PLANO DE ATIVIDADES 2012/2013
ÍNDICE
p.
0 - INTRODUÇÃO 3
1 - UNIDADE DE MONITORIZAÇÃO DOS INDICADORES DE SAÚDE 4
1.1 - Suboperações no âmbito do PCTA 5
1.2 - Projetos em consolidação 6
1.2.1 - Escola Promotora de Saúde 7
1.2.1.1 - Escola Promotora de Saúde – promoção de estilos de vida saudável 7 1.2.1.2 - Escola Promotora de Saúde – Condições de alimentação e prevalência de
obesidade em crianças do pré-escolar e 1º ciclo 15
1.2.2 - Indicadores de saúde do concelho de Santarém 17
1.3 - Projetos em desenvolvimento 22
1.3.1 - Gestão dos regimes terapêuticos em pessoas com diabetes e doenças
cardiovasculares 27
1.3.2 - Gestão de sintomas. Dor e autocuidado, no âmbito do processo de
doença crónica 31
1.3.3 - Simulação e desenvolvimento de competências para a tomada de decisão 36
2 - INOVAÇÃO & DESENVOLVIMENTO. INVESTIGAÇÃO 42
2.1 - Parcerias 44
2.2 - Planeamento das atividades dos projetos no âmbito da EPS 46 2.2.1 - Escola Promotora de Saúde – promoção de estilos de vida saudável 47
2.2.2 - Comer bem para viver melhor em Santarém 50
2.3 - Plano de Atividades no âmbito dos Indicadores de saúde do concelho de
Santarém 51
2.4 - Plano de Atividades Simulação avançada para a tomada de decisão 53 2.5 - Plano de Atividades Gestão dos regimes terapêuticos em pessoas com
diabetes e doenças cardiovasculares 55
2.6 - Plano de Atividades Gestão de Sinais e Sintomas. Dor a autocuidado no
âmbito do processo de doença crónica 57
3 - PLANO DE PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS CIENTÍFICOS E DIVULGAÇÃO DA
PRODUÇÃO 61
4 - CONSIDERAÇÕES FINAIS 62
5 - REFERÊNCIAS DOCUMENTAIS 63
0 - INTRODUÇÃO
Mobilizando o proposto pela Exmª Diretora da Escola Superior de Saúde de Santarém no plano
de atividades de 20121 “ …A Escola Superior de Saúde de Santarém (ESSS) assume-se como
uma organização educativa caracterizada por uma cultura de partilha entre as pessoas que a constituem, fruto da construção deste espaço em torno de uma filosofia de aproximação
entre os diferentes contextos externos e das diferentes dimensões do contexto interno”, o
presente plano de atividades organiza-se em torno da consolidação do potencial da Escola caracterizada aqui pela dinâmica escola/meio.
A Escola Superior de Saúde de Santarém, considerando o Regulamento Específico - Sistema de Apoio a Parques de Ciência e Tecnologia e Incubadoras de Empresas em Base Tecnológica, propôs a criação de uma unidade de monitorização de indicadores em saúde, que monitorize os determinantes de saúde na população residente, na área geográfica abrangida pela rede. A
UMIS enquadra-se no LIDS e responde aos objetivos propostos, de que se destacam no
esquema (Figura nº 1), o objetivo geral e os objetivos específicos, bem como a caraterização geral da Unidade (UMIS), onde se integram os projetos específicos, já em curso ou em fase de planeamento.
A UMIS e os projetos nela integrados, constituem-se como elementos essenciais à concretização da política de desenvolvimento da Escola Superior de Saúde, adiante designada por ESS, conforme consubstanciado no Plano Estratégico em implementação e de que se releva o assumido no Plano de Atividades 2012, a partir dos eixos estratégicos que aqui mobilizamos:
E. INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Promover o desenvolvimento de investigação no domínio científico da saúde e enfermagem;
Desenvolver protocolos com unidades de investigação na área científica da ESSS;
Continuidade na participação em projetos com impacto na comunidade.
F. COOPERAÇÃO E INTERNACIONALIZAÇÃO
Aprofundar os protocolos existentes e estabelecimento de novos;
Promover o reconhecimento nacional e internacional da Escola;
Pela Nota Informativa nº 26/2012/Dir, é nomeado como coordenador dos projetos UMIS, o Professor Coordenador José Joaquim Penedos Amendoeira Martins, atentas que foram algumas dimensões para a sustentabilidade dos projetos de investigação da Escola.
1Acesso em 20 de novembro de 2012
1 - UNIDADE DE MONITORIZAÇÃO DOS INDICADORES DE SAÚDE
A Escola Superior de Saúde de Santarém, considerando o Regulamento Específico – Sistema de Apoio a Parques de Ciência e Tecnologia e Incubadoras de Empresas em Base Tecnológica, viu aprovada a criação de uma unidade de monitorização de indicadores em saúde, com ênfase no estudo dos determinantes sociais da saúde na população residente, na área geográfica abrangida pela rede. A UMIS enquadra-se no LIDS, podendo caraterizar-se pela itinerância de uma unidade móvel, que permita responder aos objetivos propostos, e de que se destacam na informação seguinte, o objetivo geral e os objetivos específicos, bem como a caraterização geral da Unidade (UMIS), a que se segue a caracterização de projetos específicos, já em curso ou em fase de planeamento.
A informação relativa a esta unidade será disponibilizada na página da internet da ESSS (www.essaude.ipsantarem.pt) ou em publicações decorrentes da investigação realizada. As atividades da UMIS (adiante designada unidade) organizam-se em diferentes fases que a seguir se caracterizam genericamente e se operacionalizam nos designados sub-projetos, conforme descrição respetiva, que se apresenta na sequência da caracterização global da unidade.
Dos objetivos apresentados emergem duas orientações para o desenvolvimento do trabalho no âmbito da UMIS, uma mais direcionada para a investigação e outra para a extensão à
comunidade.
São mobilizados essencialmente como métodos e técnicas, os utilizados nos domínios:
• Investigação científica aplicada (caracterizados especificamente em cada um dos projetos apresentados)
• Planeamento em saúde (caracterizados em cada um dos projetos apresentados) De forma integrada, consideram-se seis dimensões que integram a matriz proposta pela Direção Geral da Saúde (Demografia, Estado de Saúde e seus determinantes, Cuidados de
Saúde - Serviço Nacional de Saúde, Recursos Humanos e Necessidades de Cuidados de Saúde e Despesas de funcionamento da Saúde), enfatizando o que designamos por transição
epidemiológica e que se constituem como orientadores ao desenvolvimento de trabalho piloto em ambos os domínios, na área geográfica da Escola Superior de Saúde do IPS, de acordo com cronograma que se integra no presente documento.
Dada a natureza multidimensional dos processos de saúde/doença e mobilizando as diferentes perspetivas que permitem construir o conhecimento, prevemos o recurso e a utilização de metodologias e técnicas multiformes, suportadas na triangulação entre métodos e técnicas, suportada numa perspetiva paradigmática de abordagem quantitativa e qualitativa (mista).
Recorreremos ao tratamento e análise de séries estatísticas de dados, aqui considerados como secundários, porque serão sinalizados junto de organismos nacionais e internacionais, que permitam a comparabilidade e a análise prospetiva dos mesmos.
A utilização da fenomenologia e da etnometodologia, constitui-se igualmente como orientação para a construção de uma atitude compreensiva e construtiva em torno dos fenómenos singulares dos referidos processos de saúde/doença.
Serão mobilizadas as técnicas inerentes à georeferenciação, considerando a correlação entre a população inscrita nos serviços de saúde e a população não inscrita e como tal a que se constitui em maior risco de saúde.
1.1 - Suboperações no âmbito do Parque Ciência e Tecnologia do Alentejo
No âmbito da candidatura ao PCTA foi utilizada a nomenclatura que é reproduzida no documento “Memória descritiva”, designando por operações as unidades integradas no Laboratório de Investigação de Desporto e Saúde e como suboperações as diferentes áreas de estudo, que aqui designamos por projetos.
A informação global em relação aos diferentes projetos integra o documento anexo “Laboratório de Investigação em Desporto e Saúde”, pelo que aqui se reproduz em esquema (Figura nº 1) a organização sumária, bem como a designação dos diferentes projetos em curso. No esquema referenciado, demonstra-se igualmente a relação sinérgica entre os projetos aqui mobilizados e a linha de investigação que os integra, mas que em documento próprio se apresenta com a capacidade de desenvolvimento autónomo de investigação académica e investigação orientada.
Figura nº 1 – Diagrama explicitador dos projetos no âmbito da UMIS
1.2 - Projetos em consolidação
Considerando o esquema anterior, os projetos que consideramos em consolidação são: 1 – Escola Promotora de Saúde – promoção de estilos de vida saudável
2 – Escola Promotora de Saúde – Condições de alimentação e prevalência de obesidade em crianças do pré-escolar e 1º ciclo
3 – Indicadores de saúde da população do conselho de Santarém
A fundamentação para esta classificação, é apresentada nos capítulos seguintes, neste documento. Em relatório específico para os projetos no âmbito da Escola Promotora de Saúde, relativo ao ano letivo 2011/2012, serão apresentados dados específicos, que demonstram claramente a referida consolidação, nos domínios que caracterizam os referidos projetos.
1.2.1 - Escola Promotora de Saúde
Este projeto desenvolve-se no âmbito do Gabinete de Relações Externas Interorganizacional (GREI) da ESSS desde 2006 e tem como finalidade o desenvolvimento de cooperação interorganizacional através de acordos específicos que permitem um trabalho real suportado em parcerias. Passa a integrar uma perspetiva mais global a partir da aprovação da UMIS, onde se integra atualmente.
1.2.1.1 - Escola Promotora de Saúde – promoção de estilos de vida saudável
A ESSS enquanto Escola Promotora de Saúde (EPS) incorpora a promoção da saúde no seu projeto educativo e laboral com o objetivo de fomentar o desenvolvimento humano e melhorar a qualidade de vida de todos aqueles que nela estudam e trabalham e por outro lado, formá-los para que atuem como modelos promotores de condutas saudáveis ao nível das suas famílias, nos seus futuros ambientes de trabalho e na sociedade em geral.
Problemática
A Promoção da Saúde, segundo a Carta de Ottawa (1986), consiste num processo que visa criar as condições que permitem aos indivíduos e aos grupos controlar a sua saúde, a dos grupos onde se inserem e agir sobre os fatores que a influenciam, o que implica o desenvolvimento da autonomia, da responsabilidade e da capacidade de intervenção das pessoas. Neste sentido, de acordo com a atual filosofia do projeto EPS, desenvolvemos um olhar abrangente sobre a Saúde, encarando-a como parte integrante da escola, por forma a criar um espaço saudável, onde são respeitados o bem-estar individual e coletivo e onde os projetos e atividades contribuem para o desenvolvimento da saúde e da educação, criando-se múltiplas oportunidades de participação dos seus elementos.
O compromisso da Escola com a promoção da saúde manifesta-se nos seus múltiplos papéis, não só como organização formativa, mas também através da criação de protocolos e parcerias como as que aqui se apresentam, no sentido de melhorar a saúde e bem-estar da comunidade a nível local e regional. Para tal, desenvolve conhecimentos, habilidades e destrezas para o autocuidado em saúde e previne condutas de risco, fomenta a reflexividade sobre os estilos de vida, procurando a obtenção de ganhos em saúde e do desenvolvimento humano para a construção de uma cidadania responsável, com os alunos daquelas Escolas, pais, e restante comunidade.
Constitui-se assim também por esta via como um recurso para a saúde da comunidade e paralelamente tem mobilizado as Escolas parceiras como um espaço de aprendizagem e desenvolvimento dos seus estudantes, com a realização de estágios naqueles contextos, onde os estudantes desenvolvem uma aprendizagem ativa, participando em algumas atividades de diagnóstico e formação, respondendo também assim aos postulados de uma EPS e a uma das suas vertentes que é a dinâmica escola-meio.
Esta perspetiva de desenvolvimento assenta no modelo ecológico de Bronfenbrenner (1979), em que cada pessoa influencia e é influenciada pelos diferentes sistemas contextuais, desde o micro ao macrossistémico.
A alimentação saudável, enquanto determinante de saúde, secundada pela área da sexualidade, foram nos primeiros anos de projeto, as principais áreas da nossa intervenção em contexto escolar, dando resposta às necessidades identificadas como prioritárias nos projetos de educação para a saúde das referidas escolas.
As atividades desenvolvidas com as comunidades escolares abrangem diferentes anos curriculares do 2º e 3º ciclo.
Salientamos a sua elevada pertinência, correspondendo ao preconizado no Programa Nacional de Saúde Escolar, onde se constatam as áreas anteriormente referidas como de intervenção prioritária no contexto da Saúde Escolar, visando a promoção de estilos de vida saudáveis Considerámos o projeto com caráter inovador, uma vez adequado ao preconizado na Carta de Edmonton para Universidades Promotoras de Saúde e Instituições de Ensino Superior (2005), visando a Promoção da Saúde num mundo globalizado, numa abordagem baseada em
settings, contribuindo para a saúde e bem-estar da comunidade através de parcerias,
incentivando os estudantes a participar na defesa dos conceitos da promoção da saúde e a serem envolvidos na vida institucional, bem como prepará-los como cidadãos comprometidos com a promoção da saúde nas suas organizações e comunidades.
Os objetivos do projeto:
Realizar diagnóstico de situação, equacionando problemas e necessidades na comunidade escolar no âmbito da alimentação e sexualidade enquanto determinantes da saúde
Intervir com estratégias de educação para a saúde, junto da comunidade escolar e outros elementos da comunidade, dando resposta ao diagnóstico de situação
Promover o desenvolvimento pessoal e social dos adolescentes/jovens pela formação de conhecimentos/atitudes face a estilos de vida saudáveis
Desenho do projeto
O projeto apresenta como característica a multidisciplinaridade e sempre que possível a multiprofissionalidade, valorizando-se a extensão à comunidade como estratégia de desenvolvimento e consolidação do mesmo, de que são exemplo a maioria das atividades desenvolvidas, suportam-se em protocolos de cooperação de diversas tipologias, com uma diversidade de instituições, cuja referenciação se encontrará brevemente disponível no website das UMIS.
As atividades da EPS desenvolvem-se em quatro fases, de acordo com calendarização em local próprio (Planeamento de Atividades, p. 43).
FASE I - Diagnóstico preliminar – Ano 2010
FASE II - Diagnóstico de situação e intervenção nas Escolas - Ano 2011/2012 FASE III - Acompanhamento e Monitorização da Intervenção desenvolvida FASE IV – Avaliação e Relatório final
Em relação à saúde mental das crianças e adolescentes, os estudos recentes têm encontrado uma prevalência de problemas de saúde mental que se centra entre os 10 e os 20%, sendo considerada a causa mais importante de problemas nestas fases do ciclo vital. As temáticas que desenvolvemos: Distúrbios do comportamento alimentar; Consumos nocivos para a saúde e dependências; e Relações interpessoais, centram-se em aspetos que assumem particular relevância para o benefício da saúde atual da criança e adolescente mas também da sua saúde futura.
Como recursos neste projeto mobilizamos os professores da ESSS com formação em diversas áreas do saber, que colaboram na formação dos adolescentes/jovens das Escolas EB 2,3 na educação para a saúde e os estudantes em ensino clínico que contribuem com os seus conhecimentos, na promoção da saúde, sob a orientação dos respetivos professores. Trata-se de um projeto transdisciplinar na medida em que envolve escolas e alunos em diferentes níveis de ensino (2º e 3º Ciclos e Ensino Superior); professores com formação em diferentes áreas e por conseguinte mobiliza diferentes disciplinas com conteúdos transversais. Por outro lado, mobilizamos as escolas como espaços formativos para os nossos estudantes e em simultâneo colaboramos na construção do projeto educativo de cada escola.
As estratégias têm sido diversificadas, com metodologias pedagógicas ativas, (filmes, cartazes, panfletos, conferências, workshops, colóquios, diário alimentar, debates, fotolinguagem entre
outros) tendo em conta a população alvo a que se destina (alunos e/ou pais) enquadradas nas dimensões e indicadores de uma EPS, evidenciando-se neste projeto as dimensões comunitária (pela participação e integração da ESSS na comunidade e na resolução dos seus problemas) e curricular (mobilizando a cooperação e envolvimento de todos visando informar/formar conhecimentos/atitudes e comportamentos face a estilos de vida saudáveis.
Assim, no âmbito da educação para a saúde desenvolvemos atividades cujos destinatários são os alunos, mas também seminários dirigidos a toda a comunidade escolar. Transversal a estas diferentes atividades é nosso objetivo capacitar alunos/comunidade escolar para a adoção de estilos de vida saudáveis promotores de saúde mental.
Em relação à Saúde sexual, o projeto tem sido desenvolvido desde o 2.º ciclo até ao ensino secundário e dirige-se a estudantes, pais e professores. Com os estudantes valorizamos, para além da informação sexual, uma discussão de valores socioafetivos, promotores da construção de um quadro de referências pessoal, indispensável a uma tomada consciente e responsável no domínio da saúde sexual e reprodutiva. Com os pais, a intervenção ocorre no sentido da compreensão da fase da vida dos seus filhos e na sua capacitação para o exercício das funções parentais. Com os professores, o objetivo é o desenvolvimento de conhecimentos facilitadores da implementação da educação sexual a nível escolar, procurando-se promover uma reflexão que conduza à construção pessoal duma perspetiva sobre a sexualidade e educação sexual e, também, a discussão de perspetivas e estratégias de aprendizagem de educação sexual em contexto escolar.
Relativamente às questões relacionadas com a alimentação, este projeto desenvolve-se em diversas Escolas de 2º e 3º Ciclo com atividades essencialmente ligadas a comportamentos de risco, que conduzem à obesidade, destinadas a alunos e comunidade escolar – pais e professores.
A preocupação com a alimentação de crianças e jovens prende-se com o facto de cerca de metade da população mundial sofrer de obesidade, sabendo-se que uma criança/adolescente obesa será também um adulto obeso. É assim fundamental promover hábitos alimentares e estilos de vida saudáveis, o mais precocemente possível.
Crianças e adolescentes, devido a hábitos alimentares incorretos e ao sedentarismo, apresentam cada vez mais dificuldade em controlar o seu peso. É importante que os pais estejam informados sobre as principais regras de uma alimentação saudável, no sentido da alteração de comportamentos familiares. No entanto, e dado que crianças/adolescentes passam a maior parte do tempo na escola, este é um local privilegiado para iniciar mudanças no comportamento alimentar.
Resultados do projeto
Dada a natureza de continuidade do projeto, os resultados do mesmo são apresentados em relatório específico, a disponibilizar brevemente neste website.
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1.2.1.2 - Escola Promotora de Saúde – Condições de alimentação e prevalência de
obesidade em crianças do pré-escolar e 1º ciclo
O projeto Comer Bem e Viver Melhor em Santarém, integrando como parceiros, a Câmara Municipal de Santarém (entidade promotora), a Escola Superior de Saúde de Santarém, o ACES Ribatejo e os Agrupamentos Escolares do concelho, tem-se desenvolvido numa lógica de cooperação e parceria entre diferentes sectores: saúde, educação, autarquias e empresas, num assumir de responsabilidades mútuas na redução da prevalência da pré-obesidade e obesidade em Portugal, determinando a indispensabilidade de uma atuação prioritária, quer num adequado diagnóstico de situação, quer no planeamento e operacionalização de intervenções individualizadas, sistematizadas e multidisciplinares.
O presente projeto tem como objetivos gerais:
- Avaliar as condições de alimentação na população pré-escolar nos agrupamentos escolares sob a responsabilidade da Câmara Municipal de Santarém;
- Identificar a situação relativa a obesidade e seus fatores nas crianças do pré-escolar e 1º ciclo.
E objetivos específicos:
- Realizar um diagnóstico de situação, equacionando problemas e necessidades na comunidade escolar do concelho de Santarém, no âmbito da alimentação
- Planear a intervenção adequada e individualizada, com estratégias de educação para a saúde, junto da comunidade escolar
- Promover o desenvolvimento pessoal e social das crianças e adolescentes pela construção de conhecimentos/atitudes face a estilos de vida saudáveis.
Problemática
Tendo como objetivos avaliar a intervenção desenvolvida no transato ano letivo junto da comunidade escolar, prosseguimos desta forma o desenvolvimento do projeto, assente num modelo de ciclos em espiral, em quatro etapas: planeamento, ação, reflexão e avaliação (Streubert e Carpenter, 2002).
A Obesidade é considerada pela OMS como a pandemia do século XXI, considerando-se a
Obesidade Pediátrica como um flagelo que afeta em todo o mundo 155 milhões de crianças
em idade escolar.
Em Portugal, a situação não é mais favorável, identificando-se indicadores de excesso de peso e obesidade em 31 por cento das 5.708 crianças e adolescentes analisadas.
Desenho do projeto
O desenho deste projeto assenta numa perspetiva de investigação-ação, permitindo em simultâneo a produção de conhecimentos sobre a realidade, a inovação no sentido da singularidade de cada caso, a produção de mudanças sociais e, ainda, a formação de competências dos intervenientes (Guerra,2000, p.52), considerando estes como todos os participantes do estudo. Simultaneamente orienta para uma abordagem sistémica dos fenómenos em estudo, definindo o problema a partir da prática e pretendendo voltar à prática para a resolução/transformação do que foi identificado; define-se assim como “um método que implica agir para melhorar a prática e estudar sistematicamente os efeitos da acção desenvolvida” (Streubert e Carpenter, 2002).
O projeto abrange todos os níveis de ensino de todos os agrupamentos escolares do concelho de Santarém, tendo-se privilegiado no ano letivo 2009/2010 as atividades que visavam a operacionalização da 2ª fase do projeto.
Resultados preliminares
A intervenção conjunta (saúde e social) desenvolveu-se em oito escolas e cinco jardins-de-infância de um agrupamento escolar, abrangendo 134 crianças do pré-escolar e 366 de 1º ciclo, professores, assistentes operacionais e pais, desenvolvendo atividades formativas integradas nos projetos de intervenção das Escolas piloto, sob diferentes temáticas: a importância do pequeno almoço, a constituição de lanches saudáveis, as frutas e os produtos hortícolas: o arco-íris no prato, receitas mágicas: à descoberta dos sabores.
Como estratégias destacam-se sessões interativas em pequenos grupos, metodologias ativas e jogos didáticos, com elevada participação de todos os intervenientes.
Em cada atividade foram disponibilizados materiais pedagógicos para continuidade do trabalho com as crianças e fichas de avaliação que traduziram aquisição de conhecimentos em diferentes âmbitos e sugeriram trilhos de orientação para a monitorização do trabalho a desenvolver posteriormente em cada um dos contextos escolares, da responsabilidade direta dos professores, visando a promoção do desenvolvimento pessoal e social das crianças e a construção de conhecimentos/atitudes face a estilos de vida saudáveis.
Resultados específicos encontram-se em preparação sob a forma de relatório que será disponibilizado no âmbito da ESSS.
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1.2.2 - Indicadores de saúde do concelho de Santarém
O projeto que se apresenta emerge do interesse conjunto de quatro instituições, que embora com missões e objetivos diferentes, apresentam como finalidade comum, contribuir para a melhoria das condições de saúde da população do concelho de Santarém.
O ACES Lezíria e o Hospital Distrital de Santarém, enquanto organizações prestadoras de cuidados assumem o estatuto de instituições onde ocorre por natureza a oferta dos cuidados de saúde e simultaneamente os contextos por excelência, nos quais a população procura os cuidados que considera essenciais à promoção, manutenção ou recuperação do seu estado de saúde.
A Câmara Municipal de Santarém, enquadra a sua participação claramente numa dimensão social, contribuindo inequivocamente para o resultado final.
A Escola Superior de Saúde, assume a sua missão de Instituição de Ensino Superior, com larga tradição de trabalho em cooperação com as organizações prestadoras de cuidados de saúde, essencial à formação de qualidade ao nível da formação pré-graduada, graduada e de aprendizagem a longo da vida, acrescendo nos últimos anos a relevância de se constituir como Escola Promotora de Saúde.
Enquanto EPS, desenvolve uma dinâmica escola meio, suportada na referida cooperação, mas assumindo claramente a responsabilidade social que decorre da sua missão e onde se inscreve a possibilidade de contribuir para o reforço de práticas em saúde baseadas na evidência. É nesta perspetiva que integra este grupo institucional, numa perspetiva de suporte e consultoria ao desenvolvimento da investigação que na área pretendida, valoriza essencialmente a intervenção das organizações prestadoras de cuidados de saúde - ACES Lezíria e Hospital de Santarém.
Problemática
A saúde enquanto domínio do conhecimento pode definir-se por referência a diversas dimensões, sendo que habitualmente existe uma tendência para a enquadrar numa perspetiva determinista, o que só por si conduz a uma visão incompleta e necessariamente distorcida da mesma.
A compreensão da multidimensionalidade em saúde e da complexidade inerente ao conceito, enquadra-se no conhecimento pertinente das transições identificadas por relação a este fenómeno, essencialmente por referência ao pensamento complexo em saúde e de como esta dimensão surge e se desenvolve em todo o século XX.
As últimas três décadas, em Portugal, foram de significativos ganhos em saúde. Mas também se acentuaram os problemas de saúde associados ao que se designa como determinantes de saúde, a que não são alheias as transições antes referidas.
Neste âmbito, a mudança centrada no cidadão é a estratégia preconizada pelo Plano Nacional de Saúde, a que se atribui relevância pela valorização do bem estar da pessoa, numa perspetiva de qualidade de vida, atribuindo à saúde o estatuto de contexto singular.
As dificuldades e limitações no desenho e implementação de políticas públicas baseadas na evidência são bem conhecidas. Muito poucas das reformas mais importantes, em Portugal, foram precedidas de documentos de análise, evidenciando o conhecimento existente que fundamenta as decisões, estabelecendo resultados esperados, de forma objetiva e quantificada, estabelecendo a forma a adotar para avaliar o impacto dessa reforma ou ainda beneficiaram de debate técnico e público alargado. A ausência destas linhas de referência compromete severamente a monitorização e avaliação prospetiva e enfraquece a implementação.
A leitura do conceito de saúde da OMS (1947), pode ser tido como um conceito positivo que acentua os recursos sociais e pessoais, assim como as aptidões físicas. Adquire assim uma dimensão cultural que Leininger (1984) considera como um estado de bem-estar, culturalmente definido, avaliado e praticado e que reflete a capacidade que os indivíduos (ou grupos) possuem para realizar as suas atividades quotidianas, de uma forma culturalmente sensível e satisfatória.
Pender (1996) vai mais além quando afirma que nem todas as pessoas que não têm doença, são saudáveis por igual, acrescentando que, para muitas, são mais os “modos de vida” que integram elementos de ação individual e coletiva na construção dos determinantes de saúde e não as «situações patológicas» que definem a saúde.
Considerando esta perspetiva, a noção que as pessoas têm de saúde pode variar entre indivíduos de vários grupos etários, género, etnias e culturas, sendo a saúde um modo de estar que as pessoas definem em função dos seus valores, das suas crenças, dos seus conhecimentos e do seu estilo de vida.
As diferentes abordagens à saúde podem ser sintetizadas por duas perspetivas básicas: o modelo biomédico e o modelo social da saúde. Enquanto o primeiro evidencia o papel dos
cuidados de saúde em evitar, resolver ou mitigar os efeitos da doença, o modelo social terá uma perspetiva suportada num paradigma complexo, orientado para a compreensão da complexidade em saúde.
Desenho do projeto
É na conjugação destes pressupostos que o presente projeto se insere, procurando claramente mobilizar a qualidade dos dados produzidos pelas instituições prestadoras de cuidados de saúde, introduzindo na análise e tratamento dos mesmos a dimensão da investigação que permita, questioná-los numa perspetiva da construção de uma melhor evidência científica, para além do tratamento estatístico. Constitui-se num contributo para o conhecimento mais profundo da realidade em que os profissionais atuam, uma vez que enquadram a sua intervenção em decisões baseadas no conhecimento científico produzido e mobilizado aos diferentes níveis do sistema, nomeadamente a conceção e a administração do mesmo.
A epidemiologia assumiu um papel importante no desenvolvimento de uma visão da saúde, para além de conceito oposto a doença, mais evidente “nas sociedades que fizeram uma «transição epidemiológica» caracterizada pela evolução das doenças crónicas e degenerativas de populações envelhecidas, que substituíram as doenças infetocontagiosas, o que levou os cuidados de saúde a evoluírem do «curar» (cure) para o «cuidar» (care)”. A componente social associada ao conceito de saúde, embora não sendo completa novidade, veio reforçar a mudança que já se adivinhava.
A Escola Superior de Saúde, enquanto instituição do ensino superior integrando para o efeito a unidade de Investigação do Instituto Politécnico de Santarém e pelo coordenador do projeto como investigador principal do CESNOVA, unidade acreditada junto da FCT com avaliação de Muito Bom, e investigador da UiIPS, constitui-se como entidade responsável pelo desenho do projeto que se caracteriza como um estudo de investigação, longitudinal e prospetivo a desenvolver em três fases distintas, encontrando-nos em fase de concretização da I Fase até ao final do 1º trimestre de 2013. (Conforme calendarização em documento a publicar após aprovação).
De acordo com a I Fase do estudo, é imperativa a definição de indicadores, que assumimos a partir da matriz proposta pela Direção Geral da Saúde.
Esta matriz é organizada em seis dimensões: Demografia, Estado de saúde e seus determinantes, Cuidados de Saúde - Serviço Nacional de Saúde, Recursos Humanos, Necessidades de Cuidados de Saúde e Despesas de Funcionamento da Saúde .
Mobilizando as diferentes perspetivas que permitem construir o conhecimento nesta temática, encontramos a possibilidade de utilização de metodologias e técnicas multiformes, suportadas na triangulação entre métodos e técnicas, bem como triangulação teórica, suportadas numa perspetiva paradigmática de abordagem quantitativa e qualitativa (mista), em que o tratamento e análise de séries estatísticas de dados (essencialmente na primeira fase do projeto) se revela essencial.
A equipa de projeto encontra-se no momento a aprofundar o conhecimento no que concerne aos indicadores, cujos dados se tornarão disponíveis, procedendo à caracterização dos mesmos através de uma matriz que permita identificar não apenas as dimensões em apreço, mas essencialmente a capacidade para produzir informação passível de comparabilidade, tanto a nível local, como regional, nacional e internacional.
Do tratamento dos dados, decorre a produção de informação que permitirá validar a relevância dos indicadores propostos e que integrarão o relatório final da primeira fase, bem como a consolidação dos indicadores que serão avaliados na II fase do estudo, como descrição seguinte.
No sentido de harmonizar a classificação dos indicadores tendo em vista a referida comparabilidade, encontramo-nos a desenvolver em simultâneo a referenciação de cada um dos indicadores identificados, enquanto palavra ou termo / descritores exatos, na webpage dos Descritores em Ciências da Saúde. Pretendemos com esta metodologia, garantir a universalidade das definições operatórias, o que se concretizará com um glossário exaustivo em relação aos indicadores.
Na II Fase do estudo, a fenomenologia e a etnometodologia são essenciais para a construção de uma atitude compreensiva e construtivista a partir da complexidade inerente aos conceitos de saúde e doença (que caracteriza a segunda fase do projeto).
Assume, nesta perspetiva uma relevância que pretendemos se constitua claramente centrada nas necessidades em cuidados de saúde, identificadas não exclusivamente a partir dos profissionais, mas onde se evidencie a participação ativa das pessoas, grupos e da comunidade como produtoras de informação.
Referências
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Distrito de Santarém 1930/60”, in Temas de Hitória do Distrito de Santarém, Comunicações ao Colóquio sobre História Regional e Local do Distrito de Santarém, 11 a 14/11/87, Santarém, E. S. E. Santarém, pp. 721-739, 1990;
- Ferrão, Humberto Nelson, (1999) “O Sociólogo na animação cultural, em contexto de
mudança - Reflexões sobre uma experiência profissional autárquica”, pp. 71-89, in, Carreiras, H., Freitas, F., Valente, I., (Orgs.), Profissão Sociólogo, Associação Portuguesa de Sociologia, Lisboa, Celta Editora.
- Ferrão, Humberto Nelson, (1999) “Ranchos Folclóricos no Ribatejo: Estética,
mercadoria e associativismo”, in Website, www.ces.fe.uc.pt/coloquio/espaco/ do Centro de Estudos Sociais, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, no âmbito do Colóquio Sociedade, Cultura e Política no Fim do Século: “A Reinvenção da Teoria Crítica”, Coimbra, 16 - 17 de Abril de 1999, Painel “Os novos espaços públicos: identidades e práticas culturais”.
- Ferrão, Humberto Nelson, (2011) “Caneiras - Avieiros na Agricultura (as searas de
tomate)” Instituto Politécnico de Santarém - (previsão). Edição no âmbito da candidatura da Cultura Avieira a Património Nacional
- Ferrão, Humberto Nelson, (1987) “O Folclore no Ribatejo: O Ribatejo nos anos 30/60 - 1ª. Aproximação”, in I Congresso de Folclore do Ribatejo 1987, Comunicações ...Santarém, Ed. Região de Turismo do Ribatejo, 1990;
1.3 - Projetos em desenvolvimento
Como temos vindo a afirmar ao longo do presente documento “ A Escola desenvolve a sua
missão mobilizando o potencial humano de que dispõe, através da concretização da visão e valores, sustentada numa orientação estratégica que visa a cooperação com organizações de saúde, educativas e outras, nas áreas da formação pré-graduada, pós-graduada, ao longo da vida, da investigação, da consultoria e de atividades de extensão à comunidade”2
No que concerne à investigação é assumido de forma muito clara que “A ESSS desenvolve a sua
atividade no domínio da saúde, (…), da investigação, da difusão e transferência de conhecimentos…”
.
3, constituindo-se um dos pressupostos para ter sido assumida a integração
de uma linha de investigação da escola, designada “A centralidade do cidadão no processo de
cuidados de saúde”, com a qual se pretende sistematizar toda a investigação desenvolvida
tanto no âmbito académico como na dimensão orientada, tal como é definido no PG.044
- Investigação Académica – a que é desenvolvida no âmbito da aquisição de graus académicos
, e de que citamos “- Investigação Orientada – a que é desenvolvida no âmbito da missão da Escola de forma isolada e/ou em parceria com outras organizações;
no âmbito da missão da Escola e/ou em parceria com outras organizações educativas”. (Relatório de Progresso da Linha de Investigação 2012, Documento disponível no website UMIS).
A referida linha de investigação, da responsabilidade do investigador do CESNOVA/FCSH_UNL, da Unidade de Investigação do Instituto Politécnico de Santarém (UIIPS) e no último ano no Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde (CIIS) do ICS_UCP, decorre de projeto
desenvolvido na unidade de investigação CESNOVA5
Perante o desafio que se coloca à investigação no ensino superior, pretendemos com esta linha contribuir para a necessária transversalidade e interdisciplinaridade, bem como para uma mais adequada resposta às necessidades da envolvente, de forma concreta o estudo de
onde o coordenador é investigador integrado, no grupo de trabalho GT2 – Políticas Públicas e Desigualdades Sociais, projecto este designado “Políticas de produção de cuidados de saúde, da oferta à capacidade de procura: o
estatuto do cidadão” e de que resultaram diversas publicações de autoria e co-autoria.
Atualmente o coordenador mantém o estatuto de investigador integrado no GT” – Políticas Públicas e Responsabilidade Social.
2Plano de Atividades 2012, p.9 3 Ib. p.10
4Sistema de Gestão da Qualidade da ESSS 5http://cesnova.fcsh.unl.pt/?area=102&mid=003
situações que permitam às organizações prestadoras de cuidados de saúde e sociais, criar melhores respostas nos cuidados aos cidadãos.
É com esta orientação, que se caracterizam não apenas os projetos anteriormente referenciados, mas igualmente os que se seguem, onde se procura uma adequada interação entre as investigações de caráter académico tanto no âmbito individual como institucional, mas onde se atribui uma relevância ao desenvolvimento de investigação com caráter de utilidade transferível em tempo útil para as organizações educativas e prestadoras de cuidados de saúde, que apresentem à Escola as necessidades concretas, no âmbito da área de cooperação “estudo de problemas e situações”.
1.3.1 - Gestão dos regimes terapêuticos em pessoas com diabetes e doenças cardiovasculares
As pessoas que têm no seu dia a dia que integrar um conjunto de atividades relacionadas com a gestão de diferentes regimes terapêuticos, farmacológicos e não farmacológicos, necessitam de suporte desenvolvimental, psicológico, familiar, sociocultural e socioeconómico. Alguns estudos têm sido desenvolvidos, no âmbito da adesão aos diferentes regimes terapêuticos, na sua maioria relacionados com a adesão à terapêutica farmacológica, centrados essencialmente na perspetiva dos profissionais de saúde, dos custos e benefícios e no sistema de saúde (Ben-Arye et al, 2007; Nieuwenhuijsen et al, 2006; Pascucci et al, 2010; Washburn e Hornberger, 2008; Blanski e Lenardt, 2005; Desimone e Crowe, 2009), citado de Silva (2012).
A nível nacional estas dimensões também têm sido estudadas, assim como, centrado nas pessoas, desenvolvemos um estudo qualitativo, cuja questão de investigação integra o ser humano e as dimensões que promovem a adesão aos diferentes regimes terapêuticos. Os resultados traduzem essencialmente as razões das pessoas em aderir ou não aderir aos diferentes regimes terapêuticos. Consideramos que só quando compreendermos as razões que levam as pessoas a desenvolver determinado cuidado em relação à sua saúde, é que podemos desenvolver com estas, intervenções que promovam esta dimensão do autocuidado. (Silva, 2010; Machado, 2009; Sousa, 2003), Silva (2012).
Problemática
A pessoa, no seu dia-a-dia e apesar da informação existente e transmitida a todos os níveis da sociedade, continua a tomar decisões e a manter hábitos de vida por vezes menos adequados para a promoção de uma qualidade de vida saudável e de acordo com os seus problemas de saúde. Segundo o ICN (2010), a pessoa apesar de ter o conhecimento, as suas ações poderão não corresponder ao esperado. A promoção da informação adequada e a sua consciencialização face à mobilização da mesma, poderá não ser o suficiente para alterar comportamentos ou práticas. É imprescindível transmitir e reforçar frequentemente e de várias formas a informação necessária e pertinente no sentido da educação da sua saúde. Uma das dimensões identificadas nesta problemática, têm sido as questões relacionadas com a capacidade da pessoa ou familiar cuidador, gerir de forma adequada um regime terapêutico quer seja farmacológico ou não farmacológico, no sentido da manutenção da sua saúde. Segundo o ICN (2010) o problema de uma adesão terapêutica inadequada compromete a eficiência do sistema dos cuidados de saúde, assim como a responsabilidade dos profissionais
de saúde nas tomadas de decisão face à promoção dos ganhos em saúde nas populações. Uma das formas de melhorar a adesão é a educação na autogestão, no sentido da capacitação da pessoa no seu próprio autocuidado.
Relevamos as questões dos indicadores revelados pela Direção Geral de Saúde (2002), referindo que as doenças cardiovasculares, cancro e outras (diabetes) são a principal causa de morbilidade e mortalidade, assim como as responsáveis por situações de incapacidade e perda de qualidade de vida, citando (DALYs1, European Health Report, OMS, 2002) “…com expressão muito significativa no consumo de serviços de saúde (…) medicamentos e dias de internamento, representando, em 2000, a nível europeu, cerca de 75% da carga da doença (burden of disease)”.
No que diz respeito aos estudos desenvolvidos no âmbito da gestão dos regimes terapêuticos, duas dimensões desta temática têm sido mobilizadas, a gestão ao nível do regime terapêutico quer farmacológico, quer não farmacológico, cuja centralidade tem sido essencialmente ao nível da pessoa em processo de saúde doença como a Diabetes, a Insuficiência Renal Crónica e a Hipertensão, no entanto existe uma outra dimensão que se encontra integrada na anterior, ou seja a adesão, onde também se têm desenvolvido alguns estudos centrados na pessoa e nos processos de avaliação deste fenómeno, quer em termos quantitativos, quer em termos qualitativos.” (Silva, 2011).
Deaton e Namasivayam (2004), avaliaram os resultados dos pacientes cardíacos. Esta revisão constatou que aproximadamente 50% dos reinternamentos hospitalares, durante um ano na sequência de um enfarte agudo do miocárdio foram relacionados aos fatores psicossociais, indo ao encontro do estudo (Silva, 2010), que refere que as crenças individuais, as relações e suporte familiar e as emoções e sentimentos vivenciadas, por cada ser humano, influenciam o processo de adesão aos diferentes tipos de regime terapêutico.
A questão que se nos coloca é: Quais os resultados sensíveis aos cuidados de enfermagem? Os resultados que têm sido consistentemente considerados como sensíveis aos cuidados de enfermagem providenciados através do continuum dos contextos de cuidados de saúde (agudos, comunidade ou domiciliários e contexto de cuidados de longa duração) podem ser classificados como:
• clínicos, os quais incluem controle e gestão de sintomas;
• funcionais, os quais incluem funcionamento físico e psicossocial e habilidades de auto-cuidado;
• segurança, os quais incluem incidentes adversos e complicações, tais como úlceras de decúbito;
• percetuais, as quais incluem satisfação com os cuidados de enfermagem e com os seus resultados (ANA, 1995).
Para Doran (2003) a questão dos resultados tem vindo a ser o centro de atenções sobre custos, qualidade, eficácia e eficiência do desempenho assistencial e organizacional, devido nomeadamente às expetativas de uma maior responsabilização da gestão e decisões políticas. Tradicionalmente o conceito de resultados é definido como o produto final de um processo, tratamento ou intervenção. Em cuidados de saúde os resultados descrevem a resposta, comportamento, sentimentos dos cuidados providenciados (Edwardson, 1985).
Esta constatação requer a avaliação de estruturas, processos e resultados associados à prática de enfermagem (Hamric, A. B.; Spross, J.A. & Hanson, C.M. 2009) e consubstancia o já referido a propósito de outros autores, como Donabedian (1966, 1980), Mitchell (2001), Irvine, Sidane
e McGillis Hall (1998).
Considerando os pressupostos aqui enunciados, este é um projeto essencial à investigação científica orientada e académica, ocorrendo três estudos académicos ao nível de doutoramento, que contribuem concretamente para esta área do conhecimento e que, pretendemos reforçar com este estudo de investigação aplicada, em que numa primeira fase se constituirá um comité de prática baseada na evidência, constituído por elementos das organizações prestadoras de cuidados de saúde parceiras e pela escola (proposta concreta no plano de atividades, parte integrante deste documento).
No âmbito da divulgação, prevê-se a realização de Seminários de divulgação dos resultados preliminares e de progresso, recorrendo às diferentes formas e meios para a mesma.
Desenho de projeto
De acordo com o previsto no plano de atividades, p. 52 do Plano de atividades da UMIS, disponível no domínio Publicações, neste website.
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- Catela, Alda (2009). Viver a Adesão ao Regime Terapêutico Experiências Vividas do
Doente Submetido a Transplante Cardíaco. Dissertação de Mestrado em Enfermagem sob orientação científica do Prof. Doutor José Amendoeira
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1.3.2 - Gestão de sintomas. Dor e autocuidado, no âmbito do processo de doença crónica
O aumento da doença crónica em Portugal, tal como em todo mundo, está intimamente relacionada com o aumento da esperança de vida, maioritariamente relacionada com o desenvolvimento das técnicas assistenciais nas situações de doença aguda. A associação deste fenómeno ao envelhecimento da população que atinge, sobretudo, os países da área geocultural de Portugal constitui um grande desafio aos sistemas de saúde nas próximas décadas.
O modelo de cuidados centrado nos profissionais tem vindo a ser cada vez mais questionado uma vez que estamos perante a necessidade de compreender de forma mas eficaz, como a transição de um paradigma centrado na doença e no modelo de cuidados centrado no profissional, pode ocorrer para um modelo de cuidados mais centrado no cidadão que vive continua e sistematicamente com uma doença que os acompanhará no seu cilco de vida individual, grupal e comunitário.
A vivência de uma transição saúde/doença crónica impele a pessoa para um conjunto de mudanças na sua vida pessoal e familiar, sendo desejável que, além da gestão emocional, a pessoa seja capaz de se ajustar a um novo conjunto de comportamentos de autocuidado e atitudes que permitam gerir alterações na funcionalidade, reorganização de papéis, gestão da doença e a complexidade de um regime terapêutico (Silva e Bastos, 2012).
O autocuidado tem diferentes significados para diferentes pessoas e, enquanto comportamento, reflete o estilo individual, as adaptações específicas, as atuais circunstâncias e as perspetivas de futuro de cada pessoa. Face à doença crónica verifica-se que, perante necessidades similares, as pessoas têm diferentes respostas comportamentais e de atitude. Backman e Hentinen (1) explicam algumas destas diferenças no resultado do seu trabalho com idosos, através da identificação de diferentes perfis de autocuidado (Silva e Bastos, 2012).
Problemática
As variáveis habitualmente utilizadas, não consideram determinadas dimensões da vivência do processo de saúde-doença, preocupando-se predominantemente numa abordagem centrada no episódio de doença e/ou em indicadores de natureza epidemiológica mas numa perspetiva predominantemente biomédica. Principalmente em determinadas situações de doença crónica colocam-se questões que têm a ver com a funcionalidade e com a autonomia para o exercício de atividades de vida. É essencial identificar os fatores e/ou variáveis sobre as quais seja possível desenvolver ações concertadas no sentido da melhoria da saúde da população. A Enfermagem no sentido de uniformizar a identificação das referidas variáveis que permitam a prescrição de intervenções de enfermagem, recorre a uma linguagem classificada, a CIPE,
• Fenómenos de enfermagem (Diagnósticos de Enfermagem) • Ações de Enfermagem
• Resultados de Enfermagem
Neste estudo, pretendemos contribuir para o conhecimento de como as variáveis em referência, podem ser influenciadas pelo cuidado de Enfermagem.
Para tentar ultrapassar as dificuldades que resultam da não adoção universal de uma linguagem classificada e da complexidade do problema em estudo, tem vindo a propor-se o conceito de “resultados sensíveis aos cuidados de enfermagem”, definindo para o efeito alguns dos indicadores que noutro projeto se mobilizam e que aqui se reproduzem, também numa lógica de comparabilidade entre resultados produzidos pela integração entre vários projetos.
Os indicadores dos resultados sensíveis aos cuidados de enfermagem são definidos como variáveis que centrando-se na pessoa é por esta referida como subjetiva ou observada objetivamente pelo enfermeiro, na sequência e relação com as intervenções de enfermagem desenvolvidas, considerando a singularidade da situação.
Estes serão os resultados que são relevantes, baseados no âmbito e domínio da prática e para os quais existe evidência empírica que liga os inputs e as intervenções de enfermagem aos resultados. Representam as consequências ou efeitos das intervenções levadas a cabo pelos enfermeiros e manifestam-se por mudanças no estado de saúde-doença dos clientes, comportamento ou perceção e/ou pela resolução do presente problema pelo qual a intervenção de enfermagem foi proporcionada (Doran, 2003).
Salientamos:
- Controle de sintomas e alteração da severidade dos sintomas
- Estado funcional
- Conhecimento sobre a sua situação e tratamento
- Satisfação dos clientes com os cuidados
- Visitas de emergência não planeadas aos serviços de saúde
- Readmissões hospitalares não planeadas
- Força da aliança do tratamento
De acordo com o ICN, o uso de indicadores sensíveis aos cuidados de enfermagem é importante porque ajuda a focar a atenção na segurança e qualidade dos cuidados ao paciente e na medida dos resultados dos cuidados. De facto é importante que os enfermeiros e os serviços de saúde recolham dados para monitorar o custo e a qualidade em curso do cuidado ao cliente.
Usar indicadores sensíveis do resultado dos cuidados é crucial para demonstrar eficazmente que os enfermeiros fazem a diferença crítica do custo-eficácia no providenciar cuidados seguros e de alta qualidade aos pacientes.
Recorremos neste projeto à orientação teórico-metodológica enunciada no projeto anterior. Estas variáveis serão, naturalmente para cruzar com variáveis relativas à componente estrutura e ao processo (Irvine et al., 1998), como antes referimos.
Destes, valorizamos neste estudo a gestão dos sintomas que apresentam um estatuto importante na experiência de saúde-doença das pessoas constituindo-se das principais razões para o processo de cuidados de saúde decorrentes da procura dos cuidados de saúde. Experienciados pelos pacientes com condições agudas e crónicas diversas, os sintomas são a sua primeira preocupação e dos prestadores de cuidados.
Gestão efetiva de sintomas ou controlo de sintomas (podem ser usadas as duas expressões) é considerada um resultado da prática de enfermagem. Começa com uma acurada e compreensiva apreciação da experiência de sintomas do paciente. A apreciação segue-se com a seleção de estratégias adequadas para prevenir ou aliviar os sintomas, implementar as estratégias e avaliar a sua eficácia no controlo dos sintomas.
Dood et al. (2001) definiram sintoma como uma experiência subjetiva que reflete mudanças no funcionamento biopsicossocial, sensações ou cognição de um indivíduo.
Os sintomas são caraterizados pela sua natureza subjetiva. São experienciados pelo indivíduo logo, são privados. Deste modo são difíceis de medir objetivamente e não podem ser detetados exclusivamente por outra pessoa, e exclusivamente pelos profissionais de saúde. “Tout le processus de sollicitation de l’aide implique l’existence d’un reseau de support
détenteur d’un «systéme référentiel profane», d’une connaissance non scientifique mais autorisée. Lorsque cette aide s’avére insuffisante, le «système professionnell», assimile à la protection, est sollicité.” (Amendoeira, 2005)
Desenho do projeto
O recurso a técnicas e instrumentos de colheita de dados, segue uma orientação multiforme que permita a triangulação teórica, metodológica e de resultados. Salientamos os seguintes instrumentos de colheita, registo e tratamento de dados:
- Aplicação de questionário - The Memorial Symptom Assessment Scale (MSAS); Chronic
Disease Self-Efficacy Scales; Short Form 36 Health Survey (SF-36); Numerical Pain Rating Scale (NRS); Patient satisfaction with nursing care; Self-Care Measure; Faces Pain Scale-Revised (FPS-R); Symptom Check List (SCL-90); Quality of Life Assessment (WHOQOL-BREF)
- Entrevistas a doentes e familiares cuidadores