Coordenação de Saúde do Trabalhador - CST | Fiocruz
SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DA COVID-19
ENTRE TRABALHADORES DA FIOCRUZ
Período analisado – 13/03/2020 a 31/03/2021 APRESENTAÇÃO
Apresentamos o décimo sexto volume do Boletim Epidemiológico (BE) sobre a situação da COVID-19 entre trabalhadores ativos, aposentados e alunos da Fiocruz. Neste terceiro BE do ano de 2021, agora publicado mensalmente, apresentamos a atualização do panorama mensal do perfil dos trabalhadores sintomáticos e assintomáticos, bem como dos casos suspeitos e confirmados de COVID-19. Descrevemos os dados epidemiológicos obtidos no período de 13 março de 2020 a 31 de março de 2021.
A descrição dos dados obtidos ao longo dessas 55 semanas de acompanhamento nos permite ter um panorama cada vez mais abrangente da evolução do número de casos e da situação epidemiológica da epidemia de COVID-19 entre os trabalhadores ativos, aposentados e alunos da Fiocruz.
Os dados apresentados são provenientes de diferentes fontes de informação – do Núcleo de Saúde do Trabalhador (NUST), da Coordenação de Saúde do Trabalhador (CST), dos NUSTs locais de Biomanguinhos, de Farmanguinhos e do Instituto Fernandes Figueira, e da plataforma eletrônica, que monitora os casos suspeitos e confirmados da COVID-19 entre trabalhadores da Fiocruz. Ainda, apresentamos os dados dos centros de testagem da COVID-19 na Fiocruz obtidos junto ao REDcap. O REDcap é uma plataforma de entrada de dados alimentada por sete centros de coleta da Fiocruz – NUST, Farmanguinhos, Biomanguinhos, Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), Instituto Aggeu Magalhães (IAM – Fiocruz Pernambuco), Instituto Gonçalo Moniz (IGM – Fiocruz Bahia) e Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP).
Este boletim epidemiológico apresenta quatro seções: 1. Panorama das semanas epidemiológicas
2. Características dos que testaram positivo vs. negativo para COVID-19
3. Perfil dos trabalhadores hospitalizados e óbitos relacionados com a COVID-19 4. Panorama da testagem para COVID-19 segundo os centros de coleta da Fiocruz
Desde novembro de 2020 a equipe da CST juntamente com o NUST tem realizado investigações epidemiológicas dos casos hospitalizados, e também notificado ao SINAN os casos confirmados de COVID-19 como Acidente de Trabalho Grave. Os participantes que respondem as perguntas na plataforma eletrônica estão sendo contatados pela equipe de monitoramento da COVID-19 do NUST/CST, especialmente aqueles que testaram positivo para fins de acompanhamento de seu estado de saúde e oferecimento de suporte. A partir do relato do participante na plataforma eletrônica, se houver alguma demanda específica ou interesse demonstrado no primeiro contato telefônico, a equipe do NUST poderá realizar o encaminhamento do respondente para o atendimento com o psicólogo, assistente social ou médico e ainda para testagem, se necessário, como mostra o fluxo a seguir.
Trabalhador(a) registra seu estado de saúde na plataforma
eletrônica
NUST entra em contato com o trabalhador(a)
Se necessário, é feito o encaminhamento para
acompanhamento Monitoramento da COVID-19 entre trabalhadores da Fiocruz
Equipe de psicologia Equipe de serviço social
Esta seção e a próxima (2. Características dos que testaram positivo vs. negativo para COVID-19) são baseadas nos dados coletados ao longo dos meses de acompanhamento dos participantes que responderam as perguntas relacionadas com sua saúde e com a COVID-19, por meio de alguma das fontes de informações que alimentam este boletim, descritas previamente na apresentação.
Por meio do gráfico 1 é possível observar o número de respondentes a cada mês de acompanhamento. Dentre eles, quantos declararam ser assintomáticos ou apresentarem pelo menos algum sintoma relacionado com a COVID-19. Da mesma forma, quantos respondentes relataram ter realizado algum teste diagnóstico para detecção do Sars-CoV2. Ao longo dos doze meses de acompanhamento, 77% do total de respondentes se declararam sintomáticos e 59% relataram ter realizado algum teste para detecção do Sars-CoV2.
A proporção mensal de respondentes sintomáticos e assintomáticos que realizaram o teste para COVID-19 e receberam resultado positivo pode ser vista no gráfico 2. No mês de março de 2020 havia apenas 1 respondente que se declarou assintomático, este realizou o teste para COVID-19 e recebeu resultado positivo, representando 100% de caso positivo entre o único assintomático. Por outro lado, em outubro de 2020, dos 22 respondentes assintomáticos que realizaram o teste para COVID-19, 55% (n = 12) deles receberam resultado positivo.
mar/2020 abr/2020 mai/2020 jun/2020 jul/2020 ago/2020 set/2020 out/2020 nov/2020 dez/2020 jan/2021 fev/2021 mar/2021 Respondentes 413 1100 729 253 265 207 233 277 466 710 386 219 513 Sintomáticos 354 658 573 182 195 186 209 248 394 548 314 187 414 Assintomáticos 59 442 156 71 70 21 24 29 72 162 72 32 99 Realizaram teste 29 230 414 177 178 164 177 226 376 526 302 176 421 0 200 400 600 800 1000 1200
Gráfico 1 - Número de respondentes sintomáticos, assintomáticos e testados ao longo dos meses de acompanhamento 54% 65% 48% 34% 22% 36% 30% 34% 46% 50% 47% 24% 24% 100% 55% 38% 35% 23% 29% 17% 55% 53% 20% 34% 36% 32% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%
mar/2020 abr/2020 mai/2020 jun/2020 jul/2020 ago/2020 set/2020 out/2020 nov/2020 dez/2020 jan/2021 fev/2021 mar/2021
Gráfico 2 - Proporção de participantes sintomáticos e assintomáticos que receberam resultado positivo para COVID-19 segundo mês de acompanhamento
2. Características dos que testaram positivo vs. negativo para COVID-19
A maior parte dos homens e mulheres que receberam resultado do teste positivo para COVID-19 tinham idade entre 30 a 44 anos (51,2% e 47,3%, respectivamente). Proporção muito semelhante de homens e mulheres receberam resultado positivo para COVID-19 em todas as faixas etárias, como mostra o gráfico 3.
Dentre os respondentes que testaram positivo para COVID-19 e responderam as perguntas sobre seus sintomas (n = 2.787), os sintomas mais frequentemente declarados foram: tosse seca (16,2%), dor no corpo (16%) e perda do olfato e paladar (13,7%). O sintoma menos frequentemente declarado foi cianose (0,5%, n =15) (Gráfico 4).
16.5% (102) 17.9% (130) 51.2% (317) 47.3% (344) 27.5% (170) 29.3% (213) 4.8% (30) 5.5% (40) 0.0% 10.0% 20.0% 30.0% 40.0% 50.0% 60.0% Homens Mulheres
Gráfico 3 - Resultado do teste positivo para COVID-19 segundo faixa etária e sexo
(março/2020 a março/2021)
Até 29 anos De 30 a 44 anos De 45 a 59 anos Mais de 60 anos
16.2% 16.0% 13.7% 12.1% 12.1% 11.7% 6.7% 6.0% 5.0% 0.5% 0.0% 2.0% 4.0% 6.0% 8.0% 10.0% 12.0% 14.0% 16.0% 18.0% Tosse Seca Dor no Corpo Perda de Olfato e Paladar Coriza Febre Dor de Garganta Dor de cabeça Diarreia Falta de ar Cianose
Gráfico 4 - Frequência dos principais sintomas entre os trabalhadores que testaram
positivo para COVID-19 (n = 2.787)
O gráfico 5 mostra a prevalência dos trabalhadores que testaram positivo para COVID-19 em janeiro, fevereiro e março de 2021 segundo unidade de trabalho na Fiocruz. É possível observar que Farmanguinhos apresenta maior prevalência de trabalhadores que receberam resultado positivo nos três meses avaliados, atingindo 27% em março de 2021. Em seguida, observa-se o Instituto Fernandes Figueira (IFF) com 23% dos trabalhadores testados positivos para COVID-19. Em geral, verifica-se que a maioria das unidades apresentou um discreto aumento da prevalência de casos positivos de COVID-19 entre seus trabalhadores, exceto as unidades do Instituto Aggeu Magalhães (IAM, Pernambuco) e do ILMD em Manaus, que mantiveram uma prevalência estável de casos positivos de COVID-19 nesses últimos três meses analisados.
14.2% 10.7% 8.7% 8.4% 14.3% 3.0% 3.4% 8.1% 26.8% 7.0% 0.7% 13.6% 6.0% 10.1% 23.1% 16.4% 2.1% 6.9% 9.2% 14.6% 7.9% 8.4% 12.2% 9.1% 8.1% 6.3% 14.3% 2.4% 3.1% 6.9% 24.3% 4.8% 0.7% 11.8% 5.6% 10.1% 21.8% 14.6% 2.1% 6.6% 8.9% 13.7% 5.8% 7.5% 12.6% 8.2% 8.0% 5.5% 10.3% 2.2% 2.8% 6.6% 24.2% 4.9% 0.7% 10.0% 5.3% 9.5% 21.2% 12.1% 2.0% 6.6% 8.4% 13.0% 5.7% 7.1% 0.0% 5.0% 10.0% 15.0% 20.0% 25.0% 30.0% Biomanguinhos COC COGEAD COGEPE COGEPLAN COGIC ENSP EPSJV Farmanguinhos Fiocruz Brasília IAM - PERNAMBUCO - PE ICC - CURITIBA - PR ICICT ICTB IFF IGM - Fiocruz Bahia ILMD - MANAUS - AM INCQS INI IOC IRR - MINAS GERAIS - MG Presidência
Gráfico 5 - Prevalência de respondentes que receberam resultado do teste positivo
nos três primeiros meses do ano de 2021 segundo unidade da Fiocruz
(Março = 1.351, Fevereiro = 1.216, Janeiro = 1.167)
2. Características dos que testaram positivo vs. negativo para COVID-19
O gráfico 6 mostra a proporção de respondentes que testaram positivo para a COVID-19 segundo o tipo de vínculo com a Fiocruz. No título do gráfico é possível verificar, entre parênteses, o número total de respondentes segundo tipo de vínculo. Podemos observar que a maioria dos trabalhadores aposentados, alunos e estagiários que relataram ter realizado o teste para COVID-19 receberam resultado positivo (71,4%; 56,6% e 50%). Já os residentes, bolsistas, servidores e trabalhadores terceirizados que realizaram o teste para COVID-19, em sua maioria, receberam resultado negativo.
40.6% 42.4% 41.5% 47.6% 56.6% 71.4% 50.0% 0.0% 10.0% 20.0% 30.0% 40.0% 50.0% 60.0% 70.0% 80.0% Terceirizado Servidor Residente Bolsista Aluno Aposentado Estagiário
Gráfico 6 - Proporção de trabalhadores que testaram positivo para COVID-19 segundo
tipo de vínculo com a Fiocruz (Estagiário = 18, Aposentado = 7, Aluno = 53, Bolsista =
206, Residente = 106, Servidor = 766, Terceirizado = 2.078)
Positivo
3. Perfil dos trabalhadores hospitalizados e óbitos relacionados com à COVID-19
Esta seção utilizou os dados sobre hospitalização e óbitos fornecidos pela Cordenação de Saúde do Trabalhador. Segundo dados fornecidos pela CST, de março de 2020 até 31 de março de 2021, 82 trabalhadores da Fiocruz foram hospitalizados e 26 foram á óbito com suspeita de COVID-19. O gráfico 7 mostra quantos dos casos suspeitos foram confirmados (resultados positivo) ou descartados (resultados negativo). Vê-se que a maior parte dos casos suspeitos hospitalizados e de óbitos tiveram diagnóstico de COVID-19 confirmado (61 hospitalizados e 21 óbitos). 2% 74% 23% 4% 81% 15% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% Negativo Positivo Suspeito
Gráfico 7 - Distribuição dos trabalhadores hospitalizados ou que foram a óbito segundo suspeita de COVID-19 (hospitalizados = 82,
óbitos = 26)
A maior parte dos casos positivos hospitalizados eram homens (57%) com idade entre 40 a 49 anos (31%). As mulheres hospitalizadas eram em geral um pouco mais velhas do que os homens hospitalizados, 31% delas tinham entre 50 a 59 anos. Da mesma forma, maior proporção de homens mais jovens, com idade entre 30 a 39 anos, foram hospitalizados em comparação com mulheres da mesma faixa etária (23% vs. 11%, respectivamente).
Observa-se que o dobro de casos positivos de COVID-19 que foram à óbito eram homens em comparação com as mulheres (14 vs. 7). Dentre os homens que foram à óbito, a maioria tinha idade entre 50 a 59 anos. Já as mulheres eram mais jovens, com idade entre 40 a 49 anos, conforme mostra o gráfico 9.
1 1 3 4 6 2 3 1 0 1 2 3 4 5 6 7 Homens Mulheres
Gráfico 9 - Óbitos relacionados com casos confirmados de COVID-19 segundo faixa
etária e sexo (Homens = 14; Mulheres = 7)
De 30 a 39 anos De 40 a 49 anos De 50 a 59 anos De 60 a 69 anos Mais de 69 anos 1 3 8 3 11 6 9 8 3 6 3 0 2 4 6 8 10 12 Homens Mulheres
Gráfico 8 - Hospitalizações relacionadas com casos confirmados de COVID-19 segundo
faixa etária e sexo (Homens = 35; Mulheres = 26)
De 20 a 29 anos De 30 a 39 anos De 40 a 49 anos De 50 a 59 anos De 60 a 69 anos Mais de 69 anos
3. Perfil dos trabalhadores hospitalizados e óbitos relacionados com à COVID-19
48% e 39% dos casos positivos de COVID-19 hospitalizados eram trabalhadores terceirizados e servidores, respectivamente. Dentre os trabalhadores que receberam resultado positivo e foram à óbito, 33% deles eram terceirizados e servidores, 19% eram bolsistas (Gráfico 10).
3% 7% 39% 48% 2% 2% 10% 19% 33% 33% 5% 0% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% 50% Aposentado Bolsista Servidor Terceirizado Aluno Estagiário
Gráfico 10 - Distribuição dos trabalhadores com resultado do teste positivo para COVID-19 e que foram hospitalizados ou a óbito segundo tipo de
vínculo com a Fiocruz (hospitalizados = 61, óbitos = 21)
Óbitos Hospitalizados
4. Panorama da testagem para COVID-19 segundo centros de coleta da Fiocruz
Colaboradores
Coordenação de Saúde do Trabalhador/Coordenação Geral de Pessoas - Andréa da Luz, Sônia Gertner, Flavia Lessa, Mônica Olivar, Isis Brasil,
Márcia Pacheco, Cecília Barbosa, Caroline Sixel e Fabiola Eto | Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde -Rodrigo Murtinho, Marcelo Rabaco, Aldo Lúcio Pontes | Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana/ENSP - Marcelo Moreno | Coordenação de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência - Marília Santini | Coordenação-Geral de Planejamento Estratégico
- Cláudia Martins | Instituto Oswaldo Cruz: Rosane Griep, Lúcia Rotenberg | Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas: Mayumi
Wakimoto | Farmanguinhos: Vladimir Soares | Biomanguinhos: Alessandra Miranda, Tania Madeira | Escola Nacional de Saúde Pública: Fátima Rocha e Giselle Oliveira | Instituto Fernandes Figueira: Antonio Albernaz, Elaine Yuan
7% 60% 29% 10% 13% 15% 15% 14% 23% 27% 20% 10% 13% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70%
Gráfico 11 - Proporção de resultados positivos segundo mês de testagem
Esta seção utilizou dados dos centros de testagem da COVID-19 da Fiocruz obtidos junto ao REDcap e alimentados pelos centros de coleta da Fiocruz, mencionados na apresentação desse BE. Nem todos os trabalhadores que realizaram o teste para COVID-19 nestes centros de coleta participaram da pesquisa de monitoramento, de onde provem os resultados anteriores apresentados neste boletim. Por isso, há diferença entre o número total de testes apresentados nos gráficos anteriores e nos gráficos desta seção.
O gráfico 11 mostra a proporção de resultados positivos obtidos pelos testes RT-PCR realizados entre os meses de março de 2020 a março de 2021. Essa proporção oscila em cada mês, mas em geral se mantém baixa em comparação com a proporção de resultados negativos; exceto pelo mês de abril de 2020 que obteve 60% dos resultados positivos (n = 273).