L' Épée: Uma ferramenta computacional para aquisição de Libras de pessoas surdas

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L' Épée: Uma ferramenta computacional para aquisição de Libras de pessoas

surdas

Fagner Luiz Pulça de Barros1 , Rian Gabriel S. Pinheiro2 , Maria André de Menezes Costa3

Eixo Temático: Praticas Educativas e Inclusão

RESUMO

Este artigo propõe uma ferramenta computacional para o auxilio da aquisição de Libras de pessoas surdas. Sua importância justifica-se pela ausência de tecnologias ou softwares com essa finalidade, visto que o sujeito surdo alcança idade educacional, em sua maioria, sem conhecer a Língua de Sinais e ao iniciar esse processo não encontra nenhum material de apoio para si , bem como, para o professor que irá instruí-lo. Destarte, tivemos como objetivo criar uma ferramenta (L´Épée) que contribuísse com o processo de aquisição de primeira língua de alunos com surdez, junto com a verificação de sua aplicabilidade com professores que trabalham no Atendimento Educacional Especializado. Foi realizada uma pesquisa quantitativa, tendo como instrumentos questionários fechados. Os participantes, foram selecionados a partir de sua especialização na área, já que o intuito foi o de consultar suas respectivas opiniões acerca da aplicabilidade do software. Os testes realizados com os professores apontaram para uma avaliação positiva em relação à aplicabilidade da ferramenta, apontando como aspecto inovador a apresentação de contextos visuais . Além disso a ferramenta foi avaliada como excelente em relação a utilização da ferramenta, diferencial e contribuição e como muito boa por 90% e regular por 10% no que tange ao seu layout.

Palavras-Chave: Educação de surdos; Aquisição de Libras; Software Educacional. INTRODUÇÃO

Um objeto de aprendizagem pode ser definido como qualquer entidade, digital ou não digital, que possa ser utilizada, reutilizada ou referenciada durante o aprendizado suportado por tecnologias', de acordo com a terminologia adotada pelo Institute of Electrical and Electonics Engineers (IEEE). Visto isto, este trabalho propõe um novo objeto de aprendizagem focado na aquisição da Língua Brasileira de Sinais (Libras) para surdos que não possuem inserção em níveis de linguagem compreensiva e encontram-se em processo de escolarização.

O presente estudo justifica-se, visto a quantidade de surdos que alcançam e ingressam em idade educacional sem inserção no universo linguístico e, mediante esta realidade, o número de

1 fagnerluizbarros@gmail.com (UFRPE) 2 Rian.gabriel@gmail.com (UFRPE) 3 mariomenezescosta@gmail.com (UFAL)

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ferramentas que tenha a função de trabalhar com aquisição de Língua de Sinais para surdos é inexistente, além disso, destacamos o seu funcionamento como uma prática pedagógica por parte do professor que irá possibilitar não apenas a visualização dos sinais, mas que possam contextualizá-los com o cotidiano em uma interação constante.

Posto isso, Karnoop (2012) acrescenta que as crianças surdas, filhas de famílias ouvintes e não conhecedoras/usuárias da Libras, não têm acesso aos diálogos que ocorrem no dia a dia, assim como as narrativas e histórias passadas de geração a geração, contadas por seus pais. Assim, conforme Quadros e Cruz (2011) nos apresenta sobre os níveis de linguagem de pessoas surdas é que devemos nos atentar para o que está por trás da expressão linguística, ou seja, são os princípios que regem a aquisição da linguagem. Assim, os estudos da linguagem podem ser desenvolvidos a partir dos estudos da aquisição em diferentes contextos linguísticos, mesmo havendo um input dito normal, ele ainda pode ser inconsistente e apresentar diferentes níveis de complexidade e diferentes níveis de linguagem compreensiva e expressiva. Essas variações são subjetivos e ocorrem a depender da realidade, particularidades e experiências de cada sujeito.

Para isso, foi proposta uma ferramenta computacional denominada L' Épée (Fundador dos sinais metódicos que veio a sistematizar posteriormente a Língua de Sinais.) que, visa contribuir no processo de aquisição de Libras desses sujeitos. Ao conhecimento dos autores, este é o primeiro software com essa finalidade, uma vez que, todos os outros encontrados na literatura exigem do usuário um conhecimento prévio em Libras, ou ainda, trabalham especificamente com a aquisição da Língua Portuguesa escrita. O L' Épée utilizou estratégias de vídeos e imagens aplicadas com informação e conteúdos em Libras que serão contextualizados em situações cotidianas buscando contemplar o campo experiencial dos sujeitos.

Nesse termos, no presente estudo, buscamos como objetivo: Construir, desenvolver e testar entre especialistas da área uma ferramenta (L’ Épée) que contribua com o processo de aquisição da Língua de Sinais para surdos em ambientes educacionais. Além disso, foram objetivos específicos: Criar um banco de dados com vocabulários em Língua de Sinais, divididos em diferentes níveis de linguagem compreensiva, utilizados no software.

METODOLOGIA

Após construção do software, que fora consubstanciada no uso do dicionário trilíngue Capovilla (2001) e em profissionais e estudantes da área da surdez, no intuito de verificar acerca das possibilidades reais da ferramenta em relação ao uso de professores que trabalham com o processo de aquisição linguística de alunos surdos em seu processo de escolarização, realizamos uma pesquisa quantitativa.

Para tanto, com a finalidade de organizar em percentuais (quantificar) a avaliação dos professores em relação à ferramenta, utilizamos os desmembramentos da pesquisa quantitativa e aplicamos como instrumentos questionários fechados com 10 (dez) professores que possuem curso de especialização na área e, atuação na Educação Básica nas salas de Atendimento Educacional Especializado que possuem alunos surdos frequentantes, no município de Maceió, enfatizando avaliações sobre: aplicabilidade; contribuição; originalidade e Layout da ferramenta.

Este número de profissionais participantes justifica-se pelo fato de que buscamos para a nossa pesquisa apenas professores que fossem especialistas no assunto que, encontram-se em número escasso no município,entretanto, mesmo com esse quantitativo acreditamos da qualidade das respostas do grupo seleto, visto os critérios supramencionados.

A seguir, nas seguintes subseções, será descrito o funcionamento da ferramenta, bem como, apresentados os resultados dos testes realizados com os profissionais.

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RESULTADOS E DISCUSSÃO

Diferentemente das demais ferramentas encontras na literatura que, limitam-se apenas à tradução de uma língua a outra (Língua Brasileira de Sinais -- Língua Portuguesa / Língua Portuguesa -- Língua Brasileira de Sinais), exigindo que o usuário tenha um conhecimento a

priori, conforme anteriormente descrito, o grande diferencial do software proposto, consiste na

possibilidade de inserir o aluno com surdez, não fluente, no universo linguístico.

Pra alcançar esse perspectiva/delineamento, durante o processo de desenvolvimento, primeiramente, foi realizado um levantamento de todos os requisitos funcionais - definindo um sistema de software ou seu componente - que a aplicação precisava apresentar. Para isso, foi elaborado um diagrama de casos de uso.

Com o levantamento dos requisitos, foi feita a modelagem do sistema utilizando a UML (Linguagem de Modelagem Unificada), que permite representar um sistema de forma padronizada e diagramática (Sommerville, 2011). Para implementação do L'Épée foi utilizado a linguagem de programação Python e a biblioteca PyQt para o desenvolvimento da interface gráfica com usuário.

Nesses termos, ao término dessa fase de programação, a ferramenta passou a funcionar, possuindo vocabulário inserido em 6 níveis de linguagem compreensiva, cabendo ao professor usuário, as seguintes possibilidades:

 Selecionar conteúdo;

 Iniciar/pausar a sinalização;

 Voltar ao menu principal;

 Criar/editar/deslocar conteúdo nos diferentes níveis de linguagem/avaliar.

A Figura 1 apresenta a tela inicial do L' Épée. A tela de conteúdo foi dividida em 6, conforme topificamos.

Figura 1

1. Menu lateral, permite ao usuário escolher o conteúdo que deseja visualizar.

2. Botão play, uma vez selecionado o conteúdo, ao pressionar este botão a sinalização será executada (sinal referente à imagem e contexto).

3. Botão pause, permite pausar uma sinalização em execução.

4. Botão de retorno, permite que o usuário retorne para o inicio do menu. 5. Visualizador de vídeo, apresenta a sinalização do conteúdo selecionado. 6. Visualizador de imagem, apresenta uma figura estática sobre o conteúdo.

Note que no menu são apresentados as categorias: Dia a dia, Material Escolar, Comandos e Saudações e Cumprimentos. Todos são conteúdos de nível de linguagem 1, ou seja, os que possuem comandos experienciais mais básicos. No caso, o professor poderia trabalhar conteúdos de um nível mais elevado, dependendo do aluno.

Os botões play, pause e de retorno ao menu, foram projetados na forma de gifs animados que sinalizam determinada função. Ao selecionar o conteúdo, o L' Épée mostrará uma imagem com a representação deste junto com um vídeo de sinalização, como apresentamos na figura o conteúdo de dia a dia, na parte superior, uma figura ilustra a situação e na parte inferior o vídeo reproduz a sinalização em Libras em conjunto com o contexto situacional, proporcionando a autonomia do trabalho docente de atender a especificidade do aluno.

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Resultado Quantitativo

Como descrito na Seção de metodologia, foi aplicado um questionário aos dez (10) professores selecionados. Vale ressaltar que o intúioto do questionário é quantifica a opinião dos especialistas acerca da ferramenta proposta.

O resultado do questionário pode ser verificado na Tabela 1. Pode-se observar que o resultado foi 100% Excelente em todas as perguntas com exeção da Pergunta sobre o Layout, na qual, 80% responderam Muito Bom e 20% responderam Regular. Dessa forma, pode-se verificar a efetividade da ferramenta proposta e como ela é adequada à aquisição de Libras para pessoas surdas.

1. Como você avalia a aplicabilidade da ferramenta para contribuir com o processo de aquisição de língua de sinais do aluno surdo?

2. Como você avalia a contribuição da ferramenta no seu trabalho como professor? 3. Como você avalia a originalidade da ferramenta?

4. Como você avalia a o layout da ferramenta? 5. Como você avalia o manuseio da ferramenta?

Pergunta Resultado

1 100\% responderam Excelente. 2 100\% responderam Excelente. 3 100\% responderam Excelente.

4 80\% responderam Muito Bom e 20\% responderam Regular. 5 100\% responderam Excelente.

Tabela 1

CONCLUSÃO

Com esses resultados, entendemos que a possibilidade de uso/funcionamento e de uma boa aplicabilidade da ferramenta é possível. Entendemos ainda que a hipótese de que o professor necessita de estratégias para contribuir com o seu trabalho no atendimento Educacional Especializado é real e emergente. Entedemos ainda que Lodi (2006, p. 208) enfatiza que: Sendo a língua de sinais a primeira língua do surdo, é válido destacar que o encontro desses sujeitos com a escrita – da língua majoritária – é precedido e possibilitado pela língua de sinais.

Portanto, quanto mais efetivo é o acesso da criança surda à língua de sinais, melhores chances ela tem de fazer uma apropriação mais consistente da escrita. Para grande parte dos surdos, a linguagem evolui através da língua de sinais, que amplia as possibilidades cognitivas e conceituais para nomear e categorizar a realidade ao seu redor, bem como perpassa os objetos de conhecimento com o qual se deparam.

Diante do exposto, entendemos a necessidade de investimentos em estratégias que trabalhem o processo de aquisição de surdos durante a escolarização e, entendemos que alcançamos o objetivo inicial desse trabalho, visto que construímos um software que fora testado e aprovado por especialista do município de Maceió, o que nos estimula a continuar investindo na ideia q perspectivando mais engajamento entre a pesquisa e seus respaldos na prática/ realidade social.

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REFERÊNCIAS

CAPOVILLA, Fernado César; Dicionário enciclopédico ilustrado trilíngüe da língua de sinais brasileira. Edusp, 2001.

LODI, A. C. B; K. M. P. Harisson, and S. R. L. de Campos. Letramento e surdez: um olhar sobre as particularidades do contexto educacional. In A. C. B. Lodi, A. D. B. de Mélo, e E. Fernandes, editors, .Letramento, Bilinguismo e Educação de Surdos. Mediação, 2012.

KARNOOP,L. B. (2012). L´ıngua de sinais e l´ıngua portuguesa: em busca de um dialogo. In ´ Lodi, A. C. B., de Melo, A. D. B., and Fernandes, E., editors, ´ Letramento e minorias. P.110– 119. Mediação.

QUADROS, R. M. and Cruz, C. R. (2011). L´ıngua de Sinais: instrumentos de avaliação . Vozes, 2011.

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