SÃO CUCUFATE Pontos Fracos
Meios Expositivos ♦♦
Inexistência de Informação Turística em várias línguas ♦♦♦
Acessos a pessoas de Mobilidade reduzida ♦♦♦
Quadro Avaliativo n.º 35
SÃO CUCUFATE Ameaças
Inexistência de delineamento do percurso ♦♦
Promoção de outras potencialidades da Vidigueira ♦♦♦
Quadro Avaliativo n.º 36
A gestão do sítio arqueológico tem vindo a combater as fraquezas supramencionadas, tentando melhorar a estratégia promocional e fomentando a parceria com a comunidade local. Exemplo disso, foi a reestruturação da Casa do Arco, em Vila de Frades, que abriu em Março de 2006. Neste edifício estão patentes trabalhos efectuados pela população e visitantes durante actividades de animação realizadas no percurso do sítio arqueológico.
Comparativamente ao inquérito, remetido pela entidade da tutela e apresentado em anexo, discordamos apenas da exposição permanente, onde consideramos o espaço pouco aproveitado, transmitindo-se uma mensagem monótona.
4.2.8.
Villa
Romana de Torre de PalmaENQUADRAMENTO LOCAL
A V
illa
Romana de Torre de Palma está situada no Alto Alentejo, concelho de Monforte, distrito de Portalegre. Encontra-se em fase de valorização e de recuperação. Abarca uma vasta área que encerra em si várias cronologias, desde o século I até ao século XIII, que se encontram sobrepostas.Aqui pudemos constatar, uma vez mais, a extrema organização do povo romano, com o objectivo de rentabilizar ao máximo os recursos naturais existentes. Os vestígios de construções agrícolas, como, o celeiro, o lagar, ou os armazéns de instrumentos agrícolas e os estábulos para os animais são exemplificativos dessa política. O sítio arqueológico é
“um espaço
organizado e pensado para a vivência rural; sendo bem estruturada para exploração agrícola, era
reservada ao
villicus
(feitor), conservam-se painéis de mosaicos, denotando uma riqueza arquitectónica e histórica ímpares.Assim, no que diz respeito aos painéis de mosaicos, destacam-se as séries equestres, marca de identificação da
Villa
Romana de Torre de Palma, expostos no interior do edifício desportivo de Vaiamonte, por uma questão de salvaguarda, sendo posteriormente transportados para o Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa.Figuras n. º s 138 e 139: A envolvente da Villa Romana de Torre de Palma.
Relativamente, à
villa
poderemos referir que todos os passos inerentes ao programa anteriormente referido, conduzido pelo IPPAR, apontam como tónica central o enquadramento dos vestígios desta comunidade agrícola, visando que a mensagem futuramente transmitida seja a mais fidedigna possível, e que o impacto em termos de estruturas não seja nefasto para o meio envolvente.Em termos de visibilidade territorial, o turista/visitante poderá observar,
“os campos de
oliveiras, de girassóis ou de milho e as searas que se estendem para Sul, até Estremoz. (...)
pedras que aqui e ali sobressaem nas suaves colinas que ladeiam uma pequena linha de água.”
(Dias: 2001; 80)
Apesar de neste sítio arqueológico decorrerem obras de beneficiação, não verificámos qualquer tipo de preocupação no que concerne o acesso a turistas de mobilidade reduzida, facto que se estende ao circuito interno, o que não constitui excepção, comparativamente aos diversos sítios arqueológicos alentejanos visitados.
OS ACESSOS
Acede-se a Monforte, pela Estrada Nacional 243, que se encontra em condições relativamente satisfatórias. Chegados a Monforte, rumámos em direcção a Vaiamonte, pela
Estrada Nacional 369. Antes de chegarmos a esta vila, há uma placa indicativa (já em cima do entroncamento) de viagem à esquerda seguindo-se por uma estrada secundária de terra batida e em mau estado. Alguns quilómetros percorridos, levanta-se a dúvida de termos tomado o caminho certo uma vez que ao longo do caminho há vários entroncamentos, sem placas assinalando a direcção certa.
Optámos por seguir o caminho principal, e alguns quilómetros avistámos um conjunto de casas (que mais tarde viríamos a saber corresponderem à Herdade da Torre de Palma) e um terreno delimitado por uma rede com grandes dimensões.
Figuras n. º s 140 e 141: Os acessos à Villa Romana de Torre de Palma.
Toda esta zona encontrava-se em obras, e as máquinas de trabalho condicionavam a visita de turistas/visitantes. Sendo esta situação esporádica (devido ao facto de estar a ser construído o Centro de Acolhimento e Interpretação do sítio, com conclusão prevista para finais de 2005), não poderá constituir só por si um aspecto negativo. No entanto, achamos importante frisar a fraca sinalização ao longo do caminho e a ausência de um painel que indique a entrada.
Já no sítio, propriamente dito, notámos uma pequena placa identificativa da
villa
romana, onde consta uma breve resenha histórica sobre a mesma ilustrada com algumas fotografias e complementada com uma planta do sítio. Na placa constava o horário de funcionamento.Figura n.º 142: Placa Identificativa da Villa Romana de Torre de Palma
Naturalmente não tivemos acesso ao Centro de Acolhimento do sítio arqueológico uma vez que este se encontrava ainda em fase de construção. Por conseguinte, dirigimo-nos a um módulo provisório onde a recepcionista, nos vendeu os ingressos. Apesar de não existirem visitas guiadas, esta profissional teve a amabilidade de, voluntariamente, nos acompanhar e elucidar acerca das estruturas arqueológicas.
Figura n. º 143: Casa provisória da Villa Romana de Torre da Palma
Relativamente ao circuito interno, os acessos são rudimentares sendo de difícil uso para turistas/visitantes com mobilidade reduzida. É igualmente importante frisar o cuidado, em grupos de crianças, que os responsáveis pelos grupos deverão ter, devido à irregularidade do terreno.
Figuras n. º s 144 e 145: Monitorização precária no Percurso
Deve-se assim referir a urgente necessidade de melhorar os acessos exteriores, de forma a rentabilizar o investimento realizado e atrair o turista/visitante a um sítio arqueológico que prima, quer pela riqueza arquitectónica e artística, quer pela diversidade da sua envolvente.
O CIRCUITO ARQUEOLÓGICO
Durante a visita ao percurso, acompanhados pela guia turística, que futuramente será a recepcionista, verificámos a existência de placas quer identificativas quer orientadoras de todo o percurso, transmitindo o máximo de informação possível.
Torre de Palma foi classificada como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 241/70 de 3 de Junho, inserindo-se actualmente no Projecto de Valorização e Recuperação de Património Arqueológico, da responsabilidade do IPPAR.
Apesar do circuito ainda não se encontrar disponível na sua totalidade pelos motivos supra referidos, pudemos, durante a nossa visita, conjuntamente com a guia, desfrutar de parte do mesmo.
O circuito pode ser dividido em cinco grandes pontos de interesse turístico, apresentados por ordem da visita realizada:
as áreas residenciais, que abarcam a casa do proprietário, do feitor e as dos trabalhadores da exploração agrícola romana, onde pudemos observar somente uma parte dos belíssimos painéis de mosaicos; os restantes, como já foi referido, anteriormente, encontram-se noutra estrutura para assegurar a sua conservação e salvaguarda;
as áreas laborais, onde se destacam os vestígios dos lagares de vinho e azeite, as forjas, os espaços para a horta e, os armazéns e/ou celeiros para o condicionamento dos produtos agrícolas produzidos;
as áreas de higiene e prazer, situados nos extremos das áreas residenciais, designadamente os balneários que serviam a
Villa
Romana de Torre de Palma;Por último e, já situado fora de todo este circuito previamente estabelecido, visitámos a área de culto e religiosa, onde se conservam os vestígios de um Templo romano e de uma basílica Paleocristã, com espaços funerários de cariz romano e cristão.
Apesar de toda a sua envolvente se encontrar em obras de restauro e a construção das estruturas de apoio ainda não estarem completas, o percurso estabelecido consegue, com o auxilio do material expositivo, transmitir eficazmente a função principal dos vestígios exumados pelas escavações.
Figuras n. º s 146 e 147: O percurso exterior da Villa Romana de Torre de Palma.
Os meios expositivos e complementares que ajudam o turista/visitante a compreender e a situar-se, no decorrer do percurso, são compostos por placas explicativas do modelos já referido: possuem uma breve resenha explicativa da função da área observada, complementada com um pequeno desenho que auxilia o turista/visitante a deslocar-se no tempo e a imaginar o vestígio no seu estado original. Ao longo de todo o percurso, e com o objectivo de conduzir o turista/visitante a cumprir o circuito estabelecido, destacam-se várias setas de cor avermelhada.
Relativamente à presença e importância do guia turístico na visita aos diversos sítios arqueológicos, podemos reiterá-la, com este exemplo concreto, louvando a amabilidade e simpatia com que a guia orientou a visita, e o profissionalismo com que respondeu às perguntas efectuadas. Graças à sua imprescindível ajuda conseguimos compreender e identificar pormenores existentes nas diversas áreas que de outra forma passariam despercebidos.
Os suportes expositivos consistem em placas com pequenos textos, com uma letra de tamanho reduzido, escritos apenas em português e inglês.
Ao analisarmos o circuito arqueológico exterior e, uma vez que o sítio não possuiu ainda um Centro de Acolhimento e Interpretação, julgámos importante referir a estrutura que conserva o famoso painel de mosaicos de cavalos,
imagem de marca
do arqueossítio (Hiberus
– significa a força do rio Ebro que atravessa a Península Ibérica;Pelops
–o nome do filho de Tântalo, o qual fundou os Jogos Olímpicos;Lenobatis
– deriva do movimento que é executado pelos pisadores de uvas, breve alusão ao deus do vinho, Baco;Leneus
– a força eufórica do vinho;Inacus
– o seu nome deriva do rio de Argólida, localizado na Grécia) (CÂMARA MUNICIPAL DE MONFORTE: s.d.).Este painel demonstra, na óptica de arqueólogos franceses que estudaram e analisaram a
villa
,“retratos de vencedores de Ludi circensis (corridas de circo), oferecidas por alguém
importante como forma de afirmar o seu prestígio social ou celebrar alguma festa em
particular.”
(CÂMARA MUNICIPAL DE MONFORTE: s.d.) A título de curiosidade, acrescentamos que painéis com mosaicos alusivos a este tema, as corridas de circo, existem apenas nove em todo o mundo, incluindo o de Torre de Palma.Na entrada da estrutura, encontrámos uma placa que indicava a exposição do painel de mosaicos e numa pequena recepção pudemos adquirir o único leaflet existente e disponível, no momento, da
Villa
Romana de Torre de Palma. Este meio promocional possui uma breve resenha histórica, com principal incidência para a descrição e explicação do painel de mosaico dos Cavalos.O painel, ao centro de uma sala, está rodeado por plataformas que possibilitam ao turista/visitante a observação, pormenorizada, do mesmo. Esta visita é complementada com placas explicativas de cada cavalo, como sucede no leaflet, anteriormente adquirido.
Este painel de mosaicos foi encontrado num compartimento que os arqueólogos definem, possivelmente, como uma sala de recepção da própria
villa
. No entanto, como medida de salvaguarda do painel, foi imperativa a sua deslocação para uma estrutura de apoio externa ao sítio arqueológico, no complexo desportivo da vila de Vaiamonte, onde está exposta ao público. Apesar da inexistência de placas informativas que nos ajudem a encontrar este complexo, refira-se que esta estrutura possui, no refira-seu interior, acessos para pessoas de mobilidade reduzida, nomeadamente rampas em redor do painel de mosaicos dos Cavalos.Figura n.º 148: Enquadramento da Villa Romana da Torre de Palma
Perante todos os aspectos assinalados conclui-se que, apesar de existirem alguns pontos que deverão ser melhorados, este sítio está a ser alvo de intervenções importantes tanto para a valorização de um espaço ímpar, como para a eficaz compreensão e percepção de todo o espaço arqueológico por parte de qualquer turista/visitante.
INTERVENÇÃO E MUSEALIZAÇÃO
As intervenções museológicas neste sítio basearam-se na preservação preexistente do espaço enquadrado na época. Deste modo, toda a equipa de investigadores do sítio arqueológico o perspectivou
“como um campo arqueológico dinâmico. Ou seja, a sua importância passará
pelos aspectos físicos já revelados por outros e a detectar através de cíclicas escavações, mas
também por um processo de «legibilidade do território» enquanto unidade de produção e de
fruição, que terá constituído a razão de ser das actuais ruínas.”
(CÂMARA MUNICIPAL DE MONFORTE: s.d.)Este processo está em consonância perfeita com o projecto de valorização referidos no capítulo referente aos sítios arqueológicos, como factores de desenvolvimento e alargamento da oferta histórica, cultural e paisagística dos meios rurais portugueses. Referimos também a preocupação do IPPAR em estudar e transmitir o espaço não de forma atomística mas como um todo.
Face a esta preocupação o futuro projecto, da Câmara Municipal de Monforte (s.d.), de arquitectura pretende
“interpretar o território, a paisagem, os aspectos da natureza e o espaço
cósmico”
com o objectivo de transmitir ao turista/visitante uma melhor compreensão de todo o enquadramento geral do sítio arqueológico e criar, estabelecendo inter-relações entre o Património histórico e arqueológico exposto e ainda com o Património natural envolvente.Deste modo, podemos concluir que
“se procura uma ideia de «não intervenção», ou melhor,
intervir pela ausência de «marcos simbólicos», pretendendo-se qualificar o lugar das ruínas por
aquilo que elas são capazes de expressar, pela força do seu relacionamento com o território, e
deste para com elas, e ainda construindo na paisagem uma estrutura abstractizante que se quer
integrada nos materiais e no contexto geográfico.”
(CÂMARA MUNICIPAL DE MONFORTE: s.d.)OS VISITANTES
Baseando-nos na experiência e informações da nossa guia, podemos afirmar que os tipos de mercado que futuramente poderão ser enquadrados neste sítio arqueológico, serão as visitas de estudo, ou seja grupo de estudantes jovens e/ou grupos especializados na área com o objectivo de verificarem e analisarem as técnicas de preservação e restauro utilizadas.
Perante os dados apresentados no inquérito, em anexo, presenciamos uma subida significativa no último ano, talvez reflexo da aposta na melhoria das condições de acolhimento dos visitantes.
Gráfico n.º 19
Fonte: Inquérito apresentado em anexo.
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 N ú m e ro B ru to d e V is it a n te s 2002 2003 2004 Anos
Tal como tem vindo a ser reiterado, para que o IPPAR possa avaliar a receptividade das estruturas de apoio construídas no âmbito de valorização dos sítios arqueológicos e, tomar medidas no sentido de estabelecer uma relação mais próxima entre os visitantes e o museu dever-se-ia proceder à realização de um inquérito simples no fim de cada visita realizada.
ANÁLISE SWOT À VILLAROMANA DE TORRE DE PALMA
TORRE DE PALMA Pontos Fortes
Enquadramento territorial •••
Visibilidade territorial •••
Importante conjunto patrimonial •••
Existência de informação turística em português e inglês (no circuito) ••
Itinerário delineado (incluindo a sinalização) •••
Quadro Avaliativo n.º 37
TORRE DE PALMA Oportunidades
Meios Expositivos do circuito ••
Oferta de instalações sanitárias, e infra-estruturas de lazer (encontrava-se em obras) ••• Espaços livres, públicos e privados, com potencialidades de valorização •• Estruturas de Acolhimento e Interpretação com funcionários profissionais ••• Promover a recuperação e a valorização do Património histórico e arqueológico •• Crescimento na complementaridade dos circuitos urbanos e culturais e temáticos ••
Melhoria da sinalética (acessos exteriores ao sítio) •••
Realização de Acções Pedagógicas e Educativas com entidades locais •• Quadro Avaliativo n.º 38
TORRE DE PALMA Pontos Fracos
Acessos a pessoas de Mobilidade reduzida ♦♦♦
Acessibilidades e transportes precários ♦♦
Inexistência de sinalética no exterior do percurso (em remodelação) ♦♦ Quadro Avaliativo n.º 39
TORRE DE PALMA Ameaças
Promoção de outras potencialidades de Monforte ♦♦♦
Verifica-se consistência entre a análise SWOT e o inquérito enviado, destacando-se como aspectos que deverão ser melhorados, as acessibilidades e as sinaléticas existentes no exterior e no interior do percurso. Contudo, consideramos importante alertar que a nossa visita foi realizada durante a construção do Centro de Acolhimento e Interpretação, em Setembro de 2005.