica-se vantagem no uso do modelo de inovação da Tripla Hélice4, que é composto por uma rede entre universidade, indústria e governo representando as três pás da hélice. Nesse modelo, é possível ter como colaboradores para o desenvolvimento de sistemas, além da própria indústria, universidades e escolas de formação superior, dentre as quais se destaca o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA)5.

No setor aeroespacial, representando o Governo nesse modelo, tem-se a FAB, por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), composto por Institutos que são ICTs (Instituições Científica, Tecnológica e de Inovação) e atuam em todos os Technology Readiness Level (TRL)6. Ressalta-se que o DCTA é capaz de desenvolver e prover suporte a uma vasta gama de atividades desde o desenvolvimento de tecnologias novas até a certificação de produtos e sistemas aeroespaciais.

Nesse contexto, pode-se citar como o maior exemplo de sucesso tecnológico do fomento governamental na indústria nacional, a EMBRAER, que surgiu do DCTA com suporte do ITA. Criada como empresa estatal, posteriormente foi privatizada, com ações negociadas na Bolsa de São Paulo e de Nova Iorque. A empresa veio a se tornar uma das maiores indústrias aeronáuticas mundiais, com diversas aeronaves de sucesso entre aquelas puramente militares, as comerciais e as executivas, sendo o maior fornecedor da FAB.

Paralelamente, a entrada em vigor de legislações específicas sobre inovação – Lei nº 10.973/2004, Lei nº 13.243/2016 e Decreto nº 9.283/2018 – trazem à tona novas possibilidades de relacionamento entre as entidades, inclusive com o uso de Fundações de Apoio.

Diante disso, faz-se interessante analisar a aplicação do modelo da Tripla Hélice sobre outras empresas da BID, de modo a criar novos casos de sucesso e garantir o fornecimento de sistemas de defesa nacionais que atendam à necessidade de manutenção das capacidades da

4O modelo da Tripla Hélice tem origem em uma metáfora para identificar os protagonistas de um sistema icônico de inovação regional na Rota 128 em Boston e se tornou um modelo de inovação internacionalmente reconhecido. Ele consiste em um modelo de interação entre universidade, indústria e governo no qual esses três entes formam as pás da hélice que impulsiona o desenvolvimento da inovação e do empreendedorismo por meio da sinergia proveniente da cooperação. O modelo é considerado a chave para o crescimento econômico e o desenvolvimento social baseados no conhecimento. (ETZKOWITZ; ZHOU, 2017)

O termo em inglês é Triple Helix, porém, em português, pode-se encontrar quatro traduções diferentes: Tripla Hélice, Tríplice Hélice, Hélice Tríplice e Hélice Tripla. Neste trabalho foi padronizado o uso do termo Tripla

Hélice. (Nota do Autor)

5O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) é uma instituição de ensino superior de engenharia, gerido pela FAB, classificada pela CAPES com grau 6 (em uma escala de 1 a 7) em Mestrado e Doutorado em Engenharia Aeronáutica e Mecânica. (CAPES, 2017)

6Technology Readiness Level (TRL) é uma escala de medição usada para avaliar o nível de maturidade de uma determinada tecnologia. Cada projeto de tecnologia é avaliado com base nos parâmetros de cada nível de tecnologia e, em seguida, é atribuída uma classificação TRL com base no progresso do projeto. Existem nove TRLs. O TRL 1 é o mais baixo e o TRL 9 é o mais alto. (NASA, 2012, tradução nossa)

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Força Aérea, conforme identificado pelo Planejamento Baseado em Capacidades (PBC), em desenvolvimento no âmbito do Comando da Aeronáutica (COMAER).

Assim, o Problema de Pesquisa pode ser definido conforme segue: de que maneira a Força Aérea Brasileira pode fomentar a inovação no desenvolvimento de sistemas de defesa nacionais pela Base Industrial de Defesa (BID) para a manutenção das capacidades da FAB e consequente garantia da disponibilidade e do suprimento desses sistemas em caso de conflito?

O objetivo da pesquisa é analisar as possibilidades de fomento à inovação no desenvolvimento de sistemas de defesa nacionais pela Base Industrial de Defesa (BID) para a manutenção das capacidades da Força Aérea Brasileira.

Este trabalho foi desenvolvido pelo método dedutivo com análise dos procedimentos e estruturas relacionados à inovação. Para tanto, foram utilizados os métodos histórico e comparativo, com a finalidade de verificar os processos já realizados, buscando, desta forma, o aprimoramento de processos futuros.

A técnica de coleta de dados utilizada foi a documentação indireta e consistirá na pesquisa documental e bibliográfica, por meio da análise de livros, pesquisas, artigos científicos, teses, monografias e documentos governamentais referentes ao objeto de estudo.

O presente trabalho está estruturado da seguinte forma: inicialmente é explicitada a fundamentação teórica detalhada; a seguir, são apresentados os principais modelos de inovação existentes nos Estados Unidos e na Europa; passa-se então a descrever uma proposta de estrutura para o planejamento de inovações dentro do Comando da Aeronáutica; analisa-se então as formas aplicáveis de fomento ao Setor Aeroespacial Militar e são apresentados exemplos de sua utilização; com base em todos esses elementos apresentados, segue-se então para a análise das possibilidades de fomento à inovação, de modo a avaliar de que maneira a FAB pode fomentar a inovação no desenvolvimento de sistemas de defesa nacionais pela Base Industrial de Defesa (BID) para a manutenção das capacidades da FAB e consequente garantia da disponibilidade e do suprimento desses sistemas em caso de conflito. Por fim, são apresentadas as principais conclusões do trabalho, bem como sugestões e desafios decorrentes deste.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O presente trabalho tem por base as sistemáticas de apoio e fomento à inovação, conforme descritas por Bush (1945), Etzkowitz (1998), Brustolin (2014) e Etzkowitz; Zhou (2017), considerando os mecanismos legais estabelecidos na Lei nº 10.973/2004, na Lei nº 13.243/2016 e no Decreto nº 9.283/2018. Ressalta-se que esse referencial foi considerado à luz da Política

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Nacional de Defesa e Estratégia Nacional de Defesa – PND/END (BRASIL, 2016b), da qual deriva o Plano Estratégico Militar da Aeronáutica 2018 – 2027 – PCA 11-47 (BRASIL, 2018c) e, deste último, o Plano de Ciência, Tecnologia e Inovação da Aeronáutica – PCA 11-217 (BRASIL, 2018d).

Etzkowitz; Zhou (2017) apresentam exemplos de sistemas de inovação, dos quais se destacam: o modelo estatista, no qual o governo encampa a universidade e a indústria, bem como as relações entre elas; o modelo Laissez-Faire, em que há fronteiras claras entre os três entes; e o modelo que denominaram de Triple Helix (Tripla Hélice), no qual as três pás (universidade, indústria e governo) têm um movimento de fusão e um ente atua em ações tipicamente do outro, com significativa sinergia.

Brustolin (2014) explicita que o modelo de inovação estadunidense teve como principal formulador Vannevar Bush, enquanto Diretor do Escritório de Pesquisa e Desenvolvimento Científico (OSRD).

Destaca-se que Bush (1945) emitiu o relatório Science The Endless Frontier ao presidente dos EUA, no qual se pode notar o governo, por meio dos militares, representa a principal força que move os demais componentes para a inovação. Esta é uma publicação que traz muitas informações estadunidenses que continuam aplicáveis ao cenário brasileiro, incluindo os cinco fundamentos para o programa do governo, conforme traduzido por Brustolin:

1 [...]estabilidade no fluxo de financiamento ao longo de vários anos para que programas de longo prazo possam ser desenvolvidos.

2 [...]cidadãos escolhidos exclusivamente com base em seu interesse e capacidade para estimular o trabalho da agência.

3[...]fomentara pesquisa por intermédio de contratos ou doações a organizações que não sejam do governo federal.

4 [...] O apoio à pesquisa básica em faculdades, universidades e institutos de pesquisa públicos e privados precisa deixar o controle interno das políticas, da equipe de trabalho e do alcance da pesquisa a cargo das próprias instituições. 5[...]controles habituais de auditorias, relatórios, controle do orçamento e similares devem ser aplicados (...) mas sujeitos às adaptações de procedimento necessárias para atender as necessidades especiais das pesquisas. (BRUSTOLIN, 2014, p.21-22).

Brustolin (2014) também modela as relações que regem a aquisição de tecnologias e as pesquisas de tecnologias militares no Brasil, bem como compara o modelo brasileiro ao estadunidense, na qual fica clara a menor sinergia entre os participantes no modelo nacional.

Por outro lado, Etzkowitz (1998) apresenta o modelo de inovação da Tripla Hélice, no qual, apesar de os três principais atores no processo de inovação militar serem basicamente os mesmos, compondo as três pás da hélice, tem-se definida uma rede universidade-indústria-governo, na qual a iniciativa e a força para a inovação não necessariamente provêm só do

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governo, pois as outras duas pás da hélice também executam o papel de induzir ao crescimento da inovação, com especial ênfase no papel da universidade.

Salienta-se que a preocupação com o desenvolvimento nacional do Setor de Defesa está expressa no item 3.2 da concepção da política de defesa da Política Nacional de Defesa (PND) (BRASIL, 2016b, p.11-12) :

[...]o Brasil concebe sua Defesa Nacional segundo os seguintes posicionamentos:

[...]

XIV. manter as Forças Armadas adequadamente preparadas e equipadas, a fim de serem capazes de cumprir suas missões constitucionais, e prover a adequada capacidade de dissuasão;

XV. buscar a regularidade orçamentária para o Setor de Defesa, adequada ao pleno cumprimento de suas missões constitucionais e à continuidade dos projetos de Defesa;

XVI. priorizar os investimentos em Ciência, Tecnologia e Inovação relativos a produtos de defesa de aplicação dual, visando à autonomia tecnológica do País;

Observa-se que no mesmo documento, o fomento à indústria nacional está alinhado com seis das Ações Estratégicas de Defesa previstas na Estratégia Nacional de Defesa (END) (BRASIL, 2016b, p.41-42):

AED-56 Estimular projetos de interesse da defesa que empreguem produtos e tecnologias duais.

[...]

AED-62 Promover as exportações da Base Industrial de Defesa.

AED-63 Promover o aumento de conteúdo local nos produtos da Base Industrial de Defesa.

[...]

AED-67 Aprimorar o modelo de integração da tríade Governo/Academia/Empresa.

[...]

AED-71 Estimular o estabelecimento de parcerias e intercâmbios na área de pesquisa de tecnologias de interesse da defesa.

AED-72 Utilizar encomendas tecnológicas para promover o aumento do conteúdo tecnológico nacional dos produtos de defesa.

Assim, com base nos posicionamentos supramencionados, para lograr êxito nas ações descritas, é necessário avaliar os possíveis modelos de trabalho na busca daquele que apresente melhores condições para o desenvolvimento de novas tecnologias.

3 MODELOS DE INOVAÇÃO

A FAB busca o desenvolvimento e a aquisição de novos sistemas de defesa nacionais para acompanhar o desenvolvimento tecnológico mundial, de modo a estar preparada para atuar nos momentos de emprego das Forças Armadas, para a garantir a soberania nacional, a ordem

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e a manutenção da paz. Assim, é preciso estar atualizado às inovações tecnológicas para que haja o pleno cumprimento da Política Nacional de Defesa.

Diante disso, a caracterização dos modelos de inovação considerados é importante para identificar a melhor forma de customizar, para desenvolvimentos e aquisições da FAB, o modelo de integração da tríade Governo/Academia/Empresa conforme proposto na ação AED-67 prevista na END (BRASIL, 2016b, p.41).

Dessa forma serão abordados os referenciais teóricos, com a breve descrição dos modelos Estatista, Laissez-Faire, de Bush (Complexo militar-industrial-acadêmico), de Brustolin e Tripla Hélice de Etzkowitz.

No modelo Estatista, o governo engloba a universidade e a indústria, bem como as relações entre elas. Salienta-se que ele foi muito utilizado na França, em países socialistas do Leste Europeu e na antiga União Soviética (ETZKOWITZ; LEYDESDORFF, 2000).

Nesse modelo, a universidade é apenas uma instituição de ensino e está distante da indústria. Por outro lado, o governo planeja e direciona todas as atividades de inovação dentro de suas prioridades, havendo pouco espaço para iniciativas dos outros dois entes, que agem conforme orientações governamentais. O papel da indústria na inovação se restringe a seguir essas orientações, de modo a conceber e a fabricar os produtos de interesse do governo, interagindo com as universidades conforme definido pelo governo, conforme Figura 1 a seguir.

Figura 1– Modelo Estatista

Fonte: Adaptado de ETZKOWITZ;ZHOU (2017, p. 36).

Entretanto, salienta-se que “o modelo estatista pode produzir ótimos resultados, com boa liderança, um objetivo claro e o investimento de recursos substanciais” (ETZKOWITZ; ZHOU, 2017, p. 36).

Outro modelo abordado é denominado Laissez-Faire, no qual os três principais entes da inovação atuam somente em suas esferas institucionais, com fronteiras bem definidas entre eles. Destaca-se que, nesse modelo, a indústria opera por conta própria, com base nas relações de mercado e que há intensa competição entre diferentes indústrias. (ETZKOWITZ; ZHOU, 2017).

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Figura 2– Modelo Laissez-Faire

Fonte: Adaptado de ETZKOWITZ; ZHOU (2017, p. 38).

Conforme representado na Figura 2, tem-se a intervenção mínima do governo. Nota-se que a indústria e a universidade também têm papéis delimitados, cada um focado em seus objetivos principais, o que diminui a sinergia entre eles. Assim, o governo, quando precisa de uma inovação, obtém o desenvolvimento do que precisa por meio de processos licitatórios com a indústria ou a universidade. Por outro lado, a indústria identifica o que ela precisa inovar e desenvolve, a seu critério, com algum apoio da universidade. Por fim, a universidade produz conhecimento científico e inovador, mas não tem a capacidade de transformá-lo em um produto de mercado, o que só é feito pelas indústrias.

Ressalta-se que, sob esse modelo, empresas novas (startups) têm dificuldade de surgir, pois, para isso, é necessário que a universidade se envolva diretamente no fomento a esse processo de criação industrial, como se tem nas atuais incubadoras tecnológicas, a exemplo do ITA por meio da Incubaero, com foco no desenvolvimento do setor aeroespacial. Ou ainda que o Estado propicie o suporte adequado, por meio dos parques tecnológicos, como o de São José dos Campos, instituído pelo prefeito da cidade em 2006.

No que concerne ao modelo formulado por Vannevar Bush, enquanto Diretor do Escritório de Pesquisa e Desenvolvimento Científico (OSRD), é notório que nele está explicitado o modelo de inovação estadunidense, no qual o governo, por meio dos militares, representa a principal força que move os demais componentes para a inovação.

Em relação ao processo de inovação brasileiro, Brustolin apresentou uma contribuição importante ao desenvolver, em sua tese de doutorado, um paralelo entre o modelo estadunidense e o brasileiro, com base no êxito da inovação nos Estados Unidos

Nessa produção científica, ele representou graficamente o modelo de Bush, no qual o complexo militar-industrial-acadêmico formado tem como principal indutor da inovação o Estado, por meio das Forças Armadas, de modo que a academia e a indústria compõem o sistema sinergicamente, mas não protagonizam a indução das inovações, conforme Figura 3.

Governo

Indústria Universidade

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Figura 3 – Modelo complexo militar-industrial-acadêmico dos Estados Unidos

Fonte: BRUSTOLIN( 2014, p.24).

Observa-se na Figura 3 que o governo, representado pelas Forças Armadas, interage com o Congresso Nacional para orçamentar os projetos, de modo que possa buscar, com Organizações Governamentais a solução dos problemas tecnológicos críticos. Essas Organizações publicam editais para as empresas e universidades, que desenvolvem as soluções e retornam ao governo as inovações resultantes, que são apresentadas aos militares. Caso não haja necessidade de manter as inovações desenvolvidas restritas ao meio militar, elas podem ter permissão do governo para uso comercial pelas empresas, que levam essas inovações ao mercado. A aplicação desse modelo resultou em “uma integração sem precedentes entre Estado, academia e indústrias/empresas privadas” (BRUSTOLIN, 2014, p.27).

Entretanto, no Brasil, o modelo de inovação aplicado se assemelha ao estatista e não encontra a mesma força interativa do complexo militar-industrial-acadêmico que se observa nos Estados Unidos. Nesse sentido, a Figura 4 e a Figura 5 representam respectivamente os modelos de aquisições de tecnologias militares e de pesquisas tecnológicas militares brasileiras. Observa-se, na Figura 4, que a academia (pesquisadores e estudantes) e os institutos de pesquisa militares não estão representados nos processos de aquisição de tecnologia brasileiros. Por outro lado, observa-se na Figura 5, que, nos processos de pesquisas tecnológicas militares brasileiras, não consta a participação das empresas e indústrias privadas. Com isso, esses

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modelos representados não aproveitam completamente o potencial dos três setores considerados.

Figura 4- Modelo de aquisição de tecnologias militares no Brasil

Fonte: BRUSTOLIN (2014, p.39).

Figura 5 – Modelo de pesquisas de tecnologias militares no Ministério da Defesa do Brasil

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Em continuidade à tese desenvolvida por Brustolin (2014), conforme representado na Figura 6, ele propõe um modelo de inovação no Brasil, no qual prevê uma maior integração entre os setores militar, industrial e acadêmico, incluindo também a participação de agências de fomento e outros ministérios, para aproximá-lo do modelo estadunidense.

Figura 6 – Proposta de modelo de inovação via Defesa Nacional para o Brasil

Fonte: BRUSTOLIN (2014, p.117).

Observa-se que, nesse modelo, as fundações de apoio, as agências e Ministérios são colocados no mesmo bloco como representantes do Governo. Entretanto, para que esse modelo alcance êxito, é necessária a definição adequada das relações entre esses entes, para atingir a eficiência e eficácia do processo.

No que tange a inovação, também merece destaque o modelo da Tripla Hélice desenvolvido por Etzkowitz (1998). Nesse modelo, ele constatou que os três principais atores no processo de inovação, compõem as três pás da hélice, formam uma rede universidade-indústria-governo, conforme Figura 7, de modo que a iniciativa e a força para a inovação não necessariamente provêm exclusivamente do governo, pois as outras duas pás da hélice também executam esse papel de induzir ao crescimento da inovação.

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Figura 7– Modelo da Tripla Hélice

Fonte: ETZKOWITZ; ZHOU (2017, p. 41).

Observa-se vantagens no uso do modelo da Tripla Hélice sobre o modelo do complexo militar-industrial-acadêmico de Bush, uma vez que a sinergia entre os entes é maior, conforme apresentado na Figura 7, de modo que ele tem potencial de tornar o processo de inovação mais efetivo. Além disso, a indústria e a universidade deixam um papel passivo de apenas receber incentivos governamentais à inovação e atuam mais fortemente no seu incremento junto aos demais componentes.

4 PLANEJAMENTO DOS DESENVOLVIMENTOS TECNOLÓGICOS

A FAB, como Força Armada mais nova e que trouxe a guerra para a terceira dimensão, ampliando o Teatro de Operações para além do alcance dos fuzis e canhões, historicamente convive com desenvolvimentos tecnológicos constantes, uma vez que suas potencialidades e capacidades estão em constante modificação devido às inovações tecnológicas, que precisam ser avaliadas para a definição das capacidades futuras da Força Aérea.

Por isso, o Planejamento Baseado em Capacidades (PBC), que é a ferramenta atualmente adotada pelo Ministério da Defesa e pelo Comando da Aeronáutica, tem como uma de suas premissas a análise tecnológica por meio de orientações de CT&I para o desenvolvimento das capacidades. (BRASIL, 2020, p.31)

Assim, diversos projetos estratégicos estão em andamento simultaneamente na FAB, como os desenvolvimentos do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM), das aeronaves de transporte KC-390 Millenium e de caça de 5ª geração F-39 Gripen E/F, bem como modernizações de aeronaves da frota como E-99.

Conforme PND/END, um dos objetivos Nacionais de Defesa é “Promover a autonomia produtiva e tecnológica na área de defesa.” (Brasil, 2016b, p.12-13) Observa-se que muitos dos desenvolvimentos militares são concebidos especificamente para uma Força Armada de um

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país. Contudo, o Brasil não pode restringir todos os desenvolvimentos da BID a produtos exclusivos. Pelo contrário, apenas poucos itens devem ter essa característica, de modo que sejam estimulados, tanto o emprego dual (militar e civil), quanto as exportações e cooperações internacionais nos produtos que as Forças Armadas não classificarem como exclusivos, como o próprio KC-390, cuja comercialização pela EMBRAER para clientes externos é permitida e irá gerar Royalties para a FAB a cada aeronave vendida.

Ressalta-se que existem basicamente duas modalidades pelas quais a FAB demanda desenvolvimentos tecnológicos: pela contratação de uma empresa para o desenvolvimento, como ocorreu para o KC-390; ou pela abertura de um projeto dentro de uma ICT do COMAER, como o VLM do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Assim, em ambas modalidades supramencionadas, observa-se oportunidades de melhoria na interação entre a indústria e as ICTs do COMAER.

Nas contratações diretas das indústrias da BID, normalmente os desenvolvimentos ocorrem dentro da própria indústria, com pouca interação com as ICTs do COMAER e com as universidades, em uma relação praticamente dual entre Governo e Indústria.

Todavia, esse aspecto pode ser melhorado por meio do incentivo à participação das ICTs nos projetos contratados na indústria, em um esquema mais cooperativo, estimulado por meio dos artigos 1º. e 3º. da Lei nº 10.973/20047, modificada pela Lei nº 13.243/2016. A própria FINEP incentiva a participação das ICTs nos Planos Estratégicos de Inovação (PEI) apresentados solicitando financiamentos. É concedido financiamento parcialmente não reembolsável para PEI com pelo menos, 15% de seu valor em parceria com ICTs e Universidades. (FINANCIADORA DE ESTUDOS E PROJETOS, 2020, p.10)

Por outro lado, os projetos abertos dentro de uma ICT do COMAER normalmente têm como objetivo chegar até um TRL 5 ou 6, para então selecionar a indústria que dará continuidade ao desenvolvimento até a fabricação do produto. Entretanto, devido ao baixo número de unidades normalmente encomendadas pelas Forças Armadas e à ausência de outros clientes, essa atividade não é vista como um negócio economicamente promissor, o que resulta

7 Art. 1º Esta Lei estabelece medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo, com vistas à capacitação tecnológica, ao alcance da autonomia tecnológica e ao desenvolvimento do sistema produtivo nacional e regional do País, nos termos dos arts. 23, 24, 167, 200, 213, 218, 219 e 219-A da Constituição Federal.

[...]

Art. 3º A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e as respectivas agências de fomento poderão estimular e apoiar a constituição de alianças estratégicas e o desenvolvimento de projetos de cooperação envolvendo empresas, ICTs e entidades privadas sem fins lucrativos voltados para atividades de pesquisa e desenvolvimento, que objetivem a geração de produtos, processos e serviços inovadores e a transferência e a difusão de tecnologia. (Constituição Federal, 1988).

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em um elevado preço unitário e à impossibilidade de manutenção das linhas de produção ativas. Além disso, caso não haja um contínuo investimento governamental naquela indústria, ela não sobrevive no mercado.

Assim, para reverter esse panorama, deve-se envolver as indústrias da BID o mais cedo possível nos projetos sob responsabilidade das ICTs do COMAER, para que aumente a sinergia da parceria com os Institutos de Pesquisa militares, de modo que a indústria busque um nicho de mercado potencial ao produto que está sendo desenvolvido ou busque um spin-off8advindo

desse produto, garantindo assim sua sobrevivência sem subsídios do Governo Brasileiro. Nessa linha de raciocínio, existe a necessidade de que a inovação se transforme em um negócio sustentável (RIES, 2012) e, para garantir essa sustentabilidade, se mostra importante a característica dual da maior parte das inovações, nas quais tanto a inovação de origem militar pode gerar novos produtos de uso civil, quanto as inovações civis podem ter aplicação militar, em movimentos conhecidos como Spin-off e Spin-in.9

Para se tornar sustentável, uma empresa de defesa nacional, via de regra, não pode se restringir a fornecer exclusivamente para a Força Aérea, pois o volume de encomendas governamentais não é suficiente. Com isso, ela precisa buscar os produtos que também atendam às necessidades de clientes externos às Forças armadas nacionais, seja no mercado militar internacional, seja no mercado civil, em caso de emprego dual.

Entretanto, excepcionalmente para produtos considerados exclusivos para a Defesa Nacional, essa regra de sustentabilidade não é aplicável e o Governo deve prover o necessário fluxo de caixa àquela empresa para que ela se mantenha no mercado mesmo com encomendas de baixo volume e preste o suporte ao produto desenvolvido ao longo de seu ciclo de vida.

Destaca-se também que é importante potencializar a capacidade de inovação por meio da seleção de universidades ou outras entidades de pesquisa com a expertise necessária para agregar valor ao projeto a um custo mais reduzido. Dessa forma, em um processo de ganha-ganha, no qual ganha o Governo, que receberá o produto resultante da pesquisa; ganha a indústria que tem pesquisadores de alto nível tanto dos Institutos de Pesquisa militares quanto das Universidades envolvidos no desenvolvimento de seus produtos, agregando valor a um custo relativamente menor do que se eles fossem funcionários ou consultores externos contratados; e ganha a universidade, tanto no desenvolvimento das pesquisas e, conforme o

8“Spin-off é o Produto derivado de outro ou de trabalho ou processo anterior.” (DICIONÁRIO PRIBERAM, 2020) 9“Spin-in é um termo que se contrapõe a Spin-out ou Spin-off, e quer dizer incorporar e trazer para dentro da empresa, outra empresa (spin-in de empresa) ou tecnologia (spin-in de tecnologia).”(CODEMEC, 2014)

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caso, de entrada de recursos adicionais para sustentá-las, quanto na sua produção científica, que resulta em um melhor ranqueamento da universidade.

Como um ponto a ser considerado na seleção das empresas parceiras para os projetos de desenvolvimento, Etzkowitz (2018, p.295) informa que é esperado que muitos dos resultados relacionados às iniciativas de inovação sejam obtidos por empresas novas (startups) e não por empresas vinculadas às indústrias existentes. Assim, no processo de seleção das empresas participantes dos desenvolvimentos de inovação, é importante possibilitar a entrada de startups de alta tecnologia.

Outro ponto a ser abordado na seleção de desenvolvimentos, repousa no fato que é importante que o modelo de desenvolvimento de inovações preveja que haja liberdade de criação do tipo Bottom up e não somente Top Down.

Considera-se um desenvolvimento Top Down quando os órgãos superiores direcionam qual será o desenvolvimento a ser conduzido nos níveis inferiores. No caso da FAB, o próprio EMAER, por meio do Escritório de Projetos, emite direcionamentos sobre os desenvolvimentos nas ICTs. Por outro lado, no desenvolvimento Bottom up, os pesquisadores das ICTs é que observam oportunidades de desenvolvimento e propõem ao EMAER pesquisas e desenvolvimentos tecnológicos a serem conduzidos pelas ICTs. O EMAER, que detém o Escritório de Projetos do COMAER, deve então submeter o projeto ao processo de aprovação e priorização.

Esse processo será determinante na aplicação da filosofia da Tripla Hélice pelo COMAER, conforme Figura 8.

Figura 8 – Fluxo das principais atividades do Escritório de Projetos do COMAER

Fonte: AUTOR (2020). Definição das Necessidades Operacionais (NOP) Definição de Capacidades necessárias (por meio do PBC) Dedução dos Requisitos Operacionais (ROP) Pré seleção de parceiros da tripla hélice Estudo de Viabilidade Aprovação e Priorização do Projeto Acompanhamento do Projeto Remoção de embargos tecnológicos ou desenvolvimento de alternativas Finalização do Projeto

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Assim, de posse dos Requisitos Operacionais (ROP), pode-se iniciar a busca por recursos para o custeio das atividades do projeto, junto a outros ministérios, órgãos de fomento ou parceiros que possam ter interesses comuns resultado do desenvolvimento.

Figura 9 – Fatores contribuintes para a seleção e desenvolvimento de Projetos

Fonte: AUTOR (2020).

É importante reforçar que existem algumas atividades que precisam ser continuamente atualizadas, de modo a prover o melhor cenário para que o EMAER possa atuar na seleção de potenciais projetos e na estratégia de desenvolvimento destes projetos, conforme representado na Figura 9.

Ressalta-se que o desenvolvimento de inovações é potencializado pelo governo como parceiro de risco, pois, quanto menor for a maturidade inicial de um projeto, maiores as probabilidades de que não resulte em um produto comercialmente interessante ou que resulte em uma tecnologia ou conhecimento que não será aplicado a um produto. Esse cenário se mostra ainda mais crítico no Brasil, uma vez que, além do risco associado ao próprio desenvolvimento, o baixo volume de aquisições militares brasileiras torna pouco atrativo o desenvolvimento sem a participação do governo como parceiro de risco.

Tudo isso reforça a necessidade de organizar os esforços nacionais com o uso das três pás da hélice de modo a otimizar seu uso e conseguir desenvolver os projetos de interesse do COMAER.

Seleção e

Desenvolvi

mento de

Projetos

Fortalecimento de relações com vistas à busca de recursos Busca por inovações aplicáveis à FAB Atualização sistemática das capacidades da BID Atualização sistemática das capacidades das universidades; Acompanhame nto dos desenvolviment os de produtos e capacidades das ICTs do COMAER Remoção de embargos à aquisição ou Desenvolvime nto de alternativas

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5 MODALIDADES DE FOMENTO À INOVAÇÃO

O conjunto de legislações formado pela Lei nº 10.973/2004, Lei nº 13.243/2016 e pelo Decreto nº 9.283/2018 traz o embasamento jurídico que permite o avanço das inovações no Brasil, por estabelecer medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo.

O fomento à inovação no setor aeroespacial militar pode ser realizado ou incentivado pelo COMAER por meio de algumas modalidades, dentre aquelas previstas no artigo. 19 parágrafo 2º, incisos I, V, VIII, da Lei nº 13.243/2018, que são a subvenção econômica, encomenda tecnológica e o uso do poder de compra do Estado respectivamente.

Em relação à subvenção econômica, realizada, por exemplo, por meio da FINEP, consiste na aplicação de recursos públicos não reembolsáveis diretamente em empresas, para compartilhar com elas os custos e riscos inerentes a tais atividades. (FINANCIADORA DE ESTUDOS E PROJETOS, 2012)

Ainda segundo a Financiadora de Estudos e Projetos (2015), com o uso do Fundo Setorial Aeronáutico, a FINEP apoiou com quase R$ 200 milhões, por meio da empresa MECTRON, o desenvolvimento do míssil ar-ar A-Darter, desenvolvido em parceria entre o Brasil e a África do Sul; e apoiou a Embraer com quase R$100 milhões no desenvolvimento dos Legacy 450 e 500, jatos executivos de médio-porte.

No que tange à encomenda tecnológica, o processo é regulamentado pelo Decreto nº 9.283/2018 (BRASIL, 2018a), no qual estão previstas atividades por meio de contratos, convênios e acordos de parceria. Salienta-se que este foi criado para realização de atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação que envolvam risco tecnológico, para solução de problema técnico específico ou obtenção de produto, serviço ou processo inovador

Cabe destacar que o artigo 38 do Decreto10 supramencionado não inclui as empresas privadas como possíveis conveniadas. Para incluir sua participação, é necessária a celebração de acordos de parceria (sem transferência de recursos) ou de contratos sempre que for necessária a transferência de recursos para empresa, conforme previsto no respectivo plano de trabalho.

O uso do poder de compra do Estado propicia o fomento por meio da contratação do desenvolvimento de novos projetos ou modernizações que incluam inovações. Ele também é

10 Art. 38. O convênio para pesquisa, desenvolvimento e inovação é o instrumento jurídico celebrado entre os órgãos e as entidades da União, as agências de fomento e as ICT públicas e privadas para execução de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, com transferência de recursos financeiros públicos, observado o disposto no art. 9º-A da Lei nº 10.973, de 2004. (Brasil, 2018a).

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usado na contratação direta de empresas para desenvolvimento de produtos como no caso do projeto da aeronave de transporte KC-390 da EMBRAER.

Além dos mecanismos legais supracitados, o fomento à inovação pode também ser efetivo por meio do estabelecimento de mais três mecanismos: cooperações internacionais, compensação tecnológica (offset tecnológico) e contratação de transferência de tecnologia.

Dessa forma, para que se obtenham cooperações internacionais adequadas, dentro daqueles com os quais o Brasil possui acordos de cooperação ou para os quais ambos os países estejam dispostos a celebrar esse tipo de acordo, é possível estabelecer uma cooperação que agregue valor a ambos em áreas específicas.

Exemplificando, conforme noticiado por Alves (2019) no Jornal O Vale, o Projeto Hexafly-INT tem como meta projetar, construir e lançar, no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, um veículo hipersônico baseado na tecnologia Waverider. Em 2018, a AEB (Agência Espacial Brasileira) assinou um acordo de cooperação e transferência de tecnologia com a ESA (Agência Espacial Europeia) para participar do projeto Hexafly-INT, que reúne centros de pesquisa, empresas e universidades da Europa, Austrália, Rússia e Brasil. No que se refere à compensação tecnológica, segundo Ribeiro e Inácio (2019), “offset é uma forma de comércio compensatório ou recíproco em que as empresas exportadoras realizam concessões aos governos importadores.”

A Política de Compensação Tecnológica, Industrial e Comercial de Defesa - PComTIC Defesa estabelece no artigo 1211 que os contratos de importação de produtos de defesa com valor igual ou superior a cinquenta milhões de dólares ou valor equivalente devem incluir, necessariamente, um acordo de compensação. (BRASIL, 2018b)

Ressalta-se que essa compensação consiste em uma oportunidade tanto para as ICTs, quanto para as universidades e empresas de obter, como compensação tecnológica, o acesso a tecnologias que eventualmente estariam inacessíveis ou fora de um arranjo comercial como o de compra com offset. Certamente nem todos os offsets serão na forma de compensação tecnológica, mas é importante que a FAB tenha mapeado se priorizados os offsets tecnológicos de interesse para assegurar que a compensação está sendo realizada nas áreas definidas.

11Art. 12. As negociações de contratos de importação de produtos de defesa realizadas pelas Forças Singulares e

pelos órgãos que integram a estrutura do Ministério da Defesa, com valor líquido - preço Free on Board - FOB - igual ou superior a US$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de dólares norte-americanos), ou valor equivalente em outra moeda, seja em uma única compra ou cumulativamente com um mesmo fornecedor, num período de até doze meses, devem incluir, necessariamente, um acordo de compensação. (PORTARIA NORMATIVA N° 61/GM-MD, DE 22 DE OUTUBRO DE 2018).

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Como exemplo recente de maior vulto, tem-se o Contrato de Desenvolvimento e aquisição de 36 aeronaves Gripen E/F, com elevada compensação tecnológica sobre a empresa EMBRAER, uma vez que a SAAB irá transferir tecnologia e a capacidade de projetar e construir caças para a empresa nacional. (AGÊNCIA FORÇA AÉREA, 2014)

Cabe mencionar também a contratação de transferência de tecnologia que pode ser por meio de contratação de empresas estrangeiras que detêm a tecnologia para passá-la a um ente nacional ou por meio da contratação direta de profissionais de fora do Brasil.

Esse último caso faz parte do histórico de criação da EMBRAER, no qual o engenheiro francês Max Holste, famoso construtor de aviões, veio para o Brasil para compor a equipe de desenvolvimento do projeto IPD-6504, que resultou na aeronave Bandeirante (EMBRAER, 2007). Evidencia-se que esse projeto foi concebido no Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento (IPD)da FAB e foi transferido para a EMBRAER juntamente com o corpo técnico a partir de sua criação.

Insta ressaltar que o setor aeronáutico civil está fortemente ligado à aviação militar, sendo que muitos dos investimentos civis geram spin offs militares e vice-versa. A EMBRAER conseguiu desenvolver aeronaves civis, em parte, com base na expertise adquirida em projetos militares em três grandes projetos: AT-26 Xavante na década de 1970, AMX na década de 1980 e, nesta década, o mesmo deve ocorrer a partir do F-39 Gripen E/F. Esses projetos envolvem grandemente a empresa, que se capacita para novos desenvolvimentos com base nos offsets ou nos investimentos governamentais em sua própria produção de aeronaves militares.

O Estado brasileiro deve promover regimes legal, regulatório e tributário especiais que irão proporcionar à BID condições para aumentar sua competitividade no exterior e incrementar sua produção, de modo a garantir quantidade de vendas suficiente para sua existência no mercado, por meio de produtos exclusivamente militares ou de aplicação dual (BRASIL, 2016). 6 ANÁLISE DA INOVAÇÃO NO COMANDO DA AERONÁUTICA

A inovação dentro do COMAER deve considerar, além dos pontos levantados anteriormente no planejamento dos desenvolvimentos tecnológicos e das modalidades de fomento, os próprios modelos teóricos e também as necessidades de fomento à inovação sob o prisma da Base Industrial de Defesa.

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Assim, foram consideradas as argumentações constantes do documento denominado Medidas Viabilizadoras12 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS DE MATERIAIS DE DEFESA E SEGURANÇA, 2018), do qual se pode extrair as seguintes medidas viabilizadoras relacionadas à inovação:

6.1 [...] desenvolvimento e aplicação de plataformas tecnológicas e de tecnologias inovadoras que se distingam por seu significado transformador e sua dualidade (outras aplicações além da defesa e segurança). [...]

6.5 – “Integração entre Instituições” – Estreitamento dos vínculos entre as instituições de pesquisa, desenvolvimento e engenharia públicos e privados, e entre esses e as empresas da BID[...]

6.7 – “Preservação da Capacitação” – Criação de programas de longa duração que permitam o desenvolvimento continuado de novas tecnologias [...] Dar preferência a lotes menores que garantam períodos prolongados de desenvolvimento.

6.8 – “Inteligência Tecnológica” – Criação de estrutura de inteligência tecnológica de defesa e segurança capaz de: levantar o acervo de tecnologias e competências de interesse existente no País[...]

7.1 – “Mapeamento da Cadeia Produtiva”

As medidas 6.8 e 7.1 em epígrafe já foram abordadas anteriormente neste artigo, conforme Figura 9, contribuindo para a seleção e o desenvolvimento de novos projetos do COMAER.

Por outro lado, existe uma natural dependência do governo nas indústrias da BID, pois, apesar da intenção apresentada nas medidas 6.1 e 6.5, efetivamente ainda existe espaço para aumentar a sinergia com universidades e ICTs para o desenvolvimento. Percebe-se que as indústrias estão mais preocupadas em programas de longo prazo e financiamentos longos conforme medida 6.7. Assim, é necessária uma quebra de paradigma na BID, para que se possa imprimir a velocidade adequada para os desenvolvimentos para garantir a entrada oportuna de seus produtos no mercado.

Nesse ponto, também se nota a necessidade de incrementar a velocidade dos desenvolvimentos nas ICTs do COMAER, pois uma pesquisa que, conforme explicitado no capítulo 5 do PCA 11-217, leve dez anos até atingir o TRL 6 e mais dez anos para se tornar um produto (BRASIL, 2018, p.31), certamente chegará ao mercado como uma tecnologia ultrapassada e que precisa ser atualizada. Assim, métodos ágeis de desenvolvimento de projetos devem ser aplicados, e o uso de Fundações de Apoio corrobora para que essa velocidade possa

12As medidas listadas refletem o pensamento da BID e resultam do trabalho conjunto realizado por representantes da Associação Brasileira de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), do Sindicato Nacional das Indústrias de Materiais de Defesa (SIMDE), do Departamento da Indústria de Defesa e Segurança da FIESP (COMDEFESA) e do Fórum Setorial de Defesa da FIRJAN (FSD). (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança, 2018, p.1)

(24)

ser incrementada, de modo que se tenha o produto desenvolvido em um prazo adequado e que ele supra a capacidade para a qual ele foi concebido.

Entretanto, ao longo da pesquisa, foi possível identificar a existência de dois problemas principais que afetam o modelo atual de inovação no Brasil: o primeiro é a carência de sinergia entre os três entes da Tripla Hélice; o segundo relaciona-se com a falta de regularidade dos investimentos de defesa aliado ao baixo número de compras estatais em defesa. Verificou-se que ambos foram apontados como medidas viabilizadoras pela ABINDE.

Em busca de solucionar o primeiro problema, o EMAER, na abertura de projetos, deve direcionar as pesquisas (Top Down) para garantir que os entes relacionados nas sete regiões das três pás estarão envolvidos. Também deve catalisar encontros de direcionamento de suas necessidades futuras, apresentando-as às ICTs, indústrias e universidades, de modo a colocar em estreito contato aquelas mais propensas a interagir para atingir o desejado desenvolvimento. O EMAER, representando o Governo, por meio do Escritório de Projetos, deve sugerir áreas a serem pesquisadas e mostrar roadmaps tecnológicos que levarão aos produtos necessários ao cumprimento da missão da Força Aérea, conforme definido conforme PBC.

Dentro desses roadmaps, é possível definir quais as tecnologias e sistemas necessitam ser nacionais, para evitar embargos, carência de suprimento e consequente redução da capacidade. Sobre essas tecnologias, então, são direcionadas as atividades nas três pás da hélice e regiões híbridas, habilitando assim o produto desejado.

Observa-se na Figura 10 e no Quadro 1 a seguir, as definições das sete possíveis regiões de atuação na Tripla Hélice, tendo sido identificados, com relação ao COMAER, quem seriam os principais entes envolvidos. É importante que cada ente envolvido assuma suas funções na Tripla Hélice e que a busca da sinergia seja colocada em primeiro plano.

Figura 10- As sete regiões de atuação dentro da Tripla Hélice

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Quadro 1– Definição de entes envolvidos na Tripla Hélice aplicada ao COMAER

Região Descrição Entes envolvidos Funções

1 Governo

Ministério da Defesa,

Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER)

- Regulação e - Custeio Outros Ministérios que interagem com o COMAER

Agências de Fomento - Custeio 2 Indústria Base Industrial de Defesa e

demais Indústrias do Setor Aeroespacial - Produção 3 Universidade Universidades nacionais com áreas de pesquisa de interesse do

COMAER - Pesquisa básica 4 Interseção Governo-Universidade ICTs:

Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) Instituto de Estudos Avançados (IEAv) Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo (IPEV)

Instituto de Aplicações Operacionais (IAOp) Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA)

- Pesquisa básica 5 Interseção Governo-Indústria ICTs:

Instituto de Estudos Avançados (IEAv) Instituto de Logística da Aeronáutica (ILA) Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI)

- Pesquisa avançada

ICTs:

Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)

Laboratório Químico Farmacêutico da Aeronáutica (LAQFA) Instituto de Medicina Aeroespacial (IMAE)

Centro de Computação da Aeronáutica (CCA-SJ)

- Pesquisa avançada,

- Produção

ICT:

Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI)

- Suporte à indústria e - Certificação 6 Interseção Universidade-Indústria

Centros Acadêmicos de Manufatura - Produção prototipada Incubadoras das Universidades - Suporte às

startups

Empresas Startups incubadas

- Pesquisa avançada e - Produção 7 Interseção Governo- Universidade-Indústria:

Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA)

- Gerência dos Projetos, - Coordenação, - Sinergia Parques Tecnológicos - Suporte à indústria e - Sinergia Fundações de Apoio - Agilidade nas interações, - Velocidade de aquisições, - Sinergia Fonte: AUTOR (2020).

Como catalizador dos desenvolvimentos, é importante considerar os mecanismos apresentados no capítulo 5, principalmente para as tecnologias que se perceba estarem no caminho crítico dos desenvolvimentos desejados, de modo a agilizar o término do projeto e o fornecimento do produto que representa a capacidade necessária à Força Aérea.

(26)

Entretanto, a pesquisa não pode ser restrita apenas ao que é encomendado pelo COMAER com base no PBC. As universidades e as indústrias podem e devem ter seu escopo aberto para novos desenvolvimentos, deixando seus pesquisadores e alunos livres para também desenvolver novas tecnologias, que podem vir a se compor ou mesmo se tornar produtos de interesse do COMAER. Se, por um lado, o COMAER anseia por empregar sua capacidade de pesquisa em desenvolvimentos específicos (direcionamento Top Down), por outro lado, o DCTA tem potencial para desenvolver novas tecnologias que só mais tarde se tornarão necessidades no PBC, trabalhando à frente dessas necessidades (direcionamento Bottom up).

Assim, é importante que o DCTA disponha de verba para custeio tanto de projetos Top Down quanto de projetos Bottom Up, em uma proporção a ser definida pelo EMAER.

Bush (1945, p.11) reforça que o progresso científico resulta de intelectos livres com liberdade para trabalhar em assuntos escolhidos por eles mesmos, ditadas por sua curiosidade pela exploração do desconhecido e que essa liberdade precisa ser preservada de acordo com os cinco princípios fundamentais.

Dessa forma, não se pode tolher preliminarmente pesquisas científicas ou desenvolvimentos tecnológicos surgidos no próprio DCTA, mesmo que não aparentem estar alinhados aos interesses do COMAER. Caso, após avaliação, seja identificado que não há interesse do COMAER em prosseguir com a pesquisa ou desenvolvimento, deve-se, assim que possível, redirecionar as verbas para outras pesquisas ou desenvolvimentos. É preciso possuir agilidade para identificar essa situação e buscar parceiros industriais nacionais que possam dar continuidade àquele desenvolvimento, caso haja a percepção de valor econômico agregado, evitando que aquela iniciativa se perca. Essa parceria pode, potencialmente, gerar royalties que auxiliarão a ICT envolvida em novos desenvolvimentos, conforme prevê o artigo 13 da Lei nº 10.973/2004, modificada pela Lei nº 13.243/2016.

É particularmente importante que as pesquisas e desenvolvimentos do tipo Bottom Up sejam direcionadas para o gerenciamento por meio de uma Fundação de Apoio, conforme possibilita a Lei nº 13.243/2016, de modo a possibilitar receber verbas orçamentárias do COMAER e de outros Ministérios além da Defesa, bem como de Agências de Fomento como a FINEP e poder executá-las com a agilidade necessária.

Também é importante que o DCTA assuma seu papel central na gerência de projetos de pesquisa e desenvolvimento que englobem ICTs, Indústrias, Universidades e Fundações de Apoio e que o EMAER se torne mais atuante sobre todos os projetos de pesquisa e desenvolvimento, por meio da definição de requisitos, priorização, acompanhamento e busca

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por recursos para esses projetos, inclusive aqueles de livre desenvolvimento, para os quais também é importante que haja direcionamento de parte dos recursos.

Dessa forma, busca-se aprimorar o fomento à inovação tecnológica no desenvolvimento de sistemas de defesa nacionais, utilizando as potencialidades das três esferas institucionais primárias (universidade, indústria e governo) envolvidas nesse processo, bem como os entes híbridos, de modo a prover as capacidades críticas da Força Aérea e consequentemente garantir a disponibilidade e o suprimento desses sistemas em caso de conflito.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta pesquisa teve como objetivo analisar as possibilidades de fomento à inovação no desenvolvimento de sistemas de defesa nacionais pela Base Industrial de Defesa (BID) para a manutenção das capacidades da Força Aérea Brasileira

Após a fundamentação teórica de apoio e definição da metodologia, realizou-se levantamento documental para identificar os modelos de inovação conforme atualmente aplicados no COMAER e aqueles caracterizados na literatura para otimizar o modelo de inovação aplicável a pesquisas e desenvolvimentos de interesse do COMAER, integrando Governo, Universidade e Indústria.

Em seguida, passou-se a analisar o planejamento das inovações no COMAER, considerando pesquisas e desenvolvimentos Top down e Bottom up, com suas características e foram definidas atividade s a serem conduzidas para dar suporte à seleção e desenvolvimento de projetos de P&D, bem como o Fluxo de atividades para o desenvolvimento de projetos de tecnologia no COMAER.

Uma vez que existem mecanismos legais capazes de suportar o avanço das inovações no Brasil, foram identificadas as modalidades sob as quais se pode obter ou acelerar a obtenção de novas tecnologias.

Por fim, foi realizada a análise do modelo de inovação de interesse do COMAER, com base na Tripla Hélice, no qual o EMAER se torna mais atuante sobre todos os projetos de pesquisa e desenvolvimento, por meio da definição de requisitos, priorização, acompanhamento e busca por recursos. Nesse modelo, o DCTA assume papel central na gerência de projetos de pesquisa e desenvolvimento que englobem ICTs, Indústrias, Universidades e Fundações de Apoio.

A presente pesquisa não encerra o assunto, uma vez que certamente surgirão oportunidades de melhoria a partir da implantação do modelo da Tripla Hélice customizado para o COMAER. Sugere-se como trabalhos futuros, tanto a análise dessas oportunidades,

(28)

quanto à aplicação na Marinha do Brasil e no Exército Brasileiro, bem como, em um momento posterior, para a atuação em outros ministérios, sobre áreas que extrapolam o setor de defesa.

É importante que o modelo de inovação atenda ao COMAER como cliente, que necessita do produto desenvolvido dentro do prazo estipulado, mantendo as capacidades de Força Aérea. Mas também é necessário que esse modelo estimule a atuação das universidades no desenvolvimento de produtos inovadores, bem como seja adequado à indústria, que precisa se manter no mercado, para que o Brasil tenha uma Base Industrial de Defesa forte e próspera.

REFERÊNCIAS

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Referências

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