Cadernos de Política Tarifária
Análise do Processo de revisão TArifáriA e dA regulAÇão Por incenTivos
#4
dezemBro2007
Tarifas e Qualidade na
Distribuição de Energia Elétrica
Os Cadernos de Política Tarifária foram desenvolvidoscom o apoio técnico da Siglasul Consultores em Energia.
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Esta série de cadernos avalia o ambiente regulatório em que operam as distribuidoras de energia elétrica, sua evolução e tendências. Também são analisados os principais componentes do processo de Revisão Tarifária Periódica e seu efeito sobre a sustentabilidade do setor.
Os cadernos acima estão disponíveis em www.acendebrasil.com.br
PolíTica Tarifária E rEgulação Por incEnTivoS
a univErSalização DoS SErviçoS DE DiSTribuição DE EnErgia EléTrica EmPrESa DE rEfErência
Sumário Executivo
Nosetorelétrico,oconsumidornãotemaliberdadedeescolhersuadistribuidoradeenergia,•
oquerequeraatuaçãodeumórgãoreguladorparadefinirovalordatarifaeumpadrão mínimodequalidadedosserviçosporelaprestados.Umaregulaçãoeficientesobreopadrãodequalidadedosserviçosdeveequacionaradequada-•
menteumasériedefatores: Oimpactotarifáriocausadopelosinvestimentosecustosoperacionaisnecessáriosao • aprimoramentodosserviços; Adisposiçãodosconsumidoresdepagarmaiscaropelaenergiaparaviabilizaramelho-• rianaqualidadedosserviços; Aspenalidadesincidentessobreasempresasquenãocumpremcomosníveisdequali-• dadedeterminadosnaregulação. Aatualregulaçãobrasileirasobreotemapossuidistorçõesquecomprometemasatisfaçãodos•
consumidoreseosincentivosparaqueasempresascumpramasmetasdequalidadeestipuladas: Ocritériodecomparaçãodeempresasutilizadoparadefinirasmetasdequalidadeé • poucorealistaegeradesequilíbriosentreoscustosebenefíciosincorridosnoaprimora-mentodoserviços; Adefiniçãodasmetasdequalidadenãolevaemcontaadisposiçãodosconsumidoresde • pagaroimpactotarifárioassociadoaoaprimoramentodosserviços.Propõe-sequesejadesenvolvidaumametodologiaquecriemetasaderentesaorealinte-•
ressedasociedadepormaiorqualidadeequeestabeleçaumequilíbrioentreseuscustose benefíciosparaosconsumidores. Dadoqueestametodologianãopodeserdesenvolvidaimediatamente,sugere-sequesua•
implementaçãoocorrapartirdo3ºCiclodeRevisãoTarifária. Parao2ºCiclo,propõe-seoaperfeiçoamentodametodologiavigentepara:•
Complementaroconjuntodeatributosutilizadoparacompararasempresasdeforma • queasmetasdequalidadesejammaisrealistas; Flexibilizarasregrasvigentesparaasempresascujasmetasdequalidadepossampro-• duzirdesequilíbrioseconômico-financeirosparaseuatendimento,compatibilizandoas metasdequalidadecomacapacidadedepagamentodosconsumidores,principalmente emregiõesdemenorrenda. TarifaS E QualiDaDE na DiSTribuição DE EnErgia EléTricaTarifaS DE baixa rEnDa PErDaS E inaDimPlência no SETor EléTrico
1. introdução
Nosmonopóliosnaturais1,comoocasodoserviçode distribuiçãodeenergiaelétrica,oconsumidornormal-mentenãotemaliberdadedeescolhersuadistribuidora deenergia,motivopeloqualénecessáriaaatuaçãode umórgãoreguladorparadefinirovalordatarifaeum padrãomínimodequalidadedosserviçosprestados. Parasechegaraumpadrãodequalidadesocialmente justo,oreguladordeveequacionaradequadamente: Oimpactotarifáriocausadopelosinvestimentose • custosoperacionaisnecessáriosaoaprimoramento dosserviços; Adisposiçãodosconsumidoresdepagarmaiscaro • pelaenergiaparaviabilizaramelhorianaqualidade dosserviços; Aspenalidadesincidentessobreasempresasquenão • cumpremcomosníveisdequalidadedeterminados naregulação. NasRevisõesTarifáriasPeriódicas(RTP)dasdistribuido-rasdeenergiaelétrica,oórgãoreguladorestabeleceo níveldeinvestimentosnaredeeoscustosoperacionais dasempresasparaalcançarospadrõesdequalidade almejados,utilizando-oscomobaseparaaformaçãodas tarifasdedistribuiçãodeenergiaelétrica. Casooreguladorexijaníveiselevadosdequalidadee nãopermitaqueastarifaspraticadasreflitamosmaio-resinvestimentosecustosoperacionaisparaobtê-los, estarápenalizandoasempresasreguladasepondoem riscoasustentabilidadedosserviços.Poroutrolado,se oreguladorpermitirqueastarifasreflitamelevados níveisdequalidade,masnãoconsideraradisposiçãoa pagardosconsumidores,estaráimpondoumônusdes-necessárioàsociedade.Finalmente,seaspenalidades nãoressarciremosconsumidoresdoscustoseconômi-cosincorridospelabaixaqualidadedoserviçoenão induziremaocumprimentodospadrõesdequalidade estabelecidos,nãohaveráincentivosparaoaprimora-mentodosserviçosprestados. Diantedestecontextoe,emfunçãodasimplicaçõesque oassuntoacarretaparaconsumidoreseempresasno Brasil,adefiniçãodasmetasdaqualidadenadistribui- çãodeenergiaelétricaseráotemadestequartoCader-nodePolíticaTarifária. 1.Estruturadeindústriaqueocorrequandoasempresasoperamcomcustoseleva-dosdeimplementaçãodeinfra-estruturaecustosdecrescentesdefornecimento dosserviçosparanovosclientes.Nessascondições,oserviçopodeserfornecidoao menorcustoquandoéofertadoporumaúnicaempresa.2. aspectos conceituais
2.1. Qualidade do Produto e do Serviço
Qualquerbemoferecidonomercadotemumaqualida-deassociadaàssuaspropriedadesintrínsecas,àforma defornecimentoeaoníveldeassistência.Nocasoda energiaelétrica,podemoscaracterizarasuaqualidade pordoisaspectos:
•Qualidade do produto:
suprimentodeenergiaconfor-merequisitostécnicosmínimosparagarantirobom funcionamentodemáquinaseequipamentos(como motores,eletrodomésticos,eletrônicosedemais).Este tipodequalidadepressupõequearedeelétricada distribuidoraatendaàsnormastécnicasqueregulam osníveisdeoperaçãodosequipamentoselétricos. Qualidade do serviço: • continuidadedofornecimento deenergia,ouseja,aausênciadeinterrupções.Este tipodequalidadeserefereaoníveldedisponibilidade doserviçodefornecimento,oqueéresultadodeinves-timentosemredeeequipamentosedogerenciamento deequipesdemanutençãoporpartedadistribuidora. Aqualidade do produtoéfiscalizadapeloreguladorno quedizrespeitoaocumprimentodasnormastécnicas. Porsuavez,aqualidade de serviço,alémdefiscalizada peloregulador,ésujeitaaoestabelecimentoperiódico demetasdemelhoria.OQuadro1mostraosprincípios quedevemnortearadefiniçãodemetasdequalidade paraosserviçosdedistribuição:
2.2. A Qualidade Justa
Quantomaioroníveldequalidadedoserviços,maioré ocustoassociado(maisinvestimentosecustosopera-cionaissãonecessários)e,portanto,maioresdevemser astarifascobradas.Noextremo,seduplicamosasinsta-laçõesdesdeogeradoratéousuário,possibilitandoum caminhoalternativoparaofornecimento,aprobabilida- dedeocorrerumafalhaserámuitobaixa,porém,oscus-tosfixosatreladosaestealtoníveldequalidadeserãoo dobrodoscustosrelacionadosàqualidademínima. Assim,paradefinironíveldequalidade justaque satisfaçaasociedade,énecessáriodeterminaroquanto oconsumidorestádispostoapagarparaobteronível dequalidadedesejado.Paraisso,énecessárioavaliaro impactoeconômicodafaltadaenergia,ouseja,ovalor daEnergiaNãoFornecida(ENF).Demodogeral,avaloraçãodaENFestárelacionadaao perfildeconsumodecadaclassedeconsumidor,àsua dependênciaparacomosserviçosdeenergiaelétricae àduraçãoefreqüênciadainterrupçãodofornecimen-to.Paraosconsumidorescomerciaiseindustriais,por exemplo,abaixaqualidadeimplicaperdadeprodução, inatividadedocapitaledamãodeobra,depreciação dematerial,custosparareiníciodeprocessosedanos aosequipamentos.Taisimpactossãomuitodiferentes dospercebidospelosconsumidoresresidenciais,mais atentosàinconveniênciadafaltadetransporte,àperda dotempodelazereconfortoetc. Comoasinterrupçõesnofornecimentonãoatingemum únicoconsumidor,avaloraçãodaENFdeverespeitarana-turezadoconsumodeenergiadetodaumaárea,tratando individualmenteosdiferentestiposdeconsumidores. Assim,pode-sedizerque“qualidadejusta”expressa oconceitoondeoconsumidorarcacomoscustose investimentosdaempresadistribuidora(viaencargo natarifa)paraproverqualidaderequeridadoserviçoe assumeoprejuízoeconômicodaenergianãofornecida correspondenteaestepatamardequalidade.Aplicando omesmoconceitode“qualidadejusta”,odistribuidor precisareceberumatarifasuficienteparafornecerener-giacomaqualidadedesejadapelosconsumidores,mas estásujeitando-seapenalidadesseprestarumserviço comumaqualidadeinferioràestabelecidanaregulação.
2.3 Penalidade
Paraincentivarqueaempresadistribuidorabusqueo menorcustototaldefornecimento,apenalidadeemcaso deumadescontinuidadenofornecimentodevesermaior queocustoaserincorridopelaempresacomamelhoria dequalidade.Assim,induz-seaempresaarealizarosin-vestimentosparaatingirametadequalidaderegulatória. Poroutrolado,oconsumidordeveserressarcidopelos prejuízosqueexcedemosprevistosnoníveldequalida-dejusta.Ouseja,devereceberumacompensaçãoporter incorridoemperdasmaioresdoqueaquelasimplícitas noníveldequalidadejusta. OQuadro2apresenta,deformaesquemática,oponto dequalidadejustaparaofornecimentodeenergiaeo valordapenalidadepelonãocumprimentodametade qualidaderegulatória.Quadro 1: Princípios da Regulação
da Qualidade dos Serviços
Umaregulaçãoeficientedevecontemplarasustentabili- dadedosserviçosprestadospelasempresaseoatendi-mentodeumametadequalidadequereflitaodesejodos consumidores.EsteéCaso1destacadonafiguraabaixo. Asdemaissituaçõessãosocialmenteindesejáveis: Caso2:oreguladorestabelecemetasdequalidadesem contrapartidanastarifas,comprometendooequilíbrio econômicodasempresaseasustentabilidadedosserviços. Caso3:astarifasrefletemosníveisdequalidadeestabele- cidos,masnãoconsideramadisposiçãoapagardasocieda-de,gerandoumdesequilíbrioentreoscustosebenefícios percebidospeloconsumidorparaoaumentodaqualidade. Caso4:Nãohárecursostarifáriosparaoalcancedasme-taseoníveldequalidadeestabelecidonãorefleteodesejo dasociedade,oquepenalizaconsumidoreseempresas. Sim Não Sim Caso 1 Tarifas e Meta de Qualidade Justas Caso 3 Consumidores “Insatisfeitos” Não Caso 2 Ameaça à Sustentabilidade do Setor Caso 4 Ameaça à Sustentabilidade do Setor Consumidores “Insatisfeitos”
Tarifas Incorporam Efeitos de Qualidade dos Serviços
M et as d e Qu al id ad e In co rp or am Disposição a P ag ar dos C onsumidor es
Quadro 2: Custos Operacionais sob a Ótica do Benchmarking
Curva de Custos do Fornecimento:
AcurvadeCustodeFornecimento,queagregaosmontantesdeinvestimen-toseoscustosoperacionaisincorridosnoaprimoramentodosserviços,aumentaquandosobeaqualidade.Em patamaresbaixosdequalidade,significativosganhosdequalidadepodemserauferidoscominvestimentos relativamentemodestos.Apartirdecertopatamardequalidade,entretanto,osinvestimentosrequeridospara umníveladicionaldequalidadesobemvertiginosamente,pois,serianecessáriaaduplicaçãoderedes,equipa-mentos,postosdereservaetc,queficariamociososamaiorpartedotempo.
Curva de Custos da Energia Não Fornecida (ENF): Namedidaqueaqualidadedosserviçosaumenta,menorserá
otempoeafreqüênciadasinterrupçõesnofornecimentodaenergiae,conseqüentemente,menoroscustos relacionadosàenergianãofornecida.Dessaforma,acurvadecustodeoportunidadedaENFdeclinaemfunção damaiorqualidadedosserviços.
Custo Total: AsomadascurvasdefornecimentoeENFdáorigemàcurvadecustostotais,querefleteoscustose
benefíciosparaasociedadedoaumentonaqualidadedosserviçosprestados.Oníveldequalidadejustaocorre nopontomínimodacurvadecustototal.Antesdesteponto,oaprimoramentodosserviçossejustifica,pois osbenefíciosdeleadvindossãomaioresqueoscustos.Apósesteponto,oaprimoramentodosserviçosnãose justifica,poisosbenefíciosdeleadvindossãomenoresqueoscustos. Penalidade: Apenalidadedevesermaiorqueocustoaserincorridopelaempresacomamelhoriadequalidade edeveressarcirosconsumidorespelosprejuízosqueexcedemosprevistosnopontodequalidadejusta.Essa condiçãoésatisfeitaseapenalidadecorresponderàdiferençaentreacurvadaENFeovalordeENFdetermina-donopontodemínimocusto. Custo Total = Custo do Fornecimento + Custo da ENF Custo Mínimo C u st o (R $ ) Qualidade de Serviço Qualidade Justa Custo da Tarifa Custo do Fornecimento Penalidade Custo da ENF (Custo do não Fornecimento p/ Consumidor)
3. regulação da Qualidade do Serviço de
Distribuição de Energia Elétrica no brasil
Osvaloresdasmetasdequalidadesãoestabelecidospor ocasiãodaRevisãoTarifáriaPeriódicadecadaempresa distribuidora,queocorrenormalmenteacadaquatro anos.Noestabelecimentodasmetaséaplicadauma análisecomparativadedesempenhodasconcessioná- rias,apartirdeatributosfísico-elétricosedadoshistóri-cosdeDEC2eFEC3,querefletemoníveldequalidadeda áreaemquestão.
Aduração das interrupções,DEC,estáligadaàoperação emanutençãodasredeseàeficiênciapararecuperar osistemaapóscadainterrupção,oquedependedo númerodeveículos,daqualificaçãodopessoal,donível deautomaçãoetc.Esteindicadorestáprincipalmente relacionadoaocustooperacionaldadistribuidora(OPEX), poisrefleteemgrandeparteocustocomaimplantaçãoe ogerenciamentodasequipesdemanutenção.
Afreqüência das interrupções,FEC,caracterizaafragilida-dedosistemafrenteaomeioambiente(causasexternas)e àdegradaçãoporenvelhecimentoe/oufaltademanuten-çãoadequada.OFECestárelacionadoprincipalmenteaos investimentosemequipamentoseredes(CAPEX). Paradefinirasmetasdequalidade,aáreadeconcessão decadaempresaésubdivididaemconjuntos consumi-doresdefinidospelaconcessionáriaeaprovadospela AgênciaNacionaldeEnergiaElétrica(ANEEL).Emsegui-daestesconjuntosdeconsumidoressãoagrupadosem clusterscomatributossemelhantes(área,comprimento deredeprimária,consumomédiomensal,potência instaladaenúmerodeconsumidores).Ametaéentão definidacombasenosconjuntosdeconsumidorescom melhordesempenhodentrodeumcluster4. Aanáliseseapóianapremissafundamentaldequeos conjuntosdeconsumidoresdediferentesempresasde-vemreceberrecursostarifáriosequivalentesparaoperar emanteraredededistribuição,vistoqueseusatributos sãosemelhantesaosdosdemaisgruposdeconsumido-respertencentesaomesmocluster. 2.DEC=DuraçãoEquivalentedeInterrupçãoporUnidadeConsumidora:intervalo detempoque,emmédia,cadaunidadeconsumidoradeumconjuntodeconsu-midoresficousemfornecimentodeenergiaelétrica,noperíododeobservação. 3.FEC=AFreqüênciaEquivalentedeInterrupçãoporUnidadeConsumidora:núme-rodeinterrupçõesque,emmédia,cadaunidadeconsumidoradeumconjuntode consumidoressofreunoperíododeobservação. 4.AsempresasdistribuidorasdetêmaprerrogativadeproporàANEELtrajetórias emetasfinaisdistintasdaquelasfixadaspeloregulador,quepodereconhecer ounãoopleitodasempresas.Dequalquerforma,segundoaresoluçãoANEELnº 075/2003,asmetasaserempropostaspelasdistribuidorasdevemsempreconter umacontínuamelhoriadosindicadoresdequalidade. Comrelaçãoàspenalidades,oreguladorcalculaa energianãofornecidaacimadoslimitesregulatórios edeterminaumapenalidade5paraasdistribuidoras relacionadaaoressarcimentoacadaconsumidor.Para tanto,valora-seaEnergiaNãoFornecidaaumpreço mínimode10vezesofaturamentomédiodosconsumi-doresafetadosnoperíododeinterrupções. OQuadro3representaoprocessodedefiniçãodemetas dequalidade. 5.Essaspenalidadessãocalculadasapartirdosindicadoresmedidosaoníveldas unidadesconsumidorasDIC(DuraçãoIndividualdeInterrupçãoporUnidadeCon-sumidora),FIC(FreqüênciaIndividualdeInterrupçãoporUnidadeConsumidora) eDMIC(DuraçãoMédiadeInterrupçãoIndividualporUnidadeConsumidora). :fdgXiXf 8ki`Ylkfj 8^ilgXd\ekf :cljk\i`qXf ;\]`e`f[\d\kXj i\^lcXki`Xj[\hlXc`[X[\ gfi:fealekfj:fejld`[fi :fealekfj
Quadro 3: Processo de Definição
de Metas de Qualidade
4. Diagnóstico da atual regulação da Qualidade
4.1. Procedimentos para Determinação das Metas
Adeterminaçãodasmetasdequalidadeporparteda ANEELincorreemdistorçõesquecomprometema satisfaçãodosconsumidoreseosincentivosparaqueas empresascumpramasmetasestipuladas. Distorção 1: Aprimeiraéquenãoexisteumcritériocomumpara caracterizarosconjuntosdeunidadesconsumidoras,o quedificultaacomparaçãodasempresas.Alémdisso, osatributosutilizadospelaANEELparacaracterizaros clusterssãoincompletoseinsuficientes,oqueprejudica acoerênciadosresultadosobtidos.Algunsdosatributos desconsideradossãocruciaisparaaadequadadetermi-naçãodasmetasdaqualidade,taiscomo: Qualidadedaconexãocomosistemadesuprimento; • Característicasdosistemadedistribuição(possibilida-• dederecomposiçãodosistemafrenteafalhas,grau deautomaçãoetc); Tipodetecnologia(redeáreaousubterrânea); • Característicasclimáticas(incidênciadevendavais, • temperaturamédia,raiosetc.); Aspectosgeográficos(dispersãodosconsumidores, • regiõesalagadaseproximidadecomlitoral); Característicasdainfra-estruturaviária. • Estasdeficiênciasconduzemaumasituaçãonaqual dentrodecada clusterasdiferençasdequalidadede serviçoretratamnãosomenteelementosdegestãoda respectivaempresa,masoutrosfatoresrelacionadosa especificidadesdosseusativosecaracterísticasdeseu mercado.Logo,asmetasdefinidascombasenestesda- dosmuitasvezesnãorefletemosreaiscustosoperacio-naiseinvestimentosparaalcançá-los. Distorção 2: Asegundaéqueadefiniçãodasmetasnãocontemplaa realdisposiçãoapagardosconsumidores.Istoresultaem níveisdequalidadequesuperestimamousubestimam aquelequeefetivamentedesejamosconsumidores. Distorção 3: Noqueserefereàspenalidades,oprocedimentoutiliza-docareceigualmentedeumalógicaeconômica,sendo fixadademaneiraindependentedadisposiçãoapagar dosconsumidoresenãopromovendoabuscadaquali-dadejustapelaempresaregulada.4.2. Resultado da Aplicação dos Procedimentos
Atualmente Adotados
NoBrasil,aqualidadedoserviçodefornecimento temmelhorado.Entreosanos1986e2006houveum aumentodequalidade,traduzidoemumaquedados indicadoresDECeFECde35%e44%,respectivamente. Paraoperíodode2007a2011,oreguladorpropôsum incrementosignificativononíveldequalidade,sem, entretanto,reconheceroscustosoperacionaiseosinves-timentoscrescentesrequeridosparaatingi-lo.Ouseja, aANEELfixoumetassuperioresdequalidadesemlevar emcontaosmaiorescustosaelasassociados. Atéomomento,amaioriadasempresasdistribuidoras temconseguidoatingirasmetasdequalidadeestabe-lecidas,emboraencontrem-senolimitedeinfringi-las. Devidoàcrescentenecessidadedeinvestimentoseàs fragilidadesmetodológicasapontadas,háumatendên-ciadenãosustentabilidadedosresultadosalcançados edenãocumprimentodasmetasfuturasestabelecidas peloregulador.Sendoassim,osagentesdosetorjá começaramamanifestarpreocupaçãoeapropornovas regrasparaadefiniçãodasmetasdequalidade. Existemexemplosquerevelamainviabilidadedomodelo aplicado,quefixametasimpossíveisdeserematingidas pelosconcessionários.OQuadro4discuteumdesses casos,relativoàsCentraisElétricasdoPará–CELPA.Quadro 4: Estudo de Caso Sobre a Inviabilidade das Metas de Qualidade da CELPA
ACELPAéumdoscasostípicosdeempresasparaasquaisasmetasdequalidadeestabelecidasnãorefletem aspeculiaridadesdeseusistemadedistribuição. ACELPAexperimentounosúltimosanosumaexpressivaexpansãodasuaredededistribuiçãonazonarural, resultadodoselevadosinvestimentosemuniversalizaçãodecorrentesdoProgramaLuzparaTodos.Entreos anosde2003e2007aextensãodasredesruraisdaempresasaltoude15milkmpara40milkm. Pornatureza,asredesruraisnãopossuemredundâncias,cobremgrandesextensõesparaoatendi-mentodeclientesdispersosesãomaisvulneráveisàsaçõesclimáticas,oqueprejudicaaqualidadeda prestaçãodosserviços. Diantedestamudançaestrutural,oatendimentodasmetasdequalidadecomeçouarequerercustoseinves-timentosmaioresque,entretanto,nãoestavamcontempladosnovalordastarifas.Oresultadoéque,embora entre2003e2005asmetasparaoDECeFECtenhamsidoatingidaspelaempresa,omesmocomeçouanão ocorrerapartirde2006.Afiguraabaixomostraumaclararelaçãoentreaincorporaçãomaciçaderedesrurais eaquedanosníveisdequalidade. Esteproblemafoiagravadoquando,nasegundaRevisãoTarifáriaPeriódicade2007,aANEELdesconside-rouanovarealidadedaempresanoreconhecimentodecustoseinvestimentosregulatóriosefixounovas metasdequalidadeaindamaisexigentes. Diantedesteproblema,aCELPAapresentouaoreguladorumestudodemonstrandoqueosníveisde qualidadeexigidossãoinatingíveisseconsideradoopatamardecustosoperacionaisedeinvestimentos reconhecidosna2ºRTP. Paranãocomprometerasustentabilidadedaconcessionária,oreguladordeveriadefinirmetasinfe- rioresàquelasestabelecidasoureconhecerummaiorpatamardecustosoperacionaisedeinvesti- mentosnaRTP,deformaarespeitaralógicadequeummaiorníveldequalidadeestánecessariamen-teligadoatarifasmaiselevadas. DEC 2003 2004 2005 60,00 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0,00 2007* 45.000 40.000 35.000 30.000 25.000 20.000 15.000 10.000 5.000 km 2006 (*) dados projetados km rede ruraisDEC META ANEEL DEC
5. Proposta
Diantedasdeficiênciasindicadas,propõe-sequeseja desenvolvidaumanovametodologiaparadefiniçãode metasregulatóriasdequalidade,baseadanoconceito dequalidadejusta: Tarifasaderentesaosníveisdequalidadedesejados • pelasociedade; Tarifasqueforneçamosrecursosnecessáriospara • queosconcessionáriosqueoperemeficientemente possamatingiressesníveisdequalidadee Penalidadesquereflitamocustoeconômicodopre-• juízocausadoaosconsumidoresemfunçãodeuma reduçãodaqualidade. Comoprimeiropasso,serianecessárioreformularo conceitodeconjuntoconsumidor,utilizandoumcritério maisabrangentedecaracterizaçãodasáreastípicas, baseadoematributosmaisrepresentativosdomercado, dosativosedarealidadedasempresas. Apartirdaaplicaçãodetécnicasdemodelagem,seria determinadaacurvadecustodefornecimento(Inves-timentoseCustosOperacionais)paracadaumadessas áreastípicas.Adicionalmente,paracadaumadessasáreas típicasdeveriaserdeterminadaacurvadeEnergiaNão Fornecida,oquepoderiaserfeitoatravésdepesquisasde opiniãooudemétodosteóricosdeestimação. Napesquisadeopinião,pergunta-seaosconsumidoresso-breosprejuízosdecorrentesdainterrupçãodosuprimento deenergiaoudadisposiçãoapagarpelamaiorqualidade dosserviços(ouporummenorníveldeinterrupções).Nos métodosdeestimação,sãoutilizadaspremissasteóricas sobreasconseqüênciaseconômicasdainterrupçãodo fornecimentodeenergiaparaosdiferentesconsumidores. DepossedascurvasdeCustodeFornecimentoeCustoda EnergiaNãoFornecida,conformeocritérioeconômicojá discutido,oreguladorpoderiadeterminarparacadaárea típicaaqualidadejustaeaspenalidadesaseremaplicadas. Paragarantiroequilíbrioeconômico-financeirodasem-presas,asmetasdequalidadeseriamdefinidasemcada RevisãoTarifáriaPeriódica,garantindoaaderênciaentre oscustosregulatórioseosrecursosnecessáriospara atingiraqualidadejustanaprestaçãodosserviços. Dadoqueestametodologianãopodeserdesenvolvida imediatamente,sugere-sequesuaimplementaçãoocor-rapartirdo3ºCiclodeRevisãoTarifáriaeque,duranteo segundociclo,suapropostasejaamplamentediscutida comosagentesdosetor. Paraestesegundociclo,propõe-seaperfeiçoaraatual metodologiadedeterminaçãodasmetasdequalidade atéquesejadesenvolvidoonovomodelodecálculo.Em particular,sugere-seincorporarosseguintesajustes: Aperfeiçoaroconjuntodeatributosutilizadopara • compararasempresasdeformaqueasmetasdequa-lidadesejammaisrealistas; Flexibilizarasregrasvigentesparaasempresascujas • metasdequalidadepossamproduzirdesequilíbrios econômico-financeirosparaseuatendimento.ViSão Aevolução sustentáveldosetorelétricobrasileiro. Evolução Sustentável:processodedesenvolvimentocontínuoque,simultaneamente, atendeàsnecessidadesdosconsumidores,remuneraosinvestimentosdasempresas, egerabenefíciosàsociedade. MiSSão Viabilizaraação empreendedoraprivadanoSetorElétricoBrasileiro materializandoacontribuiçãodessaaçãoparaaSociedade. Ação empreendedora:éaaçãocriadora,construtora,que,pelaaplicaçãocompetentee inovadoraderecursos,permiteatenderàsdemandasda sociedadeporenergiaelétrica. Contribuição:competênciadegestãodobem/serviçopúblicocomeficiência,qualidade eresponsabilidade.Contribuiçãoquetambémdiminuianecessidadedeinvestimentos públicosepossibilitaaogovernoalocarseusrecursosemáreasprioritáriascomosaúde, educação,esegurança. VAloRES Eficiência:Atendercomeficiênciaequalidadeàsdemandasdosdiferentes públicosporenergiaelétrica. Transparência:Umrelacionamentotransparenteéclaroeverdadeiro.Eleébasede confiançaparaasnossasrelaçõescomtodosospúblicoscomosquaisinteragimos.
Compromisso com o Brasil:Nossacontribuiçãoconcretaparaodesenvolvimento O Instituto Acende Brasil desenvolve estudos e projetos que visam a
promover a trasparência e a sustentabilidade do Setor Elétrico Brasileiro.
Presidente:ClaudioJ.D.Sales
Diretor Executivo:EduardoMüllerMonteiro Relações Institucionais:MariaCéliaMusa Desenvolvimento Sustentável: AlexandreUhlig Assuntos Econômicos e Regulatórios: FernandoPieroni Staff: ElianaMarconeMelissaOliveira São Paulo: RuaJoaquimFloriano,466EdifícioCorporate,conj.501 CEP04534-004,ItaimBibi-SãoPaulo,SP,Brasil Telefone:+55(11)3167-7773 Brasília: SCNQuadra5,BlocoA,sala1210 BrasíliaShoppingandTowers CEP70710-500-Brasília,DF,Brasil Telefone:+55(61)3963-6007 Email Corporativo:[email protected]